Biarticulado começa a rodar no ABC Paulista

Ádamo Bazani

Ônibus biarticulado B5 577

Com aproximadamente 2,5 milhões de habitantes, segundo estimativa do IBGE de 2007, o ABC Paulista contará com os primeiros ônibus biarticulados da história da região.

A empresa de ônibus Januária, do Grupo Barão de Mauá, já preparou um destes veículos para fazer linha municipal de alta demanda em Mauá. O ônibus veio da VCD (Viação Cidade Dutra) e faz parte de investimento da empresa para atender aos usuários em horários nos quais nem mesmo os  articulados são suficientes.

Um Caio Top Bus, motor Volvo, está na fase de finalização para começar a trabalhar e um Marcopolo Vialle, também Volvo , ainda está sendo preparado na garagem do grupo, em Mauá, na Grande São Paulo.

As linhas intermunicipais do grupo são operadas pela EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André. A preocupação com a demanda maior em alguns horários também fez com que a empresa investisse em veículos maiores para as linhas.

Pelos menos três carros, que serviram a região Sul do País, estão na fase final de preparação para atender linhas que fazem a ligação entre Mauá, Santo André, São Caetano do Sul e o Terminal Sacomã, com o Expresso Tiradentes (ex-Fura Fila). Entre os destaques estão os modelos Busscar Urbanuss, motor F 94, consideradod um dos mais potentes da categoria.

Adamo Bazani é jornalista da CBN e busólogo. Toda terça conta o que se passou no transporte de passageiros em São Paulo, mas hoje antecipa um capítulo desta história.

São Paulo terá primeiro ônibus a hidrogênio do Brasil

Modelo de ônibus a hidrogênio Começará a rodar, neste mês, o primeiro ônibus brasileiro com célula a combustível de hidrogênio, em São Paulo – é o que informa o Blog Energia Eficiente, do advogado com pós-graduação em direito e gestão ambiental Flávio Vieira.  A fonte dele é o gerente de planejamento da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), Carlos Zundt:

Em testes feitos em Caxias do Sul (RS), os testes indicaram que o ônibus tem capacidade para rodar 300km sem precisar reabastecer, já que carrega nove tanques de combustível com 5 kg de hidrogênio em cada tanque. O novo ônibus tem emissão zero de poluentes, liberando para a atmosfera apenas vapor d´água, além de não fazer nenhum barulho.

Leia mais no Blog Energia Eficiente

Os 456 anos de Santo André a bordo de um ônibus

Por Adamo Bazani

Em 8 de abril de 1553, o português João Ramalho tem seu pedido atendido pelo governador geral da época Tomé de Sousa e transforma a região onde morava na Vila de Santo André da Borda do Campo. Casado com a índia Bartira, filha do Cacique Tibiriá, da tribo Guaianazes, João Ramalho não podia imaginar que a cidade se transformaria numa das mais importantes do Estado de São Paulo e num dos maiores PIB.

A cidade foi palco do traçado da linha de trem, dos inglesas da São Paulo Railway, que no final dos anos de 1890 se tornaria a principal via de escoar café do interior para o Porto de Santos.

A região crescia e vias surgiam. No início dos anos de 1920 surgem os primeiros serviços de ônibus.

Com um rápido retrospecto de imagens de transportes, contamos a história mais recente da cidade:

Ônibus de 1925 (FOTO 1)

1925 – É inaugurada uma das primeiras empresas regulares do ABC Paulista, que ligava a então estação de São Bernardo do Campo (hoje estação de Santo André) à Vila de São Bernardo – região central de São Bernardo do Campo. O ônibus da imagem foi um dos pioneiros no serviço de passageiros em São Bernardo (São Paulo), realizando o trajeto entre a Estação e a Vila de S. Bernardo. Era de propriedade de João Setti, que iniciou suas atividades nesse setor em 1925. A linha hoje existe e é operada pela Viação ABC, de herdeirtos de João Setti.

Ônibus de 1933 (FOTO 2)

1933 – A Inglesa São Paulo Railway, operadora das linhas de tens, também investe no transporte rodoviário, que serviu o ABC Paulista, entre São Paulo e Santos com um ônibus peculiar. O ônibus apelidado de “King-Kong” foi um modelo introduzido pela Companhia Geral de Transportes, uma subsidiária da São Paulo Railway. A mecânica era inglesa, de marca Thornycroft, e a carroceria era da Grassi, de São Paulo. Fazia o trajeto entre São Paulo e Santos

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Da semente do café nasce uma empresa de ônibus

Por Adamo Bazani

ônibus da Parque das Nações

Fundada em primeiro de agosto de 1956, a empresa Transportes Coletivos Parque das Nações, é uma das mais antigas do ABC Paulista, ainda em operação. Sempre teve a mesma garagem, na Praça Chile, onde,  havia brejos e ruas de terra, sinais de que a região pouco se desenvolveria. Não para quem era visionário. E otimista.

Apesar de a empresa ter sido criada em Santo André e ter sua história ligada ao crescimento do ABC e da capital paulista, a viação começa mesmo em Laranjal Paulista, interior, em uma lavoura de café. Os irmãos Antônio Sófio e Eunízio Sófio davam duro na plantação, desde as cinco da manhã até o cair da tarde. De família italiana, os dois eram obstinados pelo crescimento e não se conformavam com pouco.

No período pós-Segunda Guerra Mundial, a crise econômica afetava todos os setores. A indústria do café não era mais a mesma. No entanto, o fluxo de imigrantes para as plantações não parava. Os irmãos, que já eram casados e tinham família para sustentar, não tiveram dúvida: é na cidade que vai dar pra fazer a vida.

Depois de obter informações sobre as cidades que cercavam a capital com os próprios vendedores de café, viram que, apesar da crise, um setor não iria parar: o de transportes. As pessoas precisavam se locomover, enquanto a indústria dava sinais de que seria a solução nacional para uma economia que sucumbiria no pós-guerra, se continuasse majoritariamente agrária.

Foram 16 anos de luta: entregando leite em caminhões Ford surrados, levando operários por conta própria em peruas velhas, até que, “raspando todas as economias da família até o osso”, os irmãos conseguiram fundar a empresa de ônibus.

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“Se fizer no fogão, o que eles fazem ao volante, será um desastre”

Por Adamo Bazani

Solange em sua amada Scania
O cenário é do fim dos anos 60, no bairro Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Com a expansão e reorganização das vias que cercavam o rio Pinheiros, que até os anos 20 era sinuoso e tinha pequenos portos para a extração de areia, diversos loteamentos começaram a se formar nos bairros próximos. Foi num desses terrenos, numa casinha humilde que nascia mais uma grande paixão pelos transportes.

Uma paixão tímida no início, sufocada por preconceitos, mas que ficou em brasa amena dentro do coração e que vinha a se inflamar 30 anos depois. Solange Guarento, hoje motorista de serviço de lotação regular intermunicipal, lembra que com seis anos de idade, quando via os ônibus, bastante coloridos (não havia padronização na pintura) passar na recém expandida Marginal Pinheiros, sentia algo diferente no coração. “Me chamava a atenção ver os ônibus indo pra lá e pra cá. Comecei a anotar os prefixos, os nomes, as cores. Ia pra escola sem saber ler direito, mas sabia que o ônibus de cor amarela me levava lá. Era tudo ainda parado no Campo Limpo. O ônibus dava vida”.

Filha única, Solange não tinha com quem compartilhar a paixão que nascia. Os familiares poderiam repreendê-la. “Como uma menina, que deveria gostar de casinha, roupas e bonecas, ia dizer que o que chamava a atenção era o ônibus?”.

Na época, mulher tinha que ser dona de casa, professora, datilógrafa.  Mas, bem antes mesmo do termo “busólogo” se tornar conhecido, Solange, em silêncio, praticava a arte de admirar os transportes. “Anotava os prefixos, desenhava, elaborava na cabeça novas linhas e, mesmo sem entender direito de mecânica e detalhes técnicos, nomes de encarroçadoras, como Carbrasa, Caio, Ciferal, etc faziam parte do meu vocabulário”.

Os passeios nos trólebus importados dos Estados Unidos, e operados pela CMTC nos anos 70, também faziam Solange sentir algo diferente no coração. “Eu quando criança, pegava trólebus, perto de casa para ir ao Belém, na casa do meu tio. Me fascinava a suavidade da viagem, a educação e a atuação dos motoristas, com seus uniformes impecáveis. Nesta época, não me via como motorista; só mais tarde, quando já dirigia, pensei: por que não? Mas faltava a oportunidade.”

A paixão da época de menina, deu lugar às exigências e cobranças da sociedade. Solange foi trabalhar em outras áreas, estudou e o amor ao ônibus parecia ter sido uma fase de infância e adolescência.  “Sabe aquelas coisas que você gostava quando era jovem e hoje até desacreditaria que curtia aquilo”.

Mas com Solange, a paixão pelos transportes estava arraigada. No fim dos anos 80, ela consegue um serviço para o transporte escolar na cidade de São Paulo.
“A correria da cidade, o trabalho na rua, vendo os ônibus pra lá e pra cá, as cores, os modelos e até mesmo a fumaça, me fizeram sentir aquela menina de seis anos de novo”

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Foto-ouvinte: Abrigo de ônibus (?)

(nota republicada com novas informações)

Abrigo de ônibus e gente

Soube, ontem, que São Paulo tem cerca de 9 mil pontos de ônibus, desde aqueles sinalizados com apenas um poste até os cobertos e protegidos dos corredores exclusivos. Nenhum, porém, oferece o conforto deste flagrado pelo ouvinte-internauta Tiago Cheregati em uma das ruas da Móoca, a Borges de Figueiredo. Verdade que atende apenas um paulistano, mas não dá para negar a versatilidade deste abrigo que já não é mais de ônibus.

Um drama social

A ouvinte-internauta Glória, após ouvir a informação no CBN SP sobre o abrigo de ônibus usado como moradia, esclareceu: ali mora uma senhora com mais ou menos 70 anos que foi colocada no lugar pela própria filha. A senhora tem problemas de saúde. A prefeitura, às vezes, passa por lá e a leva para tomar banho. Segundo Glória, a senhora já foi professora na Itália, voltou ao Brasil e reencontrou a filha, usuária de droga. A neta dela foi levada para uma instituição de assistência. A senhora implora por ajuda e clama por um quarto, pois imagina que assim poderá ter a neta de volta. Tem dificuldade de locomoção e precisa da cadeira de roda. “É triste pois com esta idade, o problema de saúde e ainda não anda, precisaria de cuidados médicos, pois só se alimenta quando algum vizinho caridoso lhe dá comida”.

Ônibus substitui giz e lousa no ensino das crianças

Por Adamo Bazani

FOTO NAÇÕES UNIDAS

Que o ônibus faz parte do dia a dia das cidades, isso  está mais que provado. Tanto para os funcionários das empresas, donos, passageiros que dependem dele como para os motorista dos carros particulares, que dentro de seus veículos confortáveis acham que aquela imensa lata barulhenta está na sua frente atrapalhando sua jornada solitária nas ruas das cidades.

O casal de professores Waldemar Freitas e Bárbara Sales conseguiu tirar proveito desta verdade em favor da educação, principalmente de crianças carentes. Durante visita ao evento VVR (Ver, Rever e Reviver), que reúne em todo mês de dezembro ônibus antigos de diversas empresas, na área externa do Memorial da América Latina, na Barra Funda, zona Oeste de São Paulo, Waldemar estava entusiasmado, contando sua história e exibindo fotos antigas de ônibus de sua autoria.

Waldemar, que já foi fiscal da CMTC (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos – extinta empresa operadora pública de São Paulo), atualmente é professor da Escola Estadual Dona Chyo Yamomoto, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Desde pequeno se mostrou um apaixonado por ônibus. Viajava nas inaugurações das linhas; nas apresentações de modelos novos, como os primeiros monoblocos – os 364 da Mercedes Benz – que circularam em São Paulo pela CMTC ; e, claro, tirava muitas fotos. Hoje, é o dono de um acervo cujas imagens são disputadas pelos busólogos mais jovens que se interessam pela história dos transportes.

Sua paixão foi aplicada afinco em sua profissão: “Os ônibus podem ensinar história, geografia, leitura … Os ônibus são para mim tão importante como o giz ou os livros para dar aula”.

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Baltazar, do Centro-Oeste do Brasil para São Paulo

Por Adamo Bazani

(continuação da terça-feira, 03/02)

Baltazar é empresário em Mauá

Anos 70, época da Ditadura Militar. As ordens austeras, que influenciavam na liberdade do povo e da imprensa, vinham de Brasília. O Distrito Federal, que na época de Juscelino Kubitschek de Oliveira era considerado a imagem da esperança e do “novo amanhã”, se tornou na imagem do Poder Irrestrito. “A situação do Centro-Oeste estava ruim demais. Mas eu sabia que essa era a oportunidade de crescer, porque pior não ficaria. O essencial era ligar essa região ao Sudeste, onde estava o dinheiro da Nação”.

Depois de comprar mais empresas em Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Distrito Federal, Baltazar quis penetrar mesmo no coração do Centro-Oeste justamente para fazer essa ligação que considerava essencial.

Era 1973, o presidente, Emílio Garrastazu Médici. Duas estradas tinham sido concluídas. Uma em Brasília e outra, a BR 040, que fazia parte do Plano Nacional de Viação. A rodovia liga Brasília ao Rio de Janeiro, passando pelos estados de Goiás e Minas Gerais. Logo após sua inauguração, o grupo da Viação Itapemirim assumiu as operações em boa parte da rodovia.

Baltazar, no entanto, percebeu que as estradas serviam apenas alguns municípios do Centro-Oeste e de Minas Gerais: “O miolo mesmo tinha sido deixado de lado”.

Ele visitou cidades mineiras, goianas e do entorno do Distrito Federal como Cocos, Montes Calros, Januária, Barreiras, Dianópolis, Arinos, João Pinheiro, Montalvana, Pirapora Calheiros, e constatou uma situação deplorável no transporte. “Simplesmente não havia estrada, eram caminhos de chão batido e as pessoas se locomoviam com animais ou no máximo, com Toyotas Bandeirantes que aguentavam a terra e iam apinhados de gente. Então pensei, essa é prá mim”.

O empresário entrou em contato com o Ministério dos Transportes várias vezes. Teve ajuda do advogado e amigo João Pimenta da Veiga para chegar a altos escalões. A proposta era operar nas cidades que não eram servidas pelas rodovias e chegar a Brasília pelo interior de Minas e pelo coração do Centro-Oeste. Os primeiros contatos com o então DNER – Departamento Nacional de Estradas e Rodagem – forma decepcionantes.

Primeiro acharam que era loucura passar por ônibus naquelas cidades que não tinham sequer estradas. Baltazar disse que havia também a pressão das empresas de ônibus que iam do Sudeste à Brasília, mesmo que os itinerários fossem completamente diferentes. Mas quando a população das cidades desprezadas pelo poder, perto da Capital do Poder, soube que poderia ter as primeiras linhas de ônibus interestaduais, se alvoroçou. Foram mapas, projetos, assinaturas de moradores, fotos, tudo apresentado para o Departamento. A ideia eram duas linhas que ligariam Brasília a Montes Claros por caminhos diferentes, praticamente sem trafegar pelas recém-inauguradas rodovias. Os vários pedidos foram indeferidos. O projeto já estava sendo engavetado, quando, um passageiro que sempre ia de Arinos, em Minhas Gerais, até o Distrito Federal bateu um papo com Baltazar.

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Baltazar: um sonho, uma foto e 3 mil ônibus

Por Adamo Bazani

Baltazar e o ônibus
Baltazar, de gravata, com um de seus primeiros ônibus, carroceria Ciferal, Mercedes Benz

Quem via o menino de cinco anos freqüentando todo o dia uma garagem de ônibus na região de Patos de Minas, em Minas Gerais, jamais imaginaria que ele se tornaria um dos maiores empresários do País. Atualmente, dono de cerca de 3 mil ônibus em sociedade com outros empresários, em 20 viações, Baltazar José de Souza, 62 , teve sua vida, desde a infância, dedicada ao transporte, por necessidade e paixão.

Paixão porque era bem tratado na pequena garagem de ônibus que freqüentava e ajudava a varrer, limpar peças e organizar papéis.

Necessidade pois aos oito meses perdeu o pai, a mãe se transformou em chefe de família e ele e os quatro irmão se viram obrigados a pegar pesado desde cedo.

Além de frequentar a garagem, onde às vezes ganhava um troquinho ou uma ajuda e às vezes nem um obrigado, Baltazar trabalhou de  ajudante de caminhão, no carregamento de carga, aos 10 anos.  Quando adolescente, vendeu arroz e outros produtos agrícolas, boa parte da produção plantada e colhida pela família, desde São Paulo até o Pará. Ele não pode estudar por muito tempo e brincar era luxo.

Na mente, porém, a certeza de que deveria ajudar a família e seu negócio teria de ser com transportes: “Eu sentia na pele a dificuldade para ganhar cada centavo. E não esbanjava dinheiro. Não comprava pra mim nada além do necessário e guardava todo o pouquinho dinheiro que sobrava”. Ainda em Minas Gerais, Baltazar, com 13 anos fazia de tudo na garagem de ônibus da antiga Viação São Cristóvão. Lá,  teve a oportunidade de conhecer toda rotina de uma empresa de transportes.

“Minha área de atuação era o País. Prá mim não tinha distância e dificuldade. Com 16 anos, em 63, soube que uma empresa estava quebrada em Cáceres, decidi arriscar todas minhas economias e comprei a viação, coincidentemente chamada de São Cristóvão, o mesmo nome da empresa que eu freqüentava com cinco anos de idade e que eu trabalhei na adolescência e aprendi um pouco de tudo sobre o setor” – conta Baltazar.

Os ônibus velhos faziam a linha Cáceres – Cuiabá. Foi a prova de fogo para Baltazar. Ele fala que nem dava pra dizer que as condições das estradas eram ruins na época, porque praticamente nem estrada existia. “Eu tinha de saber de mecânica, administração e direção. Tinha vezes que não dormia por três dias seguidos. As viagens eram demoradas e em praticamente todas os veículos quebravam. A região Centro Oeste do Brasil foi meu berço como empresário”.

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