Por Abigail Costa
Das primeiras vezes que ouvi isso, as pessoas se referiam as roupas.
Muitas cores, muitos colares, muitos anéis. Tudo “over”.
Bastou um olhar mais atento para camisa branca ou o pretinho básico e as diferenças apareceram.
Das roupas para a vida nossa de cada dia, ficou mais fácil.
É natural, além de ser mulher, mãe, esposa, profissional, incorporar outras figuras.
Foi num desses momentos de múltiplas funções que me deparei com um desgaste fora do normal.
O cansaço veio acompanhado de uma sensação de ser incompleta.
Poucos minutos para o café da manhã já que o dia tem pressa.
Uma espécie de cronômetro para medir se o que foi feito estava absolutamente certo ou pela metade.
Uma cobrança invisível de sofrer.
Ninguém diz nada mas você sabe.
Poderia ter ido mais além aqui. Deveria ter brecado ali.
Era como ir para o quarto e perceber que com algumas mudanças nos móveis conseguiria mais espaço para ter um corredor.
Em alguns momentos é hora de sacar o pretinho básico do guarda-roupa para não perder tempo com as combinações de cores que estão fora de moda.
Uma dúzia de funções ficam bem para mostrar para os outros como você é ou se sente ocupada.
Ocupada, mas sem tempo de desempenhar as principais tarefas que só dependem de você.
DESCENTRALIZAR.
Estou “in love” com essa palavras.
Ando namorando, o mais é menos.
Descobrindo que posso, não preciso, andar com o cronômetro na bolsa.
Quer saber?
Me perguntaram outro dia.
– Esta fazendo o quê?
– NADA.
Do outro lado lado:
– Aí que inveja!
Eu me senti vestida de menos, o outro me viu DEMAIS.
Estou conseguindo.
Abigail Costa é jornalista e escreve às quinta-feiras no Blog do Mílton Jung