Mundo Corporativo: Thiago Piovesan, da Indigo, fala da importância do estacionamento na retenção de clientes

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Nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Hoje o estacionamento passa a desempenhar um papel que eu diria básico de ser muito além do que isso.”

Os estacionamentos deixaram de ser apenas espaços para guardar carros e passaram a integrar estratégias de mobilidade, experiência do consumidor e geração de negócios. Em alguns casos, já funcionam como pontos de conexão entre diferentes meios de transporte, centros de serviços e fontes de dados para empresas. O assunto foi tema de entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, com Thiago Piovesan, CEO da Indigo no Brasil.

Thiago Piovesan explicou como a transformação do setor foi acelerada por mudanças no comportamento das cidades, pela digitalização dos serviços e pela necessidade de melhorar a experiência dos consumidores desde o momento da chegada aos empreendimentos. Segundo ele, o estacionamento passou a ser parte da jornada do cliente.

“Do ponto de vista de experiência do usuário, o estacionamento precisa se colocar como parte integrante daquele local onde ele vai visitar e oferecer tanta comodidade, tanta experiência, tanta complementaridade quanto o propósito principal”, afirmou.

O executivo destacou que a lógica de operação muda conforme o ambiente atendido. Em hospitais, por exemplo, o acolhimento humano ganha protagonismo. Já em arenas esportivas e eventos, o digital domina boa parte da experiência. No Mineirão, uma das arenas que a Indigo opera no Brasil, mais de 95% dos usuários usam sistemas digitais de acesso e pagamento.

Outro ponto abordado foi a influência do estacionamento sobre a fidelização dos clientes. Piovesan comparou a experiência de estacionar à experiência de frequentar um restaurante. Um bom atendimento logo na chegada pode influenciar diretamente a decisão de retorno do consumidor.

“Você deixa de frequentar um restaurante, por mais que a comida seja de alto nível, se você não tem uma experiência de chegada do mesmo nível”, observou.

Mobilidade urbana e cidade de 15 minutos

Na entrevista, Thiago Piovesan também explicou como os estacionamentos passaram a integrar projetos de mobilidade urbana. Ele citou o conceito da “cidade de 15 minutos”, em que os serviços essenciais devem estar acessíveis em pequenos deslocamentos.

Segundo ele, o estacionamento pode funcionar como ponto intermediário de conexão entre diferentes meios de transporte.

“Você pode planejar uma ida do ponto A ao ponto C, sendo o ponto B um estacionamento. Você sai daqui, vai no estacionamento, deixa seu carro, pega uma mobilidade mais inteligente, pode ser um patinete, um transporte público, enfim, um carro locado e termina essa jornada no ponto C”, explicou.

A Indigo, empresa de origem francesa, já opera mais de 350 estacionamentos no Brasil, com cerca de 350 mil vagas e aproximadamente 5,5 milhões de usuários por mês. A empresa atua em shopping centers, aeroportos, hospitais, parques, arenas esportivas e centros de eventos. Em 2025, teve um faturamento de R$ 1,7 bilhão.

Dados, inteligência artificial e novos serviços

Outro eixo da conversa foi o uso de inteligência artificial na gestão dos estacionamentos. A empresa já utiliza sistemas capazes de analisar sazonalidade, eventos nas cidades, comportamento do consumidor e ocupação dos espaços para sugerir estratégias operacionais, especialmente em aeroportos.

“O estacionamento vai começar a ganhar um protagonismo no core business, nas vendas ou na operação principal”, afirmou.

Segundo Piovesan, a tendência é que os estacionamentos se transformem em plataformas de serviços e relacionamento com os clientes. A partir da análise de dados, será possível oferecer promoções, serviços e experiências mais alinhadas ao perfil de cada usuário.

Ele também chamou atenção para a necessidade de os pequenos e médios empresários passarem a olhar o estacionamento de maneira estratégica. Para o executivo, ainda existe no Brasil uma visão limitada sobre o potencial desses espaços.

“Estacionamento nunca teve um protagonismo, nunca foi pauta da agenda estratégica deles”, disse.

Liderança e transformação

Na parte final da entrevista, Thiago Piovesan falou sobre os desafios de liderar uma empresa em um setor que passa por mudanças aceleradas. Para ele, o principal desafio está em equilibrar inovação tecnológica, adaptação cultural e gestão de pessoas.

“Estacionamento são pessoas cuidando de pessoas”, resumiu.

O executivo afirmou ainda que pretende atuar de maneira mais protagonista na transformação da mobilidade urbana brasileira, trazendo experiências internacionais adaptadas à realidade local.

“Eu tenho pessoalmente a missão de fazer parte dessa transição e dessa transformação no Brasil de maneira proativa”, afirmou.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Karen Lemos, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que aprender da estratégia para a escolha do nome “Nubank Parque”

NuBank Parque
Foto: Divulgação NuBank

Você, não sei. Mas a torcida do Palmeiras, com certeza, participou da escolha do novo nome da arena do clube. A estratégia foi usada pelo banco digital NuBank que está assumindo o “naming rights” do complexo esportivo e cultural, em São Paulo. Para Jaime Troiano e Cecília Russo, do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, transformar as pessoas em participante de uma decisão pode ser mais eficiente do que investir apenas em propaganda. 

O Nubank colocou três opções em votação pública: “Nubank Parque”, “Nubank Arena” e “Parque Nubank”. Durante 20 dias, torcedores e consumidores puderam votar. O nome escolhido foi “Nubank Parque”, com 47% dos votos. A decisão trouxe um efeito importante para a marca: o público passou a discutir, compartilhar e defender a escolha.

Cecília Russo observou que o processo gera sensação de pertencimento. “Quando você convida, as pessoas se sentem ativas nessa mudança e você vai ter menos ruído em relação a isso”, afirmou.

A lógica por trás desse movimento é relativamente simples. Em vez de comunicar uma decisão pronta, a empresa cria uma experiência de participação. O consumidor deixa de ocupar apenas o papel de espectador e passa a atuar como alguém que ajudou a construir a história da marca.

Esse tipo de estratégia também produz outro efeito valioso: amplia espontaneamente a circulação da mensagem. Pessoas comentam nas redes sociais, discutem em grupos de conversa e levam o tema para ambientes fora do universo publicitário. O assunto ganha vida própria.

No comentário, Cecília lembrou que a discussão ultrapassa o ambiente digital e chega ao cotidiano das pessoas. “Na nossa empresa mesmo, a gente começou: ‘Que nome que você escolhe?’”, contou.

Jaime Troiano ponderou que esse movimento ainda não representa uma transferência das decisões estratégicas para o consumidor. Para ele, as empresas continuam definindo os caminhos principais, embora estejam aprendendo novas maneiras de gerar envolvimento. “As marcas estão aprendendo de alguma forma a navegar no mundo dessa hiper-informação”, disse Jaime.

Ele citou como exemplo a campanha “Compartilhe uma Coca-Cola”, que estampava nomes próprios nas embalagens. Embora não houvesse votação pública, a ação estimulava as pessoas a procurar seus nomes, fotografar as latinhas e compartilhar o conteúdo espontaneamente. “Quanto mais as pessoas se sentem envolvidas, mais elas ficam abertas a falar sobre isso, quase como se fossem embaixadoras da marca”, explicou Jaime.

Existe aí uma mudança importante na forma de comunicação das empresas. Durante muito tempo, marcas falavam e consumidores apenas ouviam. Hoje, muitas companhias perceberam que participação gera memória, conversa e engajamento. É como transformar o consumidor em coproprietário simbólico daquela narrativa. Mesmo que a decisão final continue nas mãos da empresa, o público sente que deixou sua impressão digital no processo.

A marca do Sua Marca

Marcas ganham força quando conseguem envolver as pessoas na construção da própria narrativa. Participação cria vínculo emocional, reduz resistência a mudanças e amplia espontaneamente o alcance da comunicação.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: as conversas alheias nas linhas do metrô

Cristina Schachtitz
Ouvinte da CBN

Foto de Andre Moura no Pexels.com

O ano era 2007. Eu trabalhava na Vila Olímpia e morava em Santo Amaro. O trajeto de carro para o trabalho não demorava mais que 12 minutos. Até que uma obra, que não leva nada a lugar nenhum, começou a ser construída ao lado do Parque do Povo, em contrapartida a uma construção monumental na região.

Passei a levar 40 minutos para chegar ao trabalho e mais de uma hora para voltar para casa. A obra travou o bairro. Num desses momentos de desespero, tédio e raiva, parada no meio de um mar de carros, olho para o lado e vejo um trem: por que não?

No dia seguinte, estava eu na Linha Esmeralda, ainda da CPTM, saindo da Granja Julieta em direção à estação Vila Olímpia e chegando ao escritório em 8 minutos — e o mesmo na volta. Era eu e eu no trem. A cada partida, um trecho de uma música clássica. No futuro, com a ligação com a Linha Lilás, o trem lotou, o serviço piorou; com a concessão, piorou ainda mais — e a música parou. Liguei e me explicaram que tiraram porque os usuários não gostavam. Eu gostava, mas não fui ouvida.

Foi nessa época que comecei a prestar atenção nas conversas no trem. Confesso que sempre fiz isso em filas de mercado, em restaurantes, mas no trem era diferente. Muitas vezes, eu só ouvia uma parte das histórias.

Ainda sem as facilidades dos smartphones e sem os aplicativos de mensagens, as pessoas falavam ao telefone. Eu ouvia uma parte e imaginava as respostas.

Muita gente falando mal da chefia, reclamando da patroa, fofocando sobre colegas de trabalho. E eu só criando os diálogos na minha cabeça. Gente que dizia que estava numa estação, chegando já, já, mas que ainda estava umas três antes… E eu até torcia para a voz no alto-falante não anunciar a estação e dedurar a pessoa… Também prestava atenção aos diálogos e a outras histórias compartilhadas.

As pessoas esquecem que estão tornando sua vida pública — afinal, estamos num trem! Então veio a ideia de escrever microcontos, tentando reproduzir o que ouvia e inventando a outra parte ou, simplesmente, escrevendo o que vi e ouvi.

Vamos a algumas dessas histórias:

E no trem, ao celular, a amiga aconselha: “Presta atenção, porque daqui a pouco você estará vivendo um triângulo amoroso e vai ser a última a saber. O seu problema é a comodidade”. E assim começa a semana.

A moça lê no trem Orações e Bênçãos. Uma formiga atravessa as páginas. A moça esmaga a formiga. Que Deus a tenha. A formiga.

A moça segue em direção ao Grajaú. Vai a um velório. Morreu a mãe de uma amiga. O pai também já morreu. Sei porque ela contou para um outro passageiro. Ela liga para três pessoas para “convidar” para o tal velório. Sua mãe, inclusive. Ouve três nãos. Pouco prestígio. Dela e da falecida.

Hoje acompanhei a história de uma babá criticando muito, muito a sua patroa para uma amiga, ao celular. Hilário. Sei o nome da patroa, de uma das crianças, do motorista, da cozinheira demitida e da faxineira da casa da praia… E sei também o preço da diária da folguista.

O rapaz liga para a chefe e avisa que está atrasado. Confessa que perdeu a hora, vai chegar logo. Incrível a mágica que transforma 40 minutos em 40 minutinhos.

E sigo a vida, de estação em estação!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Cristina Schachtitz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Rodrigo Rubido, do Elos, defende uma liderança distribuída nas empresas

Rodrigo Rubido, do Instituto Elos
Rubido em entrevista no estúdio de podcast da CBN. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A gente deveria começar a trabalhar para que a gente tenha uma vida de interdependência.”

A discussão sobre saúde mental no ambiente de trabalho ganhou força nos últimos anos, mas convive com um fenômeno menos visível e cada vez mais presente: a solidão. Empresas investem em programas de bem-estar, falam sobre pertencimento e estimulam integração entre equipes, enquanto profissionais relatam isolamento, dificuldade de convivência e perda de vínculos humanos. O tema foi discutido por Rodrigo Rubido, arquiteto, cofundador e diretor do Instituto Elos, em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN.

Rubido relacionou esse processo à cultura de individualismo construída ao longo das últimas décadas. Segundo ele, a sociedade passou de uma lógica comunitária para uma dinâmica centrada na autonomia individual. Essa transformação trouxe avanços importantes, mas também enfraqueceu relações de convivência e colaboração. “O ser humano não estaria aqui se não fosse sua capacidade de viver em comunidade”, afirmou.

Para o diretor do Instituto Elos, as empresas acabam reproduzindo esse comportamento ao transformar competitividade em modelo dominante de gestão. Ele observa que muitos ambientes corporativos ainda estimulam disputas internas e dificultam relações de confiança e cuidado mútuo. Na visão dele, organizações ainda desconhecem o potencial que existe quando equipes passam a atuar verdadeiramente como comunidade.

A reflexão ganhou contornos mais concretos quando Rubido relembrou uma viagem que fez à Suécia, em 2007. Encantado inicialmente com o padrão de desenvolvimento social do país, acabou impactado ao descobrir um problema crescente de solidão entre idosos. Segundo contou, bombeiros instalavam sensores em residências para identificar se pessoas que moravam sozinhas continuavam vivas. O episódio serviu como contraste em relação às comunidades periféricas brasileiras com as quais o Instituto Elos trabalhava naquele período. Enquanto em países desenvolvidos a autonomia individual chegava ao extremo do isolamento, nas periferias brasileiras ainda existiam vínculos de vizinhança, troca e interdependência.

O valor da comunidade dentro e fora das empresas

O Instituto Elos nasceu nos anos 1990, quando um grupo de estudantes de arquitetura decidiu se aproximar das periferias urbanas para compreender melhor os desafios sociais das cidades. Rubido contou que havia uma inquietação em relação ao ensino tradicional da arquitetura, muito concentrado nas estruturas físicas e pouco atento à dimensão humana dos territórios.

A aproximação com comunidades periféricas acabou mudando o rumo do trabalho desenvolvido pelo grupo. Em vez de olhar apenas para carências e problemas, eles passaram a identificar potencialidades locais, formas de colaboração e capacidades coletivas já existentes. Essa percepção se transformou na base metodológica do Instituto Elos.

“A gente se dedicou a pesquisar o que tinha de melhor nesses lugares”, disse.

A metodologia desenvolvida pela organização parte justamente desse princípio: reconhecer potencialidades antes de tentar corrigir deficiências. O trabalho envolve fortalecimento de vínculos, construção de pertencimento e mobilização comunitária em torno de objetivos comuns. Segundo Rubido, o protagonismo coletivo surge quando pessoas passam a compartilhar sonhos, valores e responsabilidades.

Essa lógica também passou a ser aplicada dentro das empresas. Inicialmente, o Instituto Elos era procurado por organizações interessadas em apoiar projetos sociais. Com o tempo, as companhias começaram a solicitar treinamentos de liderança e apoio em conflitos com comunidades vizinhas às suas operações.

Rubido afirmou que muitas empresas ainda chegam aos territórios como estruturas isoladas, sem compreender que fazem parte de uma rede social mais ampla. Para ele, a ideia não deve ser apenas obter autorização para operar, mas construir relações permanentes de convivência e colaboração com as comunidades locais.

“A empresa precisa conhecer seus vizinhos, precisa entender os interesses, as necessidades, os desafios daquele bairro onde ela tá inserida”, afirmou.

Segundo ele, boa parte dos conflitos corporativos com comunidades surge justamente pela ausência de escuta e diálogo desde o início da operação. O resultado, muitas vezes, aparece em prejuízos financeiros, desgaste institucional e deterioração das relações locais.

Liderança, escuta e colaboração

Outro eixo central da entrevista foi a formação de lideranças. Rodrigo Rubido criticou modelos excessivamente hierarquizados, nos quais decisões estratégicas são tomadas por pessoas distantes da operação cotidiana das empresas. Ele defende uma lógica de “liderança distribuída”, em que a condução dos projetos circula de acordo com a experiência e a capacidade de realização de cada integrante da equipe.

Na prática, isso exige líderes menos concentrados em controle e mais preparados para escutar, dialogar e construir soluções compartilhadas. Rubido argumenta que fomos educados para identificar falhas e problemas, mas pouco treinados para reconhecer potencialidades humanas.

“A gente foi muito bem educado para identificar problemas”, observou.

Na metodologia aplicada pelo Instituto Elos, antes de qualquer ação prática existe um processo de fortalecimento de vínculos afetivos, identificação de valores comuns e definição coletiva de objetivos. Só depois dessas etapas acontece a execução do projeto.

Segundo Rubido, muitas organizações operam abaixo de seu potencial porque trabalham com pessoas desconectadas entre si, executando projetos nos quais não se reconhecem. Para ele, ambientes mais colaborativos produzem não apenas melhores relações humanas, mas também resultados concretos para os negócios.

Ao fim da entrevista, deixou uma provocação às lideranças empresariais: “O convite é que a gente aposte em melhorar as pessoas, ao invés de controlar as pessoas.”

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Conte Sua História de São Paulo: joguei futebol no córrego da Traição

João Pedro Marchina
Ouvinte da CBN

Futebol arte
Imagem: Léo Pires/Flickr CBN SP

Estou com 70 anos e, há quase cinco anos, moro numa Kombi Home, viajando pelo Brasil, mas não é isso que importa agora. Quero mesmo é falar de São Paulo.

Nasci no bairro do Aeroporto, num sobrado novinho, onde, muitos anos depois, em 2007, cairia um avião da TAM em frente. Eu já não vivia mais lá. Em 1958, nos mudamos para o Planalto Paulista, para uma casa térrea recém-construída e bela. Ali foram 50 anos de história.

Mas sabe o que realmente quero contar? É sobre o Córrego da Traição, onde hoje está a Avenida dos Bandeirantes.

Por incrível que até mesmo a mim pareça, quando tinha por volta de 10 a 15 anos, o córrego era meu destino com os amigos. Pegávamos peixinhos lebistes para manter no aquário que tínhamos em casa. Caçávamos passarinhos usando visgo, o que hoje é uma maldade e proibido.

No cimo da atual avenida, onde há um atacado de plantas — um garden, como chamam por aí —, no meu tempo havia dois campos de futebol do time Flor do Guarani. Era o espaço onde fazíamos as aulas de ginástica às sete horas da manhã, sob intensa garoa e neblina. Sim, havia garoa e neblina lá pelos anos de 1965.

Os cabides para pendurar as roupas, enquanto nos exercitávamos, eram os pés de mamona plantados ao lado do campo. Mamona que também servia de munição para as batalhas de estilingue.

Recordações quase impossíveis de acreditar para quem só conheceu a região depois que a Bandeirantes foi inaugurada, em 1970.

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Mundo Corporativo: Alcebíades Jr, da Libbs Farmacêutica, explica como criar uma mentalidade de excelência

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“Se você quer excelência, você não cobre excelência. Você tem que motivar as pessoas a se envolverem nesse movimento de querer melhorar.”

Desenvolver um medicamento exige anos de pesquisa, investimentos elevados e convivência permanente com o risco de fracasso. Em muitos casos, um projeto iniciado hoje só chegará ao mercado cinco anos depois — isso quando chega. É nesse ambiente de pressão constante que empresas farmacêuticas tentam equilibrar inovação, produtividade e segurança. O tema foi discutido por Alcebíades Junior, presidente-executivo da Libbs Farmacêutica, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Ao falar sobre a trajetória da companhia, Alcebíades apresentou a Libbs como uma empresa que buscou ocupar espaços pouco explorados pela indústria farmacêutica nacional. Citou o lançamento de medicamentos para arritmia cardíaca em um período em que laboratórios brasileiros ainda evitavam esse segmento, além do desenvolvimento de produtos para rejeição de órgãos e da produção nacional de anticorpos monoclonais usados no tratamento de câncer e doenças autoimunes.

Hoje, a empresa reúne cerca de quatro mil colaboradores, cem marcas e aproximadamente 250 apresentações de medicamentos. Atua em áreas como psiquiatria, saúde feminina, dermatologia, oncologia e doenças reumáticas. Mesmo assim, o executivo reconhece que inovar no setor continua sendo uma operação cercada de incertezas. Segundo ele, muitos projetos consomem tempo e recursos até que se perceba, no meio do percurso, que já não fazem mais sentido comercial ou científico.

A cultura organizacional além do discurso

Para enfrentar esse ambiente complexo, a Libbs estruturou internamente um modelo de gestão batizado de “Pirâmide Mentex”. A lógica é simples na aparência, embora difícil na prática: segurança vem antes de qualidade; qualidade vem antes de produtividade; e tudo precisa ser permanentemente revisado pela ideia de melhoria contínua.

A proposta surgiu da tentativa de transformar conceitos abstratos em critérios objetivos para a tomada de decisão. Na visão de Alcebíades, cultura empresarial não se sustenta em apresentações institucionais ou frases penduradas na parede. O teste real aparece nos momentos de pressão, quando a liderança precisa escolher entre acelerar resultados ou respeitar os princípios que diz defender.

Foi justamente dessa necessidade de coerência que nasceu a hierarquia da pirâmide. O executivo contou que parte dessa percepção foi influenciada por uma visita à Disney, onde ouviu que a segurança das pessoas era mais importante do que o próprio espetáculo. A ideia permaneceu com ele e acabou incorporada à forma como passou a enxergar gestão.

Na prática, isso significa que produtividade não pode atropelar segurança nem qualidade — uma lógica que ele tenta aplicar desde a contratação de funcionários até decisões operacionais e estratégicas.

Excelência não é perfeccionismo

Alcebíades fez questão de separar a busca pela excelência do perfeccionismo. Para ele, existe uma diferença importante entre tentar melhorar continuamente e perseguir um ideal inalcançável movido mais pela vaidade do que pela entrega concreta.

Segundo explicou, a excelência está ligada à capacidade de produzir a melhor solução possível naquele momento, dentro das condições existentes. Já o perfeccionismo, na visão dele, costuma gerar ansiedade, atropelar etapas e dificultar a evolução consistente dos processos.

“O perfeccionista já quer fazer o impossível. Ele pula etapas e quando você pula etapas, você nunca chega lá.”

A ideia de evolução gradual aparece com frequência na maneira como ele descreve sua própria forma de gestão. Alcebíades afirmou que desenvolveu o hábito de revisar continuamente decisões, textos e processos, procurando pequenas melhorias sucessivas em vez de mudanças radicais.

Essa lógica também foi aplicada em programas internos da empresa. Uma obrigação legal relacionada à semana de segurança do trabalho, por exemplo, acabou transformada em um programa mais amplo, que passou a discutir saúde, qualidade e prevenção durante a pandemia de Covid-19. O mesmo ocorreu com o programa Jovem Aprendiz, que deixou de ser tratado apenas como exigência burocrática para funcionar como espaço de formação e aproveitamento profissional.

Liderança construída ao longo do tempo

A conversa também abordou o processo de sucessão e profissionalização dentro da Libbs. Embora seja uma empresa ligada à história da família, Alcebíades defendeu que o fortalecimento da cultura organizacional depende da formação contínua de lideranças internas.

Ele afirmou que passou a ter mais sucesso nas promoções quando deixou de buscar executivos prontos para cargos elevados e começou a desenvolver profissionais que já conheciam profundamente os valores e o funcionamento da companhia. Muitos diretores atuais começaram décadas atrás em posições intermediárias e cresceram dentro da própria organização.

“Tem um pipeline de liderança, ou seja, você está sempre desenvolvendo, permitindo que as suas lideranças se desenvolvam para que um dia elas assumam todas as posições, inclusive a minha.”

Ao lembrar da influência do pai, que comandou a empresa antes dele, Alcebíades retomou uma frase que ouviu muitas vezes ao longo da vida: “Cada tijolo da Libbs foi colocado por um colaborador.”

A memória ajuda a explicar uma das ideias centrais da entrevista: empresas não existem sem pessoas. Em determinado momento da conversa, ele resumiu essa visão de maneira direta: “Se tirar as pessoas da Libbs, não existe Libbs.”

Escuta como instrumento de gestão

Entre as ferramentas usadas para manter proximidade com os funcionários está um programa interno chamado “Perguntar não ofende”. A iniciativa permite que colaboradores enviem perguntas anônimas diretamente à presidência da empresa.

Mais do que as respostas, Alcebíades disse prestar atenção às perguntas recorrentes. É nelas que identifica ruídos internos, preocupações coletivas e temas que exigem ação da liderança. Segundo ele, o crescimento da companhia tornou impossível conhecer pessoalmente todos os colaboradores, o que aumentou a necessidade de criar canais permanentes de escuta.

“As perguntas são mais interessantes, porque é ali que eu percebo onde é que as coisas podem estar pegando e onde é que eu posso melhorar.”

A partir dessas manifestações, a empresa encaminha cobranças e discussões para as áreas responsáveis. O executivo afirmou que ouvir sem responder ou agir acaba destruindo a credibilidade de qualquer iniciativa de comunicação interna.

Trabalho remoto e produtividade

Outro tema tratado na entrevista foi a manutenção do trabalho remoto em parte das operações após a pandemia. Alcebíades afirmou que a experiência mudou profundamente a dinâmica das reuniões e aumentou a produtividade.

Antes, grande parte do tempo era consumida em deslocamentos entre escritórios, fábricas e encontros presenciais. Hoje, segundo ele, reuniões com equipes de diferentes cidades acontecem em sequência, com intervalos mínimos entre uma conversa e outra.

Além disso, a empresa incorporou métodos inspirados em práticas adotadas por companhias de tecnologia. Um deles veio da Amazon: antes de cada reunião, os participantes recebem um memorando resumindo o problema que será discutido. O documento serve como ponto de partida para decisões mais rápidas e objetivas.

A adoção do trabalho remoto também alterou a visão do executivo sobre equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Na avaliação dele, as duas dimensões estão inevitavelmente conectadas e não fazem sentido como universos separados.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que a Disney continua encantando gerações

Foto der Eric Vo no Pexels.com

Poucas marcas conseguem atravessar um século mantendo a capacidade de emocionar pessoas de diferentes idades, culturas e classes sociais. Portanto, não me surpreendeu o fato de a Disney ter reaparecido na pauta proposta pelo Jaime Troiano e Cecília Russo para o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

A Disney virou um caso raro de permanência especialmente se considerarmos que vivemo em um mercado que muda em velocidade acelerada. Enquanto empresas de tecnologia surgem, crescem e desaparecem em poucos anos, a companhia criada em 1923 segue entre as marcas mais valiosas do planeta. Segundo dados da Brand Finance  citador por Jaime Troiano, a marca Disney vale cerca de U$ 48 bilhões e permanece entre as 50 mais valiosas do mundo.

Para Jaime, a força da Disney está menos nos personagens e mais naquilo que eles despertam nas pessoas. “A capacidade de emocionar as pessoas. Esse é o papel supremo das marcas”, afirmou.

A observação ajuda a entender um fenômeno que vai além do entretenimento. Marcas fortes criam vínculos emocionais. Elas deixam memórias, ocupam espaço afetivo e passam a fazer parte da rotina das pessoas. Portanto, não se fala apenas de consumo, mas de relação.

Jaime  destacou que emoção sem consistência não se sustenta. Segundo ele, a Disney mantém uma “gestão muito estruturada”, associada a bons produtos e comunicação coerente ao longo do tempo. A combinação entre emoção e organização explica por que a marca consegue fidelizar consumidores por tantas décadas.

Cecília Russo chamou atenção para outro aspecto importante: a capacidade da Disney de preservar sua essência enquanto se transforma. “A Disney é super apegada às raízes, às tradições, mas ela sabe também ir além”, disse.

Esse talvez seja um dos maiores desafios das empresas atuais. Muitas marcas mudam tanto para parecer modernas que perdem identidade. Outras se agarram ao passado e deixam de conversar com o presente. A Disney parece ter encontrado um equilíbrio delicado: muda sem deixar de ser reconhecida.

A aquisição de empresas como Pixar, Marvel e Lucasfilm foi apresentada por Cecília como exemplo desse movimento. Ao incorporar novas linguagens e personagens, a marca ampliou seu alcance sem abandonar o universo da fantasia.

Outro ponto lembrado foi a expansão da experiência da marca. A Disney deixou de existir apenas no cinema. Criou parques, produtos licenciados, jogos e diferentes plataformas de relacionamento com o público. Cecília resumiu essa presença ampla ao lembrar que é difícil encontrar uma casa que não tenha ao menos algum produto ligado à marca.

A medida que Cecília e Jaime falavam, impossível não pensar em filmes e personagens que nos acompanharam ao longo do tempo. Ou remexer a memória das experiências em parques das Disney com as crianças.  Aquela montanha russa absurda que me meti, as dezenas de vezes que entrei no carrossel do Buzz Lightyear ou o café com personagens que nos fez levantar cedo para não perder a reserva. 

Ops, de volta ao Sua Marca: a Disney ajuda a ilustrar uma lição importante para qualquer negócio. Por mais que pordutos possam ser copiados, ficarão aqueles que trouxeram algum signficado. Quando uma marca consegue ocupar um espaço emocional na vida das pessoas, ela deixa de disputar apenas preço ou funcionalidade.

A marca do Sua Marca

A principal reflexão do comentário está na ideia de que marcas duradouras não vendem apenas produtos. Vendem sensações, memórias e significados. Como resumiu Jaime Troiano: “O que você tá vendendo além do seu produto?” A pergunta serve tanto para grandes empresas quanto para pequenos negócios que desejam criar vínculos mais profundos com seus consumidores.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior.

Avalanche Tricolor: nem sorte, nem juízo

Grêmio 0x1 Flamengo
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Brasileirão - Grêmio x Flamengo - 10/05/2026
Noriega disputa a bola. Foto Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Dona Ruth costumava dizer que eu tinha mais sorte do que juízo, sempre que me encontrava diante de uma daquelas situações em que a enrascada teria sido grande não fosse alguma ocorrência fortuita que me livrasse da tragédia. Neste domingo de Dia das Mães lembrei dela, lógico. Não pela frase em si, mas por tudo que representou na minha vida, mesmo tendo tido a oportunidade de conviver com ela muito menos do que gostaria. Esteve na minha memória na missa matinal, no almoço em família e nas conversas com os parentes que se reuniram nesta data.

A frase, por sua vez, me veio à mente durante a partida desta noite, na Arena. À medida que o adversário acumulava passes, dribles, cruzamentos e chutes a gol, a máxima da Dona Ruth se fazia presente. Por sorte, uma bola deu no travessão; a outra foi chutada para o alto. Em seguida, foi nosso goleiro quem nos safou de um placar aberto ainda nos primeiros minutos. O primeiro tempo inteiro foi assim. Por sorte.

A ausência de juízo nos fez dar espaço para um dos times mais talentosos do campeonato. Permitimos que seus armadores tocassem a bola com maestria, sem a marcação aguerrida que o jogo exigia. Mesmo com três zagueiros na área, dois volantes diante dela e alas mais recuados, faltavam harmonia e ajustes. E isso oferecia ao adversário um espaço privilegiado. Nas poucas vezes em que a bola esteve nos nossos pés, faltou discernimento para chegar com perigo ao gol.

Voltamos para o segundo tempo sem tirar nem pôr. Nem na escalação nem no comportamento. E, para tamanha falta de juízo, não haveria sorte capaz de nos salvar. Aos 23 minutos da etapa final, levamos o único gol de uma partida que tinha tudo para se transformar em goleada a favor do adversário. Não bastasse isso, ainda amargamos uma combinação de resultados que nos deixa naquela zona-você-sabe-qual.

Ah, Dona Ruth! Depois de tudo, volto a lembrar da senhora. Que falta me fará amanhã cedo, quando estarei de volta ao trabalho. Nos nossos tempos em família, lá em Porto Alegre, eu acordava nas segundas-feiras pós-derrota e, ao sentar para o café da manhã, alegava dor de barriga, algum mal-estar, talvez um princípio de gripe. E a senhora, compreensiva, me permitia voltar para a cama, ficar embaixo das cobertas para não precisar encarar a flauta dos adversários na escola.

Conte Sua História de São Paulo: por carta, um relato da amiga taquígrafa

Mironiudes Scaglia

Ouvinte da CBN

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No Conte Sua História de São Paulo, o texto enviado por carta pela ouvinte da CBN Mironiudes Scaglia:

Trago o relato resumido de uma taquígrafa — essas não existem mais.  Secretária taquígrafa e minha queridíssima amiga Maria Aparecida da Cruz. Ela nasceu em oito de dezembro de 1923. Falceu em outubro de 2020 em consequência de um derrame cerebral, em Rio Claro, interior de São Paulo.

Cresceu na capital. Muito bem alfabetizada. Além da língua portuguesa que falava e escrevia com perfeição, aprendeu francês e latim no ginasial. Lembro de quanto ela estudou latim para uma prova de recuperação. A professora era exigente.

Terminando o ginasial foi trabalhar numa tecelagem e, paralelamente, fez um curso de taquigrafia e datilografia, o que permitiu construir durante a década de 1940 parte de uma bonita história. Dona de uma linda caligrafia, sempre escrita com esmero.

Todo esse conhecimento deu-lhe um emprego na Cerâmica São Caetano. Suas habilidades foram prontamente reconhecidas, o que lhe rendeu o cargo de secretária diretamente ligada aos executivos. Participava das reuniões e, como taquígrafa, anotava rapidamente e com muita eficiência as falas dos executivos. Depois, transcrevia para as atas, em português obviamente, todos os sinais taquigráficos da sua agenda. 

Lembremos, cada sinal representa uma palavra. Que responsabilidade!! Mas ela tinha uma memória invejável, tanto para detalhes de acontecimentos como para matemática. Como datilógrafa preenchia muitas laudas durante o dia, por causa de compras e vendas dos produtos da cerâmica. Ela era muito boa no que fazia.

A cerâmica importava um produto que permitia corar os azulejos de azul. Ela tinha um apreço por esse material. Quando construiu sua casa, na fachada que dava para a rua, colocou estes azulejos.

A cerâmica São Caetano pertenceu (pertence) a família Simonsen. Nesse período, Mário Henrique Simonsen, futuro ministro, era um jovem que aparecia na empresa nas festas de fim de ano.

Maria Aparecida foi uma pessoa culta. Conheceu o poeta Guilherme de Almeida nos eventos que participava com seus colegas da empresa. Passou a admirar o poeta, aprendeu a apreciar as poesias, as quais colecionava. Ela aproveitava o tempo com outras leituras. Religiosa que era, lia a biografia de alguns santos.  Frequentava bailes — ah, lembro das big bands dando seus shows. Sempre acompanhada de colegas do bairro e da mãe. Assistia também apresentações de corais, quando possível.

Maria Aparecida gostava de contar as peripécias de sua jornada. O trabalho de secretária lhe rendeu a confiança do pai, um militar do Batalhão de Cavalaria, e de sua mãe, dona de casa — a quem admirava muito pela forma como conduzia a educação das filhas. Eram mais três depois dela. 

Por trabalhar na cerâmica São Caetano, sempre estava elegantemente vestida. Ela comprava o tecido e sua dedicada mãe costurava as roupas, bem como todo o enxoval que ela e as irmãos levaram nas núpcias.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Mironiudes Scaglia e Maria Aparecida da Cruz são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: para Cláudia Vilhena, VP da empresa dona do Outback, ouvir o cliente não é fazer o que ele pede

Cláudia Vilhena, do Ouback, no Mundo Corporativo
Cláudia Vilhena no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Não adianta você criar uma área que ouve o cliente, se você não vai fazer nada com isso.”

Cerca de 3 milhões de transações por mês passam pelos 207 restaurantes da Bold Hospitality Company no Brasil, em um sistema que depende diretamente da leitura constante do comportamento do consumidor. Esse movimento, que combina dados, escuta ativa e adaptação contínua, foi tema de entrevista com Cláudia Vilhena, sócia e vice-presidente de Marketing, Vendas e Growth da empresa, ao programa Mundo Corporativo da CBN. 

A empresa reúne marcas conhecidas do público, Outback, Abbraccio e Aussie, e estrutura sua estratégia a partir de um ciclo contínuo que começa na observação do cliente e termina na análise de resultados. Ao longo da conversa, Cláudia descreveu como esse processo exige coerência entre discurso e prática.

“Ouvir o que o cliente tem a dizer não necessariamente é fazer o que ele está pedindo”, afirmou. “Tem que fazer sentido para o seu negócio, seja ele qual for.”

Escuta ativa exige decisão

A escuta ativa aparece com frequência no discurso corporativo. Na prática, segundo Cláudia, ela só funciona quando está integrada à cultura da empresa. “Não adianta você criar dentro da sua organização uma área que ouve o cliente, se você não vai fazer nada com isso, porque você criou uma expectativa no seu cliente.”

Esse processo envolve mais do que pesquisas tradicionais. Não se resume a avaliações numéricas ou formulários. Exige interpretação e disposição para rever caminhos. “A sua empresa está aberta a realmente se transformar para o que faz sentido para ela, mas ouvindo o consumidor?”

Do comportamento ao produto

Na Bold, o trabalho começa antes mesmo da criação de produtos. A empresa observa tendências de consumo, avalia se elas se conectam com suas marcas e, só então, inicia o desenvolvimento.

“Como é que a gente entende isso fora das marcas da Bold? Como é que a gente traz isso e conecta com o nosso negócio?”

Esse processo inclui testes com consumidores, ajustes de produto e análise de viabilidade operacional. Só depois dessas etapas o item chega ao cardápio. “Para a gente não sair surfando os hypes e fazendo coisas que eventualmente não têm a cara das nossas marcas.”

Após o lançamento, o acompanhamento continua. A empresa monitora frequência de consumo, adesão ao produto e comportamento do cliente para avaliar se as expectativas foram atendidas. “Então você vê que é realmente um ciclo.”

Um dos pontos centrais da estratégia é fazer o consumidor perceber que participa do processo. “Se o consumidor percebe que ele está sendo ouvido, ele percebe que ele está realmente participando do processo, isso é muito rico.”

Essa percepção fortalece o vínculo com a marca e aumenta a recorrência de consumo. “Faz realmente a conexão da marca ser verdadeira com esse consumidor.”

Liderança começa pela escuta

A lógica da escuta não se limita ao cliente. Ela também orienta a gestão de equipes. Cláudia afirma que o papel principal da liderança é criar condições para que as pessoas consigam trabalhar bem. “Meu papel primordial é ser líder para o meu time. É ouvi-los.”

Esse processo inclui presença no dia a dia da operação. A executiva relata que costuma frequentar os restaurantes para observar o comportamento real dos clientes. “A campanha que eu pensei lá sentadinha na minha mesa, ela está funcionando na ponta?”. A pergunta resume um princípio simples: estratégia só se valida na prática.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.