Conte Sua História de SP: Um café para o motorista de ônibus

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, Ana Maria de Magalhães Correa fala de suas brincadeiras de criança e lembra, com saudade, do cafezinho que a empregada da casa servia ao motorista do ônibus, que passava pela rua. Ana Maria nasceu em 1947, é filha de mineiros e foi criada no bairro de Pinheiros, na zona Oeste da capital.

 

 

Ouça aqui o depoimento de Ana Maria de Magalhães Correa, sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

 

Os depoimentos ao Conte Sua História de São Paulo foram gravados pelo Museu da Pessoa e editados pela Juliana Paiva. Para contar a sua história, escreva para o meu e-mail milton@cbn.com.br ou agende uma entrevista, em aúdio e vídeo, no site do Museu da Pessoa.

O uso do uniforme valoriza a profissão

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A expressão “discriminação revoltante”,  usada pela advogada cuja babá foi impedida de entrar no E.C. Pinheiros, em SP, por não estar vestida de branco, exemplifica o emocional vigente.

 

A relevância é desconsiderar o principal, pois a exigência do branco à profissão de babá, é funcional.

 

Assim como máscaras e luvas são essenciais a determinadas funções para proteger quem as executa; ou o verde, aos cirurgiões para enxergar melhor num cenário vermelho de sangue; ou, ainda, o branco, aos médicos para distinguir melhor o asseio preventivo e essencial aos pacientes.

 

E assim por diante: os militares usam fardas para proteção e identificação, os pilotos usam roupas adequadas à sua segurança, os alpinistas, roupas coloridas para destaque nos cenários brancos, etc.

 

A dissonância começa nas palavras, pois ter função é a mais positiva situação ao ser humano. É sinal que é habilitado a produzir, mas muitos fazem ginásticas linguísticas para evitar chamar de funcionários quem tem função. Empregado, hoje em dia, é uma palavra que quase ninguém mais usa, embora o emprego seja um dos maiores direitos que uma nação digna deva oferecer aos cidadãos.

 

Neste caso, em que o Ministério Público atendeu aos clubes, que foram explicar o porquê dos uniformes às babás, mostrando que o serviço prestado aos bebês e crianças exigia asseio e precisava do branco, e necessitava de identificação que é obtida com o branco uniforme, demonstrou sensatez e lógica.

 

Em termos de babá como profissão, e de bebês e crianças como clientes, apenas a acrescentar que o uso do uniforme valoriza a profissão.

 

Se a mãe contratante dos serviços quer dispensar do uniforme, que o faça, mas sem infringir as normas das sociedades que frequenta, pois se assim o fizer estará descumprindo normas gerais e pode estar colocando em risco a segurança de terceiros. Um direito que evidentemente não lhe pertence.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de SP: andava de bicicleta com licença da prefeitura, em Pinheiros

 

Por Silvia Maria Aleixo Araujo

 

 

Bairro de Pinheiros … aquele que a atualidade desconhece.

 

Pinheirense da gema.

 

Nasci no prédio que ainda está lá, no térreo funciona o famoso bar das Batidas, bem atrás da Igreja Nossa Senhora do Montserrat, no largo de Pinheiros. Ali no largo, o bonde que descia a rua Theodoro Sampaio fazia a volta e retornava para a rua Xavier de Toledo, no centro.

 

O grupo escolar era na rua Sumidouro. Arquitetura dos anos 40/50, naquela época sem muros, só jardins, construção que lá permanece livre das obras do metrô e da tal revitalização do bairro que o descaracterizou em nome do progresso.

 

Era um bairro tranquilo, eu andava de bicicleta – ela chegou a ter uma placa de licença da prefeitura – no largo de Pinheiros e na rua Cardeal Arcoverde, onde moravam meus avós, entre a rua Theodoro Sampaio e a avenida Eusébio Matoso, onde hoje é o Shopping Eldorado e naquela época, um campinho de futebol.

 

Trânsito escasso e o respeito entre as pessoas era evidente.

 

No Carnaval, a família, primos e amigos sentavam em cadeiras nas calçadas da rua Theodoro Sampaio para assistir à passagem dos blocos carnavalescos, enquanto brincávamos com lança-perfume e seringas plásticas com ‘sangue de diabo’, um corante vendido em farmácia.

 

Brincadeiras inocentes e crianças felizes.

 


O Conte Sua História de São Paulo tem narração de Mílton Jung e sonorização do Cláudio Antonio. Você pode participar enviando seu texto para milton@cbn.com.br

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

 

Arte na Igreja do Calvário

 

A Igreja é de 1926; o grafite, obra recente, assinada por Eduardo Kobra. Para a ouvinte-internauta Tina Kalaf, a “Igreja do Calvário emprestando sua face para o novo” é a Cara de São Paulo aos 459 anos, série fotográfica promovida pelo Blog do Mílton Jung. A reunião destes dois tempos em uma mesma cena pode ser encontrada na rua Cardeal Arcoverde, 950, bairro de Pinheiro.

 

Veja o álbum de imagens coma Cara de São Paulo aos 459 anos.

 

PS: Por descuido deste blogueito, ao publicar o post, troquei o nome do autor da foto, que já está corrigido, o que não me exime de culpa.

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

Ponte Estaiada do alto

 

A Ponte Estaida, a despeito das polêmicas em torno de sua construção e funcionalidade, é o mais novo cartão postal da cidade. Inaugurada em 2008, batizada Octávio Frias de Oliveira e construída sobre o rio Pinheiros, é das imagens que mais chamam atenção em São Paulo. Na novela, na televisão, nas fotos feitas por ouvintes-internautas e, não poderia ser diferente, no foco da nossa colega Isabel Campos, que além de boa voz e repórter de rádio, tem olho clínico para captar as imagens da cidade, a ponte é a “Cara de São Paulo aos 459 anos”. Esta foto foi feita em um sobrevoo com o helicóptero da CBN.

 


Veja o álbum completo com as imagens enviadas pelos ouvintes-internautas para a série “A Cara de São Paulo aos 459 anos”.

#BAD2011: Um albergue para matar a fome

 

Seu Francisco vai mudar de endereço. Ele está sempre de mudança. Morava em casa, foi para a rua, consegue, vez em quando, um albergue. Chegou a vez do albergue se mudar de um número para outro na mesma Cardeal Arcoverde, rua de Pinheiros, primeiro bairro em que busquei abrigo quando cheguei em São Paulo. Ao contrário de Francisco, carroceiro, não precisei mudar muito de casa nem vivo na rua ou passo fome. Menos ainda sofri preconceito como ele e todos os que usam as dependências do albergue para serem acolhidos pela dignidade. Moradores do entorno os querem bem distantes dali, pois vão afugentar clientes, sujar o ambiente urbano e desvalorizar o patrimônio. Deveriam valorizar mais suas próprias vidas e privilégios conquistados -imagino, a duras penas – entendendo que nem todos têm os mesmos direitos e oportunidades.

Escrevo neste domingo sobre o caso de Pinheiros, destaque nos jornais e motivo de reportagem lá na rádio, aproveitando-me de campanha mundial que reúne mais de 1.500 blogueiros de 80 países, o Blog Action Day 2011. Desde 2008 participo desta manifestação digital – o BAD começou em 2007 – quando pessoas de todo o mundo se comprometem a escrever no dia 16 de outubro ao menos um post sobre tema previamente escolhido. O resultado tem sido excepcional a ponto de provocar reações de chefes de Governo e de Estado, além de celebridades, que falam do assunto e expõem suas ideias. No BAD já se tratou da pobreza, da mudança do clima e da água. Nesta edição, como hoje é o Dia Mundial da Alimentação, o combate a fome é o objetivo maior. Costumo convidar os ouvintes-internautas e os raros e caros leitores deste blog a publicarem textos, frases, fotos e vídeos sobre o assunto. E contamino a pauta do programa na rádio da mesma forma. Como este ano caiu em um domingo, quando estou fora do ar, assumi por minha conta e risco a responsabilidade de participar do BAD.

Calcula-se que cerca de 11,2 milhões de brasileiros não tenham o que comer, de acordo com a Pnad – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio. Número bem maior é daqueles que não se alimentam direito, 54,4 milhões, às vezes falta dinheiro ou sofrem alguma restrição. Mesmo assim, programas de distribuição de renda e políticas específicas reduziram pela metade a parcela da população que passa fome, na última década. Derrubaram, também, o índice de crianças de até 4 anos com peso abaixo do esperado – indicador usado para mensurar desnutrição infantil – de 4,2% para 1,8% – segundo dados do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Sempre que se fala de fome, lembramos de famílias que vivem no Norte e Nordeste. Não por acaso. As pesquisas mostram que lá estão 18,5% das pessoas mais afetadas pelo problema – muitas crianças e a maioria na zona rural. Porém, você não precisa ir longe para enxergar o tamanho desta tragédia. Aqui em São Paulo, não fossem iniciativas públicas e privadas, iríamos nos deparar com famílias inteiras de esfomeados. São pessoas que vivem na indigência com menos de R$ 79 por mês – dinheiro insuficiente para se ingerir o mínimo de calorias necessários para ficar em pé e tentar um trabalho.

Há alguns anos, conheci o belo projeto da União dos Moradores de Paraisópolis, segunda maior favela da capital, que mantém cozinha e um seleto grupo de cozinheiras, todos os dias, preparando pratos a base de doações generosas que recebem do comércio mais próximo e de moradores. Filas enormes se formam próximo do meio dia em busca das “quentinhas” que serão divididas com mais quatro ou cinco pessoas em cada casa. Soube de barracos que chegam a ter mais de uma família. Não fosse esta ajuda, o sofrimento seria ainda maior e a dificuldade para encontrarem um novo caminho bem pior.

Albergues como o que está no centro da polêmica em Pinheiros, frequentado pelo Seu Francisco, não apenas são lugares para passar a noite como única opção para se alimentar de boa parte dos moradores de rua e carroceiros. São extremamente importantes como programas de inserção (salvação) dessas pessoas. Porém, diferentemente da casa usada para alimentar os mais miseráveis que vivem em Paraisópolis, não estão escondidos dentro de uma favela. Estão na porta das nossas casas. Pela relevância, deveriam ser bem-vindos e não provocarem asco, como ficou claro na declaração de alguns moradores de Pinheiros. Teriam de ser apoiados, não renegados. Sei que é muito difícil conviver com estas diferenças; negá-las, contudo, não é a solução. Não mata a fome de ninguém. Mata pessoas e nosso sentido de solidariedade.

Leia mais aqui sobre a campanha contra a fome do Blog Action Day 2011

A segunda fase da Ciclovia da CPTM

 

André Pasqualini, cicloativista como poucos, foi até a Ciclovia da CPTM, aquela que passa ao lado da Marginal Pinheiros, em São Paulo. Estava acompanhado de técnicos da Companhia, fez anotações, deu sugestões e escreveu um detalhado texto no Blog O Bicicreteiro. Aqui estão apenas as considerações finais e alguns comentários sobre as novidades a serem implantadas no local, por isso sugiro a leitura completa do artigo sobre o que Pasqualini chama de a maior obra cicloviária da cidade de São Paulo:

Há previsão de 5 novos acessos e 4 novas bases de apoio. Tirando o acesso da Cidade Jardim, a previsão é que tudo seja entregue até dezembro de 2011. Confira abaixo detalhamento de cada obra que está sendo tocada pela CPTM

Havia uma base temporária, com bebedouros e banheiros químicos (ainda há alguma estrutura no local), mas está sendo construída uma nova base, onde o ciclista terá banheiros e até uma infraestrutura para mecânica de bicicleta. Essa base está em estágio bastante avançado, já em acabamento.
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Nessa segunda-fase optaram por colocar o guarda-corpo de ferro em todo o trajeto, já que os de corda deram muitos problemas, pois as cordas se desgastavam, alguns ciclistas se apoiavam nelas o que as afrouxava, chegando até a rompê-las. Quando isso ocorria, todo o trecho da corda ficava desprotegido. Já os de ferro são mais resistentes e fáceis de serem removidos, caso os técnicos da Emae precisem realizar algum trabalho no rio.
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Quando escrevi no título “Ciclovia da CPTM” é porque, apesar da área ser de responsabilidade da Emae e da Secretaria do Meio Ambiente Estadual ter tentado por diversas vezes abrir aquele espaço para os ciclistas, apenas quando a CPTM entrou na jogada é que a Ciclovia saiu do papel. Ela comprou essa briga, mesmo com resistência interna e até mesmo de parte de alguns ciclistas, que reclamavam do fato dela não ter vocação para transportes, sem falar naqueles que achavam que era só uma ação midiática com fins eleitorais.

Eu fui um dos principais defensores da abertura da Ciclovia com os acessos existentes. Sabia da importância de “tomarmos” o território e depois de conquistado, seria bem mais fácil lutar por novos acessos e que sua evolução seria questão de tempo.

A Ciclovia foi inaugurada, o tempo passou e hoje além de motivo de orgulho é uma bandeira da empresa. No começo, apesar de perceber que o alto escalão da CPTM estava super empenhado na evolução da Ciclovia, sempre notei uma relativa resistência e desconfiança entre os funcionários já que o “negócio” deles não era bicicleta, mas sim trem.

Minha sensação mudou, desde a sua inauguração em Fevereiro de 2010, cada vez mais percebo o empenho e o carinho dos seus funcionários, não só com a Ciclovia, bem como com os demais ciclistas que usam o sistema, ou acessam seus bicicletários. Podemos dizer que a bicicleta é sua segunda especialidade dessa empresa, pois além dos seus Bicicletários estarem praticamente todos lotados, não podemos esquecer que junto a Estação Mauá existe o maior Bicicletário da América Latina, com duas mil vagas para bicicletas, com um movimento diário em torno de 1200 ciclistas.

Isso me deixa feliz, já que esse é um exemplo de mudança cultural que é lenta mas consistente. Quando vemos toda uma empresa (principalmente seus funcionários) empenhada numa causa, significa que mesmo com uma troca de gestão, será difícil acabar com a cultura. Nem vou citar a enorme evolução que ocorreu nessa empresa de 2004 até os dias de hoje, alguém que luta tanto pela mobilidade sustentável como eu só consegue ficar feliz com o que vem ocorrendo.

Parcerias “morais e ideológicas” como essas que existem entre a CPTM e os ciclistas podem contaminar outras empresas a seguirem esse exemplo.

Para finalizar, minha última consideração. Como tudo é mais fácil quando juntamos a vontade política, competência e principalmente a coragem de desafiar o novo. Eu só tenho a agradecer o pessoal da Secretaria de Transportes Metropolitanos da outra gestão por ter assumido esse desafio e principalmente a atual, que manteve todos os projetos anteriores. Duvido que essa evolução pare por aí e em dezembro estarei mais uma vez presente na inauguração dessa nova fase, curtindo mais essa vitória.

Conte Sua História de SP: Sorvete no trote do cavalo

 

No Conte Sua História de São Paulo, um capítulo contado pelo professor Rubens Kutner, 49 anos, que nasceu na capital, no Alto de Pinheiros, bairro que abrigava sítios, na década de 1960. A região ganhava um aspecto ainda mais rural quando o sorveteiro chegava à cavalo. Foi na infância que surgiu o gosto pelo cinema, graças ao pai que o levava com frequência para assistir aos filmes no Clube Hebraica.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo com Rubens Kutner, sonorizado pelo Cláudio Antonio

Rubens Kutner é o personagem do Conte Sua História de São Paulo. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa. O Conte Sua História vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP.

O Barco dos Sonhos

 

Lancha na rua

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

A chegada de uma lancha de 17 mil quilos, sábado 18/9 ,num shopping de luxo, na Marginal Pinheiros, atraiu olhares da pobreza e  mexeu com a imaginação de muita gente. A lancha  ficará exposta  na janela do quinto andar ,de visão privilegiada para  a favela Real Parque e as àguas do rio  Pinheiros.

O catador de papelão Perereca estava descalço com a sua carroça, admirava a exuberância do barco, e o achou parecido , do mesmo tamanho que a Arca de Noé.  

Chegou a recomendar que a obra de luxo fosse erguida de madrugada para evitar congestionamento.

Quando soltava  comentários bem-humorados, de fazer rir , uma mulher de alta compostura perguntou-lhe: “O senhor precisa de alguma coisa?”  

Perereca com os olhos arregalados, respondeu sem pensar: “Quem não precisa ?!!”  

Ganhou R$ 20 e seguiu viagem para a Ponte Estaiada, onde mora.