Coronavac: comunicação equivocada prejudica confiança em vacinas

Hoje cedo recebi alerta no WhatsApp de uma amiga querida. Não eram felicitações de Natal nem um desejo de um 2021 próspero. Era vídeo que roda na internet há uns seis meses com imagem do site do Instituto Butantan no qual aparece a embalagem de vacina produzida pela Sinovac com texto em português e data de fabricação de 9 de abril — o vírus havia chegado há pouco mais de um mês por essas bandas. O autor da gravação, de quem temos apenas a voz, propaga a teoria de que os chineses é que criaram o vírus e por isso já tinham o imunizante pronto para faturar em cima da tragédia e estariam em conluio com o governo paulista, que teria assinado acordo com a Sinovac no ano passado.  Antes de eu enviar o texto que desmontava a teoria de conspiração do autor anônimo, a mensagem no meu WhatsApp foi apagada pela própria emissora — ainda bem. 

Leia aqui a checagem feita sobre o vídeo com informação falsa que circula na internet

Igual a essa existem outras centenas de informações falsas circulando nas redes, reproduzidas indevidamente por gente assustada, desconfiada ou mal-intencionada. Não bastasse isso, ainda temos um presidente negacionista, que levanta a possibilidade de virarmos jacaré e falarmos fino caso sejamos submetidos à “vacina chinesa”. O terreno para esse tipo de asneira é fértil não apenas no Brasil — mas aqui principalmente porque adubado por um discurso genocida.

Desde que o vírus aterrissou no país, uma força-tarefa científica se expressou nos meios de comunicação e nas redes sociais ajudando a esclarecer ponto a ponto, coroa a coroa, tudo que surgia de informação do Sars-Cov-2. Doutores e pesquisadores transformaram-se em porta-vozes do conhecimento alertando para os riscos, identificando as formas de prevenção, analisando estudos publicados e orientando sobre as novidades divulgadas pelos laboratórios. Foram heróicos para tentar nos imunizar do vírus da desinformação. Pena que essa vacina que usaram não foi capaz de tornar imune o rebanho —- o gado é resistente.

No ambiente em que estamos, no qual a mentira contamina tanto quanto o coronavírus, comunicação honesta e transparente é fundamental. Os sucessivos adiamentos dos resultados dos testes finais da Coronavac, pelo Butantan e o Governo de São Paulo —- tivemos mais um nesta quarta-feira —- são munição para essa turba que tenta atacar a confiança da população brasileira no programa de vacinação. 

Sabe-se que o tempo da ciência tem um relógio próprio que não segue necessariamente a cadência da sociedade contemporânea, sempre em busca de soluções para ontem. Não é recomendável que os cientistas acelerem seus estudos além do razoável e deixem de respeitar as etapas e os controles de segurança e eficácia. Assim como é fundamental que suas descobertas estejam sempre disponíveis para o escrutínio da comunidade científica — o ceticismo é um dos pilares do ethos científico ao lado do universalismo, do compartilhamento e do desapego material.

A velocidade com que se conseguiu responder ao avanço deste coronavírus com os processos para se desenvolver tecnologias já usadas anteriormente tanto quanto a criação de novos conhecimentos na fabricação de vacinas é motivo de orgulho para a humanidade. Nunca se realizou testes e se desenvolveu imunizantes com a agilidade vista neste momento. Imagine que ao menos nove países já estão vacinando as populações mais suscetíveis à doença. E esse número vai crescer de forma contundente antes do fim do ano com o início da vacinação na comunidade europeia. 

Por um alinhamento de fatores que passam pela irresponsabilidade do Governo Federal, disputas políticas, falta de planejamento e decisões equivocadas quanto ao investimento para a compra de vacinas, o início da imunização no Brasil será apenas no ano que vem. Na melhor das hipóteses em janeiro. Uma frustração que aumenta a cada novo prazo não cumprido. Semana passada, o Instituto Butantan já havia prometido os resultados finais dos testes da Coronavac e a entrada do pedido de autorização na Anvisa. Alegou-se a necessidade de as informações serem divulgadas simultaneamente na China e no Brasil. Marcou-se nova data — este 23 de dezembro. O máximo que se conseguiu dizer agora é que a vacina é eficaz —- o que não seria pouca coisa, não houvesse a promessa dos políticos a nos iludir.

A justificativa desta vez é que a Sinovac quer antes olhar os dados do Butantan e apenas depois fazer o anúncio oficial; e o contrato entre a instituição paulistana e a fábrica chinesa prevê que a divulgação deve ser simultânea. O que, convenhamos, já era sabido por todas as partes. Ou só hoje o Butantan soube disso? Deixa-se a impressão de que a pressão política leva o instituto a fazer anúncios que não é capaz de cumprir e, assim, ludibria a opinião pública.

A comunicação ineficiente de uma vacina eficaz e segura — e há todos os motivos para crer que será eficaz e segura — somente beneficia aqueles que querem destruir a credibilidade da ciência, os negacionistas e genocidas. 

Consumidores odeiam o atendimento por robôs, mostra pesquisa que indica caminhos para melhor servir

Por Carlos Magno Gibrail

Image by Gerd Altmann from Pixabay

 

Nos primórdios dos estudos organizacionais já se dizia que um cliente bem atendido difundia preciosamente aos amigos a satisfação com a marca ao relatar a ocorrência. O cliente mal atendido propagava a experiência ruim 10 vezes mais. Hoje, pela capacidade da mídia social essa propagação é potencializada. Com os avanços da era digital, os produtos e serviços se sofisticaram e se multiplicaram gerando expectativas aos consumidores maiores que as do mundo analógico.

A importância de possuir um Atendimento ao Cliente eficiente e pertinente ao conceito da marca é essencial.  Por isso é louvável que o Grupo Sercom fornecedor de serviços e plataformas tecnológicas de atendimento ao cliente, tenha encomendado ao Instituto de Pesquisa Qualibest um trabalho sobre a avaliação dos atendimentos nos vários sistemas existentes.

A pesquisa foi realizada entre 10 e 16 de março, nas vésperas da pandemia se alastrar entre nós. Participaram 1.081 pessoas, 58% mulheres, e a faixa etária correspondeu a 57% de pessoas entre 25 a 34 anos. Por região, Sudeste com 52%, Nordeste 31%, Centro-oeste 32%, Norte 4%.  

A segunda parte da pesquisa com a intenção de identificar mudanças que a pandemia poderia ter influenciado foi realizada no mês de setembro quando observou-se que a diferença não foi significativa. Apenas no item sobre a evolução da automatização aqueles que acreditam que falarão exclusivamente com robôs em cinco anos passaram de 57% para 66% —- acréscimo de 9 pontos percentuais. O estudo concluiu que os consumidores preferem interagir com pessoas do que com robôs —- a despeito de acreditarem que esses vão predominar gradativamente.

Aí está um quadro contraditório que caberá às empresas, cada vez mais empenhadas em conquistar e fidelizar consumidores, resolver. Com certeza um desafio extremamente compensador.

A pesquisa é um dos recursos ao sinalizar preferências e resistências geradas pelas mudanças da nova era. Nesse caso, de início indicou que o atendimento por robô com telefone é “odiado” por 41% das pessoas enquanto 39% “não gostam”. Ao mesmo tempo, o Atendimento Humano por telefone é preferido por 43% das pessoas, as demais por Chat, por WhatsApp ou por Telegram. 

No caso do uso do SAC, independentemente do motivo, a preferência é 51% pelo Chat, 49% pelo WhatsApp, 47% pelo e-mail e 43% pelo telefone.

Para resolver um problema, o telefone é preferido por 40% dos entrevistados, para cancelamento por 39%, e para reclamação por 36%.

Para comprar um produto, a melhor opção é o site da empresa, assim como para rastrear um pedido, e para fazer um elogio. 

Os setores mais demandados de SAC foram a telefonia 72%, os Bancos 57%, a TV a cabo 43%   e o e-commerce 36%.

Na busca do SAC o intolerável é a espera, e a satisfação é a rapidez.

As recomendações dos pesquisados: 94%, sugerem mais agilidade, atendimento humanizado, funcionários mais bem preparados e aprimoramento de robôs.

Eis aí um punhado de itens que, atendidos, poderão revolucionar e diferenciar qualquer negócio da nossa era digital.  

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.   

Caia nos braços de Morpheu: seu cérebro agradece!

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Imagem: Pixabay

 

O sono e os sonhos despertam fascínio na arte, literatura e filosofia, adquirindo conotações inclusive místicas para algumas pessoas ou culturas, como entre os gregos antigos, para quem os sonhos eram considerados como mensagens divinas. Embora ainda não haja consenso entre os pesquisadores sobre a função exata do sono, os estudos apontam que a privação de sono tem efeitos imediatos na cognição, como prejuízos na tomada de decisão, planejamento, atenção, memória, criatividade e alterações de humor.

Em 1963, Randy Gardner, um estudante com 17 anos de idade, ficou 11 dias sem dormir para concluir um projeto para a Feira de Ciências de San Diego, sob os olhares de pesquisadores do sono, sem fazer uso de drogas ou cafeína. Após 2 dias sem dormir, apresentou irritação, náuseas e problemas de memória. No quarto dia, teve delírios e fadiga intensa. No sétimo dia teve tremores e dificuldades na articulação da fala, com episódios de paranoia e alucinações. Quando finalmente dormiu, o seu sono durou quase 15 horas e ao acordar, quase todos os sintomas já haviam desaparecido, com remissão completa após uma semana.

Randy não teve efeitos prejudiciais duradouros, mas o mesmo não ocorre com alguns animais que são privados do sono. Pesquisas feitas com ratos que são mantidos acordados por longos períodos mostram que eles perdem peso apesar de comer mais, tornam-se fracos, apresentam úlceras e hemorragias internas, chegando à morte. 

O sono reduzido em qualidade e quantidade também pode produzir alterações metabólicas, como aumento do nível de cortisol – hormônio do estresse – elevar a pressão arterial e os níveis de glicose, favorecendo algumas doenças, como diabetes e obesidade.

Em setembro deste ano, um estudo publicado por pesquisadores chineses mostrou a associação entre a duração do sono e a função cognitiva. O estudo envolveu mais de 20 mil participantes e os resultados mostraram que a duração do sono insuficiente (até 4 horas por noite) ou excessiva (acima de 10 horas por noite) está associada a um declínio cognitivo, sendo a memória o principal domínio cognitivo alterado.

O declínio cognitivo é detectado objetivamente através de testes neuropsicológicos que avaliam as diversas esferas cognitivas, como atenção, memória e funções executivas, com resultados abaixo do esperado para idade e/ou escolaridade, porém, sem comprometimento na realização das atividades de vida diária, como cozinhar, trabalhar ou cuidar das finanças. No declínio cognitivo, quando há prejuízo da memória, este pode ser considerado o fator de risco para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer.

Esses dados indicam a importância de se monitorar a função cognitiva em idosos que apresentam duração de sono insuficiente ou excessiva, bem como promover hábitos de higiene do sono, como medida de prevenção ou adiamento dos impactos cognitivos, especialmente tendo em vista o aumento da proporção de idosos nas últimas décadas e as projeções de aumento futuro.

Por outro lado, os cuidados com o sono não devem ser limitados aos adultos de meia-idade ou idosos. Numa sociedade caracterizada pela competitividade, somos estimulados a produzir cada vez mais, seja no trabalho, nos estudos, nos cursos extras, nas longas jornadas que privam o descanso até mesmo nos finais de semana, dormindo-se cada vez menos. Além disso, o uso excessivo de eletrônicos e o tempo gasto em redes sociais também prejudicam o sono.

Como medidas que podem contribuir para o sono adequado, os especialistas sugerem que se deve reduzir as atividades, diminuir a iluminação (incluindo as telas) e o barulho, e evitar o consumo de bebidas à base de cafeína e do álcool, próximo ao horário de dormir. A respiração mais profunda e a criação de imagens mentais agradáveis também promovem um relaxamento mais efetivo e, portanto, maior facilidade para adormecer.

A importância de uma boa noite de sono é reconhecida desde tempos remotos. Para os gregos, uma boa noite de sono era resultado da ação de Morpheu, deus do sonho e Hypnos, deus do sono. Hoje, sabemos que a melhor estratégia para uma boa noite de sono são ajustes no nosso estilo de vida e uma boa higiene do sono. Esses hábitos saudáveis, muito mais do que remédios, ainda são o melhor caminho para os “braços de Morpheu”. 

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Sua Marca: pesquisa mostra o desejo dos brasileiros na Black Friday

“Na Black Friday, quando a gente fala em gestão de marcas não pode ter fraudes. Transparência e verdade são mais importantes do que nunca”— Cecília Russo

A Black Friday —- data importada dos Estados Unidos — será na próxima sexta-feira, dia 27 de novembro, e será muito influenciada pelo período de pandemia que o consumidor está enfrentando, desde março. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo apostaram na ideia de que este será o ano do comércio eletrônico, a medida que muitos já iniciaram essa migração digital desde o inicio da pandemia, em março.

“Não só pelo isolamento, mas o crescimento do comércio eletrônico também vai ocorrer porque estamos mais confortáveis no uso e os mecanismos de segurança estão mais confiáveis”

De acordo com estudo do Google, 70% dos consumidores já têm em seus celulares os aplicativos de suas marcas de varejo preferidas e 59% das pessoas disseram que pretendem usá-los para as compras.  Jaime também destaca o fato de que há um desejo represado de consumo, que ficou mais contido ao longo da pandemia:

“A gente adia, mas não mata o desejo. E tudo indica que a soma desses desejos que foram guardados deve voltar com muita velocidade”

Um outro estudo, realizado pela Provokers, empresa de consultoria e marketing, mostra que os celulares estão no topo da lista dos consumidores com 38% das pessoas ouvidas demonstrando intenção de compra. Em seguida, aparecem eletrodomésticos, com 30%, ítens de informática e notebook, com 28%, empatado com roupas. Com tanto desejo e tentação, é preciso cuidado:

“O maior cuidado é aquilo que a gente chama de bom senso, calma. Veja se o que você vai fazer ou comprar está alinhado com o seu posicionamento e a sua forma de ser. Não faça na Black Friday aquilo que você nunca fez na vida apenas porque tem uma promoção sendo oferecida”, alerta Jaime

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN

Marcas que respeitam à pandemia conquistam a confiança do consumidor, mostra pesquisa global

Por Carlos Magno Gibrail

Ilustração: Pixabay

 

Desde que a pandemia teve início, surgiram lideranças negando os riscos sanitários, sociais e econômicos evidentes, principalmente no poder público, embora algumas empresas privadas, representadas por proprietários e executivos receosos de possíveis paralizações comerciais, também menosprezassem os riscos.  

Felizmente, a maioria das autoridades mundiais e dos líderes empresariais incorporaram a necessidade dos cuidados com a Covid-19, identificados pelas medidas preventivas tomadas.  Restava saber o que os consumidores pensavam e agiam em relação aos políticos e às marcas.

O voto responderia aos agentes públicos, e as pesquisas informariam às marcas.

O Grupo Edelman, agência global de comunicação, alinhada aos ODS-Objetivos de Sustentabilidade da ONU e interessada nas mudanças de comportamento do consumidor durante a pandemia produziu o Edelman Trust Barometer 2020 – Marcas em meio à Crise.

A pesquisa alcançou 8 mil pessoas na última semana de outubro na Alemanha, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia, e Reino Unido.

De forma geral o estudo mostra que há um medo dos consumidores em relação ao vírus e reforça as necessidades dos cuidados em relação ao   comportamento social relacionado ao distanciamento e ao uso de máscara. Informa também a valorização da segurança e o propósito das marcas.

Especificamente, os brasileiros estão preocupados com a pobreza, o trabalho, as mudanças climáticas, o racismo cultural, e desejam que as marcas atuem neste sentido — inclusive na comunicação, em tom mais otimista, e ao mesmo tempo protecionista para os que sofrem com a crise. 

Pedimos para a porta voz da Pesquisa, Ana Julião, Gerente Geral da Edelman do Brasil, uma  conclusão sobre o trabalho realizado:

“O medo alterou as prioridades das pessoas e isso se reflete tanto no momento da compra quanto no que elas consideram responsabilidade das marcas e esperam das empresas. No lugar de imagem e status, os consumidores estão valorizando mais a segurança, além dos valores e propósitos das marcas, desejando que elas atuem para minimizar problemas sociais e pessoais. Nesse novo cenário, as marcas precisam saber como agir e como se comunicar. Nossas recomendações são reconhecer que os valores se voltaram para segurança pessoal, segurança econômica e qualidade de vida; redefinir abordagens de marketing, centrando-as na ação; mudar tom e mensagem para refletir o momento e atenuar medos por meio da voz de especialistas, de pessoas comuns e de canais que tenham credibilidade”, diz Ana Julião.

Ao que tudo indica, sob o aspecto político, valem as confirmações da corrente científica se sobrepondo ao negacionismo, vide resultado na eleição americana e também na brasileira.

 Quanto às marcas, deverão atender a seus consumidores com foco social e ambiental.  A pesquisa da Edelman é um indicador específico, e os ODS um guia geral.

Ilustração: Edelman

 

Para quem se interessar por uma relação dos tópicos para aplicação, veja os 11 itens apresentados pela divulgação da pesquisa: 


TOP 11 Da Pesquisa   

O MEDO AUMENTOU – Os brasileiros estão mais preocupados com o futuro de suas famílias, educação dos filhos e saúde física da família.  

OS VALORES SÃO OUTROS – O que mais importa agora para o brasileiro é se proteger e proteger sua família, e tomar decisões de compra inteligentes. O que menos importa é aproveitar o luxo e as chamadas “melhores coisas da vida”


MARCAS VISTAS COMO SALVADORAS — No Brasil, espera-se que as marcas resolvam tanto problemas sociais quanto pessoais. Isso se relaciona à pobreza, questões trabalhistas, mudança climática, racismo estrutural, além de bem-estar/otimismo e segurança. 

MARCAS MAIS CRIATIVAS E EFICAZES DO QUE O GOVERNO – Globalmente, 55% dos entrevistados acreditam que as marcas podem fazer mais para resolver problemas sociais do que o governo. A mesma porcentagem de entrevistados afirma que as empresas são mais responsáveis ​​e mais rápidas na hora de agir para mudar as coisas para melhor. 

CONFIANÇA É CRITÉRIO DE COMPRA – Os cinco P’s do Marketing ganham um T, de “TRUST” (confiança). Apenas preço e qualidade estão à frente da confiança na lista de critérios de compra. No Brasil, confiar na marca é importante ou essencial para 90% dos entrevistados.   

CONFIANÇA GERA FIDELIDADE – Globalmente, os consumidores com alta confiança na marca são mais engajados (60%), o que inclui o compartilhamento de dados pessoais; mais fiéis (75%) e dispostos a defender a marca (78%). No entanto, entre os brasileiros, apenas 37% afirmam que as marcas que usam estão fazendo um excelente trabalho em ajudar o país e o povo a enfrentarem os desafios de hoje — gerando grande oportunidade para as empresas em atuar para promover mudanças positivas.  

O PODER DAS AÇÕES – A confiança no negócio aumenta quando suas ações vão além do discurso. No Brasil, para 72% das pessoas é mais efetivo para uma marca gerar confiança quando ela toma medidas para ajudar trabalhadores e comunidades locais em tempos de crise, contra 28% que acreditam que é mais efetivo quando ela assume o compromisso publicamente. 


NÃO É O MOMENTO PARA AGRESSIVIDADE NAS VENDAS – 64% dos entrevistados no Brasil dizem que as marcas devem pensar primeiro na segurança do público, tendo cuidado ao encorajar pessoas a voltarem a lojas, restaurantes e outros locais públicos; enquanto 36% dizem que as marcas devem ajudar a estimular a recuperação econômica, encorajando as pessoas a voltar a lojas, restaurantes e outros locais públicos. ​

MENOS É MAIS’ NAS CAMPANHAS DE FIM DE ANO – Para a maioria das pessoas, não é o momento certo para grandes celebrações. No Brasil, 68% das pessoas dizem que querem que as marcas reduzam as festas de fim de ano, adotando um tom mais contido e moderado devido às dificuldades pelas quais muitos estão passando


MÍDIA CONQUISTADA E EXPERIÊNCIA PESSOAL SÃO CAMPOS DE BATALHA – Mídia paga aparece em último lugar entre os canais (23%), enquanto a experiência pessoal (de alguém sobre um produto) é a mais importante (59%), seguida pela mídia conquistada (44%) e conversa entre pares (39%). 


PARES E ESPECIALISTAS COMO FONTES MAIS CONFIÁVEIS – Usuários regulares (58%) e especialistas técnicos (50%) estão muito à frente das celebridades nacionais (35%) ou influenciadores (35%) como fontes confiáveis ​​de informação sobre o que uma marca está fazendo para dissipar as preocupações. (dados globais).

Aqui você acessa a pesquisa Edelman Trust Barometer 2020 – Marcas em meio à Crise.

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.     

O destino das lojas de shopping no pós-pandemia

Por Carlos Magno Gibrail

Comércio fechado durante pandemia (Foto: Pixabay)

A busca pela resposta certa à pergunta abaixo tem aparecido em palestras, artigos, seminários e em toda sorte de mídia social — até em improvisadas pesquisas. Então, antes de seguir em frente, vote na nossa enquete:

O que nós pensamos?

Nessa equação, deve-se levar em consideração o preço da locação das lojas e a possibilidade de termos um novo perfil de clientes. Acreditamos que realmente os shoppings têm custos elevados e o consumidor poderá apresentar um novo comportamento. Isso não significa que, com certeza, as lojas migrarão para as ruas.

Primeiro, porque os altos custos dos shoppings são condizentes com os perfis da demanda. E, segundo, porque o novo comportamento do consumidor provavelmente não abrirá mão do conforto e da segurança que as ruas não fornecem. Se o consumidor não aderir, nada mudará nesse sentido.

Stern, sócio da consultoria McMillanDoolittle (foto: divulgação)

Vai mudar possivelmente de acordo com o que se ouviu no Global Retail Show 2020, quando Neil Stern, sócio sênior na consultoria do varejo McMillanDoolittle, dos Estados Unidos, afirmou que o e-commerce será o responsável pela mudança do varejo, na medida em que a loja física necessitará de um produto de “valor extremo”, de “conveniência extrema” e de “experiência extrema” para atrair o consumidor.

Você pode assistir às palestras gratuitas no Global Retail Show 2020 que se iniciou dia 15 de setembro, terça-feira, e vai até o dia 19, sábado.

Entretanto, é importante observar que não é possível no cenário de hoje, onde vemos a pandemia afetando todos e tudo, desenvolver um método de projeção consistente para o futuro, pois não há histórico. De outro lado, não é possível projetar como os shoppings reagirão a eventual situação de êxodo dos consumidores quer para as ruas quer para a internet. Pelo que sabemos, ainda não foi realizada pesquisa ou trabalho científico sobre essa importante matéria.

Uma época que vale lembrar em termos de projeção do futuro é a década de 1960, pródiga em previsões. Especificamente o ano de 1967, quando foram produzidos três trabalhos significativos e com grande repercussão: 

“O Novo Estado Industrial” de John Kennet Galbraith, que previu a tecnoburocracia, que alavancaria a corrupção quando o público e o privado passassem a negociar.

“O Desafio Americano” de Jean-jacques Servan-schreiber, que previu o domínio americano diante da incapacidade europeia de se unir, e a indecisão sobre o papel da Ásia.

“O Ano 2000” de Herman Kahn e Anthony J. Wiener, do Hudson Institute, que, baseado em projeções econômicas e sociais, apresenta as configurações prováveis que o mundo poderia ter, possibilitando um possível controle da história. No prefácio, Roberto Campos chama a atenção pela futura e preocupante taxa de empregabilidade do Brasil.

Convém lembrar, que dois anos depois o astronauta americano Neil Armstrong pisou na lua, e em Bethel, cidade do estado de Nova York, realizou-se o Festival de Woodstock, revolucionando a música, os costumes, e descortinando a segmentação de mercado. 

Aqui entre nós ainda não apareceu nenhum estudo que tivesse as condições de credibilidade necessárias. Enquanto isso, as lojas poderiam escolher as áreas em evidência, para se completar ou atualizar, sabendo que a velocidade das mudanças será sempre aumentada: digitalização, inteligência artificial, qualificação extrema, e a maior omnicanalidade possível.

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.  

Sua Marca: como escolher o atributo que fará diferença para o seu cliente

“As marcas mais poderosas, aquelas de que mais gostamos, deixam sempre um registro central, nuclear, na nossa mente. Um acúmulo de ideias atrapalha e confunde” —- Jaime Troiano

Os consumidores estão expostos a uma quantidade enorme de informações e as marcas têm obrigação de tornar mais fácil a tarefa deles identificarem quais as qualidades mais perceptíveis do produto ou do serviço oferecidos. Caso contrário, é possível que ele vá buscar no concorrente atributos que não encontrou na marca, apesar deles existirem e apenas não estarem visíveis. 

Como escolher o que é mais importante para qualificar a percepção de uma marca foi o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN. Um dos exemplos usados no programa é o de uma rede de lavanderias que pode falar da localização, da rapidez no atendimento, do preço ou do serviço de eliminação de manchas, mas, talvez, o cliente se impressione muito mais por uma mensagem pontual: “a roupa volta para sua casa como se tivesse saído da loja”. 

“É muito difícil escolher qual o atributo mais significativo, mas é muito importante. A cabeça do consumidor não consegue absorver tudo o que o dono da marca quer falar” —- Cecília Russo

Um dos métodos científicos usados para se chegar a resposta mais precisa é a análise de regressão estatísticas, na qual são identificados diversos atributos ou características de um produto ou serviço  e com a aplicação de pesquisa se consegue chegar aquele que realmente vai ser absorvido pelo cliente. No entanto, existem algumas atitudes que podem ser adotadas pelo gestor que ajudam nessa decisão:

“Embora não seja tão preciso, em primeiro lugar, é preciso deixar a vaidade de lado, de querer falar de tudo, usar o bom senso, conversar com os clientes e entender o que fazer as marcas mais bem-sucedidas daquele setor de negócios. Não é para copiar, mas para fugir das principais armadilhas” —- Jaime Troiano

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN e está disponível em podcast.

Sua Marca: comunicação consistente gera envolvimento do cliente

 

“Marcas que se destacam são aquelas com um trabalho consistente de comunicação” —- Cecília Russo

 

O estudo Marcas Mais, divulgado semana passada, identificou o nível de envolvimento dos consumidores com as empresas. Em sua sexta edição, a pesquisa reforçou o posicionamento de algumas marcas que têm se destacado ano após ano e, em função da pandemia, pela primeira vez usou a mesma metodologia para revelar as melhores ações de responsabilidade social, que contribuíram para tornar a vida das pessoas mais fácil.

 

Elaborado por Jaime Troiano e Cecília Russo, comentaristas da CBN, e encomendado pelo jornal O Estado de São Paulo, foram ouvidas 11 mil pessoas sobre 31 categorias de produtos, alguns incluídos pela primeira vez: segurança patrimonial, pneus e postos de combustível.

 

“As marcas ganham por terem consistência, por uma pressão de comunicação muito bem organizada e ganham por posicionamento muito claro no mercado com os quais consumidores e clientes se identificam”— Jaime Troiano

 

Dois aspectos que foram relevantes para  colocar as empresas no topo do Marcas Mais, na categoria responsabilidade social, foi o fato de já estarem, há mais tempos, através de seus produtos e serviços, realizando trabalhos que os aproximam dos clientes e de terem desenvolvido novas iniciativas com a pandemia, influenciando o bem estar dos consumidores.

 

As cinco marcas que se destacaram nessa categoria foram:

 

  • Nestlé
  • Natura
  • Lojas Americanas
  • Magazine Luiza
  • O Boticário

 

Aos gestores que buscam entender o que leva as marcas a se destacarem, além de analisarem o resultado completo do Marcas Mais, que você encontra no site do jornal O Estado de São Paulo, devem levar em consideração o recado de Cecília Russo, no programa Sua Marca Vai Ser Um Sucess:

 

“Ninguém ganha ranking por sorte: marcas precisam ser cultivadas, bem tratadas e comunicadas”

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. O quadro também está disponível em podcast.

Promessas de vacina contra Covid-19 ainda este ano alimentam falsas expectativas, dizem especialistas

 

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Foto Pixabay

 

Dia desses publiquei aqui no blog um texto  em que “acusava” cientistas e jornalistas de formarem o exército do estraga-prazer. Bastava surgir uma novidade no tratamento da Covid-19 para os pesquisadores virem a público e colocarem dúvidas sobre os resultados alcançados. Os jornalistas, como em uma estratégia combinada, apareciam na sequência para dar espaço a essas opiniões desestimulantes, em um momento que tudo que as pessoas buscam é uma salvação.

 

Há um outro lado desta moeda — sempre há.

 

Nas mesmas comunidades existem aqueles que estão prontos para vender ilusão — seja entre os pesquisadores seja entre os jornalistas, deixando as pessoas mais felizes (apesar de iludidas) e outras mais ricas.  Desde o início desta pandemia, temos assistido à publicação de uma série de informações, geralmente controladas por agências de comunicação, contratadas por laboratórios de pesquisa, que correm em busca de uma solução para conter o avanço do Sars-Cov-2. Toda vez que essas notícias são publicadas — além de alavancarem o preço das ações das empresas envolvidas — geram uma enxurrada de mensagens, enviadas às redações, questionando porque não anunciamos estas descobertas ou não damos o devido destaque, em lugar de ficar noticiando o número de pessoas mortas e infectadas. “Precisamos de boas notícias”, reclamam.

 

Adoraria ser o porta-voz da boa nova. E espero conseguir fazer isso o mais breve possível. Lamento, porém, informar que aos jornalistas sérios, assim como aos cientistas, cabe a busca da verdade — independentemente de ser boa ou de ser ruim, a verdade é o objetivo.

 

Registre-se que a corrida pela vacina salvadora é bem-vinda, pois tende a acelerar uma resposta para um vírus que tem tirado o sono de boa parte do Planeta e, pior, a vida de 268.999 pessoas (número oficial registrado pela Universidade de John Hopkins até às 21h30 desta quinta-feira). O problema está em oferecer à opinião pública a informação de que a solução está logo ali.

 

Para colocar as coisas nos devidos lugares, o ideal é  recorrer a quem realmente entende do assunto. O Dr Luis Fernando Correia, comentarista de saúde da CBN, me apresentou, hoje, artigo publicado no STAT, site especializado em notícias sobre saúde, no qual são ouvidos especialistas por todo o mundo —- uma gente série, preocupada com a busca de um remédio ou vacina que nos protege tanto quanto em evitar que sejamos enganados por vendedores de óleo de cobra.

 

O título é claro na mensagem que o artigo pretende transmitir: “Promessas crescentes das vacinas Covid-19 estão alimentando falsas expectativas, dizem especialistas”.

 

Para o Dr. Luis Fernando, o texto traz uma visão coerente e lógica para as vacinas que somente devem surgir no horizonte para o público em geral, em 2021. As primeira levas serão para os profissionais de saúde e depois para os grupos de risco. “Mais coerência e menos marketing” foi o que meu colega de rádio sempre pediu na abordagem de temas relacionados a vacinas contra a Covid-19 e foi o que encontrou no artigo que reproduzo em partes aqui no blog.

 

No pé deste post você tem  o link para a publicação em inglês que vale ser lida ao menos para que você se convença de que não somos estraga-prazeres, apenas queremos que você esteja consciente da realidade:

As vacinas para prevenir a infecção pelo Covid-19 estão avançando em um desenvolvimento e velocidade nunca antes vistos. Mas as promessas crescentes de que algumas vacinas possam estar disponíveis para o uso emergencial já no outono (no hemisfério norte) estão alimentando expectativas simplesmente irrealistas, alertam os especialistas.

 

Mesmo que os estágios de desenvolvimento da vacina pudessem ser compactados e os suprimentos pudessem ser rapidamente fabricados e implantados, levariam muitos meses ou mais para que a maioria dos americanos pudesse arregaçar as mangas. E em muitos países do mundo, a espera pode ser muito mais longa — perpetuando o risco mundial que o novo coronavírus representa nos próximos anos.

 

Essa realidade está sendo obscurecida por relatos de que alguns dos primeiros candidatos a vacinas — incluindo um da empresa de biotecnologia Moderna e outro da Universidade de Oxford — podem, em meses, ter evidências suficientes para serem administrados em casos de emergência.

 

Michael Osterholm, diretor do Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota, está preocupado que as pessoas não estejam adotando as medidas para reduzir a onda de infecções — que alguns especialistas temem que seja maior do que vimos até agora — porque eles esperam que uma vacina esteja à mão.

 

“Na verdade, ouvi especialistas em ensino superior dizerem: ‘Bem, você sabe, estamos contando com a vacina talvez até setembro porque continuamos ouvindo sobre isso.’ … na mente deles, eles estão acreditando que as faculdades e universidades terão a vacina ”, afirmou ao STAT.

 

Osterholm e outros especialistas deixam claro que não haverá vacina suficiente para estudantes em idade universitária nesse período, mesmo no melhor cenário. É provável que todos os suprimentos que estarão disponíveis — se alguma das vacinas provar ser protetora, no outono — serão designados para os profissionais de saúde e outros na linha de frente do esforço de resposta.

 

“Eu não acho que estamos nos comunicando muito bem com o público, porque eu tenho que dizer a essas pessoas, mesmo se tivéssemos uma vacina que mostrasse alguma evidência de proteção até setembro, estamos muito  longe de ter uma vacina no braço das pessoas ”, disse Osterholm.

 

Supondo que uma vacina possa ser desenvolvida rapidamente, a questão da fabricação não é irrelevante. A produção de algumas  vacinas candidatas  poderia ser mais facilmente aumentada do que outras, observou Emilio Emini, que lidera o trabalho da Fundação Bill e Melinda Gates sobre o assunto.

 

Caso algumas das vacinas mais “escalonáveis” se mostrem protetoras, é possível que elas possam ser feitas nas fábricas existentes, em vez de exigir a construção de novas instalações. A produção desse tipo de vacina pode atingir centenas de milhões de doses em cerca de um ano, disse Emini. Mas qualquer vacina que exija construção de tijolo e argamassa obviamente levará mais tempo para atingir esses níveis de produção.

 

A Organização Mundial da Saúde, que está monitorando de perto o campo das vacinas candidatas ao Covid-19, lista mais de 100 projetos, embora muitos estejam sendo desenvolvidos em laboratórios acadêmicos sem capacidade comercial de produção. Do total, oito já estão sendo testados em pessoas, quatro delas na China.

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A OMS pediu um compartilhamento equitativo das vacinas Covid-19, insistindo que elas devem ser vistas como um recurso global. Mas, desde os primeiros dias dessa pandemia, houve preocupações de que os países que abrigam instalações de produção de vacinas nacionalizem qualquer produção para garantir que as necessidades domésticas sejam atendidas antes que a vacina possa ser exportada para uso em outro lugar.

 

Robin Robinson, que liderou a Autoridade Biomédica de Pesquisa e Desenvolvimento Avançado de 2008 a 2016, disse que a agência gastou bilhões de dólares desenvolvendo a capacidade de produção de vacinas nos Estados Unidos com base nessa suposição. 

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“Eu não acho que a população em geral tenha vacina provavelmente até a segunda metade de 2021. E isso se tudo der certo”, disse ele.

O texto completo, “Promessas crescentes das vacinas Covid-19 estão alimentando falsas expectativas, dizem especialistas”, da STAT, você encontra aqui.

Expressividade: transforme o ouvinte em “escutador”

 

 

Você acompanha a segunda parte do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, publicado no livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. Trago esse texto para o Blog em homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz (16/04):

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foto: Pixabay

 

 

SEGURANDO NO GOGÓ

 

 

Maria Adelaide Amaral escreve livro, peça e minissérie. Consegue fazer tudo isso com sucesso e paixão. Durante entrevista em que contava suas façanhas na televisão, passamos a conversar sobre “A Casa das Sete Mulheres”, trabalho que arrebatou público e crítica na TV Globo. Logo que ela se deu conta que conversava com alguém natural da terra que serviu de cenário para história, não se conteve e perguntou: “Você sabe cantar o Hino do Rio Grande do Sul?”. Saber o hino, eu sabia, mas cantar, nem pensar. Apesar de ser um profissional da voz, nunca tive afinação suficiente —- ou seria consciente? — para a música ou para o grito de gol. No futebol até arrisquei, mas fujo do karaokê como o diabo da cruz. Para não correr o risco de Maria Adelaide Amaral insistir no convite para que eu desse uma “palhinha” em público, expliquei, constrangido, que música não cantava nem se fosse o hino do meu time do coração.

 

 

Minha carência vocal para algumas atividades me leva a admirar gente que é capaz de segurar a audiência apenas no gogó. Músicos, professores, padres e pastores que transformam a palavra em um poderoso elemento de sedução. Radialistas também fazem parte deste grupo já que têm na voz seu principal recurso para exercer esta arte que exige apuro técnico, esmero profissional e muito jogo de cintura.

 

 

Se nada disso lhe causa admiração, acompanhe esses números e você verá o quanto é desafiante a tarefa da turma aí de cima.

De toda a informação transmitida de uma fonte vocal, portanto que chega até você apenas pelos ouvidos, 60% são retidos nas primeiras três horas. Três dias depois sobram apenas 10%. Talvez isso explique porque os telefones das redações de rádio toquem frequentemente. São ouvintes querendo detalhes de uma notícia que eles não sabem bem a que horas foi divulgada nem, exatamente, sobre o que se tratava, mas lembram, com certeza, que era algo importante para eles. Se comparar os números acima com o poder de retenção da mensagem quando a fonte é apenas visual, você já terá percentuais bem mais generosos. Após três horas do momento em que a imagem foi divulgada, o receptor terá retido 72% da mensagem, enquanto que três dias depois, o índice ficará em 20% —- o dobro do volume de informação retido se a fonte for verbal.

O estudo divulgado pela pesquisadora mexicana Maria Cristina Romo Gil, que integra o Conselho Nacional Para o Ensinamento e a Investigação das Ciências da Comunicação, no livro “Introducción al conocimiento y prática de la radio”, que apresenta as estatísticas sobre a retenção da mensagem pelos sentidos, traz uma informação que não deve desanimar, mas, sim, servir de desafio para quem tem de garantir a audiência apenas no “gogó”. Quando a fonte da mensagem é audiovisual, portanto recebida pelos olhos e ouvidos, 85% da informação são mantidos pelo receptor ao fim de três horas e 65% ficam na memória após três dias. Se servir de consolo: apesar dos números, os telefones nas redações das emissoras de televisão tocam com a mesma frequência, senão maior, que nas redações de rádio.

 

 

As estatísticas parecem não querer ajudar este pessoal que não pode contar com a imagem ou com a própria expressão do corpo para ilustrar o que falam. Por mais que se pesquise, os dados mostram que o componente não-verbal é responsável por cerca de 80% da comunicação. Cabe a esses profissionais enfrentar os moinhos de Quixote com as armas que estão à sua disposição. Transformar o ouvinte em uma espécie de “escutador”. Tirá-lo desta posição confortável, passiva, em que a intenção ao ligar o rádio é apenas a de perceber o som e criar no ambiente uma espécie de fundo musical com a voz do locutor. Incentivá-lo para um novo comportamentos ativo, em que a atenção está voltada para aquilo que é comunicado. Ao provocar esta mudança, o comunicador está próximo de levar a audiência a atingir o estágio ideal que resulta da combinação de escutar e prestar atenção. É o momento da concentração na mensagem, quando o ouvinte não é mais sequer “escutador”e, sim, um “assimilador”.

 

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora você tem acesso clicando aqui