Mundo Corporativo: Jeane Tsutsui explica como o Grupo Fleury prepara os próximos cem anos

Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury

Jeane Tsutsui em entrevista no estúdio de podcast da CBN. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“O olhar humano ainda é e será fundamental para a saúde do Brasil.”

O Grupo Fleury completa cem anos com mais de 570 unidades em 14 estados, atendimento a laboratórios de 2.200 cidades e o processamento de 368 milhões de exames por ano. A empresa, fundada em 1926 como um pequeno laboratório no centro de São Paulo, ampliou sua atuação para acompanhar diferentes etapas do cuidado com a saúde, da prevenção aos tratamentos ambulatoriais, sem abandonar a medicina diagnóstica. A transformação de uma empresa centenária diante do avanço tecnológico, do envelhecimento da população e das mudanças no comportamento dos pacientes foi tema da entrevista de Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury, ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

A executiva afirma que a expansão dos serviços está ligada à própria trajetória da empresa e à escuta dos pacientes e dos médicos. Além dos exames laboratoriais e de imagem, o grupo passou a oferecer vacinação, check-ups, consultas, tratamentos ambulatoriais, telemedicina e atendimento domiciliar.

“Lembrando que o Grupo Fleury começou em 1926 como um pequeno laboratório no centro de São Paulo, ao longo do tempo se reinventou e hoje nós somos uma empresa que olha para a jornada de cuidado da saúde”, disse.

Segundo Jeane Tsutsui, o objetivo é acompanhar as pessoas durante mais tempo e contribuir para que o aumento da expectativa de vida venha acompanhado de autonomia e qualidade.

“Nós queremos estar presentes na vida das pessoas, cuidando para que elas tenham uma longevidade saudável.”

A mudança também responde a uma transformação na relação dos brasileiros com a própria saúde. Os pacientes passaram a buscar mais informações, serviços integrados, conveniência e formas de prevenção. Essa movimentação levou o Fleury a desenvolver, ainda na década de 1980, o modelo de centros diagnósticos, reunindo exames laboratoriais e de imagem no mesmo local.

Em 1998, segundo a CEO, o grupo tornou-se a primeira empresa do mundo a enviar resultados de exames pela internet. Durante a pandemia de Covid-19, o atendimento domiciliar ganhou impulso.

“Isso veio de ouvir muito o cliente ao longo de toda a nossa trajetória”, afirmou. “Esta cultura de foco no cliente, para atender as suas necessidades, e também uma cultura baseada em excelência e acolhimento, que é traduzido como ciência e confiança, fez parte dessa trajetória e certamente isso nos levará para o futuro.”

Inovar sem transformar a empresa em um museu

Empresas centenárias enfrentam um equilíbrio delicado. Precisam se adaptar às mudanças sem abandonar os valores que sustentaram sua trajetória. Para Jeane Tsutsui, o foco no cliente funciona como uma referência para orientar essa transformação.

“Ter foco no cliente não é só olhar para a experiência, para o acolhimento, para indicadores de experiência como Net Promoter Score. Foco no cliente é se adaptar e mudar para poder atender esta demanda.”

O Net Promoter Score, conhecido pela sigla NPS, é um indicador usado pelas empresas para medir a disposição dos consumidores em recomendar uma marca, produto ou serviço.

A adaptação, segundo a executiva, envolve acompanhar as alterações no comportamento dos pacientes, os avanços tecnológicos e a velocidade com que o conhecimento médico se desenvolve.

“Foco no cliente é incorporar tecnologia, mas também com muita responsabilidade para atender a necessidade do médico e do cliente. Foco no cliente é se adaptar para todo esse avanço do conhecimento que a medicina vem trazendo para a gente oferecer isso para o paciente, para o médico como a melhor solução e sustentável para o sistema.”

O crescimento do Grupo Fleury ocorreu tanto pela expansão das operações próprias quanto pela compra de outras empresas. Desde 2002, foram realizadas 49 aquisições.

A integração desses negócios exige atenção às diferenças culturais. Jeane Tsutsui explica que, antes de uma aquisição, a empresa avalia não apenas os aspectos estratégicos e financeiros, mas também a convergência de valores.

“A gente costuma dizer que as empresas têm culturas diferentes, porque cada cultura é própria de uma determinada empresa ou organização. Mas, quando avaliamos uma aquisição, o aspecto cultural é muito importante.”

Entre os pontos observados estão a relação com o cliente, a qualidade dos serviços e a reputação da organização adquirida.

“Quando existe essa convergência, nós conseguimos fazer uma integração adequada.”

Longevidade exige mudança de hábitos

A expectativa de vida do brasileiro passou de cerca de 34 anos, em 1926, para aproximadamente 76 anos atualmente, segundo os dados citados por Jeane Tsutsui na entrevista. A tendência é que continue aumentando nas próximas décadas.

A mudança demográfica levou o Grupo Fleury a criar um centro dedicado à longevidade saudável. Instalado na unidade Marco 100, na Avenida Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo, o serviço Life Care é voltado para pessoas com mais de 35 anos.

A proposta é trabalhar fatores que influenciam diretamente a saúde ao longo da vida, como sono, alimentação, exercício físico, movimento, controle do estresse, saúde sexual, menopausa e vínculos sociais.

“Todos esses pilares pautados na ciência estão voltados para mudança de hábito, para que as pessoas realmente tenham mais qualidade de vida, para que as pessoas consigam maior autonomia a partir do momento que você avança com relação à longevidade.”

A CEO ressalta que realizar exames não é suficiente. Os resultados precisam retornar ao médico, orientar decisões e, quando necessário, provocar mudanças concretas no cotidiano do paciente.

A vacinação também aparece como um dos elementos da prevenção. Jeane Tsutsui destacou a importância de adultos manterem as vacinas em dia e lembrou que algumas delas, como a vacina contra o HPV, ajudam a prevenir determinados tipos de câncer.

Ao mesmo tempo, o incentivo à prevenção não deve estimular o excesso de exames. Segundo a executiva, é necessário seguir as evidências científicas e avaliar se cada procedimento terá utilidade na tomada de decisão médica.

“O que nós queremos é fazer o exame correto para o paciente correto e no momento adequado.”

Essa preocupação também tem impacto econômico. O Brasil destina aproximadamente 9,5% do Produto Interno Bruto aos serviços de saúde, considerando os sistemas público e privado, conforme o dado apresentado na entrevista.

“Temos que utilizar adequadamente esses recursos”, afirmou.

Inteligência artificial reduz tempo de exames

O Grupo Fleury já utiliza mais de 50 aplicações de inteligência artificial em diferentes áreas. A tecnologia está presente tanto nos exames quanto nos processos administrativos e logísticos.

Em equipamentos de ressonância magnética, a inteligência artificial permite reduzir em até 50% o tempo necessário para a captura das imagens. A diminuição representa ganho de produtividade e reduz o período em que o paciente precisa permanecer dentro do equipamento.

“Isso traz um benefício em termos de eficiência, mas uma melhor experiência para o cliente.”

No atendimento domiciliar, a tecnologia ajuda a organizar os trajetos das equipes. De acordo com Jeane Tsutsui, o uso da ferramenta aumentou em 15% a disponibilidade de horários, elevou em 32% a produtividade dos profissionais responsáveis pelas coletas e produziu crescimento de 4% na satisfação dos clientes.

A inteligência artificial também é usada na análise inicial de exames de tomografia. O sistema pode identificar sinais de situações graves, como hemorragia cerebral e tromboembolismo pulmonar, e alertar o médico para que a avaliação seja priorizada.

“É o uso da inteligência artificial como um sinal de alerta. Ela não substitui o laudo médico, é um médico que vai fazer a leitura, mas ela consegue já fazer uma detecção muito rápida e avisar o médico que aquele exame precisa ser priorizado.”

A aplicação da tecnologia em saúde exige cuidados adicionais, especialmente porque envolve informações sensíveis dos pacientes. A CEO destacou a necessidade de estruturar bancos de dados adequados e cumprir as regras da Lei Geral de Proteção de Dados.

“Obviamente, nós acompanhamos todo esse avanço da tecnologia, mas com muito cuidado, uma vez que você tem informações sensíveis que devem ser usadas adequadamente.”

Dados e medicina personalizada

Cardiologista e pesquisadora, Jeane Tsutsui afirma que sua formação médica contribuiu para a gestão ao reforçar a conexão com o cuidado, a necessidade de uma visão ampla do sistema de saúde e a importância das decisões baseadas em dados.

“Nas nossas atitudes do ponto de vista de tomada de decisão, nós precisamos resolver o problema pontualmente, mas sempre com o olhar sistêmico.”

A análise de informações clínicas pode ajudar a identificar grupos de maior risco, orientar medidas preventivas e aumentar a sustentabilidade do sistema. Áreas como genômica, proteômica e metabolômica tendem a ampliar a capacidade de personalizar diagnósticos e tratamentos.

A genômica estuda o conjunto do material genético de uma pessoa. A proteômica analisa as proteínas produzidas pelo organismo. A metabolômica observa pequenas moléculas geradas pelos processos metabólicos. Reunidas, essas áreas ajudam a compreender diferenças individuais e podem orientar uma medicina mais precisa.

“Nós temos a oportunidade de fazer uma medicina cada vez mais precisa e personalizada. O uso de dados também será cada vez mais presente na área de saúde.”

Comunicação e equipes complementares

Na gestão, Jeane Tsutsui aponta três elementos centrais: equipes com conhecimentos complementares, clareza de direcionamento e conexão com o propósito da organização.

“O CEO não precisa resolver tudo. O time de alta performance é muito importante.”

A diversidade de experiências e pontos de vista, segundo ela, ajuda a tomar decisões em ambientes marcados por incertezas. A comunicação também precisa ser adaptada aos diferentes públicos de uma companhia, como colaboradores, médicos, investidores, pacientes e sociedade.

“Essa comunicação com clareza também é muito importante numa empresa que tem uma atuação nacional.”

O Grupo Fleury tem 79,5% de mulheres no quadro geral de profissionais e 70% de mulheres nas posições de liderança. A empresa também trabalha com diversidade étnico-racial, etária, LGBT e de formas de pensamento.

“Essa diversidade acaba sendo um fator competitivo importante. Nós estamos em diferentes regiões do Brasil, com diferentes culturas.”

Ao projetar os próximos cem anos, Jeane Tsutsui afirma que a empresa pretende acompanhar os avanços da medicina, incorporar tecnologias com responsabilidade e manter a confiança de pacientes, médicos, colaboradores e investidores.

“A confiança que nós temos de que o olhar de fazer o correto, de fazer com excelência, mas principalmente com olhar humano, é o que vai nos direcionar para os próximos 100 anos.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

50 debates para o Brasil: fim da escala 6×1 envolve qualidade de vida, competitividade das empresas e crescimento econômico

A redução da jornada de trabalho voltou ao centro do debate público e expõe uma questão que vai além da legislação: como equilibrar qualidade de vida, competitividade das empresas e crescimento econômico. O tema abriu a série 50 Debates para o Brasil, promovida pelo Jornal da CBN, que reúne especialistas com visões diferentes sobre assuntos que devem ocupar espaço na campanha eleitoral.

O primeiro encontro discutiu a proposta de extinguir a escala 6×1, modelo em que o trabalhador descansa um dia após seis dias consecutivos de trabalho. Participaram do debate o professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Cesit, José Dari Krein, favorável à mudança, e Alexandre Furlan, presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que defendeu a manutenção da legislação atual, com ajustes negociados entre trabalhadores e empregadores.

Para José Dari Krein, a redução da jornada responde a uma transformação necessária nas relações de trabalho. Segundo ele, embora o desemprego tenha diminuído, muitos trabalhadores continuam enfrentando baixos salários, jornadas extensas e dificuldade para planejar o futuro. “Não basta só gerar empregos, é preciso gerar empregos que permitam às pessoas viver, preservar a saúde, qualificar-se e contribuir para a construção de um futuro diferente para o nosso país”, afirmou.

O pesquisador destacou que a medida teria impacto especialmente sobre trabalhadores de menor renda, jovens, mulheres e população negra, além de contribuir para enfrentar o crescimento dos afastamentos por transtornos mentais. Na avaliação dele, reduzir o tempo de trabalho é também uma forma de diminuir desigualdades e ampliar as oportunidades de estudo, convivência familiar e descanso.

Alexandre Furlan concordou que a discussão sobre melhores condições de trabalho é legítima, mas argumentou que uma mudança constitucional pode produzir efeitos negativos se não for precedida por estudos técnicos mais amplos. “O objetivo da discussão é legítimo. O que ocorre é que os efeitos dessas medidas precisam ser avaliados com base em evidências e em análise técnica”, disse.

Ao responder sobre produtividade, ponto central do debate, Krein lembrou que a redução da jornada de 48 para 44 horas semanais, prevista na Constituição de 1988, não provocou os problemas econômicos que muitos previam na época. Para ele, há espaço para uma nova redução e as empresas tendem a adaptar seus processos. O professor também defendeu que produtividade não deve ser medida apenas pela produção gerada, mas também pela remuneração e pelas condições oferecidas aos trabalhadores.

Furlan apresentou uma avaliação diferente. Segundo ele, o Brasil ocupa uma posição baixa nos rankings internacionais de produtividade e reduzir a jornada antes de aumentar a eficiência pode elevar custos, pressionar preços e estimular a informalidade. “Produtividade precisa ser aumentada. A redução sustentável da jornada deve ser consequência do aumento da produtividade e não um ponto de partida para isso”, afirmou.

O representante da CNI também ressaltou que diferentes setores enfrentam realidades distintas. Citou exemplos como siderúrgicas, indústrias de transformação, pequenos restaurantes, padarias e salões de beleza para defender que uma regra única pode gerar dificuldades operacionais e financeiras, especialmente para micro e pequenas empresas.

O debate evidenciou que a discussão sobre o fim da escala 6×1 envolve mais do que o número de dias trabalhados. Ela reúne questões relacionadas à saúde, renda, produtividade, competitividade, organização da economia e papel da negociação entre empresas e trabalhadores.

A principal marca deste primeiro debate foi mostrar que decisões sobre jornada de trabalho exigem equilíbrio entre direitos sociais e impactos econômicos. Ao apresentar argumentos sustentados por perspectivas diferentes, a discussão amplia as informações disponíveis para que o ouvinte forme sua própria avaliação.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que as marcas voltam a investir em lojas físicas

O crescimento do comércio digital não eliminou a importância do contato presencial. Pelo contrário: quanto mais a tecnologia avança, maior parece ser o valor das experiências que aproximam pessoas e marcas. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN.

Durante muito tempo, acreditou-se que o varejo físico perderia espaço para os aplicativos e para o comércio eletrônico. A realidade, porém, mostra um movimento diferente. Empresas que nasceram na internet passaram a abrir lojas, criar espaços de convivência e investir em experiências presenciais. A explicação está naquilo que a tecnologia ainda não consegue reproduzir plenamente: a emoção.

Para Cecília Russo, a eficiência do ambiente digital não é suficiente para construir vínculos duradouros. “O algoritmo consegue entregar o produto, mas ele não entrega o encantamento.” Ela lembra que uma loja pode oferecer muito mais do que um ponto de venda. O consumidor pode tocar os produtos, sentir aromas, tomar um café e criar uma lembrança positiva daquela experiência.

Esse processo está ligado ao branding sensorial, estratégia que procura estimular diferentes sentidos para fortalecer a relação entre consumidor e marca. Como resume Cecília, “quanto mais sentidos uma marca for capaz de ativar, mais memória ela deixa”. Quando essa memória é positiva, aumentam as chances de o cliente retornar.

Isso não significa abandonar o ambiente digital. A proposta é integrar os diferentes canais de relacionamento. O conceito de omnicanalidade descreve exatamente essa presença em múltiplos espaços, permitindo que o consumidor escolha como deseja interagir com a empresa, seja pelo celular, pelas redes sociais, por aplicativos ou em uma loja física.

Jaime Troiano observa que esse investimento não pode ser analisado apenas pelos resultados financeiros imediatos de uma unidade comercial. A experiência presencial produz efeitos que alcançam toda a percepção da marca. “Quando você entra em um ambiente planejado, por exemplo, com um cheiro específico, um atendimento humano, sua percepção sobre o valor da marca sobe instantaneamente.”

O conceito de branding sensorial, desenvolvido por estudiosos como Martin Lindstrom, de acordo com Jaime, explica por que elementos como aroma, textura, iluminação e atendimento influenciam diretamente o valor percebido pelos consumidores. “No digital, a briga é por preço; no físico, a briga por prestígio, experiência e memória.”

Esse princípio também vale para pequenos negócios. Humanizar o relacionamento não depende necessariamente de uma loja. Um bilhete escrito à mão, uma embalagem preparada com cuidado ou um encontro com clientes podem transmitir atenção e criar conexões que dificilmente surgem apenas na tela do celular.

Ao longo da conversa, Jaime resume o desafio das empresas nos próximos anos em uma única palavra: “figital”, união entre físico e digital. A ideia é combinar a rapidez proporcionada pela tecnologia com a proximidade do relacionamento humano. Como ele afirma, “as pessoas estão exaustas de falar só com robôs e navegar em feeds infinitos. Elas querem encontros.”

A marca do Sua Marca

A principal lição do comentário é que tecnologia e contato humano não competem entre si. As marcas mais preparadas para o futuro serão aquelas capazes de unir eficiência digital com experiências presenciais que despertem emoções, fortaleçam a confiança e construam relações duradouras.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: a casa mal-assombrada da Bela Vista

Iorli Marli Bezerra Pivato

Ouvinte da CBN

Door Lock
Foto: Gustavo Maximo/Flickr

Minha história de São Paulo começa em 1948, quando eu tinha 6 anos, e mudei da casa da minha avó, na Rua Cruzeiro do Sul, para uma casa “mal-assombrada” na Rua Santo Antônio, 104, no bairro da Bela Vista.

No local havia acabado de acontecer um crime que abalou a cidade de São Paulo. Um jovem químico professor da USP, Paulo Ferreira de Camargo, havia matado a mãe e as duas irmãs e jogado os corpos em um poço no quintal da casa. Quando os corpos foram descobertos, ele se matou no banheiro.  Um dos bombeiros que participaram das escavações, sem proteção, morreu por infecção cadavérica.

Todos esses fatos e o exagero da imprensa em criar reportagens sensacionalistas, deram a ideia de que o local era amaldiçoado, mal assombrado, tornando o imóvel desvalorizado. 

Minha mãe viu ali uma oportunidade de negócio, alugou o imóvel, montou seu salão de beleza e relocou quartos e salas fazendo uma espécie de pensão.

Tenho boas lembranças daquela época, da ingenuidade da criança que se divertia observando curiosa os quartos dos inquilinos pelas fechaduras das portas, quando voltava do jardim da Infância, na Cruzada Pró-Infância, na Praça da República. 

Lembro das brincadeiras com os tubos de lança-perfume, comprados por meu avô, para a festa de carnaval, na avenida 9 de Julho, onde o cordão passava cantando “Nega Maluca”, de Linda Batista.

Lembro da curiosidade sobre o teatro de alumínio, instalado em 1952 na Praça da Bandeira, onde a companhia de teatro de Nicete Bruno se apresentava e usava os serviços do salão de beleza da minha mãe.

Lembro da festa do quadricentenário de São Paulo, dos papéis picados sendo jogados do alto dos prédios.

Vivemos na casa muito felizes, até 1954, quando foi demolida. Mudamos então para o bairro da Vila Rosa, perto do Horto Florestal, mas não abandonamos o Centro. Trabalhamos no Largo do Arouche, na Praça Patriarca, na Praça da República, mas aí são outras histórias.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Iorli Marli Bezerra Pivato é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Luciana Ramos, da Cashin, explica por que reconhecer o desempenho pode aumentar vendas e reter talentos

Luciana Ramos, da Cashin
Luciana Ramos no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“O salário hoje já não é mais suficiente, o mundo mudou.”

Programas estruturados de incentivo podem elevar o faturamento entre 22% e 25%, segundo dados observados pela Cashin em empresas que mantêm ações recorrentes de reconhecimento. Para Luciana Ramos, CEO e cofundadora da plataforma, o cenário revela uma mudança na forma como organizações procuram engajar profissionais e parceiros comerciais. O tema foi discutido em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

A ideia que deu origem à Cashin nasceu da experiência de Luciana Ramos e de Nanny Gordon no varejo. Ao migrarem para o mercado digital, identificaram uma necessidade comum em diferentes segmentos: criar mecanismos para estimular equipes de vendas e profissionais terceirizados de forma organizada e em conformidade com a legislação trabalhista.

Hoje, a plataforma reúne cerca de 300 mil usuários, atende mais de 300 empresas e movimenta entre R$ 400 milhões e R$ 450 milhões por ano em programas de incentivo. Em vez de receber um prêmio previamente definido pela empresa, o participante acumula pontos que podem ser convertidos em dinheiro, produtos, cartões ou outras opções de resgate.

Reconhecimento vai além do salário

Para Luciana Ramos, as transformações no mercado de trabalho tornaram insuficiente a lógica de que o salário, por si só, garante o comprometimento das pessoas.

“O salário hoje já não é mais suficiente, o mundo mudou. As gerações estão mudando.”

Ela observa que o reconhecimento precisa estar associado a objetivos claros e fazer parte da cultura da empresa.

“Você quer que eu fique na sua empresa? Eu preciso dos estímulos de 5 anos de casa, 10 anos de casa.”

Na avaliação da executiva, a revisão da legislação trabalhista em 2017 e 2018 trouxe mais segurança para que empresas adotem programas recorrentes de incentivo, desde que respeitem critérios objetivos e mantenham transparência sobre as regras.

Simplicidade e liberdade de escolha

Na entrevista, Luciana chama atenção para um erro frequente: criar campanhas complexas ou oferecer prêmios que não correspondem às necessidades dos participantes.

Ela lembra o caso de uma empresa que premiou funcionários com viagens para a Disney. Embora a iniciativa tenha sido comemorada inicialmente, o resultado surpreendeu.

“Em janeiro 94% (dos funcionários) foi no RH para perguntar se podia transformar em dinheiro.”

Segundo ela, a experiência mostrou que permitir ao profissional escolher como utilizar sua recompensa costuma gerar maior satisfação.

“Nada mais nobre do que deixar o funcionário escolher.”

Outro problema recorrente é a comunicação deficiente das campanhas.

“O erro clássico é ou não comunicar muito bem a campanha, não falar sobre a campanha, não divulgar essa campanha.”

Na visão da executiva, programas simples tendem a produzir melhores resultados.

“O simples é o melhor.”

Dados ajudam a desenhar campanhas mais eficientes

Além da gestão dos pagamentos, a Cashin utiliza informações acumuladas ao longo dos anos para orientar empresas sobre formatos de campanhas, indicadores e métricas de desempenho. A inteligência artificial passou a integrar esse processo, permitindo comparar resultados entre diferentes segmentos e sugerir modelos de incentivo mais adequados.

Segundo Luciana, os melhores resultados aparecem quando os programas deixam de ser ações isoladas e passam a fazer parte da rotina da organização.

“Quando existe um programa anual, semestral e etc., a gente percebe também um aumento.”

A empresa também desenvolveu projetos fora do ambiente corporativo tradicional. Um dos exemplos envolve cerca de 3 mil catadores de materiais recicláveis ligados à Plastic Bank. Por meio da plataforma, eles recebem bonificações pelo plástico retirado do oceano. Em alguns casos, o trabalho começou antes mesmo da inclusão financeira dessas pessoas.

“Muitos deles nem tinham CPF.”

Escutar antes de reconhecer

Ao falar sobre liderança, Luciana afirma que a principal lição aprendida ao longo da carreira foi envolver as pessoas nas decisões.

“A lição mais valiosa é escutar as pessoas e trazê-las para dentro do processo de decisão.”

Na própria Cashin, práticas de reconhecimento incluem premiações por feedbacks entre colegas, participação em iniciativas internas e metas alcançadas. Para ela, reconhecer resultados não significa apenas conceder recompensas financeiras, mas demonstrar que a contribuição de cada pessoa foi percebida.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o desejo pelas marcas resiste às dificuldades financeiras

O aperto no orçamento muda o que as pessoas colocam no carrinho de compras, mas não elimina o desejo pelas marcas que fazem parte da sua vida. Foi o que disseram Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, ao analisar como o elevado endividamento das famílias brasileiras afeta consumidores e empresas.

Jaime Troiano chama a atenção para o fato de que essa é uma questão que ultrapassa o universo dos negócios. “É um tema de grande sensibilidade social”, afirma. Segundo ele, cerca de 70% dos brasileiros convivem com algum tipo de dívida. Além disso, a ampliação do acesso ao crédito, resultado de uma população mais bancarizada, também contribuiu para o aumento do endividamento quando esse recurso não é administrado com cuidado.

Esse cenário obriga muitas famílias a reorganizar suas prioridades. A lista de compras passa a refletir menos os desejos e mais as possibilidades financeiras. Como resume Jaime, “é preciso escolher entre o que eu quero, aquilo de que eu gosto e aquilo que é possível”.

Essa mudança não significa que as marcas mais desejadas deixem de ocupar espaço na memória dos consumidores. Elas continuam sendo admiradas, mesmo quando precisam ser substituídas temporariamente por alternativas mais baratas. Para Jaime, esse movimento também provoca impactos nas empresas. “As marcas mais desejadas estão sofrendo e acompanhando o sofrimento dos seus clientes.”

Ao observar o comportamento das pessoas nos supermercados, Jaime relata cenas que revelam esse conflito de forma muito concreta. O pedido de uma criança por um biscoito de chocolate seguido da resposta da mãe — “Não, meu filho, hoje não dá” — traduz a dificuldade enfrentada diariamente por milhares de famílias. Na avaliação dele, essa realidade deve ser encarada com sensibilidade: “Melhor as marcas sofrerem do que a população sofrer.”

Cecília Russo amplia essa reflexão ao explicar que, em momentos de maior tranquilidade financeira, as pessoas conseguem consumir as marcas que realmente desejam. Quando o orçamento aperta, porém, o comportamento muda. “A gente tem que reprimir mesmo nossos desejos de compra e pensar em substituição de marcas.”

Ela observa que esse processo pode ser percebido diretamente nos pontos de venda. Os consumidores permanecem mais tempo diante das prateleiras porque precisam ponderar escolhas, comparar preços e avaliar o que cabe no orçamento. “É quase como se a gente conseguisse entrar na cabeça e no coração daqueles consumidores e ouvir aquele diálogo que acontece entre o ideal… e o que é possível.”

Para profissionais de marketing e gestão de marcas, essa observação vai além da análise de pesquisas e indicadores. Ela permite compreender emoções que dificilmente aparecem em estatísticas. Cecília lembra que acompanhar o comportamento real dos consumidores ajuda a entender a dimensão humana das decisões de compra e a reconhecer que, por trás de cada escolha, existe uma história de limitações, expectativas e esperança.

A imagem de um pai prometendo à filha que, quando recebesse um bônus da empresa, eles voltariam a “tomar muita Coca-Cola, com a salsicha da Sadia”, resume esse sentimento. O consumo desejado é adiado, não abandonado.

A marca do Sua Marca

O principal aprendizado do comentário é que dificuldades financeiras alteram o consumo, mas não apagam o desejo. Marcas construídas sobre vínculos afetivos permanecem vivas na memória das pessoas e tendem a ser retomadas quando as condições econômicas permitem. Enquanto esse momento não chega, compreender a realidade dos consumidores é uma responsabilidade de quem administra negócios e marcas.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Fabíola Menezes, da General Mills, diz como a economia dos criadores ajuda marcas tradicionais

Fabiola Menezes, CMO da General Mills
Fabíola Menezes entrevista no Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Hoje a campanha começa quando a gente dá o primeiro play.”

As redes sociais transformaram a forma como as marcas se relacionam com os consumidores. Se antes uma campanha publicitária dependia principalmente de anúncios na televisão, no rádio ou em revistas, hoje ela se constrói em múltiplos canais, com a participação de influenciadores, criadores de conteúdo e consumidores que interagem em tempo real. Esse movimento, conhecido como economia dos criadores, foi tema de entrevista de Fabíola Menezes, CMO da General Mills Brasil, ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Responsável por marcas como Yoki, Kitano e Häagen-Dazs no Brasil, Fabíola explicou que a presença dos criadores de conteúdo não substituiu as celebridades tradicionais, mas ampliou as possibilidades de comunicação.

“Hoje é uma pluralidade de vozes com muita influência, que consegue conectar com os consumidores de uma forma muito genuína”, afirmou.

Segundo ela, a estratégia da companhia busca aproximar marcas que já fazem parte da rotina dos brasileiros há décadas de novos hábitos de consumo e de comunicação. “A gente tá buscando modernizar as nossas marcas”, resumiu.

Modernizar sem perder a essência

Um dos desafios enfrentados pela General Mills é atualizar marcas tradicionais sem abrir mão dos valores que construíram sua reputação ao longo do tempo. Fabíola destacou que esse processo exige clareza sobre o propósito da marca e consistência na mensagem transmitida pelos diferentes porta-vozes.

“Você precisa ter um posicionamento muito claro e esse posicionamento carrega uma tradição.”

Para ela, a multiplicação dos canais de comunicação tornou mais complexo o trabalho de construção de marca. “O desafio hoje é manter essa consistência, esse posicionamento, tendo tantas vozes falando sobre a sua marca e não mais uma única mensagem.”

A escolha dos influenciadores, portanto, vai muito além do alcance ou da popularidade. O principal critério é a autenticidade.

“O que o consumidor não aguenta mais é quando o influenciador está lá só mostrando o produto e não tem verdade.”

Por isso, a empresa realiza avaliações prévias, investiga possíveis riscos reputacionais e desenvolve briefings que permitam aos criadores adaptar a mensagem ao seu próprio estilo de comunicação.

O consumidor mudou

Ao longo da conversa, Fabíola observou que a transformação não ocorreu apenas nas estratégias das empresas. O comportamento do consumidor também mudou.

“Os consumidores ficaram mais exigentes.”

Na avaliação dela, o brasileiro tem hoje mais opções de escolha, compara produtos com mais facilidade e espera que as marcas sejam relevantes para sua vida.

Ao mesmo tempo, existe um desafio adicional: o excesso de estímulos.

“A gente está sobrecarregado com a quantidade de mensagem que a gente recebe todos os dias.”

Essa realidade obriga as empresas a buscar formas menos invasivas de comunicação, inserindo suas mensagens em contextos culturais, experiências e conversas que façam sentido para o público.

Foi nesse contexto que a General Mills apostou em ações ligadas a eventos culturais, como as festas juninas, e em parcerias com influenciadores capazes de criar conexões mais próximas com os consumidores.

Dados, inteligência artificial e proximidade humana

A tecnologia também passou a desempenhar um papel relevante no trabalho de marketing. A empresa utiliza inteligência artificial para acelerar pesquisas com consumidores e analisar comportamentos. Fabíola relatou que a ferramenta já permite entrevistar consumidores, gerar relatórios automáticos e até criar personas sintéticas baseadas em pesquisas quantitativas.

Mesmo assim, ela acredita que a experiência direta continua indispensável.

“Eu acredito ainda na sola do sapato.”

A expressão resume a importância de visitar pontos de venda, conversar com consumidores e observar a realidade além das planilhas e relatórios.

“É muito importante não perder esse olhar, não perder essa conexão, porque, sim, a gente pode ser distanciado do consumidor sem perceber.”

Liderança em um ambiente de mudança constante

A executiva também compartilhou sua visão sobre liderança em um ambiente marcado pela velocidade das transformações tecnológicas e pela convivência entre diferentes gerações.

Para ela, o líder precisa desenvolver uma relação mais próxima com as pessoas da equipe e compreender suas expectativas individuais.

“Hoje a gente tem que entender um pouco as pessoas, tem que se aproximar, conversar com as pessoas.”

Fabíola defende a prática da mentoria e da mentoria reversa como instrumentos de desenvolvimento profissional e atualização constante.

“Eu acredito muito na mentoria reversa também.”

Segundo ela, a troca entre profissionais mais experientes e os mais jovens ajuda a acelerar o aprendizado e amplia a compreensão das mudanças culturais e tecnológicas que impactam os negócios.

Ao olhar para o futuro, Fabíola resume sua ambição para as marcas da General Mills: fortalecer conexões emocionais com os consumidores sem perder a relevância construída ao longo da história.

“Hoje eu tenho uma conexão emocional muito maior com nossa marca, hoje ela não pode faltar na minha vida.”

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que cliques não bastam para construir uma marca forte

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Estar entre os primeiros resultados de uma busca ou reunir milhares de curtidas pode gerar vendas, mas não garante que uma marca tenha conquistado um lugar na preferência do consumidor. O alerta em relação a obsessão pelaperformance nas plataformas digitais foi tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

O ponto de partida da conversa foi uma pergunta típica dos tempos atuais: o que acontece quando empresas passam a perseguir apenas indicadores de desempenho e deixam em segundo plano a construção de valor da marca? 

Para Jaime Troiano, esse comportamento revela uma distorção provocada pela busca incessante por resultados imediatos. “Vivemos a tirania da performance”, afirmou. Segundo ele, muitas organizações concentram seus investimentos em campanhas que geram vendas rápidas, mas deixam de fortalecer a imagem que sustentará o negócio no futuro.

Jaime observa que esse foco excessivo nos números faz com que profissionais percam a visão do conjunto. A comparação usada por ele ajuda a entender o problema: é como enxergar apenas a árvore e deixar de perceber a floresta. Nesse contexto, o marketing passa a perseguir métricas diárias, enquanto a marca deixa de construir vínculos duradouros com o público.

Para ilustrar essa ideia, ele citou o caso do Airbnb. A empresa reduziu investimentos em anúncios voltados exclusivamente para performance e voltou a apostar em campanhas de marca, baseadas em histórias e experiências. O resultado foi o aumento do tráfego direto e o fortalecimento da marca. 

Na avaliação de Jaime, depender apenas de plataformas de busca significa pagar continuamente pela atenção do público. “Se você só aparece quando paga para o Google ou hoje em dia também para IA generativa, você não tem uma marca propriamente, você tem um custo de aluguel de audiência.”

Outro ponto destacado foi a diferença entre comportamento e percepção. Os dados mostram o que as pessoas fizeram, mas não revelam, necessariamente, o que elas sentiram. Essa dimensão emocional explica por que curtidas e cliques não asseguram fidelidade. Um consumidor atraído apenas por uma promoção pode mudar de escolha assim que encontrar um desconto maior.

Cecília Russo ressaltou que isso não significa abandonar a tecnologia nem desprezar as informações produzidas pelos dados. Para ela, o desafio está em compreender o papel de cada elemento na estratégia. “O dado vai dar esse mapa, mas talvez a gente possa traduzir que a marca, numa linguagem metafórica, é a bússola.”

Essa distinção ajuda a entender um conceito importante do branding: o brand equity, expressão utilizada para definir o valor que uma marca ocupa na mente do consumidor. Em outras palavras, é a reputação construída ao longo do tempo, capaz de influenciar escolhas mesmo quando não há propaganda ou promoção diante do cliente.

Cecília lembrou que marcas como Natura, Granado e Boticário não dependem apenas dos algoritmos para vender. Elas acumulam uma reserva de reputação construída de forma consistente. O consumidor procura essas marcas porque já estabeleceu uma relação de confiança com elas.

Ela também chamou atenção para a diferença entre despertar um clique e despertar desejo. Quando uma empresa depende exclusivamente de impulsionamento para ser lembrada, torna-se refém desse investimento permanente. Em contrapartida, quando o consumidor digita espontaneamente o nome da marca na barra de busca, e não apenas o nome de um produto, existe um patrimônio construído que vai além da publicidade.

O resumo da conversa no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso veio na frase da Cecília: “os dados mostram o caminho, mas a gente tem que ir atrás do coração, da emoção”. Afinal, são as conexões emocionais que transformam uma compra ocasional em uma escolha recorrente.

A marca do Sua Marca

Os dados orientam decisões importantes, mas não substituem a construção de confiança, reputação e identificação com o consumidor. Performance gera resultados imediatos. Marca forte cria preferência duradoura e continua sendo escolhida mesmo quando o algoritmo aponta outras opções.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: o dia que o Corinthians mudou a vida de muita gente

Por Isabella Alves Brito Donadel

Ouvinte da CBN

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Quando ouvi na CBN, que seria feita mais uma homenagem a esta nossa maravilhosa cidade, decidi contar esta história. Aqui vou falar de natureza, vou falar de preservação e vou de falar um campo.

A natureza é esportiva. A preservação é de um local de muitas histórias vividas pelos paulistanos. E o campo? Bem, este é o gramado do estádio do Pacaembu.

Há algul tempo, durante a pandemia da Covid, constatei que meu pai estava chateado e para mudar essa situação lembrei que poderia provocá-lo a contar uma história que sempre o deixava feliz. A história de um dia que, segundo ele, foi “um dia ser lembrado para sempre”. 

Foi um dia que mudou a vida de muita gente na cidade de São Paulo. No Estado, no Brasil e no Mundo — sem exagero: Quatro de Julho de 2012.

Quando se comemoravam os 263 anso de independência dos Estados Unidos, um time de futebol brasileiro e paulista, conquistava a América. O time de mais de 33 milhões de torcedores.

Era uma quarta-feira, bem no meio da semana, e em um lugar que costumávamos chamar de “A casa dos corintianos”: o saudoso estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu.

Naquela noite, meu pai estava ansioso. Mas assim com a maioria, para não dizer a totalidade, daqueles milhões de torcedores, sabia que o time estava em uma excelente fase. Um elenco que exalava confiança. E transmitia essa sensação a todos os torcedores.

Este sentimento foi fundamental para a conquista que viria a ser alcançada: naquela noite, o Sport Clube Corinthians Paulista venceria por dois a zero o poderoso Boca Juniors, time argentino que já havia vencido diversas Libertadores da América. Foi uma vitória incontestável e invicta.

Ao fim daquele jogo, todo corintiano podia gritar em alto e bom som para quem quisesse ouvir: “depois de campeões do mundo, em 2000; também somos campeões da américa, em 2012”. 

Estávamos livres de ouvir dos tradicionais adversários a frase: “nunca serão …”. Sim, naquele 4 de julho de 2012, “nóis” corintianos éramos campeões da América.

Para mim, então com 11 anos, ficpu a lembrança do dia mais feliz na vida de meu pai. E com certeza de milhões de corintianos.

Viva a natureza esportiva. Viva o Pacaembo e o seu gramado mágico, palco de tantas emoções para esta nossa maracilhosa cidade de São Paulo.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Isabella Alves Brito Donadel é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Luana Ozemela, do iFood, destaca o uso da tecnologia para ampliar inclusão e oportunidades

Luana Ozemela, CSO e Vice-Presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood
Luana Ozemela, do iFood, é entrevistada no Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN


“A gente precisa cultivar essa mentalidade de sermos arquitetos de impacto social. Que que significa isso? Todos os dias estamos pensando como que a minha empresa, além do impacto econômico que eu gero, como que eu posso gerar mais impacto social?”

Mais de 60 milhões de consumidores, 600 mil entregadores ativos e cerca de 550 mil estabelecimentos comerciais formam um dos maiores ecossistemas digitais do país. O desafio é transformar essa escala em oportunidades de trabalho, acesso à educação, proteção social e crescimento econômico para diferentes públicos. E foi razão da entrevista com Luana Ozemela, vice-presidente de impacto e sustentabilidade do iFood, ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Ao falar sobre o papel da tecnologia nesse ambiente, Luana definiu a empresa como um espaço de observação permanente das relações sociais que acontecem dentro da plataforma. “O iFood de hoje é o que eu chamo um verdadeiro laboratório social”, afirmou.

Segundo ela, a tecnologia não deve servir apenas para conectar oferta e demanda. Também precisa identificar vulnerabilidades, prevenir conflitos e ampliar o acesso a direitos e oportunidades. “A tecnologia hoje, ela vem para não só aproximar a demanda da oferta, criar essas oportunidades de trabalho para toda essa população, mas também para intervir onde precisa intervir para dissipar conflitos.”

A executiva destacou ainda iniciativas voltadas aos entregadores, como acesso à educação, pontos de apoio e mecanismos de proteção contra violência e discriminação. “A tecnologia precisa estar monitorando todas essas vulnerabilidades o tempo todo e resolvendo os conflitos e levando essa educação.”

O debate global sobre o trabalho em plataformas

O crescimento das plataformas digitais trouxe para governos, empresas e trabalhadores um desafio que ainda está em construção: encontrar modelos de regulação capazes de equilibrar inovação e proteção social.

Para Luana, a economia de plataformas é um fenômeno recente e exige soluções que respeitem as particularidades de cada país. Ela lembrou que o iFood participa das discussões internacionais sobre o tema desde 2021 e integrou iniciativas promovidas pelo Fórum Econômico Mundial.

“Os últimos três anos de fórum culminaram na estrutura no lançamento da Aliança Global pelo Trabalho Digno de Plataformas”, disse.

A executiva também comentou a aprovação de uma convenção internacional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) voltada aos direitos dos trabalhadores. Na avaliação dela, o acordo representa um avanço porque estabelece princípios globais sem impor uma única fórmula regulatória.

“Em cada país o vínculo é definido conforme a legislação local. Em cada país o ganho mínimo é definido conforme a legislação local.”

Para Luana, esse modelo permite ampliar a proteção aos trabalhadores sem comprometer a continuidade das oportunidades geradas pelas plataformas digitais.

Digitalização e acesso ao crédito para pequenos negócios

Além dos entregadores, outro grupo fundamental para o funcionamento da plataforma é formado pelos pequenos empreendedores.

Segundo Luana, uma das principais contribuições do iFood está na aceleração da transformação digital desses negócios. Ela observa que muitos estabelecimentos chegaram ao ambiente digital com atraso e agora precisam lidar com ferramentas cada vez mais sofisticadas.

“A gente já está falando de levar agentes de inteligência artificial para que esses pequenos negócios consigam organizar suas contas, o seu estoque, fazer uma melhor precificação.”

A executiva destacou ainda a oferta de produtos financeiros adaptados à realidade dos restaurantes e pequenos comerciantes. Como a plataforma possui informações detalhadas sobre o desempenho dos estabelecimentos, consegue avaliar riscos de forma diferente da utilizada por instituições financeiras tradicionais.

“Pelo fato da gente conhecer esse restaurante, conhecer como que os clientes gostam do restaurante, como que eles voltam para esse restaurante, a gente consegue dar produtos financeiros muito melhores.”

Entre os serviços oferecidos estão crédito, microcrédito, cartão de crédito e antecipação de recebíveis, instrumentos que ajudam empresas de menor porte a expandir operações e enfrentar períodos de instabilidade.

Inovação social para enfrentar problemas complexos

A área de impacto e sustentabilidade do iFood trabalha com o conceito de inovação social, que, segundo Luana, consiste em encontrar novas formas de resolver desafios coletivos.

Um dos exemplos apresentados na entrevista foi a segurança no trânsito. Em vez de concentrar esforços apenas em mecanismos de punição, a empresa passou a estudar fatores comportamentais capazes de estimular mudanças mais duradouras.

“Inovação social para a gente nada mais é do que pensar de múltiplas formas, como resolver problemas sociais complexos.”

A partir desse princípio, foi desenvolvido um sistema baseado em ciência comportamental para incentivar práticas mais seguras na condução de veículos. O programa utiliza dados e mecanismos de incentivo para estimular mudanças de comportamento entre os entregadores.

“A gente conseguiu reduzir drasticamente o número de entregadores que dirigiam consistentemente acima da velocidade do viário urbano.”

Segundo Luana, os resultados foram alcançados sem reduzir a eficiência operacional da plataforma. “A gente fez isso sem tornar a nossa operação mais lenta.”

Para ela, a inovação social se torna relevante justamente quando consegue enfrentar um problema coletivo e, ao mesmo tempo, manter a viabilidade do negócio.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.