Mundo Corporativo: Julio Campos, do Movimento Jovens do Brasil, convida você a transformar a potência da juventude em realidade

Nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti

“Cada vez mais é importante que a sociedade se mobilize porque é dessa forma que a gente vai transformar a potência do jovem numa realidade para o país”. 

Julio Campos, Movimento Jovens do Brasil

A população brasileira está prestes a assistir uma transformação no seu perfil demográfico. Atualmente, ainda temos uma quantidade enorme de jovens e adultos com potencial de levarem o país ao crescimento econômico e a dar um salto de qualidade. É o que os técnicos chamam de “bônus demográfico” — mais jovens e adultos do que idosos e dependentes da Previdência Social. Haverá, porém, uma queda expressiva da população e o aumento no número de idosos se acentuará — e diante dessa transição virá o “bônus demográfico”. Mais gente sendo sustentada pela Previdência, menos produzindo. 

Temos uma janela de oportunidade se fechando e será preciso investir fortemente na juventude para inserir essa população no mercado de trabalho. Esse é um dos desafios do Movimento Jovens do Brasil uma iniciativa de Luiza Helena, do Magazine Luiza, e de Julio Campus, CEO da Compra Agora, que surgiu em 2018. Entrevistado pelo Mundo Corporativo, Julio disse que a educação é o fator primordial para inclusão dos jovens, oferecendo-lhes escolhas e preparo adequado. 

“O acesso à educação e às oportunidades são fundamentais para que os jovens possam avançar em suas carreiras”.

O movimento tem como objetivo oferecer treinamento de habilidades técnicas, cognitivas, emocionais e sociais aos jovens, capacitá-los para que se tornem agentes de transformação na sociedade, conectá-los a oportunidades de trabalho e promover o diálogo entre gerações, unindo jovens e jovens por mais tempo — expressão que a instituição usa para identificar os mais velhos que se dispõem a colaborar nessa transformação.

Dentro do Movimento Jovens do Brasil, são trabalhados quatro pilares essenciais: desbravar, transformar, conectar e dialogar. Através dessas trilhas, o movimento busca fortalecer os jovens e prepará-los para o mercado de trabalho. A trilha do desbravar engloba a capacitação técnica, cognitiva e emocional. Já a trilha de ser um agente de transformação convida os jovens a exercitar um pensamento crítico sobre políticas públicas e seu papel na sociedade. O movimento também conecta os jovens às oportunidades de trabalho e cursos disponíveis. Por fim, a promoção do diálogo intergeracional fortalece tanto os jovens quanto aqueles que já têm mais experiência, incentivando a compreensão mútua.  

Júlio também destaca a importância da mobilização da sociedade em auxiliar os jovens, especialmente aqueles que vivem em áreas periféricas, a superar as barreiras e alcançar seu potencial máximo. É importante destacar que o Movimento Jovens do Brasil busca formar jovens multiplicadores, capazes de impactar positivamente suas comunidades. Através do voluntariado e do entendimento de seu papel como cidadãos, esses jovens podem devolver ao seu território as oportunidades que receberam. 

“Acho isso extremamente potente. Porque você traz gente que fala a linguagem dos seus semelhante, do seu igual, ele entende aquela realidade. Então, ninguém melhor do que ele para poder passar esse conhecimento. Então, a gente forma o jovem voluntário para que ele possa ser se agente multiplicador na sociedade.”

Para saber como participar desse projeto, seja em busca das oportunidades de conhecimento existente seja diante da possibilidade de oferecer o seu conhecimento ao movimento, visite o site jovensdobrasil.org.

Assista à entrevista completa com Julio Campos, do Movimento Jovens do Brasil, ao Mundo Corporativo que teve às participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Julia Maggion, da Ateha, explica como negócios verdes podem fazer do Brasil uma potência regenerativa

“A gente precisa como país se apropriar desse lugar. Realmente, entender que os negócios podem ser uma ferramenta para se colocar nessa posição de uma potência regenerativa mesmo” 

Julia Maggion, Ateha
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O Brasil tem a possibilidade de se transformar em uma potência regenerativa, a partir de uma série de ações que valorizem seus principais biomas, aproveitando-se da riqueza que oferecem para desenvolver novos negócios sustentáveis. Essa não é apenas uma visão otimista do que podemos fazer no país, é realidade que se enxerga a partir de projetos que estão em andamento, alguns dos quais sob o olhar da empreendedora Julia Maggion, uma das fundadoras da Ateha, empresa criada para apoiar empreendedores com ideias de impacto para as soluções climáticas, em 2021.

Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, Julia esbanjou entusiamo ao falar do empreendedorismo verde e das possibilidades que existem no Brasil. A existência de matas nativas e biomas diversificados — Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa, Pantanal e Bioma Marinho —permite ao país a liderança desse movimento de regeneração e o surgimento de fontes de renda para comunidades locais.

Após passagem em uma série de grandes empresas e no sistema bancário, nos quais aprendeu lições importantes na área corporativa, Julia descobriu-se em projetos de impacto social e ambiental. A ideia da Ateha surgiu nesse novo momento, quando então ela se juntou a parceiros de negócios no setor financeiro: Raymundo Magliano Neto, ex-CEO da Magliano Corretora e co-fundador da Expo Money e Humberto Matsuda, co-fundador da Performa Investimentos e fundador da Matsuda Invest. Uma combinação que para ela foi perfeita: 

“A Ateha faz investimentos sementes nas empresas, mas a gente entra muito no negócio, botando a mão na massa. É o que eu gosto de fazer. Eu adoro pegar o negócio no começo, a ideia e desenvolver. E o nosso papel também é fazer a ponte com o universo do investimento, haja vista a experiência dos meus sócios”.

Os projetos de impacto ambiental e regenerativos tem inúmeros benefícios e permitem que se atue no âmbito local, entendendo os limites territoriais, as fronteiras de crescimento e as características próprias de cada população.  Da mesma forma, exigem do empreendedor visão diferente daquela que costumamos ter nas grandes empresas, em que o lucro é a meta:

“Aprender com essa lógica (a da sustentabilidade) exige desconstruir muito do que a gente aprendeu no mundo convencional dos negócios, exige a criação de um arcabouço de novos valores e, principalmente, no sentido de a gente saber trabalhar conectado, entendendo os ritmos da natureza”.

Na nossa conversa, Julia destacou que um dos negócios que estão sendo fomentados pela Ateha é o Ekuia Food Lab, um laboratório que pretende valorizar a biodiversidade da Amazônia e regenerar florestas, impulsionando negócios e fortalecendo uma nova economia com a criação de produtos alimentícios. Também em desenvolvimento está a Ateha Escola do Clima que pretende disseminar conhecimento, formando mão de obra mais bem preparada e empreendedores que tenham a visão de negócios regenerativos.

Pensar em soluções ambientais não é função apenas para empreendedores verdes ou startups que nasceram com essa intenção. É responsabilidade, também, de todas as empresas e seus líderes que precisam entender quais são os mecanismos de impacto que podem ser desenvolvidos dentro de seu negócio. Uma preocupação posta por uma das nossas ouvintes no Mundo Corporativo foi quanto ao risco de o empreendedorismo verde em lugar de proteger se transformar em explorador do meio ambiente:

“A gente precisa criar os mecanismos justamente para que isso não aconteça. Isso tem a ver com políticas públicas, com associações de empresários e de empresas que têm esse pacto de não gerar o impacto negativo. Porque como eu falei, a empresa acaba muitas vezes fazendo um projetinho que está gerando um impacto positivo, mas na sua atividade principal gera um impacto negativo absurdo. Então, a sociedade, principalmente, tem que estar muito atenta”.

Um das formas de atuar para impedir esse desvio de conduta é ter informação e conhecer os instrumentos de fiscalização e proteção ambiental. No site da Ateha existem vários documentos e artigos, disponíveis de graça, que podem ajudar você a estar mais bem informado sobre o assunto. 

Antes, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo, com Julia Maggion, CEO e cofundadora da Ateha:

O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: pessoas com deficiência têm de estar incluídas na agenda ESG, diz o advogado Stefano Maximo

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“Não dá para negar que ainda falta muito para a inclusão acontecer, mas com o diálogo, o que eu pude perceber, é que as empresas estão incluído o tema da pessoa com deficiência nas pautas no ESG e isso me dá um pouco de otimismo”

Stefano Maximo, advogado

A invisibilidade das pessoas com deficiência é uma realidade mesmo em empresas comprometidas com a agenda da governança ambiental, social e corporativa. Diante dos tantos desafios que precisam ser enfrentados, esse segmento — cerca de 46 milhões de brasileiros, conforme o Censo de 2010 — muitas vezes é esquecido na formação dos comitês de afinidade e nas políticas internas de inclusão. Talvez você mesmo, caro e raro leitor deste blog, ao olhar para os lados — no escritório, na escola, nos ambientes que frequenta — vá perceber a ausência dessas pessoas. 

Foi esse incomodo que levou o advogado Stefano Maximo a pesquisar a realidade vivenciada pelas pessoas com deficiência no mercado de trabalho. O conhecimento desenvolvido na área se transformou em dissertação do mestrado realizado na Universidade Federal de Itajubá e o fez perceber que o interesse pelo assunto ganhou nova dimensão, seja pela imposição das leis criadas ao longo das últimas décadas seja pela demanda das próprias pessoas com deficiência que passaram a elevar suas vozes em busca do respeito a que têm direito.

“Isso tem refletido muito na postura das empresas, não só normativamente, não só na questão regulamentar, nas regras as quais as empresas têm que se adequar, mas na cultura mesmo das empresas de entenderem, de buscarem saber qual a demanda dessas pessoas de compra, qual a demanda de atendimento e o que elas querem quando buscam ser parte do mercado de consumo”

Um fato inusitado tanto quanto cruel acabou dando um destaque inesperado ao trabalho de mestrado desenvolvido por Stefano Maximo. Uma imagem dele, durante a apresentação da dissertação, foi alterada e  usada para a disseminação de mentiras — essa coisa aí que você prefere chamar de fake news — com o objetivo de desvalorizar a universidade pública e o trabalho científico. Em lugar do nome oficial da dissertação “A pessoa com deficiência e o mercado de trabalho – Um estudo na microrregião de Itajubá”, os falsificadores escreveram “O uso indiscriminado de figurinhas no WhatsApp e seu impacto social”. A manipulação foi identificada por empresas de checagem de fatos que publicaram o tema correto da dissertação.

No Mundo Corporativo, Stefano Maximo, advogado no escritório Meira Breseghello Advogados e mestre em Desenvolvimento, Tecnologia e Sociedade pela UNIFEL, trouxe uma visão realista da situação enfrentada pelas pessoas com deficiência; mostrou-se otimista em relação a inclusão do assunto na agenda ESG; e sabe que apesar da legislação consistente que o Brasil tem, muitas empresas ainda são reticentes na contratação e na adaptação de seus espaços para uma inclusão plena. Mas enxerga as mudanças que começam a se realizar:

“A partir do momento que a a empresa tiver essa dimensão já ali dentro da cultura dela, ter essa noção integral da deficiência, as coisas vão com certeza melhorar e muito. E eu acho que isso já tá acontecendo”.

O certo é que nenhuma empresa que se preza a dar publicidade às suas práticas ESG pode abrir mão das estratégias de inclusão das pessoas com deficiência. Uma inserção que precisa se realizar na contratação de colaboradores com deficiência, na geração de ambientes inclusivos e, também, no mercado de consumo:

“É preciso entender o que está afastando as pessoas com deficiência do mercado de consumo. Quais são as barreiras que precisam ser ultrapassadas. E as empresas têm buscado fazer isso como uma maneia de mudar a política de atendimento, a política de criação de produtos para poder fornecer mais meios da pessoa com deficiência acessar os produtos”.

Da nossa conversa ficou muito claro que se desperdiça um tremendo potencial a medida que se demora para criar processos de inclusão no mercado de trabalho e de consumo. A começar porque existem talentos que deixam de se expressar toda vez que uma deficiência é vista como barreira para a execução de determinadas funções. O olhar diverso da pessoa com deficiência fará falta na criação de soluções e resposta à sociedade. Assim como a empresa abre mão de uma camada importante dos consumidores ao não integrar no desenvolvimento de seus produtos e serviços o conceito de desenho universal, que assegura que todos possam usar com segurança e autonomia os diversos espaços construídos e objetos.

“A empresa tem que estar preocupada com a inclusão, pronto! Mas a gente tem que entender também do viés mercadológico; que isso é um um caminho para a empresa crescer, se solidificar, para ter uma imagem reputacional cada vez melhor e sem dúvida atender um mercado muito maior”.

Para pequenos e médios empreendedores que não têm os recursos ou estruturas das grandes empresas para implantar estratégias de inclusão, talvez uma ótima saída seja a observação. Assim como no início deste texto, chamei atenção para o fato de ao olharmos para os lados não enxergarmos pessoas com deficiência nos ambientes que frequentamos, é preciso ajustar nosso foco e  buscar essas pessoas. Sempre que deparar com uma delas em especial no contato com o seu negócio, faça questão de conversar e ouvir suas demandas. Uma grande oportunidade pode estar surgindo naquele instante:

“Você tem uma pessoa com deficiência comprando com você: já busca saber com ela o que que está achando do atendimento, o que precisa melhorar, o que não precisa, porque, às vezes, é uma medida simples, de baixo custo, que vai resolver um problema enorme, vai tirar uma barreira enorme da vida dessa pessoa, e vai trazer benefícios para empresa”.

Assista à entrevista completa com Stefano Máximo no Mundo Corportivo ESG:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Diante do sofrimento e da morte, o sentido da vida!

Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

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“Nunca e jamais importa o que nós ainda 

temos a esperar da vida, mas sim exclusivamente 

o que a vida espera de nós”

Viktor Frankl

No livro “Em busca de sentido”, Viktor Frankl, médico psiquiatra e judeu, descreve sua experiência nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Nessa obra, Frankl faz uma análise sobre a vida e os comportamentos humanos, destacando situações extremas, envolvendo sobretudo o sofrimento e a desesperança. Ele mesmo havia perdido o pai, a mãe, o irmão e a esposa nos campos de extermínio de judeus; passou fome, frio e sofreu inúmeras agressões. 

A morte parecia óbvia naquela condição. 

Frankl sobreviveu e nos deixou não apenas um relato, mas uma profunda reflexão sobre como as pessoas conseguem reagir e encontrar um sentido para a vida, mesmo após experiências tão devastadoras.

Pessoas que passaram pelo holocausto. Pessoas que são vítimas de violência, de guerras, de inundações e deslizamentos de terra… pessoas que muitas vezes não têm mais o que e nem como. 

Não negam ou minimizam o seu sofrimento numa tentativa de discurso positivo. Ao contrário, o encaram minuciosamente. Recolhem seus cacos e descobrem que apenas uma nova versão de si mesmos possibilitará construir um novo caminho. 

Caminho que demanda aceitação. Caminho que exige autocompaixão pela impotência de mudar o passado.

Com o coração rasgado em dor e um vazio na alma, experimentam uma espécie de morte, de quem se era, de quem se pretendia ser… Mas conseguem renascer.

Não é à toa que o mito da fênix é usado para explicar essa condição humana: um pássaro que após morrer ressurge das próprias cinzas, possuindo uma capacidade incrível de suportar cargas muito pesadas durante o voo.

Assim como a fênix, essas pessoas ressurgem porque não se ancoram no passado, mas porque encontram no futuro um convite à vida, numa possibilidade de ir além de si mesmas.

Buscar um sentido para a vida não se restringe ao alcance de um objetivo ou meta específica: envolve inteireza! Envolve compreender a vida em sua totalidade, incluindo o sofrimento e a morte que dela fazem parte, mas sem perder de vista as oportunidades e felicidades que ela também nos oferece.

Não há protocolos para se lidar com as fatalidades da vida. Não há preparo prévio para se lidar com o sofrimento. Cada um será capaz de reagir à sua maneira. Como nos ensinou Frankl: “Quando já não somos capazes de mudar uma situação (…), somos desafiados a mudar a nós próprios”.

Aceita o desafio?

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite, no Blog do Mílton Jung. 

Mundo Corporativo: mulheres, negros e LGBTQIA+ têm de se apropriar do conhecimento, diz Adriana Carvalho da ONG Generation

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“Para resolver esse problema a gente tem que melhorar desde o ensino básico, das construções sociais, mas a gente precisa dar chance real para quem já tá formado ou já tá aí ou já tá em idade de trabalhar, de se apropriar desse conhecimento”.

Adriana Carvalho, Generation Brasil

Este 29 de janeiro é o Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais. No planejamento das entrevistas do Mundo Corporativo, nossa agenda coincidiu com o calendário nacional que reserva datas para destacar a luta de pessoas que sofrem discriminação, são desrespeitadas e têm seu potencial esquecido pela sociedade. Neste sábado, levamos ao ar entrevista com Adriana Carvalho, CEO da ONG Generation, instituição internacional que, há três anos, atua no Brasil, com a intenção de qualificar quem vive em situação de vulnerabilidade: jovens, negros, pardos, mulheres e, sim, pessoas LGBTQIA+.

Disse que foi uma coincidência. Mas não que foi uma surpresa. Já que temáticas relacionadas a essa multiplicidade de gêneros não são raras no Mundo Corporativo. Tornou-se um propósito nosso pautar entrevistas que ofereçam soluções para que a diversidade se transforme em realidade no ambiente de trabalho. Nesse sentido, é interessante conhecer a metodologia desenvolvida pela Generation que mapeia as necessidades das empresas e cria cursos voltados para pessoas em vulnerabilidade que possam prepará-los para as vagas disponíveis:

“A gente começa sempre falando com o mercado. Então, a gente vai criar o curso entendendo o que é necessário para aquela pessoa ir naquela posição de entrada, e não só na parte técnica, mas na parte comportamental, também. Nas habilidades socioemocionais”.  

Adriana Carvalho diz que a ideia é desenvolver cursos no setor de tecnologia da informação porque os empregos que têm surgido estão nessa área. Enquanto milhares de vagas desaparecem no mundo todo, empresas buscam e muitas vezes não encontram profissionais de TI. 

“84% das pessoas formadas conosco estão trabalhando hoje”

Por ser um setor bastante dominado por homens, uma das metas da Generation é ter até 50% das vagas dos cursos ocupadas por mulheres, e 60% de não brancos – por enquanto esses percentuais estão em 40% e 55%, respectivamente. Quanto a orientação sexual, Adriana calcula que cerca de 25% das pessoas que estão sendo capacitadas são da comunidade LGBTQIA+.

A despeito de todas as dificuldades que o tema da diversidade enfrenta, Adriana percebe mudanças consideráveis nas empresas no sentido de se tornarem mais plurais. Lembra que há cinco anos, iniciativa do Pacto Global das Nações Unidas com a ONU Mulheres tinha a adesão de 50 empresas, hoje são mais de 500; o Fórum de Empresas LGBTQIA+ saltou neste período de 20 para 120 empresas; e a Rede de Inclusão Social Pelo Trabalho das Pessoas com Deficiência está com mais de 100 empresas.

“A gente muitas das empresas multinacionais e grandes empresas brasileiras nessa pauta e cada vez procurando mais a gente .. mas a minha

provocação é que para mudar esse Brasil ,onde 94% dos empregos estão nas pequenas e nas médias, precisamos de muito mais empresas apoiando essa causa”.

E aí vai um ponto importante no trabalho da Generation: da mesma forma que se dedica a capacitar pessoas em situação de vulnerabilidade, capacita as empresas a receberem essas pessoas. 

“É fundamental que essa iniciativa seja olhada de uma maneira mais ampla. Que a empresa faça um diagnóstico de como está a sua força de trabalho; de como está a sua cultura, que  trace indicadores, metas; que olhe a contratação dessas pessoas nessa perspectiva maior. Assegure que elas não são ‘café com leite’; não estão sendo contratadas para ficar ali de canto. Que elas vão ter realmente um plano de desenvolvimento”

A diversidade vai influenciar no serviço e no produto oferecido pela empresa de várias formas, explica Adriana. Seja na funcionalidade de um celular seja no desenho de um carro seja na solução tecnológica que será oferecida. Por exemplo, se a empresa tem majoritariamente homens, brancos, que vivem em áreas urbanas de classe média e alta, tende a oferecer respostas para as demandas que estão no seu meio e desperdiçam as oportunidades que existem em locais e experiências que desconhecem. 

“É um ganha-ganha. É bom para as empresas. É bom para as pessoas. É bom para a sociedade”.

Entre aqui para saber como se beneficiar dos projetos da ONG Generation Brasil.

Assista à entrevista completa com Adriana Carvalho, CEO da ONG Generation

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Renato Barcellos.

Mundo Corporativo: Francisco Sosa diz como teve tanta sorte na vida

Foto de Ruslan Burlaka no Pexels

“A sorte é o encontro da preparação com a oportunidade. Não adianta surgir a oportunidade se você não está preparado. Não adianta você estar no lugar certo, se você não for a pessoa certa para aproveitar, para agarrar as oportunidades”

Francisco Sosa, empreendedor

Antes de começar a descrever o que foi a entrevista com o Francisco Sosa, quero dizer ao caro e raro leitor deste blog que a sorte —- tema da nossa conversa —- foi protagonista da minha carreira. Portanto, não espere isenção de minha parte ao falar do assunto. Mais: depois que gravamos para o rádio  (e ao vivo para a internet) o Mundo Corporativo, assumi em definitivo a palavra sorte na minha saudação de despedida que, até então, se restringia a “sucesso e saúde”.

Francisco é de Uruguaiana, fronteira com a Argentina e pertinho do Uruguai. Começou a trabalhar aos 11 anos, distribuindo panfleto na cidade. Aos 16, atuava com telemarketing. Aos 20, era sócio de empresa de treinamento e consultoria. Aos 35, é visto como um cara de muita sorte – é reconhecido pelo sucesso, também. Por isso, escreveu o livro “A arte de manipular a sorte — construa a sua própria história e prospere em todas as áreas da sua vida”, publicado pela Citadel.

Manipular? Aqui no Brasil, a palavra carrega conotação negativa e leva muitos de nós a torná-la substantivo de enganar, ludibriar, falsificar e adulterar. Francisco Sosa prefere destacar seus significados positivos. Para ele, manipular é moldar. Ou adaptar. Exercício que precisamos fazer diante das diversas situações que enfrentamos no nosso cotidiano até torná-las benéficas para nossa vida:

“As pessoas têm uma mania de achar ruim os desafios. Eu já acho bom. Eu acho legal ter desafios na vida, porque eu costumo dizer que o desafio é uma oportunidade que você tem de provar que você merece que algo bom aconteça para você no futuro”.

Foi ao aceitar o desafio que se apresentara que Francisco atingiu, em dois anos, o marco de R$ 1 milhão em comissionamento, através do marketing de relacionamento, mesmo sem nunca ter trabalhado neste ramo anteriormente. 

Que sorte tem o Francisco! (atenção: esta frase contém ironia)

“Você acha que é só pra você que tem problema? Todo mundo tem desafio. Não é o que acontece com você e sim como você age em relação ao que acontece. E quando você aproveita esse desafio, às vezes, desenvolve uma característica que você não tinha, uma habilidade que você não tinha’

Mudar nosso comportamento diante dos desafios, acreditar em nossas escolhas frente a diversidade de opções que surgem em nosso caminho e dar toda a oportunidade possível para que a sorte se expresse em atos e resultados. Esses são alguns dos objetivos que Francisco Sosa traçou para sua jornada profissional. 

“O mundo hoje está cheio de profissionais. A questão é quem realmente está com sede; quem tá com fome de crescer. Se você demonstrar isso , pode ter certeza: vai ter alguém que vai olhar para você e vai perceber isso. Daquela povo, vou ajudar esse cara. Vou ajudar essa menina aqui porque ela tá afim.”

Para entender como o Francisco Sosa manipulou a sorte em favor dele, assista à entrevista completa ao Mundo Corporativo, na CBN. Reflita sobre o tema, dê like e coloque o nosso programa entre os seus favoritos.

No mais, fica aqui a promessa de que um dia conto para você quanta sorte tive na vida e o meu desejo de que vocês tenha sucesso, sorte e saúde!

Mundo Corporativo: Fábio Coelho, do Google, sugere que relevância no mercado depende de aprendizado constante e ajustes permanentes

Foto Pexel

“.. as empresas vão conseguir migrar para um modelo um pouco mais híbrido, onde as pessoas vão poder trabalhar do escritório, mas vão poder também trabalhar de outros lugares ..” 

Fábio Coelho, Google

Uma crise sanitária e uma crise econômica que andaram de mãos dadas, enquanto o cidadão era obrigado a se isolar, e por um tempo bastante prolongado. Não bastasse esse cenário, único e grave, tudo ocorrendo em um ambiente polarizado e marcado por divergências. Um conjunto de problemas que surgiu com a pandemia e se expressa de forma contundente na saúde mental das pessoas. É dessa maneira que Fábio Coelho, presidente do Google do Brasil, descreve o que estamos vivenciando desde os primeiros meses do ano passado. Um conjunto de problemas que pede um comportamento diferente de empresas, gestores e da sociedade:

“A gente tem de estar olhando para a melhor forma de como ajudar as pessoas a navegar melhor essa pandemia. Com informação de qualidade, entendendo quais são os passos corretos a seguir e respeitando as individualidades de cada um de nós, porque cada um é um universo em si, que vive essa pandemia de maneira diferente”.

O diagnóstico feito por Fábio Coelho, em entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, serve tanto para as ações que se referem a parceiros de negócio quanto as que pautam os relacionamos humanos — seja dentro da empresa, com os colegas de trabalho, ou no círculo de amigos e familiares.

“Nós aprendemos que, primeiro, para a gente poder trabalhar bem as pessoas tem de estar bem. Isso significa cuidar da saúde mental, cuidar do bem-estar das pessoas que trabalham contigo, muito mais do que antes. Aprendemos, também, que temos de ser rápidos na maneira em que a gente apoia as pessoas, sejam as que trabalham contigo sejam os seus clientes”.

Velocidade não faltou para o Google, pelo que se constata no relato feito pelo seu presidente aqui no Brasil. No dia 13 de março, todas as equipes tiveram de deixar a sede da empresa e, em dois dias, as operações já ocorriam totalmente à distância. O uso de plataformas próprias que agregam uma série de ferramentas necessárias para o desenvolvimento de projetos ajudaram a manter o fluxo de trabalho com a conexão e colaboração entre profissionais e equipes. 

O prédio principal que fica em uma das áreas mais nobres de São Paulo e reconhecido por sua estrutura avançada e arquitetura moderna segue ocupado apenas por profissionais da área de segurança patrimonial e manutenção. O retorno ao trabalho presencial ainda não está decidido, de acordo com Fábio Coelho. Talvez no fim desse ano. Provavelmente, no ano que vem. Mesmo assim, uma volta que tende a ser parcial:

“A gente acredita que podemos trabalhar no modelo híbrido, mas isso varia de grupo a grupo dentro da organização. O importante é que a gente tem conseguido navegar na pandemia … Dá pra fazer um equilíbrio entre uma coisa e outra, que aí nós vamos ter o melhor dos dois mundos (remoto e presencial), neste momento”. 

O desafio de encarar a pandemia marcou o décimo ano de Fábio Coelho como presidente do Google Brasil. Uma marca interessante se considerarmos a celeridade das transformações que ocorreram nos diversos setores que a empresa atua. Quando Fábio iniciou sua trajetória — ele próprio lembra dessa situação —- um dos fenômenos tecnológicos atendia pelo nome Orkut, os celulares inteligentes eram raros e a computação em nuvens ainda não havia amadurecido. Provocado a falar sobre sua longa permanência no Google, o executivo identifica três razões:

“Primeiro porque eu gosto. Segundo porque eu continuo aprendendo. Terceiro porque estou sempre me ajustando”. 

Para Fábio é essencial que os profissionais, executivos e colaboradores estejam sempre abertos a fazer os ajustes necessários e entender que cada momento tem uma onda tecnológica diferente. Segundo ele, o aprendizado tem ser constante para que a pessoa se mantenha relevante na função que exerce. Um dos aspectos que considera importante em seu desenvolvimento foi a convivência com a diversidade de opiniões, de conceitos e de pessoas —- que tem muito a ver com o ecossistema do Google:

“Nós temos de ter solução para todos os brasileiros, são de mais de 100 milhões de brasileiros que usam nossas plataformas, que têm mais de 1 bilhão de usuário no mundo. O Google tem de ter gente que represente em 1 bilhão” 

Diante do uso das palavras monopólio e Google na mesma frase —- no caso, na mesma pergunta —-, Fábio Coelho é tão rápido ou mais na resposta do que quando vamos pesquisar no buscador de informações. O executivo diz que não existe monopólio e cita alguns concorrentes nas múltiplas áreas em que a empresa atua —- e-mail, plataforma de streaming, mapas, navegador e o próprio buscador, entre outros. O que chamamos de monopólio para ele é oferta da melhor experiência.

Chame como quiser, a conversa sobre domínio de mercado me fez lembrar a experiência de Jeff Bezos, da Amazon, que decidiu desafiar a lógica e propôs aos gestores da operação que recém havia se iniciado no México a vender seus produtos sem anunciar no Google. Estava cansado de entregar parte de seu lucro à empresa. Em pouco tempo voltou atrás. 

Independentemente do que você pensa, a boa notícia é que o Google está contratando. Fábio Coelho informou ao Mundo Corporativo que a empresa tem cerca de 150 vagas em aberto, em São Paulo e em Belo Horizonte. E o que buscam?

“O que a gente busca são pessoas que possam ter algum impacto na companhia, se for mais experiente, a capacidade de contribuir com experiências passadas; se for uma pessoa jovem, com interesse para aprender”.

Pra saber como se candidatar a uma dessas vagas, dá um Google. 

Assista à entrevista completa com Fábio Coelho, presidente do Google no Brasil:

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, em vídeo, no canal da CBN no Youtube, no site e no perfil da rádio no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Está disponível, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: Gilberto Cavicchioli diz como ser o vendedor que o cliente busca e o mercado precisa

“Somos vendedores do nosso próprio negócio: nós estamos vendendo a todo o tempo nossas habilidades e nossas competências”

Gilberto Cavicchioli.

A ampliação do comércio eletrônico, o crescimento das plataformas digitais e o uso de inteligência artificial no setor de vendas não serão suficientes para extinguir a função do vendedor. Ao defender essa ideia, o consultor Gilberto Cavicchioli faz, porém, uma ressalva: ele não está se referindo aquela figura clássica do vendedor que empurra qualquer produto para o cliente, do tipo que ‘vende gelo até para esquimó’, que se satisfaz em emitir nota. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Gilberto, que é especialista em marketing de venda, diferencia de forma clara esse vendedor que costumamos encontrar no mercado e a figura do vendedor consultivo

“… aquela figura da venda transacional, me dá aqui o produto que eu te pago ali na frente, deixou de ter a importância que já teve”

O vendedor consultivo tem mais qualificação, conhece o mercado e as particularidades do cliente: está preparado para abordá-lo, compreende suas expectativas e dores, e tem a solução para oferecer. Para isso, estuda a concorrência e o comportamento das pessoas e do mercado: 

“O vendedor consultivo tem muita empatia, tem noção do que é benefício e vantagem, o que dificilmente o software deverá alcançar. Além do que, quando a pessoa decide comprar algo importante para si, que trará produtividade, essa pessoa gosta da convivência. E se esse vendedor alimenta essa convivência ética e transparente. Ele terá a preferência do cliente”. 

Para Gilberto, uma coisa é entrar em um site e comprar um tênis para a maratona, outra é encontrar uma loja em que o vendedor é o maratonista. Haverá cumplicidade entre as partes envolvidas no negócio.

Ele usa a metáfora do iceberg para ilustrar essa relação intima que deve haver entre o cliente e o vendedor. O iceberg é o cliente vagando pelas águas e pelos mares, com oportunidades e ameaças. O mercado é o oceano com todas suas especificidades e tendências, que podem ser comparadas com as correntes marítimas. O vendedor consultivo é a bússola, o orientador, que guiará o ‘iceberg’ para as melhores escolhas. Para que a direção seja mais precisa é preciso entender, também, que o cliente tem, assim como o iceberg, uma parte bastante visível, mas a venda vai ocorrer a partir daquilo que for descoberto abaixo da linha da água: é onde estão os medos e as dúvidas do seu consumidor.

No livro  “O vendedor e o iceberg – guia prático e estratégico de vendas consultivas”, Gilberto escreve que a venda consultiva exige o desenvolvimento de uma metodologia que passa pelas oito fases do funil de vendas:

  1. Pesquisa e planejamento —- o que eu vou vender, para quem, em qual mercado, quem são os concorrentes;
  2. Prospecção —— onde estão os potenciais clientes;
  3. Abordagem/proximidade —- como eu abordo esse potencial cliente;
  4. Necessidades e expectativas —- o que realmente esse cliente procura ou necessita;
  5. Proposta de valor — onde o cliente vai perceber os benefícios e vantagens de comprar de mim;
  6. Negociação
  7. Fechamento da venda
  8. Pós-venda ou marketing de relacionamento —- momento em que o vendedor mantem-se ao lado do cliente para descobrir se aquilo que prometeu está se realizando

Apaixonado pela função de vendedor consultivo, Gilberto Cavicchioli também realiza treinamentos para instituições e associações de jovens em situação de vulnerabilidade, pois tem a crença de que muitos deles, mesmo que não tenham um curso superior, podem se desenvolver nesta atividade:

“Esse profissional ainda é muito valorizado e eu acredito até que é uma profissão que não será substituída pela inteligência artificial. Eu acredito que dedicar-se a venda consultiva é uma atividade que promove uma mobilidade social no nosso país”. 

Assista à entrevista completa com Gilberto Cavicchioli, no programa Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da CBN, no canal no youtube e na página do Facebook. O programa vai ao aos sábados, 8h10 da manhã, no Jornal da CBN, aos domingo, às 10 da noite, em horário alternativo, e a qualquer momento em podcast. Colaboram com o programa Izabela Ares, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Natasha Mazzaro.

Mundo Corporativo: Carolina Utimura, uma ativista disposta a inspirar a jovem potência, no Brasil

Foto de Andrew Neel no Pexels

“Acho que o que eu sempre tive foi humildade de saber que eu preciso aprender com essas gerações mais velhas, mais experientes … E algo que eu sempre trouxe para mim é que eu vou tentar completar essa falta de experiência com muito estudo” Carolina Utimura

Iniciar uma reportagem com Carolina Utimura sem dar destaque para a idade dela parece impossível. Não é sempre que se conversa com uma Chief Executive Officer de apenas 26 anos. Cargo, aliás, que ocupa na Eureca, desde o ano passado, ou seja, desde que tinha 25. Eu tentei, na entrevista que fiz no programa Mundo Corporativo e vai ao ar nesse sábado, no Jornal da CBN. E o fiz já na primeira pergunta.

Ao me responder se o “seu mérito é a sua idade?”, Carolina de cara revelou a maturidade que a levou ao posto de comando da empresa especializada na seleção e desenvolvimento de jovens para vagas de estágio e trainee: 

“Tive um monte de privilégio na minha formação. Fazer uma faculdade pública. Tenho uma família me ajudou a investir na formação. Fazer um trabalho voluntário dentro de uma empresa júnior. Eu acho que foi uma sequência de coisas que me ajudaram a acelerar um pouco mais a carreira”. 

Uma carreira para a qual se preparou desde os tempos da universidade, quando conheceu o movimento de empresas júnior, que reúne alunos de diversas áreas e interesses em organizações e ações empreendedoras que prestam serviços para pequenos negócios. É uma enorme oportunidade de desenvolver habilidades de comunicação, liderança e trabalho em equipe.  Já entre os mais novos, Carolina se destacou como ativista da juventude e, no último ano da faculdade, foi eleita presidente da Federação Brasileira de Empresas Júnior. 

“Desde quando entrei no primeiro ano havia o desafio de cuidar de uma empresa de verdade, fazer projetos reais para clientes reais, atendíamos microempresas da região. No meu caso em Bauru. Temos metas financeiras, de projetos e qualidade destes projetos. E conseguimos nos conectar com pessoas de todo o Brasil”

Com a pandemia, o número de jovens desempregados aumentou consideravelmente e programas de estágio e treinamento também não cresceram a ponto de absorver essa mão de obra e oferecer a experiência que necessitam para entrarem no mercado de trabalho. 

O Brasil tem hoje 50 milhões de pessoas com idade entre 15 e 29 anos, um número que equivale a toda a população da Argentina e cinco vezes a de Portugal. Cerca de 30% desses jovens estão desempregados e sem estudar, o que leva técnicos a identificá-los como a geração ‘nem-nem’ — uma expressão que é rechaçada por Carolina Utimura (e por este jornalista, também):

“…porque não transmite a causa raiz desse problema. Especialmente depois da pandemia, vemos um movimento muito forte de evasão escolar, evasão universitária, do desemprego juvenil, também. A gente vê que tem causas muito atreladas a ele conseguir ingressar ao ensino superior, conseguir terminar seus estudos, a ter acesso a boas vagas de trabalho, a própria  composição da família. São alguns pontos que acabam dificultando essa potencia dos jovens”.

O impacto do momento atual, de acordo com Carolina, deverá ser percebido na mudança de comportamento dos mais jovens:

“Eu gosto de falar de juventudes, com s, no plural, trazendo a diversidade que temos dentro desse público. Alguns comportamentos que a gente trazia dos milênios, da geração Z, de serem impacientes, não quererem ficar muito tempo no trabalho, vão mudar, porque a instabilidade financeira pode ser um item do cenário que a gente está vivendo”.

Na Eureca, a busca de candidatos a vaga de estágio ou trainee não passa pelo que chamam de “jovem de prontidão”, o de melhor faculdade e de melhores escolas, mas pelos que têm de potencial. Algumas das características que se destacam são o de ser questionador, ter visão crítica, empatia, que permite entender os colegas de trabalho, clientes e consumidor. Com a pandemia cresceu, também, a necessidade de se saber fazer a autogestão emocional para enfrentar os momentos de volatilidade e inconstância.

Além, de atuar na colocação dos candidatos, a empresa desenvolve uma série de trabalho para a capacitação dos jovens. Para aqueles interessados em se beneficiar das oportunidades oferecidas, é possível encontrar as vagas de trabalho disponíveis no site Eureca.me.

Para Carolina Utimura, a verdadeira potencia dos jovens brasileiros somente será percebida quando se melhorar a gestão e qualidade do ensino, adaptando-o às necessidades do mundo atual:

“Boa parte dos jovens passa pela escola sem ter habilidade de interpretação de texto, sem habilidade de fazer contas mais básicas da matemática; então, quando a gente fala muito sobre transformação digital e indústria 4.0, a gente também tem de falar sobre uma revolução educacional 4.0”.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa também está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: para Clodoaldo Nascimento, da Yes!Idiomas, escolas terão três modelos de ensino após a pandemia

Foto de Cristian Rojas no Pexels

“O online veio para ficar. Ele vai ser uma ferramenta que nós vamos utilizar no nosso dia a dia de diversas formas, seja para atender a pessoas que trabalham e tenha dificuldade de tempo seja para atender a pessoa que quer aprender rápido e em qualquer lugar” 

Clodoaldo Nascimento/Presidente da YES!Idiomas

Escolas de inglês passaram a anunciar cursos 100% online como se o modelo fosse uma inovação, apesar de a estrutura tecnológica já estar à disposição e negócios das mais diversas áreas se sustentarem no digital, há muito anos. De acordo com Clodoaldo Nascimento, presidente da YES!Idiomas, entrevistado do programa Mundo Corporativo, a demora para essa migração —- que apenas ocorreu devido a pandemia —, está ligada ao apego a um padrão  que fez sucesso ao longo do tempo:

“Na verdade, talvez, (havia) aquela coisa de você quebrar o paradigma. Por exemplo, a ideia de que a aula é presencial, o professor tem de estar perto do aluno, falar no pé do ouvido dele. Principalmente nos idiomas temos às vezes essa dificuldade da pronúncia. E tinha a dificuldade de conexão. Isso fez com que gente procrastinasse essa vontade de levar para o EAD.Não teve jeito. A gente teve de antecipar este EAD”.

No caso da YES a troca das aulas presenciais para o ensino à distância ocorreu nas 180 escolas e no atendimento aos cerca de 60 mil alunos, nos 18 estados em que a rede de franquia atua, no Brasil. Clodoaldo disse que a transformação teve de ser feita em 15 dias, período em que a franquia teve de oferecer plataformas para a realização dos cursos, aulas foram gravadas e as unidades regionais criaram serviços de apoio para orientação dos alunos:

“Quando a gente viu que tinha esse problema, eu reuni minha parte pedagógica reuni minha parte operacional. E montamos um comitê de crise. 24 horas por dia, a gente ficava pensando na melhor maneira de a gente poder entregar o melhor produto. Nós tivemos de apressar um processo que talvez levasse anos e nós tivemos de fazer em duas semanas”.

Ao mesmo tempo que correm para se adaptar, as escolas tradicionais de idioma assistem ao surgimento de opções de ensino de língua estrangeira por aplicativos, que podem se transformar em concorrentes no setor.  Clodoaldo entende que os APPs não tiram alunos das escolas, são complementares ao ensino e, provavelmente, serão usados pelas instituições. Para ele, a partir de agora, haverá três modelos a serem ofertados no setor:

“A gente só tinha um modelo, eu acho que nós vamos ter três, que é o modelo tradicional presencial, a gente não pode deixar de ofertar porque tem pessoas que têm a predileção. Vamos ter um modelo híbrido, que vai ser uma coisa mais flex, na questão tempo. E vamos ter o 100% online”.

Mesmo que o ensino seja à distância, a gestão continuará sendo presencial, destacou Clodoaldo Nascimento, que é presidente da YES!Idiomas desde 2004. Ele começou como vendedor de cursos de inglês, em 1989 e dois anos depois chegou na YES, onde foi funcionário e concessionário até assumir o comando da rede. Par quem pretende investir no setor de franquias, Clodoaldo alerta:

“É preciso ter disponibilidade de tempo, saber que ele vai operar aquela franquia, porque o sucesso de uma franquia é uma coisa que tem a ver com parte da franqueadora — você está associado a uma marca, que já está no mercado, está consolidada —  mas só a marca consolidada, sozinha, ela não faz nada. Ela precisa de alguém que esteja atrás do balcão, dando o seu tempo, fazendo a coisa realmente acontecer”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site, na página do Facebook e no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e domingo, às 10 da noite em horário alternativo. Está disponível também em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno teixeira, Matheus Meirelles e Débora Gonçalves.