A CBN lidera entre as rádios de notícias preferidas pelos principais executivos do país

Radio CBN

Pesquisa sobre os hábitos de informação de presidentes, vice-presidentes e diretores de empresas mostra que 54% dos entrevistados citam a CBN entre suas rádios de notícias favoritas.

O percentual era de 52% em 2021.

A CBN aparece bem à frente das demais emissoras citadas: a Rádio Bandeirantes tem 25% das menções e a Jovem Pan, 23%.

O levantamento foi feito pela agência InPress Porter Novelli e pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados, o IBPAD.

Foram entrevistados 107 executivos de 13 setores da economia, entre abril e julho deste ano. Nove em cada dez trabalham em empresas de grande porte.

A pesquisa revela também uma mudança interessante no consumo de informação: jornais e podcasts ganharam espaço nos últimos cinco anos.

Os sites e portais de notícias continuam sendo a principal fonte de informação geral, citados por 64% dos executivos.

Os jornais impressos aparecem com 22%, um crescimento de 12 pontos percentuais desde 2021.

O maior avanço foi dos podcasts. Eles passaram de apenas 3% para 17% das preferências — aumento de 14 pontos percentuais.

E a CBN também aparece nesse formato.

Entre 93 podcasts diferentes mencionados pelos executivos, os podcasts da CBN ficaram com 7% das citações, empatados com os da Market Makers. À frente aparecem O Assunto, do g1, e Café da Manhã, da Folha de S.Paulo, ambos com 10%.

A pesquisa mostra ainda que 84% dos executivos têm um jornal impresso favorito. Em 2021, eram 47%.

O Valor Econômico lidera, citado por 63% dos entrevistados que apontaram jornais favoritos. Em 2021, eram 32%.

Na televisão, a GloboNews lidera entre os canais e telejornais mencionados, com 45% das citações.

E há presença da CBN também entre os jornalistas considerados mais influentes.

Lauro Jardim, de O Globo e comentarista da CBN, lidera a lista, com 15% das citações. Malu Gaspar, de O Globo, CBN e GloboNews, aparece logo depois, com 14%. Míriam Leitão, que também participa da programação da CBN, tem 12%.

O levantamento indica que, mesmo com o crescimento das redes sociais e da inteligência artificial, executivos continuam recorrendo a veículos jornalísticos para confirmar informações e tomar decisões.

Em média, os entrevistados passam duas horas por dia consumindo informação. Desse total, 73 minutos são dedicados ao noticiário geral.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: conflitos entre gerações no trabalho vão além da comunicação

Quase metade dos profissionais brasileiros afirma já ter enfrentado algum conflito no trabalho relacionado a diferenças de idade ou geração. O dado, de uma pesquisa sobre relações intergeracionais, foi tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo.

O levantamento foi realizado pela TroianoBranding e pela consultoria de tendências Deson para a Maturi, plataforma voltada à capacitação e empregabilidade de profissionais com mais de 50 anos. A pesquisa ouviu trabalhadores de diferentes faixas etárias e procurou entender o que acontece quando várias gerações dividem o mesmo ambiente profissional.

Hoje, empresas podem reunir profissionais das gerações baby boomer, X, Y e Z. A geração Alpha também começa a se aproximar do mercado de trabalho. Essa convivência amplia a possibilidade de troca de experiências, mas também expõe diferenças de valores, expectativas e formas de encarar o trabalho.

Segundo Cecília Russo, 45% dos entrevistados disseram já ter vivido algum conflito com profissionais de outra geração. A tensão aparece especialmente nas duas pontas da escala etária.

Quem é mais velho é considerado desatualizado. Quem é mais jovem é considerado imaturo”, afirmou Cecília.

O dado chama atenção para uma característica do etarismo, preconceito baseado na idade. Embora seja frequentemente associado à discriminação contra pessoas mais velhas, ele também pode atingir os jovens, tratados como inexperientes ou incapazes simplesmente por causa da idade.

O etarismo na nossa sociedade é o preconceito mais bem aceito”, disse Cecília. Expressões como “velho demais” ou “jovem demais”, segundo ela, ainda circulam com naturalidade nos ambientes sociais e profissionais.

Comunicação é veículo, não causa

A pesquisa também procurou identificar o que está por trás desses conflitos. À primeira vista, muitos entrevistados apontam problemas de comunicação entre as gerações. Jaime Troiano chama atenção, porém, para uma camada mais profunda.

Não é só comunicação, pessoal. Comunicação é apenas o veículo”, afirmou.

Segundo Jaime, quando os pesquisadores aprofundaram as respostas, apareceram questões como diferenças de valores, de percepção sobre hierarquia, de opinião e até do nível de dedicação esperado no trabalho.

Isso significa que melhorar canais de comunicação pode ajudar, mas não resolve sozinho o problema. O desafio está em criar pontos de convergência entre profissionais que foram formados em épocas diferentes e, por isso, podem ter expectativas distintas sobre carreira, autoridade, tecnologia e relações profissionais.

Propósito pode funcionar como ponte

A pesquisa aponta um possível caminho. Para 65% dos entrevistados, um propósito autêntico e legítimo ajuda a reduzir conflitos geracionais. Em outras palavras, pessoas de diferentes idades podem se aproximar quando entendem e compartilham uma razão comum para o trabalho que realizam.

Existe, porém, uma distância entre discurso e prática: 58% afirmam que as empresas falam mais de propósito do que efetivamente o praticam.

Há claramente um espaço para trabalhar esse tema importante, o propósito, de uma forma que ele seja uma ponte verdadeira e uma ponte que integre pessoas de gerações tão diferentes”, disse Jaime.

O desafio para as empresas, portanto, não é apagar as diferenças entre gerações. É impedir que elas sejam transformadas automaticamente em estereótipos. Mais do que administrar um conflito de gerações, a oportunidade está em promover encontros entre gerações.

A marca do Sua Marca

Empresas precisam criar condições para que profissionais de diferentes idades trabalhem em torno de objetivos comuns, sem reduzir ninguém à geração a que pertence. O propósito pode ajudar nessa aproximação, desde que seja percebido na prática e não apenas no discurso. Como resumiu Cecília Russo, “empresas e marcas precisam dialogar igualmente com as gerações”.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: estudo inédito revela tendências na indústria farmacêutica

Oura ring
Lançamento do Oura Ring é tendência no setor Foto: Jeroen Sangers, no Flickr

A indústria farmacêutica brasileira vive uma transformação que vai muito além do desenvolvimento de medicamentos. O foco passou a incluir, cada vez mais, a experiência, o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas — em lugar de se ater apenas aos produtos desaenvolvidos e lançados no mercado.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN, Jaime Troiano e Cecília Russo falaram deste tema que faz parte do relatório “O Pulso do Mercado”, produzido pela TROIANO para analisar tendências e movimentos que estão redesenhando o setor farmacêutico.

Os números ajudam a dimensionar a relevância desse mercado. Segundo Jaime Troiano, a indústria farmacêutica brasileira encerrou 2025 com faturamento de R$ 246 bilhões, crescimento de 11% em relação ao ano anterior. Além disso, o Brasil concentra 42% de todo o faturamento do setor na América Latina. Outro dado revelador é que a indústria farmacêutica se tornou, em 2024, o quarto setor que mais investe em compra de mídia no país.

Para Jaime, essa mudança está associada a uma transformação mais profunda. “É perceptível como o paciente saiu da posição de coadjuvante e tornou-se protagonista. Antes, a molécula estava no centro de tudo. Hoje, também estão as pessoas.”

O relatório identifica cinco forças que estão moldando o futuro do setor, todas conectadas a um mesmo conceito: a humanização da saúde. Em vez de olhar apenas para o tratamento das doenças, as empresas passam a considerar a jornada completa do indivíduo, suas necessidades, hábitos e expectativas.

Dentro desse contexto surge uma mudança de perspectiva resumida em duas palavras da língua inglesa: lifespan e healthspan. A primeira está relacionada ao tempo de vida. A segunda, à qualidade desse tempo. Como explicou Jaime Troiano, a preocupação deixa de ser apenas viver mais para incluir também viver melhor.

Essa mudança abre espaço para novos modelos de negócio e para marcas que atuam em áreas antes distantes da indústria farmacêutica tradicional.

Cecília Russo citou como exemplo a empresa finlandesa Oura Ring, que desenvolveu um anel inteligente capaz de monitorar sono, frequência cardíaca e padrões de comportamento. Com o apoio da inteligência artificial, o dispositivo oferece recomendações personalizadas para melhorar a saúde e o bem-estar.

Outro caso mencionado foi o da britânica Zoe. A empresa transformou o monitor contínuo de glicose, antes associado quase exclusivamente ao tratamento do diabetes, em uma ferramenta de acompanhamento para pessoas interessadas em hábitos mais saudáveis. “Tiraram o estigma de doença e abriram uma nova categoria”, observou Cecília.

Ela destacou ainda um trabalho realizado pela TROIANO no Brasil com a marca Sany D, do laboratório Aché. O reposicionamento buscou ampliar o significado da vitamina D, conectando o produto a conceitos como energia, disposição e qualidade de vida.

Na avaliação de Cecília Russo, a principal consequência desse movimento é que a diferenciação das empresas passa cada vez mais pela construção da marca. “Num mercado onde os produtos ficam cada vez mais parecidos do ponto de vista técnico, a marca que faz toda a diferença.”

A afirmação ajuda a compreender um fenômeno que não se limita ao setor farmacêutico. Quando a tecnologia se dissemina e os produtos se aproximam em qualidade e desempenho, confiança, identificação e vínculo emocional tornam-se fatores decisivos na escolha do consumidor.

A marca do Sua Marca

A principal lição do Sua Marca é que a saúde está deixando de ser tratada apenas como combate à doença para ser entendida como promoção de qualidade de vida. Nesse cenário, as marcas que enxergam pessoas em vez de diagnósticos ampliam sua relevância e fortalecem sua conexão com o público.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

O eleitor busca candidato independente mas vota na polarização, analisa Felipe Nunes, da Quaest

A pesquisa Genial/Quaest mais recente, feita em dez estados, que mediu a opinião do eleitor para as disputas estaduais trouxe um dado curioso. Mesmo com a polarização forte na disputa nacional, o eleitor demonstra cansaço desse ambiente dividido.

Segundo Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest, que entrevistamos hoje pela manhã, no Jornal da CBN, há uma preferência por governadores mais independentes, menos ideológicos e focados nos problemas locais. Um desejo que nem sempre se transforma em voto.

Tenho a impressão de que essa dissociação entre o que o eleitor diz ao pesquisador e o que decide na urna tem a ver com uma frase muito usada pelo meu colega e especialista em branding Jaime Troiano: o consumidor diz o que pensa e faz o que sente.

O entrevistado garante que vai escolher um produto mais saudável ou mais sustentável. Na hora da decisão, porém, leva para casa aquilo que desperta desejo, hábito ou confiança. Diante do entrevistador, a pessoa defende o consumo de produtos que respeitam o meio ambiente; na gôndola, leva aquele que cabe no bolso, a despeito dos ingredientes usados.

Ao ouvir Felipe Nunes não resisti à comparação. Quando exposto a pergunta se prefere um candidato ao governo do seu estado mais lulista, independente ou bolsonarista, a maioria fica na coluna do meio. Foi assim em São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, Minas, Paraná e Pará. 

A pergunta que fica é: será que é isso que ele fará?

A política tem uma particularidade que a diferencia do consumo. No supermercado, a prateleira está cheia de opções. Na eleição, o cardápio é limitado. Quem escolhe o que está disponível não é o eleitor — são os partidos, explica Nunes E, até aqui, eles seguem oferecendo opções fortemente alinhadas aos polos tradicionais.

Esse desencontro entre desejo e oferta cria um ruído interessante. O eleitor declara preferência por um caminho mais moderado, mas pode não encontrar uma alternativa viável que represente essa escolha. Diante disso, tende a voltar ao conhecido. Não necessariamente por convicção, mas por falta de opção.

Há também o fator emoção, que não pode ser subestimado. A identidade política, o sentimento de pertencimento, a rejeição ao adversário, tudo isso pesa na decisão final. Muito mais do que a resposta racional dada ao pesquisador.

Na política, a metáfora ganha outra dimensão. O eleitor pode afirmar que quer equilíbrio, mas, diante da urna, pode ser guiado por lealdades, medos ou expectativas que não aparecem com a mesma clareza na pesquisa.

No fim das contas, a frase que nasceu no marketing parece dialogar bem com o cenário eleitoral: o eleitor diz o que pensa. Resta saber o que ele vai sentir na hora de votar.

E, principalmente, se haverá, de fato, uma opção que permita transformar esse desejo em escolha real.

O perigo dos “especialistas” em longevidade

Por Diego Felix Miguel

Foto de Can Ceylan on Pexels.com

Nunca foi tão fácil se apresentar como especialista em longevidade; e tão difícil sustentar esse título na prática. 

Deixo um aviso direto: trabalhar com pessoas idosas ou vender produtos e serviços para esse público não torna ninguém, automaticamente, especialista.

Prezada leitora, prezado leitor, não leia este início como arrogância. Pelo contrário: trata-se de um alerta necessário diante da urgência do tema.

Nos últimos anos, ganhou força um movimento essencialmente mercadológico, formado por profissionais que se apoiam em termos de impacto para projetar autoridade. Dominam o tom de voz e as redes sociais, mas não se sustentam quando convidados a aprofundar o tema.

A Gerontologia é uma ciência. Exige uma compreensão que perpassa a dimensão biopsicossocial e um olhar apurado sobre demandas e políticas públicas — especialmente em um país marcado por desigualdades profundas. Não se trata de uma disputa de mercado ou de protagonismo profissional.

O fenômeno é perigoso: distorce a compreensão do envelhecimento, compromete a qualidade dos serviços ofertados e pode impactar diretamente decisões em saúde, cuidado e políticas públicas.

Não há compreensão real do envelhecimento sem estudo e rigor científico. Experiência prática e leitura são valiosas —, mas não substituem formação consistente quando o tema é complexo. O que está fora disso pode contribuir, mas não confere, por si só, o título de especialista.

Escrevo com a experiência de mais de 20 anos de atuação e estudo em Gerontologia.

Há casos de livros em circulação escritos por inteligência artificial, com textos bem estruturados à primeira vista, mas que, ao menor aprofundamento, revelam erros conceituais graves, referências inexistentes e até nomes de autores grafados incorretamente.

Em muitos espaços, a produção acadêmica e os títulos formais passaram a disputar atenção, em desvantagem, com o número de seguidores e a estética de vídeos bem editados. O resultado é uma informação conceitualmente fraca, generalista e, muitas vezes, sem compromisso ético.

Se você está organizando um evento ou buscando referências na área, vale adotar alguns critérios simples — e cada vez mais necessários:

Observe a aderência à realidade — verifique se há compreensão da diversidade das velhices. No Brasil, é um erro tratar pessoas idosas como um grupo homogêneo ou pressupor acesso universal a serviços privados.

Vá além do currículo visível — investigue a formação e a prática profissional. Especialização exige foco; ninguém domina todos os temas.

Considere o vínculo institucional — priorize profissionais ligados a universidades, sociedades científicas ou serviços de referência. Solicitar comprovação de formação é uma medida legítima e valoriza a qualidade da atividade.

O objetivo aqui não é desqualificar indivíduos, mas valorizar quem realmente investiu tempo, pesquisa e dedicação à ciência da longevidade. Em meio à superficialidade, o conhecimento fundamentado segue sendo o melhor filtro.

Em um país que envelhece a passos largos e de forma desigual, vamos continuar valorizando quem edita melhor vídeos ou quem se compromete com a ciência e a ética das nossas velhices?

Diego Felix Miguel é doutorando em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP, especialista em Gerontologia pela SBGG e presidente do departamento de Gerontologia da SBGG-SP.

Entre a urgência do rádio e o tempo da ciência

No jornalismo de rádio diário, estamos sempre em busca da notícia mais recente. Aquilo que está acontecendo em tempo real. A operação da polícia, o anúncio do governo e o congestionamento da hora tomam espaço da reportagem produzida com antecedência — para desespero do repórter que investiu seu tempo e talento. Nesta semana, por exemplo, as raquetadas ao vivo de João Fonseca se impuseram ao crime que abalou o ouvinte no dia anterior — que assim seja nesta sexta-feira que está para começar. Em uma competição jamais confessada, o papel do radiojornalismo é deixar o jornal da banca um pouco mais velho. Não me queiram mal, colegas de impresso. Admiro muito o trabalho que vocês fazem — é o que nos sustenta naqueles momentos em que o noticiário de rádio está ‘fraco’.

Na edição desta quinta-feira do Jornal da CBN, os personagens da política de Brasília, da economia da Faria Lima ou dos eventos internacionais foram preteridos por alguns instantes. Convidamos dois pesquisadores brasileiros para conversar simultaneamente: Mariangela Hungria, da Embrapa, e Luciano Moreira, da Fiocruz, que entraram na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Que privilégio!

Mariangela pesquisa há mais de quatro décadas o uso de micro-organismos do solo para reduzir a dependência de fertilizantes químicos. Em um país que importa a maior parte desses insumos, o efeito é direto na economia e na produção de alimentos. Em uma única safra, segundo ela, a tecnologia desenvolvida gerou economia de dezenas de bilhões de dólares.

Luciano atua no combate às arboviroses. Lidera um método que utiliza mosquitos com uma bactéria capaz de bloquear a transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya. O projeto já está presente em diversas cidades brasileiras e em outros países.

Não havia um factual, uma ocorrência bombástica ou o escândalo que viraliza. O trabalho dos dois começou há décadas, sem alarde. No laboratório das instituições públicas em que trabalham, feitos com baixo investimento e sob alto ceticismo. Uma trajetória marcada por falhas e frustrações. Que, para muitos dos colegas deles, se encerrará no anonimato e na dúvida se as pesquisas que desenvolveram se tornarão legado nos estudos de seus sucessores.

Apesar da ausência da urgência do noticiário, entrevistá-los foi muito especial para nós, que fazemos o Jornal da CBN. E motivo de satisfação para os ouvintes. Aquele mesmo que nos cobra a informação imediata, a atualização do trânsito, a previsão do tempo, a denúncia contra agentes públicos por atitudes erráticas, a notícia do aqui e agora, dispendeu seu tempo para ouvir o relato de dois cientistas.

Claro que o reconhecimento da Time os fez notícia. Dar tempo para que pesquisadores falem das suas angústias e orgulhos não é comum no cotidiano dos programas radiojornalísticos matinais. Por isso, gostei tanto da conversa com eles. Sem contar que os dois são ótimos entrevistados, com bom domínio da comunicação.

A propósito, foi a dra. Mariangela quem chamou atenção para a importância de se investir em comunicação para o bem da ciência:

“Se eu fosse uma ministra de ciência e tecnologia, para quem eu mais daria dinheiro seria para a área de comunicação, ciência da comunicação, porque vocês precisam ensinar para a gente. Tem que ter alguma coisa disruptiva para eu conseguir entender por que a gente traz uma mensagem correta e tem 5 mil likes, e vem um influenciador que fala tudo diferente e tem 500 mil likes”.

Como fazer com que a informação correta, capaz de ajudar as pessoas, consiga ganhar tração e influenciar a sociedade de forma positiva é apenas mais um dos muitos desafios que os cientistas têm pela frente. Um desafio que nos aproxima, pois, como comunicadores que somos, temos a responsabilidade de ampliar o alcance dessa mensagem.

Pela repercussão da entrevista desta quinta-feira, no Jornal da CBN, encerro o dia com a sensação de que vale a pena abrir espaço para histórias que não cabem na urgência do noticiário. Nem sempre o mais importante chega primeiro. Às vezes, ele precisa apenas de tempo — e de escuta — para ser compreendido.

Mundo Corporativo: Dimas Covas, da Sinovac, ensina que a ciência é uma grande repetição de erros consertados

Dimas Covas, Sinovac
Dimas Covas em entrevista no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti CBN


“Hoje, a economia mundial é uma economia de disputa tecnológica.”


A pandemia de Covid-19 expôs uma fragilidade do Brasil: a dependência de medicamentos e vacinas produzidos no exterior. Ao mesmo tempo, revelou a capacidade científica do país em participar de pesquisas e testes clínicos em escala internacional. Esse cenário ajuda a explicar o interesse de empresas globais em ampliar suas operações por aqui. O tema foi discutido pelo cientista Dimas Covas, chefe de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Sinovac, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN.


Covas construiu carreira na universidade, na gestão pública e agora atua em uma empresa privada de biotecnologia. Ele conta que decidiu trabalhar na fronteira entre ciência e aplicação prática ainda no início da sua carreira. “Desde muito cedo, eu falei: ‘Olha, a minha área de pesquisa vai ser com desenvolvimento de produtos biotecnológicos’.”


A motivação veio da própria experiência médica. No início da carreira, ele percebeu que muitos pacientes dependiam de tratamentos que ainda não existiam ou não estavam disponíveis. A pesquisa passou a ser o caminho para ampliar essas possibilidades.

A trajetória de Covas inclui a direção de centros públicos de pesquisa e produção, como o Instituto Butantan. Para ele, a gestão pública foi uma escola de administração e de enfrentamento de limites estruturais. “É muito mais difícil você ser gestor público do que você ser um gestor privado”, afirma.

No ambiente empresarial, a lógica muda porque os recursos e as equipes podem ser organizados com mais rapidez. “A iniciativa privada é um paraíso. Para quem trabalhou na iniciativa pública durante tanto tempo, é um paraíso.” Mesmo assim, ele afirma que o objetivo permanece o mesmo: desenvolver soluções de saúde que tenham impacto direto na vida das pessoas.


Por que o Brasil entrou no radar da Sinovac

A relação da Sinovac com o Brasil se fortaleceu durante a pandemia, quando a CoronaVac foi testada e produzida em parceria com o Instituto Butantan. A experiência abriu caminho para projetos mais amplos. Segundo Covas, o país reúne características importantes para a pesquisa biomédica: população numerosa, universidades com tradição científica e capacidade para conduzir estudos clínicos.

A empresa pretende criar uma estrutura permanente de pesquisa, desenvolvimento e produção, inicialmente no interior de São Paulo. O plano inclui novas tecnologias, como vacinas de RNA e terapias celulares. Uma enorme oportunidade para pesquisadores e cientistas brasileiros.

Na avaliação do cientista-chefe da Sinovac no Brasil, o país precisa definir prioridades claras para avançar em inovação. “O Brasil precisa dizer assim: ‘Olha, eu quero ir nesse caminho, nesse caminho e nesse caminho. E vou dar condições para que isso aconteça’.”

Ele lembra que a competição global mudou de natureza. O diferencial agora está na capacidade tecnológica.

“Hoje, a economia mundial é uma economia de disputa tecnológica.”

Para Covas, o Brasil tem universidades capazes de formar bons pesquisadores. O problema aparece depois da formação, quando muitos profissionais não encontram oportunidades para aplicar o conhecimento. Projetos de pesquisa ligados à indústria podem ajudar a reduzir essa distância entre universidade e mercado.

Otimista em relação aos avanços que as pesquisas da Sinovac podem ter no Brasil, Covas ressalta que quem trabalha com ciência precisa aceitar que os resultados surgem após várias tentativas. “O erro é a parte mais importante do aprendizado. Quer dizer, se a gente não erra, a gente não aprende.” Ele descreve a pesquisa científica como um processo contínuo de correção e aprimoramento. “Na realidade, a ciência é uma grande repetição de erros consertados.”

Esse método também pode orientar decisões em empresas privadas de diversos setores da economia. Covas defende que gestores usem dados e evidências para decidir, da mesma forma que pesquisadores fazem em laboratório.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o retrato do brasileiro e os pilares que conectam marcas às pessoas

Cristo Redentor no RJ Foto: Oliver Schmid on Pexels.com

Uma pesquisa nacional com mais de 10 mil entrevistas reforça três forças que organizam a vida do brasileiro: família, fé e música. O tema foi analisado no comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, a partir de um estudo encomendado pela Globo à Quaest.

O levantamento, batizado de Brasil no Espelho, mostra como esses pilares influenciam decisões, expectativas e vínculos. Para 96% dos entrevistados, a família é a coisa mais importante da vida. O dado não apenas confirma uma percepção comum, como dá escala ao sentimento. Cecília Russo observa que “só constrói marca forte quem entende de gente” e lembra que, quando os números aparecem, “fica ainda mais claro” o peso da família nas relações e escolhas do dia a dia.

Esse centro familiar orienta sonhos e comportamentos. O maior desejo declarado é ver a família feliz. No campo das marcas, a consequência é direta: ignorar esse valor custa caro. “Qualquer marca que fira o sentido de família tem altas chances de ser descartada”, afirma Cecília. Não se trata de romantizar, mas de reconhecer um vetor real de decisão.

Ao lado da família, a fé aparece com força semelhante. Também para 96% dos brasileiros, Deus está no comando da vida; mais de 80% dizem ter fé em algo. A religiosidade ajuda a explicar a positividade apontada pela pesquisa e pede cautela na comunicação. Jaime Troiano reforça que “no campo da fé, as marcas precisam de muito respeito”, sem uso oportunista, traduzindo crença em mensagens de confiança e futuro.

O terceiro pilar é a música. Quase a totalidade da população ouve música, com preferência majoritária pela produção nacional. Aqui, identidade fala alto. “No Brasil, música não é fundo, é protagonismo”, diz Jaime. Quando marcas escolhem trilhas, artistas e ritmos com atenção ao território, comunicam pertencimento: “estão dizendo ‘eu entendo quem você é’”.

Da análise emerge um recado simples e exigente. Marcas não podem ser apenas funcionais; precisam ser simbólicas. “Marcas que entendem o brasileiro não vendem apenas produtos, vendem proteção, cuidado, esperança e pertencimento”, resume Jaime. Por isso cenas de mesa cheia, riso solto e pequenas celebrações funcionam: vendem o que está no coração.

A marca do Sua Marca

Entender pessoas vem antes de vender produtos. O comentário mostra que estratégias eficazes partem do reconhecimento de valores centrais — família, fé e música — tratados com respeito e coerência.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Stanford mandou avisar que ainda não sou velho; alguém pode contar para o plano de saúde?

Photo by Hasan Albari on Pexels.com

Acordei nesta manhã um pouco mais jovem. E não foi a sequência de exercícios, com musculação e bicicleta, a que tenho me dedicado nos últimos anos, que me concedeu esse prêmio. Nem a alimentação, que ainda precisa de um controle maior — desde que a Dra. Márcia não se atreva a mexer na minha taça de vinho. A juventude fora de hora me foi oferecida em formato de notícia.

Quando o dia está amanhecendo e estou à mesa de café da manhã, a Letícia Valente, produtora do Jornal da CBN, me envia pelo WhatsApp sugestões de assuntos para o bate-papo que faço na passagem do programa Primeiras Notícias para o Jornal da CBN. Uma das mensagens que chegaram hoje, publicada em O Globo, se destacava pela manchete: “Quando começa a velhice? Estudo indica marco biológico aos 78 anos”.

Sério? Faz uns dois anos que dizem que sou velho porque passei a marca dos 60. Agora vem essa novidade: velho mesmo só aos 78.

A reportagem fala de um estudo da Universidade de Stanford sobre o desenvolvimento biológico do envelhecimento. A conclusão dos pesquisadores veio da observação de mudanças bruscas nas proteínas plasmáticas, moléculas que circulam no sangue e indicam o estado geral de saúde do organismo. Essas proteínas são como ajudantes de bastidor: mantêm o equilíbrio de líquidos, carregam nutrientes, defendem o corpo de infecções. Quando mudam de comportamento — aos 34, 60 e 78 anos — sinalizam que o corpo virou a página e entrou em outra fase.

Se, do ponto de vista biológico, eu ainda não sou velho, do ponto de vista burocrático o sistema já me carimbou faz tempo. Ser 60+ nos oferece algumas vantagens: prioridade no recebimento da restituição do Imposto de Renda, gratuidade no transporte coletivo, meia-entrada em espetáculos, vaga privilegiada no estacionamento e fila preferencial nos serviços de atendimento (e no embarque do avião, também). Quem não gosta? Por outro lado, com o aumento dessa população — já somos milhões de pessoas acima dos 60 — tudo isso gera mais custos para quem concede essas vantagens.

Já assistimos a movimentos para que os direitos concedidos a idosos sejam limitados a pessoas um pouco mais velhas, tipo 65+. O estudo talvez possa ser usado para radicalizar ainda mais e convencer legisladores a adiar os benefícios apenas para aqueles que tiverem atingido os 78 anos.

A depender de mim, sem problema. Posso abrir mão de furar fila no embarque e no caixa — desde que os planos de saúde também abram mão de tratar quem tem 60 como se estivesse à beira do fim. Se biologicamente a velhice começa aos 78, a tabela de preços bem que podia acompanhar.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: Redescobrir o Brasil para entender a força das marcas locais

Imagem reprodução site da marca Piracanjuba

Quase metade da riqueza do país é gerada longe do eixo São Paulo–Rio–Distrito Federal, como mostramos na semana passada, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Esse é um dado que desafia visões concentradas e pede uma revisão de rota. O tema foi retomado na conversa com Jaime Troiano e Cecília Russo para aprofundar o estudo ‘Brasil Plural’ que mapeou a força das marcas locais espalhadas pelo Brasil e entender de onde vem a conexão tão sólida que elas constroem com as populações das regiões onde nasceram.

Jaime explicou que a conexão entre consumidores e marcas locais nasce de fatores simples de reconhecer por quem vive nessas regiões. Um deles é o vínculo afetivo. Ao relatar uma experiência em Jaboatão dos Guararapes, ele contou o depoimento espontâneo de uma moradora que fazia questão de passar em frente à fábrica da Vitarella. “Eu adoro passar aqui na frente. Primeiro, porque sinto o cheiro do biscoito. Segundo, porque tem parentes meus que trabalham aí. Me dá uma sensação de que isso é muito parte da minha vida”, relatou.

Outro elemento é o orgulho. Jaime lembrou o depoimento de uma consumidora de Manaus ao falar de uma empresa local: “É um sonho, uma família manauara ir tão longe”. Para ele, intimidade e orgulho ajudam a explicar por que essas marcas se tornam parte da identidade regional.

Cecília Russo acrescentou novos aspectos a essa relação. Um deles é o impacto direto das marcas na vida das pessoas. “Elas não são só uma transação funcional. É o quanto impactam na minha vida pessoal e da minha família”, afirmou, ao destacar a geração de empregos e a melhora da qualidade de vida nas regiões onde essas empresas atuam.

Há também o peso da memória afetiva. Cecília citou o relato de uma consumidora de Goiânia ao falar de uma marca de leite: “Quando você pensa em leite, em afeto, em mãe, não dá para comprar outro”. Segundo ela, nostalgia, orgulho e proximidade criam vínculos duradouros, difíceis de romper.

Na avaliação final, marcas nacionais têm muito a aprender com essas experiências regionais. O caminho passa por observar, ouvir e circular pelo país, atitude que Jaime costuma chamar de “voyeur social”. Cecília resumiu com uma referência cultural conhecida: redescobrir o Brasil é parte essencial para entender como pessoas e marcas constroem relações que resistem ao tempo.

Leia e ouça a primeira parte do comentário ‘Redescobrindo o Brasil’

A marca do Sua Marca

Mostrar que a força das marcas locais nasce de vínculos humanos: afeto, orgulho, oportunidades reais e memória compartilhada com as comunidades onde elas surgem.

Acesse aqui o estudo Brasil Plural produzido pela Troiano Branding

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.