O Minhocão do Morumbi – II

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A degradação no monotrilho da linha Ouro, que ligará o Aeroporto de Congonhas ao Morumbi, não deveria ocorrer na mesma cidade em que o Elevado Costa e Silva escancara os problemas de obras viárias aéreas em regiões urbanas adensadas.

 

Entretanto, enquanto o Minhocão de Maluf foi realizado dentro do prazo e sem protestos populares, afinal era Ditadura, a obra de Serra e Alckmin não passou ilesa aos críticos, técnicos, moradores e populares antes de ser executada.

 

Ao ser detalhada, em 2010, muitos alertas foram incisivos, alguns, inclusive, publicados neste blog:

 

….

 A linha 17-Ouro que ligará Congonhas à rede de trilhos terá trens a 15 metros de altura, irá desapropriar área de 132 mil metros quadrados na qual serão derrubadas 2.300 árvores e onde 36 mil metros quadrados são ocupados por residências de alto e médio padrões. As demais estarão recebendo impactos ambientais ressaltados no relatório apresentado, que dentre outros aspectos enfatiza:

O morador que não tiver seu imóvel demolido deve sofrer outro impacto negativo de ALTA RELEVÂNCIA: a mudança da paisagem devido à presença de vigas de até 15 metros de altura …

 

Será um grande causador de incômodo à população vizinha, que pode ter uma redução da qualidade de vida”. A obra será usada por mais de 200 mil passageiros por dia …

 

Haverá ainda impacto sonoro. É sugerida uma proteção com barreira acústica para minimizar a propagação do ruído …

 

Nas vias de baixo tráfego haverá aumento significativo do movimento devendo atrair também camelôs e desvalorizando alguns espaços do entorno…

 

O padrão residencial vertical faz com que o impacto visual do monotrilho seja intensificado, pois alguns domicílios ficarão no mesmo nível que as estruturas permanentes”. Isto é, não escapará nada, nem casas nem apartamentos.

 

 

Em 9 de maio de 2012, houve grande manifestação por parte das entidades de moradores da região do Morumbi, onde existem dezenas de associações de bairro. Foi levantada a bandeira a favor do Metrô e contra o monotrilho, quando moradores, de classe média e média alta, levaram ao Palácio dos Bandeirantes a seguinte comparação:

 

Metro

 

Assim como ocorreu nas audiências públicas anteriores, nada disso adiantou e o sistema aprovado foi o monotrilho.

 

A mudança do estádio da abertura da COPA fez com que o ritmo da obra da linha Ouro fosse reduzido até a sua paralisação total, em janeiro deste ano.

 

Hoje, a degradação toma conta de toda a área envolvida na obra. Quer no aspecto da deterioração dos materiais, quer na ocupação através de moradores de rua, de viciados em drogas e bandidos em geral.

 

O Minhocão do Morumbi será reiniciado em breve, mas transportará dos 200 mil previstos apenas 40 mil por dia e não chegará ao estádio. O capital investido e paralisado, a depreciação dos materiais, a degradação ambiental e a desvalorização da área serão débitos a serem pagos pelos contribuintes.

 

É melhor prestarmos mais atenção nas próximas eleições.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Ajude-me a construir a nova sede da Cáritas Santa Suzana

 

 

Conheci o trabalho da Cáritas Santa Suzana pelas mãos do Padre Manoel, que reza as missas na Capela da Imaculada Conceição, local que frequento aos fins de semana como já devo ter contato em outras oportunidades neste blog. A ação pedagógica e de formação que os voluntários desenvolvem há mais de dez anos é contagiante. São cerca de 350 crianças de famílias carentes que passam pela instituição e recebem apoio socioassistencial, no bairro Monte Kemel, zona oeste de São Paulo. Muitos desses jovens já foram para a universidade ou encontraram oportunidade no mercado de trabalho, graças ao apoio de empresas que investem neste projeto. Outros tantos, levaram o conhecimento, adquirido nas muitas atividades realizadas, para dentro de suas casas e compartilharam com parentes, amigos e colegas. A obra que se realiza neste espaço é transformadora pois atende jovens e suas famílias que moram em algumas das maiores favelas das zonas sul e oeste da capital paulista, tais como Paraisópolis, Real Parque e Vila Praia.

 

Durante todo esse tempo, a Cáritas recebeu as crianças e adolescentes em conteiners adaptados para serem salas de aula. Agora, chegou a hora de mudar este cenário. Aproveitando o terreno próprio, um grupo de voluntários iniciou trabalho de captação de recursos para erguer uma nova sede, muito mais moderna, confortável e digna, que ampliará ainda mais o alcance deste projeto. As novas instalações terão um edifício principal, com 1.700 m2 de área construída, ladeado por um pátio externo de 1.000 m2, estacionamento multiuso, com 3.100 m2 área construída – que também será fonte de renda para a Cáritas -, e espaços para hortas e jardins.

 

Eu estive no local onde o prédio está sendo erguido e aproveitei para fazer uma transmissão, através do Periscope, oportunidade em que conversei com várias pessoas que assistiram ao vídeo, ao vivo, e enviaram perguntas pelo aplicativo. Um resumo deste vídeo está publicado aqui no blog e você poderá ver que a obra está avançando, principalmente devido a ajuda de um fundo do governo da Itália destinado a projetos de caridade em países do terceiro mundo. Apesar da colaboração, ainda são necessários cerca de R$1milhão para sua conclusão, e você está convidado a nos ajudar com qualquer quantia que estiver ao seu alcance.

 

As doações devem ser feitas em dinheiro na conta bancária da Cáritas Santa Suzana:

 

BANCO BRADESCO
AG 2403-1
CC 28573-0

 

CÁRITAS SANTA SUZANA
CNPJ 64.033.061/0016-14

Barulho no ouvido do vizinho é refresco

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Minha sobrinha Cláudia Tajes resolveu,na última Donna,fazer um texto sobre o barulho. E escolheu como a hora mais silenciosa do dia, a que se situa entre às 12h e 13h. A explicação que ele dá para eleger esta hora como a mais silenciosa do dia aí vai:por que,escreve ela,os operários da obra param a fim de almoçar e oferecem um breve descanso,com isso. Ela entendeu,também que uma obra esteja em construção nas proximidades da sua casa,o que aumenta o barulho.Isso ocorre porque se trata de uma obra gigante,coisa de gente rica.

 

A hora do silêncio passa ligeiro. Tudo o que é bom passa depressa,não é? O ruim é que tão pronto os operários mudam para outro setor da construção,algo pior entra em ação: o especialista começa a operar uma perfuratriz,que arrasa até mesmo os tímpanos de surdos. A Cláudia cita ainda outras fontes dos mais diversos ruídos. O coitado de um Chevette sofre,no dizer dela,produzindo,imagino, um som horroroso. Afinal,nem todos os motoristas possuem carros com alto-falantes poderosos e de som límpido. No Rio de Janeiro você pode descansar os ouvidos com música de qualidade,se é que música em carro com som altíssimo pode ser ouvido sem causar algum mal aos tímpanos.

 

A Claudia se queixa igualmente do menino que estuda guitarra,não lembro se no andar de cima ou onde o capeta busca inspiração para suas músicas. É aí que entram os eletrodomésticos de todos os tipos. Ah!Tem um cara na frente da nossa casa no comando de uma máquina de cortar grama que já viu dias melhores,tamanho é o ronco que produz. Esse desgraçado tem a mania de fazer o seu trabalho aos sábados. Nada pior do que estragarem de alguma forma o soninho que pretendíamos fazer.E chega o domingo. E o torcedor de futebol se acorda. Isso é o de menos:o nosso televisor possui som muito mais do que o dele.

 

Cláudia deve ter esquecido um dos tantos barulhos que recordou neste curto espaço de um dia,principalmente um dia de fim de semana. Esqueceu,porém,o pior:o cachorro do vizinho para quem odeia cães de qualquer raça,sejam os grandalhões,sejam os pequenos ou os diminutos. Fomos premiados com um Pastor que tem mania de latir na garagem. Quando enxerga a nossa gata,enlouquece e se transforma em um Pastor elétrico.Felizmente,entretanto,ela é bem mais esperta do que ele e nos vinga:sabe que o cão não pode atravessar a cerca de ferro e fica tirando sarro do abobado.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Uma obra “grávida de pintura”

 

Por Julio Tannus

 

Tenho me referido aqui a questões institucionais, políticas, sociais e artísticas. E também a vivências pessoais. Não poderia deixar de me referir ao trabalho artístico da Camila.

 

 

Gianni Nappa, crítico italiano, assim escreveu sobre o trabalho de Camila Tannus, para uma exposição na cidade de Roma/Itália:

L’emotivo segno di un ricordo filtrato dal tempo si evidenzia in forma reale come segni di una natura incontaminata, una pittura istintiva che segue l’eco di un sogno evocativo e pieno di suggestioni. Essenza cromatica espressa per toni e colori primordiali con labili segni di una vita tutta da ricostruire, rifondare su basi più pure, non aggredite da un reale sconosciuto. La natura e il sogno di una pittrice che richiama a se le forze di una purezza formale che sappia dialogare con la purezza dei cuori.

Tradução livre:

O emotivo aceno de uma lembrança filtrada pelo tempo se evidencia como sinal de uma natureza não contaminada, uma pintura instintiva que segue o eco de um sonho evocativo e pleno de sugestões. Essência cromática expressa por tons e cores primordiais com delicados sinais de uma vida toda a reconstruir, refundar sobre bases mais puras, não agredidas por um real desconhecido. A natureza e o sonho de uma pintora que reclama a si as forças de uma pureza formal que saiba dialogar com a pureza dos corações.

 

João Frayze, membro da Associação Brasileira de Críticos da Arte (ABCA) e da Association Internationale des Critiques d’Art (AICA), assim se refere a ela:

 

Camila Tannus é uma pintora talentosa. No contexto da arte contemporânea, sua produção pode ser vista como bastante corajosa, sobretudo se pensarmos que na arte dessas últimas décadas tem se tornado um lugar comum trabalhos que tematizam questões relacionadas ao feio e à morte.

 

Bastaria lembrar que a noção psicanalítica de trauma, segundo alguns críticos influentes, tornou-se significativa para interpretar tal tendência artística contemporânea que apresenta ao espectador objetos não-simbolizados, imagens que envolvem violência e abjeção.

 

Nas quatro últimas décadas do século XX, com efeito, pode-se verificar que o imaginário artístico exacerbou essa tendência cruel para denunciar as formas sinistras da finitude humana.

 

Representariam tais manifestações um indicativo da perda do sentido do belo numa época desesperada em que a existência humana tornou-se cada vez mais marcada pelo horror?

 

Essa é uma interpretação possível. No entanto, é bom lembrar que, desde o segundo pós-guerra, alguns artistas circulam pelo mundo, trabalhando plasticamente também em outras direções.

 

A pintura de Camila Tannus situa-se, precisamente, no campo contrário ao dessa tendência mortífera.

 

São construções plásticas que emocionam a visão, mas que, ao mesmo tempo, encantam o pensamento e transmitem certa inquietação.

 


Para conhecer o trabalho da artista, visite o site de Camilla Tannus


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung.

Meu Jardim Suspenso ainda está lá

 

Democrático, mesmo no futebol, este blog abre espaço, nesta terça-feira, para reproduzir texto do ouvinte-internauta Luis Fernando Gallo, diretor de fotografia, fotógrafo de primeira e palmeirense de coração. Ele foi ver como estavam as obras da arena de seu clube, construída no mesmo espaço do Parque Antarctica. Fez algumas imagens e revelou outras que estavam em sua memória:

Divina Memória: obra no Palmeiras

Resignado, assustado e emocionado, me deparo frente ao meu Palestra Itália, o meu Parque Antártica, cuja arquitetura deixava o campo num lindo Jardim Suspenso. Foi lá que, em 1965, meu pai me levou pra ver um Palmeiras e São Paulo. Eu, com seis anos, já estava sendo doutrinado para o reduto tricolor da família. Mas a memória infantil é um “Super HD”, nunca mais você apaga suas emoções. Foi o que aconteceu. Quando vi o elegante Djalma Santos, que, usando sempre a força das suas mãos, o primeiro brasileiro a fazer da cobrança de lateral em um cruzamento para a área adversária, foi algo inesquecível.

O sucesso atual dos treinadores gaúchos pelos clubes da nossa cidade, Mano Menezes, Tite, Carpeggiani, e Luis Felipão Scolari, não apagam a lembrança do pioneiro de Taquara (RS), no banco, com aqueles óculos imensos e sempre fumando, bicampeão Brasileiro e Paulista na década de 1970, o mestre Oswaldo Brandão.

Como apagar as imagens das jogadas elegantes e clássicas do “Divino” Ademir da Guia, o “Pai da Bola”, maior jogador que vi jogar, depois de Pelé. Junto com e Dudu, formaram um meio campo que jogaram juntos por 10 anos.

Essas memórias de minha infância iam se apagando diante do que eu me deparava, tudo no chão, aquelas máquinas demolindo tudo, fui fotografando sem parar toda aquela transformação.

Lá na frente, junto com os meus netos com certeza terei muito que contar. Agora, definitivamente, com obras a todo vapor, e com “dinheiro privado”, a nova Arena Palmeiras, com sua ótima localização, será com certeza um grande marco cultural e esportivo para a nossa cidade. É a torcida de um alvi-verde paulistano da gema!

Ah! Com toda modernidade empregada meu “ Jardim Suspenso” será mantido !!

Demanda reprimida, muito prazer !

 

Por Carlos Magno Gibrail

Ponte das Bandeiras

Se ainda não conhece, em março quando o trecho sul do Rodoanel, novas pistas da marginal Tietê, a extensão da Avenida Jacu-Pêssego, primeira fase da linha 4 amarela do metrô, extensão da linha 2 verde do metrô Vila Prudente e a ampliação das restrições aos caminhões forem implantadas, você certamente irá conhecer. Enquanto a Prefeitura de São Paulo e o governo do Estado esperam o maior impacto positivo no trânsito da cidade desde 1997, eis que a demanda reprimida poderá desapontar o “pacote de março”. E todos provarão este fenômeno tão conhecido dos economistas e muitas vezes intencionalmente desprezado por alguns engenheiros de tráfego.

Surpreendendo ou não, a demanda reprimida poderá reverter a expectativa deste conjunto de intervenções, cujo gasto chegará a 9,8 bilhões de reais. Enquanto se espera que caminhões sejam retirados das ruas, que a velocidade do tráfego aumente em vias importantes e melhoras na estrutura do transporte coletivo sejam  efetivadas , o volume de carros particulares em circulação certamente aumentará.

Flamínio Fichmann, consultor de tráfego, ex-técnico CET: “A frota registrada no DETRAN não caberia nas ruas nem a pau. Mas há uma demanda reprimida. Sempre pode piorar. É por isso que, em dia de greve no transporte coletivo, os congestionamentos aumentam tanto”.

Segundo Carlos Eduardo P. Cardoso, engenheiro da CET, mestre em engenharia de transporte apenas 1,5 milhão de veículos particulares da frota de 4,5 milhões vai para as ruas.

A estimativa do engenheiro Carlos Cardoso está concentrada nos automóveis particulares e não abrange, por exemplo, táxis, motocicletas, veículos de empresas prestadoras de serviços ou aqueles de fora da Grande São Paulo. Não é à toa que, oficialmente, a companhia divulga um cálculo médio de 3,5 milhões de frota circulante na capital paulista – o número representa 53% do total registrado no Detran.

Outro especialista, Horácio Augusto Figueira, consultor em engenharia de tráfego e transportes, em entrevista ao jornalista Vagner Magalhães no portal Terra, acredita  que o sufoco que o paulistano vai viver até fevereiro do próximo ano, após o fechamento de cinco pontes da Marginal Tietê  para obras, trará uma recompensa pequena quando estiverem prontas. Para ele a obra de ampliação da Marginal Tietê, que ganhará três novas faixas de rolamento em cada sentido, estará saturada rapidamente.

“É uma política equivocada. Se você tem uma moto, vou te dar uma faixa exclusiva. Se você comprar um carro, vou te dar novas faixas. E para o transporte coletivo, nem um metro está sendo feito”, afirma. Segundo Figueira, com o aumento do espaço para os carros, veículos que hoje não trafegam pela Marginal vão passar a fazê-lo. “A demanda reprimida é muito grande. Quando começar a andar um pouco, muita gente vai passar a usar o veículo e fica de novo tudo parado”, afirma.

“De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a ocupação média dos veículos em São Paulo é de 1,4 passageiros por veículo. A capacidade de cada uma dessas faixas, por hora, é de mais menos 1,5 mil veículos. Ou seja, se passarem nove mil veículos nas seis faixas por hora, eles vão transportar cerca de 12,6 mil pessoas nesse intervalo. Uma hora de pico corresponde a cerca de 10, 12% dos que passam ali o dia todo. Vamos usar 10 para a conta ficar mais simples. Serão pelo menos 126 mil usuários transportados diariamente pelas novas faixas. Se dividirmos o valor da obra pelo número de beneficiados, serão cerca de R$ 10 mil por cliente atendido diariamente nesse sistema. Qualquer corredor em um sistema nos padrões da marginal, sem semáforos, com ônibus bi articulado, utilizando paradas com ultrapassagem, seria capaz de transportar 21 mil pessoas por sentido a cada hora, no pico. Isso utilizando apenas uma faixa. Um corredor desse tipo poderia ser implantado a um custo de até R$ 400 milhões. Vamos imaginar o seguinte, em setembro, tudo operando. Os caminhões não rodam na marginal. Estou sendo utópico. As dez faixas – incluindo as que já estão em operação – vão transportar no máximo 21 mil pessoas por hora. Ou seja, custa 10 vezes mais por passageiro atendido e ocupa 10 vezes mais espaço para transportar a mesma quantidade de seres humanos. A pergunta que eu faço é: Que cidade a gente quer?”

O “pacote de março” evidentemente tem o objetivo de coincidir com a data para a decisão de Serra de se apresentar candidato.

O que a cidade quer é uma política liberta dos lobbies e para isso precisamos de eleições com voto facultativo e com patrocínio público. Sem obrigatoriedade do voto e com divórcio das forças que hoje dominam a Câmara Municipal, onde mais da metade dos eleitos receberam dinheiro das construtoras e incorporadoras.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve no Blog do Mílton Jung.

Cátia Toffoletto: Olhar de mulher

 

Olhar apurado 1

Na Marginal Tietê, alguns trechos novos foram entregues nesta segunda-feira para amenizar o impacto negativo da interdição parcial de pontes. A Cátia Toffoletto identificou alguns problemas na sinalização e no próprio piso que tinha desnível em um dos pontos. Depois de questionar o diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza sobre estas falhas, ela ouviu: “Só o olhar de uma mulher para enxergar estas coisas”.

Ouça o que disse o diretor do Dersa para a Catia Toffoletto

Não é que o “tal” olhar da Cátia enxergou também este caminhão enorme que cruzava a Marginal, hoje cedo. Teria sido o olhar feminino ou o olhar corintiano ?

Demanda reprimida e esquecida, em São Paulo

Por Carlos Magno Gibrail

Cidadãos urbanos atentos, observamos nas grandes cidades como São Paulo – 11 milhões de habitantes, 6 milhões de automóveis, 6 milhões de passageiros transportados diariamente – obras civis pontuais serem executadas, como pontes , viadutos e ampliações de avenidas, sem trazer resultados esperados. Ou seja, a fluidez buscada não acontece.

Aparentemente é uma questão de geografia ou geometria, quando se percebe apenas um deslocamento de gargalos. Exatamente isto, quantias substanciais investidas e o resultado é apenas uma transferência de gargalos no trânsito de veículos.

E em alguns casos parece que o congestionamento aumenta. O que acontece é a questão da demanda reprimida, que, represada, não surgia antes das novas obras.

Depois de construídas, pontes, viadutos e avenidas, passam a ser utilizadas por pessoas que começam a usá-las ocupando espaços que antes não ocupavam.

É o que os economistas chamam de “Demanda Reprimida”.

“Em economia, Demanda ou Procura é a quantidade de um bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir por um preço definido em um dado mercado, durante uma unidade de tempo”.Wikipédia

É parte da lei da oferta e procura, que pode estar inserida num mercado de concorrência perfeita, imperfeita, oligopolista ou monopolista.

Cuja demanda, perfeita, elástica ou inelástica, pode estar reprimida por procura ou oferta.

A identificação da demanda reprimida é recomendável em todos os setores, públicos ou privados, bens ou serviços, antes que apareça de surpresa. O plano cruzado foi um dos momentos em que a demanda reprimida liberada não encontrou a oferta necessária de bens e serviços.

O contemporâneo Twitter que dá quase 3 milhões de seguidores para Britney Spears e quase 2 milhões para Obama , certamente represa quantidade significativa de usuários brasileiros por falta de procura com capacidade financeira.

Para as obras públicas na capital paulistana certamente não estão incluindo nos estudos a demanda reprimida potencial.

Na Marginal Tietê será construída uma nova pista com 23 km de extensão e três faixas de cada lado da marginal, além de quatro pontes e três viadutos ao longo da via. O investimento será de R$ 1,3 bilhão.

O governo acredita que, haverá uma redução no tempo gasto em congestionamentos na marginal em 35%. Segundo cálculos apresentados no projeto, a Marginal Tietê apresenta filas de 30 km, em média, nos horários de pico, 25% do total na cidade. O desperdício de tempo é de 1,7 milhões de horas/ano e o de combustível, 1,5 milhões de litros/ano.

A Prefeitura de São Paulo, no dia 5, declarou de utilidade pública duas áreas na região do Butantã, para atender ao projeto de ampliação do Túnel Jânio Quadros.

Uma das áreas tem 2.546 metros quadrados e a outra, 1.420 metros quadrados. A obra prevê a construção de uma interligação da Avenida Lineu de Paula Machado por intermédio de um túnel que se unirá ao Túnel Sebastião Camargo, antes da travessia do Rio Pinheiros.

Uma boa comparação com o represamento de água pode elucidar a crucial questão do trânsito em SP Cap.

Para esgotarmos a água numa represa cheia abrindo orifícios e fazendo canais, sempre teremos estes canais cheios d’água. É o que acontece com as vias acrescidas através de obras como as do Tietê ou do Túnel Jânio Quadros. Os veículos “represados” ocuparão todos os espaços novos.

Alguma dúvida que isso irá acontecer?

Ou os 35% de melhoria que Serra e Kassab, economistas renomados acreditam?

Acreditam?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas escreve no Blog do Milton Jung, sempre disposto a congestionar este espaço de boas ideias.

O impacto ambiental com as obras na Marginal Tietê

O Governo do Estado de São Paulo anunciou com a prefeitura a ampliação no número de pistas da Marginal Tietê, das mais importantes vias de tráfego na capital paulista. A mudança que terá participação, também, de concessionária de rodovias que chegam a cidade, causará impactos ambientais.

O arquiteto e urbanista Jorge Wilhein, ex-secretário de Planejamento, destacou que haverá prejuízos na impermeabilidade da várzea do rio Tietê, além da retirada de grande número de árvores. Hoje, o secretário em exercício do Verde e Meio Ambiente, Hélio Neves, defendeu a ampliação e mostrou como será feita a compensação devido a retirada de área verde.

Ouça a entrevista do arquiteto Jorge Wilhein

Agora o outro lado:

 Ouça a entrevista do secretário em exercício Hélio Neves