Avalanche Tricolor: que vergonha!

Grêmio 1×3 Palmeiras

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Geromel em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

A tabela de classificação já não era favorável na noite de sábado, quando sentei diante do computador para planejar o domingo futebolístico. Confesso que, pela primeira vez, o abatimento se expressou no coração deste torcedor (quase) sempre crente nas conquistas impossíveis do tricolor. O caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche sabe da minha tese — diante do desespero que assistimos nesta temporada — de que estamos disputando uma Batalha dos Aflitos estendida, em que os aflitos somos nós próprios. E haveremos de vencer, mesmo que tudo aponte no sentido contrário.

O que era ruim, pior ficou.

Tomamos uma virada ainda no primeiro tempo, o VAR apitou mais do que o árbitro – acertou nos dois lances cruciais, registre-se – e o azar deu às mãos à intranquilidade e passeou pelo gramado da Arena. Com cada vez menos rodada para se recuperar e a dificuldade de o treinador e o time enxergarem soluções a curto prazo, a esperança de uma reviravolta se esvaía.

Foi, então, que, ao fim da partida, ouvi as palavras de Geromel, que voltou ao time dois meses depois de se recuperar de uma lesão no pé e fez um jogo quase impecável, a despeito da falta de ritmo:  

“Temos de trabalhar. Não podemos desistir. Só juntos sairemos desta situação. Sabemos que é uma situação incomoda. Faltam 11 jogos e precisamos de seis vitórias. Temos que sair desta situação”. 

A afirmação de nosso zagueiro e capitão mexeu com meu ânimo. Tudo que estava prestes a desmoronar, me pareceu novamente possível — ao alcance de um time que,  com um chacoalhão e a inclusão dos jovens que deram mais ritmo no segundo tempo, se revelará imortal, como dito em seu hino e história. Estava prestes a levantar do sofá, sacudir a poeira e fazer minha reverência à camisa autografada por Geromel que está estendida em um quadro no memorial que mantenho em casa. Mas as cenas que vieram em seguida, me abateram de vez. 

Os alucinados torcedores invadindo o gramado da Arena, quebrando o que viam pela frente, vandalizando o VAR e correndo como baratas tontas (e covardes) me levaram ao fatídico ano de 2004 quando fomos rebaixados. Uma época em que o clube estava destruído, ao contrário de hoje; tínhamos um time muito inferior ao atual; e a sequência de violência nas arquibancadas do Olímpico nos tirou o direito de jogar em casa e com torcida quando mais precisávamos deste apoio. Uma atitude que praticamente definiu nosso destino.

Os torcedores que assim agiram neste fim de domingo, em Porto Alegre, me fazem sentir muito mais vergonha do que o rebaixamento que nos ameaça de forma mais intensa a cada fim de rodada. 

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