Por Mílton Ferretti Jung
Meu assunto de hoje é a ganância. Escrevo inspirado nesta frase: ”Não se admite que os destinos da nação (o cacófato danação foi cometido pelo autor) possam ser geridos por representantes que não possuem conduta adequada à dignidade das relevantes funções públicas”. Quem costuma acompanhar o noticiário sobre a política brasileira está, com certeza, muito bem informado sobre a imensa contradição entre o que aparentava ser o senador Demóstenes Torres e o que se ficou sabendo dele, agora, para espanto geral. Demóstenes, relator da Lei da Ficha Limpa, deu à luz à frase com a qual abri o meu texto, usada por Ophir Cavalcante, presidente da OAB, autor do livro Ficha Limpa: a Vitória da Sociedade, obra prefaciada pelo senador, que se danou por ser amigo do bicheiro Carlinhos Cachoeira “y otras cositas más”, por exemplo, o fato de o Procurador de Justiça, professor e advogado, senador da República, abrigar em seu gabinete servidores fantasmas.
É de se perguntar o que leva muitas pessoas com vida mansa, sem problemas financeiros ou de qualquer outra ordem, a querer enriquecer sempre mais e mais, demonstrando ambição exacerbada de ganho, esquecendo-se que, de repente, a sorte pode mudar de lado, tal qual ocorre, neste momento, com o antes impávido cavaleiro da moralidade Demóstenes Torres. A ganância ilimitada, que maculou muitos políticos brasileiros, inclusive ministros, por se tratar de quem se imaginava que fosse, tornou maior o descrédito já volumoso que vem denegrindo a classe. Salve-se dele, descrédito, quem puder. E não for ganancioso.
Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)






