Dilma, o discurso e a roupa

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

No último Mundo Corporativo, programa comandado por Mílton Jung, foi comentada a questão de velhas máximas em uso ou desuso nas empresas. Por exemplo: “Espremendo o fornecedor é que se chega ao lucro”, ou “o segredo é a alma do negócio” que sabiamente foi substituída por “a alma do negócio é o segredo”. Abordagens que me levaram a outras áreas. Nas comunicações “os meios são a mensagem”. No futebol “o jogo é que deve aparecer não o árbitro”. Na dança de salão “o homem é a moldura, a pintura é a mulher, é ela quem deve aparecer”.

 

E, com tais ditados me veio a questão da roupa levada à ONU pela presidenta, pois na moda “a roupa deve valorizar as pessoas e não ao contrário”. Uma surpresa, diante do vestido vermelho com enorme estampa, pois se Dilma não tem aproveitado o cargo para divulgar a indústria de confecção nacional, pelo menos vinha usando até então um critério louvável no sentido de evitar exageros. Descartando calças compridas e prestando atenção no uso das cores, além de evitar as estampas. Pena que o sucesso de Lula ao enfrentar Serra em seu debate final, ostentando um Ricardo Almeida impecável, que lhe valeu uma imagem mais forte e contemporânea, não a tenha inspirado. Poderia hoje estar com uma modelagem e um corte mais refinado. De qualquer forma a ousadia na ONU agradou pelo menos a jornalista de moda da Folha Vivian Whitman que “descobriu” uma nova função da roupa, ao identificar na estampa escolhida um outdoor pertinente ao discurso proferido:

 

“Falando de guerra, da Palestina e de outras questões complexas, que têm causado banhos de sangue nas últimas décadas, o vermelho foi uma escolha ousada. O que de perto era uma estampa abstrata, algo entre plantas e florais, de certa perspectiva, ou seja, do ponto de vista da plateia, adquiriu um ar de camuflado estilizado. Era como se Dilma fosse um lembrete visual das vítimas dos conflitos enquanto pedia novas medidas e estratégias de ação.”

 

Quanto ao discurso as reações foram as de sempre. Muita mídia e pouca novidade. Quem é favorável aplaudiu, quem não é criticou. A revista Veja, por exemplo, em editorial com o título “A chance perdida” sugeriu que Dilma devesse deixar de ser presunçosa e confessasse que o Brasil está atrás de Chile, Colômbia e Peru no competitivo mercado global.

 

Ainda bem que não tivemos nenhum jornalista de política se aventurando no jornalismo de moda.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

2 comentários sobre “Dilma, o discurso e a roupa

  1. Bom dia Carlos,

    entendo muito pouco de Moda e da estampa do vestido de Dilma ou os ares assumidos por ela na perspectiva da platéia fico com a sua opinião, mais esclarecida que é.
    Comento apenas a menção do editorial:
    Sob a perspectiva da platéia na fila do supermercado, na capa da publicação Veja dedicada a São Paulo, o terno de Kassab estava impecável como sempre esteve, para a revista, o comportamento de Demóstenes, dos seus mosqueteiros o mais perfeito.
    A maquiagem para o viaduto, cenário da fotografia daquela capa, igualmente reflete a ótica da revista sobre o Brasil.
    O conteúdo jornalístico de mais esta edição no editorial “A chance perdida” e a manchete da capa “Será se estamos sendo justos com ele” tem também o mesmo peso. Tão jornalismo quanto qualquer propaganda consegue ser.
    Abraço

  2. Sérgio muito interessante o seu comentário, que denota excelente perspicácia.
    Certamente é difícil manipulá-lo.Parabéns.
    A pose de Kassab reflete uma montagem equivalente a frase que intitula a matéria.E, para quem sabe a linguagem da moda ,o corte do terno poderia ser melhor e a pintura do cabelo poderia ser evitada.

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