Avalanche Tricolor: Que saudade !

 

Grêmio 2 x 2 Atlético MG
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foi uma noite para relembrar os anos 1990. Naquela época trabalhava na TV Cultura e deixava a redação lá pelas 10 da noite quando o jogo do Grêmio já havia se iniciado. Pegava meu carro, ligava o rádio e escorregava o ponteiro do dial até o ponto mais à esquerda, próximo dos 500 mghz. Era ali que conseguia sintonizar, entre chiados e descargas elétricas, emissoras de rádio do Rio Grande do Sul. Ou a Guaíba ou a Gaúcha, dependia da condição meteorológica. Demorava no caminho, estendia meu caminho e dava preferência às Marginais, onde o som ficava um pouco melhor. Na maior parte das vezes era difícil até mesmo de distinguir quando o gol era do Grêmio ou do adversário.

Ontem à noite, saí de uma palestra da comunicação quando a partida do Grêmio estava se iniciando. Abri o Ipad, cliquei no aplicativo da rádio CBN e acessei a emissora de Belo Horizonte que estava com sua equipe no estádio Olímpico, em Porto Alegre. Durante todo o caminho até minha casa, demorado devido ao congestionamento, ouvi a partida em seus detalhes sem qualquer interferência. Transformei meu moderno tablet no velho radinho de pilha com a vantagem dele me permitir acesso a emissoras que não são aqui da cidade.

As diferenças de como e o que ouvia nos anos de 1990, infelizmente, não se resumem a qualidade do som e o meio de transmissão. Naquela época, o time era treinado por Luis Felipe Scolari e dava orgulho torcer por aqueles jogadores.

Jornalistas aderem a serviço chamado de idiota por Jabor

 

Arnaldo Jabor está com raiva da internet pelos textos apócrifos que o transformam em machista, gay, corno, idiota e facista – palavras dele. Tanto ódio que descreveu o Twitter, que está nas mãos de mais de 44,5 milhões de pessoas pelo mundo, como “a revolução dos idiotas on line”, no Estadão de domingo. Ainda bem que nem todos analisam o microblogging de maneira figadal.

Pesquisa on line com mais de 900 jornalistas brasileiros, realizada pela S2 Comunicação Integrada, mostra que quase metade deles usa o Twitter, seja para assuntos pessoais, seja profissionais. Apenas o “velho” Orkut, de 2004, tem maior participacão de jornalistas entre as redes sociais com a presença de 83,46% dos entrevistados.

Como o Twitter é das redes a mais recente, comecou em 2007, a pesquisa evidencia forte adesão por parte da mídia ao microblogging. Com 48,77% da preferência dos jornalistas, superou o Facebook (33,11%), My Space (20,09%), Flickr (18,94%) e Linkedin (15,81%).

A pesquisa constatou que quase 80% dos jornalistas de todo o Brasil estão em redes sociais, havendo maior predominância entre os de São Paulo (83,25%) e menor entre os da região Sul (72,01%). Leve em consideração que a participacão no levantamento foi espontânea e on line, portanto a tendência é que mais profissionais com habilidade na internet tenham aceitado responder as questões.

É curioso notar que boa parte do acesso às redes sociais ocorre de casa, conforme resposta de 75% dos jornalistas paulistas e da região Sul. Fico imaginando que isto ainda se deva a falta de permissão para o uso desses serviços no local de trabalho, o que se consagra um enorme erro na estratégia corporativa, pois as redes sociais são rica fonte de informação.

Jornalista que ainda não enxergou isto é um idiota.

Obs 1:Veja aqui outros resultados da pesquisa sobre uso das redes sociais, realizada pela S2

Obs 2: Antes de criticar o Jabor entenda o pensamento dele lendo o artigo completo

MediaOn: Internet, jornalismo e negócio

 

Foi Pedro Doria, quem sempre gostei de ler e está no meu Bloglines, que resumiu a conversa que tivemos nesta manhã no primeiro painel de debates do dia no MediaOn: “a internet foi feita para o jornalismo, ainda que não profissional”. A discussão foi batizada pelos organizadores “Revolução Digital – o planejamento dos grandes grupos de mídia num universo de mudanças”. E foram desafiados a falar sobre o tema, além do editor-chefe de conteúdos digitais do Estadão, Fabiana Zanni, diretor de mídias digitais da Abril, e Antonio Guerreiro, diretor de conteúdo do R7.com.

As propostas desses encontros costumam ser pretensiosas para o tempo oferecido, mas da conversa foi possível tirar a temperatura do trabalho realizado em algumas das grandes organizações de comunicação do País. Do Estadão que “está no azul”; da Abril que “cresce em visitas 73%, enquanto o mercado aumenta 20%”; do R7.com que “montou um portal em cinco meses e tem, hoje, 160 funcionários”. Aspas para afirmações de cada um de seus representantes.

Fabiana, concisa em sua apresentação inicial, falou o suficiente para mostrar como a Abril aplica o conceito de 360o. em seu negócio. Títulos de revistas que sempre fizeram sucesso na banca, (Capricho foi o exemplo) ganham importância nas redes sociais, na construção de sites e blogs específicos. Para o negócio se manter “acreditamos na publicidade, mas também em e-commerce, transação de produtos e abertura de outros negócios”.

Guerreiro deu ênfase na ideia de que o R7.com é independente da Record. Busca no Twitter mostra que não convenceu a audiência com este discurso. Por falar no micro-blogging prometeu que o mais novo portal da rede vai trabalhar o Twitter de uma maneira diferente. De tudo, gostei quando explicou da linguagem usada nos textos da internet: “No R7 nós contamos, não redigimos. Compramos, não adquirimos”. Bom se no rádio se investe nesta ideia sem ser popularesco.

De volta ao Pedro Dória, o cara do Link, lembrou que o jornalismo foi criado para servir comunidades e alimentá-las de informação. Por isso, acredita que a notícia bem apurada é que dará sustentação para o negócio da internet. Estou com ele, mas ainda assim tenho dúvidas de que isto será suficiente para viabilizar as empresas no ambiente de internet.

Fui chamado de “antigo” por um tuiteiro devido a insistência em saber como estas organizações vão arrumar dinheiro para manter os jornalistas empregados e produzindo conteúdo. Sabe-se, por exemplo, que os grandes portais ainda são subsidiados. Por quanto tempo isto será possível ? Ou necessário ? Parece que ainda há gente que acredita que a internet – livre, geral e irrestrita – vai viver de luz.

Doria, Fabiana e Guerreiro não pensam assim. Pelo bem do jornalismo.