Avalanche Tricolor: de volta!

 

Novo Hamburgo 0x4 Grêmio
Gaúcho – Estádio do Vale/Novo Hamburgo-RS

 

 

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Pepê comemora seu gol em foto de LUCAS UEBEL/GREMIOFBPA

 

 

O Grêmio sempre teve espaço privilegiado neste blog, por motivos que o caro e raro leitor sabe bem — e se por acaso você acessou este post por engano, certamente entenderá até o fim deste texto. Em 2008, um ano depois de ter começado a escrever por aqui, criei a coluna Avalanche Tricolor, publicada sempre ao fim de cada partida disputada pelo meu time. No post de fundação, escrito em 19 de janeiro daquele ano — sim, ontem fizemos aniversário de 11 anos — já deixava evidente minhas (más) intenções: “a coluna ‘Avalanche Tricolor’ ganha espaço neste blog com o objetivo de ser o post esportivo menos imparcial possível”.

 

 

O nome da coluna era referência a maneira que nossa torcida costumava comemorar os gols nas arquibancadas de cimento do Olímpico Monumental —- o que se tornou impossível na Arena, infelizmente. Se no novo estádio, não existe mais Avalanche, a coluna seguiu firme, forte, entusiasmada e parcial aqui no blog, ao menos até a metade do ano passado. Em julho, uma série de compromissos com o lançamento do livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” me impediu de frequentar com assiduidade o blog e menos ainda dedicar algum tempo para escrever textos que estivessem à altura da minha paixão pelo Grêmio.

 

 

Sem clamor popular e nenhuma reclamação dos caros e raros leitores deste blog, interrompi a Avalanche — mas não deixei de acompanhar meu Grêmio, é lógico. Torci, sofri, esbravejei e comemorei cada resultado alcançado até o último jogo de 2018 e, na maioria das vezes, senti falta desta coluna, pois é aqui que jorro minhas emoções, revelo meus sentimentos, algumas vezes torno públicos momentos que vivi em família, já que o Grêmio foi muito importante na minha formação em Porto Alegre, e tento explicar as coisas do futebol, de vez em quando.

 

 

Durante as férias, que se encerram hoje, pensei duas, três vezes se reassumiria o compromisso de escrever a Avalanche. Até a bola começar a rolar neste domingo, em Novo Hamburgo, quando o Grêmio fez sua estreia no Campeonato Gaúcho, tinha dúvidas se seria capaz de acompanhar todos os nossos jogos e depois ainda escrever algo que valesse a pena ler.

 

 

O primeiro tempo já sinalizava que haveria bons motivos para uma Avalanche, mesmo que o time que entrara em campo fosse alternativo, como anunciavam os locutores da TV. No decorrer da partida, encontrei não apenas um, mas quatro bons motivos — o primeiro gol de Juninho Capixaba, que gera boa expectativa na lateral esquerda, os gols marcados pelos jovens Pepê e Matheus Henrique, que são o futuro se revelando em campo, tanto quanto o gol de Marinho, que torço para que deixe de ser apenas um jogador folclórico.

 

 

Não resisti. Voltei. A Avalanche voltou. E termino esta Avalanche da retomada com o título da última coluna escrita, em 30 de julho do ano passado: “Renato sabe o que faz”.

Avalanche Tricolor: a alegria de um gol

 

Grêmio 3×0 Nova Hamburgo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Era importante a vitória na noite desse sábado, em Porto Alegre. Os três pontos tiram o Grêmio da zona de rebaixamento tanto quanto o aproxima da faixa de classificação, que está logo ali.

 

Valeram, também, porque deixa o time mais confortável para as competições que realmente interessam, especialmente a Libertadores, que começa na terça-feira. E, por tabela, afasta os muxoxos em meio a festa do título da Recopa Sul-Americana.

 

Três pontos que vieram depois de três importantes gols.

 

Um muito rápido. De tão rápido, virou recorde: 23, 24 ou 25 segundos dependendo de quem registrou no cronômetro (conta que o juiz roubou um ou dois segundos, rsrsrs). É o mais rápido já feito na Arena. E nos ajudou a descobrir Thonny Anderson, 20 anos, que atuou a altura do número que estampou sua camisa: o 10. Dribla curto, dribla bem e chuta a gol. Tem destino. Que seja no Grêmio.

 

O segundo gol, ainda no primeiro tempo, foi importante porque deu tranquilidade a um time que vinha se deixando surpreender nos últimos jogos do Gaúcho. Thonny não marcou mas brilhou dentro da área ao se desvencilhar dos adversários com mais um drible e encontrar Jael correndo por trás da defesa para dar assistência a Michel. Nosso volante chegou livre para marcar, como costumam aparecer nossos defensores neste futebol moderno que nos tem dado tantas alegrias.

 

O terceiro seria apenas para as estatísticas. Foi de pênalti e aos 39 do segundo tempo quando o adversário sinalizava estar abatido e os três importantes pontos na tabela estavam garantidos. Mas esse foi para mim e tenho certeza que para boa parte da torcida gremista o mais importante de todos.

 

Foi o gol do sorriso, da alegria, da satisfação de jogar futebol.

 

Foi gol de Jael que havia ouvido a torcida gritar seu nome mesmo quando perdeu um gol de cabeça, já no segundo tempo. Torcida que o aplaudiu apesar das cobranças de falta terem parado nas mãos do goleiro ou distante de seu destino. Que entendeu seu esforço apesar de os chutes a gol terem ido para a linha de fundo. E se fez tudo isso é porque enxerga nele o desejo de ser um vencedor. Um atacante que teima em não aceitar suas limitações e veste 110% a camisa do Grêmio.

 

Foi Jael quem deu o passe para sermos campeões da Libertadores e foi ele quem brigou pela bola que foi parar nos pés de Everton para o gol que nos levou à final do Mundial.

 

Foi Jael quem deu carrinho sempre que necessário para impedir o avanço de nossos adversários.

 

E não esqueça, foi Jael quem bateu com perfeição um dos pênaltis que nos garantiram a Recopa Sul-americana. Como foi perfeita a cobrança para o terceiro e definito gol do Grêmio na vitória desse sábado.

 

Jael comemorou seu gol, aos 29 anos, como o menino que disputa uma pelada na calçada perto de casa ou no campinho de areia lá do bairro. Alegria que contaminou todos em campo e fora dele como se viu nas imagens captadas pela televisão e na bela foto registrada por Lucas Uebel que estampa este post.

 

A alegria de Jael foi a nossa alegria. De quando conseguimos no trabalho, na família ou na vida um grande feito. A alegria de saber que independentemente daqueles que atravancam o nosso caminho estaremos sempre dispostos a lutar e acreditando que seremos maiores. A alegria de quem sabe que por mais que nos cerquem intempéries, injustiças e ignorância um dia nós faremos o nosso gol, o gol de Jael.

 

Pela alegria do gol, obrigado, Jael!

Avalanche Tricolor: ah, tá! pensou que seria fácil?

 

 

Grêmio 1×1 Nova Hamburgo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

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Ah, tá! Vai dizer que você pensou que seria fácil? 2×0 na primeira,  5×0 na segunda, e vaga na final garantida? Essas coisas acontecem de vez em quando, e já aconteceu com a gente nas quartas-de-final. Não se repetiria assim tão facilmente. Só porque era Páscoa, iríamos nos deliciar com doces, bacalhau e vinho?

 

 

Leve em consideração ainda que o adversário deste domingo tá com a bola toda. Fez um baita campeonato até aqui. Está bem organizado. Está motivado e dedicado, enquanto nós temos de ficar com um olho no peixe e outro no gato. No caso, um no Gaúcho e outro na Libertadores.

 

 

Claro que o empate não se deu por causa disso. Ou melhor, em parte se deu. Afinal, o adversário fez por merecer. E, ainda sob o impacto do segundo tempo, diria que mereceu até mais do que isso. Fechou-se bem e soube aproveitar os poucos espaços que surgiram até marcar o gol de empate. Depois, desperdiçou as boas chances que criou.

 

 

De nossa parte, o empate se deu porque tivemos dificuldade para acelerar a bola e trocá-la em meio a marcação fechada; abrir buracos na defesa adversária com dribles e chutar com mais precisão.

 

 

Fazer o quê, já foi!

 

 

Resta agora sentar a cabeça no lugar, entender os “apagões” das duas últimas partidas, organizar-se defensivamente e acelerar a bola ofensivamente. Renato e Espinosa sabem fazer isso.

 

 

E não vamos perder tempo com mimimi, querendo apontar o dedo para este ou aquele culpado. Entrar na onda dos inimigos de plantão. Não é hora disso. Até porque não dá tempo de ficar lambendo as feridas: tem Libertadores logo ali (na quinta-feira). E assim que encararmos nossa batalha lá fora, temos de voltar e superar o melhor time do campeonato até aqui, na casa dele (domingo que vem).

 

 

Ah, tá! Vai dizer que você acha tudo isso muito complicado? Que é, é … mas desde quando a gente se mixou pra esses desafios?  Pegar osso duro é nosso destino e transformá-lo em filé de primeira, nossa missão.

 

 

A mesa está posta: vitória lá fora na quinta; vitória lá fora no domingo. Esse é o nosso cardápio.

Avalanche Tricolor: um bom empate no Vale

 

Novo Hamburgo 1×1 Grêmio
Gaúcho – Estadio do Vale Novo Hamburgo/RS

 

 

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O pessoal da crônica esportiva usa algumas expressões que viram moda rapidamente. Apesar de não serem precisas, costumam ser simbólicas.

 

Uma delas tacha o jogo de duas equipes que disputam posição na tabela de classificação, lá em cima ou lá embaixo: “este é um jogo de seis pontos” dizem com a boca cheia. A gente sabe que o jogo só vale três pontos, (é o que diz a regra) mas nos deixa claro que a partida pode ser decisiva no confronto direto das duas equipes. Pura licença poética.

 

Outra expressão comum, que me veio à memória enquanto assistia ao jogo do Grêmio, é a já famosa “final antecipada”. Geralmente usada quando duas equipes grandes, favoritas ou qualificadas se cruzam na competição antes mesmo do jogo decisivo.

 

Essa é mais perigosa, pois dá a entender que se passar por aquela partida, ninguém mais segura o vencedor. É um desdém aos demais adversários que pode custar caro.

 

Na noite de ontem, depois de ser obrigado pela televisão a assistir a uma outra partida que, me parece, valia os tais seis pontos, e disputada por dois times que lutavam para sobreviver na competição (jogo aliás que terminou empatado e sei lá por que teve gente comemorando), sentei-me para ver o Grêmio e entender melhor o adversário que lidera o campeonato desde seu início.

 

No Estádio do Vale, em Novo Hamburgo, havia dois times qualificados em campo com boas chances de estarem na final do Gaúcho se não se cruzarem antes nas etapas intermediárias. E de tanto se respeitarem fizeram um jogo no qual o espaço no gramado era disputado centímetro a centímetro. Quase não conseguiam trocar passe devido a marcação forte e poucas chances de gol surgiram. No primeiro tempo desperdiçamos a nossa. No segundo, eles aproveitaram a deles. E diante disso quase amargamos uma derrota.

 

Foi a insistência gremista e a percepção de que do outro lado havia uma equipe disposta a fazer historia nesta temporada que mudaram o cenário da partida. E de tanto tentarmos, a bola foi parar nos pés do competente Leo Moura que teve a tranquilidade para fazer aquilo que a juventude dos nossos atacantes não havia conseguido: o gol de empate.

 

Tenho a impressão de que muitos dos nossos jogam preocupados com os riscos que correm em campo, o que se justifica frente a quantidade de lesões que acumulamos no elenco e o tamanho do desafio que a Libertadores nos impõe. Isso acaba prejudicando o desempenho e impedindo um jogo mais solto, aquele que nos deu o titulo da Copa do Brasil. Ao mesmo tempo, otimista que sempre sou, percebo que na hora necessária, nosso futebol voltará a fluir.

 

Ao contrário das expressões que gostamos de usar, ontem não foi uma decisão antecipada, apesar de haver boa probabilidade de as duas equipes estarem na final disputando o titulo gaúcho este ano. Mas quando isso realmente acontecer, tenho certeza de que a coisa vai ser diferente. Na hora do vamos ver, confio mais o Grêmio.

Avalanche Tricolor: vitória justa apesar das injustiças

 

Novo Hamburgo 0 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Estádio do Vale

 

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Foram necessários três para valer um gol. Os dois anulados, a imagem é clara, foram mal anulados e quase estragaram a trajetória vitoriosa que implantamos nas última semanas. Só não conseguiram …. e longe de mim com esta frase insinuar que foi tentativa deliberada, creio mesmo que foram erros técnicos, ou seja de competência e não de caráter, os que levaram a anular os gols gremistas … seguindo no que escrevia: só não conseguiram estragar nossa trajetória porque mais uma vez o sistema defensivo foi forte o suficiente para suportar a pressão, especialmente no segundo tempo. Mesmo com Tiago no lugar de Grohe e ainda refém da pouca idade, o que pode ser cruel para os goleiros, e Geromel em ritmo de quem joga a primeira partida da temporada, conseguiu-se anular boa parte das tentativas adversárias. Nem se pode dizer que fomos ameaçados, realmente. Houve alguns suspiros por um lado ou outro, mas nada que se concretizasse em chances de gol. Quando apareceram, pararam na nossa defesa ou na linha de fundo.

 

Seria uma tremenda injustiça imaginar, porém, que somente chegamos a oito partida sem derrota e a quinta vitória seguida por causa da forma como temos nos defendido. Nada seria possível se o conjunto da obra não estivesse funcionando com os laterais descendo com personalidade pelos lados, o meio de campo tocando a bola e o ataque se mexendo no espaço que sobra lá na frente. Foi assim que fizemos o único gol que o juiz assinalou: Giuliano, mais uma vez bem, se livrou dos adversários para entregar a bola a Luan. Luan avançou e quando se esperava um passe lógico para Giuliano que entrava na área, fez o improvável. E, a partir do improvável, permitiu que Ramiro arriscasse de fora da área e com sucesso. Verdade que, ontem, houve momentos em que as coisas não funcionaram bem assim, até porque o adversário partiu para o desespero, mas aí o pessoal lá de trás garantiu o resultado fazendo justiça à nossa campanha e corrigindo a injustiça que estava sendo provocada pelos erros do árbitro e seus auxiliares.

 

Para ser sincero, lamento muito mais a anulação dos gols porque ao tomar esta atitude o juiz tirou, duas vezes, o pão da boca de Braian Rodríguez. Sabemos bem que centroavantes (ainda os chamam assim?) se alimentam de gols e só sobrevivem com uma sequência deles. Se ficam um ou dois jogos sem comemorar começam a ser cobrados, passam a ter que dar explicações para jornalista e torcedor, se sentem mal … caem em depressão. Amanhã, após mais alguns minutos sem marcar, ninguém vai lembrar que ele até fez gol, aliás, fez dois gols, mas o juiz o roubou o direito dele celebrar.

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Quantos ainda vão morrer por causa do futebol?

 

Por Milton Ferretti Jung

 

É inconcebível que alguém tire a vida do seu próximo mesmo que por uma razão muito séria:em defesa da própria vida ou a de outrem etc. O motivo tem de ser dos mais fortes e seria ocioso enumerá-los. Imaginem a futilidade de uma briga provocada por um jogo de futebol. E,me desculpem os que se acharem ofendidos em razão da futilidade da disputa,mas o que levou as pessoas as vias de fato não foi uma partida entre times de grandes torcidas,esses que possuem equipes famosas,embora isso não sirva de motivos para que alguém ou alguns ponham a vida dos adversários em perigo.

 

Imaginem,a bronca foi entre os torcedores do Novo Hamburgo e do Aimoré,dois times vizinhos,do chamado Vale dos Sinos. Fosse de torcedores da dupla Gre-Nal e, ainda vá lá,mas nem assim a briga se justificaria. Afinal – mais uma vez peço desculpas a esses dois vizinhos nanicos — mas,quanto menores são,menos razões podem encontrar para que se engalfinharem.

 

Como é normal acontecer quando uma briga eclode,PMs são chamados para o que der e vier,de preferência,para apaziguar os brigões. Entre os que se envolveram na disputa estava o jovem Maicon Douglas de Lima,de 16 anos. Como tardasse para voltar à casa paterna, o pai saiu a sua procura. O pior acontecera:o seu filho fora vítima dos disparos de arma de fogo. Um dos brigadianos confirmou “ter feito fogo com medo de ser morto”. O caso,até agora,está sob suspeita. O policial disse que disparou em legitima defesa… Na verdade,o pai de Maicou,Vitor,que retirou o corpo do filho do hospital,afirmou que o menino tinha duas perfurações nas costas. Disse que saiu de bicicleta atrás do filho que não aparecera em casa e o encontrou morto.

 

Histórias como essa se repetem. O PM pode perder o seu cargo. O Pai perdeu o filho,estudante e trabalhador em construção civil. Quantas já foram as mortes provocadas por desavenças estúpidas tendo o fubebol como mote?

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: Barcos, Luan, Dudu e o backup garantido

 

Grêmio 3 x 0 Novo Hamburgo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Cheguei em casa minutos antes de a partida se iniciar no início desta noite de sábado. Ainda tive tempo de ver a escalação do time na tela da televisão e perceber que estávamos com uma bela equipe em campo, mesmo que o anúncio oficial fosse de que não jogaríamos com os titulares. Quase me atrasei porque tive de correr até o shopping mais próximo para comprar um substituto para o meu Airport Time Capsule, equipamento da Apple de dupla função: roteador de internet e backup automático. O anterior havia pifado após uma série de cortes de energia elétrica no bairro em que moro, em São Paulo. Por aqui é comum a luz cair quando chove e, apesar de raros neste verão, os rápidos temporais foram suficientes para causar problemas na rede elétrica que com sua fiação aérea está exposta às intempéries como chuva e fortes ventos. Não é o primeiro equipamento eletrônico que perco nesta brincadeira sem graça, recentemente tive de trocar o Sling Box, aquela caixinha mágica que me permite assistir aos jogos do Grêmio mesmo quando estou longe do Brasil. A corrida para comprar o equipamento de backup da Apple, neste sábado, se justifica, pois jamais devemos arriscar o conteúdo que desenvolvemos ao longo do tempo e armazenamos em nossos computadores. São fotos, textos, áudios, vídeos e apresentações de uso pessoal e profissional de valor inestimável. Costumo tratar este tema do armazenamento de dados tendo como inspiração uma máxima do futebol: quem tem dois, tem um; quem tem um, não tem nenhum.

 

Foi ao ver o Grêmio em campo mais uma vez com ótimo desempenho, mesmo tendo parte de seus jogadores principais descansando para a disputa mais importante que será terça-feira à noite, pela Libertadores, que lembrei do providencial ditado. Afinal, o talento de alguns de nossos “reservas” mostra que, ao contrário de todas as previsões, estamos construindo um elenco mais completo do que na temporada passada. Verdade que o maior destaque de hoje foi um titular absoluto: Barcos. O atacante fez gol de pênalti, deu passe para gol e recebeu passe para fazer gol. Ou seja, voltou a executar seu papel: marcar muitos gols, no caso um por partida e já assumiu a artilharia do Campeonato Gaúcho. Ao seu lado, Luan novamente apareceu bem e fez das jogadas mais bonitas da noite ao dar assistência para o terceiro gol. Dudu foi outro que deu gosto de ver jogar, seja pela velocidade que o levou a iniciar e concluir a jogada do segundo gol, seja pelo desejo de chutar a gol ou seja pelo toque refinado que coloca seus colegas em condições de gol. Para se ter ideia de como esta definição de quem tem capacidade ou não de sair jogando como titular é complexa, entraram no segundo tempo Max Rodrigues e Jean Dereti. Alguém colocaria em dúvida a qualidade deles?

 

Sei que não devemos nos iludir com vitórias no Campeonato Gaúcho, os adversários não estão com esta bola toda, mas convenhamos que tem sido um prazer assistir aos jogos do Grêmio. Contra esses adversários, em temporadas anteriores, não pudemos dizer o mesmo. Além da satisfação do jogo bem jogado, hoje à noite tivemos uma prova de que o elenco tem ótimas peças de reposição. O nosso backup está garantido (o meu e o do Grêmio).

Avalanche Tricolor: Grêmio, o líder e o melhor

 

Grêmio 2 x 1 Novo Hamburgo
Gaúcho – Olímpico Monumental


Campeão do 1o. turno, líder isolado do 2o, líder geral do Campeonato, 49 vitórias em casa, 13 partidas invicto e as 12 últimas com vitória. Nem sempre os números mostram a realidade, mas estes são incontestáveis. Põem o Grêmio, não a frente dos adversários no Rio Grande do Sul,  a frente de todos os demais no Brasil, mesmo daqueles aplaudidos como fantásticos. O Imortal tem aproveitamento de 82% na temporada.

Há quem ainda assim olhe de revesgueio, como diriam os patrícios lá no Sul.

Para estes, temos mais do que números, temos jogadores. No gol, Vítor é o melhor goleiro do Brasil, que não bastasse fazer com perfeição seu trabalho, ainda se dá ao luxo de defender pênaltis, como nesta noite. Na defesa, Mário Fernandes dá gosto de assistir pela forma como marca e se desmarca. Poderia incluir Rodrigo pela eficiência, mas este parece preferir o anonimato de uma marcação bem feita e um carrinho certeiro em lugar de qualquer elogio festeiro.

No meio, me permitam elogiar alguém esquecido pela crítica: Douglas. Por mais que admire Tcheco, o atual camisa 10 gremista está a frente dele neste momento. Joga com segurança, recupera-se com rapidez, limpa o lance com uma tranquilidade irritante (para o adversário), tem visão do que ocorre dentro de campo e lança com precisão. Soma-se aquele cabelo a lhe oferecer uma cara de vingador, cara de quem sabe vestir a camisa tricolor.

Lá na frente, mesmo sem o goleador Borges, surgem duas figuras curiosas, Maylson e Jonas. Desengonçados para correr e driblar, passam seus adversários e poucas vezes deixam de marcar gols. Quando não é um, é outro. Às vezes, são os dois.

No lado do campo, Silas dá sinais de que encontra o time ideal, e sabe que logo terá todos os demais titulares prontos para entrar. Mesmo os mais exigentes torcedores cansaram de vaiá-lo, reconhecendo os avanços de uma equipe que, hoje, marcou de forma incansável até resolver o placar em pouco mais de 15 minutos de partida.

O Grêmio supera marcas a cada rodada. Faltam apenas dois jogos, Esportivo e Votoraty, para alcançar a sequência recorde de 14 vitórias do Campeão Gaúcho de 1979, treinado por Orlando Fantoni, time de Manga, Anchieta, Paulo César Caju, Tarciso e Éder. Lembra-me, em alguns lances, o Grêmio-Show, Tetracampeão com Mazarópi, Bonamigo, Cuca, Cristovão, Lima e Valdo, de 1988.

Você deve estar me achando otimista de mais a esta altura do campeonato. Talvez esteja mesmo e, em breve, veremos que este time que está em campo não é o Grêmio de 79 nem de 88, menos ainda o de 81, Campeão Brasileiro, ou o de 83, Campeão da Libertadores e Mundial. É apenas o Grêmio de 2010. E isso não é pouca coisa.

Avalanche Tricolor: A Taça é nossa

 

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Grêmio 1 x 0 Novo Hamburgo
Gaúcho – Olímpico Monumental

Minutos antes de confirmar o título, havia apenas um atacante no time. Assim mesmo, foi ele quem estava disputando a bola na intermediária. Tínhamos cinco defensores, entre zagueiros e alas; seis com Vitor, o melhor goleiro do Brasil, que é nosso ponto de equilíbrio. Diante deles, três volantes em campo – e foi dos pés de um, Ferdinando, que surgiu o único gol da partida, feito lá no primeiro tempo e de bola parada como gostam de desmerecer os comentaristas esportivos.

A falta era distante da goleira, mas de frente para ela. Tinha uma barreira enorme para atrapalhar o ataque gremista. Foi então que Ferdinando fez aquilo que a gente costuma fazer em campo de várzea: dá uma bica na bola, daquelas de espalhar jogador adversário pra todo lado. Foi um chutão, também, nas muitas críticas que se voltam contra ele.

É que Ferdinando caiu na antipatia do torcedor no primeiro minuto de jogo. Não deste, mas o da sua estreia na temporada. A bronca mais amena: é o “queridinho” do Silas – como destacou em manchete o portal Terra agora há pouco -, só porque esteve com ele por dois anos no Avaí (SC). Mesmo sendo um destruidor de jogadas (do adversário, lógico) é vaiado quase sempre. Talvez pela dificuldade em resolver o que vai fazer com a bola depois que a tira dos pés inimigos.

Tinha de ser dele o gol nesta decisão em que as jogadas mais emocionantes foram carrinhos com dois pés no alto, um deles cometido por Rochemback, corridas intermináveis de Hugo e Fábio Santos para evitar que a bola saísse pela lateral e uma despachada de Maylson para jogá-la bem além da lateral. Talvez seja um pouco de exagero meu: houve dribles do Mário Fernandes, também, e poucos chutes em direção ao gol, mas gostei mesmo foram dos carrinhos e chutões – até porque embalados pelo canto do hino rio-grandense que ecoava nas arquibancadas do Olímpico Monumental.

Você que lê esta Avalanche deve imaginar que a partida que decidiu a Taça Fernando Carvalho (sim, é o nome do ex-presidente do co-irmão), que vale o 1o. turno do Campeonato Gaúcho, com tantos jogadores para destruir e quase nenhum para criar, foi feia e mal-jogada. Tem toda razão, foi mesmo. E quem disse que para ser campeão tem de jogar bonito ? Pra ser campeão tem de chegar à frente do adversário, seja em pontos, em gols ou na divida da bola.

E o Grêmio cumpriu seu papel e por isso é campeão.