Conte Sua História de São Paulo: o menino carioca que adorava as férias na Vila Nova Uberabinha

 

Dr Luis Fernando Correia
Do Saúde Em Foco e ouvinte da CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte Luis Fernando Correia — sim, ele mesmo, o nosso Dr Luis Fernando Correira, do Saúde em Foco:

 

Nos anos 1970 eu era um carioca atípico. Passava férias em São Paulo. Deixe-me explicar, antes que me achem louco. Tenho família em São Paulo e naquela época, com 15 anos, tendo vivido sempre em apartamentos no Rio de Janeiro, quando vim visitar a família, dei de cara com uma turma de mais 20 da mesma idade, brincando na rua.

 

Minha tia morava em Vila Nova Uberabinha, a região fica ao lado da Avenida Santo Amaro — é aquela área que foi englobada ao bairro de Moema, onde as ruas tem nome de pássaros.

 

No Rio, morava em lugar plano, bicicleta à vontade. Ali havia ladeiras para se andar de skate.

 

Algumas vezes jogávamos tênis no Clube Pinheiros. Para chegar lá tinha de atravessar a Santo Amaro e logo depois havia um córrego, que hoje está canalizado. Cruzávamos uma pinguela —- um pequena ponte improvisada de madeira — que nos levava à região da rua Clodomiro Amazonas. Dali se chegava ao Pinheiros.

 

Uma curiosidade da época de adolescente em São Paulo: a chegada de uma rede de lojas de sanduíches servidos em caixinhas — o Jack in the Box. A inauguração foi no shopping Ibirapuera, que também tinha muito perto a sorveteria Brunella.

 

Era uma época em que se podia ficar na rua até muito tarde, sempre que as mães deixavam — ou não. Eram os anos de 1970, em São Paulo, vistos pelos olhos de um carioca adolescente.

 

Luis Fernando Correia é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte também você mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: o emprego que você quer pode estar no exterior

 

 

“Não adianta você chegar, sair da sua cidade, ir para um país diferente, não conhecer nem a cultura nem o idioma. Você vai ter um subemprego lá. Então, nesse mundo corporativo, lá fora, você tem de estar preparado para esta carreira sem fronteira” —- Rafael Olivieri, Competency

 

O trabalho que você deseja pode estar em qualquer lugar próximo da sua casa ou do outro lado do mundo. Portanto, estar preparado para trabalhar fora de sua cidade ou em outro país é diferencial competitivo em uma seleção de emprego. Para ajudar os profissionais a estarem prontos para quando essa oportunidade surgir, o programa Mundo Corporativo, da CBN, entrevistou Rafael Olivieri, presidente da Competency, empresa especializada em cursos e congressos focados na internacionalização de carreiras.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, Olivieri falou que é necessário conhecer a língua, os costumes e a cultura de cada país, mas, além disso, o profissional deve identificar o seu próprio comportamento diante de desafios como o de ser um expatriado: “a comunicação é importante; a atitude mais ainda para galgar uma carreira que para ele é um sonho”.

 

Apesar de a ideia de buscar vaga no exterior geralmente estar associada aos mais jovens, Olivieri chama atenção dos profissionais com mais experiência e que pela idade muitas vezes não encontram mais emprego no Brasil: “se você é competente não vai faltar espaço para você”.

 

Um dos benefícios de participar de eventos e cursos de internacionalização de carreira é a formação de uma rede de relacionamento com essas de diversas áreas, defende Rafael Olivieri que organiza essas atividades no Brasil e no exterior:

 

“O relacionamento é tudo, porque os melhores empregos hoje não estão mais em jornais e revistas. Se o cara não tem relacionamento, o cara está fora do mercado”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site, no Facebook e no Instagram, da CBN. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às 10 da noite ou a qualquer momento em podcast. Colaboraram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

A perda, a dor e o vazio do luto no jornalismo

 

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Perda, dor, vazio. São sentimentos que surgem com o luto. Com os quais o jornalista precisa negociar diariamente. O noticiário está sempre nos provocando com os assassinatos na porta de bar, os crimes de família e as tragédias anunciadas.

 

Cheguei em São Paulo, em 1991, e minha rotina era contar a história de mortes ocorridas em desabamentos de terra, comuns nas encostas da cidade de São Paulo, nos períodos de fortes chuvas.

 

Na madrugada, era enviado ao cafundó do Judas para fazer imagens de um assassinato. Ao chegar, lá estava o cadáver estendido na calçada. Coberto por páginas de jornais ou um papel alumínio a esconder seu rosto. Imagens feitas, informação apurada, sonora gravada. Segue para a próxima pauta. Para o próximo assassinato. De madrugada nunca encontramos um batismo a registrar. Só crimes e velórios.

 

A morte não saiu das minhas pautas, mesmo quando deixei as ruas — mesmo quando troquei a reportagem pela apresentação de telejornais, em 1993. Foi-se Ayrton Senna, em 1994. E eu falei por horas da comoção do povo brasileiro, em seu velório. Foi-se Mário Covas, e tive de relatar a tristeza de São Paulo, em 2001. No mesmo ano, transmiti ao vivo o terrorismo do “11 de Setembro”, em Nova Iorque. O primeiro baque surgiu quando parei para pensar nas dezenas de passageiros que estavam dentro do avião arremessado contra o World Trade Center. Depois foi a vez de olhar aquelas pessoas jogando-se do alto dos prédios. E quando as torres vieram abaixo, segurei-me para sustentar a voz e ser fiel aos fatos.

 

No entanto, as mortes passam, os cadáveres são esquecidos, alguns sequer registrados. A perda, a dor e o vazio ficam como legado dos parentes das vítimas —- pessoas que talvez nunca mais na vida você encontrará. E a sua vida, a minha vida, segue. Amanhã tem outra pauta para cobrir, outra história para contar. O salário cai na conta, os boletos chegam, a comida tem de estar no prato. Até uma nova tragédia.

 

Em 2016, a mais difícil delas. O acidente com o avião da Chapecoense, sabendo que entre os passageiros estava um amigo querido e respeitado por todos, Deva Pascovicci. Engoli o choro, engasguei com as lágrimas, parei de falar. Tinha vontade de desistir. Mas apresentei o Jornal da CBN até o fim mesmo sabendo qual seria o fim daquela história. Somente à noite, diante da televisão e abraçado em um dos filhos consegui chorar copiosamente como o coração pedia.

 

No jornalismo, tendemos a disfarçar os sentimentos. Construímos um personagem diante do fato triste porque temos a obrigação de retratar a realidade. Sem envolvimento. Frio. Calculista. Capaz de fazer qualquer pergunta por mais óbvia que pareça. Desconfiando sempre. Questionando na primeira oportunidade. Coisa de jornalista.

 

Dan Harris, correspondente da ABC News e âncora de televisão, cobriu guerras e tragédias. Considerava-se forte o suficiente para encarar as mais tristes situações da humanidade. Preocupava-se apenas com a qualidade do material levado ao ar e com a exposição que alcançaria. Brigava pelas melhores pautas, discutia com editores em busca de mais espaço na cobertura. Era obcecado pelo trabalho. Ao fim e ao cabo, voltava para casa sem se importar com a morte dos outros, sem se preocupar com nada nessa vida — a não ser sua ascensão profissional.

 

Um dia, Harris congelou na frente das câmeras. Teve um ataque de pânico diante de milhões de telespectadores. Em rede nacional. Descobriu depois que era como se todos os fantasmas das mortes registradas por ele se realizassem dentro de sua mente ao mesmo tempo. Foi o início de uma profunda reflexão sobre a vida. E o começo de uma odisseia pelo mundo da espiritualidade.

 

Ele conta essa história no livro “10% mais feliz”, publicado pela Sextante, no Brasil, no qual relata como driblou todos os seus preconceitos e medos em relação a meditação. Daniel Goleman, jornalista científico e psicólogo, apresenta-o “como o melhor livro sobre meditação para os não iniciados, os céticos e os curiosos”. Para mim, um livro que ajuda a pensar o jornalismo. A nossa tarefa de contar ao público o que vimos. O que sabemos. A verdade. Doa a quem doer. E entender que muitas dessas verdades vão doer dentro de nós e precisamos administrar esses sentimentos.

 

Harris medita. Eu não consigo. Não tentei. Mas choro. Foi assim quando soube da barragem que soterrou centenas e centenas de pessoas, em Brumadinho. Chorei baixinho na minha casa. Foi assim quando a repórter confirmou a morte de 10 meninos no Ninho do Urubu. Chorei em silêncio diante do microfone e se revelei minha dor foi na voz embargada.

 

Hoje, não estava mais na redação quando soube da morte de Ricardo Boechat.

 

Se um dia chorei por centenas, noutro por dezenas, hoje chorei por um colega. E essa dor é mais dolorida do que todas porque é uma dor muito próxima da gente. De alguém que estava ali ao nosso lado —- um pouco além do dial onde sou sintonizado todas as manhãs, no Jornal da CBN. Alguém que com seu jeito de fazer jornalismo na Band News FM, nos obrigava a pensar que jornalismo estávamos fazendo. Que radiojornalismo estávamos realizando. Que poucas horas atrás, estava diante do microfone fazendo aquilo pelo qual somos apaixonados: jornalismo.

 

E com a morte de Boechat lá vieram novamente aquelas sensações impertinentes do luto: perda, dor, vazio. Sensações que não tenho dúvida serão muito mais fortes no coração da Veruska, sua “doce Veruska”, e dos seis filhos que perderam o pai — o cara que a gente pode contar naquela hora em que pinta um dilema na nossa vida, naquele momento de felicidade que precisa ser compartilhado ou que vai dar um abraço revelador para conter nossa tristeza. A eles toda nossa solidariedade e o pedido que Deus amenize esse sofrimento e os console.

 

Pouco antes de sentar diante deste computador para compartilhar com você esse momento de tristeza que encaro —- e imagino que seja a de milhares de admiradores e colegas — deparei com a fala de Flora Tucci, psicanalista e filósofa, sobre o luto, registrada pelo jornal O Globo:

 

“Então, o melhor é se permitir passar pelo processo de transformação gerado por esse “adeus”, que vai nos preparar para os caminhos que podem surgir no futuro. É importante viver isso para deixar o novo chegar”.

 

Seja lá o que for esse novo que nos foi reservado, que jamais deixemos que a perda, a dor e o vazio caiam no lugar-comum dos sentimentos. Eu choro. Jornalistas choram, sim. Chorar é preciso!

Conte Sua História de São Paulo: o dia em que os nossos cientistas foram recebidos como heróis na cidade

 

Mayana Zatz
Ouvinte da CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte Mayana Zatz:

 

Sou geneticista e dirijo o Centro de Pesquisas em Genoma Humano e células-tronco na Universidade de São Paulo. A história sobre São Paulo que vou relatar não é tão antiga mas acho que vale a pena ser contada.

 

Ela teve início há cerca de 20 anos, quando a FAPESP — Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de S. Paulo reuniu vários líderes de pesquisas para discutir um assunto muito preocupante. Enquanto os países do primeiro mundo avançavam rapidamente no domínio da tecnologia do sequenciamento do DNA — isto é, como analisar as informações contidas no DNA — no Brasil poucos laboratórios dominavam essa tecnologia. Como reverter essa situação, como capacitar mais laboratórios e cientistas na tecnologia de sequenciamento de DNA? .

 

Depois de muitas discussões, decidiu-se formar uma rede de 30 laboratórios, que iriam ser treinados nessa tecnologia de ponta. Era um projeto totalmente inovador. Nosso laboratório, no Centro de Pesquisas do Genoma Humano iria ser um dos 30. Decidiu-se sequenciar um organismo com um DNA pequeno, que não levasse anos para ser sequenciado. Lembrando que hoje você consegue sequenciar um genoma humano em algumas horas mas naquela época ainda estava em curso o projeto genoma humano que levou 13 anos para sequenciar o primeiro genoma de um ser humano — a um custo de 3 bilhões de dólare). Também teria que ser um organismo que tivesse algum interesse comercial. Depois de muitas discussões, decidiu-se pela bactéria Xylella que é um patógeno que ataca os laranjais causando grandes prejuízos à citricultura.

 

Cada laboratório recebeu da FAPESP um sequenciador — um equipamento para sequenciar — e os reagentes necessários para sequenciar um trecho do  DNA da bactéria. A ideia era que depois iriam se juntar os pedaços sequenciados por cada laboratório como se fosse um quebra-cabeças. O objetivo era terminar em dois anos. E aí começou a corrida, com trocas de informações pela internet entre os 30 laboratórios.

 

Em 2.000, conseguiu-se terminar o sequenciamento da Xyllela e foi um sucesso acima de qualquer expectativa. O que pretendia ser principalmente um treinamento de tecnologia gerou uma publicação científica que foi capa da revista Nature, uma das revistas científicas mais prestigiosas que existe. O Brasil não era mais notícia por causa do futebol e do carnaval mas também pelos seus feitos científicos. Era a primeira vez que se sequenciava no mundo o DNA de uma bactéria que era um patógeno de uma planta.

 

O governador de São Paulo na época era o Mário Covas e ele decidiu fazer uma homenagem na sala São Paulo para todos os cientistas que tinham participado do projeto. Mas foi muito mais do que uma homenagem. No caminho inteiro havia faixas dizendo: São Paulo tem orgulho dos seus cientistas. Foi uma emoção indescritível. Inesquecível. Uma homenagem aos cientistas? Isso nunca havia acontecido antes.

 

Cheguei a Sala São Paulo com os olhos marejados de lágrimas. Brinco sempre que eu me senti como um jogador de futebol voltando de uma copa internacional vitoriosa.

 

Será que teremos investimentos que permitam que a ciência brasileira volte a ter esse prestígio e reconhecimento?

 

Dra Mayana Zatz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha contar mais um capítulo da sua cidade, na CBN. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br Se quiser conhecer outras histórias, visite agora o meu blog miltonjung.com.br

Mundo Corporativo: mude você antes que a sua empresa mude, sugere Wanderlei Passarella

 

 

 

 

 

“Não espere sua empresa mudar para você mudar. É uma das coisas que eu coloco para os executivos que ajudo a repensar a carreira. Você tem de começar agora pensando que daqui cinco ou dez anos a empresa que você está hoje, tão sólida, pode estar mudando” — Wanderlei Passarella, mentor de executivo

 

 

As mudanças na forma de encarar o mundo e a nós mesmos exigem forte poder de adaptação das empresas e dos seus profissionais. Para entender como é possível enfrentar essa transformação sem estresse e de maneira planejada, o jornalista Mílton Jung, apresentador do programa Mundo Corporativo da CBN, entrevistou Wanderlei Passarella que é conselheiro de empresas, mentor de executivos e coautor do livro “A reinvenção da empresa — projeto Omega”, escrito com Paulo Monteiro e publicado pela editora Évora.

 

 

Para que essa reinvenção ocorra, Passarella recomenda que os profissionais prestem atenção em três aspectos:

 

 

1. Incorporar a tecnologia —- as novidades tecnológicas estão aí para facilitar a sua vida, use-as com equilíbrio sem se transformar em escravo delas.
2. Amplie a base de conhecimento —— saiba que para aprofundar o conhecimento em uma determinada área é preciso expandir a base de conhecimento; os especialistas hoje precisam fazer sinapses, buscar uma relação multidisciplinar.
3. Desenvolva o autoconhecimento —- você vê o mundo lá fora se transformando, mas você pode mudar também e só vai conseguir se trabalhar mais centrado e olhando para si mesmo, em como você encara as coisas e quais são os seus valores.

 

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, na página da CBN no Facebook e no perfil @CBNOficial do Instagram. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 22h30, em horário alternativo.

Conte Sua História de São Paulo: chama o Tonico! Ele faz

 


Por Hélio Borgoni
Ouvinte da CBN

 

 

— “Chama o Tonico”

 

Era assim. Sempre foi assim. Tonico era conhecido como o “faz tudo”. No jargão popular: Tonico é pau pra qualquer obra. Eu o conheci no ano de 1944. Foi numa festa regada com a bebida preferida dele “fogo Paulista”. Essa bebida era sempre servida nos aniversários, nascimento de filhos, batizados, crismas ou até mesmo quando ele participava de um telhado terminado. Os batismos de crianças eram frequentes. Todo mundo tinha um monte de filhos.  As famílias sempre numerosas. Tinham tantos irmãos e primos, e primos de primos, e amigos de primos, e amigos de amigos… todos eram, de alguma forma, compadres.

 

Os pais do Tonico eram imigrantes italianos. Foram trabalhar em fazendas de café, no sul de Minas, mais precisamente na cidade de São Sebastião do Paraíso. Tonico era o terceiro filho. Pela ordem dos mais velhos vinha Evaristo, Iolanda, ele, Laudelina, conhecida como Fiona, Alzira e Olímpio, o caçula. 

 

Como a historia é sobre o personagem Tonico vou me abster de falar dos outros, por enquanto. Tonico, tinha como tarefa trabalhar como “carreador de boi”, andava ao lado da carroça, descalço. Por que sei? Um dia, ele comentou que o frio era tanto que nem sentia os  espinhos nos pés; a mãe dele fazia um escalda pés e tirava os espinhos com agulha de costura. Ele contou que veio a usar sapato com 18 anos de idade,quando mudou-se para São Paulo e seu irmão Evaristo o presenteou com uma bota.

 

Analfabeto, mas muito esperto, começou trabalhando como ajudante de pedreiros e ia observando e perguntando como se lidava com prumos, ajudava tirar níveis dos alicerces, e, assim, foi aprendendo uma profissão. Mas nunca parou nisso. Aprendeu a pintar, fazer telhados, encanamentos de água esgoto, etc… até a parte elétrica ele acabou dominando. Chegando a ser capataz de obras e autorizado a recrutar trabalhadores, São Paulo vivia uma febre de obras. Todo o centro, periferias e até Mooca, Ipiranga, Perdizes … Era escolher o melhor salário. Então, ele começou a escrever cartas pros primos em Minas Gerais: “venham pra São Paulo, eu arrumo onde te encaixar”. Cada parceiro que chegava era festa. Em pouco tempo, cada qual mandava buscar a família: eram pais, irmãos, avôs, sogros, … e, assim, as Famílias Borgoni e Zambelli foram se estabelecendo na Capital, e também em São Caetano, São Bernardo e Santo André.

 

—- Chama o Tonico! Ele faz.

 

Tonico nunca deixou de ajudar os amigos. Mesmo que fosse só nos domingos, ele pegava as ferramentas, tomava o ônibus e ia. O  sonho dele era estudar para ser “guarda livros” — não sei o que seria hoje, mas já foi descrito como  “contador”. Autodidata, mal conseguia escrever um orçamento, às vezes errava e tomava prejuízo, mas sempre cumpriu os tratos. Dizia que a palavra dada tem que ser respeitada. Sonhava em criar galinhas poedeiras, comprou livros e os nomes Plymouth Rock Barrado e,Rhod Islan Red faziam parte das suas conversas.

 

Teve tantos tombos na vida que foi ficando sem energia. Mas até então nunca deixou de trabalhar um dia sequer. Nas décadas de 1940, 1950 e meados de 1960 , tinha muita energia e vontade de vencer na vida.

 

Agora, já não mais tomava “fogo paulista” nas festas. Parava em vários bares a caminho de casa, tomava vinho, rabo de galo, conhaque, cachaça; e, assim, foi se apagando o brilho no olhar. Festas para ele só nos domingos quando um dos irmãos passava para papear. Ele ficava contente. As visitas foram ficando escassas. Quem mais vinha, eram os irmãos Evaristo, Olímpio, Laudelina, Fiona, o marido dela, o Atíllio, e alguns netos.

 

Ele faleceu em outubro de 1989.

 

Tonico, era meu pai

 


Hélio Borgoni é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: o RH tem de se reportar ao CEO, diz Fernando de Mello

 

 

“Sempre deve ter um humano fazendo o julgamento do outro humano. A gente tenta logicamente transformar o desempenho de algumas áreas em métricas. Mas a gente nunca deixa só a métrica reinar” — Francisco Homem de Mello, CEO Qulture.Rocks

 

A área de recursos humanos está em plena transformação —- novos negócios, novos desafios e muita tecnologia. O uso de ferramentas digitais têm colaborado para um desempenho melhor do setor e conseguido resultados efetivos, mas Francisco Homem de Mello, da Qulture Rocks, alerta que o fundamental é que o RH seja visto como estratégico dentro da empresa, sob o risco de se desperdiçar todo o investimento tecnológico. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, Mello apresentou resultados de pesquisa que ouviu cerca de 1.800 líderes empresariais — vice-presidentes, diretores e gestores — e ajuda a entender o cenário atual deste setor.

 

Para 61% dos entrevistados o RH participa efetivamente das decisões estratégicas da empresa enquanto e para 64% deles, o RH se reporta diretamente ao CEO:

 

“É otima a posição do RH se reportando ao CEO. Acho que cultura, gestão de desempenho, gente é prioridade número 1 de CEO e, portanto, a área do RH tem de se reportar ao CEO”

 

Para ter acesso aos resultados completos da pesquisa “Panorama de RH no Brasil 2018”, acesse esse link.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da CBN, na página da emissora no Facebook e no perfil do instagram @CBNoficial. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 22h30, em horário alternativo. Participaram deste programa o Guilherme Dogo, Ricardo Correia e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo 465 anos: a turminha do córrego do Sapateiro

 


Por João Batista de Paula
Ouvinte da CBN

 

 

No Itaim Bibi nos tempos da zagaia.
 

 

O tempo de todos nós, meninos e meninas do bairro do Itaim Bibi, dos anos 1940 a 1950. Era a nossa infância e parte de nossa juventude — saudades desse tempo que ainda não tínhamos saudades. Não sei nada, mas sei que quando o encanto é para ser, será; e não há quem possa separar.
 

 

Nos tempo das ruas de terra batida — quando chovia o barro com o sol virava  torrão, o torrão virava pó, o pó virava lama, com as águas, o córrego do Sapateiro se agigantava, a ponte balançava, as árvores tremiam e se batiam com os ventos fortes; a molecada corria e brincava de guerra de barro. As casas eram conhecidas, os portões abertos sem chaves e sem grades, os cães ladravam e vigiavam tudo,
 

 

As brincadeiras mudavam quando chovia e fazia frio: agora era de pega-pega, a vareta foi Boca de Forno; com o frio as meninas quase não apareciam na rua; os meninos tinham seus cavalos de cabo de vassoura, trotavam aos gritos em alta velocidade brandindo suas espadas contra inimigos imaginários. Quando o tempo melhorava as meninas brincavam de passa anel ou de barra manteiga e pular corda. Outras se imaginavam donas de casa, montavam suas casinhas nas calçadas de terra e ali sonhavam e formavam suas famílias. Os mais pequenos eram os filhos, o marido era sempre os mais calmos ou imaginário, o diálogo e os afazeres elas aprendiam com as mães.

 

As ruas não eram iluminadas nas noites mais escuras e os meninos tinham lanternas a lenha: era uma lata de óleo com uma abertura na parte baixa em forma de pirâmide e uma alça de arame de meio metro, pouco mais ou pouco menos. Colocávamos lenha e fogo e girávamos com a alça, era bacana quando cinco ou seis lanternas estavam em ação na rua escura, nas noites escuras.
 

 

Nossa turminha vivia em torno do córrego do Sapateiro. Entre a Rua Mário de Castro, hoje Fernandes de Abreu, rua 17, atual Ramos Batista, Rua Piqueta, Rua Heloísa — a mesma onde os caminhões que carregavam areia das descobertas subiam e encalhavam nos buracos, e derrapavam no tijuco preto, para a alegria da molecada que tinham um refrão, que era repetido sempre. Era assim: “galinha preta, galinha preta”ou “catiça-catiça-catiça” — isso repetido continuadamente era a fúria dos choferes e barqueiros que vinham em socorro dos caminhões encalhados. Hoje, ali é a famosa e fabulosa Av. Juscelino Kubistchek de Oliveira. 
 

 

Nesse pequeno apanhado, contei mentalmente mais de 40 meninos e meninas. Não sei por onde andam todos, fomos crescendo mudando de bairro, casando e nos distanciando um dos outros. Da minha parte posso afirmar que todos vocês estão em minha mente, no mesmo lugar de sempre, na rua brincando de tudo. Se notarem algum erro fica por conta dos meus 85 anos.

 

João Batista de Paula é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: “trabalhadores serão contratados pela inovação”, diz Adriano Lima

 

 

 

“O emprego será demitido pela automação mas trabalhadores serão contratados pela inovação, porém não os mesmos trabalhadores ou os trabalhadores com as mesmas competências” — Adriano Lima, gestão de pessoas

 

A chegada da tecnologia no seu ambiente de trabalho tem sido cada vez mais veloz e transformadora. E nós precisamos estar preparados para essas mudanças. Por isso, o Mundo Corporativo conversou com Adriano Lima, da LM+ e da PeopleTech e especialista em gestão de pessoas, que tem se dedicado a entender quais as competências que os novos empregos esperam de você:

 

Essas outras habilidades de relacionamento, de empatia, de criatividade, elas terão de ser mais trabalhadas e a gente sabe que isso não se ensina em curso, não se ensina em faculdade, é um processo de desenvolvimento nosso, da pessoa, do ser humano, através do seu autoconhecimento, do seu autodesenvolvimento que é o que a gente tem buscado investir cada vez mais nas empresas”

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10h30 da noite, em horário alternativo. O programa também está disponível na lista de podcast da CBN. Colaboraram com o programa o Guilherme Dogo, o Rafael Furugen, a Debora Gonçalves e a Natália Mota.

Conte Sua História de São Paulo 465 anos: o dia em que andei de ônibus com o criador da estátua de Borba Gato

 

Por Durval Pedroso da Silva Jr
Ouvinte da CBN

 

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A estátua de Borba Gato, em Santo Amaro, em foto do site da ALESP

 

 

Nasci no Bairro do Bexiga, próximo da Avenida Paulista, em janeiro de 1951. Morei nela por quase 40 anos, o que por si só daria para contar  muitas histórias. Resolvi, porém, relatar uma que reputo interessante.

 

Estava eu em companhia de meu pai, no inicio de fevereiro de 1963 — eu com apenas 12 anos — abordo de um ônibus da Viação Bola Branca, que saiu do Largo de Pinheiros com destino a Santo Amaro, onde morava a maioria de nossos parentes.

 

Quando entramos pela Avenida Santo Amaro, perto da Vila Nova Conceição, subiu ao ônibus, que estava bem lotado, um velho amigo do meu pai: o escultor Julio Guerra. Meu pai apresentou o seu amigo a mim, com toda a pompa e circunstância, explicando suas habilidades como pintor e escultor. Em contra partida, o Julio falou maravilhas das habilidades esportivas de meu pai, mas como estas eu já conhecia sobejamente, tratei de fazer o maior número de perguntas, ao primeiro pintor e escultor que conheci na minha vida — ao ponto de meu pai me dar um beliscão bem dado, para eu parar de metralhar seu amigo com perguntas.

 

Quando estávamos passando no Alto da Boa Vista, demos de cara com a enorme estátua do Bandeirante Borba Gato, que tinha sido inaugurada há alguns dias. Eu maravilhado com aquela grandeza toda, ouvi bem baixinho no meu ouvido: — “esta é uma das minhas obras”, disse Julio. Mas a esta altura já tínhamos ouvido muitos comentários dos passageiros. Uns, inclusive, não muito elogiosos com relação à obra. Antes que eu abrisse a boca para falar em alto e bom som que estávamos com o autor daquele monumento dentro do nosso ônibus, meu pai que conhecia a tagarelice do filho, tampou levemente a minha boca. Mas o grande momento veio a seguir. O Julio vira-se para mim, num tom bem baixo, e diz: — “esta é a razão maior de uma obra de arte, provocar sensações e comentários”.

 

Mais um ensinamento que aprendi nesta nossa maravilhosa cidade.

 

Durval Pedroso da Silva Jr. é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade: escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.