Empreendedorismo: não evite notícia ruim, use-a a seu favor

 

 

Na rádio ou no jornal; na TV ou na internet. As notícias ruins estão por aí. Muitas vezes, nos assustam. Tem gente que se esconde delas. Outros, apagam o rádio, não leem e não veem, temendo ser contaminados pelo pessimismo.

 

Uma das questões apresentadas durante o Papo de Professor, promovido pelo Sebrae Pronatec, foi como os empreendedores deveriam se proteger das notícias ruins. Minha ideia é muito clara: informação é essencial para planejarmos e nos preparamos. Portanto, não evite as notícias ruins, use-as para estar pronto para encarar o próximo desafio.

 

Assista a outros vídeos com perguntas e respostas sobre empreendedorismo.

Rezemos, é o que resta

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Não há mais muitas coisas nem loisas neste mundo que me espantam. Só o que está acontecendo no Brasil já seria suficiente para me deixar em estado de alerta quando eu era mais novo.Pensei que tivesse lido tudo o que a mídia faz questão de divulgar,seja algo positivo ou negativo. E olhem bem tudo o que a TV, os jornais, as rádios e as redes sociais se desdobram para nos contar e, mesmo assim,há episódios que me enraivecem,me alegram,me entristecem ou me deixam indiferente.

 

Vou fazer uma confissão: um senhor idoso,do alto de seus 93 anos,surpreendeu-me. Seu nome é Hélio Bicudo. Duvido muito que os adultos se lembrem dele,embora o sobrenome chame a atenção por ser um tanto estranho.Tinha esquecido dele. Foi presidente do PT quando esse partido era muitíssimo mais sério do que hoje em dia.O Partido dos Trabalhadores representava um classe social respeitável,bem diferente dos que estão sendo presos pela operação Lava-Jato por força de suas falcatruas. O que fez esse cavalheiro,repito, de 93 anos,idade que não influiu no seu intelecto? Pode ter sido espantoso,mas Hélio Bicudo pretende que a Presidente Dilma seja destituída do seu cargo. Razões não lhe faltam. Basta ler a Zero Hora dessa terça-feira:

“Orçamento da União tem rombo de 30,5 bilhões e inclui aumentos de aliquotas sobre eletrônicos e bebidas para elevar receita. Salário mínimo previsto é de R$865,50.”

Enquanto isso,a maioria dos Estados está com sérios problemas,haja vista o que ocorre com o Rio Grande do Sul. Ivo Sartori viaja para Brasília a fim de tentar o desbloqueio das contas do Estado. Ao mesmo tempo,o Rio Grande talvez tenha de enfrentar greve até sexta-feira. Como escrevo na terça-feira visando a entregar o meu texto até quinta-feira,algumas coisas podem se alterar,tanto para melhor quanto para pior.A Brigada Militar e a Polícia Civil são categorias cuja greve,por óbvio, são as que mais preocupam a população. E não é somente o povo que se preocupa com os brigadianos em greve. Essa chegou também ao comandante-geral da Polícia Militar e a maior prova disso é o fato de o comandante ter resolvido dormir no quartel. O coronel Alfeu Freitas,às 6 da manhã,já estava reunido com os seus comandados. Na noite de terça-feira, Freitas, atendendo pedido do Secretário de Segurança, Wantuir Jacini esteve no QG a fim de saber a situação do policiamento e reconheceu que os atendimentos estavam reduzidos. Rezemos para que não ocorram desmandos na cidade para que a BB não seja chamada a intervir.

Governos, ministros e drogas nas notícias do meu dia

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Estou escrevendo,nesta terça-feira, o que vai ser publicado na quinta. Destaquei, em minha ótica,é claro, as notícias que considerei as mais auspiciosas divulgadas pela mídia hoje. A primeira diz respeito à decisão da Presidente de diminuir 10 ministérios dos 39 que compõem o seu rol de ministros,dos quais muitos o caro leitor nem sabia nome e função. Era um exagero,sem dúvida. Às vezes,porém,são tantos os interesses que a primeira mandatária,provavelmente,imaginasse que,de alguma maneira,fossem pessoas úteis ao seu governo. Como se percebe pela reviravolta que retirou essa turma da lista de Dona Dilma,a presença deles – ou delas – apenas depunha contra a atual situação econômica governamental.

 

Como se ficou sabendo – ou até já se sabia – a crise era maior do que a teimosia da Presidente em manter o seu timão ministerial. Ela reconheceu que errou. Pena que tenha demorado a descobrir que 39 ministros custam muitíssimo caro. Aliás,os rumores de que o homem das finanças do governo,Joaquim Levy,estaria ou,mais do que isso,estava disposto a pedir demissão do cargo pioraram a história. Sua provável decisão seria terrível. Será que exagero?

 

Inicialmente,foi espalhada a informação de que o ministro Levy viajara para os Estados Unidos,sem compromissos oficiais. Ele depois negou que fosse a Washington. Isso também foi desmentido. Disseram,então que Joaquim Levy fora ver a menina (sua filha) que iria morar na China. Com ou sem Levy,o reconhecimento de Dilma de que tinha de desfazer-se de 10 ministros era uma admissão da grandeza da crise econômica. Não esqueçam,por favor,que entrego esta coluna entre terça e quarta-feira. Digamos que,por enquanto,Levy é o ministro das finanças do governo de Dilma Rousseff.

 

Escrevi no início do meu texto que,dentre tantas notícias,havia outra que me chamara a atenção.Por falar em ministros,há dois,no momento,ambos atuando no campo da justiça,que tem pensamentos diferentes sobre a mesma questão. O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Edson Fachin divulgou de que usará o prazo regimental para julgar o processo que discute se é crime ou não o porte de drogas para consumo próprio. Sua intenção,conforme a sua assessoria,é liberar a sua decisão até 31 de agosto. Já o ministro Gilmar Mendes vai votar a favor da descriminalização. Para ele,a pessoa tem direito de colocar em risco a sua própria saúde.

 

Está em discussão a constitucionalidade do artigo 28 da lei que define,como crime,adquirir,guardar ou portar drogas para si. Mesmo os leigos não deixam de ter suas ideias a respeito deste assunto de suma importância. Por isso,dou a minha opinião a favor do ministro Luiz Edson Fachin. Permitir o porte de drogas não garante que seja unicamente para uso próprio. Não se pode confiar em pessoas viciadas em drogas. E a luta contra os traficantes ficará muito mais difícil do que se sabe ser. Eu sei de um excelente jovem que se viciou em crack e,desesperado para arrumar dinheiro destinado a pagar traficantes que cobravam a dívida dele,acabou matando o seu pai que se negou a lhe dar para saldar seu compromisso.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A notícia que está na editoria do “Deus, eu não acredito!”

 

Para comemorar os 23 anos da rádio, a CBN abriu o seu microfone aos ouvintes-internautas, que foram convidados a fazer perguntas aos comentaristas, repórteres, âncoras e toda a nossa equipe de jornalistas. Muitas mensagens foram enviadas nos últimos dias, as perguntas foram selecionadas e, hoje, durante todo o dia, na programação da CBN, nós ouvimos os ouvintes que, assim, pautaram as discussões, interferiram nos temas e influenciaram na produção de nosso trabalho. Fui contemplado com a pergunta de Ademar Matsuoka, de Valinhos, interior de São Paulo, que estava interessado em saber qual a notícia que eu gostaria de anunciar e qual anunciei e disse: “Deus, eu não acredito!”

 

Em 30 anos de jornalismo, imagine a quantidade de notícia que eu já transmiti. Só de CBN são quase 16 anos. Uma pergunta como essa exigiu um exercício de memória e, durante o Jornal, desta quarta-feira, pedi ajuda aos ouvintes para que eles dissessem qual notícia gostariam de um dia ouvir na rádio. A maioria sugeriu o anúncio da cura de doenças graves como o câncer, vacinas para prevenir da AIDS, evitar o EBOLA. Muitos, embalados pela discussão eleitoral, sonham com o fim da corrupção. E eu concordo que qualquer uma delas seria excelente notícia. Até fiz agreguei mais uma sugestão: o desenvolvimento de um remédio do bom senso que impediria boa parte das barbáries que temos no mundo.

 

Como tudo isso é muito utópico, aproveite a pergunta do Ademar para relembrar uma notícia que adorei contar para o público, na época em que trabalhava como narrador esportivo da Rede TV!.

 

A pergunta do Ademar e a minha resposta, você confere a seguir:

 

No caminho da Copa

 


Por Milton Ferretti Jung

 

Toda vez que,como se dizia antigamente,preciso dar tratos à bola a fim de encontrar assunto para este blog,antes de mais nada,passo os olhos pelos jornais. A expressão que usei acima não tem nada a ver,explico aos mais jovens,com a bola de futebol,objeto muito em moda nesta primeira metade de 2014 por força da Copa do Mundo. Não é,porém,por aí que vou começar o meu texto,não sem antes lembrar que o posto sempre ou quase sempre,nas terças-feiras. Alguns dos temas que elejo ficam,às vezes,sujeitos a chuvas e trovoadas,isto é,podem perder atualidade.

 

Chamou-me a atenção – e como! – nos jornais desta terça,a notícia de que a gasolina vai subir. Segundo a presidente da Petrobras,Graça Foster,o aumento se justifica,eis ser necessário o reajuste visando ajustar os preços internos aos do mercado externo. Será,entretanto,conforme a executiva,um aumento moderado. Acredite quem quiser na tal de moderação. Mesmo com o aumento da gasolina,graças a uma iniciativa governamental,veículos poderão ser comprados com financiamentos menos pesados. É fácil imaginar-se que o número de carros em circulação,depois de pequeno hiato,voltará a crescer e,por óbvio,a entupir as vias urbanas e as rodovias,as primeiras porque é nas cidades que os engarrafamentos tendem a ficar piores. Esse tipo de problema que as metrópoles enfrentam faz já muito tempo,está se estendendo agora até para cidades menores e não sofrerá solução de continuidade enquanto o transporte público não contribuir,de verdade,para que sirva, com qualidade, a maioria das pessoas. Estamos longe deste dia.Por enquanto, baderneiros de todo tipo estão tratando de incendiar coletivos,principalmente, no Rio e em Paulo.

 

Eu,particularmente,acredito tão pouco na melhoria do transporte público quanto na exigência da Anac – Agência Nacional de Aviação Civil – de que os voos,durante a Copa do Mundo,não sofram atrasos. A partir dessa terça-feira,empresas que não cumprirem a exigência receberão multas de R$ 12 mil a R$ 90 mil. Desculpem-me se me acham pessimista de carteirinha,mas também não creio que,aqui em Porto Alegre,a prefeitura conseguirá finalizar o viaduto da Pinheiro Borda e o corredor da Padre Cacique,antes do início da Copa.O prefeito Fortunatti garante que a data prevista para o término destas obras é 31 de maio. Faço votos que José Fortunatti possa cumprir o prometido.Ainda bem que a minha cidade sediará apenas cinco jogo do Mundial..

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).

Nas malas de regresso, a esperança de ser melhor

 

Fazer as malas é exercício que poucos admiram. Aqui em casa sou o especialista no assunto, talvez resultado da minha paciência e mania de organização. Ou porque os companheiros de viagem já descobriram que deixando para última hora, minha ansiedade resolve o problema. Pra ir ou pra partir, encaro a tarefa como um jogo de encaixar, no qual cada peça tem seu espaço. Embaixo as mais pesadas, casacos e calças. Camisas, e camisetas dobradas para não amassar, em cima. Sapatos em sacos pra não sujar o resto. Meias e cuecas preenchem os buracos que restam. Mala feminina é mais difícil porque as roupas tem menos simetria, e os sapatos, mais pontas. O mais difícil são as peças lembradas na última hora que atrapalham toda a organização. Nada se compara, porém, as malas do regresso, onde é preciso lugar para as compras.

 

Para tornar a tarefa mais aprazível no fim das férias, faço da arrumação, ritual. E gosto de cumpri-lo bebendo vinho. Separo as roupas e sapatos sobre a cama ou no chão, conforme a quantidade, e coloco os presentes e demais compras lado a lado. Comparo a área ocupada com a quantidade de malas disponíveis. Normalmente faço conta muito otimista e uma extra se faz necessária. Começa, então, a parte mais interessante, com peça por peça sendo encaixada e puxando à memória dos dias que se passaram. O casaco de frio que nos protegeu no passeio na neve. A calça usada no jantar especial que nos oferecemos no restaurante chinês. A encomenda para o amigo que espera em São Paulo. E as surpresas que também são esperadas. O tênis novo, o sapato novo, a camisa nova. Aquela traquitana comprada no primeiro dia de viagem que não lembrava mais e talvez nem fosse mais necessária também está ali a provocar emoções.

 

Sim, o momento é rico pois ativa a lembrança das coisas que fizemos e deixamos de fazer. Das que gostaríamos de não ter feito, também. Raras as férias que não têm mico para se lamentar e erros para se arrepender. A maioria entra para o folclore e será comentada daqui alguns anos acompanhada de sonoras gargalhadas. Talvez fiquem perdidas entre milhares de fotos digitais armazenadas em um computador. Enquanto procuro espaço para alguma coisa, encontro cenas de alegria com a família e assuntos que poderiam ter sido evitados (me lembre, por favor: no ano que vem não darei mais palpite sobre você-sabe-o-quê).

 

Quando se arruma as coisas, se tem tempo para pensar no que passou tanto quanto no que virá. O trabalho já recomeça nesta segunda-feira. Logo cedo tem de se encarar as notícias sem se importar com a ressaca das férias. Provavelmente, vou me deparar com os mesmos assuntos de antes. Como sempre mudaram muitas coisas para ficar tudo como estava. O rolê da moda já havia se iniciado, antes das férias, e começa a ser desvirtuado, como foram as manifestações juninas que, dizem, voltam próximo da Copa. Ano de Copa? Haja trabalho. Tem eleição, também. Mais trabalho ainda. Tem a política enfadonha de gente que torce contra e retorce as ideias para se justificar. Tem político corrupto e suas mentiras convenientes. Tem os personagens do cotidiano: a vítima da violência, o craque da hora, o motorista bêbado, o herói da resistência, todos em busca de seus segundos de fama (ou difama).

 

O curioso neste trabalho é o paradoxo de que mesmo que as notícias pareçam as mesmas sempre tem algo novo a fazer. Sempre é possível tornar melhor o fazer. É isto que me motiva a recomeçar nesta segunda-feira, pois nas malas de regresso tem espaço privilegiado para a esperança de que seremos capazes de mudar a nós e a quem mais vier junto com a gente nesta jornada.

 

Conto com você!

Somos felizes, mas fazemos de conta que não sabemos

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Muitos ou,quem sabe,muitíssimos de nós somos felizes e,sei lá por que razão,fazemos de conta que não sabemos disso. Estou,confesso com lisura,entre essas pessoas que sempre encontram algum motivo para se queixar da vida. Faço,particularmente,uma força danada para me corrigir. Foram tantos,nos últimos dias,os episódios trágicos que lotaram os meios de comunicação,que me fizeram,no mínimo, repensar minha maneira de ser.

 

Creio que nada pode ser mais terrível do que as forças malignas da natureza. Supertufões, como o Haiyan,que atingiu com violência descomunal o arquipélago das Filipinas,armado de ventos que chegaram a 278km/h e de ondas gigantes,talvez tenha matado 10 mil pessoas,fora as que,se não perderam a vida,ficaram sem suas casas, ameaçadas por doenças e necessitando do socorro de inúmeros países. No Brasil,não sofremos com catástrofes provocadas por furacões,tsunamis e outros que tais,capazes de infernizar, com alguma regularidade, outras regiões do planeta.

 

Menos letais são os problemas enfrentados pela gente pobre brasileira,especialmente aquelas que se obrigam a erguer os seus casebres em terrenos que ficam à margem de rios ou córregos,sujeitos a verem suas residências paupérrimas serem inundadas em consequência de chuvaradas, episódios que ocorrem mais do que uma vez por ano. Exemplo disso está nesta manchete do jornal gaúcho Zero Hora:”Chuva mata,isola e deixa desabrigados no Estado”.

 

Refiro-me ao que aconteceu no início desta semana no Rio Grande do Sul. Olho as fotos publicadas pela mídia e fico a imaginar o desespero dos que perderam,mais do que as suas casinhas,todos os seus eletrodomésticos adquiridos a duras penas. Não bastassem os danos causados pela mãe natureza (ou madrasta natureza), em meu estado,não há semana,principalmente as que tenham feriados prolongados,esses que começam nas noites de quintas-feiras e se estendem até o final dos domingos,em que não ocorram acidentes fatais, nas vias urbanas e nas estradas,envolvendo toda espécie de veículos. Nesse domingo,colisão entre dois carros,um deles com oito pessoas,matou cinco jovens com idades entre 16 e 24 anos. A maioria das vítimas retornava de uma festa. Mas os óbitos não ficaram nisso:nesse final de semana,registraram-se mais 17 mortes,em acidentes de trânsito,no Rio Grande do Sul.

 

Diante desses fatos que acabei de relatar,sou obrigado a me perguntar até quando vou inventar motivos para me queixar da vida. Eu sou feliz. E sei disso!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Jornal da Tarde

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Em 1966 o mundo já sabia que a massificação de consumo era coisa do passado e, que boa parte dos produtos e serviços teria que respeitar a segmentação de mercado. Não somente a de preços, mas a de comportamento. Pessoalmente,com 24 anos, iniciava uma nova vida familiar e profissional. De solteiro a casado, de estudante a economista. Atuando no jovem e promissor mundo da moda, ávido por conhecimento, novidades, e viciado em leitura. Sentia falta apenas na informação diária, de um jornal que correspondesse à atualidade em forma e conteúdo. Nesta época música, artes, cinema e teatro mostravam a sua criatividade, num momento de extraordinária ruptura. Talvez em resposta ao regime de força então vigente.

 

E, em quatro de janeiro de 1966 tivemos a surpreendente aparição do Jornal da Tarde. O mais belo e funcional jornal brasileiro. Revolucionário na paginação e no texto. Segundo Mino Carta, seu criador, a inspiração veio do jornalismo em “forma de literatura” surgido nos Estados Unidos na década de 60 com Norman Mailer, Tom Wolfe e Truman Capote, dentre outros. Além disso, era um periódico vespertino, com a proposta de trazer alguma informação nova em relação aos jornais matutinos. Foi assim até 1988 quando a família Mesquita decidiu transformá-lo em matutino com a justificativa de enquadrá-lo em publicação nacional.

 

A proposta de contemporaneidade e de absoluta criatividade dentro dos parâmetros da “literatura” citada por Mino, aliada a uma fotografia artística, não é fácil de ser mantida. Ficar no clássico e tradicional é sempre mais seguro. Dos 46 anos de vida, encerrados no dia 29 de outubro, se nem todos foram bem vividos pelo Jornal da Tarde, ao menos a maioria o foram, e deixaram um vazio. Talvez com a mesma similaridade da música, da arte, do cinema e do teatro que vivemos hoje. Muito menos em função de saudosismo e muito mais uma questão de ciclo. Tom Jobim, Vinicius de Morais, Anselmo Duarte, Glauber Rocha, Nelson Rodrigues deverão surgir numa próxima geração. É o que esperamos. Juntamente, é claro, com um jornal que seduza a geração Z. Ou será A?

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Da perna errada da mulher ao gesto certo dos catadores

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Duas notícias, por serem incomuns, chamaram, particularmente, a minha atenção. Confesso que me senti tentado a voltar a um assunto que já preencheu alguns textos anteriores por mim digitados para este blog: trânsito. Escrever sobre tal tema, porém, é chover no molhado. Torna-se repetitivo. Referindo-se a acontecimentos de segunda-feira, por exemplo, Zero Hora, na sua vigésima sexta página, pôs em manchete: ”Trânsito fatal. Dia trágico deixa dez mortos”. Trata-se isso de alguma novidade? Claro que não. Acidentes trágicos registram-se com indesejável frequência. Geralmente envolvem automóveis e caminhões. Com a chusma de veículos que circulam por este país, muitos comprados em longas prestações, acidentes graves já não são de espantar. Perdão. Passo de imediato para o que hoje fez a minha cabeça.

 

Maria Nunes da Silva, de 87 anos, quebrou a perna esquerda ao cair no pátio de sua casa. Esperou 13 dias para fazer uma cirurgia pelo SUS – que novidade! – a fim de corrigir a fratura. Enquanto aguardava, ficou internada no Hospital Municipal de Novo Hamburgo. A operação, depois da pressão feita por um de seus filhos para que o procedimento fosse realizado sem mais tardança, ocorreu na última sexta-feira. Cirurgia executada,foi colocada em sua perna uma placa de platina. Ao perguntar a uma enfermeira do bloco cirúrgico se estava tudo bem com a sua mãe, foi informado tinha dado tudo certo com a operação da perna direita de dona Maria. Perna direita?!? Caiu a ficha da família. A senhora idosa havia quebrado a perna esquerda e não a operada. Erro crasso! E eu me pergunto como um médico pode se enganar tão redondamente, logo ele que teve diante de seus olhos o corte cirúrgico que, imagino eu, não mostrava osso rompido na perna direita da paciente. O Hospital Municipal de Novo Hamburgo, em nota da sua direção,confirmou o erro. O prontuário indicava lesão no fêmur da perna esquerda. No dia seguinte, ou seja, no sábado, dia 8 do corrente, Maria Nunes da Silva teve operada a perna certa. “Falha Humana”, rezou a nota da direção. O caso foi parar na Delegacia Distrital de Novo Hamburgo.

 

Caso de polícia virou, também, o episódio protagonizado pelo casal de catadores de lixo que achou, em sacos, 20 mil reais roubados do restaurante Hokkai Sushi, aí em São Paulo (lembro que escrevo de Porto Alegre e, por isso, o aí), Rejaniel de Jesus Silva Santos e Sandra Regina Domingues, que andou sendo ameaçado de morte pelos ladrões. No Brasil, pelo jeito, ser honesto como esses dois, apesar dos maus exemplos dados por gente grandona de nossa República Federativa, é altamente perigoso. Ainda bem que os proprietários do restaurante assaltado, em razão das ameaças sofridas pelos dois honestíssimos atores deste episódio urbano, os colocaram em um hotel, ofereceram-lhes um curso de qualificação para trabalharem em uma das unidades da empresa ou, se preferirem, lhes darão passagem a fim de que se mudem para o Maranhão, onde vive a família de Rejaniel.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Há 48 anos narrando notícias no rádio

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Acredito que os leitores mais idosos deste blog (se é que tenho leitores) têm bons motivos para apreciar as histórias de rádio que, por sugestão do Mílton, venho contando em algumas quintas-feiras. Particularmente, é o assunto de que mais gosto. Vivencio-as desde 1954, data em que me atrevi a fazer um teste numa emissora que estava para ser inaugurada e buscava profissionais do ramo ou, no meu caso,de quem se dispusesse a passar da condição de ouvinte à de radialista, mesmo alguém cuja única experiência diante de microfones fosse mínima: era, na paróquia que frequentava, um “speaker” de esporádicas quermesses e cuja “rádio” se chamava Voz Alegre da Colina. No Colégio Nossa Senhora do Rosário, tradicional educandário marista de Porto Alegre, último dos muitos em que estudei, havia uma equipezinha de locutores que, antes das aulas, levava aos colegas todo tipo de informação que lhes pudesse interessar.

 

Havia, no mínimo, duzentos candidatos. No teste, tínhamos de ler anúncios e notícias. Depois, os candidatos recebiam folhas com a programação musical da Rádio Canoas. Queriam saber se a gente sabia pronunciar os nomes de músicas em diversas línguas. Três apenas foram aprovados. Um era radioator, outro trabalhara na Rádio Difusora, hoje Bandeirantes. O terceiro foi este “que lhes fala”. Fiquei por quatro anos na Canoas que, embora usasse o nome de um município da Grande Porto Alegre, sempre teve sua sede em Porto Alegre. Transferi-me, em 1958, para a Rádio Guaíba, emissora da Companhia Jornalística Caldas Jr., que foi ao ar com uma proposta diferente das suas concorrentes. Seus dez locutores comerciais (eram nove homens e um voz feminina) liam os textos ao vivo. Somente os programas de radioteatro – Mestre Estrela e Teatrinho Cacique e o Grande Teatro Orniex, esse apresentado aos domingos, eram gravados. A Guaíba (alguém me corrija se estiver enganado) não aceitava propaganda em jingles e spots. Era um grande diferencial. Fez diferença na época, igualmente, o fato de, em 1958, com pouco mais de um ano de existência, ter feito a cobertura da Copa do Mundo, disputada na Suécia. Seu diretor-técnico, Homero Simon, graças à sua “expertise”, criou um sistema que proporcionou à Guaíba a possibilidade de acompanhar a vitória Brasileira na competição, com narração de Mendes Ribeiro. Foi ele que me transformou em narrador de futebol e outros esportes. Eu tivera uma experiência em narração na Rádio Canoas. Transmiti um jogo entre o Cruzeiro e o Renner. Creio que vivi essa experiência em 1957. A partida foi disputada no Estádio da Montanha, onde se vê, hoje, o Cemitério João XXIII. Comecei a apresentar, na Guaíba, em 1964, o seu principal noticiário: o Correspondente Renner. Hoje,a síntese informativa é patrocinada pelo Banco Renner. Das suas quatro edições, me encarrego, hoje, apenas a da uma da tarde. Creio que nenhum apresentador de notícias está faz tanto tempo no ar quanto eu: 48 anos.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)