Justiça mantém vereadores cassados na Câmara

 

A Justiça Eleitoral suspendeu temporariamente a cassação de mais nove vereadores da Câmara Municipal de São Paulo. Assim falta apenas apreciar o recurso impetrado, hoje, pelo vereador Ricardo Teixeira, do PSDB que também foi punido por receber doação da Associação Imobiliária Brasileira, durante a campanha eleitoral de 2008.

Os vereadores beneficiados pelo efeito suspensivo foram Adolfo Quintas Neto (PSDB), Carlos Alberto Apolinário (DEM), Carlos Alberto Bezerra Júnior (PSDB), Cláudio Roberto Barbosa de Souza (PSDB), Dalton Silvano do Amaral (PSDB), Domingos Odone Dissei (DEM), Gilson Almeida Barreto (PSDB), Marta Freire da Costa (DEM) e Ushitaro Kamia (DEM). O juiz da 1a Zona Eleitoral da Capital Aloisio Sérgio Rezende Silveira já havia feito a mesma concessão aos vereadores Adilson Amadeu (PTB), Paulo Sérgio Abou Anni (PV) e Wadih Mutran (PP) e ao suplente Quito Formiga (PR).

“A medida permite que os vereadores permaneçam em suas cadeiras, na Câmara Municipal, até que seus recursos sejam julgados pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo”, diz nota divulgada pelo Tribunal Regional Eleitoral.

As representações foram propostas pelo Ministério Público Eleitoral, que pediu a revisão da prestação de contas desses vereadores com base no artigo 30-A, da lei 9.504/97, e na lei 64/90, que prevêem a cassação de registro e declaração de inelegibilidade por três anos quando comprovados captação ou gastos ilícitos de recursos.

Ainda nesta quinta-feira, o juiz considerou improcedente a representação proposta contra o vereador Eliseu Gabriel (PSB).

Para entender melhor a situação dos vereadores cassados que receberam efeito suspensivo ouça entrevista publicada no post abaixo.

Vereador cassado pode votar na Câmara de São Paulo

 

Plenário cheio, comissões funcionando, painel eletrônico registrando presença e projetos de lei aprovados. Assim foi a movimentação na Câmara Municipal de São Paulo desde o anúncio de cassação de 13 veredores e a inelegibilidade de um suplente, há três dias. Apesar de apenas quatro terem conseguido a suspensão temporária das punições por terem recebido doação da Associação Imobiliária Brasileira, todos seguiram trabalhando normalmente, ou quase.

Apesar da indignação de cidadãos que não entedem como é possível um vereador cassado continuar a exercer seu cargo, tomar decisões e usar dinheiro público, todos estão respaldados pela lei brasileira que tem o objetivo de resguardar os direitos políticos adquiridos. É o que explicou o advogado especialista em direito eleitoral, Antonio Augusto Mayer dos Santos em entrevista ao CBN São Paulo.

Dentre outros aspectos, é preciso esclarecer que a punição foi decida pela 1ª zona eleitoral da capital – portanto, a primeira instância – e todos os vereadores – aliás, todo o cidadão brasileiro – tem o direito de recorrer às instâncias superiores e, enquanto esperam esta decisão, reivindicar o direito de seguir exercendo suas funções, dentro de determinadas circunstâncias.

Para entender melhor esta questão e tirar outras dúvidas sobre este processo que puniu 14 vereadores de São Paulo e pode cassar mais 17, ouça a entrevista do advogado Antonio Augusto Mayer dos Santos

Kassab também tem contas investigadas, lembra promotor

 

O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) também recebeu doação da AIB durante a campanha eleitoral à reeleição, em 2008, e está sendo investigado pela Justiça Eleitoral, assim como os 14 vereadores condenados, nesta segunda-feira. O promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes, autor das denúncias, entende que a Associação Imobiliária Brasileira não poderia contribuir financeiramente para os candidatos e partidos políticos, pois é entidade sem fins lucrativos.

O promotor disse, em entrevista ao CBN SP, que também vai recorrer da decisão da 1a. zona eleitoral que absolveu quatro vereadores da cidade de São Paulo ao entender que as doações não foram relevantes na campanha Ele explicou que as denúncias atingem vereadores de todos os partidos políticos na Câmara Municipal de São Paulo e o fato, por enquanto, de apenas parlamentares da base governista terem sido cassados, é uma coincidência.

Ouça a entrevista com o promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes, ao CBN SP (20.10)

O vereador Quito Formiga (PR) citado na entrevista não foi inocentado como disse o promotor Maurício Antonio Lopes. Como vereador suplente ele perdeu o direito de se candidatar nos próximos três anos.

Como se elege um vereador

 

Gráfico mostra a influência do vereador em cada uma das regiões

Gráfico mostra a influência do vereador em cada uma das regiões

 

O investimento nos campos de futebol de várzea, projeto que poderia se transformar em apoio a prática do esporte e incentivo as atividades de entreterimento nas periferias desasistidas da capital, se confunde com a estratégia eleitoral de vereadores e candidatos a tal, em São Paulo. Reportagem do Estadão de domingo, assinada pelos jornalistas Bruno Paes Manso e Diego Zanchetta, mostra que a prefeitura desembolsou cerca de R$ 800 mi, desde 2007, para recuperar mais de 300 campos, 1/4 dessa verba saiu de emendas parlamentares.

Das muitas frases das cinco reportagens publicadas em duas páginas, uma me preocupa em especial: “Alguns líderes comunitários, contudo, reclamam que atualmente só conseguem melhorias quando se comprometem com parlamentares”. No momento em que a construção e recuperação dos campos estão relacionadas ao apoio de vereadores, todos os objetivos do programa ficam desvirtuados. Contamina-se uma prática que deveria ser incentivada.

O Orçamento é público e a este deve servir, única e exclusivamente. No momento em que sua execução se torna refém dos desejos de vereadores, torna-se privado.

Deixarei aqui os links das duas reportagens que estão abertas ao público:

“Investimento público na várzea reforma 300 campos em três anos”

Para Prefeitura, grama fica até 40% mais cara

E reproduzo trecho do artigo “O que mantém o clientelismo vivo”, do professor Fernando Antonio Azevedo, cientista político e docente da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) que, infelizmente, está bloqueado e apenas pessoas cadastradas podem acessá-lo:

… Como tudo isso funciona? Na elaboração do Orçamento, o parlamentar destina verbas para atender sua base eleitoral. Como o Orçamento no Brasil não é impositivo, mas autorizativo, o Poder Executivo ganha grande margem de manobra para barganhar apoio político com os parlamentares: emendas são liberadas quase sempre de acordo com conveniências e necessidades políticas do governo. E o parlamentar aparece diante da sua clientela política como patrono dos benefícios.

É por isso que São Paulo terá mais de 622 campos para a prática do futebol de várzea. Isso pode não nos tornar uma potência olímpica, mas levará os políticos ao pódio eleitoral.

Alckmin diz que não foi traído por Chalita

 

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin se disse surpreso com a decisão do vereador Gabriel Chalita que trocou o PSDB pelo PSB, mas não traído pelo político que sempre esteve ao seu lado. Ocupando o cargo de secretário de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Alckmin comentou que ele próprio nunca pensou em deixar o PSDB mesmo nos momentos em que esteve mais triste com o partido. Perguntei se ele esteve triste com o PSDB na eleição municipal do ano passado, quando Serra o abandonou para apoiar Gilberto Kassab (DEM), ele sorriu e desconversou.

Geraldo Alckmin disse que se não houver consenso no partido sobre o candidato à presidência da República ele defende a realização de prévias entre José Serra, Aécio Neves e quem mais estiver interessado. Sobre a candidatura dele para o Governo do Estado, Alckmin falou que depende da definição da chapa para a presidência da República.

Ouça a entrevista com o ex-governador Geraldo Alckmin, ao CBN SP

Voto Consciente faz 3 anos em Jundiaí

 

Por Diogo Parra

Já se disse que as verdades mais evidentes são as mais facilmente ignoradas. Delas nos afastamos, seguindo um caminho marginal, de soluções e respostas secundárias, ineficazes para atacar a essências dos problemas. Por exemplo, contra a violência, construímos muros cada vez mais altos, clamamos pelo aumento do contingente policial nas ruas. Do que nos esquecemos nesse caso? De que a violência é sempre conseqüência; da falta de educação, de condições mínimas de subsistência, da garantia da dignidade humana.

Reclamamos diariamente de nossa classe política, da corrupção que contaminou suas estruturas, da falta de respeito pela coisa pública. E o que se pede ao povo, comumente, é a atenção ao voto, em quem se vota. Mas nos esquecemos de que eles, os políticos, serão sempre nós, independentemente de quem sejam. A classe política é o reflexo do povo, suas características e comportamentos estarão umbilicalmente ligados a como nós conduzimos nossas próprias vidas. Votamos, a cada eleição, e retornamos a nossas casas com a rasa consciência do dever cumprido.

Como, então, exigir dos eleitos um compromisso diário conosco? Como exigir a permanente prestação de contas? Eles também considerarão que seu dever foi cumprido: convenceram-nos a confiramos-lhes o voto e terão quatro anos para fazer o que bem entenderem. De quem é a culpa, então? Nossa, por considerarmos nosso dever, nossa participação, encerrada ao teclarmos um punhado de números que levamos anotados, ou guardados na cabeça. Nosso dever deve continuar, estender-se ao longo de tudo o mandato, desdobrar-se em um permanente acompanhamento das atividades desempenhados por nossos vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidente.

A ONG Voto Consciente tem justamente essa missão: mostrar aos homens seus deveres na democracia, quais sejam, o de votar, cobrar e participar.

Desde 2006, em Jundiaí, a ONG Voto Consciente vem buscando entrelaçar sociedade e aqueles que governam nosso Município, construindo canais sólidos e efetivos de participação e controle. Exemplos reais desses objetivos são o acompanhamento das sessões da Câmara de Vereadores, diagnosticando-se a atividade legislativa e tornando-a pública por meio da internet; a organização de debates entre representados e representantes, cidadãos e políticos, palcos de compromissos e acordos. Jundiaí é agora uma cidade em que seus vereadores são adotados, seja por cidadãos comuns, escolas ou entidades, criando-se, assim, um diálogo constante e uma cobrança diária. Caminhamos também para uma “cidade democrática” em que todos podem participar de discussões, apontar problemas e propor soluções, gerando mobilização e orientando os gestores públicos.

Todos esses exemplos remetem a um dos principais fundamentos de existência da ONG Voto Consciente, que se confunde com sua essência e objetivo: a busca por voluntários dispostos a participar, da forma e da maneira que lhes for possível, seja acompanhando as sessões, adotando um vereador ou propondo uma cidade melhor.Assim, trilha-se o caminho para transformar o momento que vivemos, de quatro em quatro anos, no início de uma jornada conjunta de cidadãos e políticos. Participe e assuma também a sua responsabilidade!

Mais informações:
www.votoconsciente-jundiai.blogspot.com
www.twitter.com/votojundiai

Enfiando os pés pelas mãos

 

Por Julio C. G. Tannus

Há algum tempo atrás, para ser um pouco mais preciso há cerca de 10 anos, tramitou no Congresso Nacional Brasileiro um projeto de lei que atribuía aos Evangélicos a exclusividade da atividade de Psicanálise. Já pensou que desespero! Não que sejamos contra os Evangélicos, mas temos tudo contra os Evangélicos terem a exclusividade da Psicanálise. Afinal de contas, 100 anos de ciência de repente nas mãos do sobrenatural!

E de repente me deparo com a notícia: “Senado inclui restrições a pesquisas na lei eleitoral”. Isso é muito próximo de atribuir exclusividade da Psicanálise aos Evangélicos, ou seja, o Senado Federal Brasileiro legislando sobre algo que não tem a menor idéia e a mínima formação. Senão vejamos:
Segundo a emenda, dados socioeconômicos, como sexo e grau de instrução, terão de seguir padrão do IBGE. Ora, isso é tão absurdo como dizer que, tomando como base os dados do IBGE, há mais mulheres do que homens, e mais jovens do que idosos, no prédio onde moro. Pois, não só o correto, mas o mandatório é que uma amostra para ser representativa de um universo tenha que ser extraída desse mesmo universo. No caso de pesquisas de intenção de voto, o universo a ser considerado é o universo de eleitores e, portanto a amostra deve ser extraída desse universo e não do total da população. Assim, a fonte correta de obtenção de amostra é o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e não o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Além disto, toda amostra deve ser obtida a partir de informações as mais atualizadas. Os dados do IBGE sobre a população brasileira, os denominados dados censitários, são obtidos a cada 10 anos e o último censo foi realizado em 2000. O que existe de mais atualizado são projeções, portanto sujeitas a desvios. Assim, quem possui os dados mais atualizados desse universo é o TSE e não o IBGE.

E por fim, toda amostra deve ser obtida a partir de critérios metodológicos, e corresponde a uma área técnica da pesquisa cuja responsabilidade está a cargo de um profissional de estatística. E aqui eu pergunto: Como e porque uma instituição política como o Senado Federal se propõe a estabelecer critérios técnicos de estatística?

Ou seja, o que estamos aqui contestando é o Senado se imiscuir nos critérios metodológicos de uma pesquisa de intenção de voto. Só falta o Senado estabelecer critérios para os procedimentos cirúrgicos da área médica. Deus nos livre…

Julio Tannus é engenheiro, professor e pesquisador de mercado há mais de 30 anos

Adote um Vereador em nova fase, em Jundiaí

 

Por Henrique Carlos Parra Parra Filho
ONG Voto Consciente Jundiaí

Sábado de tarde realizamos o Segundo Encontro de Adotadores de Jundiaí, no Café Donuts. O evento foi aberto, tendo sido divulgado no blog da Ong Voto Consciente e no do adotador Nikolas.

QUEM ESTAVA PRESENTE? Os adotadores Eduardo Peres, Felipe Furlan, Felipe Romano, Juliana Maria e Nikolas! Além dos cinco, André Lux justificou a ausência. Alberto, Henrique e Patricia participaram pelo Voto Consciente.

Conversamos bastante sobre os principais problemas e desafios desse trabalho. Dificuldade em manter os blogues atualizados, poucas visitas e comentários e outros foram apontados.

De tudo isso, FICOU DECIDIDO QUE:

1. Os adotadores tentarão atualizar mais os blogues e comentarão mais no de outros adotadores.
2. Farão mudanças nos blogues para torná-los mais acessíveis e organizados (Criação de marcadores; barra de busca; espaç para receber sugestões por email; links para jornais, site da Câmara etc; seguir outros blogues; resumir posts)
3. Cada adotador divulgará mais seus blogues quando fizer alguma modificação (Mandar emails para contatos; avisar jornalistas)
4. Haverá mudanças na dinâmica de postagem: 1.Os adotadores postarão menos perguntas de cada vez, fragmentando questionários para fazer posts menores is fáceis de ler. 2.Haverá mais cobranças para os vereadores que não respondem (primeiro mandando uma nova tentatva e depois fazendo posts sobre a demora)
5. Apresentamos o Cidade Democrática e todos gostaram da ferramenta, prometendo se cadastrarem e usarem as discussões para fazerem questionamentos aos vereadores e divulgarem seus blogues.

De tudo isso, ficou a certeza de que o “Adote um Vereador” ganhará novo gás!

Acompanhe os blogues dos adotadores (em Juandiaí)

www.votoconsciente-jundiai.blogspot.com
www.twitter.com/votojundiai

Paim, o painho dos exportadores

 

Por Carlos Magno Gibrail

Em maio com Dornelles tivemos talvez um dos últimos atos sensatos no Senado, quando brecou a inclusão na MP 449 do crédito prêmio do IPI. Aquela questão envolvendo 288 bilhões de reais. O valor que nunca dantes esteve em discussão neste país, uma montanha de dinheiro.
O STF julgou e indeferiu a matéria. O presidente Lula acompanhou o STF e vetou também.
Agora, no dia 3, Paim certamente se doutorou ao contrabandear para a MP 462, que tratava do Fundo de Participação dos Municípios a medida 14 do crédito – prêmio do IPI. O relator, Jucá, acatou e vai tudo para a Câmara, novamente.

Paulo Paim é um destemido, pois não bastasse o STF e o presidente Lula terem vetado, ainda atropelou todos os princípios, levando para uma MP dos Municípios um assunto tão impertinente quanto temente, como o dos exportadores. Já encerrado e julgado, mas contestado somente pelo lobby dos exportadores, agora claramente assumido pelo nobre senador.

Depois de três artigos sobre estes 288 bilhões, de inúmeras entrevistas do Milton Jung com a Miriam Leitão na radio CBN, afinal de contas raros jornalistas a extensiva e intensamente discutirem o assunto, volto ao tema após receber de um amigo economista, o irretocável texto abaixo:

“Esse fantasma, “mal matado”, vai continuar nos assombrando enquanto o lobby empresarial não conseguir o que pretende: a anistia pura e simples para não só não pagar nada como ainda para receber uns “trocados”.

Foi aprovada no Senado a MP 462 que tratava do Fundo de Participação dos Municípios com 22 penduricalhos, entre os quais, a emenda 14 de autoria do Senador Paulo Paim do PT, sobre o crédito-prêmio do IPI, isentando todas as dívidas referentes a esse crédito indevido, de 100% das multas, 90% dos juros e pagamento do remanescente (leia-se valor histórico sem correção ou com correção mínima) em até 12 vezes ou pelo uso de prejuízos fiscais acumulados.

Isto realmente significa que quem usou indevidamente, R$ 10 milhões em 1995, 1996, etc. e hoje deveria pagar ao fisco cerca de 5 ou 6 vezes esse valor, pagará os mesmos R$ 10 milhões com uma insignificante correção, usando 25% da isenção futura de imposto de renda referente a prejuízos fiscais acumulados. O PAGARÁ é pró-forma, porque o uso do IR referente a prejuízos fiscais acumulados significará colocar no bolso dessa patota, alguns “trocados”.

Duas observações importantes:

Causa espécie o fato de, tanto deputados e senadores do PSDB como do PT, estarem fazendo esforços especiais para provocar a anistia desse débito bilionário na antevéspera de uma eleição majoritária, onde os candidatos gastam os tubos para se elegerem ou se reelegerem. Todos estão tentando garantir o seu quinhão. Caso contrário não haveria essa escandalosa unanimidade em torno dessa anistia. Não esqueça que na 460 foi a líder do PT, Ideli Salvati, a solicitante, no último minuto, para que uma senadora do PSDB Lúcia (não sei de que) introduzisse o penduricalho na MP.

Não tenha dúvidas de que essa isenção vai sair de uma forma ou de outra, ocorram quantos vetos presidenciais ocorrerem. O tamanho das empresas envolvidas no uso indevido desse subsídio é maior do que a força da imprensa ou da vontade do Presidente da República e do Ministro da Fazenda. Essas empresas estão acima do governo e do Supremo Tribunal Federal. É por isso alguns economistas notáveis preferiram ficar do lado delas, em lugar de ficar do lado da Sociedade Brasileira que, como sempre, pagará a conta de uma forma ou de outra.

Não creio que a imprensa esteja interessada em entrar nesse assunto, primeiro porque ele é muito técnico e de difícil compreensão para as pessoas comuns, segundo porque até os partidos de extrema esquerda (leia-se PSTU, PSOL, PCdoB, etc) estão a favor (ou pelo menos não tem denunciado essa barbaridade) e, por último, porque os beneficiados são grandes anunciantes”.

Para manter a coloquialidade e a originalidade da redação feita para comunicação privada, preservo o texto sem citar o autor, ao qual cabe aqui especial agradecimento pela atenção e qualidade de forma e conteúdo somente possíveis em profissional Premium.

Carlos Magno Gibrail, doutor em marketing de moda, que escreve às quartas no Blog do Mílton Jung, não desiste nunca, e não apenas porque é brasileiro.

Encontro do Adote um Vereador

Uma conversa de amigos na mesa do bar. Sem cerveja, mas com cafezinho. Sem futebol (ou quase), mas com muita política. Todo segundo sábado do mês, entre duas ou três da tarde, alguns dos participantes da versão paulistana do Adote um Vereador se reúnem para falar do que fazem ou não conseguem fazer na tarefa de acompanhar seus “afilhados” na Câmara Municipal de São Paulo. Neste sábado, não foi diferente.

Sérgio Mendes ainda espera pelo dia em que a vereadora Marta Costa do DEM aceitará responder a um e-mail pelo menos. Pede explicações, tenta tirar dúvidas ou quer saber como ela votou em plenário, mas o silêncio persiste. Não chega a ser novidade, com a CBN o comportamento da vereadora é o mesmo. Logo que teve as contas da campanha eleitoral divulgadas soube-se que gastou do bolso dela mais do que havia declarado ter de patrimônio. Até hoje não explicou como isso é possível.

Cláudio Vieira não tem este problema. Foi atendido e respondido por Marco Aurélio Cunha, também do DEM. Nem sempre ouviu o que gostaria, mesmo porque quer muito, pede muito, reclama muito. Usa como poucos o direito de reivindicar. E conquistas já foram alcançadas. Está consciente que este trabalho não para na Câmara e, por isso, tem acionado a subprefeitura, conselho de segurança e ONGs.

Mário César Gonzales controla o vereador Aurélio Miguel do PR. Mas controla muito mais do que isso. Já tem deputados estaduais e senadores na mira. Assim que soube pelo CBN SP, semana passada, aderiu ao Cidade Democrática e apresentou a proposta de criação de lei que obrigue todo cidadão a plantar uma árvore em frente a sua propriedade. Descobriu que a cidade tem a lei 14.023/2005 que obriga a Eletropaulo a enterrar a fiação e substituir cada poste retirado por uma árvore.

Michelle Abílio apesar de acompanhar Dalto Silvano do PSDB está incomodada com a falta de tempo para atualizar as informações no blog. Este é um problema que boa parte dos participantes do Adote um Vereador enfrenta. Mesmo de olho no parlamentar que escolheram, manter o blog nem sempre é fácil.

Desde o lançamento do Adote, sou adepto da ideia de que o blog seria a melhor ferramenta para controlarmos o trabalho dos vereadores, pois se transforma em espécie de documento das ações e não-ações do parlamentar que pode ser consultado por qualquer eleitor, principalmente no momento de escolher seu representante na próxima eleição.

A conversa durou pouco mais de uma hora, rodeada por gente estudando, navegando na internet, falando das coisas da vida e aproveitando o espaço democrático que a cidade de São Paulo oferece no centro cultural.

Papo revigorante e a certeza de que é preciso mobilizar muita mais gente e ficar cada vez mais atento no que se faz na Câmara de Vereadores. De São Paulo e de todas as demais cidades.