O áudio vai ser considerado cidadão de primeira-classe, diz Google

 

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Foi em um encontro na Campus Party Brasil, em 2015, que tive a primeira oportunidade de discutir a força do podcast em um painel que trazia a atrevida proposta de tratarmos da “futurologia do áudio”. Fui preparado para ouvir poucas e boas de produtores de podcast que fariam parte do debate, afinal era o único representante da “grande mídia” — nome que se dá, muitas vezes com viés negativo, aos veículos tradicionais de comunicação.

 

Saí surpreso com o que ouvi de meus colegas — sim, foi assim que passei a encará-los a partir daquele encontro. Eles se anteciparam na fala para mostrar que o fato de a CBN transformar seus principais produtos em podcast facilitava a vida dos produtores independentes, que manipulavam modelo de programa ainda pouco conhecido pela maioria do público. À medida que falávamos de podcast no ar, os ouvintes se familiarizavam com o tema — disseram eles.

 

Hoje temos em produção na CBN programas que são ouvidos exclusivamente no podcast — caso do CBN Professional, que tem o comando do Thiago Barbosa. E não se coloca no ar um novo quadro ou comentarista sem “traduzi-lo” para o podcast. Deixá-lo de fazer, é a senha para abrir uma caixa de reclamações de ouvintes.

 

Há quem veja o podcast como o substituto do rádio — e não faço parte deste time, pois a transmissão ao vivo e a atualização de notícias, em tempo real, ainda se fará necessária por longo tempo. Assim, ouvir rádio — seja no carro seja em casa seja a caminho do trabalho seja como for — ainda será útil para as pessoas.

 

Para mim, o podcast é outro modelo de rádio, no qual podem ser explorados novos formatos, que não têm mais espaço na grade tradicional de programação — seriados e documentários, por exemplo. E se é um modelo de rádio, as emissoras têm de investir nele, sob o risco de enfrentarem a mesma concorrência que a televisão foi obrigada a encarar com a chegada de serviços como o Netflix.

 

Tenho insistido neste blog, sobre a relevância do áudio, ideia que se reforça a cada novo fato que surge no cenário. Nesta semana, deparei com artigo publicado por Steve Pratt — um dos fundadores do Pacific Content, produtor de podcast — no qual reproduz as intenções do Google em tornar acessível a busca de áudio da mesma maneira que hoje conseguimos encontrar texto e vídeo na internet.

 

Apesar do avanço dos podcasts, encontrar conteúdo de áudio ainda exige busca mais apurada nem sempre disponível para o público em geral. Agora, o time do Google Podcasts, liderado por Zack Reneau-Wedeen, quer usar a expertise da empresa para organizar as informações em áudio e ajudar as pessoas a encontrá-las quando precisarem ou quando quiserem.

 

O trabalho do Google poderá ser útil especialmente para parcela do público que ainda não sabe o que é podcast — seguidamente recebemos perguntas neste sentido na CBN — ou não imagina como se inscrever, baixar os episódios e acompanhar suas atualizações nas plataformas disponíveis — como é o caso do iTunes.

 

Imagine que você vá procurar informação sobre “tecnologias exponenciais”.

 

Fiz esse exercício agora para testar: nove dos 10 primeiros links que o Google me ofereceu são textos; e o décimo é um vídeo. E já que você talvez não encontre podcast sobre o tema, ofereço este link para o último episódio do CBN Professional que reúne uma série de entrevistas e informações sobre o tema.

 

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O que quero dizer é que há excelente conteúdo à disposição em áudio sendo produzido no mundo todo, mas o acesso nem sempre é fácil ou conhecido pelo público. Se esses produtos aparecerem na busca que você faz na internet, mesmo que nunca tenha ouvido falar em podcast, lá estará o arquivo à disposição.

 

“Com os incríveis podcasts produzidos todos os dias, não há uma boa razão para que o áudio não seja considerado um cidadão de primeira classe”

 

É o que disse Zack Reneau-Wedeen em uma auto-crítica ao próprio tratamento que o Google tem dado até agora a esse recurso — afirmação que reforça o que tenho falado com frequência nos últimos tempos: o futuro está no áudio.

 

Conte Sua História de São Paulo: a lição que recebi quando saltei do bonde

 

Por Adalberto Miguel Pedromônico

 

 

Tenho centenas de histórias para contar sobre São Paulo. Nessa magnífica cidade vivi minha infância e minha adolescência. Mais precisamente no bairro do Cambuci.

 

Meus pais se mudaram de Guaratinguetá para São Paulo, nunca soube as razões, em 1946, quando eu tinha dois anos. Foram morar na Rua Silveira da Mota onde ficamos até 1953, quando nos mudamos para a Rua Backer.

 

Estudei os meus quatro primeiros anos no Grupo Escolar Oscar Thompson e o ginásio no Liceu Siqueira Campos, durante quatro mal aproveitados anos. Do Liceu ficou muito marcada a convivência com o Ubiratã, irmão do Biriba, que era um mesa-tenista de renome e que se sagrara campeão sul-americano. Joguei muito contra o Ubiratã no União Mútua, do Ipiranga.

 

Muitas lembranças me vêm à mente quando me ponho a rever o passado e muitas foram determinantes para a formação de meu caráter.

 

Recordo-me com clareza de minhas idas e vindas ao centro da cidade, quando eu pegava o bonde Vila Prudente-Praça João Mendes e saltava do bonde andando sempre que o cobrador se aproximava. Cobrador esse que, como os demais, puxava a cordinha recitando: “tlin, tlin, dois prá Light e um pra mim”.

 

Certo dia um senhor de cabeça branca, mas muito lúcido, se acercou de mim que acabara de aterrisar na confluência da Rua da Glória com Lavapés, e com muita simplicidade e generosidade me recomendou que não mais fizesse aquilo. Que talvez eu não soubesse, mas que algumas personalidades públicas, como Adhemar de Barros, Jânio e outros, faziam a mesma coisa que eu quando tratavam dos recursos do povo.

 

A conversa, em princípio soou como “coisa de véio”. No entanto, “degavarinho” o recado foi deixando sua marca e eu passei a me preocupar um pouco mais com meu comportamento. Voltei a pagar a passagem.

 

Morando na Backer, minha saudosa mãe Angelina era freguesa de carteirinha do seu Joaquim, um padeiro que passava, diariamente sem falhar, desde a Lins até o final da Backer, vendendo pão e leite. Anotava os pedidos das freguesas e trazia os pães por volta das 7 horas. O mais espantoso é que ele passava antes, cerca de 5 horas, deixando uma garrafa de leite nos portões das casas que haviam feito o pedido. E o muito mais espantoso é que ao acordarmos nosso leite estava lá, no mesmo lugar onde havia sido deixado pelo burruga!

 

Outra história que costumo contar às pessoas com quem convivo, com certa riqueza de detalhes, tem a ver com meu primeiro emprego.

 

Já com 14 anos e me revelando um estudante de pouco futuro, Dona Angelina me mandou trabalhar “prá ver quanto dói uma saudade…”. Meu pai me arranjou uma vaga de contínuo, no escritório de três advogados, que ficava na Benjamim Constant, esquina com Quintino Bocaiúva, em cima das lojas Garbo. Por lá estive durante uns oito ou nove meses e aprendi muito da vida cotidiana.

 

O fato é que os três advogados tinham conta bancária na Caixa Econômica Federal, que ficava na Praça da Sé.

 

Bem, de vez em quando cada um deles — Dr. Mario Jorge, Dr. Herminio Costabile e Dr. Portugal Gouvê — preenchia, assinava e me dava um cheque de valores diversos para sacar.

 

Lá por volta das 9 horas, ia eu despreocupado da puta da vida. Pegava uma das filas de caixa e, ao chegar minha vez, entregava os cheques para o funcionário que me dava em troca um medalhão de cobre ou latão com um número gravado, que servia de senha.

 

Muito bem! Primeira parte do serviço concluída.

 

Voltava para o escritório munido de três medalhões e muita vontade de lá encontrar a filha do Dr. Mario Jorge que era um “piteuzinho” — um ou dois anos mais velha que eu. Vontade muitas vezes frustrada.

 

Passadas duas horas, voltava à agência e apresentava ao mesmo caixa os medalhões. O caixa perguntava a cada medalha: “qual o valor?”. E eu dizia certinho, uma vez que havia anotado. O funcionário tirava maços de notas da gaveta e separava cada valor, que me era entregue. Via de regra eu pedia elastiquinhos e formava três pacotes que eram enfiados nos bolsos de minha caça Rancheira, tendo identificado cada um. Atravessava a Praça da Sé, voltava para o escritório e entregava o dinheiro quando desse certo.

 

Foram muitas essas idas à Caixa e nunca tive nenhum problema.

 

Daí, quando eu digo que a vida era melhor, tudo que sabem fazer é me recriminarem e rotularem de saudosista. Ninguém é capaz de me dizer se poderemos, um dia, voltar a criar nossas crianças num ambiente desse tipo.

 

Como as histórias que aqui rememorei, tenho muitas outras. Tanto que estou escrevendo minhas memórias, antes que eu acabe.

Adalberto Miguel Pedromônico é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. E a locução de Mílton Jung. Envie a sua história para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: a biografia de Vicente Falconi, o maior consultor de empresas do Brasil

 

 

Sem medição não há gestão. Essa é uma das muitas lições ensinadas pelo mais famoso consultor de empresas do Brasil, Vicente Falconi, personagem do livro escrito pela jornalista Cristiane Correa, entrevistada do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ela tem se dedicado a escrever a história dos principais empresários e gestores do país desvendando algumas das estratégias que transformaram as empresa em sucesso e identificando falhas que cometeram ao longo de suas carreiras.

 

Em “Vicente Falconi, o que importa é o resultado”, Correa descreve como o consultor ajudou o Brasil a escapar de um apagão que seria catastrófico para a economia nacional. Por outro lado, revela sua surpresa ao descobrir que o homem que salvou muitas empresas enfrentou dificuldades para tocar o seu próprio negócio.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Participaram do programa Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: a marca da Maria Fumaça no meu vestido xadrez

 

Por Marcia Sotratti
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Até hoje trago na memória a alegria dos tempos de infância. Acho que ninguém se esquece desse tempo mágico. Toda vez que os sinos da Igreja de Santa Teresinha começam a tocar, sinto na boca o saboroso grostoli preparado pela vovó Adélia, lá na rua  Pelegrino.

 

Com esse delicioso sabor, posso sentir novamente o trepidar da Maria Fumaça que se aproximava… ouvir seu apito … ver a fumaça que subia aos ares e nós, junto de outras pessoas, dando um jeito de fugir das fagulhas que se espalhavam por onde passava.

 

Aos dois anos, tive um vestidinho xadrez que ficou furado pelos pedacinhos incandescentes de carvão

 

Essa locomotiva era a vida desse pedaço da cidade de São Paulo. Servia com muito préstimo a Santana, Santa Teresinha, Mandaqui, Tremembé, entre tantos outros bairros.

 

Como não se lembrar do Jaçanã, imortalizado pelo querido Adoniran Barbosa, em ‘Trem das Onze’?

 

Era muito gostoso ir ao Horto Florestal com o trenzinho. Um passeio  pra lá de agradável.

 

No início da década de 1960, esse trenzinho já circulava em nova roupagem, mais moderno, todo verde e alimentado com outro tipo de combustível. Até que um dia deixou de passar, ficando na lembrança de todos.

 

Hoje, entre o Mandaqui e Santa Teresinha. cruzam carros em seu trajeto; e a rua Manoel da Mata continua sendo chamada pelos mais antigos de Linha do Trem.

 

Márcia Sotratti é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br 

Conte Sua História de São Paulo: o filho da Dona Ernesta foi a guerra

 

Por Olívio Segatto
Ouvinte da CBN

 

 

Em 1944, morava no bairro do Piqueri, próximo a Freguesia do Ó. Tinha oito anos de idade. Em frente a nossa casa morava uma família cuja mãe, dona Ernesta, tinha vários filhos.

 

A Segunda Guerra Mundial estaca ocorrendo na Europa.

 

Um dia, soubemos que um dos filhos da dona Ernesta, Bruno Serra, havia sido convocado para o exército e participaria da tropa brasileira que em breve embarcaria para a Itália, onde ficaria instalada sob o comando aliado, no combate ao nazismo e ao facismo.

 

A partir desse momento, medo, preocupação e ansiedade envolveram os familiares e a vizinhança.

 

Na ocasião, por motivos de segurança, a capital à noite ficava às escuras, sendo que nas casas eram usadas pequenas velas.

 

Nós, as crianças da época, ficávamos agrupados nas calçadas, curioso e com medo, acompanhando os movimentos dos holofotes que refletiam no céu, que eram manobrados no Campo de Marte como treinamento.

 

Passados 15 dias daquela convocação, eis que chega um caminhão do exército lotado pelos Pracinhas que fariam a mesma viagem do filho da Dona Ernesta.

 

Nesse instante todos os moradores da rua Coronel Bento Bicudo se colocaram ao redor do caminhão para a despedida ao jovem Bruno, com desejos de retorno.

 

Da casa, sairam mãe e filho abraçados. Ela, em um choro convulsivo, éera acompanhada por muitas pessoas em lágrimas.

 

Só em 1945, fomos conhecer o fim daquela história.
Ao fim da guerra, o Brasil registrou 443 mortes e cerca de 3 mil feridos.

 

A maioria dos pracinhas retornou para suas casas e entre eles estava Bruno Serra, recebido de joelhos pela mãe.

 

As cenas por mim descritas nunca se apagaram de minha memória.

 

Olivio Segatto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é da Débora Gonçalves. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: envie seu texto para milton@ cbn.com.br. Para ouvir outras histórias visite agora o meu blog miltonjung.com.br

Mundo Corporativo: Roberto Tranjan ajuda você a encontrar o seu propósito

 

 

“Quem vive sem propósito é presa fácil da entropia, geradora de preocupação, medo e estresse”. O alerta é do Roberto Tranjan, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Empresário e economista, Tranjan recomenda que os profissionais busquem empresas que tenham propósitos com os quais se identifiquem sob o risco de, em pouco tempo, se frustrarem com o resultado obtido no trabalho.

 

Tranjan é autor do livro “O velho e o menino, a instigante descoberta do propósito”. (BUZZ editora) no qual mostra que um propósito bem definido proporciona transformações na vida.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página do Facebook, da CBN, e o programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN. A colaboração é de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

A valorização do rádio com as caixas de som inteligentes

 

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Em “Jornalismo de Rádio”, livro que escrevi, em 2004, já apostava na ideia que a internet e as tecnologia digitais ofereceriam novo fôlego para o veículo. Havia sinais claros das possibilidades que teríamos para explorar as inovações que surgiam.

 

Era uma época em que os aplicativos ainda não eram realidade, mas a internet apresentava-se como meio para levar nossa programação ao infinito e além. Apostava na ideia que os celulares substituíram os aparelhos portáteis de rádio, movidos à pilha.

 

Seja captando as ondas da freqüência modulada, seja reproduzindo o som digital pelos aplicativos, o rádio ganhou nova dimensão. Não bastasse seu produto também ser distribuído agora no formato de podcast.

 

Estou curioso para ver como as caixas de som inteligentes, que prometem comandar as casas automatizadas e já têm um competitivo mercado em disputa nos Estados Unidos, tornarão o rádio ainda mais significativo.

 

Esses alto-falantes, que deixaram de ser apenas reprodutores de áudio bluetooth, estarão conectados com dezenas de equipamentos nas residências e oferecerão fácil acesso às emissoras de rádio.

 

Acordar logo cedo e pedir para Alexia, da Amazon, sintonizar a rádio CBN poderá se transformar em comportamento tão comum quanto ir ao banheiro para escovar os dentes.

 

Emissoras americanas já incluem nos seus anúncios o pedido para que o ouvinte acesse a rádio por este meio, assim como divulga o dial ou os convida a baixar o aplicativo da emissora.

 

Randy Gravley, do Conselho de Rádio da National Association of Broadcasters (NAB), foi entrevistado pelo site Radio World e fala da expectativa de as caixas de som inteligentes darem novo impulso à audiência do rádio em todo o mundo.

 

Leia aqui a entrevista do executivo

 

A persistirem os sintomas, logo o ouvinte vai falar com o rádio. O que talvez não seja uma novidade para você, caro e raro leitor deste blog, que faz parte daquela legião de ouvintes que responde ao bom dia quando começamos o programa, e faz comentários em voz alta no carro enquanto apresentamos o Jornal.

 

Americano que é sucesso no You Tube aprende português ouvindo a CBN

 

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Este vídeo não existe

 

 

Você fala no rádio e influencia pessoas. Seja pela informação que pode ser transformadora seja pelo que ela aprende ao ouvi-lo: vocabulário rico, palavras pronunciadas corretamente, respeito as regras gramaticais. De onde se percebe que nosso trabalho diário à frente do microfone é pedagógico. E exige enorme cuidado. Precisão. Atenção no que dizemos.

 

Pensei sobre o assunto ao ouvir o youtuber Gavin Roy, americano nativo, apaixonado pela língua portuguesa. Ele mantém o canal Small Advantages no You Tube e tem mais de 980 mil inscritos, onde ensina brasileiros a falar inglês. Dá dicas de pronúncia, sugere livros e conta curiosidades dos Estados Unidos.

 

O que ele tem a ver com a linguagem que usamos no rádio?

 

No trecho da entrevista destacado neste post, que foi ao ar no canal AskJack, também no You Tube, ele conta que ouvia a rádio CBN antes de saber falar português: “queria saber como era o som do português em comparação com o espanhol”, diz com todo sotaque americano que lhe é de direito.

 

Pensar sobre a responsabilidade que temos na formação da língua e na educação das pessoas é fundamental em um momento no qual muita gente confunde informalidade com ignorância. Acredita que falar errado, abrir mão de regras gramaticais, viciar-se em jargões e gírias aproxima você do cidadão. Fazer isso é um desserviço à sociedade.

 

O importante é que se fale de maneira que as pessoa entendam o recado e respeitando a língua portuguesa, que aceita muito bem a forma coloquial, como nosso colega professor Pasquale Ciro Neto sempre reforça em seus comentários no “Nossa língua de todo dia”, no Estúdio CBN.

 

Eu sempre me esforcei em tratar a língua portuguesa com carinho, mesmo que, às vezes, pelo improviso que a fala no rádio nos exige, ocorram tropeços. Identificados, corrigi-se. O ouvinte merece.

Como a força do rádio, uma ideia que surgiu em Campo Grande já está na China

 

O autor do texto a seguir é um empreendedor. Um jovem empreendedor como muitos outros que entrevistei na série CBN Young Professional. Dia desses, fez contato comigo e contou o resultado daquela nossa conversa, há dois anos e meio. Pedi para publicar aqui no blog como exemplo do poder transformador do rádio

 

Pra você que quer ser jornalista…

 

Por Felipe Dib

 

Hello, my friend! How are you?

 

Era uma manhã de setembro de 2015 quando meu celular tocou, aqui em Campo Grande – MS. Do outro lado, falava um cara chamado Mílton, jornalista da CBN. Entrei em um carro para ver se escutava melhor o que ele me dizia e conversamos por 16 min 50s

 

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Ouça aqui a nossa conversa

 

Saí do carro e voltei à rotina: gravar vídeo-aulas gratuitas para o www.voceaprendeagora.com, um curso de inglês e liderança online que iniciei para agradecer a Deus depois de um acidente grave de carro.

 

A vida seguiu e no dia 20 daquele mês o bate-papo foi publicado no programa CBN Young Professional, que eu também nunca tinha ouvido falar. Aquela transmissão mudaria a vida de milhões de pessoas no outro lado do mundo. Pessoas que possivelmente nunca iremos encontrar na vida.

 

Em um rancho em Bauru, no interior de São Paulo, um senhor chamado Marcos escutava nossa conversa pelo rádio. Ouviu Mílton e eu dizendo que o inglês é um desafio pra muita gente (principalmente quem não tem muito tempo nem muito dinheiro!) e ficou ali pensando em sua filha Sophia, que assim como eu também é professora de inglês.

 

O Marcos ligou pra Sophia e falou pra ela entrar em contato comigo.

 

Sophia estava logo ali, em Guangzhou.

 

Yes, my friend. Na China!

 

Sophia acatou a sugestão do pai e me mandou uma mensagem no LinkedIN. Demorei meses pra ler a mensagem porque nunca acesso o LinkedIN. Por falar nisso, vou lá agora ver quanto tempo demorei pra ler a mensagem, porque desde a resposta para a Sophia nunca mais voltei lá!

 

Just a moment, please…

 

Demorou mas achei. Sophia manda mensagem no dia 20/9/2015. Look:

 

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Eu respondo 4 meses depois. Look:

 

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Resumindo: pai e filha vem a Campo Grande; nos conhecemos pessoalmente; Sophia começa a compartilhar aulas gratuitas de inglês para que os chineses que não tem condições de pagar um curso de inglês possam aprender esse idioma.

 

Lá não tem YouTube, mas tem YouKu:

 

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Saiba que você pode impactar 1 bilhão de pessoas com uma entrevista sua. Seja apaixonado pelo que você faz e estude muito para ser o melhor. Hoje eu conheço, admiro e sou eternamente grato de ter conhecido Mílton Jung, o cara que fez isso acontecer.

 

Um abraço e see you next class.