MediaOn: Internet, jornalismo e negócio

 

Foi Pedro Doria, quem sempre gostei de ler e está no meu Bloglines, que resumiu a conversa que tivemos nesta manhã no primeiro painel de debates do dia no MediaOn: “a internet foi feita para o jornalismo, ainda que não profissional”. A discussão foi batizada pelos organizadores “Revolução Digital – o planejamento dos grandes grupos de mídia num universo de mudanças”. E foram desafiados a falar sobre o tema, além do editor-chefe de conteúdos digitais do Estadão, Fabiana Zanni, diretor de mídias digitais da Abril, e Antonio Guerreiro, diretor de conteúdo do R7.com.

As propostas desses encontros costumam ser pretensiosas para o tempo oferecido, mas da conversa foi possível tirar a temperatura do trabalho realizado em algumas das grandes organizações de comunicação do País. Do Estadão que “está no azul”; da Abril que “cresce em visitas 73%, enquanto o mercado aumenta 20%”; do R7.com que “montou um portal em cinco meses e tem, hoje, 160 funcionários”. Aspas para afirmações de cada um de seus representantes.

Fabiana, concisa em sua apresentação inicial, falou o suficiente para mostrar como a Abril aplica o conceito de 360o. em seu negócio. Títulos de revistas que sempre fizeram sucesso na banca, (Capricho foi o exemplo) ganham importância nas redes sociais, na construção de sites e blogs específicos. Para o negócio se manter “acreditamos na publicidade, mas também em e-commerce, transação de produtos e abertura de outros negócios”.

Guerreiro deu ênfase na ideia de que o R7.com é independente da Record. Busca no Twitter mostra que não convenceu a audiência com este discurso. Por falar no micro-blogging prometeu que o mais novo portal da rede vai trabalhar o Twitter de uma maneira diferente. De tudo, gostei quando explicou da linguagem usada nos textos da internet: “No R7 nós contamos, não redigimos. Compramos, não adquirimos”. Bom se no rádio se investe nesta ideia sem ser popularesco.

De volta ao Pedro Dória, o cara do Link, lembrou que o jornalismo foi criado para servir comunidades e alimentá-las de informação. Por isso, acredita que a notícia bem apurada é que dará sustentação para o negócio da internet. Estou com ele, mas ainda assim tenho dúvidas de que isto será suficiente para viabilizar as empresas no ambiente de internet.

Fui chamado de “antigo” por um tuiteiro devido a insistência em saber como estas organizações vão arrumar dinheiro para manter os jornalistas empregados e produzindo conteúdo. Sabe-se, por exemplo, que os grandes portais ainda são subsidiados. Por quanto tempo isto será possível ? Ou necessário ? Parece que ainda há gente que acredita que a internet – livre, geral e irrestrita – vai viver de luz.

Doria, Fabiana e Guerreiro não pensam assim. Pelo bem do jornalismo.

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