Conte Sua História de São Paulo: fui com meu pai na Galeria Pagé

Mario Pais

Ouvinte da CBN

Galeria Pagé
Galeria Pagé Foto: Luis Petrini Flickr

Nasci na Santa Casa em 1968, mas São Paulo já estava acordada havia muito tempo. Naquele dia, segundo meu pai, estudantes do Mackenzie ocupavam a Rua Maria Antônia. A cidade aprendia cedo que protesto também faz parte do seu idioma.

Cresci em Taboão da Serra, mas São Paulo sempre deu um jeito de me criar. Aos sete anos, meu pai — motorista de ônibus da Santa Cecília — decidiu que era dia de folga e de futuro. Fomos à Galeria Pagé comprar meu primeiro videogame. O trânsito travou no Viaduto do Chá e descemos do ônibus ali mesmo, suspensos sobre a cidade. Nunca esqueci a cena: uma multidão frenética, barulho, pressa, vida. Para ele, era só mais um dia. Para mim, foi o momento em que São Paulo se apresentou.

Com 11 anos, comecei a trabalhar como entregador de pão na região dos Jardins. A padaria ficava na Rua Cunha Gago. Hoje, a Panificadora San Siro está na Rua Artur de Azevedo — o melhor pão italiano de São Paulo.

Virei office boy na Avenida 9 de Julho esquina com a João Cachoeira, e aprendi a cidade andando: Paulista, Trianon, Pamplona, o centro antigo, os cartórios em volta do Fórum João Mendes. São Paulo não se ensina — se percorre. E eu percorri.

Nos intervalos, havia cinema no Iguatemi — Superman na tela grande — sessões da meia-noite às sextas e fliperama no Call Center quando sobrava tempo. Comi feijoada no Bolinha, admirei o prédio da Dacon, estudei Turismo na UNIP da Paulista. Fiz amigos de todas as zonas, porque São Paulo mistura gente antes de misturar ideias.

Na universidade, a recompensa era a Vila Madalena: cheia, barulhenta, generosa. Bares que começavam a noite e terminavam histórias. A semana só fazia sentido quando chegava a sexta-feira.

Trabalhei em um hotel no Itaim Bibi, depois na São Luiz, vendendo passagens da Transbrasil. Morei no Bixiga, atravessei fronteiras e, em 2000, mudei para os Estados Unidos. Mas São Paulo não se muda da gente.

Em 2016, voltei e fui morar novamente na Vila Madalena. Vivi ali durante a Copa do Mundo de 2018 — um sonho coletivo — e cruzava a cidade todos os dias de trem e metrô até a Vila Olímpia.

No primeiro encontro com minha mulher, fomos ao Belvedere do Trianon. A cidade lá embaixo, nós dois acima do tempo. O primeiro beijo a gente nunca esquece — e São Paulo estava olhando.

Voltei aos Estados Unidos ainda em 2018. Hoje moro fora, mas a cidade continua aqui dentro. Minha filha alugou um apartamento na Paulista, na mesma quadra onde estudei. Quando volto de férias, não visito São Paulo — eu a reencontro.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Mario Pais é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio.Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Beatriz Joaquim Ribeiro, da Diamante, explica como empresas podem atuar com as comunidades

Beatriz Joaquim Ribeiro Diamante Energia
Beatriz Joaquim Ribeiro no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti CBN

“O social hoje precisa sim de grandes parceiros, mas precisa também dessa escuta ativa, desse planejamento para entregar um resultado concreto, não uma coisa abstrata.”

Mais de 50% das mulheres atendidas pelo programa Mulheres Empreendedoras são mães solo, não concluíram o ensino médio e vivem com um salário mínimo. A iniciativa oferece cinco meses de capacitação e apoio para que elas possam buscar autonomia financeira e ingressar no mercado de trabalho. A relevância de as empresas desenvolverem programas como este foi um dos temas da entrevista com Beatriz Joaquim Ribeiro, gerente de responsabilidade social e governança da Diamante Geração de Energia, ao Mundo Corporativo, da CBN.

A Diamante Geração de Energia produz eletricidade em usinas termelétricas a carvão e atua no Sul e no Nordeste. A empresa opera o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, em Santa Catarina, e a usina Energia Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará. Segundo Beatriz, a companhia tem capacidade instalada de 1,82 gigawatt e, com a cadeia produtiva do carvão, movimenta cerca de R$ 6 bilhões na economia catarinense.

Projetos sociais começam pela escuta

Por atuar em duas regiões tão distantes do país — Santa Catarina e Ceará –, a empresa procura conhecer as necessidades de cada território antes de definir projetos. Para isso, conversa com lideranças e instituições locais e faz diagnósticos sobre o perfil das comunidades.

“Os desafios do Sul são completamente diferentes dos desafios do Nordeste”, afirma. Por isso, as iniciativas precisam respeitar as características de cada região e ser planejadas com quem conhece a realidade local.

O programa Mulheres Empreendedoras nasceu da busca por caminhos para ampliar a autonomia financeira de mulheres em situação de vulnerabilidade ou que tiveram direitos violados. A empresa reuniu prefeituras, serviços de assistência social e Polícia Civil para desenhar a iniciativa.

A formação inclui cursos, apoio psicológico e atividades voltadas ao empreendedorismo. O transporte também foi incorporado ao programa depois que parceiros apontaram que a falta de recursos dificultava a presença das participantes nas aulas. Ao fim do percurso, segundo Beatriz, sete em cada dez mulheres ingressam no mercado de trabalho.

Para o sucesso do programa, o acompanhamento das alunas é feito diariamente. A equipe procura entender por que elas faltam e quais condições podem ajudá-las a permanecer no curso. “É muito mais que um programa de capacitação”, diz Beatriz. Ela descreve a iniciativa também como um processo de autoconhecimento e de fortalecimento da confiança para buscar trabalho.

Relação com a comunidade e licença social

Uma ex-aluna da primeira turma, que tinha dificuldade para falar em público, identificou-se com as aulas de educação financeira. Depois de se capacitar, passou a dar cursos profissionalizantes nessa área e apresentou uma proposta para ensinar outras participantes.

Para Beatriz, empresas interessadas em desenvolver ações sociais devem começar com uma pessoa de referência para conversar com a comunidade, conhecer dados locais e estabelecer parcerias. A contribuição pode incluir recursos financeiros, voluntariado ou mão de obra. “Cada empresa conhece a sua realidade até onde ela pode atuar”, afirma.

A gerente também chama atenção para a relação entre a empresa e as pessoas que vivem no entorno. Na avaliação dela, essa relação influencia a reputação da organização e a forma como suas atividades são recebidas.

Beatriz define licença social como o apoio da comunidade à atuação da empresa naquela região. Para construir esse vínculo, afirma, é preciso entender as atividades da companhia, ouvir os moradores e manter diálogo com instituições locais.

Uma trajetória ligada à usina

A história de Beatriz com a região também passa pela empresa. Nascida em Tubarão, ela conta que a família paterna veio do Rio Grande do Sul para trabalhar na usina. O avô chegou como terceirizado; depois, outros familiares também se mudaram para a região. “Eu sou um grande exemplo disso, né? Os meus pais vieram por causa da usina”, diz.

Formada em Direito, Beatriz trabalhava com execução fiscal e área tributária quando surgiu uma vaga ligada a projetos sociais incentivados. Ela começou nessa frente e, com o tempo, passou a atuar também no desenvolvimento local e no diálogo com as comunidades.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a propaganda deve mostrar quem somos ou quem podemos ser?

Marcas que mostram apenas pessoas parecidas com o público podem deixar de inspirar mudanças e desejos. Essa é a discussão de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN. Eles trazem para nossa conversa uma ideia que, talvez, surpreenda muitos profissionais que se atentam aos números e esquecem do comportamento.

Jaime parte de uma pergunta: qual é o papel das marcas na vida das pessoas? Para ele, as marcas podem ajudar o consumidor a avançar e a buscar uma versão melhor de si mesmo. Uma faculdade pode abrir horizontes; um banco pode fazer alguém se sentir importante; um sabão em pó pode prometer roupas mais brancas. São benefícios que vão além da função prática: mobilizam desejos e expectativas.

O debate surgiu a partir de uma pesquisa com quase 1.200 mulheres. Segundo os dados citados por Jaime, 54% gostariam de ver diferentes tipos de corpos em propagandas. Em filmes, novelas e séries, esse índice chega a 52%. Já 42% disseram que anúncios com pessoas mais parecidas com elas poderiam influenciar mais suas decisões de compra.

Jaime interpreta essas respostas com cautela: os números registram o que as entrevistadas disseram, mas não provam, por si só, como elas se sentem ou como reagem a cada anúncio. Na avaliação dele, o desejo de se ver representada pode coexistir com a busca por referências que inspirem mudanças. “Isso é o que dizem, mas não é o que sentem”, afirma.

Cecília acrescenta que uma comunicação feita apenas como espelho pode sugerir que o consumidor já está satisfeito com o que é e não espera nada além da marca. Para ela, a publicidade pode construir uma ponte entre a maneira como as pessoas se veem e aquilo que gostariam de melhorar. “Sempre tem que ter alguns passinhos à frente”, diz.

Essa distância, porém, precisa ser possível de alcançar. Uma imagem idealizada e inatingível pode afastar o público. O desafio é apresentar uma referência que desperte vontade de avançar sem sugerir que alguém precisa se transformar por completo para ser aceito.

Como exemplo, Cecília lembra as campanhas da C&A com Gisele Bündchen. As consumidoras não precisavam se imaginar iguais à modelo. A presença dela podia funcionar como inspiração para explorar possibilidades de estilo e se sentir melhor com a própria aparência. A mesma lógica, observa Cecília, continua presente no trabalho de influenciadores: criar desejo e apresentar referências.

A discussão não elimina a importância da diversidade na publicidade. Ela aponta uma questão diferente: representar o público e oferecer aspiração podem caminhar juntos. A marca pode ampliar quem aparece na tela e, ao mesmo tempo, propor uma possibilidade de mudança que pareça próxima e desejável.

A marca do Sua Marca

A comunicação pode reconhecer o consumidor como ele é e, ao mesmo tempo, convidá-lo a dar um passo adiante. Para Jaime e Cecília, marcas que mobilizam esse desejo ajudam a construir vínculos e também podem estimular negócios.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: em busca da minha tribo

Lourdes Gutierres

Ouvinte da CBN

Centro Cultural Vergueiro
Centro Cultural de São Paulo Foto: MAURO CATEB/ Flickr


Qual a tribo? Foi o que pensei ao ver um agrupamento de jovens dançando no vão livre do Centro Cultural São Paulo, naquele final de tarde. E se algum deles dirigisse esta pergunta para mim, teria resposta? Adentrar em si mesmo, pode significar abertura de portal inglório, preferi tentar compreender o meu entorno. 

Lembrei do sociólogo francês Michel Maffesoli, que ao analisar o novo tipo de organização social na pós-modernidade, trouxe o conceito de mundo tribal; onde pertencer a uma tribo torna-se condição de existência. A aproximação entre indivíduos se dá entre aqueles que pensam e sentem de forma semelhante. Os que estão dentro decidem quem pode entrar e os que devem ser excluídos. Senti necessidade de refletir: com tantos retalhos sociais, como estabelecer a tecelagem da convivência? Quais os princípios de conexão? 

Voltando ao Centro Cultural, por certo grau de ousadia que imponho a mim mesma, me vi tentada a um desafio: adentrar a um desses espaços de jovens. Gostaria de saber qual a recepção. Seria considerada a tia mais velha, que poderia trazer algum lance de sabedoria? Ou ouviria algo do tipo “Aqui é nóis, senhora, cai fora!”. Minha escolha dependia da minha habilidade em decifrar os códigos que estavam à minha frente, ou seja, outro desafio, distinguir as diferenças entre os presentes. 

Embora não houvesse nenhuma marca no espaço físico, percebi que cada grupo estava em seu quadrado, movimentando-se em espaço delimitado, ao som de uma caixinha instalada no piso. 

Em uma roda, o rapaz de bermuda e camiseta larga, mexia os braços e as mãos de maneira rápida, em descompasso com quadris e pernas, enquanto outros do grupo assistiam ou esperavam a vez. Os movimentos amplos e exagerados eram sincronizados com a música. 

No espaço ao lado, em outro ritmo, jovens faziam pareciam imitar robôs, com músculos em contração e expansão. Em outro canto, a dança de um dos participantes era acompanhada pelos demais. 

Seus pés pareciam riscar o chão, em seguida as pernas se abriam como se estivesse cortando algo no ar, imitando uma tesoura. Seguiam a coreografia do street dance, identifiquei depois. Próximo a este grupo, estava o casal dançando tango, a moça de salto alto, vestido vermelho ajustado ao corpo insinuava-se na dança de sedução ao parceiro, um rapaz forte, de roupa preta. Perto da coluna, quatro moças ensaiavam uma performance diante da divisória de vidro que servia de espelho. Atrás do vidro, a roda de capoeira, com a ginga de dois rapazes no centro, traçando movimentos de defesa e ataque. Configurava-se o jogo da zebra, no qual a imitação do animal produzia marradas e coices, segundo a história que contava mestre Pastinha, o capoeirista. 

Onde eu estava mesmo? 

Os ponteiros giraram no sentido anti-horário e me vi onde nunca mais gostaria de estar. Minha juventude, passei em tempos sombrios, no qual uma simples palavra podia ser crime; um gesto mal interpretado, levaria à morte. Espiões se infiltravam nas escolas, agremiações, andavam por toda parte, até mesmo em festas. Acontecia de militares cercarem grupo de estudantes em festa, a música era interrompida, todos revistados como criminosos, alguns presos. Um tempo como dizia Chico Buarque, “minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão…” Com a mesma idade daqueles rapazes, um estudante de geologia foi torturado até a morte em março de 1973. Sabe-se que pouco antes de morrer, teve tempo de gritar: “Meu nome é Alexandre Vannucchi Leme, estudo na USP, e só disse meu nome”. A missa em sua memória foi celebrada  na Catedral da Sé pelo cardeal Paulo de Evaristo Arns, e ouviu-se lá o canto de Sérgio Ricardo: “Cala boca moço, cala a boca moço…” 

Onde eu estava mesmo? 

Reconheci naquele centro de cultura uma oca urbana. Cada tribo compartilhava o mesmo espaço, com um interesse comum: a expressão artística. Fora do círculo, o caos da cidade grande, pessoas apressadas, trânsito engarrafado, condução lotada e, o temporal que alagava tudo. Lá fora, violência, desemprego, miséria. Ali dentro, temporariamente, o medo estava suspenso. 

Sem conseguir reconhecer minha identidade, nem distinguir o papel de cada grupo, mesmo assim resolvi adentrar na oca – assistir ao show do grupo Bexiga 70. A energia vibrante dos instrumentos musicais de sopro, percussão e corda fez o público se levantar; acompanhava o ritmo com batidas dos pés, remexo dos quadris, sacolejo de corpo. Como ficar imóvel? Entrei no cordão que percorria o palco em trenzinho, o dedo indicador em movimento apontava para o vasto vão da vida, enquanto cantávamos: ôô—ô,ôô—ô. 

Entrei em que tribo mesmo? 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Lourdes Gutierres é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Para ler a crônica completa visite o meu blog miltonjung.com.br. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, conheça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

50 debates para o Brasil: caminhos para reduzir a desigualdade e ampliar oportunidades

O Brasil avançou no combate à pobreza, mas a desigualdade continua a definir quem tem acesso a estudo, trabalho, renda e cultura. Como romper esse ciclo? A pergunta encerra a série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN, que reuniu o economista Vladimir Maciel e a educadora Ana Helena Altenfelder para discutir crescimento, políticas públicas e mobilidade social.

Maciel defende que o crescimento econômico pode reduzir a pobreza quando mais pessoas conseguem entrar no mercado de trabalho e produzir. Para isso, afirma, é preciso diminuir barreiras à atividade econômica, como a burocracia e as dificuldades para formalizar negócios. Ele cita a baixa posição do Brasil em indicadores internacionais de liberdade econômica e argumenta que uma economia mais aberta pode ampliar as oportunidades de trabalho e renda.

“É difícil você produzir, empreender, conseguir realizar suas transações”, disse Maciel. Na avaliação dele, o mercado pode contribuir para reduzir a desigualdade ao tirar pessoas da pobreza. Há, porém, desigualdades que exigem outras respostas. Diferenças de remuneração entre grupos e privilégios no serviço público, por exemplo, dependem de escolhas sociais e de mudanças nas instituições, argumentou.

Altenfelder concorda que o crescimento econômico, sozinho, não garante a inclusão. Ela defende políticas que ampliem as oportunidades desde a juventude, como transferência de renda, acesso e permanência na escola e oferta de atividades culturais. “Não basta aumentar a produtividade esperando que isso puxe todo mundo”, afirmou. Para ela, enfrentar a desigualdade também pode favorecer o crescimento, ao reduzir o desperdício de talentos e ampliar a produtividade.

A educadora lembrou que as desigualdades não se limitam à renda. Raça, gênero e região também influenciam as oportunidades e as condições de vida. Como exemplo, apresentou a trajetória de Maria, uma mulher negra da periferia que deixou a escola, trabalha em jornada 6 por 1, enfrenta longos deslocamentos e ainda cuida sozinha dos filhos e da mãe idosa. A pergunta que fica é se faltou esforço a Maria ou se lhe faltaram oportunidades reais. Altenfelder aponta medidas como creches, educação de qualidade, transporte, moradia e políticas de combate às desigualdades raciais e de gênero.

O desafio, segundo os debatedores, é combinar condições para produzir e trabalhar com políticas capazes de ampliar as oportunidades e enfrentar desigualdades que o mercado, por si só, não resolve.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de São Paulo: os passeios da família mineira na capital paulista

Hamilton Oliveira

Ouvinte da CBN

Túnel 9 de Julho, em São Paulo Foto: arquivo

Era o início dos anos 1960.

Saíamos de Belo Horizonte bem cedinho, com destino à cidade de São Paulo, pela rodovia Fernão Dias, em um pequeno veículo, um DKW-Vemag. Na direção, meu avô. No banco ao lado, minha avó. Atrás, minha mãe, eu, com dez anos, e mais duas primas, também crianças.

Na metade do trajeto, em Campanha, onde havia uma parada da Cometa, estacionávamos na beira da estrada e, à sombra de eucaliptos, a vovó estendia uma toalha xadrez para um lanche com farofa e quitutes.

Chegávamos a São Paulo à noitinha e nos hospedávamos na casa de uma tia, no bairro da Bela Vista, talvez na Rua Dr. Plínio Barreto.

Da varanda, no sexto andar, eu avistava a boca do túnel da 9 de Julho e, na praça, via aqueles pequenos carrinhos Romi-Isetta e também os Fuscas da polícia, pintados de preto e branco. Era tudo novidade para o mineirinho.

Fazíamos passeios pelo centro da cidade, pelo Viaduto do Chá e pelo Vale do Anhangabaú. As compras eram no Mappin e na Sears. Não existiam os shoppings.

No fim de semana, descíamos a serra pela Via Anchieta, apreciando a mata, os viadutos e os túneis, com destino a Praia Grande, passando por Santos, São Vicente e pela ponte estaiada, até uma pequena casa de praia da tia, bem ao lado de um pequeno aeroclube.

Os banhos de mar eram em água limpa, numa praia de areia limpa e plana. Era um passeio maravilhoso que deixou saudades.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Hamilton P. Oliveira  é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie o seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcas do Conte Sua Historia de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: o cabelo cortado por ordem do senhor Natal

Rubens Batista Rodrigues

Ouvinte da CBN

Foto: Jean depocas on Pexels.com

A profissão de office boy, na São Paulo de 1976, era ponto de partida para a carreira de muitos jovens da periferia que temiam ficar desempregados perto da época do alistamento militar.

Eu morava na Penha e todos os dias pegava o ônibus Parque Dom Pedro, onde os office boys da Zona Leste se encontravam. No centro, cada um seguia seu rumo. O meu era a rua 24 de Maio, onde ficava a Gelre, empresa em que eu trabalhava.

Vestia o uniforme da firma, um terninho um número maior do que o meu, e tênis no pé. Enfrentava filas nos bancos e me virava para dar conta de todas as tarefas. Solícito e apagador de incêndio que era, aceitava sem reclamar.

Graças a esse meu perfil, me transferiram para a avenida Paulista, para uma empresa onde nenhum garoto Gelre, como éramos chamados, queria trabalhar. Tinham medo da rispidez do chefe.

A empresa ficava no número 949, em frente ao prédio da Gazeta. Do outro lado da avenida, os estudantes do Colégio Objetivo sentavam na escadaria com seus óculos degradê, cabelos parafinados e blusão amarrado na cintura.

Eu, adolescente dos anos 1970, me apresentei na Celanese do Brasil cabeludo e com um camisão cor-de-rosa todo bordado nas costas.

Assim que pisei na empresa, me deparei com o senhor Natal, que foi logo avisando:

— A empresa recebe pessoas muito importantes e você terá que cortar o cabelo.

No segundo dia de trabalho, já com o cabelo cortado, recebi outra advertência. E uma verba para voltar ao barbeiro e cortar mais curto ainda.

Meu trabalho era percorrer a região da Paulista, Brigadeiro Luís Antônio, Consolação e Pamplona, passando nos bancos, pegando correspondências, levando malotes e enfrentando filas.

Certa vez fui entregar uma correspondência na Camargo Corrêa, na rua Funchal. Me perdi no meio da chuva e fui parar na Marginal Pinheiros, onde os carros passavam jogando barro em mim.

No dia seguinte, levei bronca do senhor Natal: o envelope chegara molhado e eu ainda o havia deixado na recepção, em vez de entregar em mãos.

A vida de office boy também tinha seu glamour. No meu aniversário e no fim do ano, o pessoal da empresa fazia vaquinha para me presentear.

Conheci gente famosa, como o ator Carlos Alberto Riccelli, que esteve na empresa na época em que interpretava Aritana, novela da TV Tupi. As secretárias não paravam de passar pela recepção para ver o galã.

Também conheci o ator João Paulo Adour, na subida da rua Pamplona. Ele me abordou para pedir uma informação. Afinal, não havia Maps nem Waze naquela época.

E teve uma despedida que ficou na memória.

Menino tímido da periferia, tremi que nem vara verde quando recebi um beijo de uma secretária lindíssima do Banco Francês e Brasileiro. Ela havia passado em um concurso para a Caixa Econômica Federal e não veria mais o “homem da Celanese”, como me chamava.

Era uma brincadeira com a propaganda da empresa, que dizia: “Chame o homem da Celanese!” e mostrava um homem voando pela janela.

Décadas depois, de certa maneira, o homem da Celanese também voou.

Fui para a área de tecnologia da informação. Na memória ficaram aquelas ruas, os malotes, as filas dos bancos, o terninho grande, o cabelo cortado por ordem do senhor Natal e as lembranças de uma São Paulo que se transformou com a tecnologia.

A mesma tecnologia que transformou o mundo do trabalho e hoje me permite trabalhar em home office.

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Rubens Batista Rodrigues é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite meu blog, miltonjung.com.br, e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: amor à primeira viagem

Roseanne Decanini

Ouvinte da CBN

Foto de Sergio Souza on Pexels.com

Meu amor por São Paulo começou cedo, quando eu tinha apenas seis anos de idade. Foi naquela primeira viagem, ao lado da minha mãe, que a cidade me conquistou para sempre. Viajávamos de trem, em vagão-leito, privilégio de filha de ferroviário. Foram doze horas de expectativa até chegar à Estação da Luz — um cenário que até hoje mora na minha memória.

Ficamos hospedadas no apartamento dos meus tios, em Pinheiros. Enquanto minha mãe ia ao hospital visitar meu irmão, que estava internado devido a um tumor na cabeça, eu permanecia no apartamento, encantada, observando a cidade pela janela do quarto. 

Via a movimentação da rua, os troleibus passando, as pessoas indo e vindo, a garoa fina caindo… Tudo aquilo era moderno, vibrante, fascinante para uma criança do interior. Naquele momento, pensei: “Gostaria de morar aqui.”

Achava lindas as mulheres sempre bem arrumadas, os homens elegantes, as pizzas deliciosas que comíamos. Mas, como tudo na vida, aquela temporada chegou ao fim e voltamos para Assis, minha cidade natal.

Anos depois, quando minha irmã se formou em Enfermagem, ela me convidou para ir com ela para São Paulo, onde haveria mais oportunidades. Não pensei duas vezes. Embarquei novamente rumo à cidade que já morava no meu coração.

E São Paulo me abraçou. Foi ali que cresci de verdade como pessoa. De uma caipira do interior, tornei-me uma paulistana antenada. Tive boas oportunidades de trabalho, estudei, me formei, amadureci. Trabalhei no centro de São Paulo, em banco, e morava próxima à Marechal Deodoro, perto do Minhocão e da antiga sede da Rede Globo.

Vivi intensamente a cidade: ia ao Mappin admirar vitrines e promoções, conheci o Museu do Ipiranga, caminhei pelo Largo São Bento, frequentei o Shopping Ibirapuera, fui ao cinema — ah, que delícia ir ao cinema! — ao teatro, às pizzarias, andei pela Avenida Paulista, onde também trabalhei, e aproveitei o Parque do Ibirapuera.

São Paulo é isso: cultura, movimento, oportunidades, acolhimento. É uma metrópole linda, pulsante, que transforma e impulsiona quem nela vive. São Paulo é, sem dúvida, a cidade do meu coração. E a quem fala mal dela, só lamento. Gostaria que nossos políticos tivessem o mesmo olhar carinhoso que nós, paulistanos de alma, temos por ela, e a tratassem tão bem quanto ela nos trata e acolhe.

Uma cidade que não apenas se visita — se vive, se ama e se leva para sempre na alma.

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Roseanne Decanini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sabatina com Ronaldo Caiado: uma corrida contra o tempo

Ronaldo Caiado
Caiado na sabatina Foto: reprodução do vídeo no YouTube

Caiado chegou reclamando do tempo e foi embora clamando por mais tempo.

Antes de a nossa sabatina começar, contou que os 40 minutos destinados a ele na noite anterior, na TV Globo, eram poucos para detalhar seu plano de governo. Por isso, precisou ser mais genérico. Na abertura da conversa, voltou ao assunto: “a eleição é muito curta”.

Pensei que a hora e meia das nossas sabatinas saciasse a fome de falar do candidato.

Ledo engano.

Ao encerrarmos, Caiado ainda sugeriu que poderia ficar com o tempo destinado a Lula e Flávio Bolsonaro, que não aceitaram nosso convite. “Você poderia ter me dado as três horas que eles teriam direito para eu poder continuar aqui o debate”, disse.

O tempo é realmente um problema para o ex-governador de Goiás.

Não apenas porque ele gosta de falar. E fala muito. Caiado parece apreciar o exercício da oratória. A pergunta oferece o ponto de partida; ele escolhe o percurso. Há respostas que começam em Brasília, fazem escala em Goiás e precisam ser conduzidas de volta ao assunto original.

O problema maior é que o relógio eleitoral não tem a mesma paciência.

Faltam 39 dias para o primeiro turno. Caiado precisa convencer o eleitor de que é uma alternativa a Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, de que seria capaz de derrotar Lula no segundo turno.

Na sabatina promovida por Globo, Valor e CBN, ao lado de Malu Gaspar, Maria Cristina Fernandes e Lauro Jardim, ficou claro que ele decidiu não economizar palavras nem adversários.

Bateu forte em Lula. Criticou Flávio Bolsonaro e sua família. Atacou decisões e comportamentos de ministros do Supremo. E, quando dados negativos de Goiás eram apresentados, frequentemente contestava os dados, a interpretação ou a fonte.

Foi assim na discussão sobre o crescimento dos feminicídios no estado. Caiado relativizou a estatística, recorreu à conhecida imagem da pessoa com a cabeça no forno e os pés no freezer (mesmo que a analogia estivesse fora do tempo) e, em seguida, enumerou as políticas que adotou para proteger mulheres.

Também reagiu quando uma pesquisa acadêmica colocou sob escrutínio mortes em intervenções policiais em Goiás. Em vez de se limitar aos números, questionou o trabalho e sugeriu que seu autor pudesse ter vínculos com grupos ligados à defesa de integrantes de facções.

Caiado não gosta de perder o controle da narrativa sobre Goiás.

E compreende-se por quê. Seu estado é o principal argumento de sua campanha.

Na economia, lembra as dificuldades fiscais que encontrou. Na educação, fala das escolas, dos computadores, da alimentação e até da grama esmeralda — para falar dela encontrou tempo, repetiu o feito umas três vezes. Na segurança, cita a redução dos homicídios. Sempre que perguntamos sobre o Brasil que pretende governar, Goiás aparece como prova de que ele sabe fazer.

A questão é saber como transformar Goiás em Brasil.

Esse desafio apareceu quando cobramos detalhes do programa econômico. Caiado promete estabilizar a dívida pública, preservar ganhos do salário mínimo, aposentadorias e pisos de saúde e educação, além de manter políticas sociais. Para fechar a conta, fala em combater excessos, rever incentivos fiscais e reorganizar gastos.

Quando pedimos definições mais concretas, porém, algumas ficaram para depois.

Na discussão sobre a escala 6×1, por exemplo, declarou-se favorável à redução da jornada, mas disse que ainda seria preciso encontrar uma solução para pequenas e microempresas. Instado a apresentar essa solução, não a apresentou. Pouco depois, resumiu sua personalidade política numa frase: “Eu sou sim ou não? Quente ou frio? Morno eu vomito.”

Talvez tenha sido o melhor retrato daqueles 90 minutos.

Caiado gosta das temperaturas altas do discurso. Fala com convicção, repete palavras, interpela os entrevistadores, conta histórias, usa exemplos médicos e imagens religiosas. Às vezes responde à pergunta com outra pergunta. Outras vezes contesta a premissa.

Não é um candidato de voz baixa.

Nem de respostas pequenas.

Quando perguntamos como pretende conquistar os eleitores que hoje estão com Flávio Bolsonaro, ele praticamente apresentou sua estratégia: gostaria de ter oportunidades frequentes para falar por uma hora e meia.

Voltamos, portanto, ao tempo.

Talvez Caiado acredite que seu principal problema eleitoral seja de exposição: se tiver minutos suficientes, conseguirá explicar quem é; se explicar quem é, convencerá o eleitor; se convencer o eleitor, romperá a polarização.

Há uma crueldade no calendário eleitoral.

Pode-se pedir mais cinco minutos ao entrevistador. Pode-se lamentar os 40 minutos da televisão. Pode-se reivindicar as horas deixadas na mesa pelos candidatos ausentes.

Não se pode pedir mais 39 dias ao calendário.

Para Ronaldo Caiado, a questão talvez não seja conseguir mais tempo para falar.

É descobrir, antes que o tempo acabe, o que precisa dizer.

Assista à sabatina Globo, Valor e CBN com Ronaldo Caiado

50 debates para o Brasil: casamento homoafetivo opõe igualdade de direitos e concepções sobre a família

Há 15 anos, casais do mesmo sexo podem formar uma família reconhecida juridicamente no Brasil, mas esse direito ainda não está expresso em uma lei aprovada pelo Congresso Nacional. O tema foi discutido na série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN, com Maria Berenice Dias, vice-presidente nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), e Dienny Riker, doutora em Direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

O ponto central do debate foi se o Congresso deve incluir expressamente na legislação o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou o tema deve permanecer submetido às regras atuais e à interpretação consolidada pela Justiça?

Desde 2011, o Supremo Tribunal Federal reconhece a união estável entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça determinou que os cartórios não podem se recusar a celebrar casamentos civis homoafetivos ou converter uniões estáveis em casamento.

Contrária à mudança na legislação, Dienny Riker argumentou que a divergência não está no valor afetivo das relações homoafetivas, mas no próprio conceito de casamento. Para ela, historicamente o Estado regulamenta o casamento por sua relação com a formação da família, a geração de filhos e a responsabilidade dos pais.

“O Estado não tem interesse em regular a nossa afetividade”, afirmou. Segundo Riker, redefinir o casamento apenas a partir do vínculo afetivo enfraquece a relação histórica entre casamento, sexualidade e parentalidade.

Ela também argumentou que a preservação do casamento como união entre homem e mulher está relacionada à liberdade religiosa e de consciência. Na sua avaliação, pessoas que adotam essa concepção por razões religiosas ou filosóficas devem ter o direito de manifestá-la sem serem tratadas como homofóbicas.

Maria Berenice Dias contestou a ideia de que a finalidade principal do casamento seja a procriação. Para ela, essa interpretação não corresponde à realidade das famílias brasileiras.

“O casamento não tem a finalidade de procriação”, afirmou. Ela lembrou que casais heterossexuais podem se casar mesmo quando não desejam ou não podem ter filhos. Também destacou que casais homoafetivos podem exercer a parentalidade por adoção ou reprodução assistida.

Na sua interpretação, o Estado deve reconhecer relações que criam direitos, deveres e consequências patrimoniais, independentemente da orientação sexual dos integrantes do casal. “Essa é a finalidade do Estado”, disse.

Outro ponto de divergência foi o papel do Legislativo. Riker sustentou que a ausência de uma lei aprovada pelo Congresso indica que não houve consenso social suficiente para alterar o conceito tradicional de casamento. Ela questionou o fato de uma mudança dessa dimensão ter ocorrido pela via judicial e não por votação dos representantes eleitos.

Maria Berenice rejeitou a interpretação. Segundo ela, a resistência parlamentar pode refletir o receio dos congressistas de contrariar parcelas conservadoras do eleitorado, e não necessariamente a posição da maioria da população. Para a jurista, deixar essas relações sem reconhecimento expresso na legislação contribui para manter famílias juridicamente vulneráveis.

O debate coloca frente a frente diferentes concepções sobre família, igualdade perante a lei, liberdade religiosa e o papel do Congresso e do Judiciário na definição de direitos civis.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.