O uso do uniforme valoriza a profissão

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

babá_Collage

 

A expressão “discriminação revoltante”,  usada pela advogada cuja babá foi impedida de entrar no E.C. Pinheiros, em SP, por não estar vestida de branco, exemplifica o emocional vigente.

 

A relevância é desconsiderar o principal, pois a exigência do branco à profissão de babá, é funcional.

 

Assim como máscaras e luvas são essenciais a determinadas funções para proteger quem as executa; ou o verde, aos cirurgiões para enxergar melhor num cenário vermelho de sangue; ou, ainda, o branco, aos médicos para distinguir melhor o asseio preventivo e essencial aos pacientes.

 

E assim por diante: os militares usam fardas para proteção e identificação, os pilotos usam roupas adequadas à sua segurança, os alpinistas, roupas coloridas para destaque nos cenários brancos, etc.

 

A dissonância começa nas palavras, pois ter função é a mais positiva situação ao ser humano. É sinal que é habilitado a produzir, mas muitos fazem ginásticas linguísticas para evitar chamar de funcionários quem tem função. Empregado, hoje em dia, é uma palavra que quase ninguém mais usa, embora o emprego seja um dos maiores direitos que uma nação digna deva oferecer aos cidadãos.

 

Neste caso, em que o Ministério Público atendeu aos clubes, que foram explicar o porquê dos uniformes às babás, mostrando que o serviço prestado aos bebês e crianças exigia asseio e precisava do branco, e necessitava de identificação que é obtida com o branco uniforme, demonstrou sensatez e lógica.

 

Em termos de babá como profissão, e de bebês e crianças como clientes, apenas a acrescentar que o uso do uniforme valoriza a profissão.

 

Se a mãe contratante dos serviços quer dispensar do uniforme, que o faça, mas sem infringir as normas das sociedades que frequenta, pois se assim o fizer estará descumprindo normas gerais e pode estar colocando em risco a segurança de terceiros. Um direito que evidentemente não lhe pertence.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

10 comentários sobre “O uso do uniforme valoriza a profissão

  1. Falou tudo: imagina se algum bem-nascido, por acidente, socializa com uma dessas profissionais?
    No Brasil, os ricos precisam a todo custo se preservar, para não serem confundidos com uma ralé subdesenvolvida.

    Realmente, é pela “segurança de terceiros”. Porque a indignação dos circunstantes, ao ver congraçamento entre pessoas de castas distintas pode ser muito perigosa.

    Só recomendo estudar gramática, para não ser confundido com uma pessoa iletrada ou formada em uma escola destinada a castas inferiores à sua. A construção do último parágrafo está muito ruim, coisa de semi-analfabeto mesmo.

    Bom dia!

  2. Policial usa uniforme; enfermeiro usa uniforme; médico usa uniforme; fiscal de trânsito usa uniforme; segurança de shopping usa uniforme; funcionário de empresa terceirizada usa uniforme; vendedora da Track and Field usa uniforme; porteiro usa uniforme; gandula em jogo de futebol usa uniforme; juiz de direito usa uniforme; estudante (alguns) usa uniforme; professor (alguns) usa uniforme; funcionário de transportadora de valor usa uniforme; em SP, motorista de táxi usa uniforme (ou quase); se pensar bem, repórter de televisão usa uniforme ….

    • Milton,
      Há posições que surgem na sociedade em que não dá para encontrar um mínimo de lógica ou sensatez.
      Este caso do uniforme para as BABÁS é desconcertante, pois discriminação seria esconder a profissão que exercem. E, a lista que você listou é exemplo disso. Por que apenas as BABÁS não podem usar uniforme?

    • Milton, professor usa uniforme ?? onde ??? e jornalista ?? consultor tem uniforme ?? talvez um terno azul com gravata idem e camisa branca ?? a maioria desses clubes receberam seus terrenos graciosamente do Estado, usam o bem sem retorno à sociedade em geral, discriminam as babás….motorista particular, usa uniforme ?? alguns sim, a maioria não !!! mas eles podem adentrar nos clubes sem qualquer uniforme, assim como os convidados dos sócios que não são identificados como tais…incoerente, não ???

  3. Carlos, concordo muito com você. Acho que o respeito é avaliado na relação que se estabelece e não na roupa. O uniforme, para quem está no trabalho, tem que ser funcional. A babá poderia estar no clube como convidada, claro! Mas se está trabalhando e não é sócia, não vejo por que não se sujeitar as regras do clube. Da mesma forma se há uma relação de emprego (que bom!) os envolvidos são patrão e EMPREGADO. Tambem não vejo nenhum problema nisso. O problema pra mim, é não tratar com respeito, ser indelicada, descriminar, negar direitos … Conheço gente que chama empregada doméstica de secretária, não exige uniforme, mas grita, desconfia o tempo todo, arma até arapuca, e põe pra beber água em copo diferente. Que critério maluco é é esse?? É possível que, mesmo exigindo uniforme e identificação o clube seja bem mais respeitoso com a babá do que a própria patroa e a criança que ela cuida. Diga-se de passagem, não conheço esse clube e sou péssima patroa, pq elas é que mandam em mim. Bom domingo pra você!

  4. Prezada Elizabeth,

    O seu comentário está excelente. Não só porque concordo e comungo exatamente da mesma cartilha, mas também é totalmente democrático e organizacional.
    Estamos em um momento em que símbolos e palavras as vezes valem mais do que atitudes. É o tal do politicamente correto.
    A cultura paternalista e conservadora brasileira é bastante responsável por situações informais que não valorizam as profissões.
    Obrigado pela sua participação.

  5. A jornalista Mariana Della Barba da BBC Brasil entrevistou a cineasta Anna Muylaert. A matéria está no portal UOL de hoje.
    Anna em busca de um “politicamente correto” apresenta uma análise muito curiosa sobre o uso do uniforme branco dentro dos clubes. Não sei se a defino como iconoclasta, revoltada, socialista,visionária, etc.
    Discordo totalmente desta linha de interpretação de um uniforme que é comum a tantas profissões importantes e consagradas, conforme escrevi no post acima. Entretanto, quem tiver curiosidade segue o texto.

    Veja os principais trechos da conversa com Anna Muylaert:

    “Quando eu vi essa notícia [das babás sendo obrigadas a usar brancos pelos clubes], fiquei sem palavras. É uma regra extremamente autoritária, anacrônica, para marcar a divisão social. É algo que mantém o estigma da escravidão.

    É como botar um anúncio, um aviso claro como uma melancia na cabeça, para que não haja confusão: eu sou um empregado, eu não entro na piscina, eu não sento na mesa.

    Achei tudo tão terrível que fiquei pensando: ‘Até quando a gente vai achar legal ter escravo?’

    É óbvio que se a babá e os patrões concordarem com o uso do uniforme branco, se ela quiser, não é nenhum problema. Agora, um clube exigir roupa branca, isso é querer manter uma situação em que os sócios são sempre privilegiados.

    Mas são regras muito antigas. Quando fiz pesquisas para o meu filme, vi que o branco era a cor usada pelos escravos. Tecidos com cores eram caros. Então, eles usavam roupas brancas.

    No tempo da escravidão, era normal. Hoje, não. Chega.

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