Nossa São Paulo apresenta plano de metas para cidade

No fim de março se encerra o prazo para a prefeitura de São Paulo apresentar o Plano de Metas para os próximos quatro anos. É a primeira vez que a lei, aprovada em 2008, terá de ser cumprida por uma administração municipal. Os secretários de Governo Clóvis Carvalho e de Planejamento Manoelito Pereira estão construindo o plano em seus gabinetes, a partir de dados transmitidos pelas secretarias municipais. A prefeitura ainda não se pronuncia sobre o tema, mas amanhã, terça,  terá a oportunidade de conhecer a expectativa de entidades civis em relação ao plano que desenvolve.

O Movimento Nossa São Paulo elaborou documento com sugestões de metas de referência para todos os indicadores do Observatório Cidadão, um banco de dados virtual mantido pela organização.

Conheça alguma das metas que serão propostas:

Acervo das bibliotecas infanto-juvenis per capita (número de livros disponíveis em acervos de bibliotecas infanto-juvenis por habitante na faixa etária de 7 a 14 anos). Hoje, em 9 subprefeituras o indicador é zero. A que apresenta melhor resultado é a da Sé, com 13,37. A Unesco recomenda, no mínimo, 2 livros per capita em cada distrito.

Cinemas: a subprefeitura da Sé concentra 20,61% do total de salas de cinema da cidade. Como meta de referência, o Movimento Nossa São Paulo propõe pelo menos 1 cinema por distrito.

Reprovação no Ensino Médio: na subprefeitura de Pinheiros, 8,09% dos alunos matriculados em escolas públicas e privadas foram reprovados no ano de 2005 (o mais recente indicador disponível). É a taxa mais baixa de toda a cidade. Como meta de referência, o Movimento Nossa São Paulo propõe reduzir, em 5% ao ano, a repetência e a evasão, de forma a diminuir para 4 anos o tempo médio para conclusão desse nível (baseado no PNE 2001).

Uma das grandes reivindicações da sociedade é mais transparência nas informações relativas à superlotação escolar. A meta de referência é justamente a disponibilização do indicador.

Demanda de creche: na Móoca, melhor subprefeitura no quesito, 67,88% das solicitações de vagas em creche não eram atendidas. O dado é de 2008. A meta de referência proposta é zerar o déficit de creches até 2012 (baseado no PNE/2001)

“Zerar os zeros” da cidade, ou seja, suprimir a inexistência de equipamentos e serviços públicos (indicador igual a zero) nas subprefeituras e distritos da cidade.

Realizar levantamento para identificar, de forma detalhada, todos os produtos e subprodutos de origem Amazônica consumidos pela administração direta, indireta e autarquias. Exigir que as empresas que participarem de processos de licitação apresentem provas da legalidade da cadeia produtiva dos produtos de origem Amazônica, assegurando que os mesmos sejam advindos de processos legalmente autorizados pelos órgãos competentes e garantindo que seus fornecedores estão de acordo com as legislações ambiental e trabalhista vigentes no País. Somente adquirir produtos de origem Amazônica de propriedades ou produtores não incluídos na lista suja do trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego e na relação de áreas embargadas pelo IBAMA.

Ouça a entrevista do coordenador do Movimento Nossa São Paulo Oded Grajew

A entrega do documento será, nesta terça-feira, às 10 e meia, no Sesc Consolação, em São Paulo

Foto-ouvinte: Em obras (?)

Obras (?) na Germino Gomes da Silva

A rua Germino Gomes da Silva é pouco conhecida da maioria dos cidadãos de São Paulo, apesar de ser paralela a movimentada avenida Sapopemba, na zona leste. Em outubro de 2008, durante a eleição municipal, os moradores tiveram a notícia de que uma antiga reivindicação seria atendida: a pavimentação e urbanização da via que se iniciar na própria Sapopemba e segue em direção a rua Solidônio Leite.

Na placa da prefeitura, a execução da obra deveria durar 90 dias. Na segunda 02/03, portanto cinco meses já se foram, o ouvinte-internauta Renato Perez Michelin registrou as imagens que você vê clicando na fotografia acima. Segundo ele, “é raro quando tem alguém trabalhando três dias diretos em uma mesma semana”.

A demora na realização da obra tem causado transtorno aos vizinhos, além de o local ter se transformado em ponto de descarte de lixo. “O cheiro está insuportável”, escreveu Renato que teme ter de esperar mais quatro anos para que a obra seja concluída. Afinal, ninguém resiste a uma inauguração.

Serviço no asfalto é muito ruim, dizem autoridades

A avenida acaba de receber o recapeamento, nem chegou a ser pintada a sinalição na pista (o que demora muito, conforme falamos em post mais abaixo) e daqui a pouco chega um caminhão da Sabesp, descem os funcionários e começam a arrombar o piso, novamente. Para piorar, quando vão embora deixam aquela cicatriz na avenida que se revela na figura de um calombo no asfalto.

A cena é muito comum na cidade de São Paulo e protagonizada pela má-qualidade do serviço de recuperação do asfalto. A prefeitura e a Sabesp concordam que o trabalho feito é ruim, dizem que já sentaram várias vezes para falar sobre o problema, e acreditam que a situação está melhor (?).

O secretário das Subprefeitura Andrea Matarazzo  afirmou ao CBN SP que a multa é uma das maneiras de fazer com que as concessionárias como Sabesp e Congás melhorem o serviço prestado. O diretor de Sistemas Regionais da Sabesp Humberto Semeghini admite a má-qualidade do serviço.

A prefeitura nem pode reclamar tanto assim das empresas, pois ela própria realiza um trabalho de baixo nível na Operação Tapa-Buraco. Aliás, interessante notar que tanto o secretário Matarazzo e o diretor da Sabesp dizem que as empresas que prestam este serviço de recapeamento são muito ruins.

 Ouça a entrevista do secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo

 Aqui você tem a resposta de Humberto Semeghini, da Sabesp

Ouvinte-internauta reclama da Sabesp em oficina da CBN

Com a oportunidade de gravar reportagens e depoimentos na oficina de rádio promovida pela CBN na Campus Party, o ouvinte-internauta Neco Vieira resolveu chamar atenção da prefeitura de São Paulo para o estrago que foi feito na pista recém-recapeada da Avenida Nossa Senhora do Sabará, na zona sul da capital.

Ouça aqui o que disse  o ouvinte-internauta Neco Vieira em post publicado agora há pouco no blog da CBN na Campus Party.

Nós vamos procurar a Sabesp e a prefeitura para saber por que estas situações ainda ocorrem na cidade, apesar de inúmeros anúncios de que as prestadoras de serviço na capital teriam de realizar trabalhos sob controle da administração municipal para impedir o desperdício de dinheiro público.

Conheça a oficina de rádio visitante o blog da CBN na Campus Party

 

Inspeção veicular: Por que pagar taxa se a prefeitura vai devolver ?

Dois dias, uma entrevista e uma nota depois, a prefeitura de São Paulo conseguiu oferecer resposta a pergunta feita pelo CBN SP que está na cabeça de boa parte dos proprietários de veículos obrigados a realizar a inspeção ambiental veicular.

Há algum tempo, donos de carros em São Paulo enviam mensagens ao programa querendo saber por que tem de pagar “taxa” para realizar o serviço se a prefeitura vai devolver o dinheiro ?

Há quem diga que “o dinheiro não será reembolsado”. Outros alegam que o objetivo é “tirar o dinheiro do cidadão”. É a “sanha arrecadatória”, criticam. Ou um argumento bastante comum e simplista quando se trata da relação com o Estado: “É sempre assim”. Esclareço que as frases acima foram reproduzidas de e-mails de ouvintes-internautas

Não acredito nestas possibilidades. O retorno do dinheiro está previsto em decreto de no. 80 da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, comandada por Eduardo Jorge que é dos agentes públicos mais sérios que conheço. Bem verdade que não há prazo determinado para a devolução do dinheiro nem está concluído o site pelo qual o pedido de reembolso será feito. Há uma promessa de que 30 dias após o pedido ser feito pela internet, a “taxa” de pouco mais de R$ 52 será recuperado, dentro de algumas regras como não ter nenhuma dívida com o município ou estar com o IPVA em dia.

O objetivo do CBN SP era apenas entender a lógica que moveu a prefeitura a tomar esta decisão: cobrar e devolver.

Na segunda-feira, a prefeitura de São Paulo foi procurada pela produção do CBN SP. A alegação é que não havia alguém competente disponível para falar. Conversamos com o advogado Raul Haidar, reconhecida fonte na discussão tributária, que fez duras críticas a cobrança da “taxa” e à própria relevância do serviço. Haidar não encontrou na legislação respaldo para a medida adotada pela prefeitura.

Na terça-feira, após nova abordagem da produção do programa, a prefeitura decidiu escalar o secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos, Zenon Marques. Na primeira resposta, o secretário criticou Haidar e disse que este havia “destilado seu fel” e confundido taxa com preço público. Justificável a reação, pois acabará de ouvir uma edição feita pela CBN com as reclamações do advogado.

Na resposta seguinte, porém, não foi capaz de dizer a única coisa que realmente nos interessava: por que cobrar e devolver o dinheiro ? Insisti. E o tema não foi esclarecido. Tentei mais uma e mais outra. Nada. O secretário já parecia impaciente com as perguntas. Desisti. E antes de o progama se encerrar comentei como é frustrante quando se pretende esclarecer assuntos de interesse do cidadão e não se alcança este objetivo.

Naquele momento, a própria prefeitura admitia que a escolha do entrevistado não havia sido feliz e sugeriu nova entrevista nesta quarta-feira. Aleguei que preferia uma nota por escrito.

A nota da prefeitura foi enviada às nove da noite de terça-feira em quatro laudas e com respostas separadas em 11 ítens, dos quais dez eram para respoder ao que a Secretaria de Negócios Jurídicos entende serem equívocos do advogado Raul Haidar. Ao que nos interessava – e imagino que a você cidadão, também – apenas uma resposta que reproduzo a seguir:

“Os motivos de cobrar a taxa e depois restituí-la aos munícipes: Incentivar aos bons proprietários que apresentarem os seus veículos em ordem. Só os veículos que forem aprovados na inspeção é que terão a restituição do valor. Como não é possível identificar previamente os veículos que serão aprovados, não há como dispensar o pagamento prévio”.

Para a prefeitura, portanto, a “taxa” é pedagógica, não bastando a punição ao motorista de ficar impedido de realizar o licenciamento do carro caso não faça a inspeção veicular.

Não entrarei na discussão se a justificativa é válida ou lhe convence. Deixo para que você dê sua opinião. Mas com certeza teria sido mais produtivo e útil para o cidadão – assim como para a própria prefeitura – se desde o primeiro momento tivesse sido feito este esclarecimento.