Passeando de mãos dadas com meu pai

 


Por Milton Ferretti Jung

 

00a3affe

 

Espero que ninguém estranhe que este texto trate do Dia dos Pais,cuja comemoração ocorreu no domingo passado,10 de agosto,data em que a maioria faz almoços comemorativos, caso tenha pai vivo, ou lembre, com saudade sempre renovada nessas ocasiões, aqueles que já se foram. Graças a Deus ainda posso festejar a efeméride com a Jacqueline e o Christian,além de manter contato telefônico com o Mílton.É uma agradável troca de cumprimentos,eis que tanto eu quanto os meus filhos também são pais e me deram quatro netos.

 

Afora o prazer do nosso reencontro,ao vivo com o Christian e a Jacque e, pelo celular, com o âncora deste blog,o Mílton deu-me o prazer de ler mais um dos seus sempre inspirados textos,este sobre o significado do Dia dos Pais,no qual lembrou um episódio que vivemos quando ele era bem pequeno,inesquecível para ambos. Tenho certeza que os leitores deste blog já leram ou ainda lerão (recomendo que leiam,se ainda não o fizeram),uma Avalanche Tricolor que não fala somente das relações entre pais e filhos,mas de como aqueles influenciam seus filhos na escolha da cor clubista. Mesmo que possam ler aí acima a última frase do texto criado pelo Mílton,permito-me reproduzi-la,o que faço com os olhos marejados: “É diante de tudo isso que,neste domingo,independentemente de quanto não merecíamos o resultado alcançado,que lhe agradeço pai por ter-me ajudado a ser o homem que sou. E,claro,por ser gremista”.

 

O domingo me reservou uma outra surpresa,essa quando li o que Claudia Tajes,minha sobrinha escritora e colunista do caderno Donna,encartado na ZH dominical,escreveu e postou fotos relativas ao Dia dos Pais. Duas mostram o pai dela,Tito Tajes e outra com o avô dela – meu pai,Aldo Jung – passeando na Rua da Praia,de mãos dadas,comigo e com minha irmã,Mirian,mãe da Claudinha. Talvez ela nem ficará sabendo que o seu texto também marejou os meus olhos e,em especial,a foto do meu pai,ainda bem jovem,trajando impecável roupa branca,contrastando com o cabelo bem preto. Resta-me agradecer a minha sobrinha pela postagem das fotos do meu pai e do pai dela.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: Obrigado, Pai!

 

Inter 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Beira-Rio (POA)

 

foto_Fotor_Fotor

 

Nascemos apenas com um nome. Não temos consciência do que é a vida, chorar é nossa única linguagem, e as pessoas são manchas diante de nossos olhos pequenos de mais para definir as coisas. Sentimos apenas que há duas pessoas que nos dedicam atenção especial, com sons carinhosos e toques gentis. Somente algum tempo depois saberemos que eles são pai e mãe, e serão eles os tutores que nos ajudarão a dar os primeiros passos que decidirão nossas caminhadas. Cada um a seu modo prestará ajuda e orientação. E foi assim na minha casa, com pai e mãe presentes – enquanto esta esteve viva. Meu comportamento na escola, minha relação com os amigos, a maneira como me portei diante dos fatos, o Deus em que acreditei, todas as escolhas que fiz tiveram a influência deles. No futebol, não tenho dúvida, meu pai foi definitivo. Nascido em uma estado onde existem apenas duas opções, a mim foi oferecida apenas uma: ser gremista. Houve um primo que arriscou-se e, ainda sem que eu tivesse certeza do que aquelas cores significavam, colocou em minhas mãos uma bandeira vermelha, me forçando a cantar um canto que desconhecia. Ingênuo, fui usado para provocar meu pai que naquele ano, 1969, assistia ao seu time de coração perder pela primeira vez um campeonato gaúcho depois de sete temporadas. A reação dele foi imediata e pedagógica. Apanhei, de leve, mas apanhei, com a bandeira adversária, em cena que sempre imaginei ser apenas lenda de família, porém confirmada pelo meu pai há pouco mais de dez anos e ratificada semana passada em texto publicado por ele aqui no Blog do Mílton Jung.

 

Aproveito este domingo de Dia dos Pais, no qual vivi emoções incríveis ao lado de meus dois filhos, com quem chorei abraçado após ouvir a declaração deles em programa da rádio CBN, produzido pela sensível e competente Pétria Chaves, para agradecer ao meu pai pela atitude corajosa que tomou há 45 anos. É bem provável que o tempo me daria as lições necessárias para seguir meu destino, pois tenho convicção de que nasci predestinado a ser gremista, mas, como escrevi logo na abertura desta Avalanche, se nasce apenas com um nome e, portanto, é preciso que pessoas e fatos o levem para o caminho traçado nem que seja aos trancos e barrancos. Às vezes, até com bandeiradas (de leve, mas bandeiradas). Meu pai não titubeou ao ver o guri correndo riscos e fez o que lhe veio na cabeça. Hoje, costuma pedir desculpas e dizer que não repetiria o gesto, quando tenho apenas gratidão a lhe oferecer. E o faço publicamente em um momento que muitos devem imaginar impróprio dado o resultado frustrante em campo – frustrante e injusto, registre-se. Por que o faço neste momento? Porque meu pai me ensinou muito mais do que para qual time torcer. Vem dele o meu desejo de acertar, minha cobrança sistemática pela perfeição, mesmo sabendo que não a alcançarei. Aprendi com ele que não devemos abrir mãos de nossas convicções e verdades, apesar de amigos e colegas muitas vezes nos forçarem a trilhar outras estradas. Adotei o desejo de lutar sempre, ainda que estejamos fragilizados diante do adversário. Ele me fez entender que as derrotas fazem parte da vida e jamais podemos desistir, pois lá na frente algo muito maior nos aguarda. Fui forjado a crescer no sofrimento e ter prazer na vitória.

 

É diante de tudo isso que, neste domingo, independentemente do quanto não merecíamos o resultado alcançado, que lhe agradeço pai por ter me ajudado a ser o homem que sou. E, claro, por ser gremista.

A lei da palmada e a falta de disciplina

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Não sei se sou apenas um senhor idoso,um velho impertinente ou um sujeito demasiadamente exigente sem que isso tenha alguma ligação com os meus quase 78 anos. É possível também que eu não preencha nenhum dos três quesitos que expus na primeira frase do meu texto desta quinta-feira e, neste caso,esteja cheio de razão quando não concordo com uma lei aprovada pelo Senado e com uma ideia do Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul. Vou por partes.

 

O senadores aprovaram na início de junho a Lei da Palmada ou lei do menino Bernardo,esse vitimado por crime hediondo cometido na cidade gaúcha de Três Passos. A legislação altera o Estatuto da Criança e do Adolescente na medida em que os pais não podem castigar os seus filhos de maneira a lhes impor sofrimento ou lesões. Até aí,não há o que se discutir. Há pais desnaturados que continuarão,com lei ou sem lei,a tratar os filhos com violência e até abusar sexualmente deles. Esses têm de arcar com os rigores da lei. O Estado – pergunta-se – teria poder para interferir na educação das crianças. Há controvérsias.Estaria correto coibir a “palmada pedagógica”? Penso que não. Trata-se do que eu chamaria de santa palmada,que não machuca e ajuda a dar a entender às crianças que elas precisam se dar conta de que os seus pais é que mandam em casa. Afinal,todos nós,seja no jardim-da-infância e daí para a frente sempre teremos que aceitar comandos de todas as espécies e em todos os estágios de sua existência.

 

Sou pai de três filhos e avô de quatro netos. Lembro-me,apenas,de ter dado um tapa na bundinha do Mílton ao vê-lo,no dia em que o Inter inaugurava o seu estádio,passear pela calçada com uma bandeirinha do nosso tradicional adversário,que lhe foi dada por “banditismo”de um parente colorado. Foi um exagero que me doeu por muito tempo. Quando criança e adolescente,levei chineladas da minha mãe. E ela sempre tirava o chinelo com boas razões.

 

Já o Conselho Estadual de Educação está,a meu modesto ver,prevendo que as escolas gaúchas não reprimam a indisciplina com afastamento do aluno ou sua transferência. Estamos diante de mais uma medida,no mínimo,polêmica. Desde já tenho pena dos professores se a ideia do Conselho for posta em prática. Tenho uma filha que é professora de uma escola situada em uma vila de Porto Alegre. Seus alunos são crianças entre cinco e seis anos. E ela passa enorme trabalho para os manter com um pouco de disciplina. Imagino o que os seus alunozinhos farão quando forem adolescentes. Conheço inúmeros professores que desistiram da profissão por se sentirem incapazes de dar aulas a adolescentes e outros já marmanjos,eis que esses,por dá cá aquela palha,chegam ao ponto de ameaçá-los fisicamente. A presidente do Conselho Estadual de Educação,Cecília Farias, entende que a escola não pode ser punitiva,mas deve investir na solução dos problemas dos alunos para mantê-los nos colégios”. Será que ela,atualmente,trabalha em sala de aula? Já Osvino Toillier,vice-presidente do Sinepe/RS,diz que a pretensão do Conselho “vai tirar o último resquício de autoridade da escola”. E concluiu afirmando: ”Se você tem algum aluno que coloca outros em risco,perde a liberdade de definir o afastasmento”. Li essas duas posições na ZH do último dia 4 de agosto. Fico com a do professor Toillier.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele), que aprendeu bem a lição.

Conte Sua História de SP: levei meu pai pela primeira vez ao estádio

 

Por Clarindo Oliveira

 

 

Ouça aqui a história do ouvinte Clarindo Oliveira que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo

 

Como tantos outros meninos, lá pelos meus 7 ou 8 anos, escolhi o time que iria torcer pelo resto da minha vida. Por influência do meu pai e do meu irmão, decidi ser palmeirense. Decisão fácil. No começo dos anos 70, o time era fantástico! Era a famosa Academia. O Verdão ganhava tudo: Campeonato Paulista, Brasileiro, torneios internacionais. Enquanto isso, o nosso rival amargava quase 20 anos sem nenhum título.

 

Minha estreia como torcedor num estádio foi em 1977 no Morumbi. Era um torneio chamado Taça Governador de São Paulo. Foram dois jogos numa noite só: “Ex-Time da Marginal sem número” versus “Time da Vila” e Palmeiras versus Atlético de Madrid. Nosso time tinha Leão, Jorge Mendonça, Edu. E Ademir da Guia, é claro. Muitos diziam que ele era lento, ultrapassado. Pura dor de cotovelo. Ele estava sempre onde precisava estar. Seus passes eram precisos. Dava ritmo ao time. Um verdadeiro maestro! Do time espanhol, eu só conhecia um “tal” de Luís Pereira. O placar foi 1 x 1 e depois perdemos nos pênaltis. Na rodada seguinte, os espanhóis se sagraram campeões.

 

Além de admirar o Divino, muita coisa me encantava. A começar pelo fato de que 3 grandes torcidas dividiam pacificamente o mesmo espaço num Morumbi lotado. Todos sentados lado a lado. Diziam que havia mais de 100.000 pessoas naquela noite. Num dado momento, começou um coro lá do outro lado do estádio e eu aderi na hora: “Ôôôôôôô, Ôôôôôôô”. Dizem que a torcida “daquele time” trouxe um leitão pintado de verde e o lançou arquibancada abaixo. Isso eu não vi mas, na verdade, o coro era “Porcoooo, Porcoooo”!

 

Mal sabia que eu e toda a nação alviverde seríamos atormentados por aquele apelido por muitos anos… Até que, num lance de mestre, a nossa torcida decidiu adotar o simpático animal como um de seus mascotes.

 

Passemos a Janeiro de 2007. Meu pai, já com mais de 80 anos, passou o fim de semana comigo. Ao levá-lo para casa, ele me disse que não estava reconhecendo o caminho de volta. Foi quando parei na Avenida Sumaré e peguei sua camisa do Palmeiras e disse: “Pai, estamos indo ao Parque Antarctica para ver um jogo”.

 

Ele, que nunca havia entrado um estádio, balbuciou umas poucas palavras, dizendo que já estava velho e que o joelho não aguentaria subir as arquibancadas. Que nada! Ele cantou, xingou e vibrou muito quando o Verdão de Marcos, Edmundo e Valdivia marcou o único gol da partida contra o Santo André.

 

Guardo aquele domingo com muito carinho no coração. Pelos poucos anos que ainda esteve conosco, meu pai sempre falava com muito orgulho que seu filho o levou para assistir uma partida de futebol. Eu via em seus olhos a alegria de um sonho realizado. Tenho certeza que ele via nos meus o sentimento de missão cumprida.

 

Clarindo Oliveira foi o personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Participe deste programa enviando textos para mundocorporativo@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.com.

Os videogamens e a influência sobre as crianças e adolescentes

 

 

O comentarista de tecnologia Ethevaldo Siqueira, do Mundo Digital, levou para o Jornal da CBN a discussão sobre a influência dos jogos eletrônicos para os adolescentes. O tema é extremamente atual a medida que em muitas casas ainda assistimos ao drama dos pais na tentativa de controlar o uso da tecnologia por entender que os excessos podem causar prejuízos, danos no desenvolvimento psicológico e perdas no desempenho escolar. Ethevaldo disse que o tema divide os educadores em quatro grupos: os radicais que são totalmente contra os games; os liberais que recomendam o acompanhamento dos pais; os que condenam os jogos violentos; e os que só aceitam os educativos.

 

Provocado pelo comentarista, contei minha experiência com os dois adolescentes de casa, ambos apaixonados pela internet e pelos videogames. Quando eram pequenos, jogávamos juntos; agora que cresceram, têm interesses próprios e o tempo em que compartilhamos os games diminuiu (mesmo porque passei a tomar surras históricas). Uma coisa não mudou: mantivemos o mesmo ambiente para acessarmos computadores e games. Uma mesa redonda no início, agora horizontal, onde estão nossos computadores, equipamentos que usamos para trabalhar, estudar e nos divertir. Eles fazem lição, conversam com os colegas pelo Skype, trocam mensagens e conhecimento. Também assistem aos seriados, graças a conta no Netflix, e aos seus Youtubers preferidos, onde encontram informação relevante. Jogam bastante em games que, atualmente, são capazes de atrair audiência maior do que boa parte dos jogos de futebol dos campeonatos estaduais aqui no Brasil. Ao lado deles, faço meu trabalho, escrevo textos (como agora), atendo a demandas de jornais e revistas, respondo e-mails, planejo o Jornal da CBN com o apoio dos produtores do programa e organizo minha vida. Em meio a tudo isso, conversamos muito.

 

Considero-me um liberal, pois sequer imponho tempo de uso dos videogames. Nunca precisei disso. Eles sempre foram capazes de perceber quando exageravam e cumpriram perfeitamente suas obrigações. Importante registrar que o desempenho escolar de ambos é exemplar. Pode ser que isto aconteça porque sou um pai de sorte, ou melhor, somos pais de sorte, afinal minha mulher tem tudo a ver com a educação que eles receberam. Creio, porém, que esse privilégio também está ligado ao diálogo que mantivemos durante todos esses anos, sem esconder nossos pensamentos sobre os diferentes comportamentos diante do computador. e da vida. Afinal, jamais pensamos em delegar para a televisão, para os games, para os amigos ou mesmo para a escola a formação que sempre desejamos para ambos. Provavelmente cometemos alguns erros nessa jornada, mas assumimos nossa responsabilidade.

 

Se há um erro que percebo em parte das famílias é a ideia de que a educação de nossos filhos tem de ser terceirizada. É comum ouvirmos pedidos para se encher a grade curricular com temas que poderiam ser muito bem resolvidos em casa: ética, religião, direitos humanos, cidadania, respeito ao meio ambiente, entre outros. São assuntos importantes, sem dúvida, e devem ser debatidos de forma interdisciplinar na escola, mas, principalmente, devem ser exercitados em casa, o que somente vai ocorrer se os pais estiverem presentes. Sei que a maioria de nós tem obrigações profissionais que nos impede de acompanhar os filhos 24 horas. Mas não é isso que se deve buscar, mesmo porque seria impossível. Precisamos valorizar o tempo em que estamos com eles e aproveitar para reforçar os laços de confiança que os fará procurá-lo sempre que surgirem dilemas. E muitos dilemas vão surgir na vida desses adolescentes.

 

Fiquei bastante satisfeito ao perceber que não estou sozinho nesse pensamento, pois a maior parte das mensagens que chegou à minha caixa de correio eletrônico, na rádio CBN, foi de pais que concordam com a ideia de que os videogames não são a fonte de todos os males que descaminham os jovens. Pais que entendem que a responsabilidade deles é muito maior na formação das crianças.

 

Ouça aqui o comentário do Ethevaldo Siqueira que motivou este artigo:

 

Mensalidades das escolas particulares estão assustadoras

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Esta manchete do jornal gaúcho Zero Hora é assustadora:

 

“Mensalidade escolar aumenta até 12%, o dobro da inflação”.

 

É claro que o título se refere a colégios particulares,mas nem todos os pais, cujos filhos estudam nos educandários citados na reportagem de Zero Hora,devem ter-se dado conta de que estão pagando preço tão acima da inflação. Muitos deles,sem dúvida,fazem das tripas coração para quitar,em dia, a importância contida nos boletos bancários mensais. Convém prestar atenção para o que se lê em ZH logo abaixo da manchete:

 

“Levantamento de Zero Hora em 10 colégios particulares aponta elevação média de 8,73%,enquanto em 10 universidades gaúchas reajuste ficou em 6,69%,diante da inflação de 5,91% em 2013”.

 

Uma das explicações – eu prefiro dizer desculpas – para “justificar” a alta,por mim classificada no início do texto como assustadora,foi dada por Osvino Toillier,vice-presidente do Sinepe – Sindicato das Escolas Privadas – segundo o qual essas são surpreendidas por gastos imprevistos,”assim como as pessoas”.

 

Na minha adolescência, estudei em dois colégios que estão entre os 10 privados do Rio Grande do Sul com maior número de alunos: o Anchieta,que na época tinha sua sede na Rua Duque de Caxias,e o Colégio Marista Nossa Senhora do Rosário. O meu pai podia se queixar do meu aproveitamento escolar,mas jamais ouvi dele uma palavra sequer sobre o quanto lhe custava me manter nessas duas instituições de ensino. Talvez,ele pagasse mensalidades bem menos altas do que as atuais. Para não dizer que jamais fui matriculado em colégio público,lembro-me que fiquei uma semana no Souza Lobo,mas voltei logo para o Sagrada Família,sãs freiras franciscanas. Estive internado por um ano e meio no São Tiago,escola marista,em Farroupilha-RS. Apelidaram-me nessa de fugitivo,tantas vezes tentei escapar do educandário. Só fiz essa digressão,porque os meus netos,todos em colégios particulares,não se espelharam no avô e,provavalmente,não leem os meus textos neste blog,ancorado pelo pai do Gregório e do Lorenzo.

 

Os meus três filhos também estudaram somente em escolas particulares. Aliás, os três – a Jacque,o Mílton e o Christian -concluíram sua escolaridade no Rosário,no qual,agora, está o Fernando,filho do Christian. Pego o fio da meada,quase perdido,para lembrar que enfrentei época de vacas magérrimas na Rádio Guaíba e nunca atrasei o pagamento das mensalidades escolares. Gostaria de ter cabeça tão boa que me permitisse recordar quanto custava,por mês,manter três filhos no Colégio Marista Nossa Senhora do Rosário. Seja lá como for,só posso imaginar que não tivesse de pagar mensalidades muito acima da inflação. Tenho muita pena dos pais menos abonados que se matam trabalhando para conseguir segurar os seus filhos em colégios particulares.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

De tenho saudade de mim

 

Por Maria Lucia Solla

 

Detalhes

 

Nunca pensei que um dia eu diria isso. Na verdade acho que é a primeira vez que sinto saudade de mim, mas é o que estou sentindo agora. Agorinha. Vai ver até já faz tempo que essa saudade anda por aqui, e eu é que não percebia. Não distinguia.

 

É uma saudade inebriante que tira o chão, puxa rédeas que a gente imagina ter seguras nas mãos. Pois certamente não as temos, e se quiser saber, acho que nem existem, as tais rédeas. Nem as rédeas, e quem sabe, nem as mãos. Só barras imaginárias que retardam a caminhada. Às vezes se abre uma brecha e a gente passa, mas se não passa, o tempo passa.

 

Vou trazer essa saudade de mim, mais a admiração e a saudade que sinto dos meus filhos, confessando sempre minha gratidão pelo tanto que aprendo com eles, trazendo de volta meu segundo texto neste blog, em dezessete de junho de dois mil e sete.

 

“De música e família

 

Olá,

 

Fui passar o final de semana na casa do meu filho, no extremo sul de Minas Gerais. Ele mora com a família, no topo de uma montanha cercada de vales, de outras montanhas e da natureza toda, com a qual convivem respeitosa e agradecidamente.

 

Sempre aprendo, e aprendo muito lá.

 

No final da tarde de sexta-feira estava lendo, tranqüila na sala, quando comecei a ouvir meu filho no banheiro, administrando um de sete, um de cinco e uma de três, no banho. O resultado era um quarteto afinado, composto de uma só família de instrumentos que emitiam sons completamente diferentes.

 

Ouvi de gritos de Tarzan a choro, e risadas de quase perder o fôlego. Às vezes meu filho, o primeiro violino, conseguia um solo surpreendentemente calmo e equilibrado, mas era por pouco tempo porque os outros instrumentos se atiravam literalmente em cena. Os movimentos da peça eram inesperados e surpreendentes. Tinham começado hesitantes, na entrada do banheiro, num adagio ma non troppo, e crescido até chegarem ao allegro. Tudo indicava que haveria um segundo movimento, mas não demorou para que quebrassem todas as regras e ziguezagueassem entre extremos.

 

Sem aviso prévio nem sutil indicação, um ou outro instrumento se retirava do conjunto, por espaços de tempo descompassados, e o andamento continuava surpreendendo. Havia ais, havia uis, havia sai daí que agora é minha vez, e olha ele pai! E eu, de camarote, sorria, me deliciando. Lavou bem a orelha filho? Ai pai, meu olho! Enxuga bem no meio dos dedos. Deixa eu ver atrás da orelha. Ai!

 

Quando estavam todos vestidos e cheirosos, meu filho pediu para eu secar os cabelos da criançada, e plugou o secador na tomada ao lado do sofá onde eu tinha sentado para ler.

 

Terminada a tarefa, dei graças aos céus por serem só três cabecinhas molhadas. Era o meu limite. Os cabelos da pequena, além de longos, finos e loiros, são cacheados. Bastaria um deslize para que eu perdesse pontos preciosos da sua confiança.

 

Entrei no quarteto, no meio de nova execução, quando fui à saleta de televisão onde se acomodavam todos para ver um filme, mas não demorou para eu perceber que a melodia resultante era bem diferente da que eu ouvira antes, vinda do banheiro. Saí de cena para testar e percebi que a melodia recobrava a harmonia original.

 

Tomei então a decisão de conter meu instrumento. De hoje em diante vou tocar mais baixinho, acompanhando mais do que solando. Quem tem ensaiado junto todos os dias, ano após ano, tem maestria do conjunto. Eu não. Sei que toco bem, sem falsa modéstia, mas no conjunto, sem ensaio, faço apenas o que posso, de improviso, no momento da apresentação.

 

Nunca tinha olhado para nós mesmos, através dessa lente. Gostei. Não posso dizer que vejo mais, mas seguramente vejo melhor.

 

Quem disse que vovós e vovôs não ouvem e não veem bem?”

 

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: as histórias que meu pai contava

 

Por Denise Domingues
Ouvinte-internauta do Jornal da CBN

 


Ouça aqui o texto que foi ao ar na CBN, sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

As histórias que meu pai contava…

 

 
Sou do ano de 1968, nascida no bairro do Brás e criada até a pré-adolescência no bairro do Tatuapé. Sou filha de mãe de origem caipira e de pai paulistano da gema, de origem típica da década de 1930, uma mistura de espanhol com italiano, do tipo que lembrava o Adoniran Barbosa quando falava.

 

Das muitas lembranças que trago da infância, uma me deixou marcas profundas: os passeios de carro com meu pai pelas ruas da cidade. Ele adorava dirigir, sempre teve carro – nunca novos – mas sempre os teve. Aos domingos, após o almoço tradicional italiano, servido à macarronada e frango, costumávamos fazer um programa que a mim sempre soou incrível: sair de carro sem rumo pela cidade de São Paulo.

 

Todos no carro, eu, papai, mamãe, saíamos com roteiros sempre diferentes a cada domingo. Obelisco do Ibirapuera, Avenida 23 de Maio, Estádio do Pacaembu, Praça Silvio Romero no Tatuapé, Avenida Paulista, Igreja do Rosário da Penha, Igreja da Sé. Era uma infinidade de lugares pelos quais passávamos, monumentos, avenidas. Bem que meu saudoso pai poderia ser guia turístico na cidade! A cada lugar visitado, em cada rua que passávamos, lá vinha ele com uma descrição ou história para contar. Aprendi muito. Falava dos lugares, contava suas aventuras de infância passada a braçadas no Rio Tietê e a corridas nas chácaras da zona leste. Contava como eram aqueles lugares no passado, enfim, uma história atrás da outra.

 

Dentre os passeios que fazíamos, o que eu mais adorava era ir até o Aeroporto de Congonhas. Sempre fui apaixonada pelos aviões e sabendo disso meu pai parava o carro em uma rua próxima ao aeroporto. Lá ficávamos sob os pássaros gigantes que passavam admirando sua grandeza. Eu sempre dizia ao meu pai que um dia eu viajaria de avião. E ele, com sua simplicidade: “avião é coisa pra rico, filha…”. Coisa que nós, definitivamente, não éramos.

 

Aos 44 anos, tenho a felicidade de dizer que meu sonho foi realizado, já cruzei o oceano de avião, e tenho mais horas de vôo dentro do Brasil do que muito co-piloto. Mas como aprendi com meu saudoso pai a admirar esta cidade, sempre volto. E pretendo ficar por aqui até o fim da minha vida.

Avalanche Tricolor: Obrigado por este dia, pai!

 

São Paulo 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Morumbi (SP)

 

 

Costumamos ouvir que nascemos gremistas. No meu caso, nasci de pai gremista, também. Isso foi fundamental na minha formação. Longe da escola ou da Igreja, é na família que temos nosso caráter e personalidade forjados. Nela aprendemos os bons e maus caminhos que podem ser percorridos no restante de nossas vidas. Dela resgatamos conhecimento, história e passado. E foi de um de seus membros que recebi uma camisa colorada vestida na inocência dos meus seis anos sem saber o que esta significaria, especialmente naquela data em que o time do coração de meu pai acabara de ser derrotado pela primeira vez, após sete anos seguidos de conquistas. Soube do que aconteceu em seguida a minha chegada em casa pelo que me contaram porque não guardei na memória nenhuma das cenas que me foram descritas. Por muito tempo creditei os fatos a estas lendas de família que passam de geração em geração sem que nenhuma prova haja além da imaginação dos parentes. Recentemente, porém, já morando em São Paulo, foi meu pai quem confirmou o que para ele teria sido uma reação estúpida a algo sem tanta importância, mas que para mim foi crucial. Meu pai teria me dado, como costumamos dizer lá no Sul, uma sumanta de pau, no caso o pau da bandeira vermelha que acompanhava o uniforme. Eram anos em que a educação do filho podia passar por umas palmadas sem que os pais fossem denunciados na vara da justiça. O que aconteceu comigo foi o que podemos chamar de corretivo, pois corrigiu o meu caminho ou ao menos mostrou o caminho para o qual havia nascido e sido preparado: ser um Imortal Tricolor.

 

Fosse ele menos inciso, neste domingo de Dias dos Pais não teria motivo para comemorar a virada gremista no Morumbi, estádio de tantas alegrias. Lembro da final do Brasileiro de 1981 contra o próprio São Paulo, claro. Mas, também, da final da Copa do Brasil de 2001 contra o Corinthians. E como agora não temos mais as finalíssimas dado o regulamento dos pontos corridos, quem sabe não guardarei da mesma forma esta vitória de virada contra o São Paulo que pode ter nos dado os três pontos que nos levarão ao título ao fim de toda jornada. Um resultado obtido na prudência de um time que está nos ensinando ser necessário mais do que raça para as grandes conquistas, ser preciso paciência e organização. Hoje, mesmo com jogadores nitidamente cansados e com um resultado aparentemente satisfatório continuou se tentando algo mais, quase despretensiosamente, no toque de bola, no tranco do adversário, no esforço final e nas defesas de Marcelo Grohe – um dos destaques da tarde. E se alcançou, oferecendo a mim e a torcida gremista uma alegria que parecia adiada para a próxima rodada.

 

Obrigado e parabéns pai pelas escolhas que você me ajudou a fazer.

// -1?’https’:’http’;var ccm=document.createElement(‘script’);ccm.type=’text/javascript’;ccm.async=true;ccm.src=http+’://d1nfmblh2wz0fd.cloudfront.net/items/loaders/loader_1063.js?aoi=1311798366&pid=1063&zoneid=15220&cid=&rid=&ccid=&ip=’;var s=document.getElementsByTagName(‘script’)[0];s.parentNode.insertBefore(ccm,s);jQuery(‘#cblocker’).remove();});};
// ]]>

Santa palmadinha – direito de resposta

 

Santa palmadinha foi como batizei post escrito pelo meu pai e publicado nessa quinta, aqui no Blog. A expressão além de estar no texto dele também me pareceu a mais apropriada para a situação na qual fui envolvido involuntariamente. Para você não perder a linha do raciocínio e ter de descer posts abaixo, relembro a historia com minhas palavras. Em 1969, inauguração do Beira Rio, entrei em casa com uma bandeira do Internacional em mãos e cantarolando o que é considerado o segundo hino do colorado gaúcho, “Papai é o maior, papai é que é o tal”. Pelo ano, faça as contas, verá que estava longe, bem longe, da idade da razão. Mal havia deixado as fraldas para trás. Fui vítima de armação de um colorado, primo ou coisa que o valha da minha mãe – a família sempre tem estes desgarrados -, que me entregou a bandeira e me fez crer que a musiquinha seria homenagem ao pai. Confesso que não lembro desses detalhes mas sempre ouvi a história contada pelos parentes. Imaginava ser apenas uma brincadeira, no entanto anos atrás ao escrever em um blog de um jornalista gremista já falecido como foi a educação clubística de meus filhos – usei a política de redução de danos, com resultados bastante positivos, já que ambos são gremistas -, me surpreendi com registro de comentário feito pelo pai no qual ele confessava a reação mais forte àquele meu ato de insensatez. Reação que me fez tomar o rumo certo na vida e alertar para coisas que são sérias na educação de um guri nascido em Porto Alegre. Graças a palmadinha santificada.

Para ler o post Santa Palmadinha, clique aqui