Avalanche Tricolor: Sonhando com a Libertadores

Oriente Petrolero x Grêmio
Libertadores – Sta Cruz de la Sierra


Sonhar com a Libertadores não é lugar-comum neste artigo que escrevo antes mesmo de o Grêmio disputar sua última partida nesta fase de grupos da competição. É o que farei neste fim de noite de quinta-feira, enquanto meu time de coração estiver em campo.

Antes de me taxar de ingrato e infiel – coisa sobre as quais jamais alguém poderá me acusar nestes mais de quatro deçadas de paixão tricolor -, entenda minha situação. Às quatro e 20 da manhã, enquanto você relaxa tranquilo sob as cobertas da sua cama, eu ouço o despertador tocar, sinal de que minha rotina matinal estará se iniciando. Tomar banho, escolher a roupa, acessar a internet, baixar os jornais no Ipad, iniciar a leitura deles enquanto tomo meu café. Um ritual que antecede a saída para a rádio, onde uma hora depois de acordar começo a discutir as pautas do dia para o Jornal da CBN.

Meu novo desafio profissional me ofereceu grandes prazeres, porém me tirou o direito de ficar acordado muito além das 11 da noite. E a partida desta quinta começaria às 10 e 45 para se encerrar apenas no início da madrugada da sexta. Quase impossível assisti-la.

Assumi, assim, o compromisso de deitar-me antes da bola começar a rolar, e me dar o direito de sonhar com os próximos passos na Libertadores. O adversário do mata-mata, a vitória apertada no primeiro jogo, a arquibancada lotada no segundo, a disputa até o último minuto por mais uma conquista e a avalanche tricolor, escadaria abaixo.

Um direito que só foi possível, pois o Grêmio antecipou-se e garantiu presença na próxima fase independentemente do resultado desta última rodada. Alguém dirá que havia a disputa da liderança do grupo e, por isso, todos deveríamos estar atentos. Convenhamos, amigo, desde quando isto foi importante para um time acostumado aos feitos históricos.

Seja qual for o placar desta noite/madrugada, terei um sonho tranquilo, um sonho azul, preto e branco.

Boa noite !

Avalanche Tricolor: Começou a loucura

 

Grêmio 3 x 0 Oriente Petrolero
Libertadores – Olímpico Monumental


Foi estonteante a apresentação do Grêmio nesta noite de Libertadores. Jogadas em alta velocidade, bola trocada com rapidez para o companheiro mais próximo e lançada com precisão para um mais bem colocado do outro lado do campo. A variedade de movimentos também sufocou o adversário que fechava pela direita e era atacado pela esquerda. Quando corria para a esquerda, sofria na direita. Nem mesmo o juiz resistiu ao sufoco imposto pela equipe de Renato.

Nosso técnico voltou a surpreender. Nem tanto pela coragem de colocar apenas um volante – bem verdade que era o volante, Fábio Rochemback – e arriscar com três jogadores de meio-campo talentosos, mas pela criatividade de construir a equipe desta forma. Com o velocista Lúcio a aparecer de surpresa em meio a defesa inimiga e com a conhecida categoria de Douglas, Renato fez do “maldito” Carlos Alberto homem-chave no seu esquema.

O novo talento dá sinais de que entendeu o compromisso assumido no momento em que aceitou o convite para vestir a camisa do Imortal (e que bela camisa, chegava a brilhar na tela da televisão). Com a bola no pé repete o que todos já sabíamos, tem qualidade, entende a partida taticamente e orienta companheiros em campo. Quando a bola está com o adversário, não mede esforços para roubá-la ou impedir seu avanço – é a novidade.

Contida a ansiedade do início de Libertadores, o Grêmio-2011 começa a forjar uma ótima equipe, a partir de um elenco que permite variações na maneira de se apresentar – sem nunca perder duas de suas principais características: talento e pegada.

Soma-se a isto uma torcida maravilhosa que levou quase 36 mil pessoas ao Olímpico Monumental e sou obrigado a encerrar repetindo aquilo que esteve na garganta de todos os gremistas na noite desta quinta-feira: Soy Loco Por TRI América !