Por Carlos Magno Gibrail
Os três edifícios que desabaram no Rio, ocasionando 18 mortes, e o acidente de São Bernardo do Campo com dois falecimentos, tem ao menos contribuído para um oportuno debate sobre a segurança das residências e escritórios situados em construções verticais.
Pelo número de prédios e quantidade de pessoas que circulam e moram nestas condições é até admirável que ainda não tenha surgido numero maior de catástrofes. A pouca fiscalização e o desconhecimento sobre condições de segurança, além da inevitável irresponsabilidade de alguns, poderiam ter gerado mais danos.
Há tempos, divulgou-se que o ex-ministro Delfim Neto estava levando a sua biblioteca de dez mil livros para o sitio com a precaução de não causar danos estruturais no prédio que morava.
É bem verdade que não são muitos que possuem biblioteca deste tamanho, mas também devemos considerar que esta preocupação estrutural não é para todos.
Controle e conscientização geral são atitudes óbvias que deveríamos tomar para aproveitar o momento. Ocorre que isto vale tanto para os bem intencionados como para os oportunistas.
No Rio, as empresas afetadas cobram lucros cessantes do Estado, enquanto entidades de engenheiros apoiam uma fiscalização com altas taxas visando lucros permanentes e extraordinários.
Em São Paulo o prefeito Kassab, embora tenha vetado em 2009, projeto do vereador Domingos Dissei que estabelecia laudo técnico obrigatório para as edificações, porque a Prefeitura já tinha o Contru – Departamento de Controle e Fiscalização de Obras apresenta agora um caça níquel invejável. A obrigatoriedade de cinco em cinco anos, ou até de dois, de laudo técnico por engenheiro especializado para toda a edificação acima de 500 metros quadrados, pago pelo proprietário. Estimasse que o valor será em torno de cinco a quinze mil reais por laudo.
A inescrupulosa ação política na busca do aumento de arrecadação e o corporativismo insensato visando faturamento cativo, exatamente por parte de quem pode equacionar o problema de segurança, Prefeitura e Engenheiros, deveriam ser substituídas pelo cumprimento da lei através dos órgãos existentes. E, criar o inexistente seguro sobre as demolições.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung








