Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando o consumo atravessa fronteiras e amplia identidades

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As marcas deixaram de caber em um território. Basta observar um movimento que já faz parte da sua, da minha rotina: compramos de fora, estudamos fora, investimos fora — e, muitas vezes, sem sequer perceber de onde vem aquilo que consumimos. Um desafio aos gestores de marca, como alertaram Jaime Troiano e Cecília Russo na conversa que tivemos neste sábado, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

Outro dia, navegando por um site de compras, me dei conta de que aquele produto que parecia tão próximo vinha, na verdade, de outro continente. Não era exceção. É regra. Como resumiu Cecília Russo: “o consumo hoje não tem mais um endereço único”. A frase parece simples, mas carrega uma mudança profunda. O endereço deixou de ser geográfico e passou a ser simbólico.

Entramos em uma loja física no Brasil e levamos para casa algo produzido na Ásia. Abrimos um aplicativo e encontramos a etiqueta “compra internacional” com a mesma naturalidade de quem escolhe entre tamanhos e cores. A origem já não é o fator decisivo. É o desejo que fala mais alto.

Esse movimento vai além do carrinho de compras. Está nos jovens que buscam intercâmbio ainda no ensino médio. Está nas famílias que reorganizam a vida para estudar fora. Está nas plataformas que conectam estudantes a universidades estrangeiras. Nesses casos, não se compra apenas um serviço. Compra-se um projeto de vida.

Há também o dinheiro que atravessa fronteiras. Contas em dólar, investimentos fora do país, novas formas de proteger o patrimônio. Você haverá de lembrar quando uma viagem ao exterior exigia uma visita à casa de câmbio e nos obrigava a levar um maço de dinheiro estrangeiro na bolsa. Cecília sintetiza bem: essas empresas “vendem mais do que uma conta. Elas vendem tranquilidade, segurança, a ideia de expansão”. No fundo, vendem a sensação de que o mundo ficou maior.

Jaime Troiano ajuda a entender o que está por trás desse comportamento. Ele fala de algo que não aparece na etiqueta do produto. “Há um sentimento por trás de que eu não tenho limites, que o mundo é todo meu”. É quase um jogo de conquista. Quem já brincou de War entende a metáfora.

A curiosidade também entra em cena. Experimentar o novo. Sair do conhecido. Testar sabores, culturas, experiências. Nem todos se jogam com a mesma intensidade, mas a possibilidade está aberta. E isso já muda a relação com as marcas.

Há ainda um elemento silencioso: o desejo de pertencer. Consumir algo que vem de longe pode sinalizar a entrada em um grupo mais restrito. Lembro do que significava jogar basquete com um tênis All Star cano longo nos meus tempos de adolescente. Ter um daqueles pares de tênis dava a impressão de que jogávamos muito mais do que realmente éramos capazes. Para comprá-los, precisávamos da colaboração de algum conhecido que viajasse aos Estados Unidos. Eu tive de me contentar com um Charrua, comprado na fronteira do Rio Grande do Sul — mais acessível.

Como em toda escolha, existe o cálculo. Preço, oportunidade, proteção do dinheiro. “Há sempre alguma coisa ligada à ideia de fazer um bom negócio”, lembra Jaime. O racional acompanha o emocional. Caminham juntos.

No meio desse cenário amplo, uma pergunta se impõe: se tudo pode vir de qualquer lugar, o que mantém a relação entre marca e consumidor?

A marca do Sua Marca

Quando o consumo atravessa fronteiras, a confiança precisa ser o ponto de ancoragem. Produtos circulam, serviços se deslocam, experiências se multiplicam. O que permanece é a segurança de que aquela escolha vale a pena.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após as 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: uma greve no caminho do meu primeiro dia de trabalho

Fatima Novais

Ouvinte da CBN

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Em 1978, aos 16 anos, cursando o último ano do colegial, iniciei o que seria minha carreira no sistema bancário. Feliz da vida, dia 13 de setembro de 1978, recebi orientações para ir sozinha de ônibus para o centro da cidade. Primeiro dia de trabalho. Imagine a alegria.

Desci no Largo do Paissandu e entrei na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos — pedi proteção para aquele que seria o primeiro dia de muitos anos de trabalho. Caminhei até a rua Boa Vista, que era o centro financeiro e histórico de São Paulo. 

Assim que cheguei, algo totalmente inesperado aconteceu. Jovem, ingênua, pouco informada, ainda sem o hábito de ler os jornais, fui surpreendida. Era dia de greve dos bancários. Pessoas com bandeiras em mãos. Gritos de protesto. A cavalaria na rua. Policias com cacetetes em punho. Tentavam acertar quem passasse pela frente.

Chorando, em um local que ainda não conhecia. Morrendo de medo de perder meu emprego, sem ao menos ter começado. Foi quando por sorte — dessas que só São Paulo para proporcionar — encontrei um anjo. Daquelas pessoas que cruzam nossa vida quando mais precisamos — quero crer que foi obra daquela ida a Igreja. Pedi uma ajuda. Precisava de uma orientação do que fazer. Não havia celular para ligar para casa, falar com os pais. 

O anjo, que conhecia bem a região, me indicou um caminho que estava livre e permitia entrar no banco, pelos fundos, em uma portaria na 25 de Março. 

Com essa ajuda fugi dos riscos daquele confronto e me abriguei no prédio onde haveria de iniciar meu primeiro emprego, contratada para ser conferente de dados. Eu tinha de verificar as informações em listagens imensas emitidas pelos computadores.Algo impensável para os dias de hoje mas que deu início a construção de uma história de quase 48 anos no mercado de trabalho, em São Paulo. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Fatima Novais é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros cap[itulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: fonoaudióloga Juliana Algodoal alerta que a forma de falar impacta saúde e resultados

Mundo Corporativo com Juliana Algodoal
Juliana Algodoal em entrevista no estúdio da CBN Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A pessoa que fala é responsável por fazer o outro se sentir bem ou mal.”

A comunicação está no centro das relações de trabalho e influencia diretamente decisões, clima organizacional e saúde mental das equipes. Em ambientes pressionados por resultados e mudanças tecnológicas, a forma como líderes e profissionais se expressam pode fortalecer vínculos ou gerar ruídos que afetam o desempenho. Esse foi o tema da entrevista com Juliana Algodoal no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Ao longo da conversa, Juliana destacou que a comunicação vai além da clareza. Envolve intenção, emoção e contexto. “Se uma pessoa que está na liderança não se preocupa em ter clareza na forma de falar e garantir a intenção, na emoção da voz que ela exprime, a pessoa que escuta pode interpretar de diversas formas”, afirmou.

Comunicação, percepção e responsabilidade

A autora do livro Inteligência Humana e Comunicativa: Potencialize sua voz (ed Memorável) chama atenção para um ponto sensível: quem fala precisa assumir a responsabilidade pelo efeito da mensagem. Isso inclui ajustar tom de voz, escolha de palavras e até o ritmo da fala. “Eu é que tenho que me preocupar em ter clareza na forma de falar para você se sentir bem ou mal”, disse.

Esse cuidado se torna ainda mais relevante em posições de liderança. A ausência de alinhamento entre o que se diz e como se diz pode gerar interpretações equivocadas e conflitos internos. Segundo Juliana, muitos problemas nas empresas começam na falta de clareza e na ausência de verificação do entendimento.

Ela também aponta que ouvir faz parte do processo. “A percepção que eu tenho quando eu escuto alguma coisa, ela é a partir da minha história de vida”, explicou, ao destacar que comunicação é sempre uma via de mão dupla.

Feedback: ponto de tensão e de desenvolvimento

Entre as situações mais desafiadoras no ambiente corporativo está o feedback. “Feedback sempre, porque as pessoas têm a imagem de que feedback é ruim e isso não é verdade”, afirmou.

Juliana apresentou três caminhos práticos para tornar esse processo mais produtivo:

  • começar por um ponto positivo, abordar o que precisa melhorar e encerrar com apoio;
  • entender a expectativa de quem pede o retorno;
  • ou tratar primeiro o ponto mais crítico e finalizar com reforço positivo.

A ideia é que a forma como o feedback termina influencia a forma como ele será recebido. “Se você termina com feedback positivo, a pessoa sai assim: ‘Ah, não tá tão ruim’. Deixa eu ver o que eu tenho que fazer agora”, explicou.

Para quem recebe críticas, a recomendação é ativa: perguntar, pedir exemplos e filtrar o que faz sentido. “Eu sou favorável de que as perguntas abertas fazem uma boa conversa”, disse.

O silêncio que atrapalha e o que ajuda

O silêncio também ganhou destaque na entrevista. Quando usado como ausência de liderança, ele desorienta equipes. “O líder que faz silêncio ele não lidera, ele não inspira, ele não leva o time para frente”, afirmou.

Por outro lado, há um silêncio produtivo: aquele que permite reflexão antes da resposta. “Espera, internaliza, pensa: o que é de verdade que essa pessoa tá me perguntando?”, orientou.

Esse equilíbrio entre falar e escutar, segundo Juliana, é essencial para melhorar a qualidade das interações.

A entrevista também abordou o impacto das mudanças no mundo do trabalho. Com o avanço da tecnologia, cresce a necessidade de fortalecer habilidades humanas. “A inteligência artificial cresceu, a empresa tá percebendo que ela tem que investir mais em comunicação. Por quê? Porque o relacionamento humano tá se tornando mais importante”, afirmou.

Nesse cenário, comunicação deixa de ser um complemento e passa a ser competência central.

Juliana resume esse movimento com uma provocação simples: “Todos nós podemos melhorar, basta querer e escolher um primeiro passo”.

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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: adolescente, carreguei malotes com cheques, contratos e documentos de bancos

Sérgio Slak
Ouvinte da CBN

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Estou com 68 anos e moro no bairro de Moema, na zona sul. Aos 14 anos, fiz o curso de datilografia. Naquela época, era essencial para se conseguir emprego. No começo de 1973, fui contratado pelo Banco da Bahia com o cargo de contínuo, outro nome para a função de office boy.

Trabalhava meio expediente na agência da Domingos de Moraes, nº 193, na Vila Mariana, das sete da manhã até a uma da tarde. Havia um detalhe: eu precisava pegar o malote antes na Sucursal, que ficava na Rua São Bento, nº 480, no Centro. Chegava lá por volta das 6h15 da manhã e passava por três andares para recolher os malotes: havia cheques, contratos e documentos de lançamentos em conta corrente. Coleta feita, atravessava o Vale do Anhangabaú para embarcar no ônibus 570 – Planalto Paulista, da Viação São Benedito.

Quando lembro dessa situação, fico admirado. Caminhar bem cedo pelo Centro de São Paulo, carregando malotes e sem ser importunado. Nos dias atuais, isso seria impossível.

Chegava antes das sete na agência da Vila Mariana e começava o meu trabalho interno: separar as correspondências, envelopar e deixá-las à disposição dos clientes. Os clientes gostavam de passar na agência para pegar as correspondências.

Lembro que a maioria dos processos era manual. Alguns poucos eram mecanizados, de forma bem simples. Usavam-se máquinas que lançavam as fichas de conta corrente. Havia o som das máquinas de datilografia e das de somar também — as operações aritméticas eram feitas puxando a alavanca. Outra máquina, acionada manualmente, gravava o nome e o número da conta corrente do cliente no verso da folha de cheque.

Por volta das dez da manhã, eu tinha que retornar à Sucursal, levando muitos documentos e trazendo outros tantos.

Ainda em 1973, o Bradesco comprou o Banco da Bahia, e passei a trabalhar oito horas por dia. Visitava muitas agências de outras instituições para pagar títulos e duplicatas. A maioria ficava nas ruas Boa Vista e 15 de Novembro. Eram grandes, com muitos caixas, filas e pessoas.

Aos poucos, começou a modernização. Os cheques passaram a ser magnetizados com a identificação do cliente, e o processo de informatização se iniciava. Ainda assim, existia muito papel: talões de cheques, títulos, duplicatas, contratos, extratos.

Com o tempo, vieram os caixas eletrônicos. Muitas agências foram fechadas, e as que restaram diminuíram bastante de tamanho.

É maravilhoso recordar um tempo em que, ainda adolescente, eu andava rapidamente pelas ruas de São Paulo carregando toda aquela papelada. Hoje, ao fazer todas as operações bancárias pelo celular, custo a acreditar como as coisas eram tão diferentes em um passado não muito distante. Melhor assim, pois sobra tempo para curtir esta cidade que eu amo tanto.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Sérgio Slak é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Participe desta série especial em homenagem aos $72 anos da nossa cidade. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: IA no WhatsApp permite atendimento 24 horas, afirma Guilherme Horn

Guilherme Horn, WhatsApp
Guilherme Horn no estúdio do Mundo Corportivo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Precisamos todos experimentar essa tecnologia.”

Uma mãe no interior da Índia, sem acesso à educação formal, passou a ajudar os filhos nas tarefas escolares com o apoio da inteligência artificial disponível no WhatsApp. Fotografava as lições de casa e pedia para a IA explicar o conteúdo. O recurso funcionou como um professor particular, gratuito e acessível a qualquer hora. Entusiasmada, ensinou outras mães a usar essa tecnologia. Meses depois, o professor da escola em que as crianças estudam disse que jamais havia visto um avanço tão significativo no desempenho dos alunos. 

A história que abre o livro “O Midset da IA — Ela pensa, você decide” (Gente), foi, também, a que escolhi para iniciar a entrevista com o autor do livro Guilherme Horn, head do WhatsApp para Mercados Estratégicos. O exemplo revela de forma concreta, como a IA já altera rotinas e amplia possibilidades, tema da nossa conversa no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Redesenhar processos é onde está o valor

Nas empresas, a inteligência artificial ainda está em diferentes estágios de adoção, segundo Horn que é responsável no WhatsApp pelos mercados do Brasil, Índia e Indonésia. Parte das organizações começa pela automação de tarefas já existentes. É um primeiro movimento, mas não resolve o principal. “O valor tá quando você começa a redesenhar os seus processos”, disse Horn. 

Na prática, isso significa mudar a forma de trabalhar. Um exemplo citado por ele ajuda a visualizar esse cenário: empresas já criam agentes digitais que representam executivos e funcionários. Esses agentes analisam informações, trocam dados entre si e tomam decisões preliminares. Reuniões podem deixar de existir porque o debate acontece antes, de forma digital e assíncrona.

Esse modelo altera custos, tempo e dinâmica de trabalho. Ao mesmo tempo, exige um limite claro. “A execução pode ser transferida para IA, mas o julgamento ainda deve ser do ser humano.”

Medo, substituição e novas funções

O receio de perda de emprego aparece com frequência quando o tema é inteligência artificial. Horn reconhece esse temor: “A substituição, ela vai acontecer, é inevitável.” Ele observa, no entanto, que novas funções já surgem. Profissionais que treinam sistemas, definem contexto e orientam o uso da IA passam a ser necessários. O movimento segue uma lógica conhecida: algumas atividades desaparecem, outras são criadas. 

A mudança também atinge quem já está no mercado. “Vai ter que sair da sua zona de conforto, vai ter que aprender um pouco sobre a tecnologia.” Hoje não se imagina um profissional sem domínio básico de ferramentas digitais, por exemplo uma planilha eletrônica. Em pouco tempo, o mesmo deve ocorrer com a inteligência artificial.

O risco de produtividade ilusória

O aumento de produtividade, frequentemente associado à IA, ainda não é uniforme. Em muitos casos, há uma expectativa maior do que o resultado. “Às vezes é uma ilusão esse aumento de produtividade.”

O motivo é simples. Parte do tempo ainda é gasto ensinando a ferramenta a executar tarefas. Em algumas situações, fazer manualmente pode ser mais rápido. Esse cenário tende a mudar com o amadurecimento do uso e das ferramentas.

Pequenos negócios e operação 24 horas

No caso de pequenas empresas, o uso da inteligência artificial já traz efeitos diretos. O WhatsApp, por exemplo, permite a criação de agentes treinados com informações do próprio negócio. O empreendedor pode alimentar o sistema com catálogo de produtos, histórico de conversas e regras de atendimento. Com isso, passa a oferecer respostas automáticas e personalizadas.

Horn destaca um ponto prático: “Transformar o seu negócio em 24/7”. O atendimento deixa de depender do horário comercial. O cliente envia uma mensagem e recebe resposta imediata, mesmo fora do expediente. Essa disponibilidade amplia a chance de fechar negócios.

A relação com o consumidor também muda. Sistemas tradicionais, baseados em menus e opções limitadas, tendem a perder espaço. “O consumidor quer conversar com uma pessoa.”

A inteligência artificial permite respostas mais próximas da linguagem humana. Em vez de escolher entre alternativas, o cliente descreve o problema e recebe uma solução específica. Essa diferença reduz frustração e melhora a experiência.

Experimentar é a principal recomendação

Para quem ainda observa a tecnologia com distância, a orientação é direta: testar. “A palavra-chave nesse momento é experimentação.” O acesso a ferramentas gratuitas facilita esse processo. Criar um agente simples, testar aplicações e entender limites são passos necessários para acompanhar a transformação.

A mudança não depende apenas de tecnologia. Lideranças precisam criar ambiente que aceite erro como parte do aprendizado. Horn lembra que inovação envolve tentativa e falha — e que esse ciclo precisa ser incorporado à cultura das empresas.

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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Wender Starlles, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: os riscos da uniformização das marcas com o uso da inteligência artificial

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O avanço da inteligência artificial já impacta a forma como empresas produzem conteúdo, constroem campanhas e definem estratégias de comunicação. O ganho de velocidade é evidente. O risco, menos visível, aparece na perda de identidade. Como trabalhar diante do aumento de eficiência que a IA proporciona e o risco de perda de originalidade foi o tema da conversa com Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

Cecília chama atenção para um movimento que contraria avanços recentes na representação de pessoas na publicidade. “Eu vejo que um dos riscos que a IA traz para a comunicação é a de estarmos dando um passo atrás em algo que já achávamos que estava resolvido.” Ela se refere ao esforço das marcas, nos últimos anos, para mostrar pessoas mais reais e diversas.

Segundo Cecília, a tecnologia pode recriar um padrão artificial ainda mais distante do cotidiano. Imagens com traços irreais, imperfeições exageradas e ausência de expressão humana voltam a ocupar espaço. O efeito prático é um recuo em uma agenda que buscava aproximar marcas e consumidores por meio da autenticidade.

Esse ponto exige equilíbrio. A comunicação também trabalha com aspiração — aquilo que desejamos ser. O desafio está em não perder o vínculo com a realidade ao tentar projetar esse ideal.

Jaime aborda outro risco: a dependência intelectual. Para ele, o uso excessivo da IA pode limitar a capacidade criativa. “Estamos cada vez mais reféns da IA”, diz. A consequência aparece no resultado final das marcas: soluções parecidas, previsíveis e pouco distintas.

Ele recorre a uma referência cultural para ilustrar o problema. “A desobediência é uma virtude necessária à criatividade.” A frase, associada a Raul Seixas, reforça a ideia de que inovar exige romper padrões. Quando todos recorrem às mesmas ferramentas e bases de dados, a tendência é a padronização.

Na prática, isso significa campanhas que se parecem, discursos que se repetem e marcas que perdem aquilo que as torna reconhecíveis. A identidade — construída ao longo do tempo — passa a ser diluída por respostas automatizadas.

O alerta não é contra o uso da tecnologia. Pelo contrário. Ambos destacam que a IA traz benefícios importantes e deve ser incorporada ao trabalho. A questão central está no modo de uso. A ferramenta não pode substituir o pensamento crítico, a intuição e a criatividade humana.

A discussão reforça um princípio básico do branding: valor de marca está ligado à diferença. Quando todas falam do mesmo jeito, deixam de ser lembradas.

A marca do Sua Marca

A tecnologia deve servir como apoio, não como substituição da inteligência humana. Marcas relevantes combinam eficiência com criatividade própria e mantêm sua identidade mesmo diante de novas ferramentas.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: a fuga de tico-tico pelas ruas da Vila Ema

Marcelo Ferro Cerqueira
Ouvinte da CBN

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Tico, tico, tico.

Meu triciclo segue pela rua Santa Elisa, no bairro de Vila Ema, zona leste. A rua me parece enorme; as pessoas, também. O portão da casa dos meus avós estava aberto, e por ali eu passei.

Meu bisavô Eugênio comprou aquele terreno com o suor do seu rosto e levantou aquelas paredes ao custo de alguns dedos perdidos no maquinário das antigas Indústrias Nadir Figueiredo, no bairro do Cambuci.

Sssssss… o vento bate no meu rosto. Sigo em direção à avenida que dá nome ao bairro. Tico, tico, tico. A mesma avenida pela qual meu avô José caminha todos os dias para trabalhar em outra indústria, uma metalúrgica. Uma polida aqui (tico, tico, tico). Outra polida acolá (tico, tico, tico lá). E as torneiras ficavam tão reluzentes quanto o sorriso do meu avô, uma das pessoas mais doces que já conheci.

Sigo no meu passeio de menino levado. Não tinha dois anos ainda, mas aparentemente queria ampliar meus horizontes. Ti-co, ti-co, ti-co. Diminuo a velocidade.

Tiiiico. Paro por um instante.

Do outro lado da avenida, havia uns homens de chapéu. Era início dos anos 1970, e aquelas pessoas me lembravam o vô José. Pareciam felizes. Talvez me ensinassem a fazer um novo aviãozinho de papel. Parecia promissor.

Ti… ti… ti… hesito. Carros de um lado e de outro da avenida.
Meu bisavô não está aqui. Nem meu avô. Nem meus pais. Talvez fosse melhor voltar. Mas, para isso, eu teria de enfrentar uma subida.

Não sinto vontade de chorar. Mas sei que, quando eu for encontrado, levarei umas palmadas. Vejo um trator na avenida e uma fila de carros atrás dele. O trânsito é interrompido nos dois sentidos. Reflexões de criança pequena…

Tico, tico, tico, tico. Ti, ti, ti… Co, co, co… Tiiicooo. Desço do triciclo e subo no meio-fio, do outro lado da rua. Completo a travessia. Logo vou falar com o homem que lembra meu avô. Ele me oferece uma bala Juquinha, e todos ali se perguntam onde estariam os pais daquele menino.

Minha permanência não é longa. Mas minutos são uma eternidade para uma criança. De repente, a vó Maria aparece, desmilinguida. Estou salvo, pensa ela. Estou encrencado, concluo eu.

Sou levado de volta entre as lágrimas da minha avó, o júbilo das pessoas que me acolheram e os meus pensamentos, que tentavam processar o que havia se passado. Tudo me parecia estranho. Eu provavelmente não esperava ter causado tanta comoção.

Essa é uma aventura que se passou com uma criança que aprendia a viver, sem se dar conta do esforço de seus pais, avós e bisavós para manter a família — o que se confunde com a história de tantos outros paulistanos.

Hoje, substituo o tico, tico, tico pelo vrum.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Marcelo F. Cerqueira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Conte você também a sua história: envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Entre a urgência do rádio e o tempo da ciência

No jornalismo de rádio diário, estamos sempre em busca da notícia mais recente. Aquilo que está acontecendo em tempo real. A operação da polícia, o anúncio do governo e o congestionamento da hora tomam espaço da reportagem produzida com antecedência — para desespero do repórter que investiu seu tempo e talento. Nesta semana, por exemplo, as raquetadas ao vivo de João Fonseca se impuseram ao crime que abalou o ouvinte no dia anterior — que assim seja nesta sexta-feira que está para começar. Em uma competição jamais confessada, o papel do radiojornalismo é deixar o jornal da banca um pouco mais velho. Não me queiram mal, colegas de impresso. Admiro muito o trabalho que vocês fazem — é o que nos sustenta naqueles momentos em que o noticiário de rádio está ‘fraco’.

Na edição desta quinta-feira do Jornal da CBN, os personagens da política de Brasília, da economia da Faria Lima ou dos eventos internacionais foram preteridos por alguns instantes. Convidamos dois pesquisadores brasileiros para conversar simultaneamente: Mariangela Hungria, da Embrapa, e Luciano Moreira, da Fiocruz, que entraram na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Que privilégio!

Mariangela pesquisa há mais de quatro décadas o uso de micro-organismos do solo para reduzir a dependência de fertilizantes químicos. Em um país que importa a maior parte desses insumos, o efeito é direto na economia e na produção de alimentos. Em uma única safra, segundo ela, a tecnologia desenvolvida gerou economia de dezenas de bilhões de dólares.

Luciano atua no combate às arboviroses. Lidera um método que utiliza mosquitos com uma bactéria capaz de bloquear a transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya. O projeto já está presente em diversas cidades brasileiras e em outros países.

Não havia um factual, uma ocorrência bombástica ou o escândalo que viraliza. O trabalho dos dois começou há décadas, sem alarde. No laboratório das instituições públicas em que trabalham, feitos com baixo investimento e sob alto ceticismo. Uma trajetória marcada por falhas e frustrações. Que, para muitos dos colegas deles, se encerrará no anonimato e na dúvida se as pesquisas que desenvolveram se tornarão legado nos estudos de seus sucessores.

Apesar da ausência da urgência do noticiário, entrevistá-los foi muito especial para nós, que fazemos o Jornal da CBN. E motivo de satisfação para os ouvintes. Aquele mesmo que nos cobra a informação imediata, a atualização do trânsito, a previsão do tempo, a denúncia contra agentes públicos por atitudes erráticas, a notícia do aqui e agora, dispendeu seu tempo para ouvir o relato de dois cientistas.

Claro que o reconhecimento da Time os fez notícia. Dar tempo para que pesquisadores falem das suas angústias e orgulhos não é comum no cotidiano dos programas radiojornalísticos matinais. Por isso, gostei tanto da conversa com eles. Sem contar que os dois são ótimos entrevistados, com bom domínio da comunicação.

A propósito, foi a dra. Mariangela quem chamou atenção para a importância de se investir em comunicação para o bem da ciência:

“Se eu fosse uma ministra de ciência e tecnologia, para quem eu mais daria dinheiro seria para a área de comunicação, ciência da comunicação, porque vocês precisam ensinar para a gente. Tem que ter alguma coisa disruptiva para eu conseguir entender por que a gente traz uma mensagem correta e tem 5 mil likes, e vem um influenciador que fala tudo diferente e tem 500 mil likes”.

Como fazer com que a informação correta, capaz de ajudar as pessoas, consiga ganhar tração e influenciar a sociedade de forma positiva é apenas mais um dos muitos desafios que os cientistas têm pela frente. Um desafio que nos aproxima, pois, como comunicadores que somos, temos a responsabilidade de ampliar o alcance dessa mensagem.

Pela repercussão da entrevista desta quinta-feira, no Jornal da CBN, encerro o dia com a sensação de que vale a pena abrir espaço para histórias que não cabem na urgência do noticiário. Nem sempre o mais importante chega primeiro. Às vezes, ele precisa apenas de tempo — e de escuta — para ser compreendido.

Mundo Corporativo: Bruna Vaz e Fábio Rodas, da Shopper, falam do desafio de crescer rápido com visão de longo prazo

Mundo Corporativo com Bruna Vaz e Fabio Rodas
Bruna e Fábio, da Shopper, em entrevista ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A gente tem que ter pressa para fazer rápido, para crescer rápido, só que na hora de pensar em colher o que a gente tá plantando, tem que ter uma paciência de monge” Fábio Rodas

O varejo alimentar ainda é dominado pelo modelo tradicional: cerca de 97% das compras são feitas em lojas físicas, mesmo com o avanço das plataformas digitais e das mudanças no comportamento do consumidor. Foi nesse ambiente que surgiu a Shopper, um supermercado online criado para testar se as pessoas estariam dispostas a mudar seus hábitos — tema de entrevista de Bruna Vaz e Fábio Rodas ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

A empresa nasceu em 2015 com um experimento simples, feito na faculdade. Um site que não permitia concluir a compra. A proposta era medir interesse. “Olha, desculpa, a gente ainda não atende a sua região”, informava a página após o cadastro. A estratégia funcionou. Em poucos meses, os fundadores perceberam que havia demanda.

Depois do teste que exigiu um investimento de R$ 28 mil, o passo seguinte foi iniciar a operação do negócio ainda com recursos limitados. “Éramos nós, eu e Bruna… a gente ia para o supermercado… empacotava e entregava”, contou Fábio.

Crescimento com aprendizado constante

Ao longo da trajetória, a empresa mudou de escala e de foco. Hoje, tem cerca de 2 mil funcionários, três centros de distribuição e atende mais de 120 cidades em São Paulo.

A mudança de prioridades acompanhou esse crescimento. “Lá atrás, talvez as nossas maiores preocupações era entregar o pedido e ao longo do tempo ele vai se direcionando cada vez mais para time”, disse Bruna. “Acho que o nosso principal desafio hoje em dia é formar esse time.”

A formação de equipe passou a ser central para garantir a continuidade do negócio sem dependência direta dos fundadores. Segundo ela, o objetivo é construir uma estrutura capaz de operar de forma autônoma.

A empresa também estabeleceu uma meta clara: alcançar R$ 2 bilhões de faturamento até 2027. Para isso, aposta na combinação entre crescimento orgânico e fortalecimento de parcerias estratégicas. Entre os investidores estão fundos de venture capital, a Minerva Foods e o iFood, que ampliam o acesso a conhecimento, tecnologia e base de clientes. “Quando a gente fez essa parceria, agora a gente abriu um outro leque gigante de possibilidades, dado todo o abrangência de clientes que o iFood tem”, afirmou Bruna. 

Segundo os fundadores, o avanço depende de três fatores centrais: evolução tecnológica, expansão da operação e contratação de pessoas. “A gente contrata dezenas de pessoas por semana e vamos continuar contratando”, disse Fábio.

O modelo de crescimento também foi sendo ajustado. A empresa começou com compras recorrentes mensais e, com o tempo, ampliou para compras semanais, entregas pontuais e até pedidos em poucos minutos. Ainda assim, há um elemento que permanece constante.

“O como a gente faz, ele vai evoluindo… mas sempre o pilar do encantamento tem que estar lá”, afirmou Fábio.

Esse foco na experiência do cliente se tornou base da estratégia. A lógica é simples: uma boa primeira experiência aumenta a chance de fidelização. Uma falha pode afastar o consumidor.

Tecnologia, operação e cultura

Um dos aprendizados mais relevantes veio de um erro. No início, a Shopper tentou usar tecnologias de terceiros. A decisão gerou problemas operacionais.

“A gente sofreu muito e a gente aprendeu na pele que não seria o caminho”, disse Fábio.

A partir dessa experiência, a empresa decidiu desenvolver seus próprios sistemas. A mudança reposicionou o negócio. “A gente teve que se tornar uma empresa de tecnologia que faz supermercado.”

A operação passou a ser desenhada a partir da experiência desejada pelo cliente. Primeiro define-se o resultado. Depois, os processos. Por fim, a tecnologia que sustenta essa estrutura.

A cultura interna também acompanha essa lógica. Em momentos de pico, funcionários de diferentes áreas atuam diretamente na operação. O objetivo é manter o padrão de entrega e identificar falhas no processo.

Longo prazo em um ambiente de urgência

O tempo necessário para construir um negócio, especialmente considerando que tudo se iniciou quando Bruna e Fábio tinham pouco mais de 20 anos, foi um dos principais ensinamentos que tiveram durante a experiência com a  Shopper.

Bruna destacou a dificuldade de manter o foco em um horizonte mais longo. “O pensamento de longo prazo, ele é importante, ele é difícil”, afirmou. “Depois de 10 anos, eu vi quanto isso foi importante.”

Fábio complementou com a lógica que orienta a gestão da empresa. “A gente tem que ter pressa para fazer rápido… só que na hora de pensar em colher o que a gente tá plantando, tem que ter uma paciência de monge.”

A combinação entre velocidade na execução e paciência na estratégia resume o modelo adotado pelos fundadores. Um equilíbrio que, segundo eles, só se comprova ao longo do tempo.

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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Wender Starlles, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: qualidade não depende só da marca, mas da exigência do consumidor

Foto de Ivan S on Pexels.com

A qualidade de um produto não nasce apenas dentro da empresa, ela é moldada também pela pressão — ou pela falta dela — do consumidor. O tema foi discutido no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN

A provocação partiu de uma dúvida recorrente: até que ponto a exigência do público influencia aquilo que as marcas entregam? Para responder, Jaime Troiano recorreu a um raciocínio que desloca o foco do marketing para a origem do produto. “É uma ingenuidade achar que o mercado determina o que será produzido e com qual qualidade”, afirmou, ao citar o economista Cláudio de Moura Castro, colunista do jornal O Estado de São Paulo.

A explicação ajuda a organizar o pensamento. O mercado reage mais do que decide. Ele responde ao que as pessoas aceitam pagar e consumir. Se o consumidor tolera baixa qualidade, o padrão tende a cair. Se exige mais, a régua sobe. Ainda assim, Jaime lembra que há um ponto anterior a essa relação: “A qualidade de um produto da marca precisa ser o início, do princípio, do começo de uma conversa com o consumidor. Sem isso, nada feito”.

A frase reforça um princípio simples: comunicação não corrige produto ruim. Pelo contrário, pode acelerar o desgaste. A lembrança de Washington Olivetto surge como alerta: investir em propaganda para um produto que não cumpre o que promete costuma resultar em críticas amplificadas.

Cecília Russo amplia a análise ao mostrar que o consumidor não está sozinho nessa equação. Existem mecanismos que ajudam a regular essa relação. Ela cita três exemplos práticos: o Procon, o Conar e os canais de atendimento ao cliente.

O Procon atua na defesa direta do consumidor, mediando conflitos e aplicando sanções quando há abuso. O Conar fiscaliza a publicidade, garantindo que o que é anunciado seja verdadeiro. Já os SACs funcionam como termômetro diário da relação entre marca e cliente. “Procon, Conar e os SACs são os que ajudam as marcas a não contarem mentiras”, explicou Cecília.

Esses instrumentos funcionam como uma rede de proteção. Mesmo quando o consumidor não se manifesta, há estruturas que pressionam as empresas a manter padrões mínimos de qualidade e transparência.

A conversa revela uma dinâmica interessante. A qualidade não é definida apenas pela indústria nem exclusivamente pelo consumidor. Ela surge desse encontro — e do nível de exigência que se estabelece nele.

A marca do Sua Marca

Qualidade é inegociável. Seja pela cobrança direta do consumidor ou pela atuação de órgãos e canais de defesa, a marca que promete precisa cumprir. Caso contrário, perde credibilidade e espaço.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.