Conte Sua História de São Paulo: o padre da minha nonna

Silvia Cristina Tiezzi
Ouvinte da CBN

Foto de cottonbro studio on Pexels.com

Quando eu era criança, minha nonna mudou-se de Adamantina para a então distante São Bernardo do Campo. Religiosa, como sempre foi, logo encontrou um lugar para depositar a sua fé: a “Igrejinha da Record”. Simples, acolhedora, quase escondida no cotidiano da cidade.

Anos depois, já adolescente, fui eu quem se mudou para São Paulo, vinda de Adamantina — Adamantina, no interior paulista, não Diamantina, em Minas Gerais. Passei no vestibular da Faculdade Paulistana, na Vila Mariana, e ali mesmo consegui meu primeiro emprego. No segundo ano, transferi-me para a Universidade Metodista. Ainda assim, continuei trabalhando na Paulistana. Naquele momento, eu não imaginava que essas duas fases da minha vida — a da fé herdada e a da formação profissional — guardavam uma ligação invisível.

Anos atrás, movida pela memória, resolvi visitar a igrejinha da minha nonna. Entre pesquisas na internet e conversas com pessoas da igreja, descobri algo que me surpreendeu profundamente. O padre que celebrava as missas frequentadas por minha avó era o professor Azurem Ferreira Pinto, fundador e dono da Faculdade Paulistana. A mesma faculdade em que passei no vestibular, naquele distante janeiro de 1982, e onde tive meu primeiro emprego.

Quando trabalhava na Paulistana, eu sabia que o professor Azurem havia sido padre. O que eu jamais imaginei é que ele fosse justamente o padre da igrejinha que minha nonna frequentou até o seu falecimento. Coincidência? Obra do destino? Coisa de Deus?

A pequena igrejinha cresceu e hoje é o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. A antiga capela foi preservada, quase como um relicário da cidade. Foi reconstruída no mesmo terreno onde hoje está o Santuário, no bairro da Pauliceia, em São Bernardo do Campo.

Conversando com uma funcionária do Santuário, soube de outro detalhe tocante. Na época em que minha avó assistia às missas, a igreja ficava dentro de um pátio da Mercedes-Benz, ali ao lado. Foi desmontada tijolo por tijolo e reconstruída no local atual.

Com tristeza nos olhos, ela contou que nem todos os tijolos chegaram ao novo endereço. Alguns foram levados por pessoas que quiseram guardar um pedaço da história como lembrança.

Talvez São Paulo seja feita disso: encontros improváveis, caminhos que se cruzam sem aviso. Fé, trabalho e memória assentados, literalmente, sobre os mesmos tijolos.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Silvia Cristina Tiezzi é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe desta série especial em homenagem aos 272 anos da nossa cidade. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Ana Buchaim, VP da B3, revela o investimento que mudou o rumo da bolsa

Ana Buchaim, B3
Ana Buchaim é entrevistada no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“70% das fusões, elas dão errado, porque as pessoas negligenciam aspectos humanos.”

Em 2017, a fusão entre BM&FBovespa e Cetip criou uma das maiores infraestruturas de mercado financeiro do país e deu origem à atual B3. A operação uniu negócios complementares e exigiu uma transformação cultural estruturada para integrar equipes, sistemas e estratégias. O processo e seus desdobramentos foram tema de entrevista com Ana Buchaim, vice-presidente de pessoas, marketing, comunicação, sustentabilidade e investimento social da B3, ao Mundo Corporativo, da CBN.

Ao explicar o papel da instituição, Ana lembra que a “B3 é muito mais do que a bolsa do Brasil.” Segundo ela, além da negociação de ações, a empresa atua como uma plataforma que conecta investidores e investimentos com segurança, eficiência e transparência. “Quanto mais transparência no mercado, melhor é a negociação entre as partes.”

Hoje, a B3 conta com cerca de 4 mil funcionários e fatura perto de R$ 11 bilhões por ano, de acordo com executiva.

A integração das duas empresas foi tratada como prioridade cultural desde o início. Para Ana, ignorar esse aspecto compromete resultados. “Se você não cuidar das pessoas que trabalham ali dentro, você não consegue prestar um bom serviço para quem está fora.”

O processo envolveu a definição de propósito e valores com ampla participação interna. A companhia utilizou análise de redes organizacionais para mapear relações e identificar influências dentro da estrutura. “Quando você olha e conhece quem fala com quem, quem influencia quem, você consegue trazer as vozes que estão dentro da companhia para decidir junto que cultura que a gente queria.”

Ao longo do tempo, mecanismos de gestão foram ajustados para reforçar os valores definidos. “Mudamos remuneração, mudamos mecanismo de reconhecimento de time, mudamos práticas, rituais, símbolos para que as pessoas vivenciassem a cultura.”

Um dos eixos dessa transformação foi a agenda de diversidade vinculada a metas públicas e remuneração variável. Essas metas impactavam a remuneração de gestores, inclusive do presidente. Os resultados apareceram nos indicadores internos. “A gente saiu, por exemplo, de 8% de pessoas pretas e pardas na organização, para chegar no número de 28% num curto período, sendo 15% de líderes pretos e pardos na organização.” Para Ana, diversidade é parte da estratégia, “não é um favor.”

A B3 também criou o índice iDiverse, que mede a performance de empresas com boas práticas na área, e estruturou instrumentos financeiros vinculados a metas de diversidade. “A ideia é valorizar quem faz.”

Democratização do acesso ao mercado

A mudança cultural também influenciou a comunicação com investidores. Ao reconhecer a complexidade do mercado financeiro, a B3 buscou simplificar a linguagem. “Quando você começa a entender que o investidor pode vir de qualquer lugar, com qualquer renda, com qualquer informação, você muda a forma que você fala.”

A plataforma Bora Investir foi criada com esse objetivo. “A gente simplificou a notícia, que é dura, que às vezes está no jornal e que é difícil de ler.” O resultado aparece na ampliação da base de investidores. “Hoje a gente tem quase 5.5 milhões de brasileiros que investem e aplicam em renda variável.” O valor médio de entrada também caiu. “Saiu de 800 mil CPFs para quase 6 milhões de investidores em renda variável.”

Ao tratar da gestão de pessoas, Ana destaca a importância de metas claras e diálogo aberto. “Eu tenho que ser capaz de falar com o meu time o que tá funcionando, o que não tá, e não falar da pessoa, mas falar do fato.” Para ela, definir metas exige equilíbrio entre clareza e viabilidade. Se não puderem ser cumpridas, o caminho é negociar com base em dados. “Imagina que eu sou um funcionário e recebi uma meta que eu entendo que eu não consigo alcançar. O que eu deveria fazer? Eu deveria conversar, eu deveria mostrar números, fatos e dados para conseguir negociar também com meu gestor, porque isso é uma via de mão dupla”.

A liderança, segundo Ana, exige proximidade e governança. “Ninguém faz nada sozinho e ninguém sabe tudo sozinho.” Ela também ressalta a relevância de reduzir assimetria de informação. “Quando eu tenho melhor informação, eu tenho uma melhor decisão.”

Dados e inteligência artificial

Com grande volume de dados operacionais, a B3 criou a unidade Trillia para desenvolver soluções baseadas em análise de dados e inteligência artificial. “A gente usa muito intensamente AI para fazer isso.” Internamente, a empresa disponibilizou ferramentas para experimentação em ambiente controlado. “Existe o B3 GPT ali dentro, em que as pessoas podem olhar e testar.”

A estratégia combina estímulo individual e colaboração com clientes. “A gente tem as boas perguntas ali dentro.” Para Ana, o aprendizado ocorre com testes, ajustes e diálogo constante.

Ao fim da entrevista, ela resume o principal desafio atual. “Eu acho que é conviver num ambiente em que as pessoas tendem a se polarizar cada vez mais rápido.” A resposta, segundo ela, está na comunicação. “Abrir o diálogo dentro da companhia para posições divergentes, abrir o diálogo com o mercado.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: seis regras para destruir uma marca

Foto de Andrea Piacquadio on Pexels.com

Ignorar o consumidor, fechar os olhos para a concorrência e improvisar a identidade visual da marca são caminhos rápidos para comprometer um negócio. O tema foi discutido no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo no Jornal da CBN, a partir de uma provocação curiosa: o que fazer para que uma marca fracasse?

A proposta partiu de uma inversão de lógica. Em vez de listar atitudes que levam ao sucesso, Jaime e Cecília apresentaram regras que levariam ao resultado oposto. A estratégia lembra um raciocínio usado em matemática, quando se parte de uma hipótese absurda para demonstrar o caminho correto.

Jaime Troiano explicou a ideia logo no início: “Às vezes, é mais fácil chegar ao positivo partindo do negativo.”

A primeira regra para o fracasso é ouvir apenas o que se fala dentro da empresa. A sugestão, naturalmente, deve ser entendida ao contrário. Jaime Troiano brinca que os executivos deveriam evitar circular pelo mercado ou escutar clientes e consumidores. O recado implícito é claro: marcas fortes nascem da escuta ativa do público.

A segunda regra sugere ignorar completamente os concorrentes. Olhe apenas para a própria empresa e seus produtos. A provocação revela uma prática comum em gestão de marcas: acompanhar o mercado é essencial para entender tendências, movimentos estratégicos e mudanças de comportamento dos consumidores.

A terceira regra mira um problema recorrente em empresas: a improvisação na identidade visual. Jaime ironiza a prática de confiar a tarefa a alguém sem formação na área. “Acredite que a sobrinha do diretor é quem tem razão… Evite contratar designers para cuidar disso.” A frase mostra como decisões aparentemente simples podem comprometer a consistência de uma marca.

A quarta regra para o fracasso trata da extensão exagerada de marcas. A ideia, segundo Cecília Russo, seria usar uma marca conhecida para vender qualquer tipo de produto, mesmo que não tenha relação com o negócio original. Ela lembra um dos muitos casos que deram errado: “No caso da Sadia quando criou água mineral, não funcionou.”

A quinta regra propõe economizar na comunicação. Se o produto for bom, basta esperar que o público descubra sozinho. Na prática, empresas consolidadas fazem exatamente o contrário: investem em comunicação para reforçar reputação e presença na mente do consumidor.

A sexta e última regra — se é que sua marca já não fracassou por completo — é abandonar as raízes da marca em busca permanente de modernização. Em mercados acelerados, muitas empresas acreditam que precisam reinventar tudo o tempo todo. O risco é perder identidade e história — dois ativos que ajudam a construir confiança.

A marca do Sua Marca

A principal lição do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é fazer exatamente o oposto das seis regras apresentadas. Ouvir o mercado, acompanhar concorrentes, investir em design e comunicação, respeitar a essência da marca e manter coerência nas decisões são atitudes que ajudam a construir valor ao longo do tempo.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: a cidade que tremeu minha janela

Por Fábio Nogueira

Ouvinte da CBN

Aeroporto de Congonhas por Luis F Gallo
Aeroporto de Congonhas Foto de Luis F Gallo

Eu não nasci em São Paulo. Mas São Paulo nasceu em mim. Morei nela até os meus 43 anos, mesmo quando a vida me levou a casar e viver em Santo André. Porque no fundo toda a minha vida — a profissional, a afetiva, a que me formou — sempre esteve na capital.

Passei a infância no Campo Belo, a apenas duzentos metros do aeroporto de Congonhas. Era tão perto que o barulho dos aviões fazia parte da rotina, como se fossem vizinhos barulhentos, mas queridos. Meu avô Acácio, o mesmo que me ensinou a pescar em Caraguatatuba, tinha um ritual sagrado: toda quarta-feira, ele me levava, junto com meu irmão, para ver os aviões decolar e pousar.

Nos anos 1980, Congonhas tinha um saguão aberto ao público, lá em cima, no embarque. Nós dois ficávamos hipnotizados vendo o Electra levantar voo rumo ao Santos Dumont. Era como assistir ao mundo se abrindo diante dos nossos olhos de criança.

À noite, porém, a magia virava tremor.

Minha janela batia sem parar por causa dos testes de turbina. O ar vibrava, a casa vibrava, e eu também vibrava — às vezes de susto, às vezes de fascínio. Era São Paulo dizendo: “Estou aqui. Não durma ainda.”

E quando não estávamos no aeroporto, estávamos no Ibirapuera. Meu avô nos levava para brincar nas gangorras, nos trepa-trepas, nos balanços simples da época. Nada de telas, nada de pressa. Só o parque, o vento e a alegria de ser criança numa cidade que, apesar de gigante, sempre encontrou um jeito de caber dentro da gente.

Tenho muitas boas lembranças da São Paulo da minha infância. Da fase adulta nem todas são tão doces — mas todas foram importantes. Foi essa cidade que me deu trabalho, experiência, casca, coragem. E se hoje escrevo estas linhas de Frankfurt, na Alemanha, é porque São Paulo foi protagonista da minha história. E continua sendo porque toda vez que volto, me reencontro nas pizzarias, nas padarias, nos restaurantes que só São Paulo sabe ter. E me reencontro também nos bares com os velhos amigos da escola e da faculdade, como se o tempo tivesse apenas dado uma volta no quarteirão.

São Paulo é assim: mesmo quando você vai embora, ela continua morando em você. E basta uma fatia de pizza, um pão na chapa, um avião decolando, para você lembrar que nunca deixou de ser paulistano — mesmo que não tenha nascido lá.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Fabio Nogueira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Dimas Covas, da Sinovac, ensina que a ciência é uma grande repetição de erros consertados

Dimas Covas, Sinovac
Dimas Covas em entrevista no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti CBN


“Hoje, a economia mundial é uma economia de disputa tecnológica.”


A pandemia de Covid-19 expôs uma fragilidade do Brasil: a dependência de medicamentos e vacinas produzidos no exterior. Ao mesmo tempo, revelou a capacidade científica do país em participar de pesquisas e testes clínicos em escala internacional. Esse cenário ajuda a explicar o interesse de empresas globais em ampliar suas operações por aqui. O tema foi discutido pelo cientista Dimas Covas, chefe de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Sinovac, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN.


Covas construiu carreira na universidade, na gestão pública e agora atua em uma empresa privada de biotecnologia. Ele conta que decidiu trabalhar na fronteira entre ciência e aplicação prática ainda no início da sua carreira. “Desde muito cedo, eu falei: ‘Olha, a minha área de pesquisa vai ser com desenvolvimento de produtos biotecnológicos’.”


A motivação veio da própria experiência médica. No início da carreira, ele percebeu que muitos pacientes dependiam de tratamentos que ainda não existiam ou não estavam disponíveis. A pesquisa passou a ser o caminho para ampliar essas possibilidades.

A trajetória de Covas inclui a direção de centros públicos de pesquisa e produção, como o Instituto Butantan. Para ele, a gestão pública foi uma escola de administração e de enfrentamento de limites estruturais. “É muito mais difícil você ser gestor público do que você ser um gestor privado”, afirma.

No ambiente empresarial, a lógica muda porque os recursos e as equipes podem ser organizados com mais rapidez. “A iniciativa privada é um paraíso. Para quem trabalhou na iniciativa pública durante tanto tempo, é um paraíso.” Mesmo assim, ele afirma que o objetivo permanece o mesmo: desenvolver soluções de saúde que tenham impacto direto na vida das pessoas.


Por que o Brasil entrou no radar da Sinovac

A relação da Sinovac com o Brasil se fortaleceu durante a pandemia, quando a CoronaVac foi testada e produzida em parceria com o Instituto Butantan. A experiência abriu caminho para projetos mais amplos. Segundo Covas, o país reúne características importantes para a pesquisa biomédica: população numerosa, universidades com tradição científica e capacidade para conduzir estudos clínicos.

A empresa pretende criar uma estrutura permanente de pesquisa, desenvolvimento e produção, inicialmente no interior de São Paulo. O plano inclui novas tecnologias, como vacinas de RNA e terapias celulares. Uma enorme oportunidade para pesquisadores e cientistas brasileiros.

Na avaliação do cientista-chefe da Sinovac no Brasil, o país precisa definir prioridades claras para avançar em inovação. “O Brasil precisa dizer assim: ‘Olha, eu quero ir nesse caminho, nesse caminho e nesse caminho. E vou dar condições para que isso aconteça’.”

Ele lembra que a competição global mudou de natureza. O diferencial agora está na capacidade tecnológica.

“Hoje, a economia mundial é uma economia de disputa tecnológica.”

Para Covas, o Brasil tem universidades capazes de formar bons pesquisadores. O problema aparece depois da formação, quando muitos profissionais não encontram oportunidades para aplicar o conhecimento. Projetos de pesquisa ligados à indústria podem ajudar a reduzir essa distância entre universidade e mercado.

Otimista em relação aos avanços que as pesquisas da Sinovac podem ter no Brasil, Covas ressalta que quem trabalha com ciência precisa aceitar que os resultados surgem após várias tentativas. “O erro é a parte mais importante do aprendizado. Quer dizer, se a gente não erra, a gente não aprende.” Ele descreve a pesquisa científica como um processo contínuo de correção e aprimoramento. “Na realidade, a ciência é uma grande repetição de erros consertados.”

Esse método também pode orientar decisões em empresas privadas de diversos setores da economia. Covas defende que gestores usem dados e evidências para decidir, da mesma forma que pesquisadores fazem em laboratório.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: como Bad Bunny transformou a latinidade em um ativo cultural de massa

A latinidade ganhou escala global, entrou no centro do entretenimento e passou a funcionar também como marca cultural. O tema foi discutido por Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, a partir do impacto provocado pelo cantor porto-riquenho Bad Bunny no mercado da música e no imaginário do público.

O caso chama atenção porque rompe uma barreira antiga no Brasil. Durante muito tempo, artistas latino-americanos de língua espanhola tiveram dificuldade de ocupar espaço amplo por aqui. Cecília observa que esse cenário mudou de patamar. “A latinidade deixa de ser algo marginal e passa a ser algo de massa, de apelo mais democrático, furando todas as bolhas”, disse. A frase ajuda a entender por que o debate vai além da música. Não se trata apenas de um artista popular, mas de um fenômeno que desloca referências culturais e reposiciona símbolos latinos no consumo global.

No comentário, Cecília lembra que os números reforçam essa mudança. O crescimento de ouvintes brasileiros de Bad Bunny e a disparada de execuções após o Super Bowl mostram como uma presença artística pode ampliar seu alcance quando reúne identidade, repertório visual e conexão geracional. Na leitura dela, o artista “reforça várias lentes do que é o latino”, combinando marca-país, vínculo com a geração Z e os millennials e até um traço político em sua forma de se apresentar.

Essa análise ajuda a entender um ponto importante do universo das marcas: elas não são feitas só de produto, nome ou logotipo. Também são construídas por símbolos, linguagem, comportamento e contexto. No caso de Bad Bunny, entram nessa conta a defesa explícita de sua origem porto-riquenha, o uso do espanhol, a estética vibrante, a dança, as gírias e a sensação de pertencimento que ele oferece ao público.

Jaime acrescenta uma camada que torna o debate mais interessante. Para ele, o sucesso da marca latina de Bad Bunny no Brasil também passou por uma espécie de chancela cultural dos Estados Unidos. “Foram os americanos, ou foi a cultura americana e mais especificamente o maior evento mundial americano, o Super Bowl, quem catapultou o Bad Bunny”, afirmou. A observação traz certa ironia: parte do público brasileiro pode ter se aproximado da latinidade depois de vê-la validada no palco mais poderoso da indústria cultural americana.

A provocação de Jaime toca num traço histórico do Brasil. Muitas vezes, o país se relaciona com a América Latina de maneira ambígua: geograficamente inserido, culturalmente próximo em vários aspectos, mas nem sempre disposto a se reconhecer plenamente como parte desse conjunto. Quando ele diz que é “como se nós tivéssemos de costas para a América Latina”, aponta para uma resistência antiga, agora tensionada pelo sucesso de um artista que transformou sua identidade em força de mercado.

A marca do Sua Marca

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso ensisna que fenômenos culturais não se explicam por uma única causa. A força de uma marca nasce do encontro entre identidade, contexto, linguagem, visibilidade e circulação social. A latinidade, hoje, parece ter deixado de ser apenas uma referência periférica para disputar espaço no centro da cultura de massa. Resta saber se esse movimento é passageiro ou se veio para ficar.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

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Conte Sua História de São Paulo: empregos e salários que me levaram ao sonho de trabalhar na Telesp

Odnides Pereira

Ouvinte da CBN

telesp
Tampa metálica da TELESP, rua Piaui, SP Foto de Fernando Stankuns

Março de 1974, eu tinha 14 anos, meu primeiro emprego. Muita felicidade.  Um amigo dos meus pais apresentou-me na empresa que ele trabalhava, Duratex S/A Indústria e Comércio. O meu cargo era de Aprendiz de Arquivista. Recebia CR$ 308,00 por mês para arquivar duplicatas dos clientes.

Meses depois, em novembro, um outro amigo da família, ofereceu-me emprego na Companhia Paulista de Força e Luz, com salário maior, CR$ 380,00. Era contínuo, uma espécie de office boy interno. Entregava correspondência nas seções do prédio da empresa. 

Estava terminando o ginásio e o governo fazia campanha para que os estudantes  cursassem o colegial técnico. Escolhi o curso em eletrônica na Escola Técnica Oswaldo Cruz – Paes Lemes, que ficava na mesma rua onde eu trabalhava, na avenida Angélica, no bairro de Santa Cecília. Meus pais não tinham condições de pagar e eu usava quase todo meu salário para a mensalidade do curso.

Três anos depois, consegui emprego no Banco Nacional S/A como Escriturário. Salário de CR$ 1.550,00. O que me permitiu, além de pagar o curso, ajudar meus pais. Trabalhei por um ano. Porém, como estava no fim do curso precisava estagiar para ter o diploma, fazer o relatório para o MEC e conseguir  o registro no CREA. 

Por coincidência, na mesma sala que eu, estudava o filho do dono de uma empresa de guilhotina eletrônica, a Guarani Máquinas Gráficas —  guilhotinas que serviam até na casa da moeda, para cortar papel moeda. Era março de 1978 quando fui admito no cargo de técnico em eletrônica. Com salário de CR$ 12,00 por hora, trabalhei lá no período do estágio, fiz o relatório, peguei o diploma e me registrei no CREA.

Agora, meu sonho era trabalhar na Telesp: além da grande oportunidade de crescer profissionalmente, o salário era muito bom. Pois foi que, no começo de 1979, consegui uma vaga de Auxiliar Técnico do Tráfego de Operação, com incrível salário de CR$ 8.437,70. Felicidade total!

Na Telesp, que foi privatizada, virou Telefônica e depois Vivo, trabalhei por 32 anos. Nesse tempo, cursei faculdade e meu último cargo foi de Analista de Telecomunicações Sênior. Em 2009, me aposentei e, em janeiro de 2011, parei de trabalhar. Trinta e seis anos depois daquele primeiro emprego.

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Odnides Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe desta série especial em homenagem aos 272 anos da nossa cidade. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quem a sua marca é no galinheiro?

Foto de cottonbro studio on Pexels.com

Nem todas as marcas disputam o mercado em pé de igualdade. Algumas lideram, impõem preço e ditam referência; outras sobrevivem tentando escapar da comparação direta. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo.

A conversa partiu de um estudo clássico da etologia — área que observa o comportamento animal — realizado em 1920 pelo norueguês Thorleif Schjelderup-Ebbe. Ao acompanhar galinhas em um aviário, ele identificou uma hierarquia clara: havia aves que só eram bicadas, outras que bicavam mais do que apanhavam, até chegar ao topo, onde uma galinha bicava todas e não era bicada por nenhuma. Nascia ali a teoria conhecida como “ordem das bicadas”.

Jaime Troiano explicou que essa lógica ajuda a compreender o funcionamento do mercado. “A ordem das bicadas é um indicador de prestígio, poder e admiração”, afirmou. A metáfora é simples e direta: marcas fortes “bicam” mais do que são bicadas; marcas frágeis são substituídas com facilidade.

O conceito aparece no dia a dia do consumidor, mesmo sem que ele perceba. Influenciadores digitais ocupam posições distintas na hierarquia de relevância. O mesmo ocorre com produtos e serviços. Quando uma marca é vista como referência, ela sustenta preço mais alto e reduz o risco de troca na hora da compra. Já as que estão abaixo precisam competir por desconto ou conveniência.

Cecília Russo reforçou que essa organização não é apenas racional. “As nossas preferências por alguma marca, por outra e até falta de interesse ou rejeição por outras, é essa organização mental, perceptual dessa hierarquia”, disse. Em outras palavras, o consumidor classifica marcas na mente, criando uma escala de prestígio.

Exemplos ajudam a tornar o conceito concreto. No mercado de construção, a Quartzolit costuma ser tratada como padrão de qualidade por profissionais da área. Em culinária, há quem insista no fermento Fleischmann para garantir que o bolo cresça. São casos em que a posição hierárquica está consolidada: a marca do topo é pouco questionada.

A diferença entre galinheiro e mercado está na possibilidade de mudança. Enquanto, no estudo original, a posição das aves era difícil de alterar, no branding — gestão estratégica de marcas — há espaço para reposicionamento. Exige consistência, entendimento profundo do consumidor e proposta de valor clara.

Jaime sintetizou a lógica com uma provocação: “A marca que você tem, o da qual você cuida, você tem uma marca que bica mais ou que é mais bicada?” A pergunta vale para empresas de todos os portes.

A marca do Sua Marca

O principal aprendizado: toda marca ocupa um lugar na hierarquia mental do consumidor. Reconhecer essa posição é o primeiro passo para fortalecê-la. Quem ignora essa dinâmica corre o risco de competir apenas por preço. Quem entende a lógica da hierarquia pode trabalhar para ganhar prestígio e reduzir vulnerabilidades.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Augusto Drumond, da Nestlé, defende que diversidade com “olhar intencional” gera resultado

Augusto Drummond  head de diversidade e inclusão da Nestlé no Brasil
Entrevista no estúdio de podcast da CBN com Augusto Drumond Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Você não precisa ser do time de diversidade e inclusão para ter esse olhar intencional sobre o tema … Tendo esse olhar intencional sobre o tema, você ajuda a fazer do Brasil uma sociedade melhor, mas você também ajuda o seu negócio a evoluir.”

A Nestlé está presente em 99% dos lares brasileiros e decidiu que, para continuar relevante, precisava se tornar o “espelho do Brasil” também dentro de casa. A estratégia da empresa para essa transformação foi discutida em entrevista no Mundo Corporativo, da CBN, com Augusto Drumond, head de Diversidade e Inclusão da Nestlé no Brasil.

Segundo ele, a agenda de diversidade ganhou força a partir de uma métrica de negócio. “A gente quer, por estar presente em 99% dos lares com os nossos produtos e com as nossas marcas, espelhar essa sociedade brasileira internamente em todos os níveis hierárquicos”, afirmou. O diagnóstico indicava distâncias entre a composição demográfica do país e a da empresa. Reduzir esse descompasso passou a ser estratégia.

Hoje, 48% dos colaboradores da companhia são pessoas negras. Nos últimos anos, 200 profissionais negros passaram a ocupar cargos de liderança. A empresa também registra 45% de mulheres na liderança e mais de mil pessoas com deficiência no quadro de funcionários.

Grupos de afinidade e transformação cultural

A estratégia se apoia em cinco frentes prioritárias: pessoas negras, mulheres, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+ e gerações — tanto jovens com menos de 29 anos quanto profissionais com mais de 50.

Cada grupo conta com um comitê interno. São cerca de 25 integrantes por grupo, responsáveis por propor ações e influenciar decisões. “Esses grupos, eles atuam, claro, como um espaço de acolhimento, mas principalmente esses grupos também ajudam a transformar Nestlé”, explicou.

É nesse ponto que ganha força o conceito de “olhar intencional”, repetido por Drumond ao longo da conversa. Para ele, não basta apoiar a pauta em tese; é preciso incorporá-la nas escolhas do dia a dia. O gestor que revisa seus critérios de contratação, o líder que observa quem tem voz nas reuniões, a equipe que questiona se uma campanha realmente representa o público que pretende alcançar — tudo isso faz parte desse movimento. Sem intenção clara, a diversidade corre o risco de ficar restrita ao discurso. Com intenção, passa a orientar decisões concretas e a influenciar resultados.

Um exemplo é o projeto “Rótulos que Falam”, criado para tornar embalagens mais acessíveis a pessoas com deficiência visual ou dificuldade de leitura. A iniciativa surgiu a partir da experiência de uma colaboradora cega. “Quando ela chegou no time e ela deu essa declaração muito simples de que ela não tinha acessível todas as informações que estão ali naquela embalagem, a gente começou a ir atrás da solução”, contou.

Em parceria com um aplicativo, as informações dos produtos passaram a ser disponibilizadas em áudio por meio do celular. A medida responde a uma realidade expressiva: estima-se que mais de 17 milhões de brasileiros tenham algum tipo de deficiência visual ou dificuldade de leitura.

Outro caso é a fábrica de chocolates Garoto, em Vila Velha (ES), que se tornou referência na inclusão de pessoas surdas. São mais de 100 colaboradores surdos e uma estrutura adaptada com intérpretes e comunicação acessível. 

O “olhar intencional”, expressão usada por Drumond ao longo da entrevista, significa sair da neutralidade confortável e assumir responsabilidade direta sobre as decisões. Não é esperar que a área de diversidade resolva o tema. É o gestor revisar o processo seletivo, questionar a composição do time, observar quem fala — e quem não fala — nas reuniões, analisar se a campanha representa de fato o público consumidor. Para ele, sem essa intenção clara, a diversidade vira discurso. Com intenção, vira critério de decisão.

Diversidade como decisão de negócio

Para Augusto Drumond, a pauta não se sustenta apenas por uma razão ética. “E para as empresas, independente de tamanho, é olhar para isso novamente para além do imperativo moral, para além dessa questão de que é o certo a ser feito, porque na Nestlé a gente tem visto que isso tem resultado positivo para o negócio. E se tem resultado positivo para o negócio para a Nestlé, tenho certeza que tem resultado positivo para o negócio para outras empresas também.”

Ele destaca que a diversidade influencia desde campanhas publicitárias até desenvolvimento de produtos e posicionamento de marca. “Então, através desses diferentes aspectos, seja campanha, desenvolvimento de produto, posicionamento da empresa, a gente a gente tem tentado se aproximar dos nossos consumidores usando essa lente e a ótica da diversidade e inclusão.”

A lógica é simples: consumidores tendem a se conectar com marcas nas quais se reconhecem. Representatividade, nesse caso, deixa de ser discurso e passa a ser prática.

Liderança inclusiva e próximos passos

Criada há cerca de cinco anos, a área de Diversidade e Inclusão da Nestlé agora concentra esforços em ampliar a presença de pessoas negras na liderança e desenvolver o conceito de liderança inclusiva.

“A gente continua olhando para a diversidade como uma das top prioridades dentro dos temas de RH”, afirmou, ao comentar o cenário global de reestruturação da companhia. Para ele, o tema permanece estratégico.

Ao final da entrevista, Drumond deixou uma recomendação que nasce da própria experiência. Ele contou que, ao longo da carreira na empresa, sempre “levantou a mão” quando queria aprender algo novo ou migrar de área — chamou gestores para conversar, declarou seus objetivos e buscou exposição interna, mesmo quando isso causava desconforto. Foi assim que transitou do marketing para o planejamento estratégico e, depois, para a área de Diversidade e Inclusão. Por isso, resume o conselho em uma frase direta: “Levanta a mão, né? Levanta a mão, é sempre importante.” 

O conselho vale tanto para profissionais que buscam espaço quanto para empresas que desejam avançar. Segundo ele, é preciso intencionalidade e coragem para transformar cultura e resultados.

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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo 472 anos: de madrugada, entregava pão quente em casa

Lucio Urbano

Ouvinte da CBN

Photo by Santiago Sauceda Gonzu00e1lez on Pexels.com

Dezembro de 1972. Aos 11 anos, comecei a trabalhar como entregador de pão e leite na Vila Mariana. Naquela época, não existiam muitas padarias. As fornadas começavam a sair de madrugada e a última era por volta das sete e meia da manhã. Depois disso, só no dia seguinte.

Os entregadores eram comuns em bairros mais nobres e de classe média. Às três da madrugada, eu chegava a Padaria Cruzeiro, no Largo Ana Rosa — onde havia uma enorme cratera para a construção do metrô. Carregávamos pão e leite na Variant do meu pai. No começo, eram mais bengalas do que pãezinhos; com o tempo, isso foi se invertendo. O leite vinha em garrafas de vidro, transportadas em engradados de ferro. Depois, passou a ser vendido em sacos plásticos.

Por volta das três e meia da manhã começavam as entregas nas casas e prédios da região. Cada residência tinha uma caixa de ferro ou uma sacola de pano pendurada em local previamente combinado, onde deixávamos os produtos.

Perto das seis horas, eu retornava à padaria para a “segunda volta”: mais pão, mais leite e seguíamos até concluir o atendimento da freguesia, por volta das oito da manhã. Aí era hora de ir para casa, tomar café, fazer a lição da escola, ir ao curso de datilografia, almoçar e assistir às aulas no colégio à tarde.

Em 1980, um dos donos da padaria, o senhor Luís, conseguiu para mim uma carta de apresentação com o gerente do Banco Itaú. A ideia era tentar uma vaga, afinal eu já tinha curso de datilografia. Consegui. Fui trabalhar como escriturário em uma agência na Rua Luís Góes.

Passei por várias funções: conferente, somador e separador de documentos, operador de telex, caixa, tesoureiro. Fui crescendo e saí de lá na gerência. Trabalhei em outras agências e deixei o banco em 1991. Já havia concluído a Faculdade de Economia quando fui convidado por um cliente do banco para ser gerente financeiro em sua empresa.

Foi uma experiência marcante, que redirecionou minha carreira. Trabalhei em multinacionais na área administrativa e financeira e, nos últimos anos antes da aposentadoria, atuei no mercado corporativo na área de Recursos Humanos. Um campo que exige preparo, experiência e discernimento, afinal, a matéria-prima é complexa, desafiadora e, ao mesmo tempo, a mais gratificante e preciosa com a qual se pode trabalhar.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Lucio Urbano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe desta série especial em homenagem aos 472 anos da nossa cidade. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.