Conte Sua História no Rádio de São Paulo: “me permito discordar de grandes comentaristas porque disso é feita a Democracia”

Por Maria Dusolina Rovina Castro Pereira

Ouvinte da CBN

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O rádio fez parte da minha vida desde muito cedo. Eu era criança, cursava o (antigo) grupo escolar e todas as noites, após o jantar, meu pai ligava o rádio na Rádio Nacional para ouvir o Repórter Esso.

Meu pai era metalúrgico nas Oficinas Dedini, em Piracicaba; cursou a escola rural só até o terceiro ano, mas gostava de ouvir as notícias e aprender. Ele me colocava sentada ao seu lado, abria um Atlas Geográfico que comprara e ficava a buscar os locais e a me ensinar quem eram as pessoas, onde ficavam os lugares e o que estava acontecendo.

E foi assim que, antes dos 10 anos, pude “conhecer” Patrice Lumumba, o líder anticolonial congolês assassinado em Catanga em 1961; aprendi também sobre Chiang Kai-shek, figura controversa que serviu como Presidente da República Popular da China e depois, de Taiwan. 

Foram muitas descobertas sobre personalidades ligadas à política, à Igreja e ao cinema. Mesmo sem entender do assunto, conhecia muitos nomes da política nacional: Carlos Lacerda, Jânio Quadros, João Goulart, Brochado da Rocha e tantos outros. 

Claro que eu e meu pai não sabíamos como era conduzida a linha editorial daquele jornal, mas era muito bom ouvir “Alô, alô, Repórter Esso” e “testemunha ocular da História”.

O tempo passou, cresci, vim de Piracicaba para São Paulo para estudar. Aqui conheci um gaúcho “do” Alegrete (RS), apaixonado pela Rádio Guaíba, onde ouvia pelas Ondas Curtas noticiário e futebol e torcia apaixonadamente pelo Grêmio! Imaginem, que ali conheci o “primeiro” Milton Jung!!!

Casamo-nos e ele trouxe consigo seu aparelho de Rádio Philips, com ondas curtas, médias e frequência modulada! Trouxe também um aparelho de rádio amador, sua outra paixão, onde conheceu muita gente e acompanhou jornadas como a de Amyr Klink.

Em razão do trabalho, mudamo-nos para Irecê, na Bahia, onde ficamos por três anos. Ali, o rádio era nosso maior contato com o mundo para saber as notícias; e o aparelho de rádio amador muitas vezes atendeu às necessidades de pessoas para falarem com suas famílias, principalmente os padres do local que, na época, eram italianos. Depois de mais algumas mudanças, retornamos a São Paulo, eu em 1998 e ele em 2000. 

Aqui, logo descobri a CBN e passei a ouví-la em casa e depois no carro, até chegar ao trabalho ou durante o dia enquanto rodava pela cidade, também a trabalho, ou retornava à casa. E sozinha, contestava alguns comentários ou esbravejava em voz alta com algumas notícias.

Na época, o Jornal da CBN era ancorado por Heródoto Barbeiro e uma das minhas comentaristas preferidas era Lúcia Hippolito: “porque você sabe, né, Heródoto, que o PMDB não é para amadores”… Saudades dela!!!! E, em 2000, também conheci o Milton Jung Jr., comandando o CBN SP e mais tarde, a partir de 2011, o Jornal da CBN. E continuo a acompanhar as notícias.

E continuo a ouvir, a concordar e a discordar de algumas análises, ainda contestando as falas em voz alta. Sim, me permito às vezes discordar de grandes comentaristas porque disso é feita a Democracia: da possibilidade e liberdade de discordar civilizadamente de conceitos, opiniões e análises.

Ouço Sardemberg, Dan, Teco Medina, José Godoy, Merval, Miriam Leitão e os excelentes comentários sobre Educação de Ricardo Henriques, além do  O mundo em meia hora. Não posso esquecer dos muitos outros comentaristas de política, saúde, esportes, tecnologia, agro, cozinha, etc. 

E há algum tempo, a possibilidade de ouvir todos esses comentários em podcast, tornou o rádio ainda mais companheiro.

O rádio está completando 100 anos e eu acompanho a evolução no Brasil há aproximadamente 60; creio ter sido uma grande jornada em ótima companhia

Maria Dusolina Rovina Castro Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos do Rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Fabíola Meira, advogada, fala da transição de carreira para profissionais liberais

Foto divulgação

“Não dá para ter medo, porque o medo tem dois lados: dá aquela aquela sensação gostosa, ao mesmo tempo que te trava. Não dá para ter medo, mas você precisa saber onde você tá pisando. Não dá para ir de olhos fechados”. 

Fabiola Meira, advogada

A secretária falta, o funcionário se atrasa, os boletos do escritório não param de chegar, o aluguel aumenta e os clientes sempre querem mais e mais. É o que você ganha quando decide ser protagonista do seu próprio negócio em lugar de seguir prestando serviço a outras empresas e empregadores. 

Foi esse o desafio que a advogada Fabíola Meira decidiu encarar em um dos momentos mais sensíveis para uma mulher: o nascimento do primeiro filho. Desconfia que o puerpério — esse estágio na vida de todas as mães, no qual enfrentam transformações hormonais, físicas e emocionais  — tenha influenciado na decisão de deixar um emprego seguro para tocar o próprio escritório de advocacia. Uma desconfiança que se expressa em tom de brincadeira porque Fabíola sabe que tinha outros ótimos argumentos para deixar o escritório em que trabalhava há 15 anos:

“Eu queria alguma coisa bem especializada para os clientes. Que eles sentissem que estavam sendo acolhidos, cuidados, com alguma coisa muito específica”.

Diante disso, vem a primeira lição para profissionais liberais que pretendam seguir carreira própria. Fabíola conversou com muita gente do mercado em que atua, fez várias reuniões com escritórios de advocacia e elencou argumentos antes de tomar sua decisão. O segundo passo foi entender se seria seguida por sua equipe no escritório em que já atuava e por seus clientes —- já que tinha uma carteira bastante robusta na área de direito do consumidor, que foi na qual se especializou. Não dá para começar do zero.

A terceira lição que se tira da experiência da Fabíola é que, mesmo não sendo a “dona” desenvolveu uma visão empreendedora — especialmente, quando sugeriu que a área dela fosse administrada de forma independente no escritório que atuava no modelo “full service”, ou seja, prestava serviços jurídicos com a oferta de especializações nas diversas áreas do direito. 

Nossa entrevistada no programa Mundo Corporativo também contou com uma ajuda extra e importante em momentos decisivos de nossas carreiras: o da família. Seja pela experiência que o pai tinha em escritório próprio seja no impulso que o marido dela ofereceu, incentivando-a a abrir o seu. Fabíola que, na frase que abre este texto, pede para não se ter medo, confessa que teve. E para superá-lo, pesou dores e prazeres:

“Apesar das preocupações, tem um lado gostoso de você ver que as coisas estão acontecendo da sua forma, que você está crescendo, que você está desenvolvendo outras pessoas na carreira, que tem um toque seu nas coisas. Tem as dores, mas também tem um lado muito positivo”.

Acho que você, caro e raro leitor deste blog, já percebeu que a Fabíola tomou a decisão de ser “dona do seu próprio nariz” ao mesmo tempo em que teve o primeiro filho. O que não contei ainda para você é que este filho nasce depois dela ter completado 40 anos —- uma decisão que muitas mulheres têm adotado ou pensam em adotar atualmente, com a intenção de, antes de ser mãe, garantir estabilidade profissional e financeira. 

Assim como nos ensina sobre como se transformar em uma profissional liberal e abrir negócio próprio, Fabíola também usa nossa conversa para orientar outras mulheres que queiram aproveitar a maternidade com maturidade: congelem seus óvulos. Um alerta que só foi ouvir — e de amigas — quando estava com 38 ou 39 anos, motivo que lhe causou angústia. Entende que é preciso falar desse tema, porque muitas mães têm filhos aos 44 ou 45 anos e não contam que o tiveram a partir da fertilização in vitro e não em uma fecundação natural:

“Eu não tenho vergonha nenhuma de dizer isso, até porque eu acho que isso a gente precisa falar para outras mulheres. É um assunto que muitas mulheres escondem e isso acaba atrapalhando. Tenho amigas que engravidaram naturalmente depois dos 40 anos. Mas não é a regra”.

Assista à entrevista completa com a advogada Fabíola Meira na qual conta, também, sobre as mudanças que as empresas tiveram de fazer para atender as demandas do consumidor diante da pandemia do coronavírus.

O Mundo Corporativo tem as colaborações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: as lições de empreendedorismo de Flávio Augusto, da Wiser

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“É importante ter um plano, sim, mas é importante a gente estar sempre sensível para novas oportunidades” 

Flávio Augusto da Silva, empresário 

Nem o Estado nem as multinacionais. O maior empregador no Brasil é o pequeno e o médio empreendedor, responsável pela contratação de 70% dos profissionais que ocupam uma vaga de trabalho de maneira formal. Isso significa  que quanto mais a mentalidade empreendedora se espalhar mais empregos serão gerados. Apesar disso, é bem provável que você não encontre na área da educação, escolas dispostas a levar para o currículo essa mentalidade —- seja por preconceito seja por falta de visão seja por total desconexão com as possibilidades que a vida oferece aos jovens. Para o empresário Flávio Augusto Silva, entrevistado do Mundo Corporativo da CBN, o ensino tem de ir além dos caminhos convencionais:

“Não existe apenas um caminho, existem vários caminhos. Nossos jovens podem ser um atleta, um sacerdote, um artista, e, também, ser um empreendedor. Ele pode também no futuro ser aquele cara que vai investir o seu o dinheiro, o dinheiro dele, que ele economizou com muito sacrifício, com o objetivo de realizar um sonho e com isso gerar emprego”.

Flávio Augusto tem uma história que vai além do clichê “o vendedor de curso que virou dono do curso”, apesar de ter iniciado assim sua trajetória quando fundou a rede de idiomas Wise Up, em 1995. Quatro anos antes começou a trabalhar “casualmente” como vendedor de um curso de inglês, no Rio de Janeiro e, graças aos bons resultados, logo ascendeu na empresa, até entender que havia uma enorme oportunidade no ensino do idioma para adultos. Arriscou ao usar o cheque especial e os juros de 12% ao mês para abrir 24 escolas próprias nos primeiros três anos — o que não recomenda para ninguém. Em 18 anos, a rede se expandiu para 396 escolas. Um sucesso que foi vendido para a Abril Educação por R$ 877 milhões, em 2013. E recomprado, dois anos depois, pela metade do preço. Sim, ele voltou a ser o dono da Wise Up.

Antes de seguir nessa história, é bom saber o que leva um empresário a vender um negócio que está dando certo. Flávio Augusto recorre a metáfora do construtor de prédio: 

“Não é muito da cultura brasileira entender que um construtor constrói um prédio para vender os apartamentos. Você não vai ver um construtor de repente olhar para o prédio e pensar: ‘eu vou ficar com esses 200 apartamentos para mim porque eu gostei muito’. O ápice do sucesso de um empreendedor é quando ele constrói um negócio a ponto do mercado desejar aquele negócio e pagar por ele. A venda de um negócio, é uma métrica de sucesso de um empreendedor”.

Para o empresário existem três possíveis destinos para uma empresa, dois deles deveriam ser evitados. O primeiro é o negócio quebrar; o segundo, o dono morrer;  e o terceiro é ser vendido. Por isso, diz que, sempre quando tem um negócio, tem um plano de saída. Não entramos no tema, mas reportagens em sites de finanças e negócios dizem que Flávio Augusto estaria preparando a Wiser, empresa que comanda e investe na área da educação e da tecnologia, para um movimento estratégico que poderia ser tanto um IPO quanto a venda do grupo — plano de saída ou de expansão?

Verdade que, nos últimos anos, apesar e por causa da pandemia, Flávio Augusto e a Wiser têm se dedicado muito mais a entrar em novos negócios. Para ter ideia, comprou a Conquer, escola de negócios, e a AprovaTotal, plataforma que prepara estudantes para o vestibular, entre outros investimentos. Ter percebido o movimento que o mercado fazia em direção ao ensino online, antes do fechamento das escolas físicas, por causa da crise sanitária, permitiu que a Wiser se fortalecesse e se colocasse no mercado como “compradora”. 

De volta as lições que aprendemos ao ouvir a entrevista de Flávio Augusto ao Mundo Corporativo. Ele recomenda muito cuidado na elaboração do plano de negócios da empresa, que pode ser impactado por questões tributárias, fiscais e trabalhistas. 

“O erro mais comum que cometemos quando entramos no mundo do empreendedorismo é não fazer o plano de negócio ou subestimar o plano ou superestimar o plano, porque o plano vem com a necessidade de se ter um capital junto. E aí se você subdimensionar o capital no seu plano e demorar demais para chegar no seu ponto de equilíbrio, vai te faltar o capital de giro. Essa é aquela hora que o empresário, às vezes, começa a se endividar mais do que deveria. Ou aquele momento que ele vai ficar desesperado procurando um sócio. E de repente pode falir”.

Alerta aos novos empreendedores, que a empresa não é apenas uma planilha de Excel, transações financeiras ou desenvolvimento de produto. Antes de qualquer coisa —- palavras dele —  é preciso saber gerir pessoas, se é que o empreendedor tenha a intenção de expandir seu negócio. 

“Gente tem suas contradições, tem suas dificuldades, tem suas traições, tem um pouco de dor de cabeça, tem! Mas, também, gente tem muita alegria. Tem gente boa, tem gente talentosa, gente que quer crescer, gente que vai contribuir com você. Então, tem os dois lados da moeda. Agora, uma coisa é necessária, você tem que aprender a gerir pessoas e, infelizmente, isso não se aprende na escola”. 

E como não se aprende nas escola formais, claro, Flávio Augusto foi lá e transformou isso em mais uma oportunidade.  

Ouça a entrevista completa de Flávio Augusto, fundador da rede de idiomas Wise Up e CEO da Wiser, no Mundo Corporativo: 

Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscilla Gubiotti e Rafael Furugen. 

Conte Sua História no Rádio de São Paulo: “às radialistas e aos radialistas da CBN”

O Conte Sua História de São Paulo, em homenagem aos 100 do rádio, segue neste mês de outubro, porque os ouvintes foram muito carinhosos em compartilhar com a gente a experiência que viveram ao nosso lado, ao longo do tempo. E aproveito o texto deste sábado, também, para agradecer a todos os ouvintes que estão com a CBN nesses nossos 31 anos de vida. 

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Giuliana Pereira Agnelli Estrella

Minha história com o rádio está sempre conectada à história de minha mãe, Maria Amélia. Ela quem introduziu o hábito de escutar rádio desde muito cedo em casa. Nascida nos anos 1940, é uma ouvinte da Era do Rádio, que, tal qual as lembranças que Woody Allen traz no filme homônimo, de 1987, tinha o rádio como maior meio de comunicação e informação, além, claro, do jornal.

E esse hábito foi também uma herança de família: meu avô adorava escutar as modas de viola, apreciava muito música – lembro até hoje como ele ficou encantado ao ouvir Bruce Springsteen comigo, já nos anos 80, tocando sua guitarra com a voz rasgante. Meu bisavô, por sua vez, tinha daqueles rádios embutidos, em suntuoso armário de madeira, uma joia que infelizmente não foi mantida na família.

Já na infância, o som do rádio vinha pra mim como uma referência de que estávamos atrasadas para a escola… com aquele ‘repita’ reverberando no carro cedinho de manhã.

Todas as notícias mais urgentes, sempre chegavam ao nosso conhecimento via rádio; e uma lembrança de infância que tenho muito viva até hoje, ainda mais depois da cinebiografia recente vista nas telonas, é da minha mãe chorando, na cozinha, abraçada ao rádio de cor púrpura com uma alça preta, ao saber da notícia da morte de Elvis Presley. Eu tinha 4 anos e, de tanto ouvir a notícia sobre sua morte, durante muito tempo uma simples ida de minha mãe ao banheiro (onde Elvis foi encontrado morto) me causavas arrepios, caso ela demorasse…

Ainda falando sobre a magia que o rádio exerce na vida das pessoas, há a relação com a infância de minha mãe, que teve a sorte de crescer junto com a história do rádio, e como todas as ouvintes, somente depois, com a chegada da televisão, pôde imprimir imagens às vozes e sons que habituara ouvir. Ela narra uma passagem curiosa, quando minha avó a levou à rádio e ela conheceu seu então ídolo, Osny Silva, que digamos, estava um tanto distante da imagem que ela tinha feito dele quando o ouvia no rádio,..

Aliás, Osny, em 1951 tinha lançado a marcha Campeão dos Campeões, de Lauro D’Ávila, que posteriormente se tornou o Hino do Corinthians. Ele cantou com vibração especial, em virtude de torcer pelo Corinthians. Foi contemplado com o Troféu Roquette Pinto de Melhor Cantor de Música Internacional e, no ano seguinte, passou a integrar o elenco da Rádio Nacional paulista.

Está aí uma outra paixão que cresceu comigo, minha mãe Maria Amélia, meu avô Álvaro, e passei para os meus filhos, a de sofrer com as narrações de futebol nas rádios, sempre tão mais emocionantes do que visto pela televisão. E depois do futebol, sempre vinham os programas para comentar a partida, e também os humorísticos sobre as desventuras em quadra.

Pensando no rádio e sua influência, nestes 100 anos de existência, e, trazendo para a atualidade, sempre houve aqueles que também viam o rádio como os games são vistos hoje – um vilão. Em uma das cenas do já citado filme A Era do Rádio, o personagem principal, o pequeno Joe, ouve do rabino um sermão sobre como o rádio induz a maus valores, sonhos falsos e hábitos preguiçosos,

Numa divertida passagem em que ele e seus colegas roubam as moedas conseguidas em doação para o Fundo Nacional Judeu, com o intuito de comprar o anel do vingador mascarado, um herói do rádio. É, sempre o que é visionário acaba sofrendo uma perseguição…

Na adolescência, minha relação com a rádio acabou por se basear nas rádios de música, e a vontade de gravar as músicas prediletas, para fazer a própria “setlist” e ouvir depois no walkman. Tinha um rádio vermelho, que minha mãe me deu, uma inovação, que vinha com fita cassete e gravava. Lá ficava eu, com os dois dedos nas teclas Rec e Play, aguardando a música preferida. E não é que muitas vezes, o radialista, depois da música iniciada, mandava o slogan da rádio e acabava com a faixa..?

Já trabalhando, nunca me desliguei do rádio, para me manter atualizada. No meu caminho diário de ida e vinda ao trabalho, venho escutando a CBN, com Mílton Jung, depois Carlos Andreazza e Marcela Lourenzetto, e volto ouvindo Rodrigo Bocardi e suas ‘horas dobradas’ no Ponto Final da CBN.

E para quem achava que o rádio iria desaparecer com o advento das novas tecnologias, muito se enganou… A rádio ainda é o meio mais rápido da chegada da informação, o mais inclusivo e que preza a diversidade, e que estará por aqui por muito e muito tempo.

Às radialistas e aos radialistas da CBN, meu muito obrigada, por dar som à voz da cidade.

Mundo Corporativo: a comunicação consciente exige escuta genuína, diz a fonoaudióloga Mara Behlau

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“A comunicação profissional é treinada: comece escutando genuinamente o outro; confirme o que você escutou; lembre-se que em toda a comunicação, eu preciso ter um objetivo e um eixo condutor. Valorize quem ouve e faça uma associação entre a sua mensagem verbal e não verbal”

Mara Behlau, fonoaudióloga

A maior parte do tempo que nos comunicamos o fazemos de forma automática. E isso tende a causar uma série de desconfortos. Não por acaso, das reclamações mais ouvidas está a de que o outro não me entende — como se não fossemos os responsáveis pela mensagem transmitida. Comunicação inconsciente gera comunicação inconsistente. Porque não se faz de maneira plena. A começar pelo fato de praticamente eliminarmos dessa jornada o elemento mais importante que é a escuta, como alertou Martha Behlau, fonoaudióloga, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN:

“Existe uma arquitetura estrutural na comunicação e o terreno dessa construção, dessa arquitetura é a escuta; então, a escuta é a base de uma boa comunicação. Lembrando que o ouvido ouve e quem escuta é o cérebro. A escuta é interpretativa”.

Doutora em distúrbio da comunicação humana e professora de comunicação para negócios e relações interpessoais do Insper, Mara escreveu em co-autoria com Marisa Bárbara, especialista em comunicação corporativa, o livro “Comunicação consciente, o que comunico quando me comunico”. Nesse trabalho, fica evidente a ênfase que devemos dar a prática da escuta, a ponto de terem sido identificados cinco tipos de escuta: 

  1. Passiva — quando escuto alguém que eu gosto, que me conta uma história bonita ou que me conta uma piada, eu não faço nada a não ser apreciar; e o outro gosta de se sentir apreciado.
  2. Empática — quando alguém desabafa, quando alguém conta um problema, o que a pessoa quer é acolhimento; não, necessariamente, a pessoa quer que você resolva o problema dela. 
  3. Organizativa — quando alguém conta uma história difícil, de um acidente, uma tragédia ou de uma crise pessoa, as mensagens vêm confusas e cheias de emoção. Quem ouve tem de parar o falante e organizar o roteiro de sua fala; e a pergunta principal é: de tudo o que você está me dizendo o que é o mais importante, o que eu preciso saber agora?
  4. Perspicaz — é a escuta do aprendizado; que ocorre, por exemplo, quando estamos conversando com a concorrência e avaliamos se aquela informação tem serventia, se é possível aplicá-la em alguma situação e se já ouviu algo semelhante.
  5. Avaliadora — é a escuta de julgamento; quando fazemos uma série de perguntas com objetivos bastante específico de julgar uma pessoa ou um colaborador que, por exemplo, não atingiu a sua meta. É quando escutamos para entender se nosso interlocutor deve ser desculpado, corrigido ou punido.

São fatores de sucesso, também, na comunicação a autenticidade, o respeito às regras, expressão de auto-estima, a atitude de resolução de problema e o foco duplo —- que vem a ser o cuidado que tenho tanto com a mensagem que transmito quanto com quem está recebendo essa mensagem. Mara aproveita para recomendar a você que está preocupado com a mensagem que vai transmitir e com quem vai receber essa mensagem: entre duas palavras, escolha a mais simples; entre duas palavras simples, escolha a mais curta; jamais infira o que o outro entendeu, certifique-se; e, acima de tudo, lembre-se:

“O impacto da comunicação é imediato e é enorme. Eu posso mudar com duas palavras no WhatsApp pressão sanguínea, batimento cardíaco, respiração e o humor de uma pessoa que está em Katmandu, em Nova Iorque ou em outro lugar”.

Ao não entender essa influência que pode ter sobre os outros é que muitos líderes acabam criando ambientes tóxicos de trabalho. Mara diz que esse tipo de liderança muitas vezes não percebe o mal que faz, até porque, por algum tempo, os resultados aparecem na empresa. Porém, costumam ter dificuldade de desenvolver pessoas e geram desafetos ao longo de sua jornada profissional.

Assista ao Mundo Corporativo com a fonoaudióloga Mara Behlau:

Colaboraram com o Mundo Corporativo Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: o novo líder tem de ser uma grande observador, diz a consultora Andrea Deis

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“Hoje, se cobra muito do indivíduo. Mas na minha opinião é uma incoerência muito grande porque ele não pode pensar, ele não tem autonomia para decidir e, detalhe, ele ainda tem que entregar resultado e sorrir”  

Andrea Deis, professora e consultora

O ser humano tem de estar no centro da estratégia. E nada pode ser mais importante do que isso, porque sem ele não existe competência, tanto quanto não se tem resultado nem inovação. Mesmo que se insista em falar em transformação digital e metaverso, as pessoas são a prioridade e a pandemia nos ensinou isso — ao menos deveria ter ensinado. Para Andrea Deis, professora de gestão de desenvolvimento humano e empresarial, uma das lições que ficaram foi a de que se o indivíduo não estiver bem, não existe competência:

“Em gente adoecida não existe competência, com morte não existe competência e desenvolvimento do pensar, se as pessoas não estão com a sua saúde mental em equilíbrio”.

Especialista em neuroliderança, Andrea foi entrevistada no Mundo Corporativo da CBN e lamentou que muitas empresas ao retomar as atividades tenham regredido dois anos em sua forma de atuar, pois decidiram manter os mesmos padrões, apesar das lições que a pandemia ensinou. Um dos exemplos é em relação ao trabalho híbrido, quando se provou que era possível manter-se a produtividade e as atividades mesmo à distância, com uma série de benefícios como a de se eliminar o tempo perdido no deslocamento da casa para o trabalho e do trabalho para a casa. No entanto, certificando a tese de que “se age no caos, mas esse caos não nos ensina”, as organizações tentam impor aos seus colaboradores a mesma dinâmica do passado:

“Um valor para ser mudado precisa no mínimo de uma década ou seja mais de duas gerações fazendo com que realmente se reafirme aquele novo modelo mental. O que que aconteceu com a pandemia? Aconteceu todo o caos. Existiu uma adaptação para que as empresas pudessem persistir àquele cenário, porém a grande maioria não voltou com essa habilidade construída”.

Para acelerar esse aprendizado, Andrea recomenda que as empresas abram mão do sistema de controle, gerem pontes com seus colaboradores, exercitem a  humildade e se habilitem a ouvir as pessoas. Não ouvir é desperdiçar 30% da sua receita — dizem pesquisas na área de gestão, segunda a consultora.

Para ela, o problema é que um pequeno grupo dentro das empresas toma as decisões e as transformam em estratégia empresarial, entregando-as para as bases sem que estas se sintam proprietárias dessas ações. Ou seja, são apensa cumpridoras de tarefas e não protagonistas. Isso explica, em parte, porque pesquisas mostram que cerca de 75% das pessoas estão insatisfeitas com seu trabalho. De acordo com Andrea, o primeiro motivo é porque os colaboradores não têm senso de pertencimento; o segundo é porque os relacionamentos não são saudáveis; e apenas em terceiro lugar, decido aos salários. 

“Tem muita gente escutando e falando, pouca gente se comunicando e ouvindo. Ouvir é você parar para sentir o que o outro estava sentindo; você entender a necessidade do outro e não, simplesmente, entrar no processo de luta e de defensividade, porque isso só distancia. Então, a escuta empática aproxima através do atendimento dessas interesses em comum”

Andrea lembra que interesse é palavra que nos remete a “inter seres” ou “entre os seres”. A neurociência ensina que não existe desenvolvimento da humanidade com total inconsciência, portanto para que o interesse se realize é preciso ter consciência do outro. Uma das formas é evitar a fala instintiva, sem reflexão, o que leva Andrea a propor o uso de uma ferramenta batizada STOP, sigla em inglês para quatro passos necessários para que a comunicação se realize de forma efetiva: parar, pensar, observar e falar. Instrumento que deveria pautar o comportamento dos líderes:

“Antes a gente falava que o líder é aquele que influencia. Hoje, o líder é o grande observador. Mais do que liderar, ele precisará observar talentos e através dessa observação interpretar e facilitar caminhos. Eu falei observar, eu não falei nem guiar nem influenciar. O papel do líder é aquele que para, observa, entende e interpreta para facilitar resultados. Esse é o papel do líder pós-pandemia. Ele vai observar o que você tem de melhor, entender e interpretar para facilitar o seu processo. E, principalmente, como líder ter a tomada de decisão de alocar você na melhor posição”.

Você pode assistir aqui à entrevista completa com Andrea Deis, no Mundo Corporativo, da CBN:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História no Rádio de São Paulo: estar em casa era estar com o rádio ligado

Américo de Oliveira Matos 

Ouvinte da CBN

americo.matos@uol.com.br

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Tenho 70 anos e sou natural da Vila Guilherme, zona norte de São Paulo. Desde que me conheço por gente sou fascinado pelo rádio. Creio que por influência da minha família. Meu avô, em 1932, foi o primeiro proprietário de um aparelho de rádio da minha rua. Modernidade rara naqueles tempos !!! Ele queria acompanhar melhor os acontecimentos da revolução de 32, os jornais em papel, já não o satisfaziam, ávido por notícias.

Eu desde pequeno ficava ao pé da minha mãe, outra fanática por rádio. Enquanto ela costurava ou fazia outros afazeres, eu brincava. E através de um Philips ou em outro de marca Belmonte, aqueles de válvula e um olho mágico, para auxiliar na sintonia das emissoras, ela ficava ouvindo as novelas da Rádio São Paulo, ou o programa “Parada de Sucessos” da Bandeirantes, notícias na Rádio Piratininga ou Nacional, músicas na Rádio Cultura ou Tupi. Ah… E religiosamente todas as tardes, às 18 horas, reunia os filhos e ouvíamos “A hora da Ave Maria” na rádio 9 de Julho.

Já meu pai, outro fanático por rádio, além de ouvir programas que tocavam fados, afinal era um português saudoso da “terrinha”, costumava ficar com o radinho de pilha ouvindo futebol na Panamericana, Gazeta ou Bandeirantes.

Quando eu já era adolescente, estar em casa era estar com o rádio ligado. Ouvir as estações jovens da época: Difusora, Excelsior e até Mundial do Rio de Janeiro e aproveitar para gravar as músicas preferidas no gravador de fita cassete. Afinal, comprar long-plays ou compactos simples era proibitivo.

À noite, um dos meus maiores passatempos era sintonizar as rádios de outras cidades, tanto em ondas médias como nas curtas. Fazia planilhas listando as rádios e as frequências que eu conseguia sintonizar. Era enorme a emoção de captar em ondas médias rádios de Buenos Aires, Montevideo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e até Salvador. E nas ondas curtas, captar rádios das mais diversas línguas e em plena “Guerra Fria” ouvir a “A Voz da América” ou a ” Radio de Moscou”.

Desde que surgiu a CBN – A rádio que toca notícias, passei a ouvi-la diariamente, tornei-me praticamente um dependente da melhor divulgadora de notícias do país. Até hoje nada me dá mais prazer do que ouvir uma boa música ou saber das últimas, numa boa rádio!!!

Américo de Oliveira Matos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung.

Na voz de Lima Duarte, minha homenagem aos operadores de rádio, que completa 100 anos

Nessa semana que se foi, comemoramos os 100 anos de rádio. Cada um a seu jeito, lembrou de histórias marcantes. Dos ouvintes da CBN, vieram lembranças do passado, memórias dos pais que tinham o veiculo como único meio de comunicação. Juntamente a essas memórias, surgiram nomes que construíram o rádio ao longo deste tempo no entretenimento, na música, no jornalismo e no esporte.

Por ouvintes que são, a maioria lembra do que ouve. E no rádio, ouve-se a voz dos locutores, apresentadores e repórteres . Pouco se sabe de quem é capaz de tornar tudo aquilo possível, levando o som até você. São técnicos dos mais variados tipos — hoje, inclusive, técnicos de vídeo, mesmo que o áudio ainda seja a vedete no espaço radiofônico. Uma gente que tem a habilidade de dominar uma sequência de botões, ponteiros, cabos e fios; e fazê-los funcionar de maneira harmônica para que a mensagem chegue até você sem nenhuma intereferência.

Dentre eles, há os que vão além. Interferem e muito no que fazemos diante do microfone. Valorizam a informação, com a sensibilidade dos maestros, sonorizam nossa fala e mexem com a imaginação do ouvinte, trazendo-o para dentro da mensagem. Sem eles nada da magia que dizem o rádio ter se realizaria. Seríamos músicos sem voz. Mensagem sem som.

Em homenagem a todos os radialistas que tornam possível essa magia, reproduzo aqui no blog um depoimento do ator Lima Duarte que conta como a função de operador de som em uma emissora de rádio o resgatou da zona do meretrício, aos 15 anos. Lima pensava ser locutor, mas foi desestimulado pelos donos da emissora diante da “voz de suvaco” com que se apresentou no teste … o resto da história você ouve no depoimento que foi descoberto por Paschoal Júnior — um daqueles maestros que citei no parágrafo acima — na página Operadores de Rádio e Áudio, no Facebook.

Ao Paschoal e ao Claudio Antonio (aquele do Conte Sua História de São Paulo e da Rádio Sucupira) que estão ao meu lado desde o início da minha jornada na CBN; assim como a todos os profissionais que como eles tornam o rádio algo fantástico de se vivenciar, e seria impossivel citá-los nominalmente neste texto; o meu agradecimento pela dedicação e carinho com que fazem rádio.

Conte Sua História no Rádio de São Paulo: o radinho de levar junto

Sylvia Márcia Belinky

Ouvinte da CBN

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Sou viciada em ouvir rádio! Fazendo um monte de outras coisas, adoro ligar o rádio, ouvir notícias, a previsão do tempo, algum cronista que eu curto… Toda vez que ouço no rádio um jornalista dizendo: “Você pode acompanhar nossas imagens pela Internet ou pelo YouTube – e rádio para mim ainda é sem imagem – eu fico me perguntando se quero saber qual a aparência daquela criatura tão simpática e inteligente que eu ouço diariamente naquele horário.

Será que quero mesmo saber se ela é bonita ou feia? Se se veste bem ou se é cafona? Não. Definitivamente não! 

O rádio não tem nada a ver com imagem, a não ser aquela mental que a gente faz de acordo com a sua voz, o que ela diz, seus comentários, se as julgamos inteligente ou não, informada ou nem tanto, se sua opinião “bate” com a sua ou se, na verdade, é daquelas “nada a ver” – e aí, desculpe, mas o que você está fazendo ouvindo essa “zebra”?

De onde vem essa mania, mais do que vício? 

Lembrei-me da época em que fui morar com meu pai e minha avó, aos 9 anos. Todas as manhãs, grudada nesse pai que, dia a dia eu descobria ser mais e mais interessante, divertido, engenhoso e que fazia a barba “the old style”, ou seja, molhava o pincel, fazia um mundo de espuma e passava o barbeador com gilete, cuidadosamente para não se cortar.

Eu do lado, encostada na pia do banheiro, olhos fixos no ritual e ele com seu radinho de pilha na janela, ouvindo o noticiário e respondendo, pacientemente, “trocentas” perguntas: quem é esse cara chato, pai? Vicente Leporace, papai gostava muito das opiniões desse jornalista bastante ácido da época.

E quando acabar a pilha do radinho? Na época, radinho de pilha era super moderno, “made in Japan” (e não na China, como hoje) sendo que bem pouca gente tinha um portátil e ele explicava pacientemente que não seria assim tão rápido que elas iriam acabar. 

Um dia vou ganhar um radinho também? “Mas você já tem o que está no seu quarto!” Não, quero um desses de “levar junto” retrucava eu, encantada com a ideia!

Um ano depois, no meu aniversário, ganhei um e me senti a dona do mundo, super importante! Já as minhas pilhas acabavam bem mais depressa, uma vez que, quando eu não estava na escola, estava grudada no “radinho de levar junto”…

E esse mesmo radinho me acompanhou por toda a adolescência: os programas de músicas que podiam ser pedidas, tipo Enzo de Almeida Passos.

 E lá ia eu ficar pendurada no telefone, ligando para as rádios e pedindo os meus sucessos preferidos: Paul Anka, Neil Sedaka, Elvis Presley…

A primeira notícia de quando Kennedy foi assassinado, tive-a pelo rádio…

Ouço até hoje meus radialistas preferidos: Vera Magalhães, Milton Jung, Cássia Godoy, Carolina Morand, Carlos Alberto Sardenberg…

Há muito tempo não acompanho mais meu pai fazendo a barba, mas a curtição do rádio permanece até hoje, durante o dia todo, praticamente 

Sylvia Márcia Belinky é personagem do Conte Sua História de São Paulo em homenagem aos 100 anos do rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. Em outrubro, voltaremos à programação normal. Então, aproveite para escrever agora a sua história da nossa cidade e enviar para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Lilian Bertin recomenda que você não deixe que sua idade o defina

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“Desde que a natureza permita tudo é possível e a idade não pode ser um impeditivo na nossa vida pessoal, profissional, corporativa seja qual for”

Lilian Bertin, empresária

Estamos encerrando a semana em que uma senhora de 96 anos morreu em pleno exercício de suas atividades e reverenciada por boa parcela do mundo. Concluiu o ciclo mais longevo para a ocupante do  seu cargo, na atualidade. E quando se fazia referência a sua idade era uma demonstração de valor, jamais depreciação. Claro, falo  da Rainha Elizabeth II que, por rainha que foi, teve privilégios que os “plebeus” nunca terão; e soube usá-los. A despeito das diferentes condições, cada vez mais teremos pessoas com idade avançada —- seja lá quanto isso signifique para você — no mercado de trabalho, ocupando e competindo por espaços com diversas gerações.

A maior longevidade da população, porém, parece que ainda não foi percebida por alguns gestores, líderes e empresas, que teimam em criar barreiras para os profissionais maduros e mais antigos. A prática, baseada em preconceito, tem nome: etarismo. E como todo preconceito precisa ser enfrentado e superado. Falei desse tema com Lilian Bertin, empresária e mentora de profissionais dispostos a se reinventar na carreira e nos negócios, no Mundo Corporativo da CBN:

“Eu vejo muitos jovens que estão iniciando uma carreira corporativa e já estão mortos pra vida. Eles funcionam a base da manivela. E pessoas com mais de 40, 50 anos que têm uma garra, uma vontade .. têm visão, têm experiência. Eu prefiro acreditar que a idade não nos define”.

Em sua carreira, especialmente na função de mentora, Lilian deparou com inúmeras histórias de pessoas que entenderam a necessidade de mudarem suas carreiras para estenderem a jornada profissional. Um dos exemplos é de um engenheiro de sucesso, de perfil sério e apreciador de vinhos que, após os 70 anos, descobriu-se músico e lançou álbum, onde se apresenta com um talento até então desconhecido. Para o cenário ficar ainda mais completo, ganhou a companhia da mulher que o apoia planejando os shows e atuando nos bastidores:

“Eu tenho certeza que em um ano a gente vai colecionar muito mais histórias como essas, inclusive de pessoas que estão saindo do mundo corporativo ou sendo convidadas a sair. Porque isso está sendo muito frequente e pegando toda essa bagagem, imprimindo, empacotando e transformando num produto, num serviço que pode ajudar muitas pessoas”. 

As mudanças na carreira nem sempre são planejadas ou por vontade própria. O profissional é “convidado” a se afastar e isso tem forte potencial para se transformar em  frustração e medo. Uma sensação que se dá especialmente pela crença de que seremos eternos no ambiente corporativo:

“A gente tem que seguir se preparando e cuidando da nossa imagem, da nossa marca, sempre pensando “se isso não der certo, eu vou fazer aquilo”. Ou seja, não é que você vai ter uma uma visão pessimista, mas é que você tem que estar sempre preparado para você se manter. Então, enquanto você tá ali na empresa, você dá o seu melhor, mas você tem que saber que um dia aquilo pode não existir mais”.

O sentimento de estar sendo descartado atrapalha muitos dos planos, por isso em situações como essa é preciso trabalhar a autoestima, explorando seus recursos internos e se reestruturando a partir do que você já sabe:

“Todas as vezes que eu tive um salto, um crescimento na minha vida, foi em momentos de muita dificuldade de muita frustração, mas quando a gente aprende a trabalhar com isso na nossa vida, acredite portas inimagináveis se abrem lá na frente. Enquanto a gente está preso ao que aconteceu de ruim, a gente não vira a página … é importante seguir em frente até para que a gente se libere dessa energia ruim”.

Lilian recorre a história dos dois lobos que convivem dentro de nós para falar do medo de errar, a medida que se tem uma vida mais madura. Ela lembra que medo e coragem estão dentro de nós, sobreviverá aquele (lobo) que nós alimentarmos. Uma das formas de não dar comida para o lobo errado é perceber que a maior parte da nossa insegurança está relacionada a perda de um status profissional que nos põe em situação muito confortável.  Entender que a cadeira da presidência na qual estamos preso, o crachá no peito e o respeito dos colegas do escritório podem ser substituídos por outros prazeres que a nova profissão nos oferecerá. 

“Olha para dentro disso e fala “o que que eu gostaria de fazer?”, “o que eu posso contribuir?”. Porque quando a gente contribui com o planeta quando a gente contribui com as pessoas, quando a gente quer verdadeiramente a felicidade das pessoas, a gente começa a se doar e essa doação se transforma, muitas vezes, num trabalho, num produto. Foi o que aconteceu comigo”.

Assista à entrevista completa com Lilian Bertin, autora do livro “Minha idade não me define”,ao programa Mundo Corporativo da CBN.

Colaboram com o Mundo Corporativo Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.