A sociedade do celular

Photo by Nur Andi Ravsanjani Gusma on Pexels.com

O celular deixou de ser um meio. Tornou-se o ambiente.

O show já nasce pensado para a tela do celular. O enquadramento importa tanto quanto a música. O refrão precisa caber em quinze segundos. O aplauso virou registro. O espetáculo só se completa quando alguém levanta o braço, grava e publica. Não basta assistir. É preciso provar que esteve lá.

O mesmo acontece com filmes, séries e novelas. A imagem agora precisa funcionar no ônibus, na fila do banco, na pausa do almoço. O roteiro acelera, o plano encurta, o silêncio incomoda. Tudo para caber no bolso — e na atenção cada vez mais disputada.

A comida segue o mesmo caminho. Antes de ser comida, precisa ser fotografada. A exposição virou “instagramável”. A experiência só existe quando é compartilhada. O prato esfria enquanto o celular trabalha. E segue sobre a mesa, ocupando o espaço do diálogo.

Esse é o lado mais ruidoso da história. Há outro, bem mais duro.

O poder público também aprendeu a olhar pelo celular. Em São Paulo, o Smart Sampa cruza rostos, identifica suspeitos, localiza procurados. Nas estradas, câmeras com inteligência artificial verificam se o motorista usa cinto ou segura o celular enquanto dirige. O olho eletrônico se espalha no espaço público. Vigia. Registra. Arquiva.

Ao mesmo tempo, cresce a disputa sobre quem controla esse olhar. A exigência de câmeras corporais em policiais e agentes de segurança virou batalha ideológica. Para uns, transparência. Para outros, ameaça. O debate não é técnico. É político. E, sobretudo, simbólico.

É nesse ponto que o texto de Julia Angwin, publicado no The New York Times, nesta segunda-feira, acende um alerta.

Ela descreve o celular não como distração, mas como arma cívica. Uma ferramenta de proteção do cidadão diante da violência do Estado. Nos Estados Unidos, pessoas foram intimidadas, agredidas e até mortas enquanto filmavam ações de agentes federais. Em alguns casos, o simples ato de gravar passou a ser tratado como violência. Alex Pretti foi executado por membros do ICE, em Minneapolis, portando como arma um celular.

O que está em jogo não é apenas o direito de filmar. É o direito de testemunhar.

O celular guarda algo precioso: a possibilidade de responsabilização futura. Mesmo que quem filma seja silenciado, a imagem permanece. Ela pode desmentir versões oficiais, expor abusos, recontar a história. Não por acaso, regimes autoritários costumam começar cortando a internet. Sem imagem, não há prova. Sem prova, sobra a narrativa de quem manda.

Há quase três décadas, o escritor David Brin antecipou esse dilema ao perguntar: quem controla as câmeras? Quando só o Estado vê, temos vigilância. Quando todos podem ver, temos fiscalização recíproca. A diferença entre opressão e liberdade passa pelo controle do olhar.

Vivemos, portanto, um paradoxo. O mesmo celular que nos distrai também nos defende. O mesmo aparelho que nos expõe pode nos proteger. Ele banaliza a vida e, ao mesmo tempo, preserva a verdade.

Talvez por isso incomode tanto quando alguém manda “guardar o celular”. Especialmente quando quem faz o pedido é pago com dinheiro público.

Na sociedade do celular, o risco não está no aparelho. Está em desistir de olhar — ou em aceitar que apenas alguns tenham o direito de fazê-lo.

O celular não é neutro. Ele revela quem somos, o que consumimos, como nos exibimos. E, quando necessário, mostra aquilo que alguém preferiria esconder. Nesse sentido, ele não é só um objeto do nosso tempo. É um termômetro da nossa democracia.

Porque onde ninguém pode filmar, quase sempre há algo errado acontecendo.

Ítalo-descendentes protestam contra ameaça à cidadania italiana, em São Paulo

No próximo sábado, 26 de abril, estarei na Praça Cidade de Milão, em São Paulo, para caminhar ao lado de ítalos-descendentes que acreditam que nossa história merece respeito. A manifestação começa às 10h e carrega uma mensagem direta: protestamos contra o Decreto-Lei nº 36/2025, proposto pelo ministro italiano Antonio Tajani, que ameaça restringir o direito à cidadania italiana por descendência.

É um gesto simbólico, mas necessário. Uma resposta de quem não aceita ser tratado como estrangeiro no solo dos seus antepassados. A proposta que tramita no Senado da Itália limita a cidadania apenas a filhos e netos de italianos nascidos no país — excluindo os demais descendentes, mesmo que tenham mantido vivas, ao longo de gerações, a cultura, a língua e os laços familiares com a Itália. Para muitos, essa exclusão não é apenas uma questão legal, mas uma ferida afetiva.

A mobilização é pacífica, apartidária e aberta a todas as idades. É liderada pelo juiz aposentado, meu colega e amigo Walter Fanganiello Maierovitch, um nome reconhecido na luta pelos direitos civis, e tem o apoio de centenas de ítalo-descendentes que vivem em São Paulo e outras cidades brasileiras.

Na terça-feira seguinte, 29 de abril, às 19h, teremos um encontro no auditório do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, com o tema “Italianidade e o decreto restritivo da cidadania italiana”. Terei a honra de mediar esse debate, que contará com a presença de Walter Maierovitch, de Giuliana Patriarca Callia, diretora da AEDA (associação dos ex-alunos do Dante), e Daniel Taddone, conselheiro do CGIE (Consiglio Generale degli Italiani all’Estero – Conselho Geral dos Italianos no Exterior) .

Será uma oportunidade valiosa para aprofundar o entendimento jurídico e político do decreto, trocar experiências e reforçar a mobilização em defesa da nossa cidadania. O evento é gratuito, com inscrições pela plataforma Sympla, e tem capacidade limitada a 300 pessoas.

De minha parte, não se trata apenas de herança legal — é a preservação de uma identidade que foi construída com esforço, saudade e pertencimento. Convido você a caminhar conosco no sábado e a refletir juntos na terça. Porque nossa história vale mais do que uma assinatura em decreto. Ela pulsa nas praças, nos auditórios, nas vozes que não se calam.

Leia também: “O decreto que ameaça milhões de ítalo-descendentes”

SERVIÇO

📍 Manifestação pública
Data: 26/04/2025 (sábado)
Hora: 10h
Local: Praça Cidade de Milão – São Paulo/SP

📍 Debate público
Tema: Italianidade e o decreto restritivo da cidadania italiana
Data: 29/04/2025 (terça-feira)
Hora: 19h
Local: Auditório do Colégio Dante Alighieri – Alameda Jaú, 1061
Inscrição gratuita via Sympla (vagas limitadas)

Conte Sua História de São Paulo: uma manifestação de amor que começou em 2013

Por Carlos Eduardo Pinto Vergueiro Filho

Ouvinte da CBN

Jovens concentrados com bandeiras, faixas e gritos de guerra em frente ao Teatro Municipal, o mesmo marco histórico da Semana de 22 e a mesma juventude que dois anos depois pararia o Brasil. Mas não é de passe livre, Black Blocks e 20 centavos esta história. É sobre amor. 

Foi na passeata que subiu a Consolação, virou na avenida Paulista e terminou no Paraíso que dois jovens se encontraram. Foi em um bar de esquina com a 13 de Maio que se apaixonaram. 

Foi na Vila Madalena que namoraram. Foi no Jaguaré que se casaram. Foi na Cupecê que tiveram um filho. 

E é saindo da estação Vila Sônia do metrô que conto essa história que funde amor entre duas pessoas com as ruas, bares e o subterrâneo da cidade das tensões, São Paulo do nosso coração!

Parabéns terra da garoa, das multidões, das manifestações e da multiculturalidade. Que a sua história seja lembrada também pelos amores que fez nascer, tal como o nosso que completa 12 anos.

Carlos Eduardo Pinto Vergueiro Filho e Kraly de Castella Camolez Machado são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Parque do Caxingui sucumbe a prefeitos e justiça: só resta o cidadão!

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

image002

Área onde deveria ser o parque linear

 

 

Uma área de 36 mil metros quadrados no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo, contendo bioma de Mata Atlântica e nascentes da Bacia Hidrográfica do Caxingui, está liberada para a construção de cinco edifícios residenciais de 25 andares.

 

 

A autorização foi dada pela juíza Maria Fernanda de Toledo Rodovalho, da 16ª Vara da Fazenda Pública. Para o desgosto dos moradores que defenderam a criação do Parque Linear do Caxingui com o intuito de preservar um pouco de mata verde dentro da cidade. E regozijo da Cury Construtora, braço da Cyrela. Parceira da atual administração municipal.

 

 

Essas terras foram classificadas como ZEPAM – Zona Especial de Proteção Ambiental, através do Zoneamento de 2016 conjuntamente com a criação do projeto Parque Linear do Caxingui. Entretanto, no fim daquele ano, no último dia de sua gestão, Fernando Haddad, conflitando com laudo da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, deferiu solicitação da Cury Construtora para edificação de cinco torres de 25 andares. Como proprietária de parte desta área e tendo doado à Prefeitura outro tanto, argumentava que o empreendimento não afetaria o verde existente.

 

 

image001

Como ficaria com os prédios construídos 

 

 

A administração Doria manteve a aprovação, gerando uma série de investigações sobre irregularidades em todo esse processo. Levadas ao Ministério Público, através do promotor Marcos Stefani, o empreendimento é objeto de ação civil pública movida pela Promotoria do Meio Ambiente contra a Prefeitura. Não houve liminar ainda porque a construtora garantiu à juíza Rodovalho que não iniciaria a obra até que houvesse decisão sobre o pedido apresentado pelo Ministério Público.

 

 

Surpreendentemente, a Juíza Rodovalho, sustentando que não há irregularidades aparentes no processo de aprovação do alvará que justifique o seu impedimento, liberou o início da construção. Ou, por enquanto, da destruição.

 

 

As máquinas já começaram a derrubar as árvores.

 

 

Fato que levou as entidades de moradores e ambientalistas, através do Movimento Parque Linear Caxingui a realizar hoje um ATO CONTRA A DESTRUIÇÃO DA MATA DO PARQUE DO CAXINGUI.

 

 

A jornalista Ana Aragão, uma das lideranças deste Movimento, juntamente com Lucila Knesse, e as entidades Associação Morumbi Melhor, Sociedade Moradores Butantã-Cidade Universitária e Sociedade dos Moradores do Butantã City, já perceberam que nesta tramitação, onde o interesse privado oprime o público, é preciso de mobilização para atrair cidadãos conscientes que contribuam para a defesa do progresso sem retrocesso.

 

 

Em resposta

 

(publicado em 15/10, 11h03)

 

Diante da mobilização de cidadãos que discordam da forma como o Parque do Caxingui está sendo ocupado – parte deles expôs aqui neste blog sua opinião -, o prefeito regional do Butantã Paulo Vitor Sapienza procurou lideranças do movimento. Em mensagem enviada a Wilson Donnini, diretor do Grupo 1 de jornais, inclusive do JORNAL DO BUTANTÃ, disse que está à disposição para uma reunião com objetivo de resolver esta questão. O pedido para que o encontro se realizasse foi feito pelo próprio prefeito João Doria. Aproveito para externar minha admiração a todos que se manifestaram neste blog demonstrando um espírito de cidadania exemplar.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras. 

É Proibido Proibir?

Por Carlos Magno Gibrail

 

artista-mam

 

O recrudescimento de ações radicais e extremas é uma preocupante realidade atual. Mundial e local.

 

Entre nós, precedidas recentemente por intolerâncias religiosas, vieram as manifestações sobre obras de arte, que abriram ataques de flancos liberais e conservadores.

 

O fechamento da exposição em Porto Alegre do “Queermuseu” e as manifestações em São Paulo contra a performance de Wagner Schwartz, no MAM, protagonizaram a atenção de ampla faixa da sociedade.

 

Estas ocorrências dominaram a mídia nos últimos dias. Fato é que em uma única edição na FOLHA encontramos Nabil Bonduki, Pablo Ortellado e Mônica Bergamo tratando deste mesmo tema.

 

Bonduki, em seu artigo intitulado como “Atacar a arte é uma tradição totalitária” lembra que o nazismo, antes mesmo de ocupar o poder, já desqualificava a arte que não seguisse os moldes clássicos. O preconceito na arte, que parecia distante daqui, chega com intensidade, levando o Santander a encerrar a exposição do Queermuseu, em Porto Alegre, um juiz interromper a exibição de uma peça teatral, em Jundiaí, uma pintura ser retirada de um museu, em Campo Grande, e um grupo de conservadores atacarem o MAM, em São Paulo.

 

Ortellado em seu texto “Polêmica no MAM não é sobre arte e não é sobre pedofilia”, afirma que é sobre política, pois os principais promotores da campanha foram o MBL, o Instituto Liberal de São Paulo, João Doria, senador Magno Malta, a família Bolsonaro e o senador Ronaldo Caiado.

 

 
Bergamo intitulou sua página “Vídeo sobre exposição gera tensão entre Doria e o MAM” para informar que o MAM esperava de Doria posição favorável ao museu, mesmo porque o fato que mais se destacou tem aspecto legal, que foi a menor acompanhada pela mãe tocar no corpo do homem exposto.

 

A estes relatos é importante destacar que na exibição de Wagner Schwartz o artista interpreta uma obra de Lygia Clark chamada “Bicho”, que é uma escultura de metal articulada que pode ser manuseada pelo público. Durante sua apresentação, ele convidou uma coreógrafa que assistia à exposição a participar, que junto com a filha que a acompanhava aceitou o convite.

 

Um aspecto significativo foi a posição de Milú Villela, presidente do MAM, que aos primeiros ruídos reuniu seu pessoal e decidiu que manteria a exposição.Bem diferente do Santander, que aos primeiros acordes dissonantes decidiu fechar a exposição do Queermuseu. Aliás, como já tinha feito antes, quando uma de suas diretoras publicou previsões econômicas desfavoráveis e foi demitida por pressão do governo Dilma.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras. 

O eleitor e o consumidor

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Manifesta1

 

Domingo, a parcela dos eleitores brasileiros que foi às ruas para protestar, além do desagrado pela crise em que o país está vivendo, certamente foi motivada, também, pelo engodo da campanha eleitoral.

 

A presidente Dilma mentiu e sonegou informações sobre a real situação econômica financeira, além de prometer benesses futuras inatingíveis. Vendeu um produto que não estava ao seu alcance entregá-lo. Parte do eleitorado brasileiro vulnerável pelas condições econômicas e a falta de acesso às informações, foi enganada.

 

Ontem, 15 de março, foi comemorado o Dia Mundial do Direito do Consumidor e os 25 anos da implantação do Código de Defesa do Consumidor no Brasil.

 

O consumidor brasileiro tem motivos para celebrar, pois nosso Código tem possibilitado avanços ao estabelecer regras entre compradores e consumidores. Considerando a vulnerabilidade do consumidor pela condição econômica e a falta de acesso à informação.

 

Se o mercado de consumo tem condição de regular e controlar as relações entre compradores e fornecedores, não podemos afirmar o mesmo para o sistema político eleitoral.

 

No fim de 2014, quando Dilma se elegeu acusando Marina de ser apoiada por banqueira e Aécio de planejar pacote de maldades financeiras e tributária, a sorveteria Diletto foi obrigada pelo CONAR Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária, de retirar de sua propaganda a afirmação falsa do proprietário ter trazido o conhecimento do avô para a fabricação dos produtos Diletto.

 

Como sabemos, Dilma nomeou um diretor de banco para Ministro, e aplicou o pacote de maldades que acusava Aécio. As promessas não foram cumpridas e veio inflação, desemprego, corrupção, e recessão.

 

É hora, portanto, de rever todo o sistema político eleitoral: fundo partidário, doações de campanha, número de partidos políticos, voto obrigatório, qualificação de candidatos e criar um órgão controlador.

 

Se o mercado pode ter o Código do Consumidor e o CONAR, por que as eleições e os candidatos podem ficar sem normas, padrões e controle?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

São Paulo, 62 anos depois

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

catedral-da-se-rec

 

Assistindo às agressivas manifestações de repúdio ao Prefeito e ao Governador do Estado, na celebração do aniversário da Cidade, no mesmo local em que, há 62 anos, foi inaugurada a Catedral de São Paulo, comemorando também o aniversário da capital paulista, a comparação entre as épocas é inevitável, principalmente para quem vivenciou o passado.

 

E parece-me que São Paulo retrocedeu.

 

Em 25 de janeiro de 1954, com 12 anos, há sete chegado de Paraty, assumi a cidadania paulistana. Nos primeiros minutos do dia os sinos começaram a repicar, em seguida as sirenes das fábricas juntaram-se ao som que anunciava os 400 anos da aniversariante.

 

Participei do desfile cívico militar, no Vale do Anhangabaú, pelo Liceu Coração de Jesus, onde se deu a queima de fogos e a chuva de prata. O povo de São Paulo estava nas ruas. Em festa!

 

São Paulo começava a assumir a liderança econômica do país.

 

“Foi o ano da vanglória e do ufanismo paulistano” disse Roberto Pompeu de Toledo. “São Paulo se vingava em alto estilo dos muitos anos de atraso e ostracismo no panorama das cidades brasileiras”.

 

Durante todo aquele ano, houve eventos e inaugurações relacionados com o Quarto Centenário: Grande Prêmio em Interlagos, Companhia de Balé especial para a data, inauguração do Parque Ibiraquera, projetado por Oscar Niemayer, Feira Internacional da Indústria.

 

São Paulo destoava do todo. O país passava por grandes problemas políticos. O presidente Getúlio Vargas era acossado por Carlos Lacerda com graves denúncias de corrupção.

 

Se hoje no âmbito nacional a situação não é diferente, no municipal e estadual estamos diante de crise econômica, administrativa e de segurança ímpar.

 

É incompreensível, por exemplo, que depois de tantos flagrantes fotográficos e cinematográficos não se puna ninguém entre o Black Blocs. Ao mesmo tempo, a população não pode continuar a ser vitima de um punhado de adolescentes. E, é claro, a responsabilidade é das autoridades, que se não agirem rapidamente e a contento, estarão sujeitas a garrafas pet onde aparecerem.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Luxo pode ser para poucos, mas honestidade é para todos

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

4762105324_6c6988e586_z

 

“O jeitinho brasileiro” é um dos principais slogans que acompanham o Brasil. Pode ser interpretado de várias formas: boas e ruins, claro. Se por um lado, o brasileiro tem garra e luta por seus objetivos – o que é incontestável -, infelizmente, essa expressão também nos remete a algo que ocorre comumente por aqui: “dar um jeito” carrega consigo a ideia de burlar leis, furar filas, encontrar atalhos, ser favorecido, ter atendimento privilegiado em prejuízo a outros cidadãos.

 

Observando os protestos realizados no último domingo, 15 de março, bem como as manifestações que marcaram 2013 – e, diziam, ironicamente, terem se iniciado pelos famosos 20 centavos na passagem do ônibus -, noto que as pessoas tem comportamentos contraditórios, algumas chegam a assustar tamanho o desconhecimento. É fundamental que nosso povo seja politizado (quem sabe um dia) e lute por seus direitos, mas é lamentável ver que se cobre do governo o que muitos de nós não exercemos: a honestidade. Pouco adianta pedir mudanças no comportamento das autoridades, se no dia a dia agimos com desonestidade. Um dinheiro para o guarda de trânsito nos livrar da punição, propina para liberar a carteira de habilitação cancelada por excesso de multas, estacionar em vagas para pessoas com deficiência, gorjeta para agilizar o atendimento na delegacia ou repartições públicas são apenas alguns exemplos de atos ilegais que ocorrem no cotidiano.

 

O problema é que para desenvolvermos uma consciência cidadã é preciso muita educação. E com o governo que temos atualmente, inclua-se nesta crítica todos os que vieram antes, investir nesta área não é prioridade. Por isso, difícil ter alguma previsão de que um dia nos tornaremos politizados. Também acho incrível a quantidade enorme de brasileiros que postam artigos em seus perfis nas redes sociais muitas vezes sem saber exatamente o que estão falando ou sem conhecer nossa história. Deixo claro que sou a favor dos protestos e, obviamente, não estou satisfeito com a situação atual do país e da forma como vem sendo governado (ou seria, roubado?). Porém, penso que devemos fazer nossa parte, mudar essa mentalidade de querer levar vantagem em tudo. Não apenas pregar e cobrar honestidade, mas agir com honestidade, ensinar às próximas gerações de que este valor não é um luxo, coisa para poucos. É uma obrigação de todos!

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Passe livre: a evolução

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

4331303114_9d557b9313_z

 

Impulsionado pelo reajuste da tarifa em janeiro, voltaram as manifestações do Movimento Passe Livre SP. A verdade é que a implantação da tarifa zero enfrenta grandes desafios. Financeiros, Sociais e Comportamentais.

 

Sob o aspecto financeiro a adoção do passe livre na cidade de São Paulo precisaria aproximadamente de R$7,2 bilhões de um orçamento de R$51,3 bilhões/ano. O que não é pouco, pois a educação fica com 9,8, a saúde com 7,6 e o subsidio da prefeitura atualmente é de 1,4.

 

Para liberar o consumidor de uma parcela ou do total do bilhete foram apresentadas várias hipóteses não excludentes. Por exemplo: IPVA, IPTU e o CIDE sobre combustíveis. Alternativas que demonstram a possiblidade de transferir arrecadações ou aumentá-las.

 

Entretanto, é preciso analisar os efeitos destas medidas dentro do contexto social. Para alguns, a tarifa zero seria como a Saúde e Educação, serviços públicos gratuitos. Quem não pode, usa e quem pode, viaja de carro ou de ônibus com ar, sentado e ouvindo música. Aliás, foi o que Erundina implantou e Maluf acabou com os ônibus de luxo, para atender os taxistas que perdiam clientes.

 

Dentro do aspecto social, a mobilidade é a capacidade das pessoas de se movimentar livremente. Atenderíamos os carentes e liberaríamos a demanda reprimida, ocasionando congestionamentos. Um risco que talvez valha a pena. Ronaldo o Fenômeno quase não segue carreira ao ser aprovado pelo Flamengo e não ter dinheiro para a passagem.

 

O economista Paulo Sandroni em artigo no Estado relata a experiência comportamental do grupo mais emblemático da cidade. As torcidas organizadas. No tempo da CMTC a depredação de ônibus por parte da torcida que perdia no jogo do Morumbi era total. Foram suspensas a linhas. A arrecadação caiu drasticamente. Os clubes procuraram a CMTC e ficou acertado, apenas com o protesto do corintiano Vicente Mateus, que os ônibus voltariam e, de graça, para os torcedores, mas, com a ameaça de parar tudo se houvesse depredação. Quem pagaria a conta seriam os clubes, com 1% a 2% da arrecadação. Sucesso total. Todos lucraram, e a CMTC descobriu que o custo operacional baixou 22%, que era o custo da cobrança.

 

Bem, dentre os desafios, resta a coragem política. E haverá?

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Manifestações, invasões e depredações legais?

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

foto

 

Ontem em SP foram realizadas desocupações na Líbero Badaró e na Consolação. Antes de ontem, foi a vez do Portal do Morumbi. Em todas, os invasores reclamaram da falta de aviso para a ação judicial que foi executada.

 

No Rio, na semana passada foram libertados os manifestantes e depredadores nos movimentos contra a COPA. E, Sininho e Camila, líderes do movimento denunciaram respectivamente, através da imprensa, as autoridades de elaborar um processo de acusação com “abobrinhas e histórias surrealistas”, e de plantar “provas”.

 

Situações estas, que se não fossem prejudiciais à civilidade, estariam contribuindo à comicidade. MTST de Boulos e LPM de Lima invadem propriedade alheia sem pedir licença e querem ser avisados em dia e hora para sair. Sininho e Camila querem destruir o sistema vigente, anarquistas por convicção, mas exigem o sistema para que sejam respeitadas.

 

O MTST colocou barracas sem ninguém dentro. Apenas para fazer número. Os que estavam agindo foram protestar contra a TIM. Só depois perceberam que sinalizavam a propriedade e uso de celulares e se recolheram.

 

A LPM teve o seu líder, Ricardo Luciano Lima salvo de linchamento pela PM de seus próprios correligionários, que o acusaram de estelionato, segundo matéria da CBN. A FIP Frente Independente Popular e a OATL Organização Anarquia Terra e Liberdade, são lideradas por Sininho e Camila. Ambas negam a liderança. A cineasta Elisa Quadros, incitou a por fogo na Câmara Municipal. “Entretanto a sua mãe, a psicóloga Rosoleta de Quadros, disse: “Criaram um personagem, a Sininho, para demonizar os movimentos”“.

 

Camila é a Dra. Camila Jourdan, Coordenadora do Pós Graduação da UERJ de Filosofia, e propõe a anarquia. Inclusive ao movimento que pertence. Ao mesmo tempo se intitula porta voz do povo injustiçado pelo sistema atual.

 

Diante de tanta perplexidade, simplicidade seria o melhor caminho. Uma pergunta: Quem financia esta gente toda? Uma ação: Requisitar e analisar todas as imagens disponíveis.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.