Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: sete maneiras de sabotar sua própria marca

Prometer e não cumprir, ignorar o cliente, mudar o que deveria ser preservado e agir como se uma marca fosse indestrutível são caminhos certos para levá-la à ruína. Foi sobre isso que tratou o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo, que desta vez inverteram a lógica da construção de marca para alertar: muitas empresas estão falhando justamente por não perceberem os erros que elas mesmas provocam.

“A primeira grande falha é não ter uma identidade clara. Quando a marca não sabe o que quer significar, ela pode ser qualquer coisa”, alertou Cecília Russo. Ao lado disso, ela destacou a incoerência na comunicação — desde o silêncio até a mudança constante de tom verbal ou visual — e o distanciamento em relação ao consumidor: “Criar produtos sem entender as dores do cliente é fatal”.

Na sequência, Jaime Troiano apontou que o problema vai além da falta de coerência e entra no campo da frustração: “Você nunca tem uma segunda chance de causar uma primeira boa impressão”. Para ele, marcas que prometem e não cumprem quebram a confiança e perdem espaço sem chances de retorno. Além disso, Troiano listou ainda o descaso com o atendimento e a resistência às mudanças. “Tão perigoso quanto mudar o tempo todo é não mudar nunca e perder o bonde da história”, explicou, lembrando que a inovação deve respeitar o ritmo e a essência de cada setor — especialmente no caso de restaurantes, onde pratos icônicos são parte da marca.

Em um tom provocativo para ironizar práticas comuns de má gestão de marca, Jaime sugeriu, por exemplo, que se você quer mesmo sabotar sua marca, basta “reduzir o investimento em comunicação” ou “mudar constantemente de agência”. Cecília completou com outras atitudes igualmente prejudiciais, como jogar fora os elementos tradicionais da identidade, ignorar pesquisas e recorrer ao improviso amador no design. “Você sempre tem uma sobrinha com um Mac em casa…”, disse com humor crítico.

O jogo dos sete erros

  1. Falta de identidade clara: A marca não sabe o que quer significar. Sem clareza, transmite confusão e não gera expectativa consistente no público.
  2. Incoerência na comunicação: Mudança constante de tom verbal, identidade visual, mensagens desencontradas ou mesmo o silêncio comprometem a credibilidade da marca.
  3. Desconexão com o consumidor: Criar produtos ou campanhas sem entender as dores e desejos dos clientes mina a relevância da marca e impede a criação de vínculos duradouros.
  4. Promessas não cumpridas: Entregar menos do que o prometido destrói a confiança. Como disse Jaime: “Você nunca tem uma segunda chance de causar uma primeira boa impressão.”
  5. Descaso com o atendimento Ignorar feedbacks, demorar para responder ou tratar mal o cliente gera prejuízo imediato e ecoa negativamente nas avaliações públicas.
  6. Resistência à inovação (ou mudança sem critério) Marcas que não se atualizam perdem relevância. Por outro lado, mudar tudo sem preservar elementos essenciais prejudica a identidade.
  7. Desvalorização da marca como ativo estratégico Cortar investimento em comunicação, ignorar pesquisas, improvisar no design e não cultivar relacionamentos duradouros com agências leva ao esquecimento e ao sucateamento progressivo da marca.

A marca do Sua Marca

O programa desta semana defendeu que mais importante do que saber o que fazer é reconhecer o que não deve ser feito. A marca do comentário é o alerta direto: erros aparentemente pequenos ou decisões econômicas equivocadas podem causar prejuízos profundos e irreversíveis à reputação de uma empresa.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Carol Dias, da Kraft Heinz, propõe um novo modelo de líderes

Carol Dias na gravação online do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A gente precisa aprender, reaprender para aprender de novo.”

Carol Dias, Kraft Heinz

A imagem do líder como alguém focado apenas em números, prazos e metas já não se sustenta nas grandes organizações. O que tem ganhado espaço, segundo Carol Dias, diretora de People & Performance da Kraft Heinz Brasil, é um novo modelo de liderança: mais conectado com as pessoas, aberto ao diálogo e consciente de seu papel no desenvolvimento humano.

Liderar é inspirar, não apenas gerir

Na entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, Carol defende que, embora a gestão continue sendo necessária, o verdadeiro papel do líder está na capacidade de impulsionar pessoas. “Você convida as pessoas a fazerem a gestão junto com você, mas o seu foco tem que ser muito mais na conversa, em como impulsionar os outros a pensarem diferente.”

Esse novo líder precisa desenvolver competências socioemocionais, como presença, atitude e resiliência. “Não dá mais para separar a pessoa que está em casa daquela que está no trabalho”, diz Carol, ao apontar a importância da autenticidade no ambiente corporativo.

A Kraft Heinz tem apostado em três pilares para construir esse perfil de liderança: mentorias estruturadas, projetos de autoconhecimento e repertório ampliado por meio de experiências diversas. “É difícil exigir de uma liderança algo que ela ainda não tem. Por isso, é preciso oferecer suporte, formação e espaço para crescimento.”

A Amazônia como sala de aula

Um dos exemplos marcantes trazidos por Carol foi o projeto Liderança do Futuro, que levou executivos da empresa para uma imersão de cinco dias na Amazônia. O objetivo não era apenas desconectar do cotidiano — mas reconectar-se com a própria humanidade. “Você sai do WhatsApp, do e-mail e passa a se observar, a entender como se comunica e como se relaciona com o outro”, contou.

Segundo ela, essa vivência fortaleceu o pilar do autoconhecimento e ofereceu uma nova perspectiva sobre o papel da liderança no mundo. “A gente começou a perguntar: você é líder só da sua equipe ou também da sua família, dos seus amigos, da sociedade?”

Diversidade, tecnologia e o desafio de ser mais humano

Na conversa, Carol também abordou o compromisso com diversidade e inclusão. “Ter diversidade sem inclusão não basta. É preciso letramento, representatividade e políticas claras desde o processo de recrutamento.” Para ela, diversidade é um caminho para a performance: “Você só consegue provocar e inovar quando convive com o diferente.”

Outro ponto discutido foi o papel da inteligência artificial nas estratégias corporativas. Carol vê a tecnologia como aliada: “Ela vai liberar tempo para que possamos ter outro tipo de conversa — mais humana e mais estratégica. O desafio não é a IA. O desafio é o que vamos fazer com esse tempo que ela nos devolve.”

Ao final, deixou um recado direto aos jovens que ingressam no mercado: “Não se distraiam achando que já sabem tudo. Tenham humildade cognitiva para estar sempre curiosos e a disciplina para aprender algo novo.”

Assista ao Mundo Corporativo


O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.
Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: Cris Kerr, da CKZ, diz que líderes que ignoram abusos promovem assédio

Reprodução da gravação do Mundo Corporativo com Cris Kerr



“O silêncio não é neutro.”

Cris Kerr

A omissão diante de um comportamento tóxico dentro das empresas é mais do que um erro: é um sinal de cumplicidade. Quando líderes ignoram atitudes abusivas, reforçam a percepção de que certas pessoas estão acima das regras – e alimentam um ambiente que afasta talentos e adoece profissionais. Essa foi a mensagem central da entrevista com Cris Kerr, CEO da consultoria CKZ Diversidade, ao Mundo Corporativo.

Para Cris, é preciso agir de forma rápida e justa diante de qualquer conduta inadequada. “Se a gente está vendo e não faz nada, estamos dizendo: pode continuar fazendo, porque você é gerente, diretor, e nada vai acontecer com você”, afirmou. A especialista alertou que a responsabilidade recai especialmente sobre a liderança: “O comportamento da liderança dita a cultura da organização.”

Transformação cultural: urgência e ação

O caminho para ambientes corporativos saudáveis exige mudança de cultura e não apenas manuais com boas intenções. “Cultura não é o que está escrito na parede. É o que se vê nas atitudes”, disse Cris. E essas atitudes, segundo ela, começam no topo: “Muitos ainda confundem piada com agressão. E é comum ouvirmos de quem está no comando que ‘é só o jeito dele ou dela’. Não é aceitável.”

A transformação requer treinamento, canais externos de denúncia e ações concretas que demonstrem coerência entre discurso e prática. “Não adianta falar em ética se, na prática, os comportamentos são ignorados. É preciso que a liderança pare de brincar com o que não é brincadeira”, reforçou.

Cris citou o caso de um executivo que fazia comentários inadequados em reuniões, achando que criava um ambiente mais descontraído. “Ele já tinha sido citado duas vezes em canais de denúncia. Quando percebeu que sua imagem e carreira estavam em risco, entendeu a gravidade. Mas muitas vezes é tarde demais.”

Outro alerta importante foi sobre a saúde emocional das equipes. Um ambiente de assédio constante leva à exaustão física e mental. “Frequência de adrenalina e cortisol afeta o organismo. Estamos falando de burnout, depressão e até câncer. É um tema de saúde pública dentro das empresas.”

A pressão da nova geração

Segundo Cris, as empresas que não se transformarem correm o risco de se tornarem inviáveis para as novas gerações. “A geração Z, que em breve representará 30% da força de trabalho, não aceita ambientes tóxicos. Eles pesquisam a cultura da empresa antes de entrar. E se não encontram coerência, vão embora.”

Políticas de diversidade, por si só, não são suficientes. “Assinar um código de conduta no primeiro dia não muda nada. É preciso falar sobre o tema, preparar lideranças e treinar pessoas para serem agentes de transformação.”

Ao ser questionada sobre o futuro, Cris foi direta: “O dia mais feliz da minha vida será aquele em que eu não precise mais ter uma consultoria para falar sobre assédio e discriminação. Quando o respeito for, de fato, um valor vivido e não apenas declarado.”

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Conte Sua História de São Paulo: na cidade e na arte, encontrei acolhimento e inclusão

Márcia de Castro Sá

Concerto do Bem Foto: Instituo Olga Kos

Nasci prematuramente, em 7 de outubro de 1984, no Brooklin, em São Paulo— (minha mãe deu à luz quando completou sete meses de gestação. O meu pai, que trabalhava como assessor econômico em uma fabricante de automóveis; minha mãe, totalmente empenhada com os cuidados do lar e da família, assim como os meus irmãos mais velhos, acolheram-me com muito carinho. 

Nos anos 1980, durante um passeio em um clube paulistano, acompanhada de meus pais, uma prima paterna, fisioterapeuta, notou que eu não reagia a determinados movimentos como normalmente ocorrem em bebês. Logo, fui encaminhada para uma consulta médica, onde foi constatado o diagnóstico de paralisia cerebral.

Em um primeiro momento, aquela notícia surpreendeu a todos. Os cuidados para comigo passaram a ser redobrados. Adiante, recebi mais um diagnóstico: o de baixa visão no olho esquerdo; e miopia no olho direito, o único ainda com capacidade de visão. Digo isso, pois recentemente fui diagnosticada com catarata no olho direito e terei que me submeter a uma cirurgia. Isso sem contar que há mais de 20 anos aguardo uma vaga de uma cirurgia para sanar uma escoliose severa.

Empenhada em superar barreiras em função de minhas deficiências e contando com o apoio familiar total, segui e sigo adiante, em busca de encontrar vias que ajudem a me motivar.

Em 2009, entre minhas sessões de reabilitação, uma fisioterapeuta me apresentou o Instituto Olga Kos. Um momento marcante, pois me abriu portas e ajudou a ressignificar o meu cotidiano, fazendo aflorar algumas aptidões artísticas, como a minha identificação com música, canto e pintura sobre telas.

Recordo que por meio do Instituto, participei de projetos como o “Pintou a Síndrome do Respeito”, que abriu a oportunidade de eu produzir releituras de artistas renomados da pintura nacional.

Desde então, fui sendo inserida em outros projetos, como o “Cor e Ritmo – Arte Inclusiva”, que, além das artes, fez-me notar como música e canto regam minha vida positivamente.

Mais recentemente, outros registros inclusivos são as minhas participações no “Concerto do Bem”, que já teve três edições, sendo a última no Memorial da América Latina, um dos cartões postais de São Paulo, com recorde de público.

Faço questão de observar que todas as atividades que participo ocorrem em locações na cidade de São Paulo, um berço cultural. Não consigo imaginar viver em outra cidade.

Quanto ao Instituto Olga Kos, agradeço pelo acolhimento e por todas as oportunidades que me deram e, certamente, darão. O Olga, como é carinhosamente chamado, desenvolve projetos artísticos e esportivos, além de pesquisas pela inclusão de pessoas com deficiência e em situação de vulnerabilidade social. A minha história espelha, inclusive, a alma desse instituto, que é trabalhar por um mundo mais inclusivo.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Márcia de Castro Sá é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade você visita agora o meu blog miltonjung.com.br ou vai lá no Spotify e coloca entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a força da cultura brasileira na construção de marcas

Durante décadas, marcas brasileiras se moldaram pela lógica da cópia — de filmes publicitários a estratégias de posicionamento — numa tentativa de reproduzir modelos estrangeiros como se a receita funcionasse universalmente. Mas esse cenário começa a mudar. A apropriação legítima da cultura nacional tem ganhado espaço no universo do branding. É o que apontam Jaime Troiano e Cecília Russo no comentário desta semana do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

Jaime Troiano relembra um tempo em que era comum replicar campanhas internacionais, sob a falsa premissa de que o sucesso em um lugar lá fora garantiria o mesmo resultado no Brasil. “A sensação era de que tudo serve para tudo, e não é verdade”, afirma. Ele cita o economista Eduardo Giannetti para explicar a tensão entre o comportamento mimético — o que copia — e o profético — o que nasce das raízes culturais. E vê sinais de reequilíbrio: “Quando eu entro numa loja da Farm ou penso na Embraer, no Itaú, no Boticário, sinto um forte sopro de brasilidade”.

Cecília Russo acrescenta exemplos da valorização da identidade nacional no varejo, na gastronomia e nas expressões culturais. Menciona a marca Misci, que traduz no vestuário o ‘suco do Brasil’, e o caso do chocolate Dengo, que transforma o cacau brasileiro em símbolo de identidade e sofisticação. “A nossa cultura está invadindo o espaço do branding”, diz ela, reforçando que “as marcas se alimentam dessa mesma raiz e do sentido de orgulho que elas inspiram”.

A força dessa mudança está também nas figuras públicas que atuam como marcas vivas da cultura nacional — como Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Raíssa Leal, Rebeca Andrade, Isaquias Queiroz e Bia Haddad. “Essas pessoas são hoje expressões do Brasil que impactam o mundo e inspiram o fortalecimento de marcas com alma brasileira”, afirma Cecília.

A marca do Sua Marca

Marcas que mergulham na cultura brasileira e a celebram genuinamente constroem identidade sólida e alimentam o orgulho coletivo de ser brasileiro.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Carolina Junqueira, do Grupo Globo, ensina que compliance começa com o diagnóstico dos riscos da empresa

Gravação da entrevista de Carolina Junqueira. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Não se apaixone pelo seu programa de compliance.”

Carolina Junqueira, Grupo Globo

A reputação de uma empresa pode ser abalada por uma única falha ética. E manter o comportamento institucional alinhado com a lei e os princípios morais não depende apenas de cartilhas formais, mas da atuação consistente de lideranças e da criação de um sistema de governança que vá além do discurso. Esse é o foco da entrevista com Carolina Junqueira, diretora de riscos e compliance do Grupo Globo, no programa Mundo Corporativo.

“Entender qual o perfil de risco da empresa e concentrar os seus recursos no enfrentamento daquelas questões é a melhor forma de criar um programa de compliance eficiente”, afirma Carolina. Segundo ela, o compliance não deve ser visto como uma área distante, e muito menos como um “repositório” de problemas que ninguém sabe resolver. “Compliance não pode ser um instrumento de resolução de conflitos, se não existem outros mecanismos na empresa para isso.”

Liderança, confiança e regras claras

A diretora do Grupo Globo destaca que o papel das lideranças é “fundamental para pautar o tom das relações, identificar questões nas equipes e criar um ambiente em que a resolução de conflitos seja possível antes que vire uma questão ética”. Essa perspectiva reforça a ideia de que o compliance não pode ser isolado num departamento, mas deve permear toda a cultura organizacional.

Na prática, isso se traduz em três pilares: clareza das regras, canais seguros de denúncia e atuação independente do compliance. “Quando você tem uma regra clara, fica mais fácil cobrar o cumprimento dessa regra”, afirma. Na Globo, esse conjunto está formalizado no código de ética e conduta, que é conhecido por funcionários, parceiros e prestadores de serviço.

Outro ponto sensível é o sigilo no tratamento das denúncias. “Essa confidencialidade é uma forma de proteger o sistema como um todo”, explica Carolina, ao lembrar que o cuidado com os envolvidos garante a confiança no processo. “As pessoas se sentem mais estimuladas a nos procurar quando sabem que o relato será tratado com respeito e discrição.”

Compliance é para todos

Ainda que muitas vezes seja visto como algo restrito às grandes empresas, o compliance é igualmente relevante para pequenos negócios. “Primeiro, olha o risco que você corre”, alerta Carolina. Até mesmo um pequeno comércio pode ter interações com agentes públicos, estar sujeito a legislações trabalhistas ou correr o risco de falhas éticas no ambiente interno. “Compliance é conformidade com as leis e regulamentos que se aplicam ao seu negócio.”

A recomendação é que, independentemente do porte, o empreendedor identifique os principais riscos do seu setor e adote mecanismos simples para prevenir desvios. Isso pode começar com um código de conduta, um canal seguro de escuta e um comitê ético com autonomia para analisar relatos. “Mesmo em empresas menores, a estrutura pode existir de forma proporcional à realidade”, reforça.

Carolina também aponta que a diversidade nas equipes de compliance é uma vantagem estratégica. “Esse conhecimento do dia a dia, da realidade das pessoas, ajuda muito na avaliação dos casos e gera acolhimento para quem nos procura.”

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Conte Sua História de São Paulo: trabalhei na banca de revista em troca da leitura de gibis

Marcelo Bailão Silva

Ouvinte da CBN

Foto de João Saplak

Corria o ano de 1967 e minha família – eu, papai, mamãe e minhas duas irmãs – mudávamos de Santos para São Paulo. Na capital, papai recomeçaria a vida depois de momentos profissionais difíceis em Santos.

Viemos para o Itaim, na época um bairro de classe média baixa, recortado pelo Córrego do Sapateiro, que ligava o Ibirapuera à Marginal do Pinheiros e era circundado por uma enorme favela. Morávamos praticamente ao lado dessa favela. E estudávamos na escola pública, boa na época, Ludovina Credidio Peixoto, que existe até hoje. Meus amigos eram a turma favela, que frequentava minha cara e por quem sempre tive carinho e amizade. Alguns morreram, outro foi assassinado, houve os que se  perderam na vida e os que venceram as dificuldades e saíram da miséria.

Sempre amei ler, desde aquela época. Lia o que caía em mãos, principalmente gibis de heróis — (Homem-Aranha, Conan, .. ) — eram raros e caros.

Na minha esquina havia a banca do Seu José. Ele vendia revistas e jornais. Eu era conhecido dele porque vivia folheando os gibis. Com o apoio de minha mãe, fiz um acordo com Seu José: enquanto ele dava uma pausa para almoçar, eu tomava conta da banca e poderia ler as revistinhas. Maravilha! Melhor “salário”, impossível!

Durou pouco tempo – um tempo inesquecível. Alguns meses depois, papai começou a trabalhar na Editora Abril e voltava para casa com um caixote cheio de publicações da editora. Aí é que me afundei na leitura de vez.

Essa paixão perdura até hoje e consegui transmiti-la aos meus filhos Júlia e Vitor, ávidos leitores. Durante a infância deles, sempre frequentamos livrarias como a Cultura e a Martins Fontes. Eles sempre me ouviram falar:“escolham um livro, eu nunca vou negar um livro a vocês”.

Acredito que ler é viver. Fico triste sempre que uma livraria ou editora fecha e, se pudesse, acabaria com impostos sobre livros. Recuperar o prazer da leitura, seja em papel ou no digital, devia ser foco do ensino básico. Pobre país que se esquece do seu povo e de sua cultura. Se pudesse dar um presente à nossa cidade, daria um livro de para cada um que aqui vive.

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Marcelo Bailão Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade você visita agora o meu blog miltonjung.com.br ou vai lá no Spotify e coloca entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: seis erros que sua empresa não pode cometer

Identidade indefinida, comunicação incoerente, promessas quebradas e descaso com o consumidor são alguns dos erros capazes de afundar uma marca. Esse alerta foi o tema do comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo no Jornal da CBN.

“Quando a marca não sabe o que ela quer significar realmente, temos um grande problema, porque ela pode ser qualquer coisa”, destacou Cecília Russo ao apontar a falta de uma identidade clara como um dos principais erros. Ela ressaltou também que “mensagens desencontradas ou mudança constante de tom verbal ou identidade visual, ou até mesmo o silêncio” prejudicam profundamente uma marca, já que geram confusão e desconfiança nos consumidores. Por fim, Cecília acrescentou que ignorar ou desconhecer o consumidor “é fatal”, porque as pessoas desejam ser tratadas de maneira única e valorizada.

Jaime Troiano chamou atenção para os perigos das “promessas não cumpridas”. Segundo ele, “marcas que prometem algo e entregam outra causam experiências desagradáveis e perda de credibilidade”. Outro erro destacado foi o descaso com o atendimento ao consumidor: “ignorar feedbacks, demorar para responder ou tratar mal os clientes é sempre imperdoável”, principalmente em tempos de avaliações instantâneas na internet. Além disso, Troiano alertou que “não acompanhar tendências e inovações” pode condenar uma empresa à obsolescência, embora mudanças devam ser feitas com cautela, respeitando a essência da marca.

A marca do Sua Marca

A principal marca deste comentário é o aprendizado com os erros, um guia prático para evitar que as empresas se sabotem e coloquem em risco sua credibilidade e relevância no mercado.

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Conte Sua História de São Paulo: trabalhei nos cinemas da cidade

Ednaldo José Silva de Camargo

Ouvinte da CBN

Foto de Nicolette Villavicencio

Sou um apaixonado por cinema desde criança. Nasci em Cananéia, onde morei até os sete anos de idade. Naquela cidadezinha ainda sem televisão, um dos meus maiores divertimentos era ir ao cinema aos domingos, assistir a Os Três Patetas e Flash Gordon (aquele de 1936), que era exibido em formato de seriado.

Corta para 1983, cerca de quinze anos após minha mudança para São Paulo. Por indicação de um amigo, Eduardo Ramires, fui contratado para trabalhar como gerente no Cineclube Bixiga, na Rua Treze de Maio, 124.

Foi a primeira sala de projeção em São Paulo a, entre outras novidades, permitir a reserva antecipada de assentos marcados. Sua programação era bastante específica:

  • Segundas-feiras: exibição de filmes nacionais, seguida de debates – muitas vezes com a presença dos próprios diretores.
  • De terça a domingo: filmes europeus, americanos, asiáticos, enfim, o que se chamava, na época, de “filmes de arte”.
  • Sextas-feiras e sábados: uma sessão especial à meia-noite, sempre com um filme diferente.

A cabine de projeção ficava em uma espécie de aquário, permitindo que o público que aguardava no hall visse o projecionista em ação. Além disso, um projetor exibia animações francesas, polonesas, italianas e de outras nacionalidades na parte interna do toldo do cinema, tornando a espera ainda mais especial.

Durante minha passagem pelo Cineclube Bixiga, conheci pessoas incríveis: Diogo Gomes dos Santos e Antônio de Gouveia Jr., idealizadores do projeto; Adhemar Oliveira, que mais tarde criaria o Cineclube Estação Botafogo no Rio de Janeiro e, hoje, está à frente do Espaço Itaú de Cinema; Felipe Macedo, uma das maiores autoridades em cineclubismo, fundador do Cineclube Oscarito, que ocupou o antigo espaço do Cine Bijou, na Praça Roosevelt. E tantos outros: Arnaldo Vuolo, Adalberto Vieira…

Também tive o privilégio de conhecer cineastas como João Batista de Andrade, Denoy de Oliveira e Ivo Branco.

Trabalhava no período da noite, mas, algum tempo depois, fui convidado a assumir o turno diurno, cuidando da administração. Para me substituir no horário noturno, contrataram um jovem cineasta que havia acabado de ganhar um prêmio em Gramado por uma animação em Super 8. Um nome que, na época, ainda era pouco conhecido, mas que hoje dispensa apresentações: Carlos Imperio Hamburger, mais conhecido como Cao Hamburger – criador de sucessos como Castelo Rá-Tim-Bum, Xingu e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, filme que representou o Brasil no Oscar de 2008.

Só São Paulo possibilita esses encontros e histórias.

Eu poderia contar sobre quando vi Renato Braz começando sua linda trajetória no Café Paris, ou sobre Mônica Salmaso, mas essa é uma história para outro momento. Hoje, o tema é o cinema.

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Ednaldo José Silva de Camargo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade você visita agora o meu blog miltonjung.com.br ou vai lá no Spotify e coloca entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Mundo Corporativo: Vetusa Pereira, da Heineken, afirma que diversidade não é moda, é negócio

Foto: divulgação

“Diversidade e inclusão não são custo nem moda; são estratégia de negócio que traz resultado financeiro para as empresas.”

Vetusa Pereira, Heineken

O Brasil avança com estratégias efetivas de diversidade e inclusão no ambiente corporativo, enquanto assistimos a movimentos contrários ganhando espaço internacionalmente, como mostram os recuos nos Estados Unidos de Donald Trump. No entanto, para que o país se proteja dessa onda de retrocesso é preciso entender como essas iniciativas afirmativas podem ser transformadas em resultados práticos. Nesse sentido, o Mundo Corporativo entrevistou Vetusa Pereira, gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Grupo Heineken.

Segundo Vetusa, é fundamental desmistificar a ideia de que diversidade é um gasto sem retorno ou apenas um modismo passageiro. “Se as pessoas realmente se debruçarem sobre os estudos, esse mito cai rapidamente”, afirmou.

Inclusão com resultado

A experiência do Grupo Heineken no Brasil ilustra bem a possibilidade de crescimento por meio de políticas claras de diversidade. Vetusa destaca que, nos últimos anos, a representatividade feminina na liderança da empresa saltou de pouco mais de 20% para 44%, com meta de alcançar 50% até 2026. Já na questão racial, a companhia atingiu quase 37% de lideranças negras, com um objetivo declarado de chegar a 40% até 2030.

Esses resultados, segundo ela, só foram possíveis graças a uma análise detalhada da realidade interna e externa da empresa, estabelecendo ações específicas como programas de aceleração de carreira, treinamentos corporativos e apoio no desenvolvimento profissional e pessoal dos colaboradores.

Vetusa enfatiza que diversidade e inclusão geram uma conexão real com os consumidores, contribuindo diretamente para os resultados financeiros das empresas. “Se queremos chegar ao coração e ao copo de todos os brasileiros, precisamos falar uma linguagem diversa e inclusiva”, destacou.

Meritocracia e equidade

Sobre o debate envolvendo meritocracia e ações afirmativas, Vetusa esclarece que ambas são compatíveis desde que aplicadas corretamente. Ela explica que as políticas internas são desenhadas para oferecer ferramentas adequadas de desenvolvimento, garantindo que todos possam competir em igualdade de condições. “Ninguém vai promover alguém só por ser mulher ou pessoa negra. Precisa haver repertório de conhecimento”, pontuou.

Outro aspecto abordado por Vetusa foi o papel da comunicação, descrita por ela como fundamental no avanço das iniciativas de diversidade. A Heineken investe em treinamentos específicos que ensinam lideranças e colaboradores a comunicarem suas demandas e necessidades sem cair em extremismos ou receio de “cancelamento”. Segundo ela, “o objetivo não é policiar, mas letrar e educar com empatia e diálogo”.

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