Masp promete reformar edifício, sem megalomania

Prédio abandonado é do Masp

No início, havia proposta megalomaníaca de criar um mirante do qual seria possível enxergar o litoral do alto do prédio que está ao lado da sede do Masp, na avenida Paulista. Passaram-se alguns anos, reclamações de promotores e manifestação de urbanistas, e a proposta para o local ficou mais próxima da realidade.

A ideia de aumentar o prédio permanece, mas apenas até 70 metros, evitando assim que o edifício se transforme em uma aberração urbanística na mais importante avenida da capital paulista. O custo da obra também é alto, R$ 14 milhões, mas o dinheiro estaria garantido.

O prédio foi comprado pelo Masp há alguns anos e a aparência é de que enfrenta um processo de degradação pelo abandono (veja as fotos no álbum digital do CBN SP no Flickr). Feio, sim, abandonado, não – disse o secretário-geral do Museu de Artes de São Paulo Luis Pereira Barreto que explicou, em entrevista, o que o Masp pretende fazer no local:

Ouça a entrevista do secretário geral do Masp Luis Pereira Barreto no CBN SP

Construtora transforma calçada em pátio de obras

 

Calçada ocupara por construtora

A conversa com o ex-prefeito de Bogotá (Colômbia), Enrique Peñalosa, inspirou o repórter Fernando Andrade, da CBN, no fim da tarde desta segunda-feira. Após o entusiasmo com as palavras de um dos colombianos responsáveis pela mudança radical na forma de tratar o cidadão naquela cidade, Fernando se deparou com a realidade paulistana. E escreveu este lamento para os leitores do blog:

“Após cobrir o Seminário Transportes para Cidades Melhores na USP, nesta segunda-feira, no qual o ex-prefeito de Bogotá, na Colômbia, Enrique Peñalosa, fez excelente apresentação mostrando que para revitalizar áreas degradadas, primeiro se contrói calçadas, depois os parques e, por último, se asfalta as ruas, me lembrei da atitude de uma construtora que na zona norte de São Paulo.

Peñalosa ressaltou que a democracia de uma cidade se mede pelo tamanho da calçada. E ilustrou isso com fotos de calçadas de diversas capitais.

Aí, voltando pra casa, depois de descer do ônibus e seguir a pé o restante do trajeto – faço isso por opção e adoro meu “rolê” -, decidi fotografar como a incorporadora BrasilArt trata os pedestres. Há anos, o edifício de alto padrão de quatro dormitórios na rua Benta Pereira, 160 – Santa Teresinha vem sendo construído e há anos perdemos a calçada. Como é possível ver nas fotos, o impacto da obra na região foi enorme. Não seria melhor ter privilegiado os moradores, pedestres do bairro ?

Como isso não ocorreu até agora, mudo de calçada e continuo desviando dos cocôs dos cachorros do outro lado. Mas fica aqui meu protesto!”

Ouça a entrevista de Fernando Andrade com o ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa

Foto-ouvinte: Horizonte roubado

Horizonte perdido

Não foi necessário mais de um ano para o ouvinte-internauta Armando Italo perceber o prejuízo provocado pelas duas construções feitas diante do prédio dele, na Vila Olimpía, em São Paulo. Do horizonte pintado pelo sol restará muito pouco assim que as obras forem concluídas, na rua Doutor Ivo Define Frascá, em típico fenômento da “República dos Edifícios” que se transformou a capital paulista. Aos que ainda não sofreram as perdas do Armando, muita atenção no debate sobre a revisão do Plano Diretor Estratégico, na Câmara Municipal, e a Lei de Zoneamento, que virá em seguida. Qualquer descuido, e uma obra destas poderá ser erguida diante de sua casa a qualquer momento.