Durante décadas, marcas brasileiras se moldaram pela lógica da cópia — de filmes publicitários a estratégias de posicionamento — numa tentativa de reproduzir modelos estrangeiros como se a receita funcionasse universalmente. Mas esse cenário começa a mudar. A apropriação legítima da cultura nacional tem ganhado espaço no universo do branding. É o que apontam Jaime Troiano e Cecília Russo no comentário desta semana do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.
Jaime Troiano relembra um tempo em que era comum replicar campanhas internacionais, sob a falsa premissa de que o sucesso em um lugar lá fora garantiria o mesmo resultado no Brasil. “A sensação era de que tudo serve para tudo, e não é verdade”, afirma. Ele cita o economista Eduardo Giannetti para explicar a tensão entre o comportamento mimético — o que copia — e o profético — o que nasce das raízes culturais. E vê sinais de reequilíbrio: “Quando eu entro numa loja da Farm ou penso na Embraer, no Itaú, no Boticário, sinto um forte sopro de brasilidade”.
Cecília Russo acrescenta exemplos da valorização da identidade nacional no varejo, na gastronomia e nas expressões culturais. Menciona a marca Misci, que traduz no vestuário o ‘suco do Brasil’, e o caso do chocolate Dengo, que transforma o cacau brasileiro em símbolo de identidade e sofisticação. “A nossa cultura está invadindo o espaço do branding”, diz ela, reforçando que “as marcas se alimentam dessa mesma raiz e do sentido de orgulho que elas inspiram”.
A força dessa mudança está também nas figuras públicas que atuam como marcas vivas da cultura nacional — como Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Raíssa Leal, Rebeca Andrade, Isaquias Queiroz e Bia Haddad. “Essas pessoas são hoje expressões do Brasil que impactam o mundo e inspiram o fortalecimento de marcas com alma brasileira”, afirma Cecília.
A marca do Sua Marca
Marcas que mergulham na cultura brasileira e a celebram genuinamente constroem identidade sólida e alimentam o orgulho coletivo de ser brasileiro.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.
Gravação da entrevista de Carolina Junqueira. Foto: Priscila Gubiotti/CBN
“Não se apaixone pelo seu programa de compliance.”
Carolina Junqueira, Grupo Globo
A reputação de uma empresa pode ser abalada por uma única falha ética. E manter o comportamento institucional alinhado com a lei e os princípios morais não depende apenas de cartilhas formais, mas da atuação consistente de lideranças e da criação de um sistema de governança que vá além do discurso. Esse é o foco da entrevista com Carolina Junqueira, diretora de riscos e compliance do Grupo Globo, no programa Mundo Corporativo.
“Entender qual o perfil de risco da empresa e concentrar os seus recursos no enfrentamento daquelas questões é a melhor forma de criar um programa de compliance eficiente”, afirma Carolina. Segundo ela, o compliance não deve ser visto como uma área distante, e muito menos como um “repositório” de problemas que ninguém sabe resolver. “Compliance não pode ser um instrumento de resolução de conflitos, se não existem outros mecanismos na empresa para isso.”
Liderança, confiança e regras claras
A diretora do Grupo Globo destaca que o papel das lideranças é “fundamental para pautar o tom das relações, identificar questões nas equipes e criar um ambiente em que a resolução de conflitos seja possível antes que vire uma questão ética”. Essa perspectiva reforça a ideia de que o compliance não pode ser isolado num departamento, mas deve permear toda a cultura organizacional.
Na prática, isso se traduz em três pilares: clareza das regras, canais seguros de denúncia e atuação independente do compliance. “Quando você tem uma regra clara, fica mais fácil cobrar o cumprimento dessa regra”, afirma. Na Globo, esse conjunto está formalizado no código de ética e conduta, que é conhecido por funcionários, parceiros e prestadores de serviço.
Outro ponto sensível é o sigilo no tratamento das denúncias. “Essa confidencialidade é uma forma de proteger o sistema como um todo”, explica Carolina, ao lembrar que o cuidado com os envolvidos garante a confiança no processo. “As pessoas se sentem mais estimuladas a nos procurar quando sabem que o relato será tratado com respeito e discrição.”
Compliance é para todos
Ainda que muitas vezes seja visto como algo restrito às grandes empresas, o compliance é igualmente relevante para pequenos negócios. “Primeiro, olha o risco que você corre”, alerta Carolina. Até mesmo um pequeno comércio pode ter interações com agentes públicos, estar sujeito a legislações trabalhistas ou correr o risco de falhas éticas no ambiente interno. “Compliance é conformidade com as leis e regulamentos que se aplicam ao seu negócio.”
A recomendação é que, independentemente do porte, o empreendedor identifique os principais riscos do seu setor e adote mecanismos simples para prevenir desvios. Isso pode começar com um código de conduta, um canal seguro de escuta e um comitê ético com autonomia para analisar relatos. “Mesmo em empresas menores, a estrutura pode existir de forma proporcional à realidade”, reforça.
Carolina também aponta que a diversidade nas equipes de compliance é uma vantagem estratégica. “Esse conhecimento do dia a dia, da realidade das pessoas, ajuda muito na avaliação dos casos e gera acolhimento para quem nos procura.”
Ouça o Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.
Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.
Corria o ano de 1967 e minha família – eu, papai, mamãe e minhas duas irmãs – mudávamos de Santos para São Paulo. Na capital, papai recomeçaria a vida depois de momentos profissionais difíceis em Santos.
Viemos para o Itaim, na época um bairro de classe média baixa, recortado pelo Córrego do Sapateiro, que ligava o Ibirapuera à Marginal do Pinheiros e era circundado por uma enorme favela. Morávamos praticamente ao lado dessa favela. E estudávamos na escola pública, boa na época, Ludovina Credidio Peixoto, que existe até hoje. Meus amigos eram a turma favela, que frequentava minha cara e por quem sempre tive carinho e amizade. Alguns morreram, outro foi assassinado, houve os que se perderam na vida e os que venceram as dificuldades e saíram da miséria.
Sempre amei ler, desde aquela época. Lia o que caía em mãos, principalmente gibis de heróis — (Homem-Aranha, Conan, .. ) — eram raros e caros.
Na minha esquina havia a banca do Seu José. Ele vendia revistas e jornais. Eu era conhecido dele porque vivia folheando os gibis. Com o apoio de minha mãe, fiz um acordo com Seu José: enquanto ele dava uma pausa para almoçar, eu tomava conta da banca e poderia ler as revistinhas. Maravilha! Melhor “salário”, impossível!
Durou pouco tempo – um tempo inesquecível. Alguns meses depois, papai começou a trabalhar na Editora Abril e voltava para casa com um caixote cheio de publicações da editora. Aí é que me afundei na leitura de vez.
Essa paixão perdura até hoje e consegui transmiti-la aos meus filhos Júlia e Vitor, ávidos leitores. Durante a infância deles, sempre frequentamos livrarias como a Cultura e a Martins Fontes. Eles sempre me ouviram falar:“escolham um livro, eu nunca vou negar um livro a vocês”.
Acredito que ler é viver. Fico triste sempre que uma livraria ou editora fecha e, se pudesse, acabaria com impostos sobre livros. Recuperar o prazer da leitura, seja em papel ou no digital, devia ser foco do ensino básico. Pobre país que se esquece do seu povo e de sua cultura. Se pudesse dar um presente à nossa cidade, daria um livro de para cada um que aqui vive.
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Marcelo Bailão Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade você visita agora o meu blog miltonjung.com.br ou vai lá no Spotify e coloca entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Identidade indefinida, comunicação incoerente, promessas quebradas e descaso com o consumidor são alguns dos erros capazes de afundar uma marca. Esse alerta foi o tema do comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo no Jornal da CBN.
“Quando a marca não sabe o que ela quer significar realmente, temos um grande problema, porque ela pode ser qualquer coisa”, destacou Cecília Russo ao apontar a falta de uma identidade clara como um dos principais erros. Ela ressaltou também que “mensagens desencontradas ou mudança constante de tom verbal ou identidade visual, ou até mesmo o silêncio” prejudicam profundamente uma marca, já que geram confusão e desconfiança nos consumidores. Por fim, Cecília acrescentou que ignorar ou desconhecer o consumidor “é fatal”, porque as pessoas desejam ser tratadas de maneira única e valorizada.
Jaime Troiano chamou atenção para os perigos das “promessas não cumpridas”. Segundo ele, “marcas que prometem algo e entregam outra causam experiências desagradáveis e perda de credibilidade”. Outro erro destacado foi o descaso com o atendimento ao consumidor: “ignorar feedbacks, demorar para responder ou tratar mal os clientes é sempre imperdoável”, principalmente em tempos de avaliações instantâneas na internet. Além disso, Troiano alertou que “não acompanhar tendências e inovações” pode condenar uma empresa à obsolescência, embora mudanças devam ser feitas com cautela, respeitando a essência da marca.
A marca do Sua Marca
A principal marca deste comentário é o aprendizado com os erros, um guia prático para evitar que as empresas se sabotem e coloquem em risco sua credibilidade e relevância no mercado.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.
Sou um apaixonado por cinema desde criança. Nasci em Cananéia, onde morei até os sete anos de idade. Naquela cidadezinha ainda sem televisão, um dos meus maiores divertimentos era ir ao cinema aos domingos, assistir a Os Três Patetas e Flash Gordon (aquele de 1936), que era exibido em formato de seriado.
Corta para 1983, cerca de quinze anos após minha mudança para São Paulo. Por indicação de um amigo, Eduardo Ramires, fui contratado para trabalhar como gerente no Cineclube Bixiga, na Rua Treze de Maio, 124.
Foi a primeira sala de projeção em São Paulo a, entre outras novidades, permitir a reserva antecipada de assentos marcados. Sua programação era bastante específica:
Segundas-feiras: exibição de filmes nacionais, seguida de debates – muitas vezes com a presença dos próprios diretores.
De terça a domingo: filmes europeus, americanos, asiáticos, enfim, o que se chamava, na época, de “filmes de arte”.
Sextas-feiras e sábados: uma sessão especial à meia-noite, sempre com um filme diferente.
A cabine de projeção ficava em uma espécie de aquário, permitindo que o público que aguardava no hall visse o projecionista em ação. Além disso, um projetor exibia animações francesas, polonesas, italianas e de outras nacionalidades na parte interna do toldo do cinema, tornando a espera ainda mais especial.
Durante minha passagem pelo Cineclube Bixiga, conheci pessoas incríveis: Diogo Gomes dos Santos e Antônio de Gouveia Jr., idealizadores do projeto; Adhemar Oliveira, que mais tarde criaria o Cineclube Estação Botafogo no Rio de Janeiro e, hoje, está à frente do Espaço Itaú de Cinema; Felipe Macedo, uma das maiores autoridades em cineclubismo, fundador do Cineclube Oscarito, que ocupou o antigo espaço do Cine Bijou, na Praça Roosevelt. E tantos outros: Arnaldo Vuolo, Adalberto Vieira…
Também tive o privilégio de conhecer cineastas como João Batista de Andrade, Denoy de Oliveira e Ivo Branco.
Trabalhava no período da noite, mas, algum tempo depois, fui convidado a assumir o turno diurno, cuidando da administração. Para me substituir no horário noturno, contrataram um jovem cineasta que havia acabado de ganhar um prêmio em Gramado por uma animação em Super 8. Um nome que, na época, ainda era pouco conhecido, mas que hoje dispensa apresentações: Carlos Imperio Hamburger, mais conhecido como Cao Hamburger – criador de sucessos como Castelo Rá-Tim-Bum, Xingu e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, filme que representou o Brasil no Oscar de 2008.
Só São Paulo possibilita esses encontros e histórias.
Eu poderia contar sobre quando vi Renato Braz começando sua linda trajetória no Café Paris, ou sobre Mônica Salmaso, mas essa é uma história para outro momento. Hoje, o tema é o cinema.
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Ednaldo José Silva de Camargo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade você visita agora o meu blog miltonjung.com.br ou vai lá no Spotify e coloca entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
“Diversidade e inclusão não são custo nem moda; são estratégia de negócio que traz resultado financeiro para as empresas.”
Vetusa Pereira, Heineken
O Brasil avança com estratégias efetivas de diversidade e inclusão no ambiente corporativo, enquanto assistimos a movimentos contrários ganhando espaço internacionalmente, como mostram os recuos nos Estados Unidos de Donald Trump. No entanto, para que o país se proteja dessa onda de retrocesso é preciso entender como essas iniciativas afirmativas podem ser transformadas em resultados práticos. Nesse sentido, o Mundo Corporativo entrevistou Vetusa Pereira, gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Grupo Heineken.
Segundo Vetusa, é fundamental desmistificar a ideia de que diversidade é um gasto sem retorno ou apenas um modismo passageiro. “Se as pessoas realmente se debruçarem sobre os estudos, esse mito cai rapidamente”, afirmou.
Inclusão com resultado
A experiência do Grupo Heineken no Brasil ilustra bem a possibilidade de crescimento por meio de políticas claras de diversidade. Vetusa destaca que, nos últimos anos, a representatividade feminina na liderança da empresa saltou de pouco mais de 20% para 44%, com meta de alcançar 50% até 2026. Já na questão racial, a companhia atingiu quase 37% de lideranças negras, com um objetivo declarado de chegar a 40% até 2030.
Esses resultados, segundo ela, só foram possíveis graças a uma análise detalhada da realidade interna e externa da empresa, estabelecendo ações específicas como programas de aceleração de carreira, treinamentos corporativos e apoio no desenvolvimento profissional e pessoal dos colaboradores.
Vetusa enfatiza que diversidade e inclusão geram uma conexão real com os consumidores, contribuindo diretamente para os resultados financeiros das empresas. “Se queremos chegar ao coração e ao copo de todos os brasileiros, precisamos falar uma linguagem diversa e inclusiva”, destacou.
Meritocracia e equidade
Sobre o debate envolvendo meritocracia e ações afirmativas, Vetusa esclarece que ambas são compatíveis desde que aplicadas corretamente. Ela explica que as políticas internas são desenhadas para oferecer ferramentas adequadas de desenvolvimento, garantindo que todos possam competir em igualdade de condições. “Ninguém vai promover alguém só por ser mulher ou pessoa negra. Precisa haver repertório de conhecimento”, pontuou.
Outro aspecto abordado por Vetusa foi o papel da comunicação, descrita por ela como fundamental no avanço das iniciativas de diversidade. A Heineken investe em treinamentos específicos que ensinam lideranças e colaboradores a comunicarem suas demandas e necessidades sem cair em extremismos ou receio de “cancelamento”. Segundo ela, “o objetivo não é policiar, mas letrar e educar com empatia e diálogo”.
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Uma pesquisa, publicada pelo jornal Valor Econômico, revelou que o rádio é o veículo de comunicação com maior credibilidade para o público brasileiro. O levantamento, realizado pela Ponto Map e V-Tracker, destacou que veículos tradicionais de jornalismo profissional continuam mais confiáveis do que as redes sociais.
Segundo a reportagem assinada por Alex Jorge Braga, apesar da popularização das mídias digitais, a preferência e confiança do público permanecem nos veículos tradicionais, especialmente no rádio, devido à clareza, agilidade e proximidade com os ouvintes. A credibilidade atribuída ao rádio reflete uma busca crescente por informações verificadas e responsáveis, em contraste com as informações não filtradas que circulam pelas plataformas digitais.
Juliana Paiva, especialista em Gestão e Estratégia em Mídia, Planejamento Estratégico para Áudio e Expansão de Redes de Rádio e TV, destaca que a credibilidade do rádio também decorre de características específicas: “Ele é 100% brasileiro, é local mesmo sendo rede, é auditado por terceiros e não ‘compra’ ouvintes. Além disso, tem uma legislação que impede abusos e é acessível: é de graça””. Para Juliana, essas características, somadas à capacidade do rádio em estabelecer vínculos afetivos com os ouvintes, tornam-no um meio confiável e essencial.
Esse resultado reforça o papel fundamental dos meios tradicionais, especialmente do rádio, em tempos de excesso de informação e disseminação de conteúdos duvidosos. Ao priorizar a apuração rigorosa e uma comunicação clara, o rádio se mantém como referência de informação confiável e acessível para milhões de brasileiros.
No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte da CBN Thays Bertin Rodrigues:
Minhas primeiras lembranças de São Paulo são da infância. Eu sabia que havíamos chegado à capital pelo obelisco imponente que nos recebia logo na entrada de quem vinha da Rodovia dos Bandeirantes — e pelo perfume nem tão agradável do Rio Pinheiros.
Observava a cidade através da janela do Escort branco da família, a caminho do litoral sul. Sentia uma mistura de ansiedade e euforia, uma energia que me arrepiava. Naquele momento, sem saber interpretar, já percebia uma conexão com a cidade, uma vibração dessa metrópole imensa — tão gigantesca quanto os sonhos de uma menina de oito anos, sem imaginar que, um dia, aquele cenário se tornaria seu destino.
Foi somente em 2018, na fase dos “de repente 30”, que me tornei residente da cidade. Nos anos seguintes, São Paulo me presenteou com muito: amigos, cultura, diversidade e até um Rio Pinheiros com um novo perfume, que passou a me acompanhar diariamente no caminho para o trabalho.
Depois, veio a pandemia, um período de restrições e isolamento. E, quando menos esperava, São Paulo me trouxe um marido de origem nordestina e, em seguida, o privilégio de gerar no meu ventre um futuro paulistano.
Hoje, às 18h, na Estação Pinheiros, enquanto faço a baldeação entre a Linha Amarela e a CPTM, olho para cima. Vejo os andares repletos de escadas rolantes, as pessoas indo e vindo, a cidade pulsando com sua funcionalidade, sua diversidade! Tudo aquilo me lembra um formigueiro — igual ao que vi no Planeta Inseto no último sábado, quando levei meu pequeno paulistano para conhecer.
É nessa grandiosidade da Estação Pinheiros que sinto, novamente, a mesma conexão e vibração que me arrepiavam quando era apenas uma menina do interior. É como um espelho: nessa São Paulo, reconheço quem eu sou. Amiga, diversa, funcional, alegre, forte e, ao mesmo tempo, doce. Grande!
E, nesse olhar ao espelho, me apaixono novamente. Pela minha vida. Por quem sou. Pela cidade que escolhi e que também me escolheu: São Paulo.
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Thays Bertin Rodrigues é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora meu blog miltonjung.com.br ou vá até o Spotify e adicione entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Reprodução do vídeo do Mundo Corporativo com Paula Klajnberg
“Adoro um ‘não’.”
Paula Misan Klajnberg, Electy
O que leva uma empreendedora a insistir em um mercado altamente regulado e resistente à mudança? Para Paula Misan Klajnberg, CEO e cofundadora da Electy, a resposta é simples: cada negativa recebida foi um incentivo para provar que era possível criar um novo modelo no setor de energia. Transformar desafios em oportunidades foi essencial para estruturar a primeira plataforma digital que conecta consumidores e geradores de energia limpa no Brasil. Essa jornada de inovação e resiliência foi tema da conversa no Mundo Corporativo.
Construindo um novo modelo de negócios
A proposta da Electy nasceu da necessidade de simplificar a adesão ao mercado livre de energia, tornando-a acessível para consumidores residenciais e empresas. “O desafio inicial foi lidar com o excesso de ‘nãos’. Nos diziam que vender energia digitalmente não era possível, que não haveria energia disponível. Mas descobrimos que a dificuldade estava no fato de que isso nunca tinha sido feito antes”, contou Paula.
Além dos desafios técnicos e regulatórios, outro obstáculo foi a estrutura organizacional das startups que atuam nesse setor. Segundo Paula, a hierarquia reduzida e a proximidade da liderança com a equipe são fundamentais para a inovação. “Para inovar, para ser ágil nesse mercado, a gente tem que ter essa proximidade com quem está na ponta, porque a gente corrige rápido. Não dá para ter um nível hierárquico muito longo, senão você demora muito a perceber isso.”
A presença feminina no setor de energia
Embora tradicionalmente dominado por homens, o setor de energia tem visto um crescimento significativo na presença feminina em posições de liderança. Paula destaca que as mulheres que atuam nesse mercado têm desempenhado um papel fundamental na inovação e na transformação do setor. “As mulheres da energia fazem algo que raramente vi em outros mercados: elas se apoiam. Essa rede de colaboração tem sido essencial para superar desafios e impulsionar novas ideias”, afirmou. Com lideranças femininas à frente de grandes comercializadoras e geradoras, a diversidade tem sido um fator determinante na evolução do mercado energético.
O futuro do mercado de energia e a importância da tecnologia
A Electy aposta na digitalização para facilitar a migração dos consumidores para o mercado livre de energia. Com a abertura desse mercado prevista para os próximos anos, a possibilidade de escolher o fornecedor de energia se tornará uma realidade para milhões de brasileiros. “Hoje, o consumidor já pode economizar de 10% a 30% na conta de luz, dependendo da região e da oferta disponível”, explicou a executiva.
Paula também destacou que o setor energético ainda tem um longo caminho a percorrer na adoção da inteligência artificial. “A geração de energia já está dominada, mas as startups que tiverem foco em automação de processos e experiência do consumidor terão muitas oportunidades. Inteligência artificial ainda está começando a ser explorada no setor.”
Com uma estratégia baseada em parcerias e na tecnologia, a Electy se projeta para ser uma referência na democratização do acesso à energia limpa no Brasil. “A Electy será a plataforma de energia para todo mundo. Nosso objetivo é centralizar as soluções e personalizar as ofertas para cada consumidor”, afirmou Paula.
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Reprodução de vídeo do Mundo Corporativo com João Sanches
“A rapidez na tomada de decisão e mudança de rumo da companhia é um ponto bem importante para que você possa acompanhar e ter bons investimentos dentro desse mercado.”
João Sanches, Trinity Energias Renováveis
Construir credibilidade no mercado de energia renovável exige mais do que tecnologia avançada e capacidade de investimento. Para João Sanches, CEO e fundador da Trinity Energias Renováveis, a transparência e uma governança corporativa sólida foram fatores decisivos para que sua empresa conquistasse espaço e estabelecesse parcerias de longo prazo com grandes geradores e consumidores do setor. Esse foi o tema da entrevista concedida ao programa Mundo Corporativo.
Governança como diferencial competitivo
Desde a sua fundação, a Trinity buscou estruturar processos internos para garantir transparência e confiabilidade nos números apresentados ao mercado. “No início, nós tínhamos uma grande dificuldade de fazer negócios com grandes empresas, mas depois da governança implantada e da transparência que trouxemos para o mercado, conquistamos a confiança de grandes geradores e consumidores”, afirmou Sanches.
A credibilidade conquistada permitiu que a empresa firmasse contratos de longo prazo, fundamentais no setor de energia, que envolvem compromissos de até 30 anos. O reconhecimento do trabalho veio com a classificação da Trinity como a melhor empresa de energia no quesito governança corporativa no anuário 360º da Época Negócios.
O impacto das mudanças regulatórias e as novas oportunidades
O setor de energia está em constante transformação, e acompanhar as mudanças regulatórias é essencial para manter a competitividade. “Existem muitas mudanças acontecendo e que estão por acontecer. A modernização do setor trará muitas oportunidades, e estar preparado para essas transformações é crucial para a gestão das empresas de energia”, destacou o CEO da Trinity.
A empresa também investiu na geração distribuída de energia solar no Nordeste, uma região que oferece vantagens como maior incidência solar e menores custos de terra. Além disso, incentivos financeiros do Banco do Nordeste favoreceram a tomada de decisão. “A análise de viabilidade financeira mostrou que essa era a melhor região para os nossos investimentos”, explicou Sanches.
Outro ponto relevante é a expectativa de expansão do mercado livre de energia para consumidores residenciais entre 2026 e 2028. Essa abertura poderá trazer novas oportunidades de negócio, desde que haja infraestrutura para escoamento da energia gerada em regiões como o Nordeste para os grandes centros de consumo.
O futuro do setor e o armazenamento de energia
Com a transição energética em curso, o armazenamento de energia desponta como uma das grandes tendências. “A tecnologia está permitindo a construção de baterias de grande porte a custos cada vez menores, assim como ocorreu com os painéis solares”, observou Sanches. Ele ressaltou que a Trinity já começou a oferecer soluções de armazenamento para clientes que precisam de segurança energética, como hospitais. O armazenamento de energia também pode mitigar os riscos de oscilações no fornecimento, garantindo maior estabilidade para consumidores e empresas que dependem de um suprimento constante, como indústrias e serviços essenciais. “Hoje, muitos hospitais utilizam geradores a diesel como plano B, mas a bateria oferece uma solução mais confiável e eficiente”, acrescentou Sanches.
A importância da comunicação
Para enfrentar os desafios do setor, o CEO da Trinity destaca a importância da comunicação. Internamente, ela é essencial para manter a equipe alinhada e preparada para mudanças. “A comunicação interna clara garante que todos saibam para onde a empresa está caminhando e quais são as prioridades”, afirmou Sanches. Ele também enfatizou a importância da troca de experiências dentro da organização, permitindo que a equipe se antecipe a mudanças no mercado e ajuste estratégias conforme necessário.
Externamente, a comunicação desempenha um papel fundamental na construção de relações com parceiros e concorrentes. “A comunicação nos permite entender as tendências, trocar experiências e aprender com o mercado”, explicou o CEO. Segundo ele, manter um canal de diálogo com outros players do setor ajuda a identificar oportunidades e aprimorar as práticas de negócio.
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