Decoro parlamentar exige voto aberto

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

O Estado Brasileiro é uma democracia cuja regra essencial para as atividades públicas é a transparência. Isto consubstancia dever de obediência a um princípio constitucional. Aqueles que se encontram na condição de mandatários tem não o direito mas a obrigação de prestar contas de suas atividades, eis que a parcela de poder que exercem decorre de uma vontade popular.

O Congressista acusado em processo por quebra de decoro parlamentar usufrui de amplas garantias processuais em matéria de defesa. Pode apresentá-la por escrito, acompanhada de documentos, através de advogado, há uma instrução. Somente após este procedimento é que o feito disciplinar vai a julgamento, precedido da exposição oral dos argumentos perante os demais parlamentares.

Este julgamento deve ser público por lógicas razões. Primeiramente, porque o parlamentar é escolhido pelo voto direto e secreto. Depois, que a sua atividade é pública e exercida em nome e em função da sociedade. Tanto que embora eleito por um Estado, ele integra o Legislativo Federal e vota em igualdade de condições com os demais integrantes da sua Casa Legislativa. Por fim, algo irrefutável: os julgamentos são televisionados pelas emissoras do Congresso Nacional, o que os torna insuscetíveis de fraude, escamote ou manipulação.

Para os casos de perda de mandato é inconcebível que o seu julgamento seja secreto apenas porque envolve um dos seus. Assegurada ampla defesa e contraditório ao acusado, o Congressista deve avaliar o conjunto de provas e votar publicamente de acordo com a sua convicção.

O eleitor está saturado de corporativismos viperinos e desconfia de um sistema onde os fatos são de domínio público mas o julgamento é confinado ao segredo.

Este tema é relevante, seja pela sucessão de episódios desta natureza, seja porque a conseqüência imediata da cassação é a inelegibilidade do cassado. Afinal, se tudo é público, nada ampara o sistema vigente, em descrédito e rechaçado. Conforme ponderação do combativo senador paranaense Álvaro Dias,“O voto secreto impede qualquer possibilidade de avaliação sobre o comportamento das pessoas. É por isso que o voto secreto é condenável quando se trata de julgamento de natureza ética. É possível que se crie constrangimento, mas a população tem o direito de fiscalizar o seu representante. O atual sistema de votação para a cassação do mandato de um parlamentar subtrai esse direito da população ao manter o voto secreto”.

Em função da sua importância, algumas considerações sobre esta PEC 50/2006 são necessárias. Primeiro, que a sua redação refere “voto ostensivo”, o que a meu sentir, não significa o mesmo que direto. Somente a PEC 86/2007 consigna “voto aberto”. Portanto, a regra não está a salvo de eventuais interpretações casuísticas e corporativistas. Depois, a mesma não determinou esta publicidade aos parlamentos estaduais e municipais. Por fim, a sua longa tramitação legislativa e o fato de estar engessada desde o ano passado evidenciam o desinteresse do Senado em apreciá-la.

A PEC traduz algum avanço mas tem conotações acacianas. O eleitor descrente, apático e que sequer sabe o endereço eletrônico do Senado Federal, nenhuma postura crítica assume: não debate, não envia cartas nem e-mails aos Congressistas. Criticar na frente da televisão não vale e não resolve nada.

No próximo dia 8 de novembro, a partir das 18hs, estarei na Feira do Livro de Porto Alegre lançando a obra Vereança e Câmaras Municipais – aspectos legais e constitucionais, pela Editora Verbo Jurídico. O trabalho aborda temas de interesse público como o número de vereadores para as eleições de 2012, quebra de decoro parlamentar, eleição da mesa diretora, hipóteses de perda de mandato e questões eleitorais, dentre outros.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Fórum Social de SP: Outra cidade é possível

 

Rua de terra

O que fazer em nossa cidade para que o interesse público e os direitos do cidadão e cidadã prevaleçam sobre o interesse do dinheiro e do lucro? Dez mil pessoas estarão reunidas, no fim de outubro, em busca de respostas para esta que será a questão central do Fórum Social de São Paulo. É a primeira vez que uma cidade brasileira traz para dentro do seu ambiente a mesma filosofia que move o Fórum Social Mundial, que se consagrou por pensar, discutir e refletir temas que privilegiam o cidadão e não o capital.

São Paulo é a sexta maior cidade do planeta e somada a população da região metropolitana somos mais de 19 milhões de pessoas. Apenas na capital, temos sete milhões de carros, além daqueles que passam ou vem para cá, que se transformam na principal fonte de poluição do ar. E com a frota crescente não é de se espantar que o número de dias em que a qualidade do ar ficou imprópria aumento 146% nos primeiros sete meses de 2011 na comparação com o mesmo período de 2008. Tudo isso, claro, impactando ainda mais a rede pública de saúde.

Produzimos 17 mil toneladas de resíduos por dia e os dois aterros sanitários que funcionavam na capital estão entupidos, sem capacidade de receber um caminhão sequer. Temos de exportar os dejetos para cidades que ficam na Grande São Paulo, região onde as prefeituras ainda permitem o surgimento de lixões, locais que “abastecem” cerca de 17 mil pessoas, infelizmente.

Leia o texto completo e a minha resposta para a pergunta inicial no Blog Adote São Paulo, da revista Época SP

Reforma política prevê sistema misto de votação, em 2012

 

Duas horas de conversa foram necessárias para o deputado Henrique Fontana (PT-SP) explicar as mudanças que, acredita, tornarão as eleições e o jogo político mais equilibrados e transparentes. Nota-se, porém, que de acordo com as regras nem mesmo uma eleição inteira será suficiente para esclarecer alguns pontos que serão votados a partir da semana que vem na Comissão Especial da Reforma Política, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

O sistema proporcional em vigor se transformará em sistema proporcional misto que dividirá as vagas que o partido ou coligação conquistarem entre os candidatos mais bem votados e os candidatos que fazem parte de uma lista definida pelo partido. O financiamento da campanha também será misto e feito a partir de doações de empresas e indivíduos a um fundo que será distribuído entre os partidos de forma proporcional. Ficará proibida a doação direta para coligações, partidos ou candidatos. Caso a arrecadação não seja suficiente para a campanha, conforme parâmetros definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral, a complementação será feita com dinheiro público.

Estes dois pontos serão os primeiros a serem colocados em votação, ao lado de um capítulo que está sendo chamado de “Democratização dos partidos”, regra que pretende impedir a participação de agremiação partidária que estiver sendo comandado por comissões provisórias – o que costuma ocorrer onde há intervenção da cúpula nacional.

Foi Roseann Kennedy, nossa comentarista e repórter de política, quem me explicou, em bate-papo por telefone, como seria o sistema de votação misto se aprovado conforme proposta do deputado petista.

Atualmente, os votos no partido, coligação e candidatos são somados e através de uma divisão de cadeiras proporcional os mais bem votados daquele grupo ocupam as vagas disponíveis. A nova regra prevê que os partidos definam uma lista ordenando o nome dos candidatos de acordo com seu interesse. As cadeiras conquistadas no parlamento serão divididas entre os candidatos mais votados do partido e os primeiros candidatos da lista. Portanto, se um partido tiver direito a seis vagas, a primeira é do candidato mais votado e a segunda do primeiro candidato da lista, e assim sucessivamente. Ou seja, se o sistema atual já é complicado, imagine o que está em discussão.

Roseann entende que muito provavelmente a comissão analise e aprove estas medidas deixando de lado, por enquanto, os demais pontos da reforma política. Descrevo com brevidade alguns deles:

Projetos de lei de iniciativa popular poderão ser apresentados com 500 mil assinaturas, metade do que é exigido atualmente;

A sociedade terá direito de pedir que o projeto de lei de iniciativa popular seja analisado em caráter de urgência se conseguir apresentar até 1 milhão de assinaturas;

Os senadores não se elegerão mais com dois suplentes; caso se ausente, a vaga será ocupada pelo deputado do partido mais bem votado na última eleição;

Haverá segundo turno para cidades com até 100 mil eleitores, hoje somente nos municípios com 200 mil ou mais eleitores;

Será mantido o sistema de cotas por gênero, no sistema três por um, ou seja, para cada três candidatos de um sexo, o partido terá de apresentar um candidato de outro sexo;

A figura do prefeito itinerante será proibida, impedindo que o político que tenha sido eleito duas vezes seguidas em uma cidade, mude o domicílio eleitoral para concorrer na eleição seguinte.

Ouça a reportagem de Roseann Kennedy que foi ao ar no Jornal da CBN

Corrupção: até quando?

 

Por Carlos Magno Gibrail

Protesto contra a corrupção

Há uma semana, dia da Independência, havia a expectativa sobre o impacto das manifestações contra a corrupção, deflagradas a partir da imagem de Jaqueline Roriz recebendo propina. Quem esperava a repetição de 1984 na Campanha das Diretas ou de 1992 na caçada ao Caçador de Marajás, terá que aguardar. Talvez breve, em 12 de outubro.

Até lá, é bom lembrar que munição para esta guerra contra a corrupção não falta. Aumento de salários públicos de forma corporativista, desvios anuais de 49 a 69 bilhões de reais, aumentos projetados de estados federativos para gerar mais cargos e gerir mais e más influências, aumentos de vagas de vereadores, representação desfigurada no Congresso Nacional, não limitação do número de representantes, 25.000 cargos nomeados, nomeações baseadas em troca de favores políticos e não por competência, financiamento das eleições sem origem e destino configurados, destinações de verbas em troca de poder eleitoral, incontestáveis objetivos pessoais de homens públicos em detrimento do bem público, falta de compostura a ponto de registrar promessas em cartório e descumpri-las, ou de negar obviedades como no caso de Jaqueline absolvendo-a pelo fato do crime anteceder a função, como se isso não fosse agravante, etc. etc.

Para os políticos é hora de repensar. A começar pela Presidenta, cuja faxina ao mesmo tempo em que atraiu extenso apoio geral da população, também recebeu a ira dos tais políticos indesejáveis. A ponto de frear o ímpeto inicial, que não pode arrefecer.

Para os contribuintes, é hora de participar. Nem que seja virtualmente.

Para a mídia, é bom que assuma também um papel maior, assim como fez nos grandes eventos do passado. É hora de sair das páginas internas e ir para as capas.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.


A foto deste post é do álbum digital de André Pereira Homer, no Flickr

Sete de setembro: Dia do Grito contra a corrupção

 

Carlos Magno Gibrail

Jaqueline Roriz conseguiu que a maioria de seus colegas, ou comparsas, deputados eleitos pelo povo brasileiro, acobertados pelo voto secreto, votassem pela não cassação de seu mandato.

Diante da série intensa de casos de corrupção, eis que as excelências de Brasília inovam ao desconsiderar o velho ditado de que uma imagem vale mais do que muitas palavras. E, foram adiante, alegaram que a cena do crime mostrada pela câmera que registrou o fato – a cidadã Roriz recebendo dinheiro – era anterior ao seu mandato.

É argumento ao revés, pois um fato anterior de tal gravidade deveria reforçar o engodo que foi levado aos 100mil cidadãos que votaram nesta senhora. Certamente currículo deste nível para os eleitores seria considerado suficiente para não elegê-la.

Esta corrupção endêmica, não é especialidade nacional. Pelo menos ainda não tivemos político imitando Berlusconi, que chamou a Itália de país de m—-, como se a nação fosse como alguns deles. Mas, isto não é consolo, e muito menos motivo para não reagirmos.

A senhora Roriz deverá contribuir para mudanças éticas e práticas.

“João Ubaldo Ribeiro no Estadão sugere uma “Reforma na corrupção”, estabelecendo um Fundo Nacional de Governabilidade Sustentável”, para substituir o mensalão e as trocas-trocas, chamadas de sistemas de barganhas e concessões. Fina ironia, para sistematizar o crime, já explícito.

Tutty Vasques não se conforma com o sorriso da “loira da farra do dinheiro”, pois acha que é indefinível por que alguns meliantes cobrem o rosto diante das câmeras e alguns o mostram.

Para quem estiver disposto a se manifestar contra políticos e afins, hoje, Sete de Setembro, Dia do Grito, haverá manifestações públicas. Já no domingo, a jornalista Isadora Perón informou que pela convocação só do Facebook mais de 75 mil internautas tinham confirmado presença.

Currículos e imagens podem ser ignorados pela maioria dos deputados, mas certamente eles não serão ignorados pela maioria dos brasileiros.

(Veja aqui onde serão realizadas manifestações de combate à corrupção)

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Combate à corrupção: calendário de manifestações

 

Está indignado com a corrupção. Ficou incomodado com a absolvição da Jaqueline Roriz. Acha que tá na hora de dizer o que você pensa. Não aguenta mais ver Desfile Militar no Sete de Setembro. Ou está sem programa para este feriado. Seja qual for o motivo, participe das manifestações nesta quarta-feira pelo Brasil. Para ver onde e a que horas será a concentração onde você mora ou debater o tema nas redes sociais, clique no nome do seu Estado e cidade:

ACRE – RIO BRANCO
Coreto da Praça da Revolução (Plácido de Castro) – Centro
15h00


ALAGOAS – MACEIÓ

Praça Multieventos da Pajuçara
13h00

BAHIA – SALVADOR
Em frente a Câmara de Veradores
13h00

BAHIA – ILHÉUS
Catedral de São Sebastião
13h00


DISTRITO FEDERAL

Ao lado do Museu Nacional
10h00

ESPÍRITO SANTO – VITÓRIA
Avenida Getúlio Vargas
13h00

GOIÁS – GOIÂNIA
Praça do Trabalhador até a Praça Cívica
13h00


MARANHÃO – SÃO LUIS

Praça Deodoro em frente à biblioteca Benedito Leite
13h00


MATO GROSSO – CUIABÁ

Praça das Bandeiras
13h00


MATO GROSSO DO SUL – CAMPO GRANDE

Praça Ari Coelho
13h00

MINAS GERAIS – BELO HORIZONTEL
Praça da Liberdade Hotel
12h00


MINAS GERAIS – ALFENAS

Saída do Centro Vivencial (Antiga Rodoviária)
9h00

MINAS GERAIS – UBERABA
Calçadão da rua Artur Machado
10h00


MINAS GERAIS – UBERLÂNDIA

Praça Tubal Vilela
8H00

MINAS GERAIS – ITAJUBA
Em frente a Câmara Municipal – Praça da Amélia Braga, 45
9H00

PARÁ – BELÉM
Avenida Presidente Vargas, próximo da Estação das Docas
9h00

PARANÁ – CURITIBA
Praça Santos Andrade
13h00

PARANÁ – LONDRINA
Avenida Leste Oeste próximo ao Terminal (local do desfile)
8h00

PARANÁ – CASCAVEL
Calçadão em frente a Matriz
13h00

PERNAMBUCO – RECIFE
Praça Oswaldo Cruz
9h00
Marco Zero (praça Rio Branco)
13h00

RIO DE JANEIRO – CAPITAL
Câmara dos Vereadores
9h00
Tribunal de Justiça dop Estado do Rio de Janeiro
11h00
Câmara dos Vereadores
14h00

RIO DE JANEIRO – PETRÓPOLIS
Praça Rui Barbosa
13h00

RIO GRANDE DO SUL – PORTO ALEGRE
Monumento Açorianos
9h00

RIO GRANDE DO SUL – CARAZINHO
Praça Abilio Hillebrand
15h00


SANTA CATARINA – FLORIANÓPOLIS

Trapiche Beira Mar
14h00


SANTA CATARINA – JARAGUÁ DO SUL

Praça Angelo Piazera
13h00


SANTA CATARINA – JOIVILLE

Em frente ao Shopping Muller
13h00

SANTA CATARINA – BALNEÁRIO CAMBURIU
Praça Tamandaré
13h00

SÃO PAULO – CAPITAL
MASP
9H00
14H00

SÃO PAULO – SANTOS
AVvenida Vicente de Carvalho
13h00
SÃO PAULO – SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Parque Vicentina Aranha
9h00

SÃO PAULO – MAIRIPORÃ
Praça da Antiga Rodoviária
13h00

SÃO PAULO – CAMPINAS
Centro de Convivência
15h00

SÃO PAULO – SÃO CARLOS
Praça Coronel Salles
13h00

SÃO PAULO – SANTO ANDRÉ
Praça IV Centenário

SÃO PAULO – ITU
Praça Souza

SÃO PAULO – BAURU
Vitória-Régia

SÃO PAULO – RIBEIRÃO PRETO
Praça XV
9h00


Leia mais sobre as maifestações no post “Sociedade no combate à corrupção”

O salário dos vereadores de Porto Alegre

 

Por Milton Ferretti Jung

São Paulo é, como todas as grandes metrópoles, uma cidade que enfrenta, quem não sabe, problemas sem conta. Em vários aspectos, porém (e quem escreve este texto é insuspeito por não ser sequer morador daí), é invejável. No caso, o adjetivo que usei é sinônimo de apreciável. Um destes aspectos aos quais me referi diz respeito ao programa Adote um vereador. Não trato do assunto porque o Mílton foi o primeiro a se filiar ao Adote quando desafiou os ouvintes do CBN São Paulo – se é que alguém não sabe disso – a adotar um vereador. Por que cito o Adote um vereador?

Explico: por que, se existisse iniciativa semelhante na minha cidade, Porto Alegre, os vereadores daqui não teriam, talvez, aumentado os seus salários, sem votação em plenário.  Ganhavam  R$10.335,72 e passarão a perceber R$14.837,94. Convém acrescentar que eles tem à disposição cota máxima de R$8.785,56 por mês para custear despesas do gabinete, tais como materiais, conta telefônica, combustível, diárias, passagens aéreas, etc. Afora isto, recebem duas ajudas de custo, uma em 15 de dezembro  e outra em 15 de fevereiro, para complementar as despesas. O valor é referente a um mês de salário e está descrito no contracheque.

Apenas dois vereadores contrariaram a decisão da maioria: Pedro Ruas e Fernanda Melchionna, ambos do PSOL, que doarão a diferença a instituições sociais. O aumento, ainda por cima, é retroativo a fevereiro. Enquanto isso, os professores municipais precisaram entrar em greve para, ao fim e ao cabo, receberam 5% de aumento (?) e terão de compensar, no período de férias, os dias em que ficaram parados. Gostaria que tivéssemos, em Porto Alegre, programa semelhante ao de São Paulo. Possuíssemos o “Adote um vereador”, quem sabe, repito, os nossos respeitariam mais os seus iludidos eleitores. Encerro, para que os paulistanos saibam com quem nós, porto-alegrenses estamos lidando, com a declaração de Luiz Braz do PSDB, um dos que embolsará o aumento se este se confirmar: “Com o salário que ganhamos, fazemos nosso trabalho com muita dificuldade. Com o aumento, ganhamos fôlego para realizarmos.

Em tempo:  Depois que encerrei este texto o Tribunal de Contas do Estado, em decisão cautelar, suspendeu o aumento concedido pela Câmara Municipal de Porto Alegre aos vereadores. Sofia Cavedon do PT, presidente da Câmara, resolveu não recorrer.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Sociedade no combate a corrupção

 

Há pouco mais de uma semana para as comemorações do Dia da Independência, em 7 de setembro, crescem os movimentos de combate a corrupção organizados pela sociedade. Boa parte destas ações explora as redes sociais com o objetivo de reunir pessoas interessadas em reclamar dos desvios de dinheiro público. Existem vários grupos em especial no Facebook, é possível encontrar blogs e sites, também, que convidam para eventos com o mesmo objetivos.

O primeiro movimento a ganhar espaço no noticiário foi o Todos Juntos Contra a Corrupção, no dia 20 de setembro, na Cinelândia, do Rio, que se iniciou com um rasgo de indignação de uma cidadã, e foi motivo de comentário no Liberdade de Expressão, do Jornal da CBN (ouça aqui, o que disseram a Vivi, o Xexeo e o Cony). Em seguida, , recebi mensagem da ouvinte-internauta Carla Zambelli alertando para o grupo “Manifesto público contra corrupção”, formado no Facebook, e não foi preciso ir muito a fundo para logo descobrir outras iniciativas semelhantes.

Corrupção/Muda from brasil+ético on Vimeo.

O anúncio que ilustra este post, encontrado no Blog Brasil+Ético, apesar de não se saber qual a fonte de criação, revela de forma clara como a sociedade se porta diante do tema. Da mesma forma que grita contra o desrespeito de políticos e agentes públicos, quando tem seus interesses atingidos busca facilidades na mesma moeda. Vale a pena refletir sobre este comportamento e, se de interesse for, se engajar em um dos movimentos a seguir. Caso você tenha outros movimentos semelhantes registre na área de comentários para darmos publicidade à ação.

CARAS PINTADAS CONTRA A CORRUPÇÃO
SÃO PAULO / 07 de Setembro 9:00 – 14:00
Avenida Paulista- MASP

PORTO ALEGRE // 07 de Setembro 10:00 – 14:00
Passeata da Av. Loureiro da Silva, até o Brique da Redenção

RIO DE JANEIRO //  07 de Setembro 9:00 – 23:30
Av. Rio Branco ( EM FRENTE A CÂMARA DOS VEREADORES)

BELO HORIZONTE // 07 de Setembro 9:00 – 14:00hs
Praça da Liberdade

BELÉM  // 07 de Setembro
Atrás do último pelotão do desfile oficial

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP // 07 de Setembro 9horas
Saída Vicentino Aranha

MARCHA CONTRA A CORRUPÇÃO – BRASÍLIA
MUSEU DA REPÚBLICA // 07 de Setembro 10:00 – 14:00

#NASRUAS – MANIFESTO PÚBLICO CONTRA A CORRUPÇÃO NACIONAL
Por todo o Brasil  // 07 de Setembro  13:00 – 08 de Setembro , 17:00
Cidades e locais confirmar no endereço do movimento
Bauru: Vitória-Régia
Belo Horizonte – Praça da Liberdade até a Praça 7
Brasília: Congresso Nacional
Balneário Camburiu: Praça Tamandaré
Campinas: Em frente a prefeitura
Campo Grande – Praça Ari Coelho
Cuiabá: Praça das Bandeiras
Itu: da Praça Souza até a Praça Guanabara (em frente a receita federal)
Jaragua do Sul: Praça Angelo Piazera
Joinville: Em Frente ao Shopping Muller
Mairiporã: Praça da antiga Rodoviária
Manaus: Mesmo trajeto da Marcha da Liberdade
Porto Alegre: Monumento aos Açorianos, na Avenida Loureiro da Silva
Recife – Praça Rio Branco (Marco Zero)
Salvador – Em frente a câmara dos vereadores (antiga prefeitura)
Santo André: Praça IV Centenário
São Carlos: (cidade universitária -UFSCar, USP, UNICEP) Praça Coronel Salles
Uberlândia: Praça Tubal Vilela
Vitória: Avenida Getúlio Vargas

REAÇÃO CONTRA CORRUPÇÃO – O BRASIL DE LUTO
Por todo o Brasil  // 07 de Setembro  7:30  – 08 de Setembro , 17:30

TODOS JUNTOS CONTRA A CORRUPÇÃO – RIO DE JANEIRO
Cinelândia // 20 de Setembro · 18:30 – 20:00
https://www.facebook.com/event.php?eid=130744290352035

DESFILE DA ESCOLA DE SAMBA  – “UNIDOS CONTRA A CORRUPÇÃO”
SÃO PAULO / 07 de Setembro 14:00 a 19h
Avenida Paulista- MASP

DIA DO BASTA (CONTRA A CORRUPÇÃO)
RIO DE JANEIRO  //  07 de Setembro 14:00 a 19h
Praça da Cinelandia

RECIFE // 07 de Setembro 13:00 a 16h
Marco Zero

SÃO PAULO / 07 de Setembro 14:00 – 17:00
Avenida Paulista- MASP

PASSEATA:  CORRUPÇÃO, BASTA!
Campinas (Sao Paulo)  //  do Centro de Convivência até a Praça Arautos da Paz

MANIFESTO CONTRA A CORRUPÇÃO NO BRASIL (ANON REUNION BRASIL)
Por todo Brasil  //  07 de Setembro 13:00 a 15h
Grupos fechados organizados por Estados e Cidades (melhor consultar site)

CARREATA “BRASIL VERDE E AMARELO”
Por todo Brasil  //  07 de Setembro 13:00 a 15h

Ministério das Cidades perdeu razão de ser

 

O Ministério das Cidades não sai do noticiário, desde que Mário Negromonte foi acusado de oferecer R$ 30 mil a políticos do seu partido para que estes retirassem assinatura de apoio a abertura da CPI da Corrupção. Além disso, há suspeitas de liberação de pagamentos irregulares para empreiteiras que doaram mais de R$ 15 milhões ao PP, partido que comanda a pasta, nas eleições de 2010. Em um caso e noutro os dados ainda não são consistentes, mas expõem uma mudança clara de prioridades dentro da pasta responsável pelo Orçamento de R$ 6,21 bilhões.

Ao surgir no início do Governo Lula, tendo o ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra como ministro, a expectativa era de que, pela primeira vez, os municípios brasileiros teriam dedicação especial do Governo Federal. Justo, dado o fato de que mais de 80% da população vive, hoje, no ambiente urbano. Na época, formou-se uma equipe com alguns nomes de trabalho reconhecido internacionalmente, como o da urbanista Raquel Rolnik.

Um ano e meio depois, o Ministério foi oferecido para o PP, partido do então presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti. O nome indicado foi o de Márcio Fortes de Almeida que permaneceu até o fim do segundo mandato de Lula e apenas não seguiu com Dilma Roussef por pressão de uma das alas do PP que defendia a nomeação de Mário Negromonte.

O Ministério das Cidades não passou para as mãos do PP de graça. A pasta se transformou em carro-chefe do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e responsável pelo programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Um filão e tanto, político e financeiro.

Criado para o desenvolvimento urbano, hoje o Ministério é um mero tocador de obras sem planejamento. Um desperdício de ideia, oportunidade e dinheiro. Muito dinheiro.

“Cidades Sustentáveis”, assuma este compromisso

 

Céu de SP

Ano que vem, nesta altura do campeonato, estaremos em meio a um embate político com os candidatos a prefeito e vereador se digladiando pelo seu voto. Hoje, temos apenas algumas indicações como Gabriel Chalita do PDMB que já confessou seu desejo, Fernando Haddad e Marta Suplicy que brigam dentro do PT, Eduardo Jorge do PV citado pelo prefeito Gilberto Kassab, Andrea Matarazzo que só tem alguma chance se José Serra não quiser disputar pelo PSDB, e outros nomes que aparecem em notas de rodapé. Por enquanto, há muita conversa e negociação de bastidor, fala-se pouco de programa de governo. Aliás, costumamos assistir a pleitos em que esses são transformados em meras promessas sem lógica – eleitoreiras.

Para mudar o curso desta história, a sociedade organizada se antecipa e, nesta sexta-feira, dia 19/08, pouco mais de um ano antes da eleição, lançará o Programa Cidades Sustentáveis, um conjunto de ideias, indicadores e compromissos que podem – e devem – servir de base para a construção de qualquer plano de governo municipal. A proposta dos organizadores – Rede Nossa SP, Instituto Ethos e Rede Social Brasileira e por Cidades Justas e Sustentáveis – é fazer um pacto político no qual haja o envolvimento de cidadãos, entidades sociais, empresas e governos, além dos próprios partidos e candidatos.

Leia o texto completo no Blog Adote SP, da revista Época SP