Conte Sua História de São Paulo: resta agradecer por tantos que acolheu

 

Por Marcia Lourenço
Ouvinte da CBN

 

 

Minha Cidade

 

Parabéns minha cidade,
Cidade em que nasci,
Que abriga tanta gente,
Perto..longe..logo ali. 

 

Da garoa és chamada
Uns, selva de pedra até, 
Mas cabe dizer também, 
Que és trabalho, amor e fé.

 

Terra que gera riquezas
Do trabalho aliada.
És constante em prosseguir 
Numa infinita jornada.

 

O progresso tem seu preço,
Muita coisa se perdeu, 
Resta agradecer ó terra,
Por tantos que acolheu. 

 

Do norte, nordeste ao sul,
Do grande chão brasileiro,
Abriu as portas enfim ,  
A povos do mundo inteiro.

 

Deixo aqui o meu carinho,
Em forma de oração:
Deus abençoe São Paulo 
Do fundo do coração.❤

 

Marcia Ap. Lourenço da Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe da série especial de aniversário da cidade: escreva seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: o planejamento começa antes de você gastar o primeiro centavo, diz Ladmir Carvalho

 

 

 

 

“O planejamento começa antes de você gastar o primeiro centavo no negócio; a primeira coisa que nós temos de de fazer para entender um negócio é entender a dor daquele que você quer atingir. Todo negócio precisa de cliente; então todo, todo cliente tem uma dor, uma necessidade, uma carência …” — Ladmir Carvalho, presidente da Alterdata Software

 

 

Para que o empreendedorismo transforme-se em uma alternativa sustentável é importante que se faça um planejamento que leve em consideração a sua personalidade, a identificação do cliente que você pretende atingir e o estabelecimento de metas, entre outras tarefas. Ao não respeitar alguns desses passos, o risco é que o negócio aberto diante de enorme expectativa e muitas vezes como única alternativa para o profissional se manter no mercado de trabalho tenha o mesmo fim que cerca de 341 mil empresas brasileiras — esse é o número aproximado de empresas que fecharam nos últimos três anos, segundo levantamento do IBGE.

 

 

O Mundo Corporativo entrevistou Ladmir Carvalho, presidente da Alteradata Software, que tem se dedicado a incentivar a abertura de novos negócios, compartilhando o conhecimento adquirido ao longo de sua carreira como empresário e baseado na metodologia Empretec, da ONU, que busca capacitar as pessoas a desenvolver um comportamento empreendedor.

 

 

Em conversa com o jornalistas Mílton Jung, Carvalho fez sugestões aos pequenos empreendedores:

 

 

“O empreendedor pequeno é aquela pessoa que tem de entender um pouco de cada coisa; é completamente diferente do executivo de uma grande empresa, que está muito focado naquilo que ele está fazendo: marketing, finanças … O empreendedor pequeno tem de entender um pouco de cada coisa e aí torna-se a coisa mais complexa”.

 

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da CBN, na página da emissora no Facebook e no perfil @CBNOficial do Instagram. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10h30 da noite, em horário alternativo.

Sua Marca: nerds deixaram de ser uma figura oculta e foram absorvidos pela cultura do espetáculo

 

 

“É como se a sociedade tivesse olhado para o nerd na sua polaridade positiva, o cara que estuda, que cria, que tem ideia, que está lá fuçando nas coisas e não mais aquele que fica fechado, fica isolado” — Cecília Russo

 

A CCXP-2018, feira de games, quadrinhos, séries e filmes, realizada em São Paulo, recebeu 262 mil pessoas e movimentou cerca de R$ 50 milhões, segundo os organizadores. Recordes que ratificam a forte presença do mundo geek na sociedade, em uma reviravolta no olhar que a sociedade e as marcas tinham em relação aos nerds. A ressignificação do papel do nerd foi tema do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo, que foi ao ar sábado, dia 8 de dezembro.

 

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O físico Stephen Hawking, que morreu em março deste ano, foi uma das figuras que mais colaboraram para essa ressignificação, ao mostrar com seu trabalho e conhecimento que o nerd tinha, sim, um papel fundamental na transformação e evolução da sociedade, na opinião de Jaime Troiano:

 

“(O nerd) deixou de ser a figura oculta e passou a ser absorvido pela cultura do espetáculo”.

 

Outra figura importante nessa mudança, lembra Cecília Russo, é o personagem Sheldon Cooper, protagonizado pelo ator Jim Parsons, na série The Big Bang Theory, que aproximou a personalidade dos nerds ao público em geral. As marcas perceberam essa mudança e têm lançado produtos voltados ao cenário geek, como é o caso da Riachuelo, Imaginarium e Chilli Beans.

 

Pegando a mesma onda dos nerds, é evidente o investimento crescente das marcas e empresas no segmento de esportes eletrônicos ou eSports. A cultura dos games tem movimentado milhões de dólares e fãs por todo o mundo, com a criação, inclusive, de novas oportunidades no mercado de trabalho.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN, tem a apresentação de Mílton Jung e a participação de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: sem medo de se arriscar porque a oportunidade vem da mudança, diz Cláudia Woods da Webmotors

 

 

“Não tenha medo de se arriscar, muitas vezes as pessoas ficam apegadas ao emprego que têm um plano de carreira claro; e muitas vezes a oportunidade vem da mudança, de você se abrir para uma coisa diferente” — Claudia Woods, Ceo Webmotors

 

A tecnologia, em todas suas formas e dimensões, têm provocado mudanças em carreiras profissionais e nos mais diversos ramos de negócio. Alguns setores já se sentem fortemente impactados e outros começam a perceber que se transformar é inevitável. Quem souber se adaptar às novas exigências tem vida longa no mercado de trabalho. Cláudia Woods, CEO da Webmotors, usa de parte da experiência que adquiriu em sua carreira para falar sobre a influência do ambiente digital no desenvolvimento das pessoas e dos negócios.

 

Nesta entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Woods falou da necessidade de os profissionais mudarem seu comportamento e do que os líderes buscam no momento em que procuram colaboradores preparados para a transformação tecnológica:

 

“Cada vez mais os líderes estão buscando pessoas pelas suas competências, ou presentes ou futuras: que tipo de líder você é, como você trabalha em grupo, como você lida com a diversidade. Ou seja, essa questão de atitudes e valores, ela passa a ter uma importância muito grande”

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da CBN e nos perfis da rádio no Facebook e no Instagram (@CBNoficial). O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. E aos domingos, às 22h30, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Rafael Furugen, Guilherme Dogo, Débora Gonçalves e Nathalia Mota.

Sua Marca: renove seu olhar sobre a geração com mais de 60 anos

 

 

 
 

 

 

“Os baby boomers têm demandas específicas e as empresas não podem abrir mão deles” — Jaime Troiano.

  

 

Apesar de algumas empresas e marcas já começarem a desenvolver estratégias para a geração nascida após a Segunda Guerra Mundial até a metade da década de 1960, a maior parte ainda não percebeu o grande potencial de consumo dessas pessoas mais maduras. Entre 2012 e 2016, o número de brasileiros com 60 anos ou mais cresceu 16% e, segundo a consultoria SeniorLab, esse grupo será responsável por 30,6% do consumo, até 2030. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo e Jaime Troiano chamam atenção para a necessidade de se renovar o olhar para as gerações mais antigas, pois, como os dados têm mostrado, além de numerosos, elas têm poder de compra.

  

 

“O Brasil sempre teve uma visão de país jovem, teve esse cultivo pela síndrome de Peter Pan”, diz Cecília para explicar a miopia em relação aos idosos. Ela alerta que a estratégia precisa mudar pois os idosos hoje têm renda discricionária maior, pois vivem mais e não precisam assumir a responsabilidade de custear gastos da época em que os filhos estavam em casa, transformando-se em um mercado interessante.

  

 

A PreventSenior, na área de saúde, é um exemplo de empresa que se dedicou às pessoas com mais de 60 anos, inclusive adotando a ideia da senioridade no nome. Jaime e Cecília citaram mais duas marcas que se voltaram aos idosos: Angels4You, que presta serviço de cuidador, e a Morar.com.vc, que trabalha com o compartilhamento de casa.

  

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, 7h55, no Jornal da CBN.

Sua Marca: comunicar é dar vida para a sua presença

 

 

“Comunicar é dar vida para a sua presença; é fazer com que ela seja percebida” — Jaime Troiano

 

Ao lembrar o Dia Mundial da Propaganda, comemorado em quatro de dezembro, o programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso retoma e renova uma máxima que definiu a propaganda ao longo de sua história: é a alma do negócio. Jaime Troiano diz que se entendermos a propaganda como todas as formas de contato que estabelecemos com os clientes, essa ideia “continua valendo e valendo muito”. Cecília Russo concorda e acrescenta: “o que se ampliou de forma exponencial foram os canais”.

 

Como o assunto é propaganda, eles chamam atenção para duas mentiras que muitas vezes atrapalham a estratégia de empresas e marcas. A primeira, é que propaganda resolve tudo, ou seja, uma boa comunicação seria suficiente, independentemente da qualidade do produto e serviço ou da forma como se relaciona com os clientes. A segunda, vai no sentido oposto: propaganda não resolve nada. Diante de “marcas silenciosas”, as pessoas acabam atribuindo conteúdos que nem sempre são os desejados.

 

Não abra mão dessa ferramenta de comunicação, “as ideias seguem precisando ser contadas e bem contadas”, conclui Cecília Russo.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de São Paulo: o cavalo do sorveteiro da Pompeia

 

Por Marcello Pizo
Ouvinte da CBN

 

 

Falta meia dúzia de anos para meio século. Isso não me faz tão velho assim, porém sou chamado diariamente de tio e, às vezes, me lembro de umas coisas que me fazem sentir o peso de ser de outro milênio. O sorvete é uma dessas lembranças da minha antiguidade.

 

Quando garoto, costumava tomar um sorvete que era vendido nas feiras livres e também de porta em porta, nas ruas da Pompéia. O vendedor era um senhor que andava numa carroça pintada de vermelho e branco, puxada por um cavalo marrom. Ele vendia sorvete de dois sabores somente: limão e morango. Geralmente ficava numa das extremidades da feira durante todo tempo que as barracas estavam montadas. Nos outros dias e horários, ele saía com a charretinha e tocava uma buzina prateada, que brilhava muito e anunciava a aproximação daquela guloseima tão especial.

 

— “Mãe, é o sorveteiro do cavalo, corre.”

 

Minha mãe sempre cedia aos meus pedidos, exceto quando as amígdalas me impediam de tomar gelado – aliás, até hoje não entendo o por que daquele lenço velho empapado de álcool no meu pescoço, quando a garganta atacava. Ela também era fascinada por aquele som de buzina e contava sempre que quando garota, o meu avô comprava para ela o sorvete vendido pelo pai do mesmo sorveteiro nas ruas de Higienópolis.

 

Será que o cavalo também era filho do cavalo antecessor?

 

A cada comprador ele descia da charrete, se dirigia para a parte posterior onde ficavam os apetrechos e perguntava se era morango, limão ou misto. Pegava a casquinha e com uma habilidade inimaginável para aquelas mãos tão rústicas, manuseava uma faca de mesa que preenchia a casquinha de biscoito com o sabor escolhido. Só vi algo parecido com o seu método de servir muitos anos depois, quando a Parmalat se instalou na esquina da Sumaré com a Aimberê, nos tempos que os palmeirenses eram felizes. As atendentes usavam umas pás para servir o sorvete, igualzinho ele fazia com aquela faquinha herdada do pai.

 

Quando ele parava próximo às feiras, ficava de plantão atrás da boléia esperando os fregueses. Nessas situações, o cavalo ficava sempre em três patas – não que ele fosse portador de necessidades especiais, mas preste atenção: todo cavalo quando “estacionado” alterna uma das patas para ficar suspensa. O mais incrível é que esses eqüinos têm um temporizador melhor que qualquer cronômetro de Fórmula 1, trocando a pata suspensa por outra mais cansada, com uma precisão cavalar. Andei ruminando uma explicação e acho que a contagem deles é feita pela mastigação…

 

Ainda falando do cavalo ( ou seria uma égua?) era comum ver o carroceiro dando as casquinhas de sorvete defeituosas para o equino como guloseimas carinhosas. Hoje em dia choveriam denúncias nas redes sociais contra a alimentação inadequada para o bicho, dos perigos da poluição para os pulmões do quadrúpede, além de algum vereador desocupado fazer uma lei para a coleta do estrume em sacos recicláveis. O mundo politicamente incorreto era menos estressante.

 

Marcello Pizo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: o relógio perdido no Parque do Ibirapuera

 

Por Marina Zarvos Ramos de Oliveira
Ouvinte da CBN

 

 

Minhas mais remotas memórias confundem-se com dois marcos de São Paulo: o Parque Ibirapuera e a Avenida Paulista.

 

O Parque e eu: ambos nascemos em 1954. Ele em agosto, eu em maio. Eu no interior, ele no coração da capital paulista. Nos encontramos em nossa primeira primavera. Eu, bebê de colo, não ousava ainda os primeiros passos; ele, verdinho em folha, ostentava já as primeiras flores.

 

À época, conta-se que as senhoras vestiam suas melhores roupas para circular no recém-inaugurado espaço paulistano, onde Niemeyer se apresentava em todo seu esplendor em cada linha, em cada curva do trajeto… e no qual o lago completava o ar bucólico.

 

O relógio marca o tempo que passa. Um relógio nos une.

 

Cresci ouvindo a história do passeio com minha mãe numa manhã de dezembro de 1954. Ela — quem sabe atenta comigo, quem sabe distraída com a beleza do parque — perde seu relógio de pulso, ganho dias antes. Uma das muitas histórias ao longo desses 63 anos.

 

Anualmente, minha família vinha à capital e o passeio pelo Parque era obrigatório. Obrigatória também era a visita ao nosso tio e patriarca da família. Tio reverenciado por ter vencido os desafios da imigração — da leva de imigrantes do início do século 20 — e “feito a América”, literalmente. Tio Nicolau trabalhou na estrada de ferro Noroeste; vendeu jornal; comercializou café e algodão. Acabou se tornando um dos mais respeitados e influentes homens da República e conhecido como ”Rei do Café”, nas décadas de 1930/1940, conquistando o direito de privar da amizade e da vizinhança de outro imigrante célebre: Francisco Matarazzo.

 

Pois bem, lá íamos nós, vestidos com nossas melhores roupas, percorrer a elegante Avenida Paulista, com seus casarões dos livros de histórias da nossa infância. Programa repetido por uma década.

 

Nos anos de 1960, mudamo-nos para a capital e o anual virou habitual. Passamos a frequentar o parque e a avenida.

 

Parque e eu em fase de adolescência. Barquinhos deslizavam no lago, pessoas remavam em divertidos passeios, num cenário que se transformava ao cair da tarde… carros ao redor do lago, casais apaixonados e… polícia rondando.

 

A Avenida Paulista, adulta imponente vinda lá do século 19, já aprendia, àquela altura, a ser mais democrática. A São Silvestre, a Fundação Casper Líbero, o MASP são testemunhas de tal transformação.

 

Avancemos o relógio do tempo: década de 1970/80 /90.

 

No Parque, carros circulam livremente, disputando espaço com as bicicletas — a maioria alugada do Maisena. A sede da prefeitura é transferida para o Palácio do Comércio, dando mais espaço aos frequentadores, entre eles meus filhos, que cresceram nesse agradável quintal, próximo de casa. O lago vai, pouco a pouco, perdendo a alegria. Somem os peixes. Desaparecem os barquinhos. O perfume da grama e das flores começa a se misturar com um odor desagradável.

 

Na Avenida-símbolo, brotam os conhecidos “espigões da Paulista”, que se alastram regados pela fúria do progresso e passam a compor o “high line” da cidade.

 

Avançando… virada do novo século. Virada de fase.

 

O povo ocupa o espaço, outrora privilégio da minoria aristocrática. A Paulista ganha metrô, vira palco das grandes festas, comemorações, manifestações políticas, paradas Gay… acolhendo a diversidade de povos e pessoas, de causas e ideais. É a centenária e aristocrática avenida abraçando, definitivamente, a democracia. E assim se une ao meu contemporâneo e sempre democrático Ibirapuera, que se faz, hoje, ponto de encontro para as muitas caminhadas cívicas até a Paulista.

 

O Ibirapuera continua seu destino de espaço aberto a atletas e personal trainers, bebês e babás, famílias e pets, idosos e seus cuidadores. Idosos com suas lembranças recentes se desvanecendo… as memórias remotas vivas, vivíssimas… assim como as de minha mãe que até o fim insistia em encontrar o relógio ali perdido.

 

O relógio e seu tiquetaquear incessante.

 

Marca do tempo que passa, marca de lembranças que não passam, marca do progresso que transforma nossas vidas e a cidade.

 

Marina Zarvos Ramos de Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capitulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias de São Paulo, viste agora o meu blog miltonjung.com.br

Mundo Corporativo: Carlos Souza, da Udacity, sugere que você invista em carreiras ligadas a tecnologia de ponta

 

 

“O profissional hoje qualquer que seja a sua senhoridade, qualquer que seja o seu ramo de trabalho, se ele não está sabendo nada de inteligência artificial ou ciência de dados, alguma dessas áreas, está perdendo uma grande oportunidade de se diferenciar e garantir o seu futuro” — Carlos Souza, Udacity

 

Em um cenário em que cerca de 12 milhões de pessoas estão desempregadas, muitas empresas estão em busca de profissionais, aqui mesmo no Brasil. Calcula-se que existam 100 mil postos de trabalho em aberto a espera de trabalhadores capacitados a atuar com tecnologia de ponta. Carlos Souza, diretor-geral da Udacity para América Latina, foi entrevistado sobre as oportunidades que existem no mercado, pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

Souza diz que, atualmente, existem apenas 22 mil especialistas preparados para desenvolver sistemas baseados em inteligência artificial, no mundo, e a demanda é de 2 milhões de profissionais com essa especialidade até 2020. Para o dirigente da Udacity, que atua no segmento de educação profissional, as transformações ocorrem de forma exponencial e, portanto, é preciso desenvolver o conceito de “lifelonger learner” que, em bom português, significa a disposição de aprender continuamente.

 

“A simples crença na capacidade de desenvolverem suas habilidades é um fator determinante para que a pessoa consiga ter sucesso e aprenda essa nova habilidade; ou seja, a gente estimular os nossos estudantes, que eles, sim, podem aprender o que quer que eles queiram é fundamental para que o estudante aprenda ao longo da vida toda”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas da manhã, ao vivo, pelo site http://www.cbn.com.br, np perfil da CBN no Facebook e no Instagram (@CBNoficial). O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às 10h30 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Isabela Medeiros.

Conte Sua História de São Paulo: a porta secreta da fábrica de chocolate

 

Eder Ziliotto
Ouvinte da CBN

 

 

São Paulo, 11 de março de 1959
Nasci! 
Rua Jackson de Figueiredo, 49
Bairro da Aclimação, Sampa

 

Sobradão delicioso de morar naquela rua gostosa. Escada de madeira e estuque no piso superior. A casa, à noite, gemia. A rua parecia mais uma vila mas com casas grandes e onde jogava-se bola descalço no paralelepípedo com a molecada do bairro, que ali eu trazia. Minha sorte é que eu tinha oito vizinhas garotas, duas em cada uma das quatro casas mais próximas. Até hoje não sei porque não me formei médico pois com elas brincava deliciosamente nessa prática ingênua sempre que me cansava das brincadeiras com os moleques. Não sei por que eu era tanto invejado por eles. Mas só eu tinha essa manha com as quatro mães das meninas.

 

Comprar na venda do Seu Izidro com caderneta era status. Tínhamos um arsenal de brincadeiras de rua que me deixava louco: peão, bola de gude, mãe da lata, fabricar maranhão, bilboquê, bafo, chiniquero livre 123, carrinho de rolimã, que a gente construía pra descer a Batista do Carmo … Ler gibi, também. A minha rua era um parque de diversões. Às vezes conseguíamos um exemplar usado de revistas de adultos com o homem da carroça trocando por algo que ele precisava, daí íamos dar risada nos fundos da sapataria do seu João, na minha rua mesmo.

 

Tínhamos uma redondeza de dar inveja. O quarteirão da caixa dágua com uma quadra de futebol; a quadra da Igreja Nossa Senhora Margarida Maria, na Lins de Vasconcelos; os espaços públicos do Parque da Aclimação a 800 metros dali; o cemitério da Lacerda Franco; a fábrica de chocolates da Basílio da Cunha; e até o Museu do Ipiranga, bastando descer de bicicleta insanamente a ladeira Coronel Diogo. Como ninguém morreu lá? Até hoje me pergunto. Éramos um pequeno bando de uns sete garotos entre sete e 10 anos de idade. Uma ganguezinha.

 

Tínhamos códigos para todas as atividades a qualquer momento do dia.

 

Entre aos 4h30 e 5h da manhã um dos integrantes da turma assobiava da janela do quarto — um fofiufofiu agudo — organizando a aventura. Saíamos sem nossos pais perceberem a essa hora e voltávamos geralmente antes das 6h30 direto pra baixo das cobertas, antes do dia começar.

 

Entre as “aprontações” tínhamos visitas à fábrica de chocolate por portas secretas; subíamos no topo da caixa d’agua sem permissão, eram mais de 30 metros de altura; entrávamos e saíamos do cemitério por acessos escondidos, só pra curtir o pavor e ouvir gemidos do além; no parque, a diversão era a pescaria proibida e, às vezes, entrar na água ou pegar um dos barquinhos de madeira que ainda existiam, só pela provocação; e, logicamente, na igreja, pra tentar fuçar no que não podia na sacristia e jogar bola quando o padre deixava ou não via. 

 

Do “Colégio 7 de Setembro”, na Lins de Vasconcelos, guardo lembranças preciosas de desfilar vários anos por aquela avenida, nas datas comemorativas tocando repique na fanfarra. Fui bicampeão com o colégio nessa modalidade pela mãos do maestro, o senhor Virgílio. Uma ocasião enganei meu pai na nota de uma prova e proibido de ir aos ensaios me arrisquei. Voltei pela orelha, do pátio do colégio até minha casa. Não teve surra, mas o vexame foi o suficiente.

 

Noutro dia numa mega festa do colégio, eu presenciei uma cena arrebatadora. Aguardávamos os ídolos da jovem guarda e eis que vejo com aqueles meus pequeninos olhos, de oito ou nove anos, na porta do colégio, saltarem de um  Cadillac conversível nada mais nada menos do que Roberto Carlos, Wanderleia e Erasmo Carlos. Eu lembro de ter tocado neles. Eles estavam se tornando estrelas na época.

 

Com 12 anos, ajudava meu pai no escritório, na rua São Francisco, no centro. Ia de ônibus elétrico CMTC, sozinho, da Margarida Maria até a Líbero Badaró ou a Praça da Sé — uma aventura, pelo menos duas vezes por semana. Conheci cada palmo  do centro de São Paulo e tinha um amigo que, desde pequeno, já era maestro e sua mãe nos levava na temporada lírica do Municipal. Eram duas atrações mágicas: as óperas e as visitas ao Mappin, naqueles elevadores estilo Bloomingdales.

 

E o bonde para Santo Amaro? Inesquecível! Visitávamos sempre tia Mariquinha a irmã rica e mais velha de meu pai que morava num palácio, na frente do Borba Gato, num quarteirão só dela, com meu tio, o amigão do Juscelino Kubitschek. 

 

Mas o que quero contar mesmo é que eu nunca tive medo de andar sozinho desde pequeno na cidade de São Paulo. Ela sempre foi minha amiga. Eu nunca presenciei ou sofri até hoje nenhuma violência nesta cidade que é uma das mais violentas do mundo. Eu só quero agradecer essa mãe  querida de quase 500 anos por me respeitar como cidadão; e desejo, e apenas quero, retribuir esse carinho.

 

Parabéns Sampa querida.

 

Eder Spencer Quinto Ziliotto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias, visite agora o meu blog miltonjung.com.br