Mundo Corporativo: Julia Maggion, da Ateha, explica como negócios verdes podem fazer do Brasil uma potência regenerativa

“A gente precisa como país se apropriar desse lugar. Realmente, entender que os negócios podem ser uma ferramenta para se colocar nessa posição de uma potência regenerativa mesmo” 

Julia Maggion, Ateha
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O Brasil tem a possibilidade de se transformar em uma potência regenerativa, a partir de uma série de ações que valorizem seus principais biomas, aproveitando-se da riqueza que oferecem para desenvolver novos negócios sustentáveis. Essa não é apenas uma visão otimista do que podemos fazer no país, é realidade que se enxerga a partir de projetos que estão em andamento, alguns dos quais sob o olhar da empreendedora Julia Maggion, uma das fundadoras da Ateha, empresa criada para apoiar empreendedores com ideias de impacto para as soluções climáticas, em 2021.

Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, Julia esbanjou entusiamo ao falar do empreendedorismo verde e das possibilidades que existem no Brasil. A existência de matas nativas e biomas diversificados — Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa, Pantanal e Bioma Marinho —permite ao país a liderança desse movimento de regeneração e o surgimento de fontes de renda para comunidades locais.

Após passagem em uma série de grandes empresas e no sistema bancário, nos quais aprendeu lições importantes na área corporativa, Julia descobriu-se em projetos de impacto social e ambiental. A ideia da Ateha surgiu nesse novo momento, quando então ela se juntou a parceiros de negócios no setor financeiro: Raymundo Magliano Neto, ex-CEO da Magliano Corretora e co-fundador da Expo Money e Humberto Matsuda, co-fundador da Performa Investimentos e fundador da Matsuda Invest. Uma combinação que para ela foi perfeita: 

“A Ateha faz investimentos sementes nas empresas, mas a gente entra muito no negócio, botando a mão na massa. É o que eu gosto de fazer. Eu adoro pegar o negócio no começo, a ideia e desenvolver. E o nosso papel também é fazer a ponte com o universo do investimento, haja vista a experiência dos meus sócios”.

Os projetos de impacto ambiental e regenerativos tem inúmeros benefícios e permitem que se atue no âmbito local, entendendo os limites territoriais, as fronteiras de crescimento e as características próprias de cada população.  Da mesma forma, exigem do empreendedor visão diferente daquela que costumamos ter nas grandes empresas, em que o lucro é a meta:

“Aprender com essa lógica (a da sustentabilidade) exige desconstruir muito do que a gente aprendeu no mundo convencional dos negócios, exige a criação de um arcabouço de novos valores e, principalmente, no sentido de a gente saber trabalhar conectado, entendendo os ritmos da natureza”.

Na nossa conversa, Julia destacou que um dos negócios que estão sendo fomentados pela Ateha é o Ekuia Food Lab, um laboratório que pretende valorizar a biodiversidade da Amazônia e regenerar florestas, impulsionando negócios e fortalecendo uma nova economia com a criação de produtos alimentícios. Também em desenvolvimento está a Ateha Escola do Clima que pretende disseminar conhecimento, formando mão de obra mais bem preparada e empreendedores que tenham a visão de negócios regenerativos.

Pensar em soluções ambientais não é função apenas para empreendedores verdes ou startups que nasceram com essa intenção. É responsabilidade, também, de todas as empresas e seus líderes que precisam entender quais são os mecanismos de impacto que podem ser desenvolvidos dentro de seu negócio. Uma preocupação posta por uma das nossas ouvintes no Mundo Corporativo foi quanto ao risco de o empreendedorismo verde em lugar de proteger se transformar em explorador do meio ambiente:

“A gente precisa criar os mecanismos justamente para que isso não aconteça. Isso tem a ver com políticas públicas, com associações de empresários e de empresas que têm esse pacto de não gerar o impacto negativo. Porque como eu falei, a empresa acaba muitas vezes fazendo um projetinho que está gerando um impacto positivo, mas na sua atividade principal gera um impacto negativo absurdo. Então, a sociedade, principalmente, tem que estar muito atenta”.

Um das formas de atuar para impedir esse desvio de conduta é ter informação e conhecer os instrumentos de fiscalização e proteção ambiental. No site da Ateha existem vários documentos e artigos, disponíveis de graça, que podem ajudar você a estar mais bem informado sobre o assunto. 

Antes, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo, com Julia Maggion, CEO e cofundadora da Ateha:

O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: aluga-se tudo 

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“Vale estudar um pouco seu mercado e avaliar se há uma oportunidade dentro da economia compartilhada”

Jaime Troiano

De casa a carro, de roupa a lava-roupa. Aluga-se de tudo e um pouco mais em um sistema bastante antigo que ganhou roupagem nova com o conceito da economia compartilhada. Diante da era da escassez, tomar por empréstimo alguma coisa faz sentido além de tornar acessíveis bens que seriam financeiramente inviáveis. Com isso, surgiram oportunidades para que as marcas construam nova imagem frente ao consumidor.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo revelou seu otimismo com o sistema de aluguel que, além de estar se expandindo aos mais diversos setores da economia, têm surgido de forma renovada em segmentos onde o modelo já existia, como o de automóveis. Se no passado alugava-se carros por dias ou semanas —- e necessariamente em agências especializadas —, hoje é bastante comum, o aluguel por hora e de veículos que estão estacionados nos mais diversos pontos da cidade.

“Vejo que a modalidade do aluguel tem muito espaço para crescer e muitas marcas novas poderão surgir nessa tendência”

Cecília Russo

A economia compartilhada democratiza o uso de produtos e serviços assim como reduz o impacto no meio ambiente. No caso de carros, por exemplo, troca-se a lógica de um carro por pessoa para um mesmo carro para várias pessoas. 

A consolidação deste modelo passa pelo amadurecimento do consumidor que vê com menos preconceito a possibilidade de dividir produtos com outras pessoas e se desprende da ideia de posse. As vantagens são muitas, como relacionou Jaime Troiano:

  1. Comodidade: locar um carro, por exemplo, alivia o consumidor de várias tarefas. Já vem com seguro, não tem de pagar IPVA e a manutenção é desnecessária. Se houver algum problema, devolve e troca de carro. 
  2. Variedade: alugar roupas é ter um armário ilimitado, com todas as cores, modelos e estilos disponíveis sem lotar o seu armário em casa.
  3. Acesso: aluguel, é óbvio, custa bem menos do que comprar um bem, na maior parte dos casos. Dessa forma, pode-se ter acesso a uma bolsa de uma grife para usar no fim de semana, sem desembolsar o valor de uma compra.

Queremos ouvir a sua opinião:

O que você pensa sobre a locação dos mais diversos produtos? 

Qual foi a sua experiência nessa área? 

Que oportunidades você vê para o seu negócio?

Para saber mais sobre o mercado de aluguel e como as marcas devem aproveitar essas oportunidades, ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. 

Mundo Corporativo: Gustavo Narciso, do Instituto C&A, diz como os ativistas corporativos transformam empresas

“A gente traz pra pra lógica da empresa as discussões sociais a gente traz pra lógica da empresa as inquietudes da sociedade”.

Gustavo Narciso, C&A
Trabalho voluntário com empreendedorismo social Foto: divulgação C&A

Queria ser jornalista, os pais preferiam que fosse doutor, formou-se engenheiro bioquímico e, hoje, se apresenta como ativista corporativo, apesar de, formalmente, ser diretor-executivo do Instituo C&A. Gustavo Narciso, entrevistado do Mundo Corporativo da CBN, aproveitou-se de sua história de vida para ilustrar o tema central de nossa conversa: a importância da diversidade nas empresas. Sim, voltamos a esse assunto — que havia sido tratado na semana passada, com Eduardo Migliano, da 99Jobs.com, e em outros episódios do programa —  devido a sua relevância e, como percebi em comentários deixados em publicações anteriores, da intolerância que é resistente.

Foi quando chegou à C&A, antes de assumir o cargo executivo no instituto, que Gustavo encontrou espaço para expressar sua identidade. Na consultoria em que atuava anteriormente era o único negro no escritório, situação que, segundo ele, causava estranheza, em especial diante dos clientes, pois não tinha o perfil que eles esperavam. Quando migrou para o setor de varejo, dividiu lugar com outros negros e, especialmente, foi quando se encorajou a assumir para seus pares de que era homossexual:

“Era uma outra questão que eu escondia. E gastava muita energia para esconder isso. Então, eu encontrei um ambiente um pouco mais inclusivo e  isso permitiu com que eu me desenvolvesse, com que eu criasse mais vínculo com as pessoas e isso fez com que minha carreira deslanchasse”.

A partir daquele momento, Gustavo conheceu outros ativistas corporativos que falavam sobre o tema da diversidade e inclusão no mercado de trabalho; e isso o inspirou a sugerir a criação do comitê de diversidade na C&A, o qual liderou, a partir de 2017. Uma de suas tarefas foi entender como conectar as discussões sociais e as inquietudes da sociedade com a dinâmica do negócio. Uma rede de varejo como a C&A atende cerca de 1 milhão de clientes diariamente, em todo o Brasil, portanto, perceber se a atenção oferecida a pessoas com deficiência está a altura da necessidade delas, se os consumidores são valorizados pela intenção de compra que têm ou se o respeito é igualitário no serviço prestado, têm um impacto enorme na sociedade. 

Uma das mudanças propostas por Gustavo foi redirecionar o trabalho voluntário que os cerca de 16 mil funcionários são incentivados a realizar — com dias de trabalho que podem ser dedicados a essas ações. Em lugar de atuar nos programas voltados à educação das crianças —- o que ocorria até então — decidiram focar no tema do empreendedorismo social para mulheres em situação de vulnerabilidade, aproveitando a expertise da C&A na área do varejo:

“Criamos uma oficina de costura no meio da Cracolândia, em São Paulo, com coletivo de mulheres dependentes químicas que produzem brindes corporativo e outros itens de moda, para gerar renda. Além disso, elas têm atendimento psicossocial com a intenção de tirá-las da situação de rua e da dependência química”.

Outra medida de impacto foi incentivar a moda autoral brasileira conectando empreendedores LGBTQIA+ e periféricos com o negócio da C&A e oferecendo espaço em seu marketplace, com isenção de taxas e contratos competitivos, dando-lhes acesso ao mercado de consumo. 

Mesmo que tenha encontrado um ambiente que lhe permitiu se expressar e se desenvolver profissionalmente, Gustavo diz que há muitos desafios a serem vencidos no tema da diversidade e inclusão dentro da C&A. Apesar de haver na empresa um número considerável de negros, ele é o único a ocupar cargo executivo. A ideia é incentivar novos líderes negros para assumirem outras áreas. Assim como proporcionar oportunidades a mulheres que atualmente estão em cargos de média gestão a ascenderem na hierarquia do grupo. Avançar na inclusão de pessoas transgêneras e com deficiência é o que Gilberto identifica como “desafio gigantesco”. 

No programa Mundo Corporativo, Gustavo Narciso trouxe outros exemplos de projetos em desenvolvimento no instituto visando a inclusão, abordou o conceito do aquilombamento e respondeu a dúvidas de ouvintes. Assista à entrevista completa:

O Mundo Corporativo tem a participação de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: descubra a sua essência e defina sua carreira, sugere o consultor Emerson Dias

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“Será que aquela escolha é norteadora para o resto da minha vida, será que eu preciso ficar nela?”

Emerson Dias, Consultor

As transformações no mundo do trabalho são inexoráveis e se aceleram a cada instante. Diante desse cenário, os profissionais precisam se adaptar e encontrar novas formas de atuação. Acima da forma, porém, está nossa essência que precisa ser respeitada para que se alcance aquilo que é nosso maior objetivo: a busca da felicidade. É o que defende Emerson Dias, consultor, doutor e mestre em administração, em entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN.

Autor do livro “Carreira, a essência sobre a forma”, Emerson ilustra sua ideia a partir de situações enfrentadas por atletas de alta performance, como é o caso de Usain Bolt —- um esportista de talento extraordinário que na pista conquistou os maiores prêmios e recordes até o momento que seu corpo permitiu. Sem as condições físicas necessárias para seguir carreira de atleta, Usain Bolt precisou se adaptar às novas exigências. Deixou as pistas, mas, provavelmente, jamais deixará o esporte, que é a sua essência. É a partir dela que o ex-velocista seguirá sua jornada profissional em busca da felicidade.

Como poucos são Bolt, ter consciência do que é a sua essência torna-se ainda mais importante a medida que é, a partir dela, que você avaliará se as escolhas feitas no início da sua carreira profissional ainda fazem sentido:

“Quanto mais eu me conheço, quanto mais eu sei a minha essência, as minhas inclinações, eu consigo abrir mão de coisas que não façam sentido para mim. Então. eu acho que o caminho, dada a nossa limitação de recursos, é buscar a se conhecer”.

Ao realizar um trabalho que tenha maior significado, as dificuldades são enfrentadas com mais suavidade, aumenta-se a tolerância ao estresse e a tensão, e se alcança segurança psicológica. Verdade que a situação sócio-econômica nem sempre permite que as pessoas façam escolhas apropriadas, mas desenvolver o autoconhecimento permitirá que, no instante em que houver uma estabilidade financeira, o profissional esteja preparado para redesenhar sua trajetória.

“Muitas vezes, eu escolho aquilo que está diante de mim, da minha possibilidade, do meu acesso, mas não, necessariamente, eu deveria escolher aquilo se eu tivesse possibilidades de acessar outros lugares, outros espaços, e aí sim falar ‘nossa, isso aqui é mais legal do que aquilo que eu tinha’. Então, acho que o contexto social também influencia nas nossas escolhas”.

Das mudanças que a pandemia prometia deixar no ambiente de trabalho, talvez a mais evidente, na opinião de Emerson, seja a necessidade de as pessoas discutirem temas que não eram bem-vindos no passado, como o da saúde mental. Percebe-se agora que as relações humanas são extremamente importantes e mesmo os líderes demonstram maior interesse em escutar sobre o assunto. A eles (os líderes), aliás, o consultor deixa um recado:

“Se o seu papel é liderar, você nunca pode esquecer que você tem que produzir resultados. Agora, para produzir resultados, se fosse só a parte técnica, o Google resolvia. Não é! É a parte da coesão social. É a parte do desafio, do desenvolvimento do indivíduo, de você estabelecer objetivos e de você apoiar um indivíduo na construção desse objetivo”.

Assista ao vídeo com a entrevista completa com Emerson Dias em que falamos, também, de estratégias para nos prepararmos para as mudanças no mercado de trabalho e para realizarmos melhores escolhas na nossa jornada:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscilla Gubiotti e Rafael Furugen. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: economia circular está na moda

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“A tendência da sustentabilidade é irreversível, não apenas na moda. Devemos ter essa ideia no radar. Não quer dizer colocar todas as fichas nisso, tampouco virar as costas para ela”

Cecília Russo

Dos setores que mais perderam durante a pandemia, está o da moda. Segundo a McKinsey, a queda nas vendas, em Março de 2020, logo após o início da crise sanitária, foi de 81%, quando comparado ao ano anterior. Em 2021, também em Março, a queda estava em 49%, E, em Janeiro deste ano, as perdas estavam próximas de 20%. Apesar disso, há sinais positivos no horizonte.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo trouxeram dados de pesquisa da Globo, publicada no portal Gente, da Globosat, de que a intenção de compras de roupas aparece em 1o lugar, à frente de  smartphones, outros eletrônicos e perfumes. Ou seja, recuperação à vista. O importante é que as marcas entendam quais os caminhos a serem trilhados diante das experiências e expectativas dos consumidores. Que saibam interpretar as tendências:

“Vale sempre lembrar que quando falamos de tendência, estamos falando de um segmento pequeno da população que puxa esses comportamentos, não podemos generalizar, está longe de ser uma demanda plena e de massa”.

Cecília Russo

Uma das tendências é a moda circular: um produto que vem de fontes renováveis ou recicladas, que também seja reciclado de alguma forma após o consumo, fechando esse ciclo de 360 graus. Essa tem sido pauta de muitas marcas. Segundo dados americanos, 60% dos executivos de moda planejam investir ou já investiram em economia circular. O consumidor mais jovem gosta da ideia:  40% da geração Z — hoje com menos de 25 anos — e 30% dos Millennials já compraram em sites ou aplicativos de roupas usadas

“Pensar em economia circular ainda é para uma parcela pequena da população. Pessoas que já estão abastecidas de roupa e hoje passam a questionar o impacto que tal consumo pode gerar ao planeta. De toda forma, aqui no Brasil, vemos algumas iniciativas interessantes”

Jaime Troiano

Das marcas que estão aproveitando essa jornada, aqui no Brasil, Jaime e Cecília destacam o trabalho realizado pelo “Enjoei” e pela “Repassa”, comprada pela Renner, em 2021:

“A empresa faz a curadoria das peças, recicla, precifica, vende e entrega. Firmou, inclusive, uma parceria com a Levis que dá desconto quando o cliente recicla suas roupas usadas na plataforma da Repassa”.

Jaime Troiano

Mesmo que as iniciativas ainda sejam incipientes, diante do enorme volume de roupas produzidas e vendidas no modelo tradicional, essa tendência é importante porque pode impactar um segmento que é responsável por 4% das emissões de carbono mundiais. 

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo que vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã.

Mundo Corporativo: Fabíola Meira, advogada, fala da transição de carreira para profissionais liberais

Foto divulgação

“Não dá para ter medo, porque o medo tem dois lados: dá aquela aquela sensação gostosa, ao mesmo tempo que te trava. Não dá para ter medo, mas você precisa saber onde você tá pisando. Não dá para ir de olhos fechados”. 

Fabiola Meira, advogada

A secretária falta, o funcionário se atrasa, os boletos do escritório não param de chegar, o aluguel aumenta e os clientes sempre querem mais e mais. É o que você ganha quando decide ser protagonista do seu próprio negócio em lugar de seguir prestando serviço a outras empresas e empregadores. 

Foi esse o desafio que a advogada Fabíola Meira decidiu encarar em um dos momentos mais sensíveis para uma mulher: o nascimento do primeiro filho. Desconfia que o puerpério — esse estágio na vida de todas as mães, no qual enfrentam transformações hormonais, físicas e emocionais  — tenha influenciado na decisão de deixar um emprego seguro para tocar o próprio escritório de advocacia. Uma desconfiança que se expressa em tom de brincadeira porque Fabíola sabe que tinha outros ótimos argumentos para deixar o escritório em que trabalhava há 15 anos:

“Eu queria alguma coisa bem especializada para os clientes. Que eles sentissem que estavam sendo acolhidos, cuidados, com alguma coisa muito específica”.

Diante disso, vem a primeira lição para profissionais liberais que pretendam seguir carreira própria. Fabíola conversou com muita gente do mercado em que atua, fez várias reuniões com escritórios de advocacia e elencou argumentos antes de tomar sua decisão. O segundo passo foi entender se seria seguida por sua equipe no escritório em que já atuava e por seus clientes —- já que tinha uma carteira bastante robusta na área de direito do consumidor, que foi na qual se especializou. Não dá para começar do zero.

A terceira lição que se tira da experiência da Fabíola é que, mesmo não sendo a “dona” desenvolveu uma visão empreendedora — especialmente, quando sugeriu que a área dela fosse administrada de forma independente no escritório que atuava no modelo “full service”, ou seja, prestava serviços jurídicos com a oferta de especializações nas diversas áreas do direito. 

Nossa entrevistada no programa Mundo Corporativo também contou com uma ajuda extra e importante em momentos decisivos de nossas carreiras: o da família. Seja pela experiência que o pai tinha em escritório próprio seja no impulso que o marido dela ofereceu, incentivando-a a abrir o seu. Fabíola que, na frase que abre este texto, pede para não se ter medo, confessa que teve. E para superá-lo, pesou dores e prazeres:

“Apesar das preocupações, tem um lado gostoso de você ver que as coisas estão acontecendo da sua forma, que você está crescendo, que você está desenvolvendo outras pessoas na carreira, que tem um toque seu nas coisas. Tem as dores, mas também tem um lado muito positivo”.

Acho que você, caro e raro leitor deste blog, já percebeu que a Fabíola tomou a decisão de ser “dona do seu próprio nariz” ao mesmo tempo em que teve o primeiro filho. O que não contei ainda para você é que este filho nasce depois dela ter completado 40 anos —- uma decisão que muitas mulheres têm adotado ou pensam em adotar atualmente, com a intenção de, antes de ser mãe, garantir estabilidade profissional e financeira. 

Assim como nos ensina sobre como se transformar em uma profissional liberal e abrir negócio próprio, Fabíola também usa nossa conversa para orientar outras mulheres que queiram aproveitar a maternidade com maturidade: congelem seus óvulos. Um alerta que só foi ouvir — e de amigas — quando estava com 38 ou 39 anos, motivo que lhe causou angústia. Entende que é preciso falar desse tema, porque muitas mães têm filhos aos 44 ou 45 anos e não contam que o tiveram a partir da fertilização in vitro e não em uma fecundação natural:

“Eu não tenho vergonha nenhuma de dizer isso, até porque eu acho que isso a gente precisa falar para outras mulheres. É um assunto que muitas mulheres escondem e isso acaba atrapalhando. Tenho amigas que engravidaram naturalmente depois dos 40 anos. Mas não é a regra”.

Assista à entrevista completa com a advogada Fabíola Meira na qual conta, também, sobre as mudanças que as empresas tiveram de fazer para atender as demandas do consumidor diante da pandemia do coronavírus.

O Mundo Corporativo tem as colaborações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: as lições de empreendedorismo de Flávio Augusto, da Wiser

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“É importante ter um plano, sim, mas é importante a gente estar sempre sensível para novas oportunidades” 

Flávio Augusto da Silva, empresário 

Nem o Estado nem as multinacionais. O maior empregador no Brasil é o pequeno e o médio empreendedor, responsável pela contratação de 70% dos profissionais que ocupam uma vaga de trabalho de maneira formal. Isso significa  que quanto mais a mentalidade empreendedora se espalhar mais empregos serão gerados. Apesar disso, é bem provável que você não encontre na área da educação, escolas dispostas a levar para o currículo essa mentalidade —- seja por preconceito seja por falta de visão seja por total desconexão com as possibilidades que a vida oferece aos jovens. Para o empresário Flávio Augusto Silva, entrevistado do Mundo Corporativo da CBN, o ensino tem de ir além dos caminhos convencionais:

“Não existe apenas um caminho, existem vários caminhos. Nossos jovens podem ser um atleta, um sacerdote, um artista, e, também, ser um empreendedor. Ele pode também no futuro ser aquele cara que vai investir o seu o dinheiro, o dinheiro dele, que ele economizou com muito sacrifício, com o objetivo de realizar um sonho e com isso gerar emprego”.

Flávio Augusto tem uma história que vai além do clichê “o vendedor de curso que virou dono do curso”, apesar de ter iniciado assim sua trajetória quando fundou a rede de idiomas Wise Up, em 1995. Quatro anos antes começou a trabalhar “casualmente” como vendedor de um curso de inglês, no Rio de Janeiro e, graças aos bons resultados, logo ascendeu na empresa, até entender que havia uma enorme oportunidade no ensino do idioma para adultos. Arriscou ao usar o cheque especial e os juros de 12% ao mês para abrir 24 escolas próprias nos primeiros três anos — o que não recomenda para ninguém. Em 18 anos, a rede se expandiu para 396 escolas. Um sucesso que foi vendido para a Abril Educação por R$ 877 milhões, em 2013. E recomprado, dois anos depois, pela metade do preço. Sim, ele voltou a ser o dono da Wise Up.

Antes de seguir nessa história, é bom saber o que leva um empresário a vender um negócio que está dando certo. Flávio Augusto recorre a metáfora do construtor de prédio: 

“Não é muito da cultura brasileira entender que um construtor constrói um prédio para vender os apartamentos. Você não vai ver um construtor de repente olhar para o prédio e pensar: ‘eu vou ficar com esses 200 apartamentos para mim porque eu gostei muito’. O ápice do sucesso de um empreendedor é quando ele constrói um negócio a ponto do mercado desejar aquele negócio e pagar por ele. A venda de um negócio, é uma métrica de sucesso de um empreendedor”.

Para o empresário existem três possíveis destinos para uma empresa, dois deles deveriam ser evitados. O primeiro é o negócio quebrar; o segundo, o dono morrer;  e o terceiro é ser vendido. Por isso, diz que, sempre quando tem um negócio, tem um plano de saída. Não entramos no tema, mas reportagens em sites de finanças e negócios dizem que Flávio Augusto estaria preparando a Wiser, empresa que comanda e investe na área da educação e da tecnologia, para um movimento estratégico que poderia ser tanto um IPO quanto a venda do grupo — plano de saída ou de expansão?

Verdade que, nos últimos anos, apesar e por causa da pandemia, Flávio Augusto e a Wiser têm se dedicado muito mais a entrar em novos negócios. Para ter ideia, comprou a Conquer, escola de negócios, e a AprovaTotal, plataforma que prepara estudantes para o vestibular, entre outros investimentos. Ter percebido o movimento que o mercado fazia em direção ao ensino online, antes do fechamento das escolas físicas, por causa da crise sanitária, permitiu que a Wiser se fortalecesse e se colocasse no mercado como “compradora”. 

De volta as lições que aprendemos ao ouvir a entrevista de Flávio Augusto ao Mundo Corporativo. Ele recomenda muito cuidado na elaboração do plano de negócios da empresa, que pode ser impactado por questões tributárias, fiscais e trabalhistas. 

“O erro mais comum que cometemos quando entramos no mundo do empreendedorismo é não fazer o plano de negócio ou subestimar o plano ou superestimar o plano, porque o plano vem com a necessidade de se ter um capital junto. E aí se você subdimensionar o capital no seu plano e demorar demais para chegar no seu ponto de equilíbrio, vai te faltar o capital de giro. Essa é aquela hora que o empresário, às vezes, começa a se endividar mais do que deveria. Ou aquele momento que ele vai ficar desesperado procurando um sócio. E de repente pode falir”.

Alerta aos novos empreendedores, que a empresa não é apenas uma planilha de Excel, transações financeiras ou desenvolvimento de produto. Antes de qualquer coisa —- palavras dele —  é preciso saber gerir pessoas, se é que o empreendedor tenha a intenção de expandir seu negócio. 

“Gente tem suas contradições, tem suas dificuldades, tem suas traições, tem um pouco de dor de cabeça, tem! Mas, também, gente tem muita alegria. Tem gente boa, tem gente talentosa, gente que quer crescer, gente que vai contribuir com você. Então, tem os dois lados da moeda. Agora, uma coisa é necessária, você tem que aprender a gerir pessoas e, infelizmente, isso não se aprende na escola”. 

E como não se aprende nas escola formais, claro, Flávio Augusto foi lá e transformou isso em mais uma oportunidade.  

Ouça a entrevista completa de Flávio Augusto, fundador da rede de idiomas Wise Up e CEO da Wiser, no Mundo Corporativo: 

Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscilla Gubiotti e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: Gilson Magalhães, da Red Hat, defende que a colaboração produz mais que a competição

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“A nossa cultura é inacreditavelmente diferenciada justamente por isso, porque todos temos a liberdade de opinar em qualquer nível. E a colaboração acaba acontecendo e a inovação vem também acompanhando toda essa dinâmica” 

Gilson Magalhães, Red Hat Brasil

O surgimento dos smartphones, que mudaram a sociedade, permitindo que a tecnologia da informação chegasse às mãos de bilhões de pessoas, foi o impulsionador das soluções em código aberto. A opinião é de Gilson Magalhães, presidente da Red Hat Brasil, líder internacional no desenvolvimento de software open source —- perdão, é assim, em inglês, que a turma costuma se referir ao tipo de produto criado em um regime descentralizado em que a empresa não é a única responsável por sua produção.

“A gente não entende, talvez, a dimensão do impacto dessa tecnologia no nosso dia a dia e como ela veio com escala muito maior. Saímos da escala de milhões de pessoas que usavam Tecnologia de Informação para bilhões de pessoas. Foi necessário o uso de novas tecnologias e um dos casos importantes nesse avanço foi justamente a participação das soluções de código aberto como um fomentador da inovação e crescimento da escala”.

Gilson foi criado no ambiente do código proprietário, ou seja, cada um é dono do seu próprio nariz e ninguém põe a mão. Foi há oito anos que se descobriu um apaixonado pelo código aberto provocado pelo que identificou ser um tendência de mercado e se ofereceu para trabalhar na Red Hat Brasil:

“Não só não me arrependo da decisão, como acho que esse é o caminho para as novas gerações, porque é o caminho que garante que haja, na evolução dessa grande indústria, a possibilidade da colaboração das pessoas participarem da estruturação de como vão ser as entregas, as soluções de TI”

Em uma indústria em que a colaboração é a chave que aciona a inovação, a gestão de pessoas tem de ser pautada por essa mesma ideia. As relações têm de ser abertas como os códigos-fontes e o conceito precisa ser exercitado na dinâmica de trabalho das empresas. Para Gilson, o sucesso desse negócio depende de se ter uma cultura que ofereça espaço para a colaboração espontânea. O método tradicional do comando-controle, do “eu mando e você obedece” ou hierarquizado não funciona nessa indústria. Gilson diz que na Red Hat não adianta mandar fazer, porque se a pessoa não concordar com o caminho proposto, não o seguirá. E isso não é um problema. É a solução.

“Nós temos que fazer e trabalhar com convencimento. O poder de influência é muito mais importante nesse sentido. Isso contamina o líder que tem que ser um exemplo a ser seguido e não ser uma eminência a ser satisfeita”.

A pandemia — não seria diferente nesta indústria — tornou-se um desafio a parte na busca da criação de ambientes colaborativos, porque a ideia de ambiente, muitas vezes relacionada ao espaço físico da empresa, deixou de existir. O que falamos ser ambiente — e no meu caso, escrevo muito aqui no blog — na realidade é cultura da empresa. Agora imagine levar essa cultura a todos os colaboradores quando cerca de 30% deles chegaram nos últimos dois anos, ou seja, já dentro do modelo de trabalho à distância. 

Uma das formas de simplificar a adaptação dos colaboradores que chegam é identificar já no recrutamento perfis que estejam de acordo com o pensamento colaborativo e aberto. Essa cultura também impacta nas decisões de promoção que não consideram a senioridade, mas a contribuição ou o poder de influenciar e levar os outros a caminhar em uma direção significativa para o cliente. 

“Aqui é uma outra dinâmica. A gente costuma dizer que nós não temos portas abertas,  nós simplesmente não temos portas. Não tem como dizer que o chefe é intocável. O chefe precisa estar lidando com qualquer questão, da limpeza do escritório a decisão de novos produtos”.

O presidente da Red Hot Brasil diz que essa forma de trabalhar leva à escuta ativa, o que se fazia com maior simplicidade quando todos compartilhavam o mesmo espaço fisico, mas que agora, com o trabalho à distância, exigiu a criação de novos métodos e hábitos como encontros informais e cafés com os líderes. Nessas e nas demais atividades de relacionamento, Gilson afirma que todos são estimulados a falar o que quiserem e sem restrições ou retaliações. 

Provocado por um dos nossos ouvintes, que queria entender se em ambientes colaborativos também haveria espaço para a competição que sempre foi vista como indutora do desenvolvimento e da melhor produtividade, Gilson preferiu colocar essa questão de uma maneira diferente. Começou lembrando que parte dos colaboradores da Red Hat decidiu tatuar a marca da empresa em uma demonstração da admiração por aquilo que fazem; e explicou:

“O que acontece quando a pessoa faz uma tatuagem é que ela está demonstrando que tem um vínculo, uma paixão por aqui. Então, a motivação está mais em fazer parte de alguma coisa transformadora do que você ser melhor do que a outra”. 

Ouça o programa Mundo Corporativo com Gilson Magalhães, presidente da Red Hat Brasil, que também falou sobre oportunidade de emprego nesse setor de soluções de código-aberto e o tipo de profissional que mais buscam no mercado:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: desconhecimento sobre ESG de pequenos e médios comerciantes é desafio para Fecomercio, diz Luiz Maia

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“Sem o envolvimento de todos nós não vamos chegar nos objetivos finais; e não podemos jogar toda a responsabilidade no governo”

Luiz Maia, Fecomercio

O trabalho que você realiza, o serviço que você presta, o armarinho do seu bairro ou o mercado ‘tem-tudo’ que abastece sua região têm impacto no meio ambiente? A maioria dos pequenos e médios comerciantes de São Paulo (97%) responderam com um sonoro não a essa pergunta, em uma demonstração de desconhecimento da pegada ecológica que todos deixamos no planeta, independentemente do nosso papel na sociedade. Verdade que de acordo com a nossa consciência e a função que exercemos as marcas que deixamos no meio ambiente são maiores ou menores, mas é inevitável que sejamos consumidores de recursos naturais, como relata Luiz Maia, coordenador do comitê ESG, da Fecomércio SP, em entrevista ao programa Mundo Corporativo:

“Mesmo uma pequena empresa tem de uma certa forma impactos climáticos. Isso pode ser através do descarte dos seus insumos, que não é feito de uma forma adequada, pode ser através de sua cadeia de valores, onde existem emissões de gases, pode ser através de consumo de água, que não tá sendo controlado, não tá sendo monitorado, e pode ser pelo consumo. também, de energia elétrica”.

A Fecomércio — Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo — ouviu 100 empresas do setor na capital paulista, das quais 90 têm menos de dez empregados e as restantes têm mais de 50. Na pesquisa identificou-se que quase um quarto dos entrevistados alegam falta de conhecimento para adotar os critérios ESG. Se não conhecem os impactos ambientais que geram, se não conhecem as práticas de sustentabilidade que estão ao alcance, temos um problema pela frente — cenário que Luiz Maia prefere enxergar como uma oportunidade.

“Essa discussão tem que envolver as grandes empresas, ajudando as pequenas empresas a descobrir como elas podem cooperar e de uma certa forma participarem também desse processo de descarbonização, dos processos de despoluição que nós temos hoje no meio ambiente, na sociedade”

O aspecto social é considerado o mais relevante no tripé ESG por 46% dos comerciantes ouvidos pela Fecomércio. A porcentagem das empresas que deram prioridade a este tema superou as perspectivas ambiental e de governança — ambas com 27%. Para Luiz Maia essa percepção reflete tamvém os efeitos da pandemia, durante a qual muitos negócios se esforçaram para não demitir funcionários e adotaram medidas para controlar a disseminação do coronavírus —- em ações que alcançaram colaboradores, clientes e a vizinhança.

Por falar em oportunidade. Luiz Maia lembra que a maior parte desses comerciantes está na “última milha” do relacionamento com determinadas comunidades, o que pode torná-los em difusores do conhecimento das práticas ESG, alcançando a casa das pessoas nas regiões em que estão inseridos. Por isso, a Fecomercio quer usar os dados da pesquisa para criar estratégias para orientar os pequenos e médios negócios.

Na conversa que tivemos no Mundo Corporativo, provoquei Luiz Maia a antecipar medidas que poderiam ser implantadas de imediato pelos comerciantes atendendo as demandas ESG. Vamos a esse roteiro que vou chamar de Manual Prático de Sustentabilidade:

  1. Reduzir custo de energia elétrica com troca de lâmpadas e equipamentos de maior eficiência energética; e investir em geração fotovoltaica;
  2. Na área da governança, regularizar pagamento de tributos e a contratação de mão de obra;
  3. Fazer um planejamento financeiro que capacita o negócio a ser economicamente sustentável;
  4. Na questão social, pensar como se engajar na comunidade e aproveitar o espírito de voluntarismo do brasileiro para atuar em programas de saúde, educação e segurança pública.
  5. Dar preferência a contratação de pessoal ligado à comunidade em que atua.

“Com essas ações, o pequeno empresário tem o poder de começar a mudar um pouquinho para onde a direção da  agulha está indo; o caminho certo! Eu vejo essa iniciativas totalmente plausíveis de acontecer e se elas estiverem dentro de um contexto de um ecossistema de um grande grupo podem se beneficiar de várias outras formas, também”. 

Assista à entrevista completa com Luiz Maia, coordenador de ESG da Fecomercio SP, ao Mundo Corporativo, da CBN:

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: para Roberto Lunardelli, da Fazenda da Mata, ESG se planta com ‘prosperidade compartilhada’

Foto: divulgação

“Esse é o nosso caminho, né? O nosso grande desejo é esse. É trilhar um novo capitalismo. Um capitalismo muito mais consciente que traz oportunidade para todos” 

Roberto Lunardelli, Fazenda da Mata

Você já ouviu falar em “quebra”? Certamente já, mas talvez não com esse conceito que vou tratar na abertura deste texto para explicar como têm de ser corajoso e idealista o pequeno produtor disposto a ter negócios sustentáveis em todas as dimensões. “Quebra” é como os grandes mercados chamam todos aqueles produtos que estão no estoque e não são vendidos, geralmente porque não estão dentro dos parâmetros considerados ideais, e pelos quais os fornecedores são ressarcidos por valores bem abaixo do negociado (descontos de cerca de 60%). A regra nem sempre é muito clara para o produtor, até porque sabe-se que, parte daquilo que foi considerado “quebra”, segue à venda na gôndola, e sem desconto para o cliente.

Foi contra medidas como essa que o pessoal do Fazenda da Mata decidiu se rebelar e se reinventar, focando outros mercados, especialmente lá fora, e não aceitando negociação a qualquer custo. Por pessoal, estamos nos referindo a Daniella e Roberto Lunardelli, casal fundador da fazenda dedicada a produtos orgânicos, que iniciou o projeto em terras que mantinham na região de Goiânia. No Mundo Corporativo ESG, entrevistamos Roberto que falou da inspiração que tiveram quando trocaram São Paulo por Goiás:

“Logo no início, planejamos a empresa em alguns alicerces básicos. Seria uma empresa que pudesse produzir alimentos íntegros — lógico, orgânicos — a preços acessíveis a todos. E para isso nós tivemos que fazer uma produção em grande escala e preços acessíveis com disponibilidade de produtos de alta qualidade o ano todo”

Dos 400 hectares de terras que tinham à disposição, metade é preservada; a outra é dedicada a plantação dos orgânicos. Para ampliar a capacidade de negócios, se aproximaram de agricultores familiares assentados da reforma agrária, o que abriu para estes a possibilidade de levar seus produtos ao exterior. Para garantir ao mercado que as práticas usadas estão de acordo com as regras internacionais de sustentabilidade, buscaram certificação no Sistema B, a partir de um processo, bastante complexo e minucioso, que identifica se a empresa tem modelo de negócio que visa o desenvolvimento social e ambiental de comunidades e trabalha em soluções para problemas climáticos e ambientais.  

Após a frustração com as negociações feitas com os grandes compradores do país, a Fazenda da Mata entendeu que o tema da sustentabilidade era muito mais desafiador e exigia decisões assertivas. Roberto recorreu, então, a experiência da época em que era executivo de terno e gravata, em terras paulistas, e atuava com comércio exterior para encontrar parceiros lá fora. Segundo ele, especialmente na Europa, no Canadá, nos Estados Unidos e na China, antes de negociarem preços, as empresas querem saber, por exemplo, qual o nível de desmatamento na sua área, quais são os impactos relacionados ao meio ambiente ou quais as ações sociais que você promove:

“Lógico que eles vão sempre buscar a comprar com preços competitivos. Lógico que eles sempre vão buscar a melhor qualidade possível. Essa questão é negocial. Eles não vão fugir disso, mas há uma preocupação muito mais alinhada com uma agenda ESG”.

Na mudança de estratégia, a Fazenda da Mata deixou de entregar orgânicos para 80 pontos de vendas em redes de varejo no Brasil. Hoje, existe um parceiro nacional, em uma rede de mercados que tem quatro lojas, em Brasília, todas abastecidas por um programa batizado Frutos da Mata, graças aquele acordo com os assentados:

“Nós trabalhamos num formato semelhante a cooperativa, onde há um equilíbrio de ganhos. Os assentados são os produtores e nós entramos com uma estrutura que faz toda a gestão comercial, financeira, contábil, logística, etc. É uma alegria enorme dar a oportunidade a esses assentados que produzem com uma qualidade espetacular; e nós conseguimos dar acesso a um mercado que, em outras condições, talvez eles não teriam”. 

Roberto diz que o resultado deste trabalho tem atraído o interesse de gestores no desenvolvimento de politicas públicas que permitam a ampliação dos negócios das famílias de pequenos agricultores, e está sintonizado com o lema da Fazenda: prosperidade compartilhada.

“Você faz negócios com empresas preocupadas com o meio ambiente, preocupadas com questões mais humanizadas, e isso te dá uma um retorno, uma satisfação maravilhosa de você saber que você tá lidando com pessoas que tenham uma preocupação com relação ao impacto ao legado que você vai deixar para o planeta”

Assista à entrevista completa com Roberto Lunadelli, da Fazenda da Mata, ao Mundo Corporativo ESG

Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.