Avalanche Tricolor: foi gol de Pará!

 

Grêmio 1 x 0 Vitória
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

Para_Fotor

 

Fiquei tentado a escrever esta Avalanhe após a rodada do fim de semana, a espera do que poderia acontecer conosco na tabela de classificação. Voltei atrás em nome da coerência, pois nada mudaria minha intenção de torcer intensamente por nossas vitórias a despeito de nossas chances na competição. Como bem lembrou Ramiro, ainda suado e ao lado do gramado, ao fim do jogo, ao se ver diante do microfone de um repórter que fez daquelas perguntas que nós jornalistas costumamos disparar apenas com a intenção de ouvir uma resposta qualquer, disputávamos ontem uma das sete últimas decisões que nos faltam e a vencemos. Nos restam seis até o fim da competição e temos de vencê-las, disse nosso volante. Sendo assim, independentemente do que façam nossos adversários nos próximos jogos, nada importa se não cumprirmos o papel que nos é reservado: lutar bravamente contra o inimigo e nossas carências – foi assim em todas nossas conquistas até aqui, não seria diferente nesta temporada.

 

A ansiedade em escrever a você, caro e raro leitor desta Avalanche, não se dá apenas por uma questão de coerência, como explicado no parágrafo acima, mas por satisfação. Queria já ter iniciado este texto aos 44 minutos do primeiro tempo quando Fellipe Bastos (que descubro agora tem dois “Ls”no nome), mais um dos nossos volantes, da intermediária e com visão e lançamento precisos, encontra o obstinado Pará entrando na área pelo lado direito, onde muitas vezes ele aparece sem jamais ser visto por seus companheiros, que, na maioria das vezes, sempre dão preferência aos colegas supostamente mais habilidosos no trato da bola. A bola chegou pelo alto na certeza de que a canela de nosso lateral iria intervir na sua trajetória, talvez escapasse um pouco mais à frente em direção à linha de fundo e ele, como sempre faz, correria acreditando na possibilidade de alcancá-la para colocá-la de volta em jogo e com chances, quem sabe, de um dos seus incrédulos companheiros concluir em direção ao gol. Ledo engano.

 

Pará chegou na passada certa, olhou para a bola e para a área, posicionou o corpo e com rara categoria bateu chapado, com o lado do pé, forte e confiante, a ponto de surpreender seu marcador que, em gesto de desespero, tentou desviar o curso da bola dando-lhe, na verdade, o destino merecido, o gol. Gol de Pará – digam o que disserem os documentos oficiais assinados por esse árbitro de olhar caricato. Ele correu de braços abertos para comemorar a conquista com Luis Felipe Scolari que o sustentou na lateral direita quando a lógica o escalaria do lado equerdo para substituir Zé Roberto, suspenso por ter recebido três cartões amarelos. Pará sorriru abraçado aos seus colegas porque sabe que lutou muito para estar ali naquele momento. Lutou na vida e brigou no treino da semana, porque nada dava certo lá do lado esquerdo. Provou na bola e no temperamento que tinha de estar ali na entrada da área, pelo lado direito, no momento em que o lançamento fosse feito por nosso volante, não porque era a melhor opção, mas porque era a única disponível no momento.

 

Já escrevi aqui nesta Avalanche como me sinto em relação ao futebol de Pará e porque o admiro mesmo diante de todas as críticas que possa receber. Foi quando, em agosto do ano passado, Pará fez o único gol de sua vida com a camisa do Grêmio – o segundo de sua carreira -, na cobrança de falta contra o Flamengo, na Arena Mané Garrincha. “Tivesse sido um jogador de futebol, eu teria sido o Pará”, foi assim que abri aquele post que você pode ler, se ainda tiver paciência, clicando neste link. E o teria sido com muito orgulho porque poucos se dedicam tanto a uma causa como ele, o que se revela seja na comemoração com a bola que foi despachada pela lateral e impediu qualquer perigo ao nosso gol seja no gol contra resultado de seu cruzamento, como nesse sábado à noite. Pará, assim como na partida anterior foi responsável pela assistência que nos levou ao gol de empate contra o Coritiba, volta a ser protagonista em campo. E se dependermos dele para chegarmos a Libertadores, tenho certeza de que lá estaremos mesmo que a vaga somente seja conquistada na última rodada (e com um gol meu, ou melhor, um gol de Pará, mais um!)

Avalanche Tricolor: O gol de Pará!

 

Flamengo 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Arena Mané Garrincha (DF)

 

 

Tivesse sido um jogador de futebol, eu seria o Pará. Percebi esta semelhança há três, quatro partidas quando tentava entender o papel de cada um dos jogadores gremistas em campo. E, por favor, minha referência não é visual (jamais teria coragem de usar aquele falso moicano sobre a cabeça, apesar de ser adepto do cabelo longo, abaixo dos ombros) é apenas funcional. Na curta carreira de jogador de futebol, totalmente dedicada à Escolinha do Grêmio, de onde já saíram grandes craques para o Mundo, migrei da zaga para a lateral esquerda. Joguei em uma época na qual os laterais não tinham direito de passar do meio campo e se o fizessem logo eram corridos aos berros do ataque, pois a prioridade era impedir o avanço do ponteiro. Eu cumpria bem esse papel. Importante ressaltar que o meu conceito de “bem” talvez seja um pouco diferente daquele usado pelos amantes do bom futebol. Ponteiros não ciscavam muito na minha frente porque eu tinha o hábito de entrar na jogada com o que, atualmente, os comentaristas costumam chamar de força desproporcional. Naquele tempo, era o suficiente para atender à responsabilidade que me era conferida.

 

Por favor, não imagine que pela descrição no parágrafo acima, analise o futebol de Pará como violento. Não é nada disso. Traço esse paralelo entre o que representa para o time nosso lateral direito e o que eu fazia vestindo a camisa do Grêmio, porque nunca tive técnica apurada, sendo incapaz de brincar com a bola em embaixadinhas, por exemplo. Jamais seria lembrado pelo talento nos cruzamentos ou pelo passe refinado, apesar de me garantir na posição pela personalidade que apresentava no comando do grupo. Tinha fôlego de causar inveja, mas corria mais do que pensava. Marcar gols, era raridade, então comemorava bolas despachadas para fora do campo e carrinhos que desarmavam o adversário (às vezes, causavam prejuízos maiores). Se precisassem de alguém para ser sacrificado, podiam contar comigo. Houve oportunidades em que esta vontade de bem servir acabava injustamente punida com cartão vermelho. Os árbitros nunca gostaram de mim. Eu menos ainda deles.

 

Pará nunca será um craque e, provavelmente, a camisa que veste não está entre as mais desejadas pelas crianças na loja do Grêmio, que costumam ser atraídas pelas dos jogadores do meio para frente. Ser lateral é quase uma falta de opção no Brasil. A última a ser ocupada no time de amigos, pois até para ser goleiro já existem aficionados. Há tanta carência que ele próprio jogou boa parte do ano passado no lado esquerdo e agora voltou para sua origem na direita. Se amanhã aparecer alguém tecnicamente melhor do que ele, não tenho dúvidas de que aceitará correr para o outro lado do campo. Pará é um soldado disposto a qualquer desafio e cumpre com eficiência esse papel. Ninguém espere um drible que desconcerte o marcador ou conte com sua presença na linha de fundo a todo momento. Mas tenha certeza de que ele aparecerá com o bico da chuteira para impedir que o inimigo ofereça perigo a seu time, não poupará esforços para chegar na bola antes do adversário e cerrará os pulsos para agradecer a graça alcançada.

 

No sábado à noite, Pará surpreendeu a todos ao cobrar a falta com qualidade e firmeza. Quando se preparavam para o chute de Alex Telles, esse sim um lateral refinado, Pará correu com tal personalidade que não tive dúvida de que resultaria em gol. Ele disse que voltara a treinar cobrança de falta na sexta-feira pela ausência dos batedores titulares do Grêmio. Ou seja, mais uma vez, se dispôs a atender às necessidades de seu time, mesmo que isso significasse um esforço extraordinário. Antes mesmo de a bola chegar ao fundo do poço, abri os braços para comemorar, praticamente repetindo o gesto do nosso lateral na festa pelo primeiro gol que marcou com a camisa do Grêmio. Pelo que entendi em sua fala pós-jogo, o segundo na carreira de profissional. Era o gol de todos nós jogadores de futebol frustrados; que não tivemos chances de brilhar em campo, mesmo quando escalados; que éramos abnegados e não desistíamos de lutar, mesmo diante de nossas limitações; que nascemos para servir a uma causa maior: a alegria de nossos torcedores. Era um gol de Pará.

Avalanche Tricolor: vencemos, mas o que interessa é quarta-feira

 

Grêmio 1 x 0 Cerâmica
Gaúcho – Arena Grêmio

 

Gremio x Ceramica

 

Jogo é jogo e treino é treino, diz uma das máximas do futebol. Se me permitem, vou estender a frase que tenta explicar os motivos que levam jogadores e times a se comportarem de forma diferente de acordo com as circunstâncias: Libertadores é Libertadores. É por isso que querer adivinhar o que acontecerá na próxima quarta-feira quando estaremos diante de mais um desafio na temporada com base no que fizemos nesses últimos jogos do Campeonato Gaúcho é quase impossível. Ânimo, disposição e receios são diferentes conforme o objetivo que se pretende alcançar. O esforço para impedir que a bola escape pela lateral é maior; busca-se no fundo da alma a respiração que pode fazer falta para impedir que o adversário chegue para o cruzamento; e da mesma forma a precisão no chute e no passe se diferencia, podendo até ser prejudicada de acordo com a capacidade de cada um de lidar com a pressão.

 

Ganhamos na noite de sábado de um adversário sem expressão e de campanha acanhada em um campeonato ainda mais limitado. E, mesmo assim, precisamos que um zagueiro atrapalhado desviasse a bola para dentro de seu próprio gol. Houve instantes de apatia em que o futebol foi esquecido, mas também momentos que me entusiasmaram pela iniciativa do time de se movimentar com velocidade e trocar passe de forma qualificada. Foram poucas as chances de ampliar o placar, apesar do domínio que tivemos. E as poucas foram desperdiçadas.

 

Se nem tudo se desenvolveu em campo como gostaríamos, nada diminuiu meu entusiasmo para a partida decisiva que teremos. O time com esta formação, sem invenção e mesmo sem Elano, tem maturidade e se entende bem. Há vacilos na defesa que podem ser resolvidos com a mesma disposição imposta na partida contra o Fluminense, no primeiro turno da Libertadores. E há insegurança de alguns jogadores que pode ser substituída a partir do grito do torcedor. Aqui está um ponto fundamental: a força de nossa torcida, sem a impaciência que temos demonstrado. Marco Antônio tem sido o alvo preferido pois é inferior a Elano e não convenceu até hoje. Vanderlei Luxemburgo aposta nele e diz que o jogador era escalado na posição errada. Espero que tenha razão. Torço para que nosso meio-campo cale os críticos (eu entre eles) e o vejo marcando o gol que nos dará a vitória. Foi assim que escrevemos nossa história: com superação.

 

Veja o caso de Pará, lateral que teve de migrar da direita para a esquerda em toda temporada passada, sem nunca se transformar em um diferencial. Está melhorando a cada partida, surge na linha de fundo com coragem, faz cruzamentos decisivos e retorna para a defesa com o mesmo vigor. Até aquele corte de cabelo estranho tem me parecido mais interessante. Só a alma tricolor explica estes fenômenos, esta mesma que, tenho certeza, vai se expressar no gramado da Arena na próxima partida da Libertadores. Até lá.

Pesquisa revela fraude e violência na produção de aço

 

As imagens são de uma carvoaria clandestina em Nova Ipixuna, no Pará, onde se iniciou a pesquisa do Observatório Social, coordenada pelo jornalista Marques Casara, destacada na edição desta segunda-feira, do Jornal da CBN. É nesta região que, em 24 de maio, foram assassinados José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, que denunciavam a devastação da floresta para produzir carvão e madeira. O estudo denuncia uma série de irregularidades e o esquema de fraude que “limpa” o carvão que sustentará a indústria do aço no estado.

Ouça aqui a entrevista com Marques Casara ao Jornal da CBN