O cuidado com a audiodescrição e a autodescrição em eventos públicos

Por Christian Müller Jung

Foto: Arquivo Pessoal

Quando comecei a atuar como mestre de cerimônias, as questões ligadas à acessibilidade nos eventos não faziam parte do repertório das solenidades — ao menos, não da forma como o tema evoluiu ao longo dos anos. Pensar no outro tornou-se algo fundamental em uma sociedade que busca a integração. Essa transformação ocorreu muito mais pela resistência e pela força da parcela da sociedade que luta para ser incluída, vivendo a deficiência no dia a dia, do que por iniciativa da maioria dos cidadãos.

Dentro desse contexto inclusivo, além do acesso físico e da presença do intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais), surgiram ferramentas fundamentais: a audiodescrição e a autodescrição. No meu campo de trabalho, aplico ambas nas solenidades.

Descrever o ambiente onde o evento ocorre logo no início da cerimônia virou uma ferramenta de inclusão necessária em eventos públicos e privados. Assim como, afastar-se da tribuna e cumprimentar o público fora do microfone, permitindo que as pessoas cegas saibam exatamente de qual local estamos falando. Via de regra, aqui no Palácio Piratini, usamos esses recursos quando somos informados da presença de convidados com deficiência visual ou baixa visão na plateia. A prática torna-se obrigatória, naturalmente, quando o tema do evento é direcionado a esse público.

Com o tempo, aprendi a descrever os salões do Palácio por força do convívio diário com esse ambiente, onde trabalho há tantos anos. Partindo da lógica de que a descrição deve conter os elementos arquitetônicos, decorativos e institucionais — como telões, fundos de palco, totens e ornamentações —, criei um texto-base resumindo os principais detalhes históricos e da arquitetura. A cada novo evento, apenas incluo as novidades da programação visual. Não que isso precise ser feito com antecedência, mas, dado o volume de detalhes que ornamentam os salões e a própria história da construção, prefiro ter tudo por escrito.

Se a audiodescrição do espaço exige esse cuidado, a autodescrição é outro exercício que requer atenção e pega muita gente de surpresa. Há quem diga que não sabe como fazê-la, mas o processo não vai além de desenhar com palavras a imagem que vemos no espelho: o tipo de traje, a cor das roupas, as características físicas, como o cabelo (ou a ausência dele, no meu caso), a cor da pele e dos olhos, a altura e o gênero com o qual nos identificamos. Enfim, detalhes que ajudam a construir o imaginário das pessoas cegas ou com baixa visão.

Com base nesse critério, sempre que faço minha autodescrição, aproveito para descontrair o ambiente. Brinco com algumas das minhas próprias características, como a desproporção entre a minha altura e o meu tom de voz. No fim, costumo dizer que a plateia provavelmente me imaginava muito mais bonito do que a realidade permite. O humor, nesse caso, ajuda a quebrar o gelo e aproxima as pessoas.

Na última vez em que usei esse recurso, o governador do Estado, que discursaria logo em seguida, confessou que não saberia fazer sua própria autodescrição e resolveu contar com a ajuda da inteligência artificial. Também de forma leve, leu as características que a IA trouxe a seu respeito, tarefa facilitada por se tratar de uma pessoa pública com grande exposição na internet.

Partindo dessa premissa e de uma experiência semelhante pela qual meu irmão, jornalista, passou ao precisar se autodescrever, surgiu-me um questionamento: afinal, brincar com as nossas próprias características pessoais na autodescrição pode ser considerado ofensivo por quem escuta e depende dessa ferramenta de acessibilidade?

Para responder à dúvida, consultamos Guilherme Bara, especialista em diversidade, inclusão e compliance. Bara perdeu a visão na adolescência, deficiência que não o impediu de se formar em Administração de Empresas, concluir um MBA em Gestão de Projetos, chefiar o Gabinete da Pessoa com Deficiência da cidade de São Paulo e tornar-se um palestrante requisitado em treinamentos sobre cultura de respeito e inclusão.

Sobre o uso do humor na autodescrição, ele foi categórico:

“Não, isso não é desrespeito. Fazer essa brincadeira faz parte do seu estilo pessoal. Dizer que é gremista, enfim, está dentro do seu estilo e está tudo bem. O que eu oriento é que, se em um painel todos os participantes forem se autodescrever, o ideal é que sejam os mais objetivos possível, atendo-se ao que está sendo visto, porque o processo pode se tornar cansativo se for muito longo. Todo mundo tende a fazer uma brincadeira, do tipo: ‘hoje não fiz a barba’, ‘estou esculachado’, ‘ganhei alguns quilinhos’. Pode ser que alguém não goste — tem de tudo neste mundo —, porém, na minha experiência pessoal, pelo que transito no mercado e pelo que conheço, isso não é, de forma alguma, desrespeitoso.”

A resposta de Guilherme Bara foi tão esclarecedora quanto tranquilizadora. Lidar com as questões relacionadas à deficiência e à inclusão exige vigilância constante. Mesmo sendo pai de uma filha com paralisia cerebral — o que me proporciona uma vivência próxima, na qual esse tipo de humor não ofende —, entendo que aquilo que é natural para mim pode ser recebido de outra forma por terceiros.

Nesse universo, precisamos do máximo de informação para não errar, mesmo sem querer. Como costumo dizer, a inclusão precisa ser discutida e esclarecida por quem vive a deficiência, porque, para quem está de fora, tudo parece mais fácil de resolver. A pior ignorância não está em cometer erros, mas em, mesmo tendo a oportunidade, não buscar o conhecimento.

Christian Müller Jung é publicitário de formação, mestre de cerimônia por profissão e mentor na área de comunicação. Colabora com o blog do Mílton Jung (de quem é irmão).

Mundo Corporativo: “quando você não inclui intencionalmente, você exclui de forma não intencional”, diz Ricardo Wagner, da Microsoft

 

“Quando você não inclui intencionalmente, você exclui de forma não intencional. Por pensar assim você perde uma grande oportunidade de mercado” — Ricardo Wagner, Microsoft

É preciso enxergar a questão da deficiência de maneira diferente e perceber que o problema não está na pessoa mas no ambiente ou nas ferramentas à disposição. É o que defende Ricardo Wagner, líder de acessibilidade da Microsoft, que foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN. A conversa foi gravada pouco antes do início da pandemia do Sars-Cov-2 no Brasil e o tema é bastante pertinente se considerarmos que uma das ideias que se tem desta crise é que as empresas terão de se reinventar e criar novas relações no ambiente de trabalho.

“A melhor forma de você criar inclusão: contrate pessoas com deficiência. Aí você vai falar assim: “mas eu não estou preparado”. Justamente, por você não estar preparado. Entre você achar o que é certo para funcionar para a pessoa, se você tiver o colaborador dentro do ambiente que possa te dizer como isso funciona mais rápido, provavelmente você vai buscar a inovação em coisas que você nem imaginava”.

Calcula-se que existam 1,3 bilhão de pessoas com algum tipo de deficiência no mundo e cerca de 46 milhões, no Brasil. Para Wagner, as empresas estão desperdiçando talento, criatividade e oportunidades, porque quando se desenvolve um ferramenta acessível, está se criando uma solução para todas as pessoas:

“O assunto acessibilidade é extremamente relevante no mundo de negócios. Quem pensa, por exemplo, criar um ambientes de trabalho para atrair talentos, tem de pensar que todos os talentos tem habilidades e eventualmente deficiências: como que você cria um ambiente de trabalho inclusivo onde todos sintam-se em um ambiente em possam participar, entregar o melhor dela. Ou pensar em um produto que se oferece: como que você garante que a experiência de compra ou mesmo o produto que você vende, ele seja inclusivo e a pessoa que vai comprar, eventualmente uma pessoa com deficiência, ela também pode participar economicamente e ter a experiência do seu produto e sua marca?”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN. E aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Rafael Furugen, Artur Ferreira, Gabriel Damião e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: empresários tem de saber usar o potencial das pessoas com deficiência, ensina Guilherme Braga

 

 

Foi olhando ao seu redor que o advogado Guilherme Braga percebeu que as pessoas com deficiência simplesmente não existiam nos ambientes profissionais, aqui no Brasil. Uma situação bastante diferente daquela que havia encontrado pouco tempo antes, nos Estados Unidos, quando convivia com cegos, surdos, pessoas com restrição intelectual ou dificuldades para se locomover. Profissionais que tinham enorme capacidade de desenvolvimento e com nível de produtividade semelhante aos dos demais trabalhadores.

 

Diante desta realidade, Braga foi estudar o cenário brasileiro e descobriu que muitos empresários, por falta de informação, não eram capazes de cumprir a lei de cotas, de 1991, que obriga empresas a partir de 100 funcionários a oferecerem de 2% a 5% das vagas a pessoas com deficiência. Criou a Egalitê, empresa de tecnologia que conecta esses profissionais com as empresas, em 2010, no Rio Grande do Sul. Três anos depois estava em São Paulo e, atualmente, já abriu espaço no mercado de trabalho para cerca de 4 mil pessoas com deficiência em 300 empresas, em 16 estados brasileiros.

 

“O que a gente precisa é que o gestor entenda que uma pessoa com deficiência não é um problema para ele, é uma grande potencialidade que ele tem na mão e que isso pode realmente trazer grandes benefícios para a sua equipe”, disse Braga ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Para ele, o empresário brasileiro ainda não é capaz de perceber que ao fechar o mercado para esses profissionais está desperdiçando grandes oportunidades.

 

E o potencial é grande mesmo: o Brasil tem em torno de 403 mil pessoas com deficiência trabalhando formalmente, enquanto a lei de cotas, se cumprida, poderia oferecer mais de 807 mil vagas.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, com transmissão pelo site e pela página da CBN no Facebook.

 

O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Débora Gonçalves, Juliana Causin e Rafael Furugen.

Cegos devem cuidar de sua imagem nas entrevistas de emprego

 

Por Dora Estevam

 

Emprego, moda e deficiência visual. O que uma coisa tem a ver com a outra? Se para uma pessoa com a saúde e o corpo perfeitos já é difícil encontrar emprego, imagine para quem tem uma deficiência.

 

Não sei se você conhece, mas existe uma associação que cuida de pessoas cegas, é a Adeva – Associação de Deficientes Visuais e Amigos, que presta serviços a deficientes visuais com objetivo de preparar este cidadão para o mercado de trabalho.

 

Para oferecer soluções aos cegos, a Adeva reunirá, neste sábado, uma série de parceiros, em um curso sobre imagem pessoal. Um deles é Maria Helena Daniel, proprietária da Sintonia Consutoria de Imagem e Estilo, que fará palestra para chamar atenção para a importância de se estar vestido adequadamente em uma entrevista de emprego. A ideia é conhecer o rosto de cada um dos participantes do encontro, saber de suas necessidades e tirar dúvidas que costumam incomodar qualquer ser humano na hora de se vestir. Como usar uma camisa? Por dentro ou por fora da calça? Quais os padrões das roupas? Quais as melhores cores? E, até mesmo, como combinar uma bengala com a bolsa, por exemplo? Neste trabalho, Maria Helena se propõe, também, a fazer uma varredura nos armários e implantar códigos de forma que os clientes cegos possam identificar as roupas e combiná-las sem precisar da ajuda de outras pessoas.

 

Aproveito para mostrar a você duas fotos incríveis da consultora Maria Helena com o presidente da Adeva, Markiniano Charan Filho. Notem a diferença:

 

 

 

Outro parceiro no programa é empresa de cosméticos Embelleze, afinal todos precisam estar com os cabelos bem cortados, as unhas feitas e, por exemplo, para quem pretende usar esmalte, saber qual a cor apropriada para uma entrevista. Como o visual tem de ser impecável, a fabricante de óculos Ventura, marca muito conhecida no mercado fashion, vai doar óculos de sol. A cadeia de restaurante Ráscal também se unirá ao grupo (que delícia né?) oferecendo almoço aos participantes do encontro. O Ráscal já vem trabalhando com esta parceria há muito tempo. Os cardápios dos restaurantes da rede, por exemplo, têm informação em braille – uma das muitas atividades da Adeva.

 

O circuito de palestras, com entrada franca, ocorrerá em duas etapas, a primeira neste sábado, e a segunda sábado que vem, dia quatro de agosto. O evento será na sede da própria entidade, na rua São Manuel, 174, Vila Mariana, SP. Para saber mais sobre a associação e o curso sobre Imagem Pessoal para cegos visite o site da Adeva

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Contaminação e zoneamento no caminho do Piritubão

 

CBN SPO Ministério Público Estadual abriu inquérito civil, sexta-feira, para investigar as informações de que o terreno no bairro de Pirituba, onde se planeja construir o estádio de São Paulo para a Copa de 2014, está contaminado e em área estritamente residencial. O promotor de Justiça Raul de Godoy pediu que a Cetesb que apresenta laudo sobre as condições ambientais encontradas no local seja entregue em 30 dias e prevê que o inquérito seja concluído em seis meses.

Ouça a entrevista com o promotor Raul de Godoy.

Acompanhe outras informações da pauta do #CBNSP:

Condomínio Legal – A Justiça do Trabalho em São Paulo permitiu que uma empresa de telecomunicação não cumprisse a lei que exige contratação de pessoas com deficiência. A alegação é que falta mão e obra qualificada. Empresas com mais de 100 funcionários precisam oferecer ao menos 5% de suas vagas a deficientes. O comentarista Cid Torquato disse que o caso revela a necessidade de se melhorar o acesso a educação e sugere lei que incentive contratações de pessoas com deficiência por empresas de pequeno e médio porte. Acompanhe o comentário.

Esquina do Esporte – A derrota do São Paulo para o Vitória, na Bahia, preocupa muito mais pela atitude da equipe em campo do que pelo resultado em si. O Corinthians, por sua vez, tende a se manter líder do Campeonato Brasileiro a medida que tem apresentado um futebol produtivo. Ouça outras opiniões de Paulo Massini e Mário Marra, comentaristas da CBN, que participaram do quadro de esportes do CBN SP, para comentar os resultados da 9a. rodada do Brasileiro.

Época SP na CBN – O uruguaio Jorge Drexler é um dos destaques musicais da semana. Ele se apresentará, sexta-feira, no Via Funchal, e alguns setores estão com ingressos esgotados. Ouça as outras dicas do Rodrigo Pereira, no CBN SP

Moda eficiente inclui a todos

 

Por Dora Estevam

Campanha da Debenhams

Sabemos que cadeirantes ou pessoas com deficiência sempre existiram e não é de hoje que lutam pelos direitos de igualdade, antes que alguém diga que é coisa de novela. Mas ainda bem que a novela trata deste assunto. Não que tudo que vemos nela seja tão real, é novela. De qualquer forma ajuda muito na divulgação da causa. E, acredito, os trabalhos alavancados neste momento ficarão para sempre. O que antes era difícil conseguir, hoje com a divulgação se tornou  viável.

Esta é uma das preocupações do governo e de empresários da moda brasileiros.  Em 2009, a Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência, em São Paulo. lançou concurso no qual estudantes – futuros estilistas – criaram roupas para coleção voltada à moda inclusiva. O evento tem o patrocíno da Vicunha Têxtil que ofereceu estágio aos vencedores e se comprometeu a confeccionar as roupas desenvolvidas pelos participantes.

O desafio está lançado novamente, agora, na segunda edição.
 
“Na primeira edição do Concurso de Moda para deficientes ainda não existia novela, foi muito difícil explicar ou fazer os investidores acreditarem ou entenderem o assunto. Hoje, com a novela ficou muito mais fácil atrair novos negócios” – explica Daniela Auller, assessora técnica do projeto Moda e Inclusão.

Shannon MurrayNa Grã-Bretanha, a BBC produziu programa com modelos deficientes incentivando a discussão sobre o tema. E a inclusão na moda foi além, debatendo o preconceito com etnias e tamanhos. Lojas se recusam a estocar roupas “extra-large” e só usam modelos brancas. Para desafiar este cenário, uma grande loja de departamentos, Debenhams, colocou na passarela uma cadeirante como garota-propaganda. De acordo com o site do jornal The Independent é a primeira campanha de moda com este foco.

A modelo é Shannon Murray, 32 anos. A grife investe também em tamanho grande (G e GG) para ficar mais próxima da realidade das pessoas e mostrar aos jovens que o padrão de beleza não é só aquela magreza estendida na passarela nem aquele rosto bonitinho estampado nos editoriais de moda.

Recentemente, uma cadeirante, Caroline Marques, 28 anos, desfilou no Fashion Downtown, que promoveu confecções e comércio no centro de São Paulo. Ela faz parte de agência que tem cerca de 80 modelos com todo tipo de deficiência física.

Você pode imaginar o que são 30 milhões de brasileiros com deficiência sem ter opção para se vestir? Se para uma pessoa “normal” já é complicado … quantas horas você leva para comprar roupa? E para se vestir?

Caroline Marques Paiva (arquivo pessoal)

A palavra-chave para a roupa inclusiva: facilitador.

É uma roupa que facilita a vida das pessoas. A calça com zíper ou puxador maior, que tenha um porta-bengala para as deficientes visuais (as mais jovens esquecem as bengalinhas), uma etiqueta em braille para facilitar a leitura da numeração, aberturas, botões já pregados (falsos) e sapato com elástico ou velcro, que também ajuda quando aplicados nas roupas. Isso significa que as peças podem ser usadas por qualquer pessoa, diz Daniella. 

Aqui no Brasil não se tem conhecimento de confecção que faça este tipo de roupa mais prática. Desta forma, os deficientes se vestem com roupas adaptadas em casa, customização caseira. Não custa nada colocar um bolso maior na frente de uma calça jeans, ficaria prática e simpática para todos nós, sugere Daniella.

Sem dúvida, uma iniciativa que deveria ser integrada em todas as escolas de moda do País.

Serviço
2º Concurso Moda Inclusiva
Inscrições para o concurso: até 30 de abril, no site Pessoa com Deficiência
Entrega dos trabalhos: até 05 de maio
Divulgação dos 20 finalistas: 07 de maio
Desfile: 7 de junho

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida aos sábados no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: Reabilitar, incluir e acessar

 

“Não tenho palavras para descrever o que é que a gente sente quando vê de perto a realidade e as dificuldades que os estimados 20 milhões de deficientes têm no seu cotidiano”, escreveu o colaborador do Blog, Luis Fernando Gallo, após estar na Reatech, feira internacional que trata de tecnologias de reabilitação, inclusão e acessibilidade de pessoas com deficiência.

Sem palavras, descreve suas sensações em uma série de imagens feitas durante a visita no Centro de Exposições Imigrantes.

Passarelli e a tecnologia no transporte de passageiros

 

Por Adamo Bazani

No terceiro e último capítulo da história do empresário Sebastião Passarelli, fundador de grande parte das empresas de ônibus do ABC Paulista, você acompanhará a evolução tecnológica dos ônibus e os caminhos que levaram o setor a investir em corredores exclusivos.

Importação de ônibus

O investimento em tecnologia e inovação transformou o setor de transportes de passageiros e obrigou os empresários a mudar a forma de gerenciar seu negócio. Houve evolução dos sistemas operacionais como a alimentação elétrica (trólebus) e o desenvolvimento de corredores para atender a maior demanda que exigiam veículos articulados e biarticulados.

Para Sebastião Passarelli, 81 anos, “o desenvolvimento tecnológico trouxe benefícios e ônus para os empresários”. Um serviço de maior qualidade, veículos mais seguros, econômicos, com maior capacidade, diversidade de encarroçadoras e montadoras estão na lista dos benefícios. Na dos ônus:

“Quem não investiu nas novas tecnologias e não abriu a mente no sentido de que não dava mais para operar ônibus de forma artesanal por causa da grande demanda de passageiros e exigências legais, ficou para trás”

Uma das marcas desta nova etapa foi o desenvolvimento de novas carrocerias. Quando a família Passarelli, nos anos 1930 e 1940, começou a trabalhar no setor os ônibus “jardineiras” tinham carroceria de madeira sobre chassis de caminhão, fabricados pela Ford e General Motors.

O Brasil teve sua primeira encarroçadora de ônibus profissional em 1920, a Grassi dos  irmãos Luiz e Fortunato Grassi. A empresa foi fundada em 1904, na Rua Barão de Itapetininga, 37. Em 1910, fez para a Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo, sobre um chassi de Dion Bouton, de fabricação francesa, o primeiro ônibus com capacidade para 45 passageiros. Em 1920, se dedicou exclusivamente à construção de carrocerias para ônibus. Até então, todas de madeira.

Os avanços tecnológicos no exterior, como os modelo Coach dos Estados Unidos, e a maior exigência dos consumidores internos, fizeram esta indústria evoluir. Em 1945, Mário Sterka, ex-diretor da Volvo, fundou a Carbrasa (Carrocerias Brasileiras S.A.) e fez o primeiro ônibus de aço coberto de alumínio. A Carbrasa foi inaugurada no Rio de Janeiro, ao lado da Volvo, fabricante de chassi e motores.

Em 1948, a General Motors produziu a primeira carroceria metálica 100% brasileira. No mesmo ano, a Carroceria Metropolitana do Rio de Janeiro, fundada por João Silva, Waldemar Moreira, e Fritz Weissman, começou a empregar alumínio nas carrocerias.

Já em 1960, a Companhia Industrial Americana de ônibus, a Caio, fundada em 19 de dezembro de 1945 por José Massa, apresenta a primeira carroceria de ônibus tubular, a Caio Bossa Nova.

A Ciferal, fundada em 11 de outubro de 1955 foi uma das primeiras empresas a usar o duralumínio, material muito mais leve e flexível e se transformou em fornecedora exclusiva da Viação Cometa, com o tradicional modelo Dino, inspirado nos ônibus americanos da Greyhound.

Mas as inovações não paravam aí.

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A Paulista é o paraíso mas eu não moro lá

 

Os obstáculos urbanos são incontáveis no caminho do paulistano. Todo dia falamos de buracos na rua, calçadas irregulares, postes atravancando o caminho e guias sem acesso. As segundas, no Cidade Inclusiva, Cid Torquato também chama atenção para estas dificuldades que interrompem nosso passeio. O Blog São Paulo Urgente está postando uma série de reportagens do jornalista Leonardo Feder, que tem distrofia muscular de Duchenne, doença genética que provoca perda progressiva da força muscular. Cadeirante, ele descreve os muitos desafios e constragimento que enfrenta na capital paulista:

“A avenida Paulista virou, na minha opinião de cadeirante que circula pelo local, um paraíso em acessibilidade, após as reformas de 2007 e 2008 que custaram R$ 10,7 milhões à prefeitura na gestão Gilberto Kassab. Tanto que é lá (da praça Oswaldo Cruz ao Masp) onde ocorre a passeata anual do Movimento Superação, um grupo de pessoas com ou sem deficiência que promove projetos culturais visando à inclusão social.

MAS… Moro na Rua Tomás Carvalhal, no bairro Paraíso (talvez só no nome), e consigo chegar até o shopping Paulista em 25 minutos – só que nunca sozinho, devido à falta de guias rebaixadas e aos buracos e desníveis em calçadas do caminho (vejam as fotos no post O DESAFIO DE LEONARDO NAS RUAS DE SÃO PAULO). Como posso ter a liberdade de ir e vir com independência e assegurar minha plena cidadania se não posso usufruir por conta própria das benesses (de cultura, consumo, gastronomia) da cidade?”

Leia esta e outras reportagens sobre o tema no blog São Paulo Urgente

Eventos e cursos para pessoas com deficiência

 

Da importância da comunicação a oportunidade de capacitação, há uma série de abordagens sobre a pessoa com deficiência desenvolvida em seminários, encontros e cursos. Para o comentarista do Cidade Inclusiva, Cid Torquato, é uma sinal de que a sociedade começa a se preocupar com o tema e passa a enxergar de maneira mais clara a pessoa com deficiência, seja por imposição do mercado de trabalho, seja pela conscientização resultado de uma série de ações nos últimos anos.

Conforme combinado durante nossa conversa de hoje, publico a relação de eventos sobre os quais falamos no comentário Cidade Inclusiva, que vai ao ar às segundas, logo após às 11 da manhã, no CBN São Paulo.

Seminário Internacional Comunicação e Exclusão
Sesc Vila Mariana
Dias 27, 28 e 29 de outubro 2009
www.sescsp.org.br

II Congresso Nacional de Inclusão Social do Negro Surdo
Memorial da América Latina
Dias 6 e 7 de novembro 2009
www.cbsurdos.org.br

Projeto Preparar para Incluir (Curso de qualificação)
Instituto Paradigma e Instituto Camargo Corrêa
www.instutoparadigma.org.br

Programa de Aprendizagem Profissional para Surdos e Pessoas com Deficiência Física
Faculdade Integradas Rio Branco
www.cepro.org.br