Estudo mostra risco de colapso no atendimento a Covid-19 em cidades brasileiras

 

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Ouvi agora há pouco, a informação de repórter da CBN que o Rio não tem mais vagas de UTI na rede estadual e os único leitos disponíveis estão no Sul do Estado, havendo mais de 350 pacientes a espera de atendimento. A notícia desta manhã vai ao encontro dos dados que divulgamos mais cedo, no Jornal da CBN, a partir de estudo que mostra a capacidade de atendimento a pacientes com COVID-19, em leitos de enfermaria, leitos de UTI e respiradores mecânicos, nas principais capitais brasileiras. A simulação tem como base o ritmo de crescimento no número de pacientes infectados e necessitando atendimento, registrado em 19 de abril, pelo Ministério da Saúde —- esse trabalho tem sido atualizado a cada três dias.

 

São apresentados três cenários para cada uma das cidades analisadas. A taxa de ocupação tem como base 2019 — em dois cenários essa taxa de 2019 é reduzida em 50% e toda a oferta é destinada para pacientes com COVID-19; no terceiro cenário, toda a taxa de ocupação de leitos e respiradores é destinada às pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

 

Nas simulações se prevê que de 5% a 12% dos infectados tenham de receber atendimento hospitalar. Em um dos casos, o atendimento ocorre pelos serviços público e privado, conforme a cobertura dos planos de saúde; e nos outros dois, considera-se que o coronavírus atinja as populações mais pobres e aí a demanda aumenta na rede pública, com 80% dos atendimentos.

 

O trabalho foi realizado pela doutora Márcia Castro, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard e chefe do departamento de Saúde Global e População. Na entrevista ao Jornal da CBN, ela comentou que a atual pandemia ‘expõe as desigualdades locais da população’, já que se verifica a inexistência de infraestrutura em algumas regiões, o que deixa as pessoas mais expostas. Conforme essa exposição ocorre, maior é a pressão do sistema de saúde, especialmente no setor público, onde leitos e respiradores provavelmente não esteja mais à disposição nas primeiras semanas de maio, conforme a cidade analisada.

 

miltonjung · Jornal da CBN entrevisa Dra Márcia Castro, da Universidade de Harvard

 

RIO DE JANEIRO

 

Conforme o estudo, no Rio de Janeiro, o melhor cenário prevê que a rede pública alcançará o seu limite no dia 2 de maio, ou seja, em oito dias, com a ocupação de todos os leitos de enfermaria e de UTI; se houver leitos extras, esse limite será alcançado no dia 4 de maio — em qualquer uma das duas situações, o número de respiradores mecânicos é capaz de atender os pacientes até o dia 14 de maio. Ou seja, teremos respiradores, mas não teremos leitos, já na primeira semana do mês.

 

O pior cenário para o Rio, aquele que prevê uma quantidade bem maior de atendimento na rede pública, e com 12% dos infectados precisando de leitos, o colapso se dará agora na UTI; dia 28 de abril, nas enfermarias; e, na primeira semana de maio, no caso de ventiladores mecânicos.

 

O Rio, em todas as simulações até tem respiradores por um tempo considerável, mas faltarão leitos.

 

FORTALEZA

 

Em Fortaleza, a persistirem os sintomas, o colapso no atendimento está prestes a acontecer. No melhor cenário, já estará faltando leito de UTI; no dia seis de maio, não se terá mais leito de enfermaria; e no dia 8 de maio, chega-se ao limite de uso de respiradores. Ou seja, em Fortaleza, mesmo com leitos extras e hospital de campanha, não haverá mais espaço em UTI. As enfermarias e os respiradores serão suficientes apenas para a primeira semana de maio.

 

DISTRITO FEDERAL

 

No Distrito Federal, a falta de UTIs já será sentida agora e de enfermarias, nos dias 5 ou 6 de maio. Os ventiladores são suficientes para atender os pacientes até os dias 11 de maio. Na pior hipótese até o fim da próxima semana. Há um risco, portanto, de o colapso ocorrer já na semana que vem. De uma maneira geral, haverá respiradores para os pacientes de COVID-19, mas será necessário a criação urgente de leitos de UTI.

 

MANAUS

 

Manaus é um caso dramático: o sistema entra em completo colapso em duas semanas se não forem criados novos leitos de enfermaria e UTI e colocados à disposição mais respiradores mecânicos. No melhor cenário, dia 26 agora chega-se ao limite das UTIs; no dia cinco de maio, chega-se ao limite das enfermarias, e no dia 9 de maio, o número de respiradores não será mais suficiente para as pessoas.

 

Ainda durante a entrevista, a Dra Márcia fez questão de ressaltar que a única forma de se conseguir conter esse colapso em algumas das principais cidades brasileiras é com isolamento social acirrado, evitando circulação e aglomeração de pessoas e respeitando distanciamento. Maior será o caos quanto menor for o isolamento e as medidas restritivas. E diante disso, ela lamenta que falte um discurso único e focado neste sentido, no Brasil.

Sua Marca: experiências que valorizam a proximidade com o cliente

 

“Uma loja pode ser apenas um ponto de vendas, mas pode ser um ponto de observação, análise; é um grande laboratório” — Jaime Troiano

Uma das mais renomadas consultorias do mundo, a McKinsey, decidiu abrir uma loja em um shopping de Minnesota, nos Estados Unidos, em uma ação que chamou atenção do público e de gestores na área de branding. Falamos desse tema no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo, em programa que foi ao ar no dia 14 de março, na CBN.

 

A principal intenção da McKinsey foi usar o ambiente físico de uma loja para observar o comportamento do consumidor no ponto de vendas. De acordo com Jaime e Cecília, desta maneira a empresa de consultoria conseguiu uma proximidade maior com a vida real dos clientes e um entendimento melhor do que fazem e como agem os consumidores no momento de comprar ou experimentar um produto.

 

A experiência da McKinsey é identificada como um modelo de extensão de marcas:

“Vai além da extensão de marca; se pensar que é um grande laboratório, faz todo o sentido: vendo produto e em troca ganho conhecimento”, comentou Jaime.

Uma outra forma de se estender uma marca para públicos e setores diferentes do original é a abertura de lojas no estilo pop-up, criadas para funcionar por tempo limitado, não muito longo, o suficiente para atiçar a curiosidade do consumidor — também úteis para testar novos mercados.

 

A Cheetos, da Pepsico, fez esse investimento ao criar uma loja, na avenida Paulista, na qual convidava o público a interagir em salas temáticas e conhecer o mascote Chester Cheetah e sua família — gerou uma experiência que apenas o consumo do seu produto não conseguiria proporcionar.

As pop-ups têm dois papeis: “mostrar a marca de uma outra forma, em geral mais interativa e criar um “buzz”, uma novidade em torno dela”, explica Cecília.

O que as experiências de extensão de marcas, destacadas pelos dois comentaristas, mostram é o valor da proximidade com o seu público.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Expressividade: a evolução de âncoras e apresentadores de rádio e TV

 

Leia o nono trecho do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, escrito para o livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. É minha homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz, comemorado em 16 de abril:

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Foto: Pixabay

 

O RÁDIO NÃO ACABOU, VIVA A TV!

 

Foi em uma canal de televisão a cabo, desses que você encontra quase que por acaso enquanto está zapeando, que assisti a um debate com ex-figurões do rádio paulista. Gente respeitável que fez história nos tempos do galena —- este foi o nome herdado pelos receptores de rádio fabricados no início do século 20 devido ao sulfeto de chumbo em estado bruto, conhecido por galena, aplicado na peça que permitia a sintonia da emissora. Entre casos interessantes e discrepantes, os entrevistados uniram seus vozeirões para decretar: o rádio morreu. Para eles nada mais o que se faz atualmente é comparável com a programação que encantava a sociedade brasileira na era de ouro do rádio. Tempos em que, dos programas de auditório aos humorísticos, do radiojornalismo às radionovelas, celebridades surgiam e atores de talento indiscutível eram lançados para o delírio de um público que se amontoava nos estúdios para assistir, ao vivo, aos espetáculos. Paulo Gracindo, Mário lago, Ary Barroso, Emilinha Borba e Marlene são personagens desta que talvez tenha sido a primeira expressão da indústria cultural no Brasil.

 

É incontestável a decadência registrada a partir de 1955 quando a televisão já ganhava forma no País. Naquela época, profissionais de rádio migravam para o novo veículo acompanhados das verbas publicitárias. A televisão também encampava a programação radiofônica lhe acrescentando a imagem. Foi daí que vieram os teleteatros de sucesso estrondoso com os atores passando a ganhar fama à medida que reconhecidos pelo público. Era uma época ainda pobre na dramaturgia televisiva mesmo porque não havia constituído personalidade. A atriz Suely Franco lembrou de alguns desses momentos em entrevista a Rádio CBN. Ela começou na televisão como garota-propaganda da TV Tupi do Rio de Janeiro, em 1958. Não era coisa fácil. Os comerciais eram ao vivo e à base do improviso; não existia videotape. Ao falar sobre a importância do teleteatro no surgimento de talentos, Suely Franco comentou:

“Não há porque voltar ao tempo e reviver o teleteatro. A televisão desenvolveu uma linguagem própria e o teleteatro evoluiu para as novelas e minisséries. Eles somente existiam porque a televisão ainda buscava uma maneira de oferecer dramaturgia ao público.”

A televisão que em seus primeiros anos importou programas, profissionais e dinheiro do rádio, repetiu, também, comportamento e forma, naquela época. Os apresentadores das atrações radiofônicas, que levaram sua fama para o novo veículo, deram continuidade, nos shows de auditório, teleteatros e telejornais, ao modelo de comunicação que estavam acostumados. Paulo Tapajós, compositor, pesquisador de música popular e um dos principais construtores da Rádio Nacional do Rio de Janeiro — que desde o início de suas transmissões, em 1936, apresentava artistas ao vivo, radioteatro e notícia —- em programa especial da BBC Brasil sobre a história do rádio brasileiro, falou de como a televisão dependia do rádio:

“As primeiras experiências de televisão no Rio de Janeiro foram através da Rádio Nacional. Uma empresa francesa veio ao Rio oferecendo equipamentos, isso muito antes da TV Tupi existir. Nós fizemos pequenas transmissões, inclusive do nosso auditório de rádio com a apresentação de programas, se não me engano, como o Arco da Velha. Vários artistas se caracterizaram. E nós transmitimos para alguns receptores espalhados em pontos do Rio de Janeiro. Era uma transmissão dirigida”

Não por acaso durante muitos anos se ouviu na televisão a mesma voz embolada dos locutores de rádio que ficava ainda mais sem sentido diante das câmeras. Faltava expressividade. Na voz e nos gestos. Porque os movimentos de corpo eram restritos, ainda mais na apresentação dos telejornais em que qualquer aceno poderia ser entendido como falta de seriedade.

 

O Jornal Nacional, da TV Globo, estreou em 1º de setembro de 1969, e seus dois apresentadores titulares, Cid Moreira e Hilton Gomes, praticamente copiavam a voz e a postura dos locutores de rádio, agora em um estúdio de televisão —- não poderia ser diferente, afinal aquela era a escola deles. Sérgio Chapelin, que, assim como os demais apresentadores da época, havia iniciado carreira no rádio, assumiu uma das cadeiras da bancada do Jornal Nacional, em 1973. Ele formou, ao lado de Cid Moreira, uma das mais famosas duplas do telejornalismo brasileiro, e, em entrevista ao documentário “Âncora no Ar”, projeto experimental de Conclusão de Curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo, justifica o modelo de comunicação adotado:

“A tentativa era você fazer um jornal bem radiofônico para que o telespectador não cochilasse diante da pobreza de imagens que se tinha. Então, se trabalhava com o quê? Com fotos e com arte que produzia alguma coisa”.

O próprio Jornal Nacional, que reforçou a ideia do apresentador de TV com postura radiofônica em seus primeiros anos de vida, foi responsável pela mudança deste comportamento. Gradual, é verdade, porque ao desenhar o formato de apresentação de seu principal telejornal, a Rede Globo optou pelo comportamento clássico, mais tradicional, que já havia sido superado nos Estados Unidos. Haja vista que, enquanto Cid Moreira era referência de apresentação no Brasil, o jornalista americano Walter Cronkite comandava o mais importante noticiário da televisão americana, o CBS Evening News, havia pelo menos sete anos. Lá, o rosto sisudo, o olhar estático no texto e as mãos, se restringindo ao movimento de trocas de laudas, não traduziam mais credibilidade. Os apresentadores haviam adotado a identidade do a âncora. Os jornalistas assumiam a apresentação das notícias e tinham participação efetiva na execução do telejornal.

 

O modelo americano não foi implantado na TV Globo devido ao momento político de restrições de liberdades. A emissora nascia no momento mais duro do regime militar. Era o governo do general Emílio Garrastazu Médici. Haveria dificuldade, ainda, para encontrar jornalistas capacitados para a apresentação de notícias em televisão —- aqueles que tinham boa voz costumavam ser radialistas —- ou de aceitar a linha editorial, que não se atrevia a fazer oposição à ditadura já que era uma concessão pública.

 

Seja qual tenha sido o motivo, ao assumir o modelo clássico de apresentação, a TV Globo influenciou as emissoras concorrentes no Brasil, retardando a chega do âncora ao telejornalismo brasileiro —- fato que, de certa maneira, atrasou o desenvolvimento de recursos que proporcionariam mais expressividade na apresentação. Por contraditório que pareça, mesmo com a opção pelo formato tradicional tendo sido mantida durante muitos anos no Jornal Nacional, foi neste programa que o público começou a identificar as primeiras mudanças na forma de apresentação. Intervenções frequentes do jornalista Armando Nogueira, na época diretor de jornalismo da Rede Globo, com orientações específicas a cada um dos apresentadores, em pleno estúdio de gravação, levaram Sérgio Chapelin e Cid Moreira a uma entonação diferente — por mais que o cacoete radiofônico predomine na locução de ambos até os dias de hoje. A dificuldade para esta mudança pode ser vista na afirmação de Chapelin, em depoimento ao documentário “Âncora no Ar”:

“O Armando Nogueira sempre dizia para a gente: ritmo, ritmo, ritmo. E eu imaginava que era falar como no rádio”.

A interferência —- positiva, diga-se de passagem —- de Armando Nogueira na forma de apresentação dos locutores não se limitou aos recursos vocais. Havia a preocupação com a redação, como explica o próprio jornalista:

“Os jornalistas de televisão escreviam como se fosse para o jornal impresso. O ritmo das frases era incompatível com o tempo da televisão que exigia períodos curtos e orações diretas”.

Foi no início da década de 1970 que surgiu o primeiro trabalho de fonoaudiologia voltado especificamente para a comunicação na televisão, com a contratação, pela TV Globo, de Glorinha Beuttenmüller, sobre quem falaremos mais adiante. Essa foi uma das muitas colaborações da emissora na mudança do formato de apresentação de notícias nos veículos de comunicação eletrônicos, porque mais tarde iria influenciar, também, o rádio brasileiro.

 

Em 1975 —- em pleno Governo João Figueiredo — a Bandeirantes decidiu quebrar um paradigma da televisão no Brasil. Enquanto as demais concorrentes copiavam o modelo da TV Globo, a emissora paulista lançava o Jornal da Bandeirantes com apresentação de Ferreira Martins —- este, típico exemplar do modelo tradicional —- e Joelmir Beting —- que se transformou no primeiro jornalista brasileiro a apresentar um telejornal, como explica no documentário “Âncora no Ar”:

“A gente estava testando um novo formato para um novo conteúdo. De um apresentador-comentarista, não locutor … Até se fez alguns anúncios que diziam que aqui quem trata a notícia é quem entende da notícia, quem faz a notícia, descaracterizando completamento o trabalho do locutor”

As diferenças na forma de apresentação ficavam mais evidentes à medida que Ferreira Martins seguia desenvolvendo sua locução com base no texto escrito, enquanto Joelmir improvisava —- seja por competência, seja por carência. Muitas vezes o jornalista teve de conversar com o telespectador para encobrir uma falha técnica. A improvisação e a intimidade do apresentador com a notícia resultaram em um novo formato que iria ganhar mercado na década seguinte.

 

Nos anos 80, com a democratização do País, mudou, também, o comportamento da audiência. O telespectador pedia jornalistas comprometidos com ele. Gente que agisse de maneira natural, falasse olhando no seu olho, tivesse opinião e expressão. A mudança de postura da audiência levou os apresentadores de televisão a trocar seu comportamento no ar. Os ombros relaxaram, o olhar ganhou naturalidade, e a locução, um tom coloquial. Foi um aprendizado difícil porque havia uma sociedade em transformação que reivindicava novas atitudes. Os jornalistas sabiam disso, mas tinham poucas referências no mercado nacional. Foram criando de maneira intuitiva ferramentas mais apropriadas para o vídeo. Alguns encontravam respaldo no trabalho de fonoaudiólogas, que estudavam novas técnicas de apresentação, Houve mudanças cenográficas, inclusive. O Jornal Nacional, por exemplo, mudava o enquadramento burocrático dos apresentadores, dando movimento às câmeras e profundidade no cenário —- a intenção era mostrar ao público que as notícias, também, tinham abordagem mais completa. A qualidade da comunicação deu um salto a olhos vistos. Olhos dos telespectadores, o que é melhor.

 

Já o rádio, tão importante para o surgimento da televisão na década de 1950, passou a ser influenciado por esta. À medida que os apresentadores dos telejornais começaram a aplicar técnicas de fonoaudiologia dando para cada tipo de notícia uma entonação diferente, modulando o tom da voz e a intensidade, entre outro recursos, os locutores foram obrigados a mudar o que até então era o padrão radiofônico. Ao renovar na forma e no conteúdo, o veículo contratou os prognósticos mais pessimistas. Existem, atualmente, quase 3 mil emissoras brasileiras que cobrem 96% do território nacional e atingem 95 milhões de pessoas todos os dias. Está em 90% dos domicílios e em 83% da frota de carros. Ganhou vida também na tecnologia à medida que a velha galena, que já havia se transformando com o transistor, ainda ganhou ares futuristas, ao incorporar os bits e se propagar no mundo pela internet.

 

Experiências atuais de emissoras radiojornalísticas como a CBN, Bandeirantes e Jovem Pan põem em dúvida o atestado de óbito apresentado naquele debate a que me referi no início deste capítulo. Um programa que, por sinal, era para comemora os 80 anos de vida do rádio no Brasil.

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora, você tem acesso clicando aqui

Sua Marca: a sua relação com as marcas mudará depois da pandemia?

 

“Estamos vendo parte substancial da população brasileira reagindo em termos de consumo de uma forma distinta, quase como se estivéssemos aprendendo (a consumir)” —- Cecília Russo

Forçados pelo confinamento e o risco de contrair o novo coronavírus, os consumidores mudaram sua dinâmica, relacionando-se com as marcas no comércio on-line, encomendando pelo WhatsApp ou, em alguns casos, terceirizando essa compra, através de parentes, amigos ou vizinhos mais jovens que vão ao mercado em lugar dos mais velhos e daqueles que estão no grupo de risco da Covid-19. Por outro lado, empresas —- independentemente do tamanho —- tiveram de rever a forma de vender e se relacionar com o consumidor.

 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo conversaram com Mílton Jung sobre a possibilidade desse momento proporcionar uma mudança no hábito de consumo das pessoas. Para Jaime, há duas perguntas a serem respondidas diante dessa transformação:

“Será que este é um cenário pedagógico em que vamos aprender a consumir marcas com maior racionalidade, ser mais rígido com preços, etc? Ou será, que esta é uma fase em que estamos recalcando vários desejos de consumo; e eles ficarão apenas hibernando?”

Pelas experiências anteriores, no Brasil e outros países, Jaime acredita que o mais provável é que o desejo — seja de consumo, seja de relacionamento — não vai morrer, ao contrário, voltará talvez em força ainda maior, podendo ajudar a economia a se recuperar mais rapidamente do que se imagina.

 

De acordo com Cecília, já é possível identificar esse comportamento, a medida que tanto pessoas quanto empresas fazem planos para quando a pandemia terminar:

“Não seremos um novo consumidor depois da pandemia; acho que a gente sai com mais atenção a cada novo momento que nós vamos viver. E as marcas que amamos fazem parte disso”.

Como ninguém tem certeza do que acontecerá, a sugestão é que as marcas não se precipitem, vivam semana a semana, analisando comportamentos e se adaptando ao momento presente. Lembre-se, também, do que já foi dito na edição anterior do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as marcas que mostrarem uma empatia com esse momento vão se sair melhor.

Expressividade: a palavra certa é um agente poderoso

 

Começamos a semana com a quinta parte do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, publicado no livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. Trago esse texto para o Blog em homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz (16/04):

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Foto: Pixabay

 

A PALAVRA CERTA NA HORA CERTA

 

Mark Twain foi notável humorista, escritor, americano, que nasceu em 1835, batizado Samuel Langhone Clemens. Autor de “As aventuras de Tom Saywer” consagrou-se escrevendo para crianças e adolescentes. Sua crítica à política externa dos Estados Unidos fez com que outros trabalhos de excelência, que falavam com o público adulto, demorassem a chegar por aqui. Morto em 1910, seu talento aparece, atualmente, registrado nos principais livros de comunicação e repetidos exaustivamente em artigos e ensaios. De palestras a discursos, Twain é lembrado em frases que aos poucos foram sendo torcidas e retorcidas. Incontestável é sua qualidade em destacar a importância da palavra — não apenas pelo texto que expressa uma técnica essencialmente verbal, mas, também, por citações deixadas para a história:

“A palavra certa é um agente poderoso. Sempre que encontramos uma dessas palavras intensamente certas… o efeito resultante é físico e espiritual, além de imediato”.

O redator está sempre em busca da palavra certa. A que vai conquistar, marcar, que tem de ser percebida pelo interlocutor para que cumpra seu propósito. Entra, então, o papel do locutor, de quem se exige a interpretação correta. É fundamental que ele entenda o que está escrito e para isso tem de dominar os temas tratados no noticiário. À medida que compreende, transmite com precisão. A mensagem torna-se clara. Todos os significados implícitos da palavra se valorizam com a ênfase que dá expressividade à fala, a partir dos recursos disponíveis como entonação, intensidade, ritmo e pausa, entre outros. Resultado: a mensagem vence a batalha pela atenção do receptor. E convence.

 

Para que esse processo tenha seu objetivo atendido, é fundamental o papel do redator. Um texto bem escrito ajuda a locução. Leva o apresentador a entender o sentido da mensagem, possibilitando uma interpretação melhor. Quem escreve deve levar em consideração que a notícia no rádio e na televisão será falada, portanto deve ser redigida de maneira clara, objetiva e simples. Escrever como se fala. A compreensão tem de ser imediata, caso contrário, se perde. No jornal e na revista permite-se a reflexão simultânea e posterior ao ato da leitura — o leitor tem o direito de voltar ao texto, reinterpretá-lo. O ouvinte, não.

 

No Brasil, lê-se pouco, escreve-se menos ainda e se prepara mal os estudantes de jornalismo. Soma-se a estes fatores uma facilidade proporcionada pela informática: a ferramenta de copiar e colar. A fonte de boa parte dos textos de rádio e televisão são as agências de notícias que têm as informações redigidas com as normas da língua escrita. Como o ”control + c, control + v” tem sido utilizado indiscriminadamente e sem que a redação seja adaptada para a língua falada, a locução é prejudicada. As notícias têm frases longas, que dificultam a respiração, e palavras com sonoridade ruim, que se transformam em armadilhas para o locutor. A melhor maneira de o redator não impor esses riscos ao apresentador é ler em voz alta todo o texto escrito. O ouvido será um ótimo conselheiro.

 

O jornalista catalão Iván Tubau, doutor em filologia francesa, graduado em arte dramática e professor do Departamento de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade Autônoma de Barcelona, em seu livro “Periodismo oral”(Jornalismo oral), lançado em 1993, chama atenção para a necessidade de aqueles que escrevem os textos jornalísticos destinados a uma execução oral traduzirem a linguagem popular, sem destruí-la:

“Quem escreve para rádio e televisão deve ouvir a algaravia da rua, ordená-la e limpá-la um pouco e devolvê-la levemente melhorada a seus emissores primigênios, procurando que estes a sigam conhecendo como sua”.

Tubau, que em seu livro combina a teoria e a prática da arte de falar nos meios de comunicação, ensina que “ao escrever para quem ouve deve-se escrever como quem fala”. Ao mesmo tempo em que analisa a importância do redator na expressividade do texto oral, Tubau lembra a figura do locutor, a quem cabe a interpretação correta deste discurso, e, por isso mesmo, deve ser um bom escritor, também.

 

Para melhor percepção, a mensagem precisa ser entendida por completo. Não basta tê-la parcialmente. Registre mais esta de Mark Twain:

“A diferença entre a palavra certa e a palavra quase certa é a mesma diferença entre o relâmpago e o vaga-lume”

Só por curiosidade: Mark Twain foi um dos primeiros a comprar uma máquina de escrever —- aquela sobre a qual abri parênteses no capítulo anterior —- e consta que seu romance “As aventuras de Tom Saywer” foi o primeiro livro cujos originais chegaram datilografados aos editores.

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora você tem acesso clicando aqui

Conte Sua História de São Paulo: minha paixão começou na sala de cinema

 

Durval Pedroso da Silva Junior
Ouvinte da CBN

 

 

Nascer paulistano foi uma decisão de meus pais. Apaixonar-me por São Paulo, foi decisão minha quando tinha de seis para sete anos. Prestes a completar 70 anos, não lembro exatamente o momento que essa paixão aconteceu. Foi em um dia de julho, uma segunda-feira —- isso eu lembro. Peguei com meu pai, o bonde dos botinas amarelas, ao lado da igreja da Matriz de Santo Amaro e fomos até o fim na Praça Clóvis Beviláqua no centro.

 

Já fiquei deslumbrado quando pegamos a atual avenida Adolfo Pinheiro e a seguir passamos pelo Esporte Clube Banespa, na hoje Avenida Vereador José Diniz. Aquelas paisagens bucólicas não sairiam jamais da minha mente. Se não fosse pelas enérgicas mãos de meu pai, certamente eu teria passado o tempo todo de um lado para o outro do bonde para não perder nenhum detalhe

 

Da Praça Clóvis fomos em direção ao centro novo, onde eu assistiria à minha primeira sessão de cinema. Ao passar pela Catedral da Sé, foi um choque cultural ao ver a grandiosidade daquela obra. O pai não era católico fervoroso mas cedeu a minha insistência para entrar. Extasiado pelo momento, não esqueci de fazer três pedidos ao Bom Deus —- como minha mãe havia me ensinado.

 

Seguimos caminho. Havia uma multidão na rua Direita, gente bem vestida, de paletó e gravata. Apesar de meu pai me puxar pela mão para não atrasarmos, dei uma empacada no Viaduto do Chá, pela beleza da obra e pela visão do Vale do Anhangabaú.

 

Ainda iria me deslumbrar com o Teatro Municipal e o Cine Marrocos, peças de arquitetura nunca antes vista por mim —- na hora fiquei com desejo de ser engenheiro ou arquiteto. Papai não deixou eu me aproximar do Marrocos porque disse que lá só passava filmes de adulto —- seja lá o que isso pudesse significar.

 

Antes de entrar no Cine Art Palácio, na avenida São João, ainda fizemos um lanche, bem ali ao lado. E na minha primeira sessão de cinema assisti a ‘Marcelino Pão e Vinho’. Antes mesmo de o filme terminar, minha paixão por São Paulo já havia se iniciado.

 

Durval Pedroso da Silva Junior é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Fábio Costa, da Salesforce, fala de oportunidade de carreira em tecnologia

 

“Qualquer pessoa pode ter acesso a tecnologia porque a parte difícil passa a ser feita pela máquina; o que você precisa entender é qual o problema de negócio, que sempre é um problema humano, que você quer resolver, para poder explicar para a máquina como resolver este problema” — Fábio Costa, Salesforce

A demanda por pessoas qualificadas em tecnologia vai permanecer após ser superada a crise provocada pelo coronavírus. Assim, na medida do possível, buscar conhecimento nesta área pode ser uma boa alternativa para quem foi obrigado a ficar mais tempo em casa, para cumprir o distanciamento, ou quem viu sua carreira ameaçada pelo fechamento de negócios, neste momento.

 

Antes dessa crise, levantamento feito pelo Linkedin sobre as 15 profissões mais promissoras de 2020, a maioria estava, direta ou indiretamente, ligada à tecnologia e a empresas do setor de internet e serviços ao cliente. A profissão de “desenvolvedor de plataforma Salesforce” ocupava a 13a posição.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, Fábio Costa, gerente geral da Salesforce no Brasil, falou da oportunidade de desenvolvimento na carreira através da plataforma de ensino Trailhead, que pode ser acessada de graça, por quem busca certificação e conhecimento profissional especializado nas ferramentas criadas pela empresa:

“Essa qualificação não é mais tão difícil quanto foi há anos atrás, 10 anos atrás, 20 anos atrás, as coisas no mundo da tecnologia mudaram bastante, então nós temos hoje um acesso mais democrático ao mercado de tecnologia para quem está interessado em ingressar nesta jornada”.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, 10 da noite, em horário alternativo. O programa teve as colaborações de Gabriela Varela, Artur Ferreira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Expressividade: transforme o ouvinte em “escutador”

 

 

Você acompanha a segunda parte do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, publicado no livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. Trago esse texto para o Blog em homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz (16/04):

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foto: Pixabay

 

 

SEGURANDO NO GOGÓ

 

 

Maria Adelaide Amaral escreve livro, peça e minissérie. Consegue fazer tudo isso com sucesso e paixão. Durante entrevista em que contava suas façanhas na televisão, passamos a conversar sobre “A Casa das Sete Mulheres”, trabalho que arrebatou público e crítica na TV Globo. Logo que ela se deu conta que conversava com alguém natural da terra que serviu de cenário para história, não se conteve e perguntou: “Você sabe cantar o Hino do Rio Grande do Sul?”. Saber o hino, eu sabia, mas cantar, nem pensar. Apesar de ser um profissional da voz, nunca tive afinação suficiente —- ou seria consciente? — para a música ou para o grito de gol. No futebol até arrisquei, mas fujo do karaokê como o diabo da cruz. Para não correr o risco de Maria Adelaide Amaral insistir no convite para que eu desse uma “palhinha” em público, expliquei, constrangido, que música não cantava nem se fosse o hino do meu time do coração.

 

 

Minha carência vocal para algumas atividades me leva a admirar gente que é capaz de segurar a audiência apenas no gogó. Músicos, professores, padres e pastores que transformam a palavra em um poderoso elemento de sedução. Radialistas também fazem parte deste grupo já que têm na voz seu principal recurso para exercer esta arte que exige apuro técnico, esmero profissional e muito jogo de cintura.

 

 

Se nada disso lhe causa admiração, acompanhe esses números e você verá o quanto é desafiante a tarefa da turma aí de cima.

De toda a informação transmitida de uma fonte vocal, portanto que chega até você apenas pelos ouvidos, 60% são retidos nas primeiras três horas. Três dias depois sobram apenas 10%. Talvez isso explique porque os telefones das redações de rádio toquem frequentemente. São ouvintes querendo detalhes de uma notícia que eles não sabem bem a que horas foi divulgada nem, exatamente, sobre o que se tratava, mas lembram, com certeza, que era algo importante para eles. Se comparar os números acima com o poder de retenção da mensagem quando a fonte é apenas visual, você já terá percentuais bem mais generosos. Após três horas do momento em que a imagem foi divulgada, o receptor terá retido 72% da mensagem, enquanto que três dias depois, o índice ficará em 20% —- o dobro do volume de informação retido se a fonte for verbal.

O estudo divulgado pela pesquisadora mexicana Maria Cristina Romo Gil, que integra o Conselho Nacional Para o Ensinamento e a Investigação das Ciências da Comunicação, no livro “Introducción al conocimiento y prática de la radio”, que apresenta as estatísticas sobre a retenção da mensagem pelos sentidos, traz uma informação que não deve desanimar, mas, sim, servir de desafio para quem tem de garantir a audiência apenas no “gogó”. Quando a fonte da mensagem é audiovisual, portanto recebida pelos olhos e ouvidos, 85% da informação são mantidos pelo receptor ao fim de três horas e 65% ficam na memória após três dias. Se servir de consolo: apesar dos números, os telefones nas redações das emissoras de televisão tocam com a mesma frequência, senão maior, que nas redações de rádio.

 

 

As estatísticas parecem não querer ajudar este pessoal que não pode contar com a imagem ou com a própria expressão do corpo para ilustrar o que falam. Por mais que se pesquise, os dados mostram que o componente não-verbal é responsável por cerca de 80% da comunicação. Cabe a esses profissionais enfrentar os moinhos de Quixote com as armas que estão à sua disposição. Transformar o ouvinte em uma espécie de “escutador”. Tirá-lo desta posição confortável, passiva, em que a intenção ao ligar o rádio é apenas a de perceber o som e criar no ambiente uma espécie de fundo musical com a voz do locutor. Incentivá-lo para um novo comportamentos ativo, em que a atenção está voltada para aquilo que é comunicado. Ao provocar esta mudança, o comunicador está próximo de levar a audiência a atingir o estágio ideal que resulta da combinação de escutar e prestar atenção. É o momento da concentração na mensagem, quando o ouvinte não é mais sequer “escutador”e, sim, um “assimilador”.

 

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora você tem acesso clicando aqui

Sua Marca: mantenha uma linguagem empática e seja fiel a seus princípios

 

 

“Ninguém está imune aos efeitos da epidemia; de um jeito ou de outro, todos nós — e as marcas, também — precisamos refletir sobre este momento e o nosso papel neste cenário” Jaime Troiano

A pandemia do Sars-Cov-2 exige muita sensibilidade na comunicação das marcas, pois os erros vão falar muito mais alto do que os acertos. No quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, conversei com Jaime Troiano e Cecilia Russo sobre os desafios dos gestores de marcas diante da crise provocada pelo novo coronavírus.

 

Para os comentaristas, as marcas não devem mudar sua personalidade nem dar qualquer passo além daqueles que já têm praticado ao longo de sua história. Ao mesmo tempo, devem compreender que não dá para fazer de conta que nada está acontecendo e precisam desenvolver uma visão empática, como explica Cecília Russo:

“Há marcas que têm demonstrado um interesse genuíno de estender a mão e transferir apoios e recursos para a sociedade, compreendendo que é preciso doar tempo e estrutura, com mudança na linha de produção e oferta de materiais que ajudam a combater a pandemia como máscaras, álcool em gel e respiradores”

Alguns riscos que as marcas correm é o de ficarem tentadas a adotarem atitudes oportunistas, assim como de negarem todas os valores que mostraram até agora. Sejam fieis a seus princípios, diz Jaime Troiano:

“Sem citar nomes, há algumas marcas em que os dirigentes saíram da linguagem habitual de cuidado e atenção com os consumidores e usaram um discurso que nega essa sua forma de se relacionar com o mercado”.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Daniel Motta, da BMI, fala da importância de a empresa ter cultura sólida e estratégia bem definida

 

“Existe uma ingenuidade talvez das organizações de acreditarem que elas conseguem moldar, forjar o contexto no qual elas atuam. Não é verdade. Na verdade, a força é sempre exógena, e cabe ao grupo de líderes entender isso e ter humildade para entender isso e desafiar suas próprias crenças e paradigmas, o que é bastante difícil” —- Daniel Motta, BMI

O processo de construção da cultura de uma empresa é coletivo e resultado da soma de como que as pessoas que fazem parte da organização pensam, agem, tomam decisões, gerenciam riscos e criam vínculos. Esse foi um dos temas do programa Mundo Corporativo, da CBN, que entrevistou Daniel Motta, CEO da BMI — Blue Management Institute, consultoria dedicada a estratégias e culturas de grandes corporações.

 

Ao longo da entrevista, o jornalista Mílton Jung também falou do resultado de pesquisa realizada pela BMI com 100 executivos que atuam em 71 empresas, no ano passado. Pela quinta edição seguida, o estudo avaliou a performance de CEOS e suas organizações.

 

Uma das constatações, destacada por Daniel Motta, se refere ao fato de esses líderes investirem a maior parte do seu tempo às questões internas da empresa: 52,3% da agenda do C-Levels são gastos com encontros gerais e tarefas operacionais e 22% com assuntos urgentes; somente 25,8% das tarefas estão dedicadas a ações com impacto no longo prazo. Além disso, passam quase dois terços da vida dentro do escritório.

 

Motta recomenda:

“Não olhar só para as questões internas, e a gente sabe que as agendas internas são bastante demandantes, mas se perguntar quanto do meu tempo — e aqui a gente fez uma pesquisa de alocação de tempo —- esta dedicado a algo diferente da minha rotina de gestão do dia a dia. Esse é um ponto fundamental que serve para qualquer tamanho de empresa, para qualquer tipo de controle”.

Mesmo tendo sido gravada antes do início da crise do coronavírus, a entrevista de Daniel Motta nos mostra que empresas com uma cultura sólida e diversificada, assim como com uma estratégia bem definida, tendem a enfrentar com maior firmeza momentos de enorme desafio como agora.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Gabriela Varella, Juliana Prado, Artur Ferreira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.