A sociedade do celular

Photo by Nur Andi Ravsanjani Gusma on Pexels.com

O celular deixou de ser um meio. Tornou-se o ambiente.

O show já nasce pensado para a tela do celular. O enquadramento importa tanto quanto a música. O refrão precisa caber em quinze segundos. O aplauso virou registro. O espetáculo só se completa quando alguém levanta o braço, grava e publica. Não basta assistir. É preciso provar que esteve lá.

O mesmo acontece com filmes, séries e novelas. A imagem agora precisa funcionar no ônibus, na fila do banco, na pausa do almoço. O roteiro acelera, o plano encurta, o silêncio incomoda. Tudo para caber no bolso — e na atenção cada vez mais disputada.

A comida segue o mesmo caminho. Antes de ser comida, precisa ser fotografada. A exposição virou “instagramável”. A experiência só existe quando é compartilhada. O prato esfria enquanto o celular trabalha. E segue sobre a mesa, ocupando o espaço do diálogo.

Esse é o lado mais ruidoso da história. Há outro, bem mais duro.

O poder público também aprendeu a olhar pelo celular. Em São Paulo, o Smart Sampa cruza rostos, identifica suspeitos, localiza procurados. Nas estradas, câmeras com inteligência artificial verificam se o motorista usa cinto ou segura o celular enquanto dirige. O olho eletrônico se espalha no espaço público. Vigia. Registra. Arquiva.

Ao mesmo tempo, cresce a disputa sobre quem controla esse olhar. A exigência de câmeras corporais em policiais e agentes de segurança virou batalha ideológica. Para uns, transparência. Para outros, ameaça. O debate não é técnico. É político. E, sobretudo, simbólico.

É nesse ponto que o texto de Julia Angwin, publicado no The New York Times, nesta segunda-feira, acende um alerta.

Ela descreve o celular não como distração, mas como arma cívica. Uma ferramenta de proteção do cidadão diante da violência do Estado. Nos Estados Unidos, pessoas foram intimidadas, agredidas e até mortas enquanto filmavam ações de agentes federais. Em alguns casos, o simples ato de gravar passou a ser tratado como violência. Alex Pretti foi executado por membros do ICE, em Minneapolis, portando como arma um celular.

O que está em jogo não é apenas o direito de filmar. É o direito de testemunhar.

O celular guarda algo precioso: a possibilidade de responsabilização futura. Mesmo que quem filma seja silenciado, a imagem permanece. Ela pode desmentir versões oficiais, expor abusos, recontar a história. Não por acaso, regimes autoritários costumam começar cortando a internet. Sem imagem, não há prova. Sem prova, sobra a narrativa de quem manda.

Há quase três décadas, o escritor David Brin antecipou esse dilema ao perguntar: quem controla as câmeras? Quando só o Estado vê, temos vigilância. Quando todos podem ver, temos fiscalização recíproca. A diferença entre opressão e liberdade passa pelo controle do olhar.

Vivemos, portanto, um paradoxo. O mesmo celular que nos distrai também nos defende. O mesmo aparelho que nos expõe pode nos proteger. Ele banaliza a vida e, ao mesmo tempo, preserva a verdade.

Talvez por isso incomode tanto quando alguém manda “guardar o celular”. Especialmente quando quem faz o pedido é pago com dinheiro público.

Na sociedade do celular, o risco não está no aparelho. Está em desistir de olhar — ou em aceitar que apenas alguns tenham o direito de fazê-lo.

O celular não é neutro. Ele revela quem somos, o que consumimos, como nos exibimos. E, quando necessário, mostra aquilo que alguém preferiria esconder. Nesse sentido, ele não é só um objeto do nosso tempo. É um termômetro da nossa democracia.

Porque onde ninguém pode filmar, quase sempre há algo errado acontecendo.

O super-poder

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Vlad Deep

Como tomar decisões melhores? Como aumentar as chances de conquistar o que quer? Como ter mais paz e sossego?

Em resumo: como ser melhor?

Existe uma habilidade que, se construída, nos dá um super-poder.

Essa habilidade nos fornece mais informações, daquelas que poucos têm e fazem muita diferença no resultado final; nos fornece autodomínio, ou seja, nos ajuda a regular nossos sentimentos ao invés de sermos arrastados por eles… Essa habilidade nos dá poder, liberdade e mais felicidade.

Contemplar.

A atitude de contemplar vem em 3 passos: parar, observar, raciocinar. Por vezes, dependendo da grandeza da situação, ou de sua complexidade, precisamos refazer os passos, até chegarmos a um lugar de estratégia determinada e início da ação.

Contemplar é um treino que ninguém nos ensina com clareza, mas que diferencia aqueles que são leves e livres dos que ruminam e ruminam e sentem a vida empacada e pesada.

Comecemos pelo pequeno. Contemplar sobre a rotina desse dia de hoje; depois, contemplar sobre as mudanças de hábitos mais urgentes; então, contemplar sobre aquele problema familiar ou financeiro que está escondido embaixo do tapete (mas insistindo em incomodar seu sono e sua paz).

Nada de grandes saltos. Treinar essa habilidade com grandes problemas gerará angústia, desistência e frustração. Aqui, quanto mais lento o processo, mais robusto e eficaz o resultado.

Seja super-poderoso. Escolha se ajudar a viver uma rotina que flui, que é suportável e mais – desejada e com muitas pitadas de alegria.

Seja você o herói que irá te resgatar. Contemple, passo a passo, dia a dia… E comemore suas vitórias poderosas!

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Crenças disfuncionais: não é sobre ser mais ou ser menos, é sobre sermos nós mesmos

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de Anna Shvets

   “Porque os homens são anjos nascidos sem asas,

é o que há de mais bonito,

nascer sem asas e fazê-las crescer”

José Saramago

 

Um dia você acorda com uma vontade enorme de ficar na cama. Está chovendo, você tem uma apresentação para fazer na empresa, e dá um frio na barriga só de pensar! Você passou quatro semanas trabalhando nesse projeto, mas julga que não ficou tão bom como gostaria. Se recorda da apresentação de outros colegas e tem certeza de que não está à altura dos demais. Pensa que talvez fosse melhor enviar uma mensagem para seu chefe, arranjar uma desculpa… Mas isso seria ainda pior. O que os outros pensariam sobre você? Ah, sim! Teriam certeza de que você é uma farsa ou perceberiam sua incompetência. Então, decidi ir para a empresa, faz a apresentação e, apesar do ótimo feedback, julga que usou duas ou três palavras de maneira equivocada e as pessoas só não perceberam suas falhas, porque talvez estivessem dispersas ou pouco interessadas no conteúdo.

Por que será que isso acontece com tantas pessoas? Por que será que, mesmo diante de situações que evidenciam sucesso ou competência, elas se julgam incapazes ou fracassadas? 

Desde a infância, desenvolvemos determinadas ideias sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo que nos cerca, especialmente através da interação com a família e com aqueles que estão à sua volta. Para os psicólogos Greenberger e Padesky (2017), essas pessoas ensinam coisas como “o céu é azul”, “isto é um cachorro” e “você é inútil”. Apesar de muitas mensagens serem corretas e precisas, as crianças acreditam em tudo o que é dito, mesmo que isso tenha sido uma expressão inadequada, que não corresponda à realidade.

Além disso, as crianças tiram suas próprias conclusões a partir de suas vivências. Algumas podem ouvir “você é inútil” e perceberem que uma outra criança é mais valorizada na sua família ou na sala de aula, por exemplo, por ter mais habilidades para os esportes. Essa experiência poderia gerar um entendimento de que aquelas crianças não são tão boas quanto a outra, sendo essa ideia armazenada na mete delas como “sou incompetente ou um fracasso”.

As crianças pequenas não têm habilidades mentais para pensar de maneira flexível e, ainda que essas ideias negativas não sejam reais ou precisas, serão assimiladas como verdades absolutas: as crenças sobre si mesmo.

Como essas crenças auxiliam na compreensão do mundo em fases precoces do desenvolvimento, se tornam desajustadas ou problemáticas quando são mantidas como absolutas e inflexíveis até a vida adulta, impedindo que possamos ver a nós mesmos de maneira mais realista.

Como lentes que distorcem a realidade, quando essas crenças negativas estão ativas, há uma interpretação também negativa das situações, nas quais a pessoa se vê, por exemplo, como incapaz, fracassada, incompetente, inferior às outras ou insuficiente para realizar algo.

Diante disso, alguns comportamentos são adotados como estratégias para se lidar com a carga emocional despertada, de modo a evitar ou compensar as situações que ativam essas crenças.  Alguém que acredita ser preguiçoso ou incompetente poderia evitar algumas situações, recusando desafios ou adiando o término de um trabalho, por exemplo, por temer a crítica. Outra pessoa com uma crença semelhante, poderia adotar um comportamento de supercompensação, trabalhando exaustivamente ou de maneira compulsiva, como estratégia para “mascarar” suas dificuldades.

As duas estratégias seriam desadaptadas ou desajustadas, uma vez que não solucionam o problema, não permitem testar as crenças disfuncionais negativas com novas experiências, mantendo ou reforçando a crença original.

Todos temos crenças positivas e negativas sobre nós mesmos. A diferença é onde colocamos a nossa lupa. Sim, uma lupa, que muitas vezes ignora inúmeras características positivas que temos e foca em alguns aspectos que fogem à realidade. Uma lupa distorcida, que enviesa e distorce quem somos, nos rotulando e nos reduzindo a determinados aspectos.

Atualmente, muitas pessoas se sentem frustradas por reconhecerem que não têm todas as habilidades ou que não são competentes em tudo o que gostariam de realizar, quando se comparam com outras pessoas. Mensagens são disseminadas de que basta querer e você será tudo o que desejar.

Desculpe se vou destruir ilusões, mas nunca poderemos ser tudo. Isso é muita coisa para um ser humano, falível, imperfeito. Somos assim! Mas também podemos ser muito mais do que julgamos ser, quando acreditamos que somos menos do que os outros.

Não é sobre ser mais ou ser menos. É sobre sermos nós mesmos, com nossas características que envolvem pontos fortes e fracos.

O mundo seria muito chato e monótono se todos tivessem as mesmas habilidades, as mesmas características. Somos diversos, e aí mora a beleza de sermos quem somos. Somos experiência, vastidão, sucesso. Incompetências e fracassos também, por que não? Assim, não bastamos a nós mesmos. Precisamos dos outros. Essa é a nossa natureza!

Talvez tenhamos dificuldades para reconhecer… Porque borboleta não nasce borboleta. Nasce lagarta, mas queira ou não ela será uma borboleta. E depois disso? Depois disso vai voar!

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung. 

Crime sem castigo

 

Como meu editor, da Contexto, sempre foi caridoso em permitir a reprodução de seus artigos aqui no blog, hoje tomei a liberdade de compartilhar seu pensamento sem antes ter-lhe pedido autorização. Que Deus me perdoe por esse pecado. Se não, que você me absolva deste crime, Jaime, porque estou longe de ser um dos poderosos protegidos pela justiça!

 

Por Jaime Pinsky

 

Teve um tempo em que acreditei na Justiça. Ou melhor, nas justiças, na dos homens e na divina. Parecia-me razoável que cada pecado cometido fosse devidamente punido. Que cada desobediência implicasse algum castigo. Claro que isso me custou muito sofrimento. Aquele dia em que me isolei no quarto alegando necessidade de estudar e fiquei jogando botão (quem nem botão era, mas plásticos rijos que cobriam relógios de pulso) a tarde toda, e no dia seguinte me saí muito mal na prova de latim… O outro em que briguei com um colega de escola, rolei com ele na terra aos socos e pontapés, entrei quietinho em casa, me lavei, joguei a camisa rasgada e encardida no cesto de roupa suja e fui almoçar sem contar nada aos meus pais (desta vez não tive muita sorte, o olho roxo e as escoriações no joelho me traíram miseravelmente). Os castigos me pareceram razoáveis: uma semana passa depressa, embora eu adorasse jogar bolinha de gude com a turma da Vila Gagliardi, rua sem saída, nosso empoeirado parque e praça esportiva improvisada.

A vida, à época, fazia sentido: a cada pecado, uma punição. Uma das coisas que eu fazia, esporadicamente, era dar uns sopapos no meu irmão “do meio” (éramos três meninos) sempre que ele, sob qualquer pretexto, agredia o caçula. Quando eu me entusiasmava nos sopapos e o chorão abria o berreiro, o cinto do meu pai fazia o papel de juiz, entrava na contenda e meu traseiro ganhava algumas faixas avermelhadas. Meu pai averiguava, julgava e aplicava o castigo, sem delongas. Já o castigo divino… Desse eu tinha mais medo, mas devo reconhecer, por outro lado, e à distância, que era bem menos eficiente. Eu me lembro até hoje da vez que fiquei um tempão tentando espiar uma freguesa, quando ela provava blusas na loja do meu pai. A moça ficou muito tempo experimentando cores, modelos e tamanhos diferentes, enquanto eu, nos meus heroicos nove anos, rondava a porta do provador improvisado. Um pirralho como eu certamente não representava ameaça alguma ao pudor dela… Mesmo assim, e mesmo não tendo tido nenhum sucesso na minha precoce atividade de voyeur, eu sabia que havia pecado. Talvez o sexto mandamento, ou outro qualquer, mas alguma lei de Deus. Esperei conformado o castigo, ficando em troca apenas com o azul-claro do enorme sutiã que vislumbrara. Mas o castigo nunca veio. Bem diferente de um colega de colégio, que ao confessar ao padre a prática da masturbação, foi aconselhado a se autopunir para ficar limpo. O resultado da queimadura que J.B. provocou em si próprio o acompanhou até sua morte precoce.

Já adulto me dei conta de que a Justiça tem cor, sexo e leva em conta fatores que, anteriormente, nunca imaginei que pudessem influenciar na decisão de quem julga. Algumas pessoas são julgadas logo, outras nunca. Alguns têm ótimos defensores em todas as numerosas instâncias, outros mal conseguem defensores razoáveis e se dão mal por erros técnicos, esquecimento de prazos legais para apresentar a defesa, má vontade dos cartórios e até dos próprios juízes. A lei, embora nominalmente coloque todos os cidadãos no mesmo patamar de direitos e obrigações, é muito mais generosa com uma parte da população, os que têm poder. Um complexo e lento sistema de defesa composto de numerosas etapas tem a função de protelar qualquer julgamento definitivo e respectiva punição. Recursos infindáveis, muito bem apresentados por equipes afiadas, lideradas por advogados muito hábeis, fazem com que o medo de punição não atemorize criminosos conhecidos. E, se algum juiz do andar de baixo comete a “irresponsabilidade” de sugerir prisão a um figurão, corre o risco de cair  em desgraça. Não importa o que diz a constituição sobre igualdade de direitos. Temos uma cultura estabelecida e ai de quem ousar questioná-la.

Uma amiga, promotora em São Paulo, me disse uma vez que a justiça de classe no Brasil nunca permitiria que tivéssemos um verdadeiro país de cidadãos. Ela tinha razão. Olhamos os iguais, ou supostos iguais, de modo distinto do que fazemos com pessoas “diferentes”, seja por sua origem social, cor da pele, religião, grau de instrução, tipo de roupa que usam. Isso é uma flagrante violação à letra e ao espírito da Constituição Brasileira, à  democracia e à cidadania. Deixar o tempo passar para que os crimes prescrevam, colocar ricos em prisão domiciliar, mesmo quando cometeram crimes horríveis, enquanto abandonamos  dezenas de milhares de pobres presos sem julgamento, é comum por aqui.
 
Aos iguais tudo, aos demais a força da lei.

 

Jaime PinskyHistoriador, professor titular da Unicamp, autor ou coautor de 30 livros, diretor editorial da Editora Contexto
 

O poder feminino nos negócios

 

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Nos dias 1º e 2 de outubro, no Teatro Santander em São Paulo, tivemos o 10º Fórum de Franquias e Negócios do Grupo Bittencourt & GS. Evento que se alinha a uma série recente de formatos corporativos com o propósito de difundir conhecimento em tempo real.

 

Uma linha comum em todos estes eventos é a exposição da absorção em grande escala da tecnologia voltada para o atendimento na relação empresa—cliente. Ao mesmo tempo, surgiu um novo foco no cliente como centro do sistema, e atenção especial às pessoas que o atendem.

 

Destacamos “O Poder Feminino nos Negócios” que teve apresentações de Renata Moraes da Kopenhagen, com “Rótulos nunca me serviram”, e Chieko Aoki, com “Qualidade, elegância e amor para servir”.

 

Renata, herdeira e Vice-Presidente do Grupo CRM, que possui as marcas Kopenhagen, Brasil Cacau, Lindt, Kop Koffee e SoulBox, subiu ao palco para afirmar que a diversidade de gênero no mercado de trabalho não pode ser ignorada. Dados recentes da ONU indicam que o Brasil levará 108 anos para diminuir a diversidade de gênero e 202 anos para chegar na paridade entre homens e mulheres. O único caminho para melhorar essa posição é esquecer os rótulos.

 

Enfatiza que devemos começar estimulando as meninas à liderança, evitando chamá-las de “queridas, lindas, doces” enquanto chamamos os meninos de “campeões”. Quando elas não conseguem atingir resultado são estimuladas a descansar, mas os meninos, a continuar. Não podemos permanecer assim. As meninas são capazes.

 

Renata está segura que a lucratividade que o Grupo CRM tem obtido é devida a desconsideração de rótulos, pois “rótulos não definem quem você é ou quem você pode ser”.

 

No Grupo CRM, 60% das posições são ocupadas por mulheres. “E 65% no C–Level. São gerentes, coordenadoras e diretoras engajadas como eu”, arremata Renata.

 

A abertura da academia SoulBox para incentivar a luta esportiva entre as mulheres transmite a busca do rejuvenescimento e permanência, propósito do Grupo CRM, e segundo Renata “Nasce muito protagonista da própria história”.

 

Chieko Aoki, fundadora da Rede Blue Tree Hotels, subiu ao palco com o peculiar carisma. Expôs que ao vender a Rede Caesar Park Hotels decidiu criar uma rede hoteleira que reunisse a excelência americana, a qualidade europeia, a espiritualidade japonesa e a hospitalidade brasileira.

 

Estabeleceu a alma Blue Tree com o Bem-Receber, Bem-Servir, Bem-Cuidar, definindo como reegra de ouro: encantar a todos, meta é meta, prazo é prazo, não justificar, gestão de resultados — com um toque de Vicente Falconi.

 

Ressaltou que o negócio de hospedagem vai além de hotelaria, não é somente cuidar de prédio ou de lençol, pois é principalmente cuidar de pessoas para as pessoas. Sistematizando este conceito com três premissas:

     

  • Os colaboradores precisam ser cuidados para cuidarem bem dos clientes
  • Cuidar não se ensina, precisamos ser bem cuidados para entender o Bem Cuidar
  • Precisamos tocar seus corações para que façam com o coração

 

Esse circuito emocional, Aoki designa como alma da Blue Tree.

 

Cita dois casos:

 

O dos pesados edredons que estavam impedindo a mão de obra feminina de realizar a contento o trabalho. Manteve as mulheres e dispensou os edredons. Fato inclusive copiado por todos.

 

Louvou também o funcionário que teve a percepção do estado de saúde do hóspede que veio pedir medicamento. Ao invés de dar o remédio solicitado, o levou ao hospital. Felizmente. Porque foi operado no mesmo dia.

 

A Rede Blue Tree cresceu mais de 50% no último ano. A receita de Chieko Aoki é o Bem Cuidar, porque segundo ela, o Bem Cuidar Faz Bem: para os colaboradores, para os clientes, para a sociedade e para a nossa alma.

 

Que assim seja!

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.Milto

Como a força do rádio, uma ideia que surgiu em Campo Grande já está na China

 

O autor do texto a seguir é um empreendedor. Um jovem empreendedor como muitos outros que entrevistei na série CBN Young Professional. Dia desses, fez contato comigo e contou o resultado daquela nossa conversa, há dois anos e meio. Pedi para publicar aqui no blog como exemplo do poder transformador do rádio

 

Pra você que quer ser jornalista…

 

Por Felipe Dib

 

Hello, my friend! How are you?

 

Era uma manhã de setembro de 2015 quando meu celular tocou, aqui em Campo Grande – MS. Do outro lado, falava um cara chamado Mílton, jornalista da CBN. Entrei em um carro para ver se escutava melhor o que ele me dizia e conversamos por 16 min 50s

 

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Ouça aqui a nossa conversa

 

Saí do carro e voltei à rotina: gravar vídeo-aulas gratuitas para o www.voceaprendeagora.com, um curso de inglês e liderança online que iniciei para agradecer a Deus depois de um acidente grave de carro.

 

A vida seguiu e no dia 20 daquele mês o bate-papo foi publicado no programa CBN Young Professional, que eu também nunca tinha ouvido falar. Aquela transmissão mudaria a vida de milhões de pessoas no outro lado do mundo. Pessoas que possivelmente nunca iremos encontrar na vida.

 

Em um rancho em Bauru, no interior de São Paulo, um senhor chamado Marcos escutava nossa conversa pelo rádio. Ouviu Mílton e eu dizendo que o inglês é um desafio pra muita gente (principalmente quem não tem muito tempo nem muito dinheiro!) e ficou ali pensando em sua filha Sophia, que assim como eu também é professora de inglês.

 

O Marcos ligou pra Sophia e falou pra ela entrar em contato comigo.

 

Sophia estava logo ali, em Guangzhou.

 

Yes, my friend. Na China!

 

Sophia acatou a sugestão do pai e me mandou uma mensagem no LinkedIN. Demorei meses pra ler a mensagem porque nunca acesso o LinkedIN. Por falar nisso, vou lá agora ver quanto tempo demorei pra ler a mensagem, porque desde a resposta para a Sophia nunca mais voltei lá!

 

Just a moment, please…

 

Demorou mas achei. Sophia manda mensagem no dia 20/9/2015. Look:

 

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Eu respondo 4 meses depois. Look:

 

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Resumindo: pai e filha vem a Campo Grande; nos conhecemos pessoalmente; Sophia começa a compartilhar aulas gratuitas de inglês para que os chineses que não tem condições de pagar um curso de inglês possam aprender esse idioma.

 

Lá não tem YouTube, mas tem YouKu:

 

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Saiba que você pode impactar 1 bilhão de pessoas com uma entrevista sua. Seja apaixonado pelo que você faz e estude muito para ser o melhor. Hoje eu conheço, admiro e sou eternamente grato de ter conhecido Mílton Jung, o cara que fez isso acontecer.

 

Um abraço e see you next class.

Mundo Corporativo: Simone Bambini propõe uma relação mais saudável entre empresas e funcionários

 

 

A forma como as empresas costumam se relacionar com seus funcionários tem causado transtornos e distorções de comportamento. Hoje, os profissionais não se satisfazem mais com o salário ou com o fato de se reconhecerem qualificados para a função que exercem. Para sobreviver, precisam do reconhecimento do outro, estão constantemente em busca da visibilidade, fenômeno que pode ser observado na maneira como atuamos nas redes sociais em busca de curtidas e likes.

 

A avaliação é da doutora em comunicação e semiótica Simone Bambini feita em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ela é autora do livro “O corpo como posicionamento de marca na comunicação empresarial” resultado de pesquisa sobre a relação de poder dentro das empresas e como o ambiente de trabalho tem impactado a saúde dos trabalhadores. Ao conversar com médicos que trabalham nas empresas, identificou que é muito comum encontrar entre os funcionários doenças como depressão, estresse e síndrome do pânico.

 

Bambini lembra que somos provocados a trabalhar e a trabalhar muito para alcançarmos o “reino dos céus”, que no caso das corporações é o cargo de CEO, porém ao chegar no topo muitos descobrem que estão isolados e a sensação de alegria plena não se realiza. Há uma insatisfação permanente que leva as pessoas a adoecerem e ficarem mais tristes.  Bambini convida empresas e profissionais a se conscientizarem da importância de se buscar uma nova forma de comunicação interna capaz de melhorar o relacionamento no ambiente corporativo.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site www.cbn.com.br e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN.

Mulheres, ocupem os espaços de decisão!

 

Milena Franceschinelli
Movimento Ocupe os Conselhos

#AgoraÉQueSãoElas

 

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O Plano Nacional de Políticas para as Mulheres 2013-2015, elencou entre seus 10 eixos prioritários da política pública de gênero o “Fortalecimento e participação das mulheres nos espaços de poder e decisão”. Mesmo entre as prioridade, esses espaços de poder e decisão muitas vezes são desconhecidos da maioria das brasileiras. A maior cidade do País, São Paulo, é um triste indicador: prestes a completar aniversário de cinco anos, tramita a passos lentos, desde 2011, na Câmara Municipal paulistana, o Projeto de Lei de criação do Conselho Municipal de Direitos da Mulher de São Paulo.

 

Os Conselhos Municipais dos Direitos da Mulher são promotores e fiscalizadores locais das políticas públicas dos direitos da mulher. São a instância primeira, a base de sustentação da participação social nas cidades, as mais próximas das cidadãs. Não ter o conselho é estar mais vulnerável.

 

A articulação entre a administração pública municipal e a sociedade civil está entre as importantes atribuições dos Conselhos. Em pesquisa realizada, em 2013, o IBGE destaca que somente 17,5% dos municípios do País tinham esse tipo de conselho, refletindo a “reduzida interlocução entre as reivindicações das mulheres e os gestores locais”.

 

A invisibilidade dos conselhos em funcionamento é outro fator alarmante para todas as mulheres. É o que acontece com o Conselho Nacional de Direitos da Mulher com mais de 30 anos de existência: permanece ignorado pela maioria da população.

 

Ocupar os conselhos em todas as instâncias de poder é fundamental para dar celeridade nas conquistas por novos direitos e resistir diante de ameças como a PL 5069.

 

Apenas 12% de Prefeitas no Brasil e somente 17,5% dos municípios contam com Conselhos Municipais dos Direitos da Mulher, segundo o IBGE

 

Desde 1997, a legislação eleitoral prevê a determinação das cotas de sexo, 30% no mínimo e 70% no máximo de cada gênero. Essa cota foi sistematicamente descumprida pelas agremiações partidárias e contaram também com a tolerância do Poder Judiciário. Somente em 2014, o TSE fez um enfrentamento público da questão lançando a campanha nacional “Mais Mulheres no Poder”.

 

As Prefeitas são representativas quando falamos de poder de decisão das mulheres no Brasil. Em 2001 eram apenas 6%. Dobrou em 2013, chegando a 12% ou 675 cidades onde mulheres estão à frente do executivo municipal, segundo o IBGE. Mesmo com mais formação educacional, as prefeitas tem menos chances de serem reeleitas. Se mulheres votarem apenas em mulheres este cenário já sofreria grandes mudanças.

 

A participação dos diferentes grupos populacionais focalizados pelos órgãos gestores da política de gênero evidencia um perfil de mulher onde as prefeituras investem. As idosas são o primeiro grupo a ser considerado com 83,7% e as mulheres com deficiência o segundo, com 47,9% preferidos das Prefeituras. As preteridas são as mulheres indígenas com apenas 15,9%, seguidas de lésbicas com 26,2% e negras com 38,1%

 

Hoje, em 2015, a mulher brasileira com maiores chances de participação e acesso as políticas públicas de gênero são idosas, com deficiência, brancas, residentes em cidades grandes (população acima de 500 mil pessoas).

 

Você está dentro do perfil ?

 

FONTE: 11a edição, a Munic – Pesquisa de Informações Básicas Municipais do IBGE investigou todas as 5.570 municipalidades existentes no País, sendo o Bloco Política de Gênero resultante de convênio institucional firmado entre o IBGE e a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Charis Tsevis no Flickr e segue as recomendações de criação comum

Aposentados sem poder

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O poder é essencial à sobrevivência para países, empresas e pessoas. Às pessoas, cabe buscá-lo através do capital e do trabalho, mas quando se resume ao trabalho e este se finda, o indivíduo se restringe ao grupo dos aposentados. Sem poder de representatividade.

 

É por isso que se fala sempre do problema do sistema previdenciário, e não do aposentado.

 

O país vive uma situação inusitada em que o setor público paga mais que o privado, e age com magnanimidade com os servidores e realidade com os trabalhadores. Quem faz as leis, quem faz executar as leis e que as executa, sempre preserva seus pares, enquanto os trabalhadores privados ficam à mercê destes.

 

É por isso que o Senado aprovou a extensão da política do salário mínimo apenas como retaliação à presidente, que por sua vez vetou dentro da mesma linha de raciocínio de seus antecessores.

 

É por isso, também, que depois de nove anos os aposentados deixarão de receber na pensão de agosto o adiantamento de 50% do décimo terceiro que será creditada em setembro. Isto depois de ser noticiado que os pagamentos seriam desdobrados em dois. E, muito pior, isto sem anunciar antecipadamente para que o pensionista pudesse se preparar para esta falta de receita.

 

O que se vê é um critério soberano que se sobrepõe ao mínimo principio de uma hierarquia sadia. Aos menores sempre deverá ser dada a preferência nas dificuldades. Qualquer empresa privada consciente em dificuldade paga os menores salários na frente.

 

A longevidade que seria um presente ao cidadão do futuro pode ser um pesadelo, como já deveria ser para o poder público consciente. O fim do bônus demográfico que virá precisará de uma estrutura previdenciária organizacional e atuarial que nunca tivemos. Será que teremos?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

A foto deste post é do álbum de Pedro Ribeiro Simões no Flickr

Mundo Corporativo: Dr. Luiz Fernando Garcia fala do poder do cérebro

 

 

“Você pode ser uma pessoa com conduta empreendedora sem ser uma personalidade empreendedora. Às vezes, é até melhor porque a personalidade empreendedora é mais inquieta, a conduta empreendedora é capaz de ter mais pertinência e comprometimento com pequenas ações – então um dos segredos: a conduta empreendedora é passível de ser treinada em qualquer líder, liderado ou qualquer dono de negócio”. A afirmação é do psicoterapeuta Luiz Fernando Garcia, autor do livro “O cérebro de alta performance – como orientar o seu cérebro para resultados e aproveitar todo seu potencial de realização”(Editora Gente), entrevistado pelo programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ao jornalista Mílton Jung, Garcia explica de que maneira a neurociência tem colaborado para criarmos profissionais mais produtivos e bem preparados. Ele dá exemplos práticos de como uma pessoa pode controlar melhor seu comportamento diante das tarefas a serem realizadas e decisões que precisam ser tomadas.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a participação de Paulo Rodolfo, Carlos Mesquista e Ernesto Fosci.