A CBN lidera entre as rádios de notícias preferidas pelos principais executivos do país

Radio CBN

Pesquisa sobre os hábitos de informação de presidentes, vice-presidentes e diretores de empresas mostra que 54% dos entrevistados citam a CBN entre suas rádios de notícias favoritas.

O percentual era de 52% em 2021.

A CBN aparece bem à frente das demais emissoras citadas: a Rádio Bandeirantes tem 25% das menções e a Jovem Pan, 23%.

O levantamento foi feito pela agência InPress Porter Novelli e pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados, o IBPAD.

Foram entrevistados 107 executivos de 13 setores da economia, entre abril e julho deste ano. Nove em cada dez trabalham em empresas de grande porte.

A pesquisa revela também uma mudança interessante no consumo de informação: jornais e podcasts ganharam espaço nos últimos cinco anos.

Os sites e portais de notícias continuam sendo a principal fonte de informação geral, citados por 64% dos executivos.

Os jornais impressos aparecem com 22%, um crescimento de 12 pontos percentuais desde 2021.

O maior avanço foi dos podcasts. Eles passaram de apenas 3% para 17% das preferências — aumento de 14 pontos percentuais.

E a CBN também aparece nesse formato.

Entre 93 podcasts diferentes mencionados pelos executivos, os podcasts da CBN ficaram com 7% das citações, empatados com os da Market Makers. À frente aparecem O Assunto, do g1, e Café da Manhã, da Folha de S.Paulo, ambos com 10%.

A pesquisa mostra ainda que 84% dos executivos têm um jornal impresso favorito. Em 2021, eram 47%.

O Valor Econômico lidera, citado por 63% dos entrevistados que apontaram jornais favoritos. Em 2021, eram 32%.

Na televisão, a GloboNews lidera entre os canais e telejornais mencionados, com 45% das citações.

E há presença da CBN também entre os jornalistas considerados mais influentes.

Lauro Jardim, de O Globo e comentarista da CBN, lidera a lista, com 15% das citações. Malu Gaspar, de O Globo, CBN e GloboNews, aparece logo depois, com 14%. Míriam Leitão, que também participa da programação da CBN, tem 12%.

O levantamento indica que, mesmo com o crescimento das redes sociais e da inteligência artificial, executivos continuam recorrendo a veículos jornalísticos para confirmar informações e tomar decisões.

Em média, os entrevistados passam duas horas por dia consumindo informação. Desse total, 73 minutos são dedicados ao noticiário geral.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: conflitos entre gerações no trabalho vão além da comunicação

Quase metade dos profissionais brasileiros afirma já ter enfrentado algum conflito no trabalho relacionado a diferenças de idade ou geração. O dado, de uma pesquisa sobre relações intergeracionais, foi tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo.

O levantamento foi realizado pela TroianoBranding e pela consultoria de tendências Deson para a Maturi, plataforma voltada à capacitação e empregabilidade de profissionais com mais de 50 anos. A pesquisa ouviu trabalhadores de diferentes faixas etárias e procurou entender o que acontece quando várias gerações dividem o mesmo ambiente profissional.

Hoje, empresas podem reunir profissionais das gerações baby boomer, X, Y e Z. A geração Alpha também começa a se aproximar do mercado de trabalho. Essa convivência amplia a possibilidade de troca de experiências, mas também expõe diferenças de valores, expectativas e formas de encarar o trabalho.

Segundo Cecília Russo, 45% dos entrevistados disseram já ter vivido algum conflito com profissionais de outra geração. A tensão aparece especialmente nas duas pontas da escala etária.

“Quem é mais velho é considerado desatualizado. Quem é mais jovem é considerado imaturo”, afirmou Cecília.

O dado chama atenção para uma característica do etarismo, preconceito baseado na idade. Embora seja frequentemente associado à discriminação contra pessoas mais velhas, ele também pode atingir os jovens, tratados como inexperientes ou incapazes simplesmente por causa da idade.

“O etarismo na nossa sociedade é o preconceito mais bem aceito”, disse Cecília. Expressões como “velho demais” ou “jovem demais”, segundo ela, ainda circulam com naturalidade nos ambientes sociais e profissionais.

Comunicação é veículo, não causa

A pesquisa também procurou identificar o que está por trás desses conflitos. À primeira vista, muitos entrevistados apontam problemas de comunicação entre as gerações. Jaime Troiano chama atenção, porém, para uma camada mais profunda.

“Não é só comunicação, pessoal. Comunicação é apenas o veículo”, afirmou.

Segundo Jaime, quando os pesquisadores aprofundaram as respostas, apareceram questões como diferenças de valores, de percepção sobre hierarquia, de opinião e até do nível de dedicação esperado no trabalho.

Isso significa que melhorar canais de comunicação pode ajudar, mas não resolve sozinho o problema. O desafio está em criar pontos de convergência entre profissionais que foram formados em épocas diferentes e, por isso, podem ter expectativas distintas sobre carreira, autoridade, tecnologia e relações profissionais.

Propósito pode funcionar como ponte

A pesquisa aponta um possível caminho. Para 65% dos entrevistados, um propósito autêntico e legítimo ajuda a reduzir conflitos geracionais. Em outras palavras, pessoas de diferentes idades podem se aproximar quando entendem e compartilham uma razão comum para o trabalho que realizam.

Existe, porém, uma distância entre discurso e prática: 58% afirmam que as empresas falam mais de propósito do que efetivamente o praticam.

“Há claramente um espaço para trabalhar esse tema importante, o propósito, de uma forma que ele seja uma ponte verdadeira e uma ponte que integre pessoas de gerações tão diferentes”, disse Jaime.

O desafio para as empresas, portanto, não é apagar as diferenças entre gerações. É impedir que elas sejam transformadas automaticamente em estereótipos. Mais do que administrar um conflito de gerações, a oportunidade está em promover encontros entre gerações.

A marca do Sua Marca

Empresas precisam criar condições para que profissionais de diferentes idades trabalhem em torno de objetivos comuns, sem reduzir ninguém à geração a que pertence. O propósito pode ajudar nessa aproximação, desde que seja percebido na prática e não apenas no discurso. Como resumiu Cecília Russo, “empresas e marcas precisam dialogar igualmente com as gerações”.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

50 debates para o Brasil: classificação de facções como terroristas divide especialistas

PCC e Comando Vermelho movimentam bilhões de reais, controlam territórios e construíram redes criminosas que ultrapassam as fronteiras brasileiras. A possibilidade de enquadrar essas facções como organizações terroristas foi tema da série 50 Debates Para o Brasil, do Jornal da CBN, com Paulo Storani, antropólogo e capitão veterano do BOPE, e Mário Sarrubbo, ex-secretário nacional de Segurança Pública e ex-procurador-geral de Justiça de São Paulo.

Storani defende a classificação. Para ele, as facções deixaram de ser apenas grupos dedicados ao tráfico de drogas e passaram a exercer funções que desafiam diretamente o poder do Estado. O controle de territórios, a cobrança de taxas, a imposição de regras próprias e o uso de armamento de guerra seriam sinais dessa transformação.

“Nós estamos falando de controle de território, nós estamos falando de cobrança de taxa. Nós extrapolamos isso”, afirmou.

Storani argumenta que a mudança também poderia ampliar a cooperação internacional para rastrear movimentações financeiras, rotas do tráfico de drogas e armas e outros negócios das facções. Na avaliação dele, a legislação e as políticas adotadas pelo Brasil não conseguiram impedir o fortalecimento dessas organizações.

O ex-integrante do BOPE citou o Rio de Janeiro como exemplo. Segundo ele, grupos criminosos controlam parcelas importantes do território e submetem milhões de moradores a regras impostas fora da estrutura legal do Estado.

Mário Sarrubbo contesta o enquadramento. Para ele, a legislação brasileira sobre terrorismo exige motivações que não correspondem à atuação do PCC e do Comando Vermelho.

“As facções brasileiras hoje são verdadeiras empresas do crime que buscam lucro e não têm nenhum tipo de ideologia ou aspecto político”, afirmou.

Esse é um ponto central da divergência. Sarrubbo sustenta que as facções têm como objetivo principal o ganho econômico. A classificação como terrorismo, portanto, não descreveria corretamente a natureza dessas organizações e tampouco forneceria os instrumentos necessários para enfrentá-las.

O ex-secretário nacional de Segurança Pública também questiona o argumento de que a mudança facilitaria a cooperação com os Estados Unidos. Segundo ele, Brasil e autoridades americanas já mantêm canais de colaboração policial. A classificação poderia deslocar o assunto para áreas de inteligência e segurança nacional, tornando essa relação mais complexa.

A divergência também está no diagnóstico

Storani considera que a expansão das facções revela falhas do Estado e defende maior rigor no tratamento da criminalidade organizada. Sarrubbo também identifica omissão estatal, mas aponta outro caminho.

Para ele, a prioridade deve ser ocupar os territórios abandonados pelo poder público, investir em inteligência e nas polícias civis, aumentar a capacidade de esclarecer crimes e atingir o patrimônio e o fluxo financeiro das organizações.

“O caminho é a inteligência, o caminho é investir em polícia civil, o caminho é desarmamento, esclarecimento de crimes”, disse Sarrubbo.

O debate, portanto, não se resume ao nome dado às facções. A questão é saber se classificá-las como terroristas acrescentaria instrumentos concretos ao Estado ou se desviaria o foco de medidas consideradas mais eficazes para enfraquecer seu poder econômico, territorial e armado.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

50 debates para o Brasil: juízes discutem qual a relação ideal de trabalho para motoristas e entregadores de APP

A expansão das plataformas digitais mudou a forma de trabalhar e abriu uma discussão que ainda está longe de um consenso: motoristas e entregadores de aplicativos devem ser considerados empregados ou trabalhadores autônomos? O tema foi debatido na série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN, que reuniu a juíza federal do trabalho Tacela Cordeiro Sileno e o juiz do trabalho Murilo Carvalho Sampaio Oliveira para discutir os limites entre autonomia, proteção social e legislação trabalhista.

O debate partiu de uma constatação: a tecnologia criou um novo modelo de organização do trabalho que desafia as regras construídas ao longo do século passado. Embora ambos os convidados defendam a necessidade de ampliar a proteção aos trabalhadores de plataformas, eles divergem sobre o caminho para alcançar esse objetivo.

Tacela Cordeiro Sileno entende que a legislação atual não responde às características desse modelo de prestação de serviços. Para ela, enquadrar esses profissionais apenas como empregados ou autônomos reduz uma realidade mais complexa. A magistrada defende uma regulamentação específica, capaz de preservar a flexibilidade do trabalho sem abrir mão da proteção social. “Eu acredito que uma regulamentação específica seria um modelo ideal para proteção social desses trabalhadores”, afirmou.

Na avaliação da juíza, essa regulamentação deveria tratar de temas como cobertura previdenciária, remuneração mínima, transparência nos algoritmos utilizados pelas plataformas e regras próprias para esse tipo de atividade. Ela lembrou que o ordenamento jurídico brasileiro já prevê legislações específicas para outras categorias profissionais e considera que o mesmo poderia ocorrer com os trabalhadores de aplicativos.

Murilo Carvalho Sampaio Oliveira segue outra linha de raciocínio. Para ele, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) já oferece instrumentos suficientes para reconhecer o vínculo empregatício quando houver controle da atividade pelas plataformas. Segundo o magistrado, elementos como definição de preços, avaliação permanente do motorista, escolha das corridas e monitoramento em tempo real caracterizam uma relação de subordinação.

“Se a plataforma exerce controle, ela é empregadora. Essa que é a grande questão”, resumiu.

Murilo argumentou ainda que a própria CLT passou por mudanças para acomodar formas mais flexíveis de trabalho, como ocorre com motoristas profissionais e contratos intermitentes. Na sua avaliação, retirar esses trabalhadores da proteção trabalhista pode abrir caminho para um modelo em que empresas mantenham forte controle sobre a atividade sem assumir as responsabilidades decorrentes da relação de emprego. “Se esse modelo vingar, a gente terá o fim do direito do trabalho e o fim da proteção social”, afirmou.

Ao longo da conversa, também foi discutido o desafio de equilibrar interesses distintos: garantir renda e proteção aos trabalhadores, manter a sustentabilidade econômica das plataformas e preservar preços acessíveis para os usuários. A divergência entre os debatedores não esteve no diagnóstico de que o trabalho por aplicativos exige proteção, mas na forma jurídica mais adequada para oferecê-la. De um lado, a criação de um novo marco regulatório. De outro, a aplicação das regras já previstas na legislação trabalhista quando houver os elementos que caracterizam uma relação de emprego.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

Sua Marca Será um Sucesso: Por que a Coca-Cola muda sem perder o reconhecimento?

Coca-Cola Nova Marca

Mudar pode ser uma necessidade para uma marca. O desafio está em fazer isso sem romper a relação de confiança construída com o público ao longo do tempo. Esse foi o tema do ‘Sua Marca Será um Sucesso’ com Jaime Troiano e Cecília Russo no Jornal da CBN, inspirado na mudança e visualização da identidade da Coca-Cola.

Sempre que uma marca conhecida globalmente muda sua aparência, há reações instantâneas. Alguns elogiam, outros criticam e alguns argumentam que a mudança era necessária. Para a Coca-Cola, a transformação foi sutil. O logotipo tradicional foi mantido, a faixa branca voltou ao logotipo na embalagem e a identidade visual da família de produtos começou a se alinhar com o antigo.

Cecília Russo diz que o maior risco nem sempre é mudar. Em muitos casos, o perigo é ficar parado enquanto o mercado, os consumidores e a cultura mudam. Ela nos lembra que a evolução da identidade visual não se limita ao design de um logotipo. Trata-se de como a marca acompanha os tempos sem abrir mão do que a tornou reconhecível.

A história da Coca-Cola nos ajuda a entender esse processo. A cor vermelha, os elementos gráficos simplificados, a tipografia reorganizada e a embalagem da empresa foram gradualmente alterados ao longo de mais de um século. Essas são mudanças quase invisíveis por si só, mas que funcionam juntas para manter a marca em funcionamento sem estranhamento.

A estratégia é uma grande expressão de um princípio essencial de branding: inovação não significa romper com o passado. Significa manter o que é a essência da marca para permanecer relevante.

Na verdade, Jaime Troiano expande essa reflexão para uma ideia fundamental de construção de marca: consistência. Ele afirma que os clientes desenvolvem relações de confiança uma vez que conhecem uma marca ao longo do tempo e sabem o que esperar dela. “As pessoas constroem relações de confiança quando reconhecem uma marca ao longo do tempo”, diz Jaime Troiano. “Elas sabem o que esperar dela, sem medo de serem traídas pela marca.”

Para explicar essa ideia, Jaime faz uma comparação com as próprias pessoas. As pessoas evoluem seu modo de vestir, trabalhar e até falar ao longo da vida, mas ainda são identificadas pelo que veem e pelo que são. De certa forma, é assim com as marcas. A identidade visual da marca pode evoluir se o significado da marca ainda for reconhecível.

É essa lógica que nos permite entender por que mudanças muito abruptas tendem a ser recebidas com resistência. Quando uma empresa descarta coisas que simbolizam a história da empresa, corre o risco de romper o vínculo emocional que foi construído ao longo de décadas. Um exemplo foi a Jaguar, marca inglesa de carros de luxo, que foi obrigada a revisar uma mudança de identidade, que havia gerado uma enorme reação pública por não levar em conta coisas consideradas essenciais para o seu público.

No caso da Coca-Cola, a avaliação é que a empresa encontrou um equilíbrio entre renovação e continuidade. Como resumiu Jaime, a marca “promoveu uma mudança, sinalizou que está se movimentando”, mas, como a Cecília falou, preservou o essencial na busca do novo.”

Saiba mais em “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o case infeliz da Jaguar” e no artigo “O Jaguar ferido: se algo pode dar errado, dará”.

A Marca da Sua Marca

Com boas marcas, a evolução é um processo constante. A mudança é possível e deve acontecer se não destruir a confiança, o reconhecimento e o significado que são construídos ao longo do tempo.

Ouça Sua Marca Será um Sucesso

Sua Marca Será um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após as 7h50, no Jornal da CBN, com apresentação de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: seis princípios essenciais para fortalecer a sua marca

Foto de Olya Kobruseva on Pexels.com

Construir uma marca sólida depende menos de fórmulas prontas e mais da capacidade de ouvir, comunicar, aprender e manter coerência ao longo do tempo. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN. Após mais de uma década de conversas com os ouvintes, eles decidiram revisitar conceitos que consideram fundamentais para quem deseja desenvolver uma marca consistente. 

Jaime Troiano inicia a lista de recomendações lembrando que uma marca precisa, antes de tudo, saber escutar: “Não só ouça, porque ouvir é uma coisa fisiológica. Escuta exige empatia e compreender o que de fato elas estão sentindo e querendo dizer.” A diferença entre ouvir e escutar parece sutil, mas faz toda a diferença. Ouvir é perceber sons; escutar significa interpretar sentimentos, necessidades e expectativas das pessoas que se relacionam com a marca.

O segundo ponto trata da comunicação. Jaime compara essa atividade à proteína que fortalece os músculos do corpo. Na visão dele, a comunicação fortalece a identidade da marca e está presente em cada detalhe da experiência do consumidor. A forma de receber um cliente, a apresentação dos funcionários, a organização da loja, o funcionamento do site e o atendimento fazem parte da mensagem transmitida pela empresa. Comunicação, portanto, não depende apenas de campanhas publicitárias ou grandes investimentos.

Outro aspecto essencial envolve quem trabalha dentro da organização. Jaime lembra que “são os seus colaboradores os primeiros que precisam acreditar no que essa marca promete.” Quando a equipe conhece os valores da empresa e acredita neles, torna-se a principal embaixadora da marca perante clientes e parceiros.

Na sequência, Cecília Russo destaca a importância das histórias. Para ela, contar uma boa narrativa não significa criar um discurso bonito, mas construir uma promessa capaz de resistir ao teste da realidade. Como resume, “ela precisa sempre contar uma história. É o famoso storytelling. E uma história que seja sustentável.” Em outras palavras, aquilo que a marca comunica precisa ser confirmado pela experiência do consumidor.

A quinta recomendação é medir regularmente a percepção do público. Cecília cita o NPS (Net Promoter Score), indicador que avalia a disposição dos clientes em recomendar uma empresa. A pergunta é simples: de zero a dez, qual a probabilidade de indicar essa marca para outra pessoa? Quem responde nove ou dez tende a ser promotor; quem atribui notas de zero a seis demonstra insatisfação; já as notas sete e oito representam neutralidade. O acompanhamento periódico desse indicador ajuda a identificar pontos fortes e fragilidades antes que pequenos problemas se transformem em obstáculos maiores.

Por fim, Cecília reforça a necessidade de acompanhar o mercado com humildade. Observar concorrentes não significa copiar estratégias, mas compreender que nenhuma empresa evolui isoladamente. Conhecer boas práticas, identificar mudanças de comportamento dos consumidores e entender os movimentos do setor são atitudes que contribuem para decisões mais consistentes.

A marca do Sua Marca

Uma marca forte não nasce de uma única campanha nem de um investimento elevado. Ela é construída diariamente por meio da escuta ativa, da coerência entre discurso e prática, da comunicação presente em cada contato, do compromisso das pessoas que representam a empresa, da avaliação constante da experiência do cliente e da disposição para aprender com o mercado.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Rodolfo Chung, da Memed, explica por que parceria virou peça central na digitalização da saúde

Rodolfo Chung, MEMED
Rodolfo Chung no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Para quem você cria valor, não necessariamente é com quem você deveria monetizar.”

Só cerca de 15% das prescrições médicas no Brasil são digitais, enquanto a maior parte do sistema de saúde ainda opera em um modelo fragmentado, no qual médicos, farmácias, laboratórios, hospitais e planos de saúde trocam pouca informação entre si. Foi a partir desse diagnóstico que a Memed estruturou seu negócio e buscou crescer conectando atores que, em geral, trabalham de forma isolada. O assunto foi tema de entrevista com Rodolfo Chung, CEO da Memed, ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Chung descreveu um setor em que há muitos participantes, mas pouca integração. “É impressionante como são tantos atores na saúde e parece que ninguém conversa com ninguém. Ninguém parece que coopera com ninguém. É tudo quebrado, tudo separado”, afirmou. Na visão dele, esse cenário abre espaço para modelos que unam diferentes agentes em torno de um mesmo processo. “Eu acho que tem uma oportunidade enorme nesse setor de saúde da gente unir mais cada um desses atores, são todos importantes, mas são todos isolados.”

A Memed nasceu nesse ponto de encontro. A plataforma, conhecida pela receita médica digital enviada ao paciente por SMS ou WhatsApp, precisa operar em contato com médicos, pacientes, farmácias, laboratórios, clínicas, hospitais, planos de saúde, órgãos reguladores e indústria farmacêutica. “A Memed ela é especial porque ela toca em vários, quase todos os atores da saúde”, disse Chung.

Um negócio que decidiu não cobrar de médico nem de paciente

Um dos pontos centrais da entrevista foi a lógica de negócio da empresa. Fundada por médicos da cidade de Avaré, no interior de São Paulo, há 15 anos, a Memed optou por ampliar a adoção de sua plataforma antes de buscar faturamento. Havia a convicção de que o negócio não deveria priorizar a cobrança do serviço nem dos médicos nem dos pacientes. Esse modelo foi mantido por anos. “A Memed durante muitos anos, ela passou sem faturamento, sem receita”, afirmou.

A mudança veio quando a empresa definiu quem financiaria a operação sem alterar a proposta original. E isso ocorre com a chegada de Rodolgo Chung ao comando da Memed. “Hoje ela já sabe como se manter e ela sempre vai ser de graça para o médico, para o paciente, para a farmácia. Ela nunca vai precisar cobrar do paciente nem do médico.”

Segundo Chung, quem sustenta esse modelo é a indústria farmacêutica, interessada em se comunicar com médicos que estão espalhados por todo o país — mais de 500 mil profissionais. Hoje, cerca de 150 mil utilizam a Memed todos os meses. Nesse contexto, a plataforma funciona como uma espécie de “Google da prescrição”: ao indicar um medicamento, o médico visualiza alternativas terapêuticas disponíveis no mercado. Parte dessas opções ganha maior visibilidade a partir de acordos com os fabricantes, em uma lógica que lembra os links patrocinados dos buscadores, aplicada ao ambiente médico.

A lógica por trás desse arranjo resume a visão de parceria defendida pelo executivo. “Você pode muito bem criar valor para um ator, para uma entidade e cobrar ou criar valor para uma outra. Não tem que ser linear dessa forma.” E completou: “A Memed é assim, por isso que ela pensa que ela cria valor para o médico, mas não necessariamente ela precisa cobrar do médico.”

Parceria no lugar da verticalização

O presidente da Memed argumentou que nem todo elo da cadeia precisa se transformar em fonte direta de receita. Em muitos casos, o ganho está na cooperação e na integração. “Na maioria das vezes é uma troca de integração, de parceria, eu faço o negócio dele ser melhor, ele faz o meu negócio ser melhor e não precisa ter uma troca monetária nisso.”

Essa ideia aparece, por exemplo, na relação com as farmácias. Embora a Memed tenha testado o varejo farmacêutico, decidiu não seguir por esse caminho. “A Memed escolheu não fazer o varejo farmacêutico, não entrar nesse setor de compra e venda de remédios”, afirmou. A avaliação da empresa foi direta: havia especialistas mais preparados para essa etapa do processo. “Eu não acho que a gente tem uma competência de fazer esse negócio melhor do que a própria farmácia.”

Em vez de concorrer, a opção foi cooperar. “A gente reconhecendo a fortaleza desse setor achou que era muito melhor ajudar a conectar, a integrar, a digitalizar do que concorrer com eles”, disse. É dessa escolha que nasce a defesa de um modelo mais horizontal. “Foca no que você faz bem feito e procura parceiros para as outras coisas. Dessa forma, você consegue fazer com que a jornada seja mais fluída.”

A digitalização ainda avança devagar

Mesmo após 15 anos de operação, a digitalização da prescrição médica ainda enfrenta resistência. Chung reconheceu que a mudança de hábito é lenta, especialmente entre profissionais mais experientes. “Os mais experientes usam menos e acho que é uma curva natural”, afirmou. Ainda assim, ele vê crescimento consistente: “Eu estimo que ela cresça 35% todo ano.”

Na avaliação do executivo, o digital já oferece vantagens objetivas em relação ao papel. Uma delas está na segurança. Ao tratar das receitas de medicamentos de controle especial, ele defendeu que o sistema eletrônico deveria ocupar posição central. “Digital é mais seguro. Digital você traqueia, você monitora as fraudes”, disse. E reforçou: “O digital deveria ser melhor.” A nova regulamentação da Anvisa pode acelerar essa transição. Provavelmente em abril, os remédios tarjas preta poderão ser prescritos também pelo sistema digital.

A prescrição digital também resolve situações práticas do dia a dia do paciente. Chung citou o caso de tratamentos longos, em que a pessoa não consegue comprar toda a medicação de uma vez. “No digital, não”, respondeu, ao explicar que o saldo remanescente da receita pode ser reutilizado eletronicamente. “Você pode reutilizar o saldo que sobrar.” Ou seja, se você recebeu uma receita para usar o remédio por três meses, obrigatoriamente você não precisar comprar três caixas do remédio de uma só vez. Poderá comprar mês a mês, sem necessitar de uma nova receita.

Inteligência artificial e o futuro da saúde

O impacto da inteligência artificial no setor também foi tema discutido com Rodolfo Chung. Para ele, a tecnologia deve ampliar a capacidade de médicos e pacientes, sem substituir a decisão humana. “A gente sempre vai achar que a IA é um superpoder para o médico, nunca para substituir o médico”, afirmou.

Ele vê a saúde como uma das áreas mais afetadas por essa transformação, seja na redução da burocracia, seja no apoio à decisão clínica, seja no acesso do paciente à informação. “O paciente vai se beneficiar muito com IA … o nível de informações, de engajamento, o empoderamento do paciente; isso vai ser muito importante.”

Ao relacionar essa visão ao modelo da Memed, Chung deixa claro que a empresa pretende seguir apostando na combinação entre tecnologia e cooperação. Numa área em que cada ator costuma cuidar apenas do seu pedaço, a estratégia é construir conexões duradouras. A receita, nesse caso, não sai apenas do consultório. Ela depende da capacidade de fazer setores diferentes trabalharem juntos.

Assista ao Mundo Corporativo

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Mundo Corporativo: Dimas Covas, da Sinovac, ensina que a ciência é uma grande repetição de erros consertados

Dimas Covas, Sinovac
Dimas Covas em entrevista no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti CBN


“Hoje, a economia mundial é uma economia de disputa tecnológica.”


A pandemia de Covid-19 expôs uma fragilidade do Brasil: a dependência de medicamentos e vacinas produzidos no exterior. Ao mesmo tempo, revelou a capacidade científica do país em participar de pesquisas e testes clínicos em escala internacional. Esse cenário ajuda a explicar o interesse de empresas globais em ampliar suas operações por aqui. O tema foi discutido pelo cientista Dimas Covas, chefe de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Sinovac, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN.


Covas construiu carreira na universidade, na gestão pública e agora atua em uma empresa privada de biotecnologia. Ele conta que decidiu trabalhar na fronteira entre ciência e aplicação prática ainda no início da sua carreira. “Desde muito cedo, eu falei: ‘Olha, a minha área de pesquisa vai ser com desenvolvimento de produtos biotecnológicos’.”


A motivação veio da própria experiência médica. No início da carreira, ele percebeu que muitos pacientes dependiam de tratamentos que ainda não existiam ou não estavam disponíveis. A pesquisa passou a ser o caminho para ampliar essas possibilidades.

A trajetória de Covas inclui a direção de centros públicos de pesquisa e produção, como o Instituto Butantan. Para ele, a gestão pública foi uma escola de administração e de enfrentamento de limites estruturais. “É muito mais difícil você ser gestor público do que você ser um gestor privado”, afirma.

No ambiente empresarial, a lógica muda porque os recursos e as equipes podem ser organizados com mais rapidez. “A iniciativa privada é um paraíso. Para quem trabalhou na iniciativa pública durante tanto tempo, é um paraíso.” Mesmo assim, ele afirma que o objetivo permanece o mesmo: desenvolver soluções de saúde que tenham impacto direto na vida das pessoas.


Por que o Brasil entrou no radar da Sinovac

A relação da Sinovac com o Brasil se fortaleceu durante a pandemia, quando a CoronaVac foi testada e produzida em parceria com o Instituto Butantan. A experiência abriu caminho para projetos mais amplos. Segundo Covas, o país reúne características importantes para a pesquisa biomédica: população numerosa, universidades com tradição científica e capacidade para conduzir estudos clínicos.

A empresa pretende criar uma estrutura permanente de pesquisa, desenvolvimento e produção, inicialmente no interior de São Paulo. O plano inclui novas tecnologias, como vacinas de RNA e terapias celulares. Uma enorme oportunidade para pesquisadores e cientistas brasileiros.

Na avaliação do cientista-chefe da Sinovac no Brasil, o país precisa definir prioridades claras para avançar em inovação. “O Brasil precisa dizer assim: ‘Olha, eu quero ir nesse caminho, nesse caminho e nesse caminho. E vou dar condições para que isso aconteça’.”

Ele lembra que a competição global mudou de natureza. O diferencial agora está na capacidade tecnológica.

“Hoje, a economia mundial é uma economia de disputa tecnológica.”

Para Covas, o Brasil tem universidades capazes de formar bons pesquisadores. O problema aparece depois da formação, quando muitos profissionais não encontram oportunidades para aplicar o conhecimento. Projetos de pesquisa ligados à indústria podem ajudar a reduzir essa distância entre universidade e mercado.

Otimista em relação aos avanços que as pesquisas da Sinovac podem ter no Brasil, Covas ressalta que quem trabalha com ciência precisa aceitar que os resultados surgem após várias tentativas. “O erro é a parte mais importante do aprendizado. Quer dizer, se a gente não erra, a gente não aprende.” Ele descreve a pesquisa científica como um processo contínuo de correção e aprimoramento. “Na realidade, a ciência é uma grande repetição de erros consertados.”

Esse método também pode orientar decisões em empresas privadas de diversos setores da economia. Covas defende que gestores usem dados e evidências para decidir, da mesma forma que pesquisadores fazem em laboratório.

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Conte Sua História de São Paulo: o teatro das segundas-feiras no fim de expediente

Cintia Capello Rezende

Ouvinte da CBN

Foto de Gustavo Denuncio on Pexels.com

Em 1980, conquistei meu primeiro emprego com carteira assinada. Tinha 18 anos, morava no Imirim com meus pais e minha irmã. O Centro da cidade parecia um território distante, um mundo enorme para ser desvendado.

Fui trabalhar no Banco Noroeste, na rua Boa Vista. Era a mais jovem do departamento. Observava, aprendia e tentava me adaptar à rotina daquele mundo novo. 

Logo percebi que meus colegas mantinham uma tradição, um hábito curioso. Às segundas-feiras, saíam rapidamente do trabalho, atravessavam o Viaduto do Chá e seguiam para o Teatro Municipal. Ali assistiam às apresentações gratuitas de música, teatro e balé — um presente inesperado no começo da semana.

Resolvi acompanhar o grupo. Na primeira vez, assisti à peça Pedro e o Lobo, com participação de uma orquestra cujo nome, infelizmente, não guardei. Guardei, no entanto, algo muito mais importante: a emoção. Até hoje me faltam palavras para descrever o que sentiu aquela menina da periferia ao entrar no Teatro Municipal e ouvir uma orquestra ao vivo. Era mais do que cultura; era pertencimento.

Passei a ser presença constante nas segundas-feiras do Municipal. O trabalho me abriu portas que eu sequer sabia que existiam. Caminhar do banco até o teatro era atravessar não apenas o centro da cidade, mas também limites pessoais que eu imaginava intransponíveis. 

Um dia, sem aviso, as apresentações foram interrompidas. O ritual terminou. A lembrança, não. Ela segue viva como você pode perceber nesta história de conto de São Paulo.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Cintia Capello é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Stanford mandou avisar que ainda não sou velho; alguém pode contar para o plano de saúde?

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Acordei nesta manhã um pouco mais jovem. E não foi a sequência de exercícios, com musculação e bicicleta, a que tenho me dedicado nos últimos anos, que me concedeu esse prêmio. Nem a alimentação, que ainda precisa de um controle maior — desde que a Dra. Márcia não se atreva a mexer na minha taça de vinho. A juventude fora de hora me foi oferecida em formato de notícia.

Quando o dia está amanhecendo e estou à mesa de café da manhã, a Letícia Valente, produtora do Jornal da CBN, me envia pelo WhatsApp sugestões de assuntos para o bate-papo que faço na passagem do programa Primeiras Notícias para o Jornal da CBN. Uma das mensagens que chegaram hoje, publicada em O Globo, se destacava pela manchete: “Quando começa a velhice? Estudo indica marco biológico aos 78 anos”.

Sério? Faz uns dois anos que dizem que sou velho porque passei a marca dos 60. Agora vem essa novidade: velho mesmo só aos 78.

A reportagem fala de um estudo da Universidade de Stanford sobre o desenvolvimento biológico do envelhecimento. A conclusão dos pesquisadores veio da observação de mudanças bruscas nas proteínas plasmáticas, moléculas que circulam no sangue e indicam o estado geral de saúde do organismo. Essas proteínas são como ajudantes de bastidor: mantêm o equilíbrio de líquidos, carregam nutrientes, defendem o corpo de infecções. Quando mudam de comportamento — aos 34, 60 e 78 anos — sinalizam que o corpo virou a página e entrou em outra fase.

Se, do ponto de vista biológico, eu ainda não sou velho, do ponto de vista burocrático o sistema já me carimbou faz tempo. Ser 60+ nos oferece algumas vantagens: prioridade no recebimento da restituição do Imposto de Renda, gratuidade no transporte coletivo, meia-entrada em espetáculos, vaga privilegiada no estacionamento e fila preferencial nos serviços de atendimento (e no embarque do avião, também). Quem não gosta? Por outro lado, com o aumento dessa população — já somos milhões de pessoas acima dos 60 — tudo isso gera mais custos para quem concede essas vantagens.

Já assistimos a movimentos para que os direitos concedidos a idosos sejam limitados a pessoas um pouco mais velhas, tipo 65+. O estudo talvez possa ser usado para radicalizar ainda mais e convencer legisladores a adiar os benefícios apenas para aqueles que tiverem atingido os 78 anos.

A depender de mim, sem problema. Posso abrir mão de furar fila no embarque e no caixa — desde que os planos de saúde também abram mão de tratar quem tem 60 como se estivesse à beira do fim. Se biologicamente a velhice começa aos 78, a tabela de preços bem que podia acompanhar.