Jornal da CBN: CEO explica renegociação de R$ 4,5 bilhões do Pão de Açúcar e o impacto para clientes e funcionários

Frame de entrevista com CEO do Grupo Pão de Açucar

“Existe um reconhecimento de um desequilíbrio entre o tamanho da dívida e a geração operacional de caixa.”

Uma das redes mais tradicionais do varejo brasileiro iniciou um processo de reorganização financeira ao anunciar a renegociação de cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas por meio de um plano de recuperação extrajudicial. Em entrevista ao Jornal da CBN, Alexandre Santoro, CEO do Grupo Pão de Açucar, explicou o que provocou as dificuldades econômicas, quais são suas expectativas em relação aos credores e como pretende manter as lojas abertas e sem demissões.

A recuperação extrajudicial é um instrumento previsto em lei que permite às empresas renegociar dívidas diretamente com credores, sem recorrer a um processo de recuperação judicial tradicional. Na prática, a companhia busca reorganizar compromissos financeiros enquanto mantém o funcionamento normal das operações.

Segundo Santoro, a medida foi desenhada para tratar exclusivamente das dívidas financeiras da empresa, sem afetar a rotina de funcionamento das lojas.

“Estamos falando de dívidas financeiras não operacionais. Ficam fora desse processo a relação com fornecedores, os funcionários e a operação das lojas”, afirmou.

O Grupo Pão de Açúcar reúne diferentes bandeiras do varejo alimentar no Brasil. Além dos supermercados Pão de Açúcar, fazem parte do portfólio redes como Extra Mercado e Minuto Pão de Açúcar, além de marcas próprias de produtos, como Qualitá e Taeq.

O que levou à renegociação das dívidas

A decisão de recorrer à recuperação extrajudicial está ligada ao vencimento de obrigações financeiras relevantes no curto prazo. De acordo com o CEO, não houve um único fator responsável pela situação, mas uma combinação de elementos acumulados ao longo dos anos.

“O que existe é um desequilíbrio entre o tamanho da dívida e a capacidade de geração de caixa operacional da companhia”, explicou.

Esse tipo de situação não significa necessariamente que a empresa deixou de gerar caixa ou que a operação deixou de ser viável. O problema aparece quando os compromissos financeiros crescem em ritmo maior do que a capacidade da empresa de honrá-los.

Operação segue funcionando normalmente

Um dos pontos que mais geram dúvidas entre consumidores é entender como uma empresa pode renegociar bilhões em dívidas sem fechar lojas, demitir funcionários ou alterar o atendimento ao público. Santoro afirmou que a operação segue funcionando sem mudanças.

“Se você entrar em uma das nossas lojas agora, vai ver tudo funcionando normalmente, clientes chegando, produtos sendo repostos nas gôndolas e caminhões abastecendo as lojas.”

Hoje, o grupo conta com cerca de 37 mil funcionários e atende milhões de clientes em suas lojas físicas e canais digitais. Aproximadamente 10% das vendas já são realizadas por comércio eletrônico.

Negociação com credores já começou

A companhia informou que já tem conversas avançadas com parte dos credores. Para que o plano seja formalizado, é necessária a adesão de mais da metade deles. Segundo o CEO, cerca de 46% dos credores já participam das negociações.

O prazo estimado para conclusão das conversas é de até 90 dias.

“A gente já está bastante engajado nessa mesa de negociação. Existe consciência de que a companhia tem um negócio saudável”, afirmou Santoro.

Juros elevados aumentam a pressão

O ambiente econômico também pesa nas contas de empresas com grande volume de dívida. Santoro destacou que o nível atual das taxas de juros amplia o custo financeiro das companhias.

“Taxas de juros impactam diretamente a despesa financeira.”

Essa realidade afeta especialmente setores de grande escala, como o varejo alimentar, que dependem de capital intensivo para financiar estoques, expansão e operação.

O que esperar agora

Nos próximos meses, o foco da companhia estará na negociação com credores e no ajuste da estrutura financeira.

A estratégia da empresa parte da premissa de que o negócio continua sólido. A aposta é que, com a reorganização das dívidas, a operação consiga seguir crescendo sem a pressão provocada pelos compromissos financeiros de curto prazo.

O desafio, agora, será transformar essa aposta em números que convençam credores e investidores.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: como Bad Bunny transformou a latinidade em um ativo cultural de massa

A latinidade ganhou escala global, entrou no centro do entretenimento e passou a funcionar também como marca cultural. O tema foi discutido por Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, a partir do impacto provocado pelo cantor porto-riquenho Bad Bunny no mercado da música e no imaginário do público.

O caso chama atenção porque rompe uma barreira antiga no Brasil. Durante muito tempo, artistas latino-americanos de língua espanhola tiveram dificuldade de ocupar espaço amplo por aqui. Cecília observa que esse cenário mudou de patamar. “A latinidade deixa de ser algo marginal e passa a ser algo de massa, de apelo mais democrático, furando todas as bolhas”, disse. A frase ajuda a entender por que o debate vai além da música. Não se trata apenas de um artista popular, mas de um fenômeno que desloca referências culturais e reposiciona símbolos latinos no consumo global.

No comentário, Cecília lembra que os números reforçam essa mudança. O crescimento de ouvintes brasileiros de Bad Bunny e a disparada de execuções após o Super Bowl mostram como uma presença artística pode ampliar seu alcance quando reúne identidade, repertório visual e conexão geracional. Na leitura dela, o artista “reforça várias lentes do que é o latino”, combinando marca-país, vínculo com a geração Z e os millennials e até um traço político em sua forma de se apresentar.

Essa análise ajuda a entender um ponto importante do universo das marcas: elas não são feitas só de produto, nome ou logotipo. Também são construídas por símbolos, linguagem, comportamento e contexto. No caso de Bad Bunny, entram nessa conta a defesa explícita de sua origem porto-riquenha, o uso do espanhol, a estética vibrante, a dança, as gírias e a sensação de pertencimento que ele oferece ao público.

Jaime acrescenta uma camada que torna o debate mais interessante. Para ele, o sucesso da marca latina de Bad Bunny no Brasil também passou por uma espécie de chancela cultural dos Estados Unidos. “Foram os americanos, ou foi a cultura americana e mais especificamente o maior evento mundial americano, o Super Bowl, quem catapultou o Bad Bunny”, afirmou. A observação traz certa ironia: parte do público brasileiro pode ter se aproximado da latinidade depois de vê-la validada no palco mais poderoso da indústria cultural americana.

A provocação de Jaime toca num traço histórico do Brasil. Muitas vezes, o país se relaciona com a América Latina de maneira ambígua: geograficamente inserido, culturalmente próximo em vários aspectos, mas nem sempre disposto a se reconhecer plenamente como parte desse conjunto. Quando ele diz que é “como se nós tivéssemos de costas para a América Latina”, aponta para uma resistência antiga, agora tensionada pelo sucesso de um artista que transformou sua identidade em força de mercado.

A marca do Sua Marca

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso ensisna que fenômenos culturais não se explicam por uma única causa. A força de uma marca nasce do encontro entre identidade, contexto, linguagem, visibilidade e circulação social. A latinidade, hoje, parece ter deixado de ser apenas uma referência periférica para disputar espaço no centro da cultura de massa. Resta saber se esse movimento é passageiro ou se veio para ficar.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: empregos e salários que me levaram ao sonho de trabalhar na Telesp

Odnides Pereira

Ouvinte da CBN

telesp
Tampa metálica da TELESP, rua Piaui, SP Foto de Fernando Stankuns

Março de 1974, eu tinha 14 anos, meu primeiro emprego. Muita felicidade.  Um amigo dos meus pais apresentou-me na empresa que ele trabalhava, Duratex S/A Indústria e Comércio. O meu cargo era de Aprendiz de Arquivista. Recebia CR$ 308,00 por mês para arquivar duplicatas dos clientes.

Meses depois, em novembro, um outro amigo da família, ofereceu-me emprego na Companhia Paulista de Força e Luz, com salário maior, CR$ 380,00. Era contínuo, uma espécie de office boy interno. Entregava correspondência nas seções do prédio da empresa. 

Estava terminando o ginásio e o governo fazia campanha para que os estudantes  cursassem o colegial técnico. Escolhi o curso em eletrônica na Escola Técnica Oswaldo Cruz – Paes Lemes, que ficava na mesma rua onde eu trabalhava, na avenida Angélica, no bairro de Santa Cecília. Meus pais não tinham condições de pagar e eu usava quase todo meu salário para a mensalidade do curso.

Três anos depois, consegui emprego no Banco Nacional S/A como Escriturário. Salário de CR$ 1.550,00. O que me permitiu, além de pagar o curso, ajudar meus pais. Trabalhei por um ano. Porém, como estava no fim do curso precisava estagiar para ter o diploma, fazer o relatório para o MEC e conseguir  o registro no CREA. 

Por coincidência, na mesma sala que eu, estudava o filho do dono de uma empresa de guilhotina eletrônica, a Guarani Máquinas Gráficas —  guilhotinas que serviam até na casa da moeda, para cortar papel moeda. Era março de 1978 quando fui admito no cargo de técnico em eletrônica. Com salário de CR$ 12,00 por hora, trabalhei lá no período do estágio, fiz o relatório, peguei o diploma e me registrei no CREA.

Agora, meu sonho era trabalhar na Telesp: além da grande oportunidade de crescer profissionalmente, o salário era muito bom. Pois foi que, no começo de 1979, consegui uma vaga de Auxiliar Técnico do Tráfego de Operação, com incrível salário de CR$ 8.437,70. Felicidade total!

Na Telesp, que foi privatizada, virou Telefônica e depois Vivo, trabalhei por 32 anos. Nesse tempo, cursei faculdade e meu último cargo foi de Analista de Telecomunicações Sênior. Em 2009, me aposentei e, em janeiro de 2011, parei de trabalhar. Trinta e seis anos depois daquele primeiro emprego.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Odnides Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe desta série especial em homenagem aos 272 anos da nossa cidade. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: o spaghetti alle vongole do Giordano

Luiz Antonio Rolim de Camargo

Ouvinte da CBN

Foto de Nadin Sh on Pexels.com

Nos anos 1930, meu avô materno, Luiz Vellego, montou o restaurante Giordano, um endereço de sucesso na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, que já despontava como um importante eixo urbano de São Paulo.

A história do Giordano começou muito antes de sua inauguração. Nos corredores do Mercado Municipal, meu bisavô Raphael, um jornaleiro italiano, fez amizade com um cliente ilustre de sua banca, de sobrenome Matarazzo. Reza a lenda que, fascinado pelos aromas das marmitas que minha bisavó Maria Giordano preparava para o marido, Matarazzo insistia para que ele abrisse um restaurante.

Raphael não levou a ideia adiante, mas seu filho, o jovem e empreendedor Luiz, arregaçou as mangas. Copiou as receitas da mãe e, por duas décadas, comandou um restaurante de referência da gastronomia italiana, cujo vasto cardápio destacava clássicos como o spaghetti alle vongole e a vera pizza napolitana.

O Giordano foi palco de almoços, banquetes e encontros de profissionais liberais, comerciantes e políticos, tornando-se um ponto estável de sociabilidade da elite italiana em São Paulo. Quase cem anos depois, nada resta do restaurante além das deliciosas histórias transmitidas oralmente pelas gerações da família.

E se não ficou uma lembrança material, o mesmo não se pode dizer da aptidão inata dos Vellegos, hoje já na quinta geração, em prepararem una buona pastaciutta. Mantivemos a tradição de servir nas ceias de Natal da família o tortelli di zucca, feito à mão, recheado com abóbora e mostarda di mele, iguaria trazida da pequena cidade da Lombardia de onde viemos — terra de bons comensais.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Luiz Antonio Rolim de Camargo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem da nossa cidade: envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Patrícia Macedo, CMO da Suzano, diz que marcas não devem esperar os sinais para se reposicionar

Patrícia Macedo, Suzano
Entrevista com Patrícia Macedo no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti CBN

“Para mim, essa observação constante da necessidade do consumidor, das motivações do consumidor é que fazem com que a marca suba as escadas.”

Nos últimos anos, a Suzano transformou um projeto estratégico em operação prática e levou seus produtos para dentro da casa de milhões de brasileiros. A empresa, historicamente associada à celulose e ao papel, consolidou uma unidade de bens de consumo com marcas como Neve, Mimo e Max. A mudança de lógica — de uma companhia voltada essencialmente à indústria para uma organização que dialoga diretamente com o consumidor final — foi tema de entrevista de Patrícia Macedo, CMO da unidade de bens de consumo da Suzano, ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Segundo a executiva, o movimento combinou inquietação interna e resposta ao mercado. “Nos últimos 7 ou 8 anos, a gente fala que tirou do PowerPoint e virou um projeto concreto que está na casa aí de muitos milhões de brasileiros o que a gente chama da unidade de bens de consumo”, afirmou.

Ela explica que a companhia passou a complementar a gestão baseada em ativos com uma visão centrada no consumidor. “Eu não vou só gerenciar ativos e pensar em escala, em produtividade, mas eu vou olhar necessidade. Eu vou olhar como esse consumidor pensa, qual é a lógica de comportamento e de necessidades desse consumidor.”

Reposicionamento além da estética

O exemplo mais visível dessa estratégia foi o reposicionamento da marca Neve, com mais de 53 anos de mercado. Para Patrícia Macedo, não se trata apenas de mudar embalagem ou campanha. “É uma mudança de olhar para esse consumidor”, disse.

A empresa mapeou novos hábitos e rituais ligados ao banheiro e ao autocuidado. “Tem mais de oito comportamentos que a gente mapeou dentro do banheiro e a partir disso a gente se reposiciona.” O produto passou a dialogar não apenas com atributos funcionais, mas também com significados simbólicos. “A gente começa a falar também não de forma só funcional, mas de forma simbólica também, sobre as camadas do que acontecem na vida do consumidor.”

O desenvolvimento envolveu pesquisas, testes e ajustes técnicos. “Quando a gente testa papel higiênico dentro das nossas fábricas, além dos equipamentos, a gente testa na mão, que é o que a gente chama de handfeel, que é o toque da mão.” A executiva ressalta que a entrega precisa acompanhar o discurso. “Não adianta eu falar, escutar e não entregar.”

Tecnologia e sensibilidade

A estratégia inclui o uso de tecnologia e inteligência artificial, tanto na produção quanto na comunicação. “A inteligência artificial entra também não só nas ferramentas que a gente tem no dia a dia, mas também na produção dos nossos conteúdos”, afirmou.

Ela, no entanto, faz uma ressalva. “Eu não posso perder sensibilidade, porque a sensibilidade humana, a intuição, o discernimento têm que estar a favor do ser humano.” Para Patrícia Macedo, tecnologia e empatia precisam caminhar juntas.

Não esperar o sinal vermelho

Perguntada sobre o momento certo de reposicionar uma marca, a executiva defende acompanhamento contínuo do consumidor. “Para mim não tem que esperar um sinal, você tem que acompanhar o consumidor.” E complementa: “Você não precisa esperar perder share.”

Ela reforça que marcas consolidadas devem preservar seus pilares, mas atualizar conexões. “Uma marca não vai ficar flat para o resto do tempo.” O cuidado é não abandonar a identidade construída ao longo dos anos. “Eu posso preservar os ícones, posso preservar os valores dessa marca, mas as conexões dessa marca vão ser atualizadas de acordo com o movimento do consumidor.”

Carreira e comportamento

Ao falar sobre liderança em marketing, Patrícia Macedo destacou duas características que considera essenciais. “Ele precisa ser uma pessoa de negócio e não dá para ser só uma pessoa de comunicação.” E acrescentou: “Que escute, que veja e que se use os nossos sentidos humanos a favor da estratégia.”

No conselho final aos profissionais, resumiu a postura que defende: “Esteja aberto 100% do tempo a enxergar o que está acontecendo.” Para ela, acompanhar comportamento é tarefa permanente. “Se eu não ficar conectado com a missão interna de observar os comportamentos, as motivações 100% do tempo e ser incansável, eu não consigo seguir.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quem a sua marca é no galinheiro?

Foto de cottonbro studio on Pexels.com

Nem todas as marcas disputam o mercado em pé de igualdade. Algumas lideram, impõem preço e ditam referência; outras sobrevivem tentando escapar da comparação direta. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo.

A conversa partiu de um estudo clássico da etologia — área que observa o comportamento animal — realizado em 1920 pelo norueguês Thorleif Schjelderup-Ebbe. Ao acompanhar galinhas em um aviário, ele identificou uma hierarquia clara: havia aves que só eram bicadas, outras que bicavam mais do que apanhavam, até chegar ao topo, onde uma galinha bicava todas e não era bicada por nenhuma. Nascia ali a teoria conhecida como “ordem das bicadas”.

Jaime Troiano explicou que essa lógica ajuda a compreender o funcionamento do mercado. “A ordem das bicadas é um indicador de prestígio, poder e admiração”, afirmou. A metáfora é simples e direta: marcas fortes “bicam” mais do que são bicadas; marcas frágeis são substituídas com facilidade.

O conceito aparece no dia a dia do consumidor, mesmo sem que ele perceba. Influenciadores digitais ocupam posições distintas na hierarquia de relevância. O mesmo ocorre com produtos e serviços. Quando uma marca é vista como referência, ela sustenta preço mais alto e reduz o risco de troca na hora da compra. Já as que estão abaixo precisam competir por desconto ou conveniência.

Cecília Russo reforçou que essa organização não é apenas racional. “As nossas preferências por alguma marca, por outra e até falta de interesse ou rejeição por outras, é essa organização mental, perceptual dessa hierarquia”, disse. Em outras palavras, o consumidor classifica marcas na mente, criando uma escala de prestígio.

Exemplos ajudam a tornar o conceito concreto. No mercado de construção, a Quartzolit costuma ser tratada como padrão de qualidade por profissionais da área. Em culinária, há quem insista no fermento Fleischmann para garantir que o bolo cresça. São casos em que a posição hierárquica está consolidada: a marca do topo é pouco questionada.

A diferença entre galinheiro e mercado está na possibilidade de mudança. Enquanto, no estudo original, a posição das aves era difícil de alterar, no branding — gestão estratégica de marcas — há espaço para reposicionamento. Exige consistência, entendimento profundo do consumidor e proposta de valor clara.

Jaime sintetizou a lógica com uma provocação: “A marca que você tem, o da qual você cuida, você tem uma marca que bica mais ou que é mais bicada?” A pergunta vale para empresas de todos os portes.

A marca do Sua Marca

O principal aprendizado: toda marca ocupa um lugar na hierarquia mental do consumidor. Reconhecer essa posição é o primeiro passo para fortalecê-la. Quem ignora essa dinâmica corre o risco de competir apenas por preço. Quem entende a lógica da hierarquia pode trabalhar para ganhar prestígio e reduzir vulnerabilidades.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Augusto Drumond, da Nestlé, defende que diversidade com “olhar intencional” gera resultado

Augusto Drummond  head de diversidade e inclusão da Nestlé no Brasil
Entrevista no estúdio de podcast da CBN com Augusto Drumond Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Você não precisa ser do time de diversidade e inclusão para ter esse olhar intencional sobre o tema … Tendo esse olhar intencional sobre o tema, você ajuda a fazer do Brasil uma sociedade melhor, mas você também ajuda o seu negócio a evoluir.”

A Nestlé está presente em 99% dos lares brasileiros e decidiu que, para continuar relevante, precisava se tornar o “espelho do Brasil” também dentro de casa. A estratégia da empresa para essa transformação foi discutida em entrevista no Mundo Corporativo, da CBN, com Augusto Drumond, head de Diversidade e Inclusão da Nestlé no Brasil.

Segundo ele, a agenda de diversidade ganhou força a partir de uma métrica de negócio. “A gente quer, por estar presente em 99% dos lares com os nossos produtos e com as nossas marcas, espelhar essa sociedade brasileira internamente em todos os níveis hierárquicos”, afirmou. O diagnóstico indicava distâncias entre a composição demográfica do país e a da empresa. Reduzir esse descompasso passou a ser estratégia.

Hoje, 48% dos colaboradores da companhia são pessoas negras. Nos últimos anos, 200 profissionais negros passaram a ocupar cargos de liderança. A empresa também registra 45% de mulheres na liderança e mais de mil pessoas com deficiência no quadro de funcionários.

Grupos de afinidade e transformação cultural

A estratégia se apoia em cinco frentes prioritárias: pessoas negras, mulheres, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+ e gerações — tanto jovens com menos de 29 anos quanto profissionais com mais de 50.

Cada grupo conta com um comitê interno. São cerca de 25 integrantes por grupo, responsáveis por propor ações e influenciar decisões. “Esses grupos, eles atuam, claro, como um espaço de acolhimento, mas principalmente esses grupos também ajudam a transformar Nestlé”, explicou.

É nesse ponto que ganha força o conceito de “olhar intencional”, repetido por Drumond ao longo da conversa. Para ele, não basta apoiar a pauta em tese; é preciso incorporá-la nas escolhas do dia a dia. O gestor que revisa seus critérios de contratação, o líder que observa quem tem voz nas reuniões, a equipe que questiona se uma campanha realmente representa o público que pretende alcançar — tudo isso faz parte desse movimento. Sem intenção clara, a diversidade corre o risco de ficar restrita ao discurso. Com intenção, passa a orientar decisões concretas e a influenciar resultados.

Um exemplo é o projeto “Rótulos que Falam”, criado para tornar embalagens mais acessíveis a pessoas com deficiência visual ou dificuldade de leitura. A iniciativa surgiu a partir da experiência de uma colaboradora cega. “Quando ela chegou no time e ela deu essa declaração muito simples de que ela não tinha acessível todas as informações que estão ali naquela embalagem, a gente começou a ir atrás da solução”, contou.

Em parceria com um aplicativo, as informações dos produtos passaram a ser disponibilizadas em áudio por meio do celular. A medida responde a uma realidade expressiva: estima-se que mais de 17 milhões de brasileiros tenham algum tipo de deficiência visual ou dificuldade de leitura.

Outro caso é a fábrica de chocolates Garoto, em Vila Velha (ES), que se tornou referência na inclusão de pessoas surdas. São mais de 100 colaboradores surdos e uma estrutura adaptada com intérpretes e comunicação acessível. 

O “olhar intencional”, expressão usada por Drumond ao longo da entrevista, significa sair da neutralidade confortável e assumir responsabilidade direta sobre as decisões. Não é esperar que a área de diversidade resolva o tema. É o gestor revisar o processo seletivo, questionar a composição do time, observar quem fala — e quem não fala — nas reuniões, analisar se a campanha representa de fato o público consumidor. Para ele, sem essa intenção clara, a diversidade vira discurso. Com intenção, vira critério de decisão.

Diversidade como decisão de negócio

Para Augusto Drumond, a pauta não se sustenta apenas por uma razão ética. “E para as empresas, independente de tamanho, é olhar para isso novamente para além do imperativo moral, para além dessa questão de que é o certo a ser feito, porque na Nestlé a gente tem visto que isso tem resultado positivo para o negócio. E se tem resultado positivo para o negócio para a Nestlé, tenho certeza que tem resultado positivo para o negócio para outras empresas também.”

Ele destaca que a diversidade influencia desde campanhas publicitárias até desenvolvimento de produtos e posicionamento de marca. “Então, através desses diferentes aspectos, seja campanha, desenvolvimento de produto, posicionamento da empresa, a gente a gente tem tentado se aproximar dos nossos consumidores usando essa lente e a ótica da diversidade e inclusão.”

A lógica é simples: consumidores tendem a se conectar com marcas nas quais se reconhecem. Representatividade, nesse caso, deixa de ser discurso e passa a ser prática.

Liderança inclusiva e próximos passos

Criada há cerca de cinco anos, a área de Diversidade e Inclusão da Nestlé agora concentra esforços em ampliar a presença de pessoas negras na liderança e desenvolver o conceito de liderança inclusiva.

“A gente continua olhando para a diversidade como uma das top prioridades dentro dos temas de RH”, afirmou, ao comentar o cenário global de reestruturação da companhia. Para ele, o tema permanece estratégico.

Ao final da entrevista, Drumond deixou uma recomendação que nasce da própria experiência. Ele contou que, ao longo da carreira na empresa, sempre “levantou a mão” quando queria aprender algo novo ou migrar de área — chamou gestores para conversar, declarou seus objetivos e buscou exposição interna, mesmo quando isso causava desconforto. Foi assim que transitou do marketing para o planejamento estratégico e, depois, para a área de Diversidade e Inclusão. Por isso, resume o conselho em uma frase direta: “Levanta a mão, né? Levanta a mão, é sempre importante.” 

O conselho vale tanto para profissionais que buscam espaço quanto para empresas que desejam avançar. Segundo ele, é preciso intencionalidade e coragem para transformar cultura e resultados.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que a marola do mercado não sustenta marcas sem posicionamento

Foto de Pok Rie on Pexels.com

A marola passa. E, quando o vento muda, só permanecem as marcas que sabem exatamente o lugar que ocupam na mente do consumidor. Esse foi o eixo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, exibido no Jornal da CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo, ao tratar do risco de empresas confundirem momentos favoráveis do mercado com estratégia de marca.

Jaime Troiano explicou que a marola surge quando o ambiente econômico parece ajudar. O consumo cresce, novos negócios aparecem e muitas empresas decidem entrar em um setor apenas porque o mercado está favorável. O problema surge depois. “Marola é quando a empresa sente que o mercado está soprando a favor e acompanha esse movimento”, disse. O teste real vem na calmaria: a marca criou uma posição clara para continuar relevante?

Para explicar o conceito, Jaime recorreu a um clássico dos negócios: Posicionamento – a batalha pela sua mente, de Al Ries e Jack Trout. A ideia central é simples e poderosa. A disputa entre marcas não acontece nas prateleiras nem nos anúncios, mas na mente das pessoas. “As marcas de valor e de prestígio são as que, nas palavras deles, ocupam uma posição relevante num espaço escuro e úmido, de um centímetro cúbico, em nossas mentes“, destacou. O fato é que as marcas que ocupam um espaço claro resistem ao fim da marola. As outras desaparecem como espuma.

O exemplo concreto que os comentaristas trouxeram para o programa: no Baixo Pinheiros, em São Paulo, a abertura sucessiva de bares e restaurantes criou uma onda de novos negócios. Muitos entraram sem definir claramente o que ofereciam de diferente. Com o tempo, vários fecharam. Permaneceram os que tinham uma proposta reconhecida pelo público.

Cecília Russo avançou para o campo prático. Segundo ela, não existe improviso quando o assunto é marca. “Quando a marca entrar na avenida, a comissão de frente precisa ter uma mensagem clara, relevante e diferenciada”, disse. Isso significa estudar o mercado, entender os concorrentes e definir por que aquela marca merece existir.

Ela destacou três cuidados essenciais. O primeiro é entrar preparado, com um posicionamento definido desde o início. O segundo é o momento: quanto mais cedo se entra em uma tendência, maiores são as chances, embora isso não seja garantia de sucesso. O terceiro é saber sair. Se os sinais indicarem rejeição, insistir costuma ampliar o prejuízo. Cecília lembrou o caso das antigas linhas telefônicas, que perderam valor quando a tecnologia mudou, deixando muitos investidores com o “mico na mão”.

A marca do Sua Marca

O aprendizado central é direto: momentos favoráveis ajudam, mas não substituem posicionamento. Marcas que não definem claramente quem são e para quem falam dependem demais da marola. Quando ela passa, ficam expostas.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: a paixão por trás das câmeras

Neomar Leite Da Silva

Ouvinte da CBN

Foto de Bruno Massao on Pexels.com

Sou um jovem de 46 anos, casado com Silvana, dois filhos, Júlia e Felipe Noé. Comecei  a trabalhar muito cedo. Tinha 16 anos. Foi na rádio e TV Bandeirantes, como mensageiro, entregando correspondências internas para grandes nomes do rádio: José Paulo de Andrade, Mano Véio e Mano Novo …

Logo no início da minha carreira, perdi meu pai, que era a minha maior referência. Noe leite da Silva era um grande homem, honesto, digno e de enorme coração. 

Somos em cinco filhos: Noelmo, Nelson, Simone, Silvana e eu, Neomar. Minha mãe, dona Maria, criou a gente com todo amor. 

Aos 20 anos fui trabalhar no Shop Tour como assistente de câmera. Fiquei totalmente apaixonado pela profissão. Logo virei operador de câmera e corri atrás dos meus documentos para tirar o meu DRT. 

Curiosamente, falava sempre para o meu irmão Nelson, que me dava carona todos os dias para o trabalho, ao passar em frente a sede da TV Globo, ali na Marginal Pinheiros, que eu ainda trabalharia lá.

Sonho realizado em 2006, contratado como técnico de sistemas. Na Globo permanecei até 2023, quando fui contratado pelo SBT. É lá que trabalho atualmente. No próximo dia 1º de abril, completarei 30 anos de carreira. Sou apaixonado pela profissão. E agradeço a São Paulo pelas oportunidades que me ofereceu.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Neomar Leite é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem da nossa cidade:  envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Felipe Gomes, da CVC, diz qual é o novo comportamento do turista

Felipe Gomes CVC
Nos bastidores da entrevista online com Felipe Gomes da CVC Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Você não pode errar, é um valor importante no orçamento das famílias.”

Viajar deixou de ser apenas deslocamento e passou a ser decisão estratégica no orçamento doméstico. Férias envolvem planejamento, comparação de destinos, financiamento e, sobretudo, confiança. Esse cenário foi tema da entrevista com Felipe Gomes, vice-presidente de gente, finanças, jurídico e estratégia da CVC Corp, ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Para Felipe, entender o consumidor é o ponto de partida. “O turista cada vez mais sabe mais o que quer, ele está mais impactado pelas redes sociais.” O cliente chega informado, influenciado por tendências e disposto a experimentar novos destinos. A decisão não nasce mais exclusivamente dentro da agência; ela começa no feed, no vídeo curto, na recomendação de influenciadores e amigos.

A jornada longa e o peso da decisão

Ao contrário de uma viagem rápida de fim de semana, o produto principal da companhia é a viagem de férias. E isso muda tudo.

“Você vai sair com a sua família, vai para um país talvez que você não conheça, você não pode errar.” A compra envolve valor alto, expectativa emocional e pouca margem para improviso. É, muitas vezes, a única viagem longa do ano.

Essa combinação cria um comportamento específico: o consumidor quer autonomia digital, mas não abre mão de apoio humano. Felipe resume essa integração ao falar do modelo phygital. “Hoje quase 60% da venda da CVC, ela é phygital. O que isso significa? Ela tem alguma etapa do processo que não envolve a loja.”

O cliente pode começar no WhatsApp, discutir o destino em casa, voltar à loja na hora de pagar ou finalizar pelo aplicativo. A jornada é híbrida. Não é mais linear.

Segurança e pós-venda como critério de escolha

Outro traço forte do consumidor atual é a busca por segurança. Em turismo, imprevistos são parte do jogo: voos alterados, problemas em hotel, questões climáticas.

“Quando o cliente precisa de um suporte e ele encontra, isso para ele tem muito valor.” O pós-venda, segundo Felipe, impacta diretamente a recompra. A memória da experiência não termina no embarque de volta.

Nesse contexto, a assistência permanente torna-se diferencial competitivo. O consumidor compara preço, mas também avalia a capacidade de resposta. E isso influencia a fidelização.

Curadoria e personalização

O turista quer novidade. “Ele não quer só a vida inteira ficar indo para o mesmo lugar.” A empresa precisa acompanhar tendências e transformar desejo em produto viável — com datas adequadas, logística estruturada e preço compatível.

Felipe usa a palavra curadoria para definir esse papel. A agência não apenas vende um pacote; ajuda a organizar expectativa e realidade. Às vezes, o orçamento não permite Paris, mas permite Maceió. A decisão é ajustada ao momento financeiro da família.

Crédito: o fator decisivo

Há um ponto central no comportamento do consumidor brasileiro: a necessidade de parcelamento.

“A viagem de férias não é uma viagem barata.” Para famílias de três ou quatro pessoas, mesmo destinos nacionais exigem planejamento financeiro. O financiamento torna-se parte da experiência.

Felipe reconhece que juros altos dificultam o cenário. “As famílias ficarem mais endividadas ou pagarem mais juros não é bom.” A política monetária impacta diretamente o ritmo de vendas. O consumidor continua desejando viajar, mas precisa que a prestação caiba no orçamento e no limite do cartão.

Experiência acima do bem material

Um movimento mais amplo também aparece na conversa. Segundo Felipe, após a pandemia, houve mudança na prioridade de consumo. “Cada vez mais as pessoas estão muito mais interessadas em ter experiências e em viajar e conhecer lugares do que ter bens materiais.”

O turismo entra nessa lógica como investimento em memória, convivência e repertório cultural. Não é apenas lazer; é construção de história familiar.

Entre redes sociais, crédito parcelado e necessidade de segurança, o novo consumidor de turismo é mais informado, mais exigente e mais emocional. Ele pesquisa como um analista financeiro e decide como quem organiza um sonho.

Um negócio bilionário

A CVC Corp reúne operações distintas. A marca CVC voltada ao consumidor final representa cerca de 40% das vendas. O grupo também atua no B2B, com marcas como Rextur Advanced, Trend, Visual e Connectas, além da operação na Argentina, que responde por cerca de 20% do negócio.

São aproximadamente R$ 17 bilhões em vendas anuais e mais de 1.500 lojas entre Brasil e Argentina.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.