Receita pra mobilizar o webeleitor

 

adoteApós a conversa com Henrique Parra Parra Fº no CBN São Paulo, ele passou aqui no Blog e deixou a receita do bolo para quem tem interesse em mexer com a webcidadania nesta eleição e replicar em sua cidade ou região a ideia da Cidadania Ativa que está funcionando muito bem em Jundiaí.

Alguns dos pontos que Henrique considera importantes:

1. Abra um perfil no site Cidade Democrática e apresente proposta dentro dos moldes do “Responda, Deputado !” (visite o criado em Jundiai);

2. Convide amigos e conhecidos a deixarem perguntas aos candidatos da sua região. Isso dá força à causa e constrói sua relevância, necessária para que os candidatos comecem a se mexer !

3. Divulgue a ideia para ONGs e outros grupos da sociedade. Eles têm suas bandeiras e conhecimentos em diversos temas. Certamente poderão fazer muitas perguntas !

4. Organize um evento, sabatina ou qualquer outro tipo de encontro para comprometer os candidatos com o projeto.

5. Converse diretamente com os candidatos e os convide para que abram seu perfil no Cidade Democrática onde publicarão respostas às perguntas do cidadão. Eles estão em campanha e em busca de voto, não será difícil convencê-los.

Com estes passos, Henrique entende que as pessoas serão estimuladas a cobrar posições dos candidatos e a conhecerem melhor cada um deles antes de fazer sua escolha. Já os políticos terão de assumir compromissos públicos dos quais poderão ser cobrados durante o mandato.

Mãos à obra !

TT: Tira Teixeira

 

Por Carlos Magno Gibrail

Copa 2014Tira Teixeira é a campanha recém lançada para a saída de Ricardo Teixeira da CBF e pela transparência na COPA 2014, encabeçada por Eduardo Rocha Azevedo, um dos fundadores da BM&F.

Pelas condições de manutenção de poder das entidades do futebol, FIFA, CBF, e demais, talvez demore um pouco a saída da CBF. Entretanto não há motivo para desânimo, pois um processo vigoroso de oposição popular e de lideranças políticas, esportivas, empresariais e dos meios de comunicação começa a tomar corpo pelo controle dos gastos públicos a serem realizados para a Copa 2014. Principalmente em São Paulo, a primeira vítima dos ataques do secretário geral da FIFA, Gêrome Valcker.

E é de São Paulo que virá a resposta sugerida ano passado por Juca Kfouri ao então governador José Serra, através de seu sucessor Alberto Goldman para o presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local): “São Paulo abre mão da abertura da Copa caso o Morumbi permaneça vetado pela CBF”.

É o que o jornalista Juca Kfouri relatou domingo na Folha e no seu blog no UOL.

Goldman difere de Serra e segue o mesmo padrão da Premier da Alemanha, Angela Merkel, que se impôs à FIFA ao manter o Estádio Olímpico de Berlim para a final sem alterações exigidas na fachada com colunas e preservando os “pontos cegos” apontados pela equipe de Blatter.

O que a FIFA não conseguiu na Alemanha, que investiu apenas U$ 2 bilhões em estádios, dos quais apenas 1/3 do governo, veio alcançar na África do Sul. Ganhou U$ 3,2 bilhões e deixou à África uma conta de U$ 1,1 bilhão de dólares para pagar. Prejuízo que nem os mais de 100 participantes do COL africano puderam evitar. Ganharam nota 9 de Blatter, que tinha dado 8 para a Alemanha, mas pelo apetite demonstrado pelo secretário geral, espera um 10 do Brasil.

E não devem faltar argumentos, pois pela composição do COL brasileiro há chances. Teixeira acumula o cargo de presidente, a sua filha Joana Havelange é a secretária executiva, o advogado de Daniel Dantas, Francisco Mussnich é o diretor jurídico, o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva ocupa a mesma função no COL, o administrador do patrimônio pessoal de Teixeira, Carlos Langoni faz parte da diretoria financeira do COL.

O que Blatter, Valcker e Teixeira não consideraram é aquilo que Lula começou a perceber e que Alberto Goldman será o porta-voz. São Paulo, embora tardiamente, não se curvará, assim como a Alemanha e a França, no episódio com a entidade francesa de futebol, não se submeteram às exigências da FIFA.

Sobre o tema sugiro os artigos nos blogs:

Juca Kfouri – Em Clima de Paz


Victor Birner – Da Carta Capital e quem vigia Teixeira

“Em lugar de estádio, zerar creches”, diz Nossa São Paulo

 

O paulistano está consciente de que a cidade não pode entrar em uma aventura para sediar jogos e abertura da Copa 2014. A opinião é do coordenador geral do Movimento Nossa São Paulo, empresário Oded Grajew, que considera este comportamento um avanço importante da sociedade. Ele lembra que fosse há alguns anos estaríamos defendendo o Mundial a qualquer custo.

Para realizar quatro ou cinco jogos que se faça no Morumbi reformado, comentou. Sugere que em lugar de se colocar dinheiro público na construção de estádios, a prefeitura invista, por exemplo, nas metas com as quais se comprometeu através da criação da Agenda 2012.

“Em lugar de estádio, melhor zerar creches”, citou ao lembrar a promessa da prefeitura de atender 100% das crianças de até 3 anos cadastradas para vagas em creches municipais, até o fim da atual administração. Estariam faltando 40 mil vagas ainda.

Quanto aos investimentos que a capital paulista poderia obter em função da Copa, Oded Grajew entende que a cidade não teria prejuízos. Para ele, o dinheiro a ser aplicado em obras de infra-estrutura terá de vir independentemente dos eventos que São Paulo sediar. Ampliação de aeroportos, sistema de transporte melhor, crescimento dos serviços de saneamento e extensão das redes de comunicação são fundamentais para o desenvolvimento da cidade.

Ocasião e perversão

 

Por Carlos Magno Gibrail

A cena em Guantánamo, prisão norte-americana de segurança máxima e torturas idem, durante o governo republicano de Bush, da policial dirigindo um prisioneiro em uma coleira de cachorro não deve ter saído da mente de quem a viu.

torturaPois é, segundo psicólogos muito provavelmente eu e você agiríamos da mesma maneira.

Na Universidade de Stanford, em 1971, foi realizado um experimento científico de comportamento onde estudantes foram divididos entre encarcerados e carcereiros. A estes se deu poder total de ação. Os alunos pesquisados eram normais e de boa índole.

A experiência teve que ser interrompida em seis dias, tal a perversidade dos carcereiros.

Fernanda Torres, atriz e agora articulista da Folha, apropriadamente ao processo eleitoral que vivenciamos retomou Stanford, sábado em sua coluna, para questionar o apego da humanidade às regalias do poder e as conseqüências.

Aproveitando a linha de raciocínio de Fernanda, que alerta que a ocasião faz o ladrão e, dado também o momento do futebol, não há como deixar de visualizar por todo o mundo o absurdo da quase totalidade das entidades representativas e dos respectivos Clubes dirigidos por pessoas que usam os cargos como ditadores. Poder total e tempo indeterminado.

A pesquisa de Stanford mostrou que é só dar um poder absoluto sobre alguém que a pessoa começa a tomá-la como posse e a tratá-la como um objeto. Donde podemos intuir que a posse tanto pode ser sobre pessoas ou sobre organizações. Este sentimento de propriedade gera apego e, certamente, fez com que surgissem guerras e demais ações de dominação, subjugando terceiros. Quer pessoas, espécies, animais e entidades.

O meio ambiente com seus mares, floras e faunas atacados por predadores, é testemunha viva deste problema. A política e o futebol, também.

Fernanda Torres conclui que: “A humanidade tem apego às regalias e a danação divina já não mais ameaça. A Lei da Ficha Limpa pode servir para proteger o político de sua própria fraqueza”.

Para o futebol, o presidente Lula já indicou o caminho democrático de no máximo oito anos de poder ao Ricardo Teixeira, que não concorda, pois, comprovando o experimento de Stanford, a CBF é possessão sua. Como tal, faz dela o que bem entender. E, assim, sucessivamente, a maioria dos presidentes das federações estaduais com o mesmo sentimento de posse vai tocando as entidades e apoiando a CBF, que por sua vez a apóia, que por sua vez apóia também a quase totalidade dos presidentes de Clubes, subservientes a estas entidades dos estados. É uma troca recíproca de favores iguais entre idênticos interesses.

Se os psicólogos de Stanford alertam que provavelmente eu e você faríamos o mesmo, é melhor atender a atriz e o presidente.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, às quartas, escreve no Blog do Mílton Jung

Sobre a reeleição de parlamentares

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

No Brasil, diferente de poucos outros países, há liberdade para ilimitadas recandidaturas legislativas (Senadores, deputados e vereadores). Esta circunstância, se a um ângulo permite a manutenção de parlamentares operosos, hábeis e experientes inclusive para viabilizar o funcionamento das Casas Legislativas, a outro favorece a feudalização das bancadas e protela o ciclo natural de renovação das lideranças partidárias.

Uma análise expedita dos perfis dos Deputados Federais integrantes da Legislatura 2007-2011 revela vários parlamentares com exercícios sucessivos ou interrupções ocasionais. Para citar alguns: Henrique Eduardo Alves/RN (10º mandato); Inocêncio Oliveira/PE e Miro Teixeira/RJ (9º); Bonifácio de Andrada/MG e Simão Sessim/RJ (8º), Humberto Souto/MG, Arolde de Oliveira/RJ, José Sarney Filho/MA e Wilson Braga/PB (7º); Arnaldo Faria de Sá/SP, Roberto Balestra/GO, Marcondes Gadelha/PB, Michel Temer/SP, Paes Landim/PI e José Genuíno (6º) e muitos outros em 5º e 4º mandatos.

Nesta seara, é necessário reconhecer que os parlamentares que concorrem à reeleição usufruem de vantagens relevantes, todas asseguradas pela legislação em vigor.

Especificamente quanto a Deputados (federais e estaduais) e Senadores, as seguintes situações merecem destaque:
a) estruturas de gabinete e escritórios políticos em funcionamento ininterrupto,
b) funcionários remunerados, verbas de gabinete e liberdade de estrutura interna,
c) atuação legislativa com a possibilidade de apresentação e aprovação de projetos durante a campanha eleitoral,
d) nome parlamentar de pleno domínio dos eleitores e colaboradores,
e) facilidade de formar “dobradinhas” com outros candidatos,
f) maior possibilidade de acesso aos colaboradores financeiros de campanhas eleitorais (pessoas físicas e jurídicas),
g) bases eleitorais identificadas, organizadas e definidas,
h) apoios em regiões, municípios, setores e instituições,
i) colaboradores, simpatizantes, apoiadores e cabos eleitorais habituados aos processos eleitorais,
j) preferência ou destaque dentro dos partidos e
l) acesso privilegiado aos meios de comunicação para a divulgação de projetos, manifestações ou atividades vinculadas ao exercício do mandato.

Tais circunstâncias, se não decisivas, no mínimo são estratégicas em pleitos cada vez mais onerosos e acirrados. Em verdade, as mesmas funcionam como um plus dotado de potencial apto a causar um desequilíbrio que pode ser vital entre os titulares de mandato e aqueles que não dispõem de prerrogativas, além, é óbvio, de restringir as possibilidades de renovação.

Não se trata de uma objeção padronizada à recondução de parlamentares operosos e cuja honradez ou abnegação não apenas valoriza como dignifica a Câmara dos Deputados. O que se questiona é a manutenção daqueles parlamentares reconhecidamente improdutivos e fisiológicos que impedem tanto qualificação das composições partidárias quanto a oxigenação de lideranças.

Há, portanto, necessidade de reflexão em torno deste ponto pelos eleitores. Afinal, nenhuma representação política pode prescindir de parlamentares que se distinguem positivamente. Aquele que reúne experiência, respeitabilidade e produtividade deve ser valorizado e não depreciado de forma simplista e sediciosa como um “político profissional”, rótulo que muitas vezes se revela indevido para traduzir uma “injusta coloração pejorativa”, conforme, aliás, já acentuou o TSE.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Cochichos e recados nos caminhos do Morumbi 2014

 

Direto de Roma/Itália

Toda vez que o presidente Lula abre a boca pra falar de Copa, o projeto Morumbi’14 sai da gaveta novamente, onde está guardado com pastas e documentos importantes que podem decidir o destino do estádio de São Paulo.

No lançamento do estranho logo para o Mundial do Brasil, Lula passou recado ao prefeito da capital paulista Gilberto Kassab (DEM), que está na África sob a alegação de que precisa conhecer programas e soluções desenvolvidas por aquelas cidades.

Kassab foi, na verdade, fazer política, não planejar.

As constatações do prefeito de que São Paulo não deve nada ao sistema de transporte de Johannesburgo e seria impossível construir um Soccer City com dinheiro público poderiam ser feitas de dentro do gabinete dele, no Viaduto do Chá. Haja vista que ao planejarem a Copa da África, as autoridades sul-africanas foram a São Paulo, especificamente na região do ABD paulista, passaram por Curitiba e esticaram viagem a Bogotá, na Colômbia, para entender como transportar passageiros com qualidade. Devem ter ficado presos em congestionamentos na cidade de São Paulo, onde não se investe em corredores de ônibus, há bons anos.

E como Kassab foi fazer política, voltará da África com o recado do presidente lhe coçando a orelha: “Continue a brigar pelo Morumbi” – está no Blog de Cosme Rímoli, em 08/07/10.

Há pouco mais de um ano, em outro cochicho nem tão baixo assim, Lula falou ao Ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, durante cerimônia no estádio do Morumbi: “Diga ao Ricardo (Texeira) para parar de falar m…. . É preciso baixar a crista dele. O Morumbi é o estádio de São Paulo para a Copa” – descreveu Juca Kfouri em 24/06/09

Pode parecer uma contradição (mas só a quem mantém a visão ingênua de que tudo é uma questão de preferência clubística), o corintiano Lula tem sido o “Embaixador do Morumbi” desde o primeiro minuto de jogo e seu esforço aumentou após encontro com o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio – o mesmo que ao assinar nota em resposta a exclusão do estádio da Copa, ameaçou: “A Justiça é filha do Tempo. O Tempo é o Senhor da Razão. O Tempo dirá. E nós também” (16/06/10). Dirá o quê ?

Há quem não consiga dissociar a frase final daquela nota com o comentário presidencial, na cerimônia africana, de que o Brasil é feito de gente que não desiste nunca. Disse isso em uma das três vezes nas quais citou nominalmente Ricardo Teixeira, durante a cerimônia. Mais do que um slogan, um alerta ?

Destacou, também, o necessário combate a corrupção na Copa 2014. Quando, aliás, não será mais presidente do Brasil: “pode contar comigo no que for necessário” – fez questão de avisar a Teixeira.

Terça-feira (07/07/2010), já em solo africano, em outra das suas frases, Lula não foi descuidado na fala: “Se a CBF adotasse o que eu adotei quando era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, a cada oito anos a gente trocava a direção da CBF. No sindicato a gente trocava”.

Quanto a Kassab, não-alheio a discussão, voltará a São Paulo talvez com a bagagem vazia de projetos urbanísticos, mas com um aparente alívio: poderá reaproximar seu discurso pró-Morumbi ao do Palácio dos Bandeirantes, de onde se ouvia dos corredores críticas pesadas contra o alcaide. E, ao mesmo tempo, costurar com investidores a construção do Plano B, ou P, o Piritubão.

Desembarcará em São Paulo, com um pé em cada estádio.

Por enquanto, vizinho do Palácio, Juvenal Juvêncio só abre a gaveta de seu escaninho, cheia de pastas e documentos, pra remexer no projeto de reforma do estádio do Morumbi.

É das conversas ao pé de orelha, bate-papo nos bastidores e recados indiretos que se constrói o caminho para São Paulo ser sede da abertura da Copa do Mundo de 2014. Ou qualquer outra coisa que tenha o mesmo valor.

Propaganda, simulação encantada

 

Por Carlos Magno Gibrail

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Hoje, a propaganda brasileira, forte em números e em criatividade, com R$30 bilhões de faturamento anual e 57 Leões em Cannes, além do título de Agência do Ano pela AlmapBBDO, não depende tanto da política, quanto esta dela.

Entretanto, pela evolução dos últimos anos, a propaganda nacional ficará cada vez menos brasileira, e a sua dependência dos governos e candidatos poderá se tornar significativa.

A globalização e o poder das multinacionais estão concentrando em 17 agências 13 bilhões de faturamento anual dos 30 bilhões de reais de todo o setor.

A conta de propaganda paga pelo governo Lula -Presidência, Ministérios e Estatais – nos últimos seis anos aumentou em 48%. De 2003 a 2009 foram gastos 7,7 bilhões de reais, e apenas de 2008 para 2009 houve a evolução de 796 milhões de reais para 1,17 bilhões de reais.

As campanhas governamentais, a preço de tabela, que são normalmente feitas para o poder público, pois o setor privado é brindado com descontos, aumentaram de 2007 para 2008 de 2,26 bilhões de reais para 2,77 bilhões de reais, de acordo com levantamento do Grupo de Mídia de São Paulo.

Enquanto São Paulo passou de 59,3 milhões em 2007 para 158,3 milhões em 2008, o deputado Luis Carlos do Amazonas informa que São Paulo tem gasto de R$ 2,32 por pessoa, Rio de Janeiro gasta R$ 1,72, Pernambuco gasta R$ 3,7, Bahia gasta R$ 1,45 e Paraná gasta R$ 1,00, no Amazonas a taxa é de R$ 14,00 per capita.

Mas, tão importante quanto os números, é o aspecto ético não comprometido, pois de acordo com a Constituição

A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos” (artigo 37, XXII, § 1.º).

Constatamos que a realidade não é esta postulada pela Constituição.

É o que Jean Baudrillard chama de: “Simulação desencantada – o pornô – mais verdadeiro que o verdadeiro – este é o máximo do simulacro”, que encontramos nas comunicações governamentais com o objetivo da promoção pessoal através do simulacro da divulgação informativa ou de orientação social.

A partir de 3 de julho até 3 de outubro ou 31 se houver segundo turno, os governos federal,estaduais e municipais estão proibidos de veicular qualquer tipo de propaganda que possa ser caracterizada como favorável às administrações.

O que poderia ser um período de purificação passa para o que Baudrillard chamaria de “Simulação encantada – mais falso que o falso – este é o segredo da aparência”, da qual os candidatos vão se travestir e investir. Fecha a propaganda dos governos e abre a campanha dos candidatos.

Dilma na segunda-feira anunciou gastos de propaganda de 157 milhões de reais, Serra de 180 milhões de reais, e a modesta Marina 90 milhões de reais. Como bem rotulou no Estado de 3 de junho Eugenio Bucci, é a época em que : “A propaganda eleitoral vai ao paraíso”.

A eleitoral vai, mas a institucional em espera voltará cada vez de forma crescente, de acordo com a tendência desafiadora dos anos recentes.

É hora de eleição, e é preciso detectar a simulação e ir para a ação.

Do veto através do voto.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung


* Foto de propaganda nazista mostra jardim de infância para crianças alemãs e enfatiza a função materna na Alemanha, o resultado nós conhecemos (Alemanha, 1941)

Ficha limpa em 2010

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Em resposta a uma Consulta formulada por um Congressista, na sessão do dia 17 de junho, os Ministros que formam o Tribunal Superior Eleitoral decidiram que as regras da vulgarmente denominada Lei da Ficha Limpa deverão ser aplicadas nas Eleições 2010, inclusive para os casos de condenação anteriores à vigência da lei. Ou seja: o que consta da lei se aplica aos casos concretos que surgirem no âmbito da Justiça Eleitoral.

A LC 135/10, que pelo visto será conhecida e referida pela maioria como Lei da Ficha Limpa, estabelece, em síntese, que candidatos que tiverem condenação (criminal, eleitoral ou cível) por órgão colegiado, ainda que caibam recursos, ficarão impedidos de obter o registro de candidatura, pois serão considerados inelegíveis. Ou seja: ainda que a decisão seja de primeira instância, se esta for colegiada, a mesma determinará que o condenado possa continuar votando mas não ser candidato.

Nesta decisão, a tese de interpretação vencedora foi a do relator, Ministro Arnaldo Versiani, o qual manifestou o entendimento de que não se trata de retroatividade e sim de aplicação da lei, exatamente nos termos do que fora debatido e aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente da República.

O argumento se sustenta, eis que a lei nova, tanto quanto a anterior, não é de natureza penal. Portanto, ainda que contendo disposições e punições bastante severas, pode regulamentar situações pretéritas. Além disso, “vida pregressa”, no sistema jurídico brasileiro, é uma situação dúplice, que abrange antecedentes sociais e penais, sendo, por isso mesmo, de consideração necessária a presunção de não-culpabilidade (ou de inocência, como referem alguns) prevista na Constituição Federal.

Quanto mais não fosse, na própria exposição dos motivos da edição da Lei Complementar nº 64, de 1990, agora alterada e endurecida, consta que “o objetivo primacial da presente propositura é estabelecer limites éticos de elegibilidade, especialmente no que diz respeito ao exercício do poder; à influência do comando sobre comandados; ao poder de império dos controladores do dinheiro público; ao uso dos meios de comunicação de massa; e aos efeitos espúrios do poder econômico por parte dos que postulam funções eletivas e o exercício da administração pública”.

A posição do TSE foi firmada por maioria de votos, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Marcelo Ribeiro. O Ministro Marco Aurélio, que recentemente completou 20 anos de magistratura no STF, votou invocando o respeitável entendimento de que uma lei que altera o processo eleitoral não pode ser aplicada exatamente à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência, conforme determina o artigo 16 da Constituição Federal (entretanto, a jurisprudência consolidada no STF está em sentido oposto a este). O Ministro afirmou também que uma lei nova, em regra, não pode reger situações anteriores.

Portanto, em vista de que a decisão do TSE pode ter contrariado o texto da lei examinada, eis que uma emenda do Senador Francisco Dornelles (RJ) consagrou a expressão “os que forem condenados”, a matéria pode ser remetida ao Supremo Tribunal Federal. Caso não seja, os Governadores de Estado cassados entre 2008 e 2009 não poderão concorrer a nada em 2010, mesmo que a muito condenados e afastados de seus cargos. Contudo, em situação ainda mais dramática ficam os Vices, que são condenados, salvo se não incorreram em infração eleitoral, apenas porque integram a chapa majoritária.

Em resumo: o tema é juridicamente relevante e complexo, podendo refletir em mandatos obtidos na eleição de outubro próximo, para qualquer cargo em disputa.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Pré-sal e pós-ética

 

Por Carlos Magno Gibrail

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Enquanto a British Petroleum, maior do mundo em petróleo, não consegue estancar o desastre ecológico no pré-sal do Golfo do México, acarretando insuperável prejuízo ao meio-ambiente americano, Pedro Simon, sucedendo ao conterrâneo e colega de PMDB-RS Ibsen Pinheiro, surge na madrugada de Brasília para brecar os ganhos de Estados produtores de petróleo, gerando contundentes prejuízos ao Rio e Espírito Santo. Mirando lucros eleitoreiros locais a si e a seus pares. Burlando a ética e a Constituição e renegando o próprio passado.

A emenda de Simon, aprovada pelo Senado propõe a divisão igualitária dos royalties entre os 26 estados da federação, desconsiderando a região onde se extrai a matéria-prima. Para compensar os estados de origem transfere à União o ônus regulador do ressarcimento.

Fere o artigo 20 da Constituição que estabelece a compensação ao estado fornecedor e desafia a ordem jurídica, pois entra em contratos já estabelecidos e os desconsidera.

Se o presidente Lula vetar terá 24 governadores e respectivos prefeitos contra, se não vetar terá a aprovação destes, mas violará a Constituição.

A jornalista Lucia Hippolito, conforme pauta na CBN de sexta feira, considera que Pedro Simon “está bancando Tiradentes com a nossa cabeça” e crítica severamente o Governo Lula que colhe a tempestade que iniciou quando enviou ainda nesta legislatura ao Congresso tema tão complexo e cheio de alternativas, aos aproveitadores e oportunistas em véspera de eleições.

O jornalista e escritor Ruy Castro também pensa nessa linha, e em sua coluna na Folha de segunda-feira, ao referir-se à “casca de banana” que Simon quis jogar para Lula, advertiu: “Com essa jogada, Simon iguala-se em marotice e oportunismo aos políticos que já atacou e, com isso, despede-se dos que um dia o admiraram”.

Para que ícones como Pedro Simon não desfaleçam na saída, há que se criar um mecanismo de controle no sistema político, que venha a coibir votações e atos públicos que envolvam gastos e investimentos a serem executados na legislatura seguinte, em véspera de eleições.

Se for a “oportunidade que faz o ladrão”, por que não a “oportunidade que faz o cidadão”?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

Eleitor2010 é o cidadão controlando a campanha

 

Eleitor2010

Monitorar as eleições de 2010 em todo o Brasil pode parecer um desafio impossível de ser enfrentado. Não para Paula Góes e Diego Casaes que acreditam na capacidade de mobilização e na participação coletiva do cidadão pela internet. Eles desenvolveram e colocaram no ar o site Eleitor2010 com um mapa das denúncias de fraudes, compra de votos e outras irregularidades que possam ser cometidas durante a campanha eleitoral, neste ano.

Para a tarefa atingir seu objetivo, porém, é preciso que o eleitor forneça estas informações que serão reunidas por cidade, estado e região, construindo assim uma visão nacional sobre as infrações de partidos e candidatos. O uso da internet de forma colaborativa já teve sucesso em outras iniciativas, mas esta é a primeira vez que este modelo será explorado na eleição brasileira.

Com o site tendo sido lançado recentemente, as denúncias ainda são poucas, mas é possível, por exemplo, saber de denúncia de propaganda eleitoral em culto religioso, pagamento para participação em recepção política ou mobilização de uma pequena cidade pelo voto nulo e branco.

Conheça o Eleitor2010 e acompanhe a entrevista que faremos hoje com os construtores e idealizadores do site, no CBN SP.