Parque do Caxingui sucumbe a prefeitos e justiça: só resta o cidadão!

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

image002

Área onde deveria ser o parque linear

 

 

Uma área de 36 mil metros quadrados no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo, contendo bioma de Mata Atlântica e nascentes da Bacia Hidrográfica do Caxingui, está liberada para a construção de cinco edifícios residenciais de 25 andares.

 

 

A autorização foi dada pela juíza Maria Fernanda de Toledo Rodovalho, da 16ª Vara da Fazenda Pública. Para o desgosto dos moradores que defenderam a criação do Parque Linear do Caxingui com o intuito de preservar um pouco de mata verde dentro da cidade. E regozijo da Cury Construtora, braço da Cyrela. Parceira da atual administração municipal.

 

 

Essas terras foram classificadas como ZEPAM – Zona Especial de Proteção Ambiental, através do Zoneamento de 2016 conjuntamente com a criação do projeto Parque Linear do Caxingui. Entretanto, no fim daquele ano, no último dia de sua gestão, Fernando Haddad, conflitando com laudo da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, deferiu solicitação da Cury Construtora para edificação de cinco torres de 25 andares. Como proprietária de parte desta área e tendo doado à Prefeitura outro tanto, argumentava que o empreendimento não afetaria o verde existente.

 

 

image001

Como ficaria com os prédios construídos 

 

 

A administração Doria manteve a aprovação, gerando uma série de investigações sobre irregularidades em todo esse processo. Levadas ao Ministério Público, através do promotor Marcos Stefani, o empreendimento é objeto de ação civil pública movida pela Promotoria do Meio Ambiente contra a Prefeitura. Não houve liminar ainda porque a construtora garantiu à juíza Rodovalho que não iniciaria a obra até que houvesse decisão sobre o pedido apresentado pelo Ministério Público.

 

 

Surpreendentemente, a Juíza Rodovalho, sustentando que não há irregularidades aparentes no processo de aprovação do alvará que justifique o seu impedimento, liberou o início da construção. Ou, por enquanto, da destruição.

 

 

As máquinas já começaram a derrubar as árvores.

 

 

Fato que levou as entidades de moradores e ambientalistas, através do Movimento Parque Linear Caxingui a realizar hoje um ATO CONTRA A DESTRUIÇÃO DA MATA DO PARQUE DO CAXINGUI.

 

 

A jornalista Ana Aragão, uma das lideranças deste Movimento, juntamente com Lucila Knesse, e as entidades Associação Morumbi Melhor, Sociedade Moradores Butantã-Cidade Universitária e Sociedade dos Moradores do Butantã City, já perceberam que nesta tramitação, onde o interesse privado oprime o público, é preciso de mobilização para atrair cidadãos conscientes que contribuam para a defesa do progresso sem retrocesso.

 

 

Em resposta

 

(publicado em 15/10, 11h03)

 

Diante da mobilização de cidadãos que discordam da forma como o Parque do Caxingui está sendo ocupado – parte deles expôs aqui neste blog sua opinião -, o prefeito regional do Butantã Paulo Vitor Sapienza procurou lideranças do movimento. Em mensagem enviada a Wilson Donnini, diretor do Grupo 1 de jornais, inclusive do JORNAL DO BUTANTÃ, disse que está à disposição para uma reunião com objetivo de resolver esta questão. O pedido para que o encontro se realizasse foi feito pelo próprio prefeito João Doria. Aproveito para externar minha admiração a todos que se manifestaram neste blog demonstrando um espírito de cidadania exemplar.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras. 

É Proibido Proibir?

Por Carlos Magno Gibrail

 

artista-mam

 

O recrudescimento de ações radicais e extremas é uma preocupante realidade atual. Mundial e local.

 

Entre nós, precedidas recentemente por intolerâncias religiosas, vieram as manifestações sobre obras de arte, que abriram ataques de flancos liberais e conservadores.

 

O fechamento da exposição em Porto Alegre do “Queermuseu” e as manifestações em São Paulo contra a performance de Wagner Schwartz, no MAM, protagonizaram a atenção de ampla faixa da sociedade.

 

Estas ocorrências dominaram a mídia nos últimos dias. Fato é que em uma única edição na FOLHA encontramos Nabil Bonduki, Pablo Ortellado e Mônica Bergamo tratando deste mesmo tema.

 

Bonduki, em seu artigo intitulado como “Atacar a arte é uma tradição totalitária” lembra que o nazismo, antes mesmo de ocupar o poder, já desqualificava a arte que não seguisse os moldes clássicos. O preconceito na arte, que parecia distante daqui, chega com intensidade, levando o Santander a encerrar a exposição do Queermuseu, em Porto Alegre, um juiz interromper a exibição de uma peça teatral, em Jundiaí, uma pintura ser retirada de um museu, em Campo Grande, e um grupo de conservadores atacarem o MAM, em São Paulo.

 

Ortellado em seu texto “Polêmica no MAM não é sobre arte e não é sobre pedofilia”, afirma que é sobre política, pois os principais promotores da campanha foram o MBL, o Instituto Liberal de São Paulo, João Doria, senador Magno Malta, a família Bolsonaro e o senador Ronaldo Caiado.

 

 
Bergamo intitulou sua página “Vídeo sobre exposição gera tensão entre Doria e o MAM” para informar que o MAM esperava de Doria posição favorável ao museu, mesmo porque o fato que mais se destacou tem aspecto legal, que foi a menor acompanhada pela mãe tocar no corpo do homem exposto.

 

A estes relatos é importante destacar que na exibição de Wagner Schwartz o artista interpreta uma obra de Lygia Clark chamada “Bicho”, que é uma escultura de metal articulada que pode ser manuseada pelo público. Durante sua apresentação, ele convidou uma coreógrafa que assistia à exposição a participar, que junto com a filha que a acompanhava aceitou o convite.

 

Um aspecto significativo foi a posição de Milú Villela, presidente do MAM, que aos primeiros ruídos reuniu seu pessoal e decidiu que manteria a exposição.Bem diferente do Santander, que aos primeiros acordes dissonantes decidiu fechar a exposição do Queermuseu. Aliás, como já tinha feito antes, quando uma de suas diretoras publicou previsões econômicas desfavoráveis e foi demitida por pressão do governo Dilma.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras. 

O eleitor e o consumidor

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Manifesta1

 

Domingo, a parcela dos eleitores brasileiros que foi às ruas para protestar, além do desagrado pela crise em que o país está vivendo, certamente foi motivada, também, pelo engodo da campanha eleitoral.

 

A presidente Dilma mentiu e sonegou informações sobre a real situação econômica financeira, além de prometer benesses futuras inatingíveis. Vendeu um produto que não estava ao seu alcance entregá-lo. Parte do eleitorado brasileiro vulnerável pelas condições econômicas e a falta de acesso às informações, foi enganada.

 

Ontem, 15 de março, foi comemorado o Dia Mundial do Direito do Consumidor e os 25 anos da implantação do Código de Defesa do Consumidor no Brasil.

 

O consumidor brasileiro tem motivos para celebrar, pois nosso Código tem possibilitado avanços ao estabelecer regras entre compradores e consumidores. Considerando a vulnerabilidade do consumidor pela condição econômica e a falta de acesso à informação.

 

Se o mercado de consumo tem condição de regular e controlar as relações entre compradores e fornecedores, não podemos afirmar o mesmo para o sistema político eleitoral.

 

No fim de 2014, quando Dilma se elegeu acusando Marina de ser apoiada por banqueira e Aécio de planejar pacote de maldades financeiras e tributária, a sorveteria Diletto foi obrigada pelo CONAR Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária, de retirar de sua propaganda a afirmação falsa do proprietário ter trazido o conhecimento do avô para a fabricação dos produtos Diletto.

 

Como sabemos, Dilma nomeou um diretor de banco para Ministro, e aplicou o pacote de maldades que acusava Aécio. As promessas não foram cumpridas e veio inflação, desemprego, corrupção, e recessão.

 

É hora, portanto, de rever todo o sistema político eleitoral: fundo partidário, doações de campanha, número de partidos políticos, voto obrigatório, qualificação de candidatos e criar um órgão controlador.

 

Se o mercado pode ter o Código do Consumidor e o CONAR, por que as eleições e os candidatos podem ficar sem normas, padrões e controle?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

São Paulo, 62 anos depois

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

catedral-da-se-rec

 

Assistindo às agressivas manifestações de repúdio ao Prefeito e ao Governador do Estado, na celebração do aniversário da Cidade, no mesmo local em que, há 62 anos, foi inaugurada a Catedral de São Paulo, comemorando também o aniversário da capital paulista, a comparação entre as épocas é inevitável, principalmente para quem vivenciou o passado.

 

E parece-me que São Paulo retrocedeu.

 

Em 25 de janeiro de 1954, com 12 anos, há sete chegado de Paraty, assumi a cidadania paulistana. Nos primeiros minutos do dia os sinos começaram a repicar, em seguida as sirenes das fábricas juntaram-se ao som que anunciava os 400 anos da aniversariante.

 

Participei do desfile cívico militar, no Vale do Anhangabaú, pelo Liceu Coração de Jesus, onde se deu a queima de fogos e a chuva de prata. O povo de São Paulo estava nas ruas. Em festa!

 

São Paulo começava a assumir a liderança econômica do país.

 

“Foi o ano da vanglória e do ufanismo paulistano” disse Roberto Pompeu de Toledo. “São Paulo se vingava em alto estilo dos muitos anos de atraso e ostracismo no panorama das cidades brasileiras”.

 

Durante todo aquele ano, houve eventos e inaugurações relacionados com o Quarto Centenário: Grande Prêmio em Interlagos, Companhia de Balé especial para a data, inauguração do Parque Ibiraquera, projetado por Oscar Niemayer, Feira Internacional da Indústria.

 

São Paulo destoava do todo. O país passava por grandes problemas políticos. O presidente Getúlio Vargas era acossado por Carlos Lacerda com graves denúncias de corrupção.

 

Se hoje no âmbito nacional a situação não é diferente, no municipal e estadual estamos diante de crise econômica, administrativa e de segurança ímpar.

 

É incompreensível, por exemplo, que depois de tantos flagrantes fotográficos e cinematográficos não se puna ninguém entre o Black Blocs. Ao mesmo tempo, a população não pode continuar a ser vitima de um punhado de adolescentes. E, é claro, a responsabilidade é das autoridades, que se não agirem rapidamente e a contento, estarão sujeitas a garrafas pet onde aparecerem.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Luxo pode ser para poucos, mas honestidade é para todos

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

4762105324_6c6988e586_z

 

“O jeitinho brasileiro” é um dos principais slogans que acompanham o Brasil. Pode ser interpretado de várias formas: boas e ruins, claro. Se por um lado, o brasileiro tem garra e luta por seus objetivos – o que é incontestável -, infelizmente, essa expressão também nos remete a algo que ocorre comumente por aqui: “dar um jeito” carrega consigo a ideia de burlar leis, furar filas, encontrar atalhos, ser favorecido, ter atendimento privilegiado em prejuízo a outros cidadãos.

 

Observando os protestos realizados no último domingo, 15 de março, bem como as manifestações que marcaram 2013 – e, diziam, ironicamente, terem se iniciado pelos famosos 20 centavos na passagem do ônibus -, noto que as pessoas tem comportamentos contraditórios, algumas chegam a assustar tamanho o desconhecimento. É fundamental que nosso povo seja politizado (quem sabe um dia) e lute por seus direitos, mas é lamentável ver que se cobre do governo o que muitos de nós não exercemos: a honestidade. Pouco adianta pedir mudanças no comportamento das autoridades, se no dia a dia agimos com desonestidade. Um dinheiro para o guarda de trânsito nos livrar da punição, propina para liberar a carteira de habilitação cancelada por excesso de multas, estacionar em vagas para pessoas com deficiência, gorjeta para agilizar o atendimento na delegacia ou repartições públicas são apenas alguns exemplos de atos ilegais que ocorrem no cotidiano.

 

O problema é que para desenvolvermos uma consciência cidadã é preciso muita educação. E com o governo que temos atualmente, inclua-se nesta crítica todos os que vieram antes, investir nesta área não é prioridade. Por isso, difícil ter alguma previsão de que um dia nos tornaremos politizados. Também acho incrível a quantidade enorme de brasileiros que postam artigos em seus perfis nas redes sociais muitas vezes sem saber exatamente o que estão falando ou sem conhecer nossa história. Deixo claro que sou a favor dos protestos e, obviamente, não estou satisfeito com a situação atual do país e da forma como vem sendo governado (ou seria, roubado?). Porém, penso que devemos fazer nossa parte, mudar essa mentalidade de querer levar vantagem em tudo. Não apenas pregar e cobrar honestidade, mas agir com honestidade, ensinar às próximas gerações de que este valor não é um luxo, coisa para poucos. É uma obrigação de todos!

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Passe livre: a evolução

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

4331303114_9d557b9313_z

 

Impulsionado pelo reajuste da tarifa em janeiro, voltaram as manifestações do Movimento Passe Livre SP. A verdade é que a implantação da tarifa zero enfrenta grandes desafios. Financeiros, Sociais e Comportamentais.

 

Sob o aspecto financeiro a adoção do passe livre na cidade de São Paulo precisaria aproximadamente de R$7,2 bilhões de um orçamento de R$51,3 bilhões/ano. O que não é pouco, pois a educação fica com 9,8, a saúde com 7,6 e o subsidio da prefeitura atualmente é de 1,4.

 

Para liberar o consumidor de uma parcela ou do total do bilhete foram apresentadas várias hipóteses não excludentes. Por exemplo: IPVA, IPTU e o CIDE sobre combustíveis. Alternativas que demonstram a possiblidade de transferir arrecadações ou aumentá-las.

 

Entretanto, é preciso analisar os efeitos destas medidas dentro do contexto social. Para alguns, a tarifa zero seria como a Saúde e Educação, serviços públicos gratuitos. Quem não pode, usa e quem pode, viaja de carro ou de ônibus com ar, sentado e ouvindo música. Aliás, foi o que Erundina implantou e Maluf acabou com os ônibus de luxo, para atender os taxistas que perdiam clientes.

 

Dentro do aspecto social, a mobilidade é a capacidade das pessoas de se movimentar livremente. Atenderíamos os carentes e liberaríamos a demanda reprimida, ocasionando congestionamentos. Um risco que talvez valha a pena. Ronaldo o Fenômeno quase não segue carreira ao ser aprovado pelo Flamengo e não ter dinheiro para a passagem.

 

O economista Paulo Sandroni em artigo no Estado relata a experiência comportamental do grupo mais emblemático da cidade. As torcidas organizadas. No tempo da CMTC a depredação de ônibus por parte da torcida que perdia no jogo do Morumbi era total. Foram suspensas a linhas. A arrecadação caiu drasticamente. Os clubes procuraram a CMTC e ficou acertado, apenas com o protesto do corintiano Vicente Mateus, que os ônibus voltariam e, de graça, para os torcedores, mas, com a ameaça de parar tudo se houvesse depredação. Quem pagaria a conta seriam os clubes, com 1% a 2% da arrecadação. Sucesso total. Todos lucraram, e a CMTC descobriu que o custo operacional baixou 22%, que era o custo da cobrança.

 

Bem, dentre os desafios, resta a coragem política. E haverá?

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Manifestações, invasões e depredações legais?

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

foto

 

Ontem em SP foram realizadas desocupações na Líbero Badaró e na Consolação. Antes de ontem, foi a vez do Portal do Morumbi. Em todas, os invasores reclamaram da falta de aviso para a ação judicial que foi executada.

 

No Rio, na semana passada foram libertados os manifestantes e depredadores nos movimentos contra a COPA. E, Sininho e Camila, líderes do movimento denunciaram respectivamente, através da imprensa, as autoridades de elaborar um processo de acusação com “abobrinhas e histórias surrealistas”, e de plantar “provas”.

 

Situações estas, que se não fossem prejudiciais à civilidade, estariam contribuindo à comicidade. MTST de Boulos e LPM de Lima invadem propriedade alheia sem pedir licença e querem ser avisados em dia e hora para sair. Sininho e Camila querem destruir o sistema vigente, anarquistas por convicção, mas exigem o sistema para que sejam respeitadas.

 

O MTST colocou barracas sem ninguém dentro. Apenas para fazer número. Os que estavam agindo foram protestar contra a TIM. Só depois perceberam que sinalizavam a propriedade e uso de celulares e se recolheram.

 

A LPM teve o seu líder, Ricardo Luciano Lima salvo de linchamento pela PM de seus próprios correligionários, que o acusaram de estelionato, segundo matéria da CBN. A FIP Frente Independente Popular e a OATL Organização Anarquia Terra e Liberdade, são lideradas por Sininho e Camila. Ambas negam a liderança. A cineasta Elisa Quadros, incitou a por fogo na Câmara Municipal. “Entretanto a sua mãe, a psicóloga Rosoleta de Quadros, disse: “Criaram um personagem, a Sininho, para demonizar os movimentos”“.

 

Camila é a Dra. Camila Jourdan, Coordenadora do Pós Graduação da UERJ de Filosofia, e propõe a anarquia. Inclusive ao movimento que pertence. Ao mesmo tempo se intitula porta voz do povo injustiçado pelo sistema atual.

 

Diante de tanta perplexidade, simplicidade seria o melhor caminho. Uma pergunta: Quem financia esta gente toda? Uma ação: Requisitar e analisar todas as imagens disponíveis.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Protestando contra os protestos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Segunda-feira, no momento em que o Jornal Nacional publicava o editorial sobre a morte cerebral do cinegrafista Santiago Andrade e a Band o homenageava, as demais emissoras, comovidas, externavam pesares e revoltas, ao mesmo tempo em que mostravam no centro do Rio, no mesmo local, a mesma violência que gerou a barbárie então condenada. Sinal evidente de que nada mudou e nada mudará, a não ser que surjam competência e moral novas para romper a anarquia implantada.

 

Nada contra as manifestações, entretanto quando se evidencia que não se consegue neutralizar a ação de bandidos que usam máscaras e armas nem mesmo as suas origens, é hora de pensar seriamente. O ministro do STF Marco Aurélio Mello, em entrevista à Veja, diz que a culpa é da sociedade, pois é ela quem vota. Segundo ele ao invés de ir para a rua o povo deveria ir para a urna, embora reconheça que há ajustes a fazer. O financiamento das eleições permitindo a doação de empresas, a compostura dos debates políticos focando em ataques pessoais enquanto os reais problemas não são analisados, são alguns itens que precisarão ser ajustados. Eis aí um caminho que poderá ser aperfeiçoado com o voto não obrigatório, que deverá tirar parte dos eleitores que não entendem e/ou não gostam de política. Sistema, aliás, que é usado na maioria dos países mais civilizados do mundo.

 

Para iniciar e completar a receita civilizatória se deveria exigir do Poder Legislativo uma postura mínima de convivência no trabalho que lhes compete, em forma e conteúdo. Obrigando deputados e senadores, a sentar em suas cadeiras, na metáfora e na realidade, e educadamente prestar atenção aos oradores. A semelhança das imagens entre as sessões do Congresso e as manifestações de rua é evidente. Todos de pé, em grupos, uns gritando outros assistindo. Alguns mais afastados mexendo em eletrônicos. Ninguém atento ao principal.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

A morte de Santiago não pode se resumir às palavras

 

 

O cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, está morto. Foi vítima de um rojão disparado por uma das pessoas que participaram do protesto contra o reajuste das tarifas do ônibus no Rio de Janeiro. Hoje seu nome está na boca de todo brasileiro minimanente informado, é usado para defender e atacar ideologias, é explorado pelos mais diversos e opostos grupos políticos representados no país. Autoridades se pronunciam, entidades de classe criticam com veemência a violência. Inúmeras manifestações de solidariedade foram feitas até agora. Jornais, televisão, as nossas rádios estão tomadas por reportagem que tratam da morte de Santiago. Palavras, por enquanto, apenas palavras. E palavras são substituídas por outras já na próxima notícia que teremos de contar. Portanto, são efêmeras. Se não servirem para contaminar a sociedade brasileira, levar a ações efetivas pela justiça social, à punição daqueles que cometem crimes, à mudança de comportamento dos que receberam a delegação popular para promover as políticas públicas, serão sempre apenas palavras. Você pode não concordar com nada que este jornalista diz, você pode se indignar com as reportagens que assiste, criticar quem pensa diferente de você (ou aparenta pensar diferente de você). Mas se impor pela violência, seja arremessando um rojão contra um profissional, seja estrangulando um garoto com tranca de bicicleta, seja colocando fogo em ônibus, é apostar na barbárie. A morte de Santiago, como disse a companheira dele, Arlita Andrade, não pode ser em vão. Que ao menos sirva para que se repense as atitudes que adotamos e se busque a cultura da paz e da tolerância.

Avalanche (Extra): a noite em que o torcedor venceu

 

 

Aos raros e caros leitores desta coluna, sempre dedicada ao Grêmio, peço licença para falar sobre fatos que não aconteceram na Arena nem com o tricolor gaúcho, mas que têm muito a ver com o momento que estamos vivendo. No post anterior já havia descrito a falta de paciência de alguns torcedores e a necessidade de darmos oportunidade de os times se reestruturarem, de seus técnicos terem tempo para construirem a estratégia que será usada na temporada e dos preparadores físicos programarem os jogadores para resistirem a maratona de jogos. Ou seja, deixar o pensamento imediatista de lado.

 

Volto ao tema, porém, para destacar a vitória que se conquistou nas arquibancadas do lendário estádio do Pacaembu, em São Paulo, na noite de ontem, quando o Corinthians perdeu para o Bragantino por 2 a 0. A vitória que me refiro não tem nada a ver com o placar do jogo ou desempenho dos atletas corintianos que estão visivelmente incomodados com a absurda agressão que sofreram por parte de brutamontes ligados às torcidas organizadas, no Centro de Treinamento Joaquim Grava, no sábado passado. Mas, curiosamente, foi protagonizada por parte dos torcedores do Corinthians.

 

Caso você não tenha acompanhado o noticiário, resumo aqui os fatos. Integrantes de torcidas organizadas decidiram protestar contra o time, foram ao estádio com fitas tapando a boca para demonstrar a desconformidade e se negaram a incentivar a equipe, permanecendo em silêncio. Se a manifestação ficasse por aí, nada a declarar. É direito deles. Porém, as organizadas tinham a pretensão de calar os demais torcedores e, mais uma vez de forma agressiva, tentaram intimidá-los com ameaças. A polícia militar foi obrigada a intervir para impedir agressões físicas, entrou em confronto com os mais exaltados e prendeu algumas pessoas. Torcedores comuns, que vestem a camisa do seu time e não das torcidas organizadas, reagiram com gritos de incentivo demonstrando que esses grupos não são donos do clube como imaginam ser. Gritaram mais alto do que a intolerância e deram exemplo a todos os demais torcedores brasileiros, muitos dos quais já desistiram de ir ao estádio incomodados com a ditadura das organizadas – atitude, ressalto, justificável, pois é cada vez mais arriscado assistir a um jogo na arquibancada.

 

Muito provavelmente as facções continuarão a ocupar seus espaços, a maioria das vezes patrocinados por dirigentes e até jogadores. Mas ao menos ontem à noite o torcedor comum teve voz e venceu.