Depois de escolher, adote um vereador

 

Neste trecho da entrevista ao Observatório Político falo sobre a criação e função da rede Adote um Vereador. Depois de escolher o seu candidato no domingo, não esqueça que seu papel de cidadão continua sendo importante. Escolha um dos eleitos e passe a controlar, fiscalizar, monitorar e espalhar para toda a cidade o que ele faz com o mandato para o qual foi escolhido.

 

“Eu sou um cidadão …” estimula morador a cuidar da cidade

 

Oded Grajew é um provocador. Nunca está contente com as conquistas alcançadas. Quer ir além, provocar novos movimentos. Fez isto quando era empresário e percebeu que as empresas tinham responsabilidades com a sociedade. Daí surgiu o Instituto Ethos. Fez, também, quando entendeu que as pessoas teriam mais força se estivessem organizadas em instituições. E depois reuniu estas instituições em uma grande rede, a Nossa São Paulo. Conseguiu mobilizar diferentes grupos e políticos para a implantação do Plano de Metas na capital paulista. Assim que foi aprovado, levou a ideia para o Brasil. Agora, recebeu o título de Cidadão Paulistano, concedido pela Câmara Municipal, e quer que todos os moradores desta cidade também tenham este direito. Na terça-feira à noite, durante cerimônia no legislativo municipal, lançou a campanha “Eu sou um cidadão paulistano” para estimular os moradores a participarem do desenvolvimento da cidade.

 

Evidentemente que Oded não fez tudo isso sozinho, pois ele sempre confiou no poder do coletivo. É com esta força que ele acredita que poderá convencer os cidadãos, não apenas de São Paulo, mas de todas as cidades brasileiras a se credenciarem ao título. Para isto, cabe a cada um de nós respeitar o vizinho, dar preferência ao pedestre, cuidar do seu quarteirão, não desperdiçar água, reciclar os resíduos sólidos, preservar sua calçada e o meio ambiente, entre tantas ações que estão ao nosso alcance.

 

Ouça a entrevisa que fiz no Jornal da CBN com Oded Grajew sobre a campanha “Eu sou um cidadão …”

 

A seguir, reproduzo alguns dos banners e adesivos que serão sugeridos aos cidadãos:

 

Como o vereador é eleito pelo quociente eleitoral

Para saber quem será o candidato que vai vencer a disputa pela prefeitura da sua cidade basta calcular o total de votos que cada um deles recebeu. A eleição para vereador, no entanto, é proporcional e para saber quem ganhou o direito de lhe representar na Câmara Municipal é preciso calcular o quociente eleitoral. Este cálculo é que explica por que o seu vereador pode ficar fora da Câmara apesar dele ter recebido mais votos do que o concorrente eleito por outro partido.

Em uma resumo curto e grosso, soma-se todos os votos válidos, aqueles que são dados aos partidos e candidatos, não contam nulos e brancos. Divide-se o total de votos válidos pelo número de vagas na Câmara, o resultado é o quociente eleitoral, ou seja, a quantidade de votos que cada partido ou coligação precisará para eleger um vereador. Para saber quantos vereadores cada partido ou coligação terá é necessário dividir o total de votos que recebeu pelo quociente eleitoral. A intenção da lei é fortalecer os partidos políticos.

Para entender melhor como esta complexa divisão é realizada assista ao vídeo produzido pelo Tribunal Superior Eleitoral:

Dilma, o discurso e a roupa

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

No último Mundo Corporativo, programa comandado por Mílton Jung, foi comentada a questão de velhas máximas em uso ou desuso nas empresas. Por exemplo: “Espremendo o fornecedor é que se chega ao lucro”, ou “o segredo é a alma do negócio” que sabiamente foi substituída por “a alma do negócio é o segredo”. Abordagens que me levaram a outras áreas. Nas comunicações “os meios são a mensagem”. No futebol “o jogo é que deve aparecer não o árbitro”. Na dança de salão “o homem é a moldura, a pintura é a mulher, é ela quem deve aparecer”.

 

E, com tais ditados me veio a questão da roupa levada à ONU pela presidenta, pois na moda “a roupa deve valorizar as pessoas e não ao contrário”. Uma surpresa, diante do vestido vermelho com enorme estampa, pois se Dilma não tem aproveitado o cargo para divulgar a indústria de confecção nacional, pelo menos vinha usando até então um critério louvável no sentido de evitar exageros. Descartando calças compridas e prestando atenção no uso das cores, além de evitar as estampas. Pena que o sucesso de Lula ao enfrentar Serra em seu debate final, ostentando um Ricardo Almeida impecável, que lhe valeu uma imagem mais forte e contemporânea, não a tenha inspirado. Poderia hoje estar com uma modelagem e um corte mais refinado. De qualquer forma a ousadia na ONU agradou pelo menos a jornalista de moda da Folha Vivian Whitman que “descobriu” uma nova função da roupa, ao identificar na estampa escolhida um outdoor pertinente ao discurso proferido:

 

“Falando de guerra, da Palestina e de outras questões complexas, que têm causado banhos de sangue nas últimas décadas, o vermelho foi uma escolha ousada. O que de perto era uma estampa abstrata, algo entre plantas e florais, de certa perspectiva, ou seja, do ponto de vista da plateia, adquiriu um ar de camuflado estilizado. Era como se Dilma fosse um lembrete visual das vítimas dos conflitos enquanto pedia novas medidas e estratégias de ação.”

 

Quanto ao discurso as reações foram as de sempre. Muita mídia e pouca novidade. Quem é favorável aplaudiu, quem não é criticou. A revista Veja, por exemplo, em editorial com o título “A chance perdida” sugeriu que Dilma devesse deixar de ser presunçosa e confessasse que o Brasil está atrás de Chile, Colômbia e Peru no competitivo mercado global.

 

Ainda bem que não tivemos nenhum jornalista de política se aventurando no jornalismo de moda.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Pequeno Manual sobre Eleições, por Rubens Barbosa

 

Atendendo a pedidos de ouvintes-internautas público o link da entrevista com o embaixador Rubens Barbosa, atualmente presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp, e o acesso ao artigo de autoria dele com informações sobre o Pequeno Manual sobre Eleições, escrito por Quintus Tullius para ajudar na eleição de seu irmão Cícero (por favor, não confunda, este Cícero não é candidato a vereador):

 


A entrevista ao Jornal da CBN você ouve aqui

 

Em 64 a.C., Cícero, notável orador e político romano, embora não pertencente à aristocracia de onde saíam os que iriam dirigir os destino de Roma, apresentou-se como candidato ao posto de cônsul, o cargo mais importante na cena política de Roma. Seu irmão Quintus Tullius, general e político, produziu um memorando que denominou Pequeno Manual sobre Eleições, com o objetivo de ajudar o candidato na campanha que se aproximava e, como tudo parecia indicar, não iria ser nada fácil para o tribuno.

 

A revista Foreign Affairs publicou em maio/junho passado trechos do memorando de Quintus Tullius, que, pela sua atualidade diante do quadro das eleições municipais no País inteiro, tendo como pano de fundo o julgamento do mensalão, merecem ser aqui resumidos.

 

Os conselhos nele contidos podem surpreender pelo cinismo e pelo pragmatismo, mas mostram que os costumes e as práticas políticas não se modificaram substancialmente desde esses remotos tempos romanos. Em mais de 2 mil anos nada, ou quase, parece ter mudado. Os políticos mais experientes pouco terão a ganhar com o manual. Os iniciantes, contudo, poderão beneficiar-se de alguma das sugestões feitas para a conquista do sufrágio e do apoio dos eleitores.

 

O memorando aponta as duras e cruas realidades da política e oferece um roteiro pragmático ao candidato. Primeiro, prestando conselho sobre como ganhar a eleição; em seguida, analisando a natureza e a força da sua base política, além da necessidade de dar atenção a grupos específicos; e, finalmente, oferecendo uma série de conselhos práticos sobre como conquistar votos.

 

Segundo Quintus Tullius, são três as coisas que podem garantir votos numa eleição: favores, esperança e relações pessoais. E segue dizendo ao irmão: “Você deve trabalhar para dar esses incentivos às pessoas certas. Para ganhar os eleitores indecisos você pode fazer-lhes pequenos favores. Com relação àqueles em quem você desperta a esperança – uma grupo zeloso e devotado -, deve fazê-los acreditar que estará sempre ao seu lado para ajudá-los. Deixe que eles saibam que você está agradecido por sua lealdade e que está muito agradecido pelo que cada um deles está fazendo por você. Em relação aos que já o conhecem, você deve encorajá-los, adaptando a sua mensagem à circunstância de cada um e demonstrando a maior gratidão pelo apoio de seus seguidores. Para cada um desses três grupos de apoiadores, decida como eles podem ajudá-lo na campanha. E de que modo você pode pedir coisas a eles. Não deixe de dar atenção a cada um individualmente, de acordo com a sua dedicação à campanha.

 


O texto completo você lê aqui

A Gazeta: destaque para a rede Adote um Vereador

 

A rede Adote um Vereador foi destaque na edição dominical do jornal A Gazeta, do Espírito Santo, em reportagem de duas páginas produzida pela repórter Cláudia Feliz, a partir de conversa por telefone que tivemos nesta semana. Excelente oportunidade para que as ideias que há quatro anos são defendidas pelo grupo que está à frente do Adote cheguem a um número ainda maior de cidadãos. Às vésperas da eleição municipal fazemos, também, um alerta para a importância deste momento e a necessidade de fazermos uma escolha coerente e consciente.

 

Vereadores são espelhos da sociedade?

 


Por Cláudio Vieira
Adote um Vereador

 

Vereadores nascem das urnas mas antes disso todos viviam entre nós na sociedade. Eram pessoas comuns como tantas outras que visitam nossa casa, passeiam por nossas ruas e bairros. Faziam compras no supermercado, na padaria e na farmácia, rezavam na igreja, participavam das associações de bairro, dos encontros no clube e batiam papo com os amigos na praça, estes lugares que nós costumamos frequentar.

 

Quando este indivíduo se elege, transforma-se vereador e tem o direito de habitar um outro ambiente, a câmara municipal, onde cria leis e fiscaliza as ações do prefeito. Recebe do eleitor o privilégio de representá-lo na casa legislativa, realizando um trabalho que os cidadãos comuns não teriam condições de exercer em seu cotidiano. Isto lhes dá um poder muito grande e gera responsabilidades enormes.

 

Infelizmente, algumas  pessoas imaginam que o vereador lhe deve favores pessoais, tem a obrigação de distribuir remédio, conseguir bolsas de estudo, fornecer cesta básica quem sabe o uniforme para o time do bairro ou a cadeira de roda para a tia mais velha. E, claro, muito deste comportamento se deve a própria atitude de vereadores que incentivam a prática.

 

A seguir vou relatar alguns casos reais e situações curiosas que chegam aos gabinetes da Câmara  Municipal de São Paulo, a qual conheço um pouco mais devido minha atuação na rede Adote um Vereador, mas duvido que estas situações não ocorram Brasil a fora. Vou repetir, são casos reais que ouvi de funcionários e assessores que trabalham no legislativo paulistano

 

Porta da esperança

 

A senhora liga para o gabinete, é atendida por um assessor e sem cerimônia pede que o vereador mande para casa dela uma porta nova. Não levou.

 

Vou de táxi

 

Sincero, o eleitor diz ao vereador que não pode prometer que votará nele na próxima eleição, mas deixa uma porta aberta: “como o senhor já é vereador fica mais fácil de conseguir algo que para mim é muito difícil; estou fazendo o curso para taxista e pretendo tirar o Condutax; o senhor pode me ajudar a conseguir um alvará na prefeitura, eu saio de táxi e o senhor leva meu voto.

 

Na contramão

 

A moça disse que precisava de uma mãozinha do vereador, queria que ele pagasse as multas do carro dela. E justificou: mal tinha dinheiro para pagar as prestações do veículo comprado em 60 meses.

 

Mãos à obra

 

A cidadã pergunta o que é preciso para conseguir uma ajuda do vereador. Depende da ajuda, responde o assessor. De bate-pronto, pediu: tô precisando de material de construção. Assim que o assessor foi explicar que o vereador não trabalhava desse jeito, ela, contrariada, bateu com o telefone na cara dele.

 

Liga pra mim

 

Solícito, o eleitor se coloca à disposição para ajudar na campanha à reeleição do candidato, diz que pode pedir voto para ele na região em que mora e, inclusive, colar adesivos no carro. Faz tudo isso voluntariamente em nome da cidadania e, claro, em troca de um smartphone.

 

Direito a defesa

 

O funcionário do gabinete atende o telefone e ouve uma mulher reclamar que há sete anos espera indenização de uma empresa de ônibus que foi responsável por um acidente. Como o vereador poderia ajudar? Preciso de um advogado, disse ela. O assessor quis saber se não havia ninguém para defendê-la e ouviu que a moça havia contratado um, mas não estava dando certo, era preciso outro que fizesse a empresa pagar o que deve. Mais do que isso, queria que o vereador conversasse com o juiz para que ele obrigasse a empresa a cumprir com seu dever. Ao ouvir que aquela não era a função de vereador, desaforada, a mulher respondeu: “desculpa por ter ‘me incomodado’, funcionário público e político é tudo sem-vergonha, mesmo; não fazem nada!”

 

Não quero lixo

 

Mãe de família, direta no discurso, se apresenta, diz seu nome, avisa que mora perto da USP e precisa de um ortopedista. Mas tem de ser dos bons. A filha trabalha no Hospital Universitário mas não quer ir lá porque só tem lixo. O assessor explica que lá tem muitos professores, gente boa. Ela insiste: já trabalhei em sala de cirurgia, moço, e sei que hospital público só tem lixo. O funcionário contra-ataca: tem especialista na UBS, AMA, AME …. Só tem lixo, repete, irredutível. Eu quero um particular, fala em tom forte. Mais uma vez a explicação de que o vereador não tem como arrumar foi interrompida: já imaginava, político não serve para nada.

 

Esses são apenas alguns casos que acontecem todos os dias nos gabinetes dos vereadores ou nas visitas que fazem às comunidades e redutos eleitorais. Tenho uma lista de dezenas deles. Alguns assessores parlamentares lamentam que a maior parte das demandas que chegam à Câmara Municipal é desta ordem.

 

Cidadão, vamos deixar claro o seguinte: a função do vereador é criar projetos de lei, discutir políticas públicas para melhorar a cidade, cobrar a execução do Orçamento e fiscalizar a prefeitura. Portanto, nenhum desses pedidos devem ser feitos a eles. Quem o faz ou confunde as coisas ou quer levar vantagem pessoal e estará repetindo a mesma conduta ilegal daqueles políticos que costumamos identificar como corruptos. Demandas levadas aos gabinetes são legítimas, pois eles são os nossos representantes por lá, mas devem ser de interesse do coletivo.

 

E aí eu pergunto:  vereadores são espelhos da sociedade?

A ficha do seu candidato na ponta do dedo

 

 

Um grupo de jovens com domínio em tecnologia da informação e interessados em ajudar a sociedade a escolher melhor seus candidatos se colocaram à disposição do juiz eleitoral Marlon Reis. Queriam fazer algo, mas não sabiam o que fazer, dúvida que logo foi sanada com a sugestão do magistrado que tem se destacado pela atuação no combate à corrupção e a transparências nas eleições. Vontade, inteligência e experiência se uniram ao ideal deles e surgiu o aplicativo Transparência que põe na ponta dos dedos todas as informações sobre os milhares de candidatos às prefeituras e câmaras municipais do Brasil. Disponível na App Store e, em breve, pronto para rodar no sistema Android, o aplicativo reproduz de forma prática e organizada os dados registrados no Tribunal Superior Eleitoral.

 

Baixei o aplicativo no meu Ipad, e me surpreendi com a facilidade para consultar, por exemplo, a ficha dos 1.227 candidatos a vereador para a cidade de São Paulo. Você clica no nome do cidadão, surge um quadro com o perfil, foto, número e partido, a declaração de bens, certidões criminais, propostas, despesas e receitas de campanha, além de ser possível saber se a candidatura foi deferida – já que há casos em que os tribunais regionais identificaram irregularidades que impedem que o candidato concorra às eleições. Muitos somente ainda estão na disputa porque conseguiram uma liminar na justiça. Há algo em torno de 1.500 recursos ainda a serem julgados.

 

Conversei com o juiz Marlon Reis que está entusiasmado com o resultado obtido pelo aplicativo, apesar de ter sido recentemente lançado. “Até minha mulher desistiu de votar no candidato a vereador que havia escolhido depois que teve acesso a algumas informações dele”, me confidenciou. Ele está certo de que, neste ano, o processo eleitoral avançou muito, apesar de uma série de barreiras que ainda precisam ser superadas. A divulgação do nome dos financiadores de campanha antes da eleição foi uma das mudanças neste ano, aliás iniciativa de Marlon e um grupo de juízes eleitorais.

 

Por curiosidade acessei as certidões criminais dos 12 candidatos a prefeito e apenas um deles responde a processos judiciais. Se quiser saber quem é, baixe o aplicativo. Ou entre no site do TSE, portais de notícias como o Congresso em Foco, Terra, G1, Uol, Estadão e pesquise. As informações estão lá também. Voto consciente depende de pesquisa, consulta e critérios.