Apenas 3 vereadores se elegeram por conta própria, em SP

 

A maior parte dos vereadores costuma comportar-se na Câmara como representante de apenas uma parcela da cidade. Fazem projetos de lei e brigam para garantir dinheiro no Orçamento que beneficie seu reduto eleitoral. Sabem que isto vai garantir a eles um bom bocado de votos daquele distrito ou do segmento profissional que ajudaram. Deveriam prestar mais atenção nos números desta última eleição e perceber que ao assumir o cargo de vereador têm o dever de agir como representante de todos os paulistanos. Dos 55 que estarão no legislativo municipal, a partir do ano que vem, apenas três conseguiram votos suficientes para se eleger sozinhos. Todos os demais precisaram dos votos que foram dados para os outros vereadores da coligação ou para a legenda.

 

Para entender melhor: a eleição para vereador é proporcional e o número de cadeiras que cada partido ou coligação conquista depende do quociente eleitoral que é o número de votos válidos dividido pelo número de vereadores eleitos. Com 5.711.166 votos válidos para vereador na capital, o quociente eleitoral ficou em 103.843 votos. Ou seja, para ter uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo era preciso no mínimo 103.843 votos. Somente os vereadores Tripoli (PV), Andrea Matarazzo (PSDB) e Goulart (PSD) superaram esta marca. Os demais 52 tiveram que contar com os votos de eleitores de outros vereadores, partidos ou coligação.

 

Um exemplo: Milton Leite (DEM), quarto mais bem votado na cidade, que investe todo seu cacife em bairros da zona sul de São Paulo e se dedica a conseguir dinheiro público para colocar grama sintética em campo de várzea na região, precisou pegar emprestado pouco mais de 2 mil votos de colegas de partido ou coligação, caso contrário ficaria de fora da Câmara.

 

Os números que uso são apenas para ilustrar um cenário que deveria ser respeitado pelos vereadore independentemente do quociente eleitoral. Pois, no momento em que assume o cargo na Câmara Municipal de São Paulo deixa de ser o vereador de seus eleitores, passa a ser o vereador da cidade.

 

De marcas e identidades políticas

 

Nei Alberto Pies
professor e ativista de direitos humanos.

 

“A política é a arte do possível. Toda a vida é política”. (Cesare Pavese)

 

Depois das eleições, é comum que diferentes pontos de vista sejam empenhados para justificar os resultados e o suposto recado da população através das urnas. Para além destes elementos, é importante destacar como os políticos, agora eleitos, foram conquistando para si a confiança dos outros e como foram capazes de mobilizar mentes e corações que os acompanharam durante o período eleitoral. Nas eleições municipais, a proximidade, o conhecimento e reconhecimento dos candidatos somam-se para a definição e tem certo peso na definição das escolhas.

 

Cada um de nós compõe a sua história social. Somos o que somos e o que representamos. Em torno da gente, construímos um ideário que se compõe a partir das nossas ideias e atitudes, das nossas relações pessoais e interpessoais e dos nossos posicionamentos em relação à vida, à sociedade e o mundo. Todos somos seres políticos e “toda a vida é política” porque viver em sociedade exige posicionamentos, opções e virtudes, permanentemente. Quem se dispõe à vida pública deve saber que todos estes elementos serão avaliados e confrontados com aquilo que propõe como soluções coletivas. Daí que não é possível separar a pessoa da função ou do cargo e vice-versa.

 

A política, para além da busca do bem-comum, é uma grande paixão que alimenta horizontes utópicos pessoais e coletivos. Cada candidato, ao longo de sua vida, foi construindo um capital social que, nas eleições, colabora para criar uma identidade com o seu eleitor. Este capital é social porque construído na relação com a comunidade, com o partido e com seus pares (apoiadores). Muitos chamam este capital de carisma, de marca, de imagem, de identidade própria, de peculiaridade.

 

Quando o marketing e a propaganda política traduzem e afirmam a identidade dos candidatos, cumprem papel preponderante para subsidiar a escolha dos eleitores (ao ler esta reflexão você pode estar avaliando o quanto foi influenciado pela propaganda e mídia na decisão de seu voto). Do contrário, a propaganda soa falsa, não cola na imagem do candidato e passa ao eleitor uma ideia de falsidade ou inverdade.

 

Contexto político e econômico favorável, apoio político, fala boa e bem articulada, boa comunicação, marketing e argumentos bem construídos nem sempre são suficientes para ganhar uma eleição. Ao analisar boa parte dos prefeitos eleitos em nosso país, inclusive os muito bem votados, podemos constatar que, em grande medida, a maioria elegeu-se também por conta de sua marca e identidade pessoal na vida pública. Daí a imaginar que, se não preponderante, a marca e a identidade pessoal são um grande “plus” para quem deseja ganhar uma eleição.

 

Adote um Vereador recebe adesões de todo o país

 

As primeiras adesões e sugestões em torno da nova etapa da Rede Adote um Vereador começaram a chegar nessa segunda-feira. A primeira delas foi apresentada pelo ouvinte-internauta Henrique Bourquim que se comprometeu a acompanhar a candidatura de Ari Friedenbach (PPS) que conseguiu mais de 22 mil votos e se elegeu pela primeira à Câmara Municipal de São Paulo. Henrique não perdeu tempo e o blog “Adotei Ari” já está no ar a espera da colaboração de outros paulistanos.

 

Do Espírito Santo, recebi a mensagem a seguir de Tatiana da Costa Corrêa Leite:

 

Sou advogada em SP e acompanho um grupo de cidadania de um pequeno município do Espírito Santo no Facebook (Piúma laboratório de cidadania) e venho fomentando a criação do Adote um Vereador naquela cidade por meio de diversas postagens. Pois bem, eles acreditaram na ideia e estão se estruturando para colocar este projeto em prática na próxima legislatura. Assim, gostaria que vocês soubessem que este projeto encontrou cidadãos comprometidos com a cidade em que vivem e em breve sairá “do papel”. Sucesso para todos nós!

 

De Pernambuco, a iniciativa é do professor Carlos Eduardo de Oliveira com o #Adote-Um-Vereador-GUS:

 

Conheci este projeto em 2010, quando fiquei muito empolgado para fazer adoção de um dos políticos de disputavam o pleito para os cargos de deputado estadual e federal. Ainda fiz alguns acompanhamentos mas sem divulgação. Desta vez, quero encarar o projeto com seriedade, encabeçando uma proposta em nível municipal para adoção dos vereadores eleitos na câmara municipal de Garanhuns (PE), para o período de 2013 à 2016. Como sou professor pretendo começar com a divulgação da proposta entre meus alunos, tanto do Ens. Médio, quanto do Ens. Superior que leciono. Pretendo criar uma página guarda-chuva para que outras páginas possam ser vinculadas a ela. Pretendo criar links para vários documentos que vcs já produziram e publicaram. Posso fazer isso? Tens alguma sugestão para começar?

 

O Carlos Araújo não disse de onde escreve mas deixou claro seu entusiasmo em interesse em levar a frente o Adote um Vereado:

 

Quero fazer em minha cidade um site sobre o Adote um Vereador. Pelo que pude ler em seu site, cada um tem autonomia para fazer como puder, criando um site ou um blog, e buscando informações e cobrando do seu candidato. É isso? E você mantém alguma rede nacional para divulgar ou mostrar s várias redes pelo país sobre o Adote um Vereador?

 

Como o Adote um Vereador surgiu em São Paulo é por aqui que se concentra parte do trabalho de divulgação. O ideal é que cada cidade tenha uma página própria como acontece com o site Adote um Vereador SP, mas os dados também podem ser publicados no wikisite do movimento que foi o primeiro espaço público aberto para compartilhamento de informações sobre a rede que se dedica a acompanhar, monitorar, fiscalizar e espalhar o trabalho dos vereadores.

Junte-se ao Adote um Vereador

 

1o. Encontro do Adote um Vereador

 

Primeira reunião presencial do Adote um Vereador, em março de 2009, em São Paulo

 

 

Motivar as pessoas a acompanhar o trabalho da Câmara Municipal e incentivar o cidadão a influenciar nas decisões tomadas pelos vereadores foram alguns dos objetivos traçados há quatro anos quando foi lançada a ideia da Rede Adote um Vereador. Dos grandes orgulhos que tive neste tempo foi perceber que, com este projeto, se dava a oportunidade para que alguns enxergassem a capacidade que tinham de ajudar no desenvolvimento da sua cidade. Um desejo que já havia dentro de cada um deles, que se identificava em alguns atos, mas não de forma sistemática. Chegar ao fim da primeira etapa deste programa de cidadania reforça o desejo de ampliar nossas ações estendendo a rede para que mais pessoas possam se juntar a nós, para que novas estratégias sejam elaboradas e se invista em ferramentas mais apropriadas e eficazes para fiscalizar os vereadores. Hoje, percebo que noticiar nossas atitudes tanto quanto tomá-las fizeram com que cidadãos se motivassem a investir em iniciativas próprias ou coletivas, criando outros movimentos e serviços que colocam as informações sobre o legislativo municipal ao alcance da população. Muitas daqueles que começaram a caminhada ao nosso lado não resistiram, desisitiram pelos mais diferentes motivos, outros se uniram, aprenderam, ensinaram e praticaram a cidadania. A todos estes só tenho a agradecer por acreditarem nesta ideia.

 

Uma das metas propostas era a de, ao fim de quatro anos, ter na primeira página dos sites de buscas na internet, em especial o Google, links nos quais fosse possível consultar informações sobre o vereador com dados produzidos pelo Adote um Vereador – uma forma de oferecer ao eleitor conhecimento a partir de fontes independentes e críticas. Nesta semana fiz uma pesquisa no Google usando o nome de cada um dos 55 vereadores que aparecem na página oficial da Câmara Municipal de São Paulo e o resultado foi animador. Dos vereadores em atividade, 38 têm seu nome relacionado ao Adote um Vereador já na primeira página, ou seja, alcançamos 69% dos mandatos. Se incluirmos mais seis que apareceram na segunda página chegaremos a 80%. Apenas 11 (20%) parlamentares ficaram de fora, o que não significa que estes não tenham sido fiscalizados.

 

O que mais me entusiasmou foi o fato de perceber que todos os 55 vereadores tinham seus nomes relacionados em sites de outras iniciativas que promovem a cidadania tais como o Movimento Voto Consciente e o Radar da Câmara. Ou seja, se o eleitor estivesse interessado em pesquisar antes de votar, encontraria algum tipo de informação não controlada pelo parlamentar e suas assessorias e produzida pelos próprios cidadãos, além, evidentemente, de notícias que estão publicadas em centenas de veículos de comunicação, sites e blogs.

 

Apesar dos avanços que a rede Adote um Vereador alcançou, muitos deles registrados neste blog, e de alcançarmos a meta de colocar estes parlamentares no foco do cidadão, através da internet, percebe-se a necessidade de se intensificar as ações de fiscalização, controle e monitoramento. Hoje, assim que tivermos uma ideia de como será formada a nova Câmara Municipal (de São Paulo e de todas as demais cidades brasileiras), estará na hora de recomeçar nosso trabalho. De forma criteriosa escolher aquele que elegemos ou qualquer outro que tenha sido eleito e reassumir o compromisso de adotar um vereador.

 

E adotar significa: controlar, monitorar, fiscalizar e, depois, espalhar.

 

Quem vem comigo em mais este desafio?

De quadrilha

 

Por Maria Lucia Solla

 

Olá,

 

nem sempre é possível ir a festa com vestido novo, e tem vezes em que um vestido usado dá de dez a zero em qualquer novo. Assim escolhi me apresentar a você, mais uma vez, com um texto já publicado no blog do Mílton Jung em 12.06.2011

 

Beijo com a boca de alegria,

 

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Eu vou votar em …

 

Escolher um bom vereador é muito mais difícil do que decidir em quem votar para prefeito. Os candidatos ao executivo são em número menor e suas ideias e perfis estão expostos diariamente na cobertura jornalística, no horário eleitoral obrigatório, nos debates e diferentes serviços oferecidos pela internet. A legislação brasileira restringe o espaço para que se divulgue informações sobre os candidatos a vereador e veículos como rádio e televisão, por exemplo, não podem convidá-los para entrevistas individuais nem mesmo debates públicos, sobre a justificativa que se estaria beneficiando alguns em detrimento do todo. A justiça eleitoral não confia no critério jornalístico que deveria pautar estas escolhas. Os partidos também não ajudam muito ao selecionarem um elenco eclético e raramente alinhado aos ideais políticos registrados em seu programa, que deveria balizar suas atitudes. Os próprios políticos se rebaixam preferindo atos mesquinhos de troca de voto e distribuição de benefícios individuais a ações concretas que ajudem no desenvolvimento das cidades.

 

Claro que o ideal era construir sua convicção ao longo dos anos, acompanhando o trabalho dos vereadores ou daquelas pessoas que demonstram algum interesse em se candidatar, mas como agora não dá mais tempo para tanto, preste bem atenção no que você vai fazer na urna. E caso você ainda não tenha decidido votar em um vereador, atrevo-me a fazer algumas sugestões:

 

Comece por pensar no partido que você vai votar, pois lembre-se que o voto que você dá para um candidato ajuda o partido a conquistar mais vagas na Câmara e, portanto, vai ajudar a eleger outros candidatos (entenda como funciona o eleição proporcional e o quociente eleitoral).

 

Nunca vote sem pesquisar sobre o candidato, e a internet é sua melhor amiga nesta hora. Existem vários sites oferecendo a ficha quase que completa dos candidatos com informações oficiais registradas no Tribunal Superior Eleitoral. É possível saber a ocupação, instrução e idade dele, e se a candidatura está deferida, ou seja, é considerada legal pela justiça. Muitos candidatos estão concorrendo apenas por que conseguiram liminar para se manter na disputa mas podem ter a inscrição cassada mesmo se eleitos. Pelos dados do TSE também se tem acesso a declaração de bens, despesas feitas na campanha e o nome dos que financiaram a campanha dele. Tem, ainda, as certidões criminais. E aqui um alerta: a lei da Ficha Limpa evitou que muitos políticos concorressem, mas existem casos em que o processo ainda está em primeiro grau e isto não impede que eles disputem a eleição. Mas pense comigo, será que dá pra confiar em alguém que responde a cinco, seis, dez processos por desvio de dinheiro público, contratação ilegal, contas irregulares, entre outros casos ?(a lista de candidatos que ainda correm o risco de serem pegos pela lei do Ficha Limpa)

 

Mesmo depois de analisar os dados que estão no TSE, não deixe de dar um Google no nome do candidato. Alguns não resistem a primeria página. Durante o horário eleitoral obrigatório vi um nome que me chamou atenção, fui ao Google e descobri no terceiro link disponível que ele respodia a denúncia por maus tratos a ex-mulher. Risquei da minha lista de candidatos imediatamente. Há casos de candidatos que trabalharam em outros órgãos públicos, sociedades de bairro ou ONGs e isto pode ser uma boa referência sobre a capacidade dele para lhe representar na Câmara.

 

Se seu candidato disputa à reeleição, é importante visitar o site da Câmara Municipal(aqui a de São Paulo), onde costuma ter a lista com os projetos que ele propôs durante o mandato, os que conseguiu aprovar e, em muitos casos, fica-se sabendo se ele participa das votações e reuniões das comissões permanentes. Pesquisar sobre os gastos que faz para manter o gabinete também pode dar uma referência de como ele trata o dinheiro público. Se os dados não estão no site da Câmara, veja se existe na sua cidade uma organização que acompanha o trabalho dos vereadores como a rede Adote um Vereador e o Movimento Voto Consciente. Procurar as informações no projeto Excelências, da Transparência Brasil, ajuda muito.

 

Pelo adiantado da hora, procurar o candidato e fazer algumas perguntas pode ser inviável, mas vá que você tenha uma sorte e cruze por ele ou pelo comitê de campanha dele, antes de votar. Não deixe de perguntar o que faz um vereador. Para que não fique dúvidas: o vereador faz projetos de lei, discute políticas públicas e fiscaliza o prefeito. Saiba quais os temas que ele pretende priorizar no mandato e se tem ideias de projetos de lei. Preste bem atenção, porque se ele prometer construir hospitais no seu bairro, saia correndo. Vereador não constrói nada, no máximo ele pode se esforçar para que o Orçamento da prefeitura tenha dinheiro previsto para aquela obra.

 

Existem vários outros critérios para escolher o seu candidato a vereador, você mesmo deve definir alguns. O que não pode é votar no primeiro nome que aparece, naquele que o vizinho disse que é legal porque vai arrumar emprego para ele ou porque você viu em um papelzinho entregue antes de chegar a sua zona eleitoral.

 

Vote com consciência, a cidade agradece !