Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: infidelidade é a marca do consumidor

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“Existe uma disputa de bastidores entre consumidores e empresas, uma disputa entre lealdade e independência. Quem ganha esse cabo de guerra?” Jaime Troiano

Jaime Troiano

O desejo legítimo de liberdade de escolha do consumidor e a busca constante das marcas na conquista da fidelidade dele geram tensões que precisam ser mediadas pelos gestores. E para tanto é preciso entender o comportamento desse consumidor. Para refletur sobre esse tema, Jaime Troiano e Cecília Russo, começaram o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, perguntando o que os ouvintes mais valorizavam: a lealdade às marcas ou a independência. 

Diante da experiência e do conhecimento ao longo de muitas jornadas dedicadas ao branding, Jaime Troiano aposta na segunda opção: “creio que a vontade de ser independente ganha de lavada. Uns 10 a um, pelo menos”.

Jaime explica que, embora algumas marcas ofereçam conforto e segurança, a maioria dos consumidores prefere a liberdade de escolha. Ele menciona Martin Lindstrom, autor do livro “Brandwashed”, que tentou um “brand detox”, ficando quatro meses sem usar marcas recorrentes, mas não conseguiu. Para Jaime, essa experiência destaca a tensão entre fidelidade e independência: “A realidade é que as empresas apostam e investem em fidelidade e nós, consumidores, queremos independência, liberdade de escolha”.

Cecília Russo complementa com dados da Auditoria de Marca, usada pela TroianoBranding, um estudo realizado por 28 anos, envolvendo 4.800 marcas. Ela descreve a metodologia que divide os consumidores e identifica qual o percentual de cada um desses grupos, considerando os dados coletados até agora: 

  1. Desconhecimento: 31% dos consumidores não conhecem a marca.
  2. Rejeição: 9% conhecem a marca, mas a rejeitam.
  3. Familiaridade: 53% estão na zona de “nem fede nem cheira”, ou seja, conhecem a marca, mas não têm uma opinião forte.
  4. Preferência: 4% preferem algumas marcas específicas dentro de uma categoria.
  5. Idealização: 3% são apaixonados pela marca, recomendam e são leais incondicionalmente.

Ou seja, apenas 3% dos consumidores não abrem mão de alguma marca de forma absoluta. “São indicadores muito fortes para mostrar que consumidores são cada vez mais voláteis em nosso mundo. Eles vão e voltam para uma determinada marca. Mas um casamento definitivo é raro. Sempre dão uma escapadinha”. 

A voz do consumidor, lembra e cantarola Jaime Troiano, está nos dizendo sempre algo que lembra muito a canção do saudoso Aldir Blanc: “Não põe corda no meu bloco, não vem com teu carro-chefe, não dá ordem ao pessoal. Não traz lema nem divisa, que a gente não precisa que organizem nosso carnaval…” 

A marca do Sua Marca

A principal marca do comentário é a evidência de que, no cenário atual, consumidores estão cada vez mais voláteis e independentes. A lealdade incondicional a uma marca é rara, sendo que a maioria prefere experimentar novas opções antes de decidir. As empresas precisam reconhecer essa realidade e adaptar suas estratégias de branding para manter a relevância e atratividade.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

O rádio de madeira no balcão de casa

Por Christian Jung

 Este texto foi escrito originalmente para o site Coletiva.Net

O rádio SEMP em que ouvia o pai. Foto: Arquivo Pessoal

Na casa onde nasci e ainda moro, no período que tinha família com mãe, pai e irmãos morando juntos, havia um rádio de madeira da marca SEMP. Ficava em lugar privilegiado sobre o balcão da sala de jantar. Era nesse aparelho que ouvíamos as notícias, ao longo dos dias. Além da programação musical e os jogos de futebol.

Não por acaso, o rádio sempre esteve muito presente em minha vida e dos meus irmãos: era dentro daquela caixinha de madeira que nós escutávamos a voz do pai. Ele era o locutor do principal noticiário do rádio gaúcho, o Correspondente Renner, e narrador esportivo. O forte apelo emocional que o futebol tinha sobre o público e o fato de o rádio ser o único veículo a levar ao ar as emoções da bola, naquela época, faziam dos narradores esportivos, personalidades.

O pai era famoso pela precisão e velocidade na locução; e o jargão mais conhecido dos torcedores era o grito de gol: “Gol, gol, gol!”. E assim, por muitas vezes, quando andava com ele pelas ruas de Porto Alegre, escutava as pessoas gritando do outro lado da calçada:  “Milton Jung, o Homem do Gol, Gol, Gol!”

Mas voltemos ao SEMP. 

A imagem do velho rádio, que revi dia desses, me remeteu à ingenuidade da minha infância. Escutava o pai mais de uma vez por dia lendo as notícias “chatas de adultos”, que nada resolviam os meus problemas de criança. E diante dos meus momentos de malcriação, a mãe me repreendia e lembrava que o pai, dentro daquela caixinha, estava me escutando. 

Mesmo não achando muito provável, ao menos em frente ao rádio, procurava manter o silêncio. Era uma época em que a figura paterna impunha muito respeito. E os pais costumavam cobrar de forma austera. A bem da verdade, o pai não era desses de dar grandes broncas.

Apesar de desconfiar que estava sendo ludibriado, um fato me deixava em dúvida: ao voltar para almoçar em casa, o pai já sabia de tudo que eu havia aprontado. E ainda me chamava com o seu vozeirão: “Christian, o que aconteceu hoje?”. A ideia de que o rádio teria me delatado persistia. Sem perceber que era a mãe quem me entregava assim que ele chegava em casa. Por um bom tempo respeitei a caixinha de madeira da sala de jantar.

Hoje, é meu irmão que ocupa o espaço – dentro da caixinha de madeira – aliás, dentro do rádio e em rede nacional, mas meus sobrinhos não sofrem do mesmo terror – bem mais espertos e comportados do que o tio, logicamente. 

Sem contar que o modelo “rádio de madeira” virou item de colecionador. Atualmente, são várias as plataformas que permitem a transmissão das notícias e levam a informação a locais muito mais distantes. Não se corre mais o botão do dial para sintonizar a emissora preferida. Basta apertar a tecla ou usar o comando de voz para se ouvir a rádio e o locutor desejados.

Se acessar as notícias ficou mais fácil, o mesmo não se pode dizer da tarefa de unir a família no almoço. Ainda mais quando, na maioria das vezes, as cabeças sequer olham as panelas sobre a mesa porque estão afundadas na tela do celular.

Para que não seja indevidamente difamado: lá em casa, não aprontei muito, e aprendi de mais sobre o poder da comunicação.

Este texto foi escrito, originalmente, para o site Coletiva.Net

Christian Jung é publicitário, locutor e mestre de cerimônias (macfuca@gmail.com)

Mundo Corporativo: Marcus Teles revela estratégias da Livraria Leitura para prosperar em tempos de crise

Nos bastidores do Mundo Corporativo, foto de Pricisla Gubiotti

“A austeridade e a independência financeira são nossas maiores fortalezas.”

Marcus Teles, Livraria Leitura

Com a concorrência acirrada de gigantes do e-commerce e as crises econômicas que desafiaram o mercado nos últimos anos, manter uma rede de livrarias no Brasil parece uma tarefa gigantesca. E é mesmo. No entanto, a Livraria Leitura além de sobreviver, também prosperou nesse cenário desafiador. Este é o tema central da entrevista de Marcus Teles, CEO da Livraria Leitura, no programa Mundo Corporativo.

Marcus Teles compartilhou as estratégias que levaram a Livraria Leitura a se tornar a maior rede de livrarias do país. “Nós crescemos mais nas crises,” afirmou Teles, explicando que a empresa sempre optou por operar com capital próprio e sem dívidas. Essa abordagem permitiu que a Livraria Leitura enfrentasse turbulências econômicas com mais resiliência do que muitos concorrentes.

Concorrência e Adaptação

Uma das grandes lições de Teles é sobre como enfrentar a concorrência de grandes multinacionais. “Aquelas que quiseram brigar no preço e vender mais barato do que uma multinacional foram por um caminho de confronto difícil de vencer,” ressaltou. Ele destacou que a Livraria Leitura sempre priorizou a experiência do cliente e a formação de uma equipe bem treinada, capaz de oferecer recomendações personalizadas e atendimento de alta qualidade.

Para Teles, a chave do sucesso está na capacidade de adaptação e na austeridade. “Se a loja deu prejuízo no segundo ano, muitas vezes chegamos ao dono do imóvel ou ao shopping e negociamos uma redução de aluguel. Se isso não acontece, a loja é fechada,” contou ele, mostrando a firmeza nas decisões que ajudam a manter a saúde financeira da empresa.

O Crescimento da Leitura no Brasil

Teles trouxe uma perspectiva otimista sobre o hábito de leitura no Brasil, especialmente entre os jovens. “Nós esperávamos que, com a digitalização, os jovens fossem menos adeptos ao livro impresso. Na verdade, foi o contrário: eles leem muito hoje,” disse ele. A popularidade de séries e a influência de plataformas como o TikTok têm contribuído para esse crescimento.

Outro ponto destacado foi a importância das livrarias físicas. “A livraria é um contato de convivência,” explicou Teles. Ele acredita que, apesar do crescimento das vendas online, as livrarias oferecem uma experiência única que atrai leitores interessados em novidades e em um ambiente propício à descoberta de novos títulos.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: Vila Mariana me sapecou um desgosto

Rubens Cano de Medeiros

Ouvinte da CBN

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Primeiro, um descuido. Subsequente, teimosia. E, arrematando a
costura, dúplice insensibilidade e grosseria. Pronto! Eram os
ingredientes da minha “tragédia”.

Daquele bonde camarão, nem senti raiva. Já do motorneiro… E do
motorista – lembro bem – do Fordinho Prefect verde, ah…

Meu quinhão de sangue ibérico levou-me a rogar, aos dois, várias
pragas! Que, como sói acontecer com imprecações, são inúteis, inócuas:
até aumentaram minha raiva…

Descuido que, meia horinha mais, revelar-se-ia fatal. Tínhamo-nos
esquecido – eu e meus pais, à saída, de travar o portão com a tramela.
Sem que notássemos, a danadinha pôs-se a nos seguir. Na nossa
caminhada, subidona da José Antônio Coelho a fora.

Meu sobrenome Cano – foneticamente mal aportuguesado, do castelhano –
motivava que perguntassem: “Você é filho de ISPANHÓR?”. Não era. Mas
neto, sim.

E completavam. “Espanhol é tudo teimoso!”. Minha mãe, fila de
imigrantes da Andaluzia, a Isabel Cano, ela teimava e contrariava! Eu
até que muito insisti, no percurso.

“Manhê! Vâmo voltar, prender ela no quintal…”. Mas qual! Minha mãe
retrucava: “NÃÃÃO! Ela volta, sozinha!”. Voltou? Seguiu-nos até os
trilhos da Domingos de Morais. Até a placa branquinha, PARADA DE
BONDE, no alto, perto de fio trólei.

Lembro nítido! Era 25 de janeiro – íamos passear no Centro. Eu,
moleque, naquele feriado, algum ano da década de 50, não longe de ter
passado o IV Centenário.

Revejo, de memória. Então, o bonde camarão chegou. Um, da linha 101 –
Santo Amaro. De letreiro Praça João Mendes.

A porta da frente se nos abriu – subimos. Incontinenti, ela nos quis
seguir – até botou as patinhas no degrau de ferro, dobrável, da
própria porta. Mas…

O maldoso motorneiro, vendo, fechou abruptamente! Lançou o animalzinho
à frente do carro, cujo maldoso motorista sequer diminui a velocidade:
PLAFT! Doloso, matou! Minha mãe bradou: “Não olha!”. Eu? Horrorizado,
vi tudinho.

De fato, permitiam-se carros no contrafluxo de bondes; porém bastava
frear… Num átimo, aí fechei os olhos. As lágrimas que chorei ainda
gotejavam na triste volta… A cachorrinha jazia nos
paralelepípedos…

Naquele festivo 25 de janeiro, Vila Mariana me sapecou um desgosto.

À época, moleque, eu adorava folhear – ler, mesmo – a bela A Gazeta.
Cujas edições comemorativas nos 25 de janeiro traziam lindas
ilustrações e nitidíssimas grandes fotos em preto e branco – me
encantavam!

Sem exagero, eu lia inclusive… a página policial! Página que – hoje
suponho – bem poderia, no dia seguinte à tragédia, ter estampado uma
certa manchete…

“FERIADO MANCHADO DE SANGUE – BONDE E CARRO ASSASSINOS – POIS NEM
SEMPRE O HOMEM É O MELHOR AMIGO DO CÃO”.

No 25 de janeiro seguinte… Que bom! Outro cãozinho já tinha me vindo
– cicatrizar o coração… 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Rubens Cano de Medeiros é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: está chegando o B2G

Campanha de fabricante de aço aproxima o produto das pessoas Foto: divulgação

“Esse muro entre B2B e B2C está balançando. E acho que vai cair. Nem B2B nem B2C, apenas: bem-vindo à era do B2G.”
Jaime Troiano

O conceito de B2G, ou “business to gente”, está transformando a maneira como empresas enxergam suas relações com o mercado. No comentário desta semana no “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, Jaime Troiano e Cecília Russo exploraram essa tendência que está derrubando as barreiras entre os mundos corporativos de B2B e B2C.

Jaime Troiano iniciou explicando a tradicional divisão entre B2B (business to business) e B2C (business to consumer). Ele entende que sempre existiu um preconceito envolvendo os profissionais de B2B e B2C. O pessoal do B2B diz que aqueles que trabalham com o consumidor final são mais superficiais; a turma do B2C enxerga do outro lado um agrupamento de engenheiros que julgam que os produtos falam por si mesmos e precisariam explorar mais instrumentos de marketing e branding.

“B2B e B2C sempre foram separados por um muro, como se os conceitos técnicos de marketing, comunicação e branding não se aplicassem a ambos.”

Jaime Troiano

Em sintonia com o que pensa Jaime, Cecília Russo também percebe uma transformação diante da visão de que tanto um lado como o outro têm a necessidade de falar com as pessoas:

“B2G significa: business to people ou, business para pessoas, business para gente.”

Cecília Russo

Um exemplo dessa mudança é a campanha publicitária da ArcelorMittal, um fabricante de aço, lançada neste ano, que mostra como produtos B2B podem ser apresentados ao público em geral, trazendo um entendimento maior sobre a importância desses produtos no cotidiano das pessoas.

“À primeira vista, pode parecer uma ingenuidade: anunciar aço para o público em geral. Afinal, ninguém acorda e sai de casa pensando: acho que hoje vou comprar um pouco de aço. Mas um dia, essa mesma pessoa vai entender que certos produtos com os quais ela convive e usa, começaram lá atrás numa siderúrgica.”

Cecília Russo

Cecília enfatizou que quando empresas B2B adotam essa visão o papel da empresa adquire maior grandiosidade social.

A marca do Sua Marca

A principal marca do comentário foi a ênfase na integração dos mundos corporativos, derrubando as barreiras que separam B2B e B2C e promovendo uma visão mais ampla e socialmente responsável das empresas.

“Quando empresas B2B adotam essa visão, o papel da empresa adquire maior grandiosidade social.”

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: branding, o maná do agronegócio

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“É fundamental a marca do agronegócio ser capaz de contar essa história, demonstrar sua proposta de valor única”

Cecília Russo

O branding é um poderoso aliado para agregar valor às marcas em diversos setores econômicos. O Brasil, reconhecido mundialmente como uma potência no agronegócio, também encontra na gestão de marcas um importante espaço de relevância. Este foi o tema discutido por Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” no Jornal da CBN.

Cecília Russo destacou a importância das marcas no agronegócio mencionando o mote utilizado pela TV Globo, desde 2016: “O agro é pop, agora é tech, agro é tudo”. Segundo ela, essa campanha visa mostrar o poderio do setor agrícola brasileiro, motivo de orgulho nacional. E para ajudar na reflexão sobre estratégias de branding no segmento, Cecília traz à tona a definição de marca, segundo a American Marketing Association (AMA): 

“Um nome, termo, sinal, símbolo ou design, ou uma combinação de tudo isso, destinado a identificar os bens ou serviços de um fornecedor ou de um grupo de fornecedores para diferenciá-los de outros concorrentes”. 

Portanto, mesmo em um setor em que se vendem commodities, como soja, café e carne, as diferenças no cultivo, nas tecnologias empregadas e nas práticas de trabalho fazem com que seja essencial contar essa história através da marca. 

“A marca é quem traduz e tangibiliza o que a soja da empresa A é diferente da empresa B”.

Cecília Russo

Jaime Troiano compartilhou exemplos concretos de empresas que têm se destacado no agronegócio por meio de um trabalho eficiente de branding. Começou com a mais tradicional dessas marcas, criada nos anos de 1940, a fabricante de adubos Manah, lembrada eternamente pelo slogan: “com Manah, adubando dá!”, criado por um de seus fundadores, Fernando Penteado Cardoso, que morreu com 106 anos, em 2021.

Mais recente é a marca Melão Mossoró, da empresa Mata Fresca, que usa a literatura de cordel na sua identidade visual para destacar a qualidade diferenciada do seu produto. Jaime também citou a Pink Farms, uma fazenda vertical que cultiva hortaliças de forma hidropônica na cidade de São Paulo, utilizando o branding para refletir sua proposta inovadora e seu cuidado com o produto.

 Por fim, ele mencionou a Adubos Real, empresa com a qual trabalhou diretamente, enfatizando que adubo não é tudo igual e destacando o propósito da empresa: “cultivamos elos, nutrimos crescimento” 

“Ao lado da equipe, fomos responsáveis por escavar o Propósito da empresa, que foi traduzido por uma frase “cultivamos elos, nutrimos crescimento””. 

Jaime Troiano

A marca do Sua Marca

O principal ponto é que, no agronegócio brasileiro, o Branding pode potencializar ainda mais o crescimento e a competitividade, especialmente no mercado internacional. Cecília Russo concluiu que, assim como a Colômbia elevou o status do seu café por meio de uma forte identidade de marca, o Brasil também tem a oportunidade de se destacar globalmente ao investir na construção organizada de suas marcas.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Caxias do Sul: memórias e desafios na cobertura da tragédia no Rio Grande do Sul

Foto: Andréia Copini/Prefeitura de Caxias do Sul

A entrevista com o prefeito de Caxias do Sul, Adiló Didomenico, nesta manhã de segunda-feira, no Jornal da CBN, trouxe à tona memórias e emoções profundas. A cidade, ainda despertando de mais um pesadelo, teve sua área rural devastada pelas fortes chuvas e passou a madrugada sob o impacto de um tremor de terra que, segundo relato de moradores, durou cerca de meia hora.

Caxias do Sul não é apenas um ponto no mapa; é um lugar de recordações pessoais vividas quando criança, durante as férias escolares, sempre ao lado dos Ferretti. Foi lá que meu bisavô, Seu Vitaliano, viveu. Foi lá que nasceu minha avó, Ione, e para lá que ela voltou apenas para parir meu pai. Das muitas lembranças, recordo das Tias Ema e Olga, esta última residia no casarão de madeira da Nove de Julio. A avenida, famosa pelo desfile da Feira da Uva, é um símbolo de momentos felizes da minha infância.

Adolescente, retornei a Caxias para jogar basquete com os amigos do Recreio da Juventude, clube esportivo e social da cidade. Essas experiências construíram uma conexão forte e duradoura com a região, tornando a entrevista desta segunda-feira especialmente tocante.

Durante a conversa, vários sentimentos se misturaram. O prefeito lembrou que Caxias do Sul era o maior produtor de hortifrutigranjeiros do Rio Grande do Sul, e as recentes calamidades dificultaram o acesso aos centros de consumo devido aos bloqueios nas rodovias. Desde o início, áreas de risco foram evacuadas e passagens foram abertas nas regiões de deslizamento para permitir o trânsito de veículos e o transporte de mantimentos para as famílias ilhadas.

Ouça a entrevista completa com o prefeito de Caxias do Sul, Adiló Didomenico

Cobrir essa tragédia em Caxias do Sul, mesmo à distância, é um desafio que vai além do profissional, evocando lembranças de tempos passados. Cada relato faz com que eu sinta a dor da comunidade como se fosse minha, reforçando a importância de uma cobertura empática e comprometida com a verdade e a solidariedade.

Manter o equilíbrio e a frieza jornalística em momentos como esse é uma tarefa complexa. Esforço-me para imaginar o que estão sofrendo os colegas jornalistas que presenciam a tragédia no “campo de batalha”. Muitos deles gaúchos como eu. A psicologia dessa cobertura exige um controle emocional que nem sempre é fácil de alcançar. É aqui que os ensinamentos de estudiosos do jornalismo se tornam particularmente valiosos.

Philip M. Seib, em “Broadcasts from the Blitz: How Edward R. Murrow Helped Lead America into War”, discute como jornalistas precisam equilibrar empatia e profissionalismo durante a cobertura de crises. Ele ressalta a importância de preservar a objetividade enquanto se reconhece o impacto emocional das histórias que estão sendo cobertas. Isso se aplica diretamente à minha experiência ao entrevistar o prefeito de Caxias do Sul, onde cada palavra e expressão trazia à tona uma mistura de sentimentos pessoais e responsabilidades profissionais.

Para abordar a necessidade de equilíbrio emocional no jornalismo, a obra de Anthony Feinstein, “Journalists under Fire: The Psychological Hazards of Covering War”, oferece uma análise detalhada dos efeitos psicológicos que os jornalistas enfrentam ao cobrir conflitos e desastres. Feinstein destaca a importância de intervenções psicológicas e de apoio profissional para ajudar os jornalistas a lidarem com o trauma e o estresse associados a essas coberturas.

Adicionalmente, os ensinamentos de Dan Harris, jornalista e autor do livro “Dez Por Cento Mais Feliz” — que já foi referência neste blog — são especialmente úteis. Harris defende a prática da meditação como uma ferramenta para melhorar a saúde mental e emocional, lição que aprendeu duramente após sofrer “panes” enquanto apresentava telejornais nos Estados Unidos. A meditação ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade, proporcionando uma maior clareza mental e um senso de calma, fundamentais para jornalistas que cobrem crises. Incorporar essas práticas pode fazer uma diferença significativa na capacidade de manter o equilíbrio durante coberturas emocionalmente desafiadoras.

Essas referências sublinham a importância de buscar um equilíbrio psicológico durante a cobertura de tragédias. Técnicas como a respiração controlada, a meditação e o estabelecimento de limites claros entre o pessoal e o profissional são cruciais – não, infelizmente, eu não as pratico. Além disso, buscar apoio em colegas e profissionais de saúde mental, reconhecer e aceitar as próprias emoções, sem deixá-las dominar a cobertura, são passos essenciais para realizar um trabalho ético e eficaz.

Revisitar Caxias do Sul em meio a uma tragédia — e ressalto, mesmo que à distância — me trouxe à mente não apenas a responsabilidade jornalística, mas também a necessidade de cuidar de meu próprio bem-estar emocional. Assim, posso continuar a fornecer uma cobertura que não só informa, mas também honra a resiliência e a humanidade da comunidade que tanto significa para mim.

Conte Sua História de São Paulo: brinquei entre os cavalos da repressão e as moças do hotel

Dalton Giovannini

Ouvinte da CBN

Av. Casper Líbero em foto Wikipedia

Nasci no coração de São Paulo, na Avenida Casper Líbero, durante a década de 1960. Minha infância foi marcada pela necessidade de adaptar-me às escassas opções de lazer na sobreloja do prédio onde morávamos.  Não havia espaço de convivência e jogar bola nos estreitos corredores era um desafio, enquanto pedalar meu triciclo nas calçadas se tornava um espetáculo encantador, apesar dos transtornos causados aos pedestres.

Em uma ocasião memorável, enquanto passeava com minha tia Lucia, uma confusão repentina nos fez buscar refúgio no fundo de uma loja. As portas de ferro foram baixadas apressadamente, revelando uma cena de cavalos em disparada e pessoas fugindo—um reflexo dos desafiantes tempos que enfrentávamos.

Todos os dias, eu e minha irmã atravessávamos a magnifica Estação da Luz a pé, passando pelo parque em direção à escola estadual Prudente de Morais, que hoje faz parte da Pinacoteca. Admirávamos suas fontes, hoje secas, e brincávamos com os girinos que se reproduziam nas águas. 

Durante aquela época turbulenta, nossa escola, por vezes, recebia ameaças. Sem entendermos bem o que ocorria, vivíamos o inesperado prazer de sermos levados ao quartel da ROTA, situado em frente à escola. Ali, passávamos horas explorando os carros e equipamentos da polícia até que a situação se esclarecesse—momentos que se gravaram em minha memória.

Após as aulas, eu frequentemente visitava um pequeno hotel na rua Washington Luis, cujas funcionárias me recebiam com balas, doces e carinho. Embora na época eu não compreendesse exatamente o que elas faziam ali, essas visitas eram sempre um ponto alto do meu dia. Curiosamente, também me intrigava um bar na Avenida Cásper Líbero, que escondia pequenos “quartos” em seu interior. Sempre que tentava espiar, o dono do bar me repreendia carinhosamente, chamando-me de “mosquitinho elétrico”.

Outro momento inesquecível era a chegada dos primos que moravam nos bairros residenciais de São Paulo. Eles ficavam fascinados com o elevador do nosso prédio, que era cenário de muitas brincadeiras e frequentes reprimendas do zelador.

Apesar de ser um garoto tipicamente urbano, minha infância naquele cenário foi excepcional, permeada por garrafas de leite de vidro e emoções intensas. Naquela época, não era comum ter redes de proteção nas janelas, e brincar de se pendurar nelas era um passatempo recorrente.

Em 1970, aos oito anos, mudei-me para o bairro do Tucuruvi, na Vila Mazzei, onde vivenciei uma infância diferente, com algumas deficiências que trouxe do centro: nunca aprendi a empinar pipa e jamais avancei além da posição de goleiro. Mas foi lá que conheci Zé Grilo, um amigo que permanece ao meu lado até hoje e cuja memória fantástica guarda histórias que até eu duvido ter vivido. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Dalton Giovannini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Felipe Félix, do will Bank, fala de como tornar seu negócio acessível ao cliente que está fora do mercado

Felipe Felix nos bastidores do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“77% da população brasileira acha mais fácil controlar seu dinheiro em papel moeda do que dentro de uma conta bancária.”

Em uma época na qual a inclusão financeira se torna cada vez mais vital, é importante adaptar os serviços bancários à realidade dos brasileiros que vivem fora do sistema financeiro. Foi com essa ideia em mente que Felipe Félix, fundou o will Bank, em 2017, um banco digital que tem 1.200 colaboradores e oferece produtos como cartão de crédito e débito, conta digital, investimentos, crédito pessoal e marketplace.

40% da base de clientes guarda dinheiro em casa, ou seja, não usam bancos ou poupanças tradicionais disse Félix, em entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, elucidando sobre as barreiras enfrentadas por esses consumidores quando confrontados com produtos financeiros complexos como CDBs e debêntures.

Inclusão Financeira e Simplicidade

Ao longo da entrevista, Felipe Félix compartilhou como o will Bank, ao se aventurar pelo interior do Brasil, adotou uma abordagem simplificada para atrair clientes. Ele destacou a importância de uma oferta acessível e descomplicada:

“Antes de você entender as motivações e os porquês, é essencial entender como esse cliente se relaciona com seu produto”.

Uma das estratégias chave do will Bank tem sido o uso do crédito como porta de entrada para uma nova experiência bancária, especialmente para aqueles que são novos no uso de serviços financeiros. Para Félix a tecnologia pode facilitar o acesso a serviços financeiros sem tarifas proibitivas:

“A grande parte do atendimento ao nosso cliente é feita pelo celular, um canal de atendimento digital, porque isso traz escala”

Cinco lições para usar no seu negócio

A entrevista de Felipe Félix oferece várias lições valiosas sobre atendimento ao cliente, especialmente em contextos de inovação e inclusão financeira. Aqui estão alguns dos principais aprendizados que podem ser extraídos:

1. Conheça profundamente seu cliente: Felipe enfatiza a importância de entender não apenas as necessidades financeiras básicas dos clientes, mas também seus comportamentos, motivações e as barreiras que enfrentam ao acessar serviços financeiros.

2. Simplifique os serviços: Um dos grandes obstáculos para a inclusão financeira é a complexidade dos produtos bancários. A abordagem do will Bank de simplificar esses produtos e o próprio processo bancário torna os serviços mais acessíveis e compreensíveis, o que é crucial para clientes que podem ter limitada experiência financeira prévia.

3. Mantenha um equilíbrio entre tecnologia e interação humana: Apesar de ser um banco digital, o will Bank reconhece a importância da interação humana. Felipe discute como eles combinam atendimento digital com momentos de contato humano direto, garantindo que a tecnologia não substitua completamente o elemento pessoal, mas que trabalhe para aprimorar a relação com o cliente.

4. Resolva dores específicas do cliente: Cada serviço oferecido deve ter como objetivo resolver uma “dor” específica, demonstrando um atendimento focado no cliente.

5. Acessibilidade é chave: A estratégia de oferecer serviços por meio de canais digitais amplia a acessibilidade, permitindo que pessoas em regiões remotas ou com restrições de mobilidade possam acessar serviços financeiros da mesma forma que clientes em áreas urbanas. 

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Malu Mões, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: Antônio Carlos Aguiar fala dos desafios do trabalho na era digital

Bastidor da gravação com Aguiar, no estúdio da CBN. Foto: Priscila Gubiotti

“Então, não dá mais para fazer aqueles planejamentos que nós fazíamos de cinco, de 10 anos, porque eu não sei o que vai ser. Nem o mercado de trabalho a gente sabe mais o que é.”

Antonio Carlos Aguiar, advogado

A evolução tecnológica tem reformulado as bases tradicionais do trabalho, criando um novo paradigma onde as relações laborais precisam ser tão ágeis quanto as mudanças sociais e tecnológicas que as impulsionam. Neste contexto, o advogado Antônio Carlos Aguiar, especialista em direito do trabalho digital e disruptivo e autor do livro “Direito do Trabalho 2.0 – digital e disruptivo”, compartilhou suas perspectivas no programa Mundo Corporativo da CBN.

Transformação Digital no Ambiente de Trabalho

Durante a entrevista, Aguiar enfatiza que o cenário atual exige uma nova abordagem nas relações de trabalho, onde até mesmo a legislação existente, como a CLT, parece não mais atender completamente às necessidades atuais.

“O trabalhador tem um mindset digital na prestação do trabalho dele com visão de startup, do mundo do Século 21, do mundo com viés digital e não mais aquele mundo analógico, onde tinha para proteção do trabalhador uma CLT , alguma coisa mais formal”

O advogado pontua a importância de entender que estamos em um ecossistema trabalhista onde tem inclusive stakeholders que optam por sequer trabalhar e têm de ser respeitada essa opção” A flexibilidade e a informalidade, que antes poderiam ser vistas como precarização, hoje são entendidas como parte de um ambiente de trabalho que valoriza a autonomia e a contribuição individual de maneira não tradicional.

“Então, as relações de trabalho tem que acompanhar as mudanças das relações sociais e a visão de propósito que a nova geração tem”.

Antonio Carlos Aguiar também discute a interação entre diferentes plataformas digitais e o mercado de trabalho, admitindo que não se tem ainda uma resposta concreta sobre como essa relação deve se realizar porque é ainda algo muito novo. Entende, porém, que se deveria refletir sobre a maneira como as grandes empresas de tecnologia transformaram completamente seus modelos de negócio para atender às demandas do século 21. Um exemplo é a Amazon: se antes vendia livro, hoje entrega qualquer produto em qualquer lugar do mundo. Citou, também, o WeChat, que é a versão do Facebook na China, uma rede social pela qual também se faz pagamento sem usar cartão de crédito ou dinheiro. Ou seja, um espaço de entretenimento, pagamento e prestação de serviço que representa bem o modelo de negócio  atual.

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