Avalanche Tricolor: uma vitória com os talentos de Everton e Pepê

 

Palmeiras 1×2 Grêmio
Brasileiro — Arena Palmeiras

 

Gremio x Palmeiras

O sorriso da vitória, em foTo de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Vi Renato de punhos cerrados comemorando ao lado do gramado, assim que o árbitro deu o apito final. Maicon repetiu o gesto ao deixar o banco de reservas —- de onde assistiu à parte final do segundo tempo da partida, após se lesionar —- para cumprimentar os companheiros que ainda estavam dentro de campo. Antes, já havia me chamado a atenção a alegria do time na comemoração do gol de Pepê que garantiu mais uma vitória ao Grêmio, neste Brasileiro.

 

Cada cena em seu momento revelava a mesma mensagem e dava a dimensão do resultado desta tarde, em São Paulo. Foi a quinta vitória nas seis últimas rodadas do campeonato, em uma sequência de pontos que fez o Grêmio atropelar os adversários diretos, tomar a quarta posição e se consolidar na faixa que nos leva diretamente para a Libertadores.

 

Sei que o noticiário do futebol neste fim de semana teve todas suas atenções voltadas para uma só partida e um só time —- justa atenção, diga-se de passagem, porque esse time soube transformar dinheiro em talento e talento em perfomance de excelência. E de modo particular, a decisão da Libertadores no sábado ainda nos trouxe de volta a amarga lembrança da desclassificação na semifinal.

 

Diante desse cenário, imaginei que em campo veríamos um Grêmio desatento às suas obrigações. E, convenhamos, boa parte do jogo parecia mesmo. Apesar do domínio da bola, pouco se produziu no ataque. Não lembro de termos proporcionado algum lance de perigo no primeiro tempo. No segundo, o volume de jogo foi maior, mas as chances de gol eram escassas mesmo com algumas jogadas mais próximas da área. Menos mal que nossa dupla de zagueiros vinha fazendo uma partida excepcional anulando qualquer risco de ataque adversário.

 

Até que apareceram nossos talentos individuais.

 

Primeiro, Everton. Já havia arriscado alguns dribles, se livrado de marcadores até encontrar um espaço e correr em direção à área. Na tentativa de mais um drible, sofreu pênalti, cobrou e marcou —— com requinte de crueldade porque provocado pelo goleiro a bater no canto direito, o fez com maestria. Só faltou agradecer pela dica.

 

Segundo, Pepê. O menino Pepê. Entrou quando estava zero a zero. Ajudou a abrir espaço para Everton no primeiro gol, viu o Grêmio sofrer o empate e  aí fez aquilo que tem feito partida após partida. Correu para um lado, correu para o outro, se deslocou para receber, posicionou-se em direção ao gol e quando a bola chegou ao seus pés, foi pura maldade. Por trás dos marcadores, na cara do gol, de cavadinha, tirou a bola do alcance do goleiro que só teve o trabalho de assistir ao espetáculo de jogada. Foi a vez de nós torcedores agradecermos a ele pela pintura de gol e pela vitória alcançada.

 

Alguém arriscou dizer na transmissão da televisão que aquele foi o gol do título, pois com a vitória confirmada minutos antes de a partida se encerrar, o que tornava improvável qualquer virada no placar, o líder do campeonato, que já havia jogado por essa rodada, há duas semanas, não poderia ser mais alcançado por nenhum dos seus concorrentes diretos.

 

Na entrevista, Pepê não caiu na brincadeira dos repórteres. Com a mesma personalidade que entra em campo e decide os jogos, chamou atenção para a importância do gol marcado, pois daria tranquilidade ao Grêmio até o fim da competição na sua meta de estar na Libertadores, em 2020. Aliás, estar na Libertadores pela vigésima vez —- somente mais dois times brasileiros poderão alcançar essa marca ano que vem — e quem sabe conquistá-la pela quarta vez.

Avalanche Tricolor: obrigado, pai!

 

Palmeiras 1×2 Grêmio
Libertadores — Pacaembu-SP

 

 

Gremio x Palmeiras

Everton dispara para o segundo gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Eu pedi para você, pai. Antes do jogo começar. Eu pedi para você, pai. Sabia que você não poderia estar mais ao meu lado. Mas eu pedi, pai. Sei lá por onde você andava. Mas quis acreditar que você estava por aí. Em algum lugar qualquer. Prestes a me ouvir. Perto de mim, mesmo que em uma distância eterna. Uma distância que ainda me faz sofrer, sentir dor no coração. Uma dor que amanhã completará um mês.

 

Mas eu precisava que você estivesse comigo em mais essa, pai. Você nunca me faltou quando precisei. Me incentivou a não desistir jamais, mesmo quando percebia que eu não era capaz de fazer mais. Você acreditava. Você me ensinou a acreditar. E, por isso, eu pedi para você, pai: “nesta noite, me dá só essa vitória”.

 

Você sabe o que é estar sozinho por aqui. Isolado em São Paulo. Ouvindo desde cedo a provocação do adversário. Vendo o olhar desconfiado dos que não conhecem a nossa história. Recebendo a mensagem às vezes agressivas. Outras jocosas. Nesta noite nem os meninos estavam ao meu lado, pai.

 

Só não imaginava que você fosse me testar dessa maneira. Aquele gol contra logo no início era para ter me levado para cama mais cedo. Baixado a cabeça. Me preparado para a dureza do amanhã. Mas eu voltei a pedir a você, pai. “Você tá comigo aí, né!?!”, pensei em voz baixa enquanto o grito da vizinhança feria meus ouvidos.

 

Lembrei de quantas vezes você me abraçou nas arquibancadas do Olímpico. Enxugou minhas lágrimas. Mandou eu lavar o rosto, porque estava na hora da reviravolta. E a volta por cima se dava.

 

Demorou pouco para você me mostrar que, sim, você estava por aí. Prestes a me ajudar. Atento ao que eu pedia. Que eu não estava sozinho, não. E o primeiro sinal veio naquela bola jogada para dentro da área e escorada com a categoria de Everton. E se consumou com os dribles incríveis do mesmo Everton. E a conclusão do preciso Alisson.

 

Você não parou por aí, pai. Você se expressou em Geromel, o nosso Mito. Na raça de Kannemann, o nosso Gigante. No talento de Jean Pyerre, o Filósofo da Bola. Em cada um daqueles que vestiram a nossa camisa nesta noite, no Pacaembu, lá estava você, pai. Estava jogando para me fazer feliz, mesmo sabendo a tristeza que ainda sinto pela sua perda.

 

Pai, obrigado!

Avalanche Tricolor: nada está decidido

 

 

Grêmio 0x1 Palmeiras
Libertadores — Arena Grêmio

 

Gremio x Palmeiras

Everton em mais uma tentativa de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foi uma noite dedicada a prêmios, da qual participou a elite do empresariado brasileiro e algumas das duas maiores autoridades política e econômica do país. Coube a mim ser o Mestre de Cerimônia da entrega do Valor 1.000, premiação criada há 19 anos pelo Valor Econômico. Encontrar no palco gente que faz o Brasil andar, com seu trabalho na iniciativa privada, é sempre interessante. Saber que boa parte desta gente está na sua audiência, é gratificante.

 

Um aperto de mão aqui, um abraço acolá. Trocas de palavras amigáveis. Uma brincadeira com coisas do programa de rádio. Outra com o time de futebol. E a noite foi se estendendo. As autoridades, você sabe como são, gostam de vender o seu peixe. E se esforçaram para isso. Às vezes, indo além do tempo previsto —- o que, no fim das contas, já era previsto.

 

A acompanhar-me no púlpito de apresentação a tela do telefone celular que às vezes piscava para me chamar atenção para alguma informação de última hora—- aquelas notícias da política, da economia, do meio ambiente e do esporte, que costumam dominar sites e jornais, programas de TV e de rádio.

 

Foram por esses alertas que me foi contada a história do jogo desta noite pela Libertadores. Sem muitos detalhes, apenas com frases curtas que resumiam nossa situação. Perdemos logo cedo um dos nossos laterais. E isso deixa o lado esquerdo capenga como sabemos bem. De repente, sou informado do prejuízo maior: um gol adversário ainda no primeiro tempo.

 

Do início do segundo tempo para o fim, meu celular não parava de acender. Everton tentou. Everton driblou. Everton se esforçou. Jean Pierre, chutou. Foi falta mas o árbitro não marcou. Foi falta e expulsou. Infelizmente, só não recebi o aviso que mais esperava nesta noite. O Grêmio não marcou.

 

Imagino que muitos dos meus que assistiram ao jogo na Arena ou na televisão saíram incomodados com o resultado e alguns cabisbaixos. Sabem que o desafio na semana que vem será barra pesada, diante da torcida adversária e contra um técnico forjado na nossa casa, que merece todo nosso respeito.

 

Curiosamente, minha sensação é bem diferente — seja porque o jogo me foi contado a conta gotas seja porque a história do Grêmio já me foi ensinada há muito tempo. Cheguei agora há pouco em casa e ainda tirei tempo para escrever essa Avalanche, apesar do adiantado da hora, com a tranquilidade de quem conhece nossas façanhas. E sabe que estamos capacitados a buscar o melhor resultado contra tudo e contra todos.

 

Nada está decidido. E se alguém acreditar que está, cuidado. Melhor não subestimar nossa imortalidade.  

Avalanche Tricolor: David Braz é o tipo do cara que gosta de jogar bola sábado à noite

 

Grêmio 1×1 Palmeiras
Brasileiro — Arena Grêmio

Gremio x Palmeiras

David Braz comemora em foto de Lucas Uebel/GREMIOFBPA

 

 

Lá no Nonoai, bem em frente ao prédio onde o pai morou nos seus últimos dias, tem um mini-campo de futebol com grama rala, goleiras posicionadas e muito bem cercado — foi a forma que os donos do campinho encontraram para impedir que chutes desajeitados façam a bola se perder no riacho que passa atrás de um dos gols, no pátio da paróquia  que fica do lado contrário ou na rua Santa Flora, que corre por uma das laterais, onde os carros costumam andar em velocidade acima da necessária.

 

Nas últimas visitas que fiz ao local, ao estacionar o meu carro em frente ao campinho, chamava-me atenção o fato de todo dia ter gente para jogar. Alguns times mais organizados. Com uniforme e tudo mais. Com direito a resenha na porta do vestiário e ritual ecumênico antes da partida — aquela corrente pra frente que às vezes assistimos nos gramados oficiais. Parece que cada jogo ali jogado era uma decisão.

 

O que mais me intrigava era a turma dos sábados à noite. Isso é hora de jogar bola? Essa gente não tem família para visitar, amigos para badalar ou namorada para … namorar? Sei que essa cena, em Porto Alegre, não deveria me causar estranheza, especialmente depois de já ter assistido muitos times se engalfinhando  nas madrugadas do Rio de Janeiro, lá no Aterro do Flamengo. Afinal, futebol  é para ser jogado quando e onde quisermos. Basta a bola, um adversário que seja e nosso desejo está atendido. Diversão em campo. 

 

Meu incômodo talvez esteja ligado ao meu passado. Quando comecei a frequentar estádios de futebol, jogo de verdade se assistia aos domingos à tarde. Quarta-feira à noite também era aceitável — especialmente depois que meu time passou a visitar as competições sul-americanas, e as copas nacionais ganharam espaço no calendário do futebol brasileiro. 

 

Hoje em dia (e à noite), tem futebol a toda hora. Sábado de tarde, sábado no fim da tarde, sábado no fim da noite. Domingo de manhã, de tarde e de noite. Às segundas, também. Terça, quarta, quinta, não pode faltar. Seja para atender as múltiplas competições que alguns dos nossos times disputam seja para vender todos os jogos à televisão, a bola rola a todo momento aqui no Brasil.

 

Neste sábado à noite — NOVE HORAS DA NOITE — foi a vez do Grêmio e sua torcida comparecem no bairro do Humaitá para mais uma partida pelo Campeonato Brasileiro. Aquele que eu já havia decidido em minha intimidade que só voltaria a tratar aqui nesta Avalanche quando o Grêmio resolvesse disputar de verdade, com time titular, resenha motivacional no vestiário, ritual ecumênico antes da partida  e o desejo da conquista maior a qualquer custo.

 

Quem joga bola sábado à noite? Foi a pergunta que me fiz antes de me ajeitar no sofá e ligar a televisão para ver o Grêmio — sim, caro e raro leitor desta Avalanche, eu tenho família, filhos para cuidar e namorada para namorar, mas neste sábado os compromissos profissionais e pessoais começaram muito cedo e tinham se estendido por todo o dia, então resolvemos descansar em casa em lugar de sair com os amigos. E descansei no sofá assistindo ao Grêmio.

 

Quase me arrependi do programa reservado para esse sábado à noite . Fui salvo pelo bom vinho que saboreei enquanto a bola rolava na Arena e por aquele chute do David Braz, aos 44 minutos do segundo tempo. Assim que bateu na bola, lembrei-me do chutão que costumava partir dos pés daquela turma do campinho do Nonoai que só não alcançava a torre da Igreja ou a profundeza do riacho por causa da cerca. A diferença é que o chute do nosso zagueiro em lugar de ser desajeitado tinha um destino bem melhor: o ângulo do goleiro adversário.

 

Foi, então, que me dei conta: se tem alguém que gosta de jogar sábado à noite, este alguém é o David Braz, especialmente quando o pai dele, Seu David, faz aniversário.

 

Valeu, seu David. O senhor salvou o meu sábado!

 

Avalanche Tricolor: um baita jogo, pena que …!

 

Grêmio 0x2 Palmeiras
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Luan em mais uma tentativa de drible, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOGBPA

 

Há muito não se assistia a jogo tão bem jogado como na noite desta quarta-feira.

 

Duas equipes com qualidade no toque de bola, inteligentes na movimentação, agressivas no ataque e com defesas muito precisas. Uma realidade somente possível pelo talento dos jogadores em campo e pela forma como os dois técnicos comandam seus times.

 

O primeiro tempo, em especial, foi um show à parte. De um lado e de outro víamos o resultado de um futebol bem planejado. As equipes chegavam com velocidade à frente, pressionavam a marcação e chutavam muito a gol. Teve bola na trave, bola no travessão, bola espalmada pelo goleiro, bola despachada para escanteio, bola para um lado e para o outro.

 

No segundo tempo, perdemos parte de nossa qualidade no meio de campo, pois nossos dois volantes — que jogam muito acima da média dos demais meio campistas do futebol brasileiro — tiveram de deixar o gramado desgastados fisicamente pela sequência de partida: Maicon no intervalo e Arthur quando já estávamos em desvantagem — e claro que isso pesa, ainda mais que já entramos sem outro pilar deste setor, Ramiro.

 

A diferença se viu no comando do ataque. O deles mais decisivo do que o nosso, apesar de termos dominado o jogo — mostra a estatística que estivemos com a bola muito mais do que eles.

 

A partida que presenciamos na Arena do Grêmio nessa quarta-feira privilegiou o futebol,apesar do excesso de faltas do adversário — mas isso também tem a ver com a qualidade do jogo jogado. Foi o recurso para impedir os avanços do Grêmio.

 

Foi uma baita jogo, pena que … você sabe o quê !

 

 

Avalanche Tricolor: que faça uma ótima viagem!

 

 

 

Grêmio 1×3 Palmeiras
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Luan

Luan aproveitou partida para ajustar a passada rumo a Libertadores

 

 

É quarta. É no Equador. É contra o Barcelona. É para lá que se volta o pensamento de todo o gremista que se preza. O time embarca na madrugada dessa segunda-feira para a cidade onde começa decidir a vaga à final da Libertadores da América.

 

 

E se alguém esticar o olho com desconfiança para o que pode nos acontecer lá fora, impactado pela tarde deste domingo, que me perdoe: tá na hora de rever os seus conceitos. Como dizia Tio Ernesto, que já foi personagem desta Avalanche outras vezes, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

 

 

Você acredita mesmo que algum jogador entrará cabisbaixo no Equador porque os reservas perderam aqui no Brasileiro?

 

 

Gente, os caras estão babando pelo título sul-americano, acordam e dormem pensando na possibilidade de chegar ao Mundial mais uma vez (título que muita gente grande por aí não tem, não é mesmo?). Trocam facilmente o placar de hoje, que terá lugar reservado apenas para as estatísticas, pela possibilidade de conquistarem um lugar na história do clube.

 

 

Nesta temporada, desperdicei pouco tempo para discutir as escolhas de Renato e comissão técnica na escalação de titulares, reservas ou alternativos. E prometo que não irei além de algumas linhas. Sei que tem gente que só fala disso e busca aí a explicação para este ou aquele resultado nas competições disputadas até agora. E já sabe até quem atacar se alguma frustração surgir.

 

 

Vamos pensar juntos, caro e raro leitor desta Avalanche.

 

 

Só em uma competição nós estamos pagando o preço por alternar o time: é o Brasileiro. Mesmo assim, sempre estivemos entre os quatro primeiros colocados e ocupando por boa parte do tempo a vice-liderança. Sem contar que alguns dos pontos que nos separam do líder foram perdidos quando os titulares estavam escalados.

 

 

Abrir mão de titulares não foi o motivo que nos tirou da Copa do Brasil, por exemplo. Essa Copa jogamos com que havia de melhor, ao menos com o que tínhamos de inteiro até a semi-final, quando perdemos para aquele que seria o campeão da competição.

 

 

Na Libertadores, exceção daquele jogo muito bem calculado na fase de grupos, contra o Guaraní do Paraguai, estivemos com nossos principais jogadores e somos o único time brasileiro, vou repetir, somos o único time do Brasil com chance de ser campeão. Todos esses outros que estão por aí se engalfinhando no Brasileiro ou nem se classificaram para a Libertadores ou ficaram pelo caminho.

 

 

Contra o Barcelona, o time vai com o que tiver de melhor. Renato escalará o supra-sumo do seu grupo. Terá inclusive Luan e Michel, que aproveitaram a partida deste domingo para ganhar ritmo e se preparar para o meio de semana. E ele arrancará 110% de cada um dos seus jogadores, pois é para isso que estamos jogando a temporada de 2017. É isso que sonhamos conquistar neste ano, mais uma vez. É isso que nossos jogadores sonharão em conquistar enquanto dormem no avião a caminho do Equador.

 

 

Na mala que está sendo preparada para a viagem não haverá espaço para choramingo, mimimi e rabugice de torcedor. Nossa bagagem, além do melhor futebol que já apresentamos neste ano, só tem lugar para o sonho e o desejo de cada um de nós gremistas.

 

 

Que o Grêmio faça uma ótima viagem a caminho do nosso sonho!

Avalanche Tricolor: risco calculado

 

 

Palmeiras 1×0 Grêmio
Brasileiro – Pacaembu

 

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Grêmio e torcida têm suas prioridades na temporada

 

Nem tanto pelo histórico no Pacaembu, muito mais pelas escolhas feitas. Perder na tarde deste sábado, em São Paulo, era o risco calculado, diante do verdadeiro desafio que temos na temporada. O time escalado era mais qualificado do que aquele que colocamos em campo bem no começo do campeonato, quando também buscávamos outros objetivos e perdemos. Porém, da mesma maneira que antes, o placar de agora se justifica pelo que almejamos amanhã – mais precisamente, terça-feira, na Libertadores.

 

Dia desses, em entrevista ao jornalista Cléber Grabauska, da Rádio Gaúcha, fui perguntado sobre qual deveria ser a prioridade do Grêmio a medida que está tão bem no Campeonato Brasileiro (estamos em segundo), encaminhando classificação na Copa do Brasil (quase na semifinal) e em plena forma na Libertadores (temos a melhor campanha). Respondi que para mim, torcedor nada enrustido, o sonho é a tríplice coroa. Falei sabendo da impossibilidade da tarefa, afinal as competições nesta temporada estão intercaladas e mais longas, exigindo esforço desumano dos jogadores. 

 

Se tivessem me perguntado sobre quem escalar neste sábado, claro que adoraria ver os titulares em campo, até porque a partida era em São Paulo, onde moro e todo revés gremista é comemorado em dobro pelos amigos, colegas e vizinhos – todos torcedores adversários. Quero ganhar sempre, quero ganhar de todos e de qualquer maneira.

 


Como escrevi dois parágrafos acima, porém, eu falo como torcedor; e como tal, tenho o direito de me deslumbrar com o impossível. Renato, que torcedor também o é, tem a responsabilidade de pensar como estrategista, ao lado da comissão técnica, e baseado nos relatórios de desempenho e performance dos jogadores que fazem parte do plantel. Nosso técnico tem consciência que o grupo mesmo reforçado precisa ser revezado, o que torna impraticável a manutenção da qualidade do futebol que tem encantando críticos. O jeito intenso, de velocidade, com passe preciso e domínio da bola exige esforço e jogadores em momento técnico precioso. Nenhum time do Brasil conseguiria manter esse desempenho de alto nível com tantas mudanças de jogadores na equipe escalada.

 

Pagamos nosso preço nesta décima primeira rodada do Brasileiro, assim como já havíamos feito na terceira rodada, também jogando fora de casa. Porém, dependendo do que trouxermos da Argentina, contra o Godoy Cruz, terça-feira, o placar deste sábado pode entrar no balanço final como lucro. Até porque para ser campeão da Libertadores vale qualquer sacrifício.

Avalanche Tricolor: pragmático, óbvio e classificado à semifinal da Copa do Brasil

 

Palmeiras (2)1×1(3) Grêmio
Copa do Brasil – Allianz Parque

 

 

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Jogadores comemoram classificação (reprodução da TV)

 

“Quando a gente tá com a bola ataca, quando não tá, defende”…

 

Assim Renato explicou como o Grêmio deveria se comportar em campo, ao responder pergunta feita pelo repórter da televisão, um minuto antes de se iniciar a partida dessa quarta-feira à noite, em São Paulo.

 

Foi simples, direto e objetivo, como ensina o mantra da boa comunicação.

 

Foi óbvio, também! Talvez porque tivesse como meta, naquele momento que antecedia a decisão, apenas se livrar da conversa com o jornalista, afinal o que interessava mesmo é o que viria a acontecer em seguida no gramado – no ruim gramado do Allianz Parque.

 

Por mais simples que tenha parecido a explicação do técnico gremista colocar a ideia em prática seria extremamente complexo, como se viu ao longo do jogo.

 

Nem sempre quando a bola esteve com o Grêmio, conseguimos atacar; muitas vezes tropeçamos nas nossas deficiências de movimentação e, em outras, na eficiência da marcação.

 

Nem sempre quando a bola estava com o adversário, conseguimos marcar; muitas vezes deixamos mais espaço do que deveríamos e a bola chegava com perigo dentro da área. Nos safamos de algumas boas quando só nos restava contar com a sorte e a coragem. E coragem não faltou a nossos defensores que se atiravam de qualquer maneira para evitar o gol.

 

Sem colocar em prática a obviedade proferida por Renato, torcíamos para que o relógio andasse mais rápido do que nosso toque de bola, já que o empate nos bastava. Chuleávamos para que em um lance fortuito conseguíssemos fazer um gol, o que nos levaria a respirar um pouco mais.

 

O gol saiu, mas não foi do nosso lado. Foi contra nós, e pelo alto, como sempre.

 

O resultado já não nos interessava mais. O relógio que parecia bater em um ritmo lento, começou a rodar com rapidez. E o nosso futebol não andava lá essas coisas, apesar de algumas chances criadas.

 

Isso não quer dizer que havíamos desistido de lutar … afinal, ainda assim, nos bastava apenas um gol, não mais do que isso para a vaga estar garantida.

 

Foi, então, que aos 15 minutos do segundo tempo, Renato mais uma vez usou a lógica e colocou em campo aquele que não nos tem faltado nas últimas partidas: Everton.

 

Nosso atacante foi o personagem da classificação: foi dele o lance que resultou na expulsão que fragilizou o adversário, assim como foi dele o lance que desnorteou a defesa, deslocou o zagueiro e abriu espaço para fazer o gol.

 

Everton entrou em campo e cumpriu a ordem de Renato: quando a gente tá com a bola, ataca. O que permitiu que o restante do time fizesse a outra parte: quando a bola não tá, a gente defende.

 

Com o pragmatismo de Renato, a dedicação do time e o talento de Everton estamos na semifinal da Copa do Brasil, mais próximos da Libertadores e de um tão desejado título.

Avalanche Tricolor: com a cara do Grêmio

 

Grêmio 2×1 Palmeiras
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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Nossa torcida na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Havia algo diferente no ar. Mesmo com um público aquém da nossa necessidade, a concentração de torcedores em alguns setores da Arena passava a sensação de que o espírito copeiro estaria em campo. E foi o que se viu do primeiro ao último minuto de partida.

 

O toque de bola e a movimentação no ataque, tendo Luan como coringa, atuando em todas as posições do meio para a frente (às vezes até lá atrás), uniram-se a marcação alta e futebol com intensidade – legado de Roger.

 

A obsessão por ganhar toda disputa, marcar o adversário a qualquer custo  e afastar a bola da nossa área mesmo que seja com um chutão, também estavam lá. Assim como a velocidade no ataque e a bola alçada para a área na expectativa de uma conclusão certeira de um dos nossos – ao estilo Renato.

 

E na união do futebol desejado por Roger e por Renato – dois campeões ao seu estilo -, o Grêmio foi Grêmio na primeira partida destas quartas-de-final, na Copa do Brasil.

 

Ver Ramiro aparecendo na entrada da área e acertando um chute indefensável no primeiro gol é animador. Gosto de saber que temos jogadores dispostos a superar suas limitações e críticas (justas ou não).

 

Ver que no segundo gol tínhamos ao menos dois jogadores dispostos a empurrar a bola para dentro, além de um terceiro que aparecia livre para concluir, sinaliza a disposição da equipe em superar o mau momento.

 

É assim que gostamos de ver o Grêmio. É assim que queremos o Grêmio: lutador, copeiro e com talento, seja na Copa seja no Brasileiro!

 

Avalanche Tricolor: merecíamos a vitória

 

Grêmio 0x0 Palmeiras
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Guilherme e Batista de olho na bola, em foto de RODRIGO RODRIGUES/GREMIOFBPA

 

Fomos melhores do que o adversário. E, especialmente, melhores do que vínhamos sendo. 

 

Fomos consistentes na defesa, setor que preocupava por motivos óbvios. A transição para o ataque também funcionou. Chegamos com mais rapidez lá na frente. E não faltaram oportunidades para marcar. 

 

A bola voltou a rolar na grama e a movimentação da equipe tinha uma lógica em campo. O passe nem sempre foi no ponto certo e o chute foi um pouco além do necessário. A ansiedade em fazer o gol talvez tenha impedido jogadas mais precisas.

 

Merecíamos a vitória.

 

Nada disso nos fez somar três pontos na tabela de classificação, é verdade. E nessa fase pontos são fundamentais para não deixar os da frente se desgarrarem. Precisamos manter todos os cinco adversários diretos na nossa mira para mantermos as chances de dar o bote na hora certa.

 

A partida era em casa e somamos apenas um ponto. Também é verdade. Mas esse ponto valeu pelo futebol jogado. Já obtivemos empates com um nível bem abaixo do que vimos neste fim de domingo.   

 

Depois dos últimos acontecimentos, principalmente do desastre no meio da semana, o que precisávamos era saber se a equipe voltaria a ter equilíbrio e tranquilidade. Tivemos mais equilíbrio do que tranquilidade.

 

Mas, repito, precisávamos ver de volta o Grêmio de Roger com os fundamentos que o diferenciaram nesta competição. Vimos um esboço daquele Grêmio e a esperança de que nosso técnico será capaz de nos colocar novamente no caminho certo.

 

O campeonato está aberto e eu sigo acreditando. Desistir é para os fracos.

 

Você é um deles? Eu, não!