Mundo Corporativo: Paulo Henrique Andrade, da IturanMob, mostra como dados e mobilidade podem gerar crédito de carbono

Gravação do Mundo Corporativo com PH, da IturanMob Foto: Priscila Gubiotti

“Vamos conectar as coisas para você ter um perfil de uso de acordo com a sua necessidade. Esse é o negócio.”
Paulo Henrique Andrade, IturanMob

A mobilidade elétrica vai além do carro que não emite poluentes. Ela está diretamente conectada à forma como consumimos energia, usamos dados em tempo real e estruturamos serviços urbanos. Para Paulo Henrique Andrade, o PH, CEO da IturanMob, a transformação não acontece apenas no veículo, mas na lógica que organiza toda a jornada de deslocamento, planejamento energético e gestão de recursos. Ele é o entrevistado do Mundo Corporativo , que teve como tema central a integração entre mobilidade inteligente, planejamento estratégico e mercado livre de energia.

O carro que economiza e calcula seu impacto

PH destacou que, embora o carro elétrico elimine a emissão direta de poluentes, o verdadeiro ganho só acontece quando o carregamento também é feito com energia limpa — e essa escolha depende de acesso ao mercado livre de energia. “Você pode estar carregando o seu carro à noite com energia que vem de uma termoelétrica. O carro em si não polui, mas a fonte pode ser carvão”, alertou.

Segundo ele, empresas com frotas elétricas precisam entender seu perfil de consumo para negociar pacotes mais eficientes com fornecedores: “Você precisa saber quanto vai rodar, quais horários são mais críticos para o carregamento, se vai usar carregador rápido ou convencional.”

Esse planejamento estratégico também passa por soluções digitais criadas pela empresa, como o Make My Day, uma ferramenta que calcula trajetos, consumo de bateria e pontos ideais de recarga. “A gente já tem isso funcionando no Brasil, com parceiros que permitem agendar o carregamento e garantir que o posto esteja disponível para o usuário.”

Dados, carbono e segurança no mesmo sistema

Com mais de 400 mil equipamentos conectados, a IturanMob coleta e processa dados em tempo real para diversos fins — desde alertar motoristas sobre zonas de risco até calcular com precisão a quantidade de carbono evitado por veículos elétricos. “Criamos um algoritmo que compara o desempenho de um carro elétrico com um modelo similar a combustão e transforma essa economia em crédito de carbono. Esses créditos podem ser vendidos por meio de uma plataforma conectada a brokers.”

Além disso, o sistema pode ser usado para alertar motoristas sobre revisões, zonas de roubo e até organizar test drives estendidos para quem quer experimentar um carro elétrico por um fim de semana. “A gente está transformando um mercado que era reativo. Agora, o sistema avisa que sua moto precisa de manutenção antes do problema aparecer.”

Mobilidade inteligente e o novo comportamento urbano

A mobilidade inteligente, segundo Andrade, precisa ser multimodal, acessível e orientada por dados. “Não adianta pensar só em carro. Tem que conectar bicicleta, metrô, moto e saber o que é mais adequado ao seu deslocamento.” Essa lógica também muda a forma como as empresas pensam seus negócios. “Já tem motorista que deixou de gastar R$ 3.000 por mês com combustível e investiu esse valor na faculdade do filho. Isso tem impacto social real.”

O CEO da IturanMob reforça que a chave da inovação está na escuta ativa. “Você venderia o produto de hoje para as pessoas daqui a três ou quatro anos? Talvez não. É por isso que a gente tem que ouvir o cliente, entender o que ele quer e entregar uma jornada simples, funcional e relevante.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: o Mineiro que me fez apaixonada por cinema

Débora Ferreira

Ouvinte da CBN

Sou paulistana, nascida na Beneficência Portuguesa, mas quem me apresentou São Paulo foi um mineiro. Mineiro que tinha orgulho de ter saído de Passos para tentar a vida em São Paulo. E deu certo. Era o mineiro mais paulista que conheci.

Início dos anos 1980. Em um domingo de cada mês, pela manhã, ele acordava as três filhas, porque era dia de cinema. Esperávamos por esses domingos. E tínhamos que ir bem arrumadas: era um passeio especial. Saíamos da Pompeia, entrávamos na Belina e íamos para o Cine Comodoro, na Av. São João.

“É o melhor cinema de São Paulo, é Cinerama!”. Não entendia o que queria dizer Cinerama, mas eu me encantava com aquele cinema. Lembro que tinha umas colunas… achava tudo muito grandioso. Comprava pipoca, sentávamos nas cadeiras, apagavam-se as luzes.

Lembro que a tela tinha uma curvatura diferente. Geralmente, passava um documentário antes, e então começava a sessão. Aos domingos de manhã, passavam só desenhos. Víamos Tom & Jerry, Popeye e vários outros desenhos da época.

Aquela atmosfera de cinema — as poltronas, o som estéreo, a pipoca e o orgulho dele de levar as filhas — tornava aquele momento mais que especial. Acabava a sessão e voltávamos pra Pompeia (outro bairro que merece outra história). “Sua mãe já está esperando pro almoço.” Esse era o nosso passeio de domingo.

O mineiro não sabia, mas nosso amor pela sétima arte começou com ele, ali no cinema Comodoro.

Obrigada, pai. Obrigada, São Paulo.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Débora Ferreira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a interpretação de Mílton Jung. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Mundo Corporativo.

Mundo Corporativo: Paulo Alvarenga, da thyssenkrupp, defende o papel do Brasil como protagonista na economia do hidrogênio verde

Reprodução da gravação do Mundo Corporativo no YouTube

“Quem quiser ter perenidade, quem quiser ter sustentabilidade, precisa rever os seus processos e garantir que a gente vai atingir a neutralidade na emissão de carbono.”

Paulo Alvarenga, da thyssenkrupp da América do Sul

O Brasil pode se tornar uma potência energética global ao aproveitar a matriz elétrica descarbonizada que já possui. A afirmação é de Paulo Alvarenga, CEO da thyssenkrupp na América do Sul, que defende o uso do hidrogênio verde como vetor de transformação econômica e ambiental. O executivo foi o convidado do programa Mundo Corporativo, em que discutiu o papel da indústria e da liderança na transição para uma economia de baixo carbono.

Segundo Alvarenga, o hidrogênio verde permite substituir fontes fósseis em setores industriais de difícil descarbonização, como a siderurgia. “Quando você usa hidrogênio para reagir com o minério de ferro, ao invés de gerar CO₂, você gera H₂O. É a produção de aço sem emissão de carbono.”

Descarbonizar é estratégia, não tendência

A thyssenkrupp lidera globalmente a produção de plantas industriais para geração de hidrogênio verde e, segundo Alvarenga, já investe em soluções para transformar esse hidrogênio em derivados como amônia verde e combustível sustentável de aviação. “Nós temos essa tecnologia há mais de 60 anos, mas só recentemente ela ganhou escala industrial e interesse de mercado.”

Para o executivo, a principal barreira à expansão ainda é econômica. “A vantagem é ambiental, mas não é econômica. Então a gente precisa criar mecanismos, como mandatos ou incentivos temporários, para estimular essa transição.”

Ao falar da experiência da empresa, Alvarenga contou que a thyssenkrupp está investindo 3 bilhões de euros para transformar a primeira linha de produção de aço na Alemanha em uma unidade de aço verde. “A siderurgia responde por 7 a 8% das emissões globais. Se quisermos reduzir de verdade, temos que mudar o processo industrial.”

Ele também destacou o papel do Brasil nesse cenário. “A gente tem energia renovável em abundância, uma indústria existente e mão de obra versátil. O Brasil pode ser exemplo de descarbonização e ajudar o mundo alimentando com energia limpa.”

Liderar é servir às pessoas

Além da pauta ambiental, Paulo Alvarenga abordou sua visão sobre gestão. Para ele, a liderança está diretamente ligada ao propósito e à capacidade de mobilizar pessoas. “Quando você percebe que as suas mãos não vão dar conta de fazer todo o trabalho, você precisa das pessoas. Seu trabalho passa a ser criar as condições para que elas possam fazer o que precisa ser feito.”

Ao ser questionado sobre o desenvolvimento de habilidades humanas ao longo da carreira, ele foi direto: “Você começa sendo bom em algo técnico, mas depois percebe que o impacto vem daquilo que você alavanca nos outros.”

Alvarenga também defendeu o engajamento entre governo, indústria e academia para acelerar a transição energética, e chamou atenção para a criação do marco legal do hidrogênio de baixo carbono no Brasil. “Essa regulamentação pode impulsionar uma nova indústria. Estamos falando de uma neoindustrialização baseada em sustentabilidade.”

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Mundo Corporativo: Christina Bicalho, da STB, destaca o crescimento da busca de executivos por aprendizado contínuo fora do Brasil

Reprodução do vídeo da entrevista com Christina Bicalho, no Mundo Corporativo

“Essa dificuldade de também estar lá fora, longe da família, escutando outro idioma o dia inteiro… é isso que nos torna grandes líderes.”

Christina Bicalho, SBT

Executivos brasileiros estão cada vez mais interessados em se desafiarem em busca de aprimoramento e se desenvolverem profissionalmente. A procura por programas de educação executiva no exterior cresceu 20% neste ano, segundo Christina Bicalho, vice-presidente do STB – Student Travel Bureau, em entrevista ao Mundo Corporativo. A tendência, impulsionada por mudanças tecnológicas e comportamentais, revela que o desenvolvimento de líderes passa não apenas por conteúdo acadêmico, mas também por experiências internacionais transformadoras.

De acordo com Christina, os programas variam de três dias a três meses e atendem desde gestores que buscam capacitação rápida até profissionais interessados em aprofundamento técnico ou mudança de carreira. “O executivo precisa estar sempre aprendendo. As matérias mudam muito rapidamente e o mundo está muito plano.”

Especialização, imersão e pensamento crítico

Para além da formação acadêmica tradicional, a executiva destaca o valor da imersão internacional. “Quando você sai do ambiente que lhe é familiar, enfrenta um clima novo, diferentes nacionalidades, professores com uma cabeça completamente diferente… você começa a abrir novas janelas.” O contato com metodologias práticas, estudos de caso e mentoria com profissionais de diversas culturas amplia o pensamento crítico e analítico dos participantes.

A personalização dos programas também é parte essencial da proposta do STB. “A gente tem uma política de fazer entrevistas individuais, levantar onde está a necessidade do executivo e propor programas alinhados ao momento de vida dele”, explicou. O portfólio de opções abrange não apenas os Estados Unidos, mas também destinos como Alemanha, Canadá, Espanha, Portugal e Austrália.

Intercâmbio para além da liderança

O perfil dos interessados é amplo. Jovens de 28 a 35 anos em fase de transição profissional compartilham espaço com executivos de 50 a 65 anos que buscam atualização frente às novas gerações. “Hoje, todo mundo quer fazer um programa de liderança. Mas o que é ser um bom líder dentro do seu contexto?”, provoca Christina.

Além de liderança e negócios, os temas mais procurados incluem tecnologia, neurociência, ESG e gestão ambiental. “A educação executiva é muito nichada. Não adianta ser um grande generalista. Você tem que se especializar e ser muito bom naquilo que você faz.”

A questão do idioma, no entanto, ainda é um obstáculo. Muitos interessados não têm o nível de inglês necessário para acompanhar os cursos. “A gente faz um teste. Se não estiver adequado, recomendamos um programa intensivo de inglês voltado para negócios.” Christina relatou casos de executivos que iniciaram com cursos de idioma e, depois, conseguiram participar de programas mais avançados.

A executiva também observou uma mudança nos destinos preferidos. A Europa tem ganhado destaque em razão do custo reduzido e da possibilidade de acesso a universidades públicas por brasileiros com dupla cidadania. O Canadá também atrai pela possibilidade de levar a família, estudar e trabalhar com vistos legalizados.

Na avaliação de Christina, o investimento feito nos programas traz retorno não só na formação, mas também na reputação. “Você volta com uma bagagem gigantesca. E, na hora da entrevista, quando consegue demonstrar o que aprendeu, isso faz a diferença.”

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Conte Sua História de São Paulo: as oportunidades que encontrei nas barracas da feira livre

Flabenilto Machado Parreira 

Ouvinte da CBN

Feira livre em foto de Flávio Rodrigues/Flickr

Meus pais viviam da lavoura, no Paraná. Quando eu tinha cinco anos, houve uma das maiores geadas já registradas no estado. As perdas foram assustadoras. Eles trabalhavam de boia-fria, ficaram sem ter como sustentar a família e o sofrimento foi enorme. Era 1975 e tenho na memória a imagem de uma caminhonete Toyota Bandeirante azul, com carroceria de madeira, onde colocamos tudo o que tínhamos. Era do tio José Parreira que havia se estabelecido em São Paulo e foi socorrer meus pais, levando a todos nós para a capital paulista.

Ficamos em um pequeno barraco cedido pelo Tio Pedro, no Jardim Peri Alto, na Vila Nova Cachoeirinha. O pai tinha pouca leitura, aplicava injeção, cortava nosso cabelo e não tinha nenhum conhecimento de cidade grande. Ele que já costumava beber um pouco a mais, tornou-se alcoólatra, ainda assim arrumou emprego de vigilante. A mãe era analfabeta — apesar disso nunca conheci pessoa mais sábia. Ela lavava roupas para os vizinhos. A água vinha de um poço de 42 metros e servia para todos os afazeres.

Com seis anos, eu já vendia durex. O pouco dinheiro que recebia ajudava no sustento da casa. Aos oito, fui trabalhar na feira. Primeiro, na Feira de Terça, na barraca do Zezinho. Lembro daquela madrugada em que percorri as barracas perguntando se precisavam de ajudante. Quando perguntei ao Zezinho, que vendia verdura e legumes, ele me respondeu: – Menino, você é tão pequeno que não aguenta um saco de batatas. Mesmo triste, agradeci: – Muito obrigado, Deus te abençoe! Já caminhava para a barraca seguinte quando Zezinho me chamou: – Menino, não estou precisando, não; mas como você é muito educado, fica trabalhando aqui comigo. 

Da barraca do Zezinho passei a fazer carretos em outras feiras usando ora um carrinho de rolimã alugado ora as próprias mãos. – Vai carreto aí moça! 

Depois que conheci o Francisco e o Itamar virei vendedor de frutas, de terça a domingo. Foram alguns meses nessa função até ser contratado para office-boy da J.P. Martins Aviação, no Campo de Marte. Já estava com 17 anos e estudava muito. Na feira, tive o apoio da Dona Paula, Dona Dora, Dona Sônia, Dona Guiomar e tantos outros. Pagaram meu curso de datilografia, na escola Real, no Largo do Japonês, o que me ajudou muito. 

Assim que conclui o colegial e já como encarregado do setor de cobrança da J.P Martins fui incentivado por uma amiga, Cristina Helena Dezena, a prestar concurso público para a CMTC. No início resisti a pagar a taxa de inscrição, pois pensava que era só uma maneira de a prefeita Luiza Erundina arrecadar dinheiro para a prefeitura. Foi a Cristina quem insistiu. 

Em 1989, prestei o concurso e ligeiramente esqueci. Segui meu rumo até dois anos depois, minha mãe disse que havia chegado um telegrama em casa: era a convocação para assumir a vaga de escriturário na CMTC. Na época o salário da J.P.Martins já permitia ajudar e muito lá em casa. Estávamos até construindo uma de alvenaria no lugar do barraco de madeira. Ainda assim, encorajado pela Dona Luciene Santos, sócia gerente da J.P, encarei o desafio e fui para a CMTC que posteriormente foi privatizada e se tornou SP Trans – São Paulo Transporte S.A.

Hoje, 34 anos depois, olho para trás e vejo uma trajetória que só foi possível em razão do acolhimento das pessoas que vivem na cidade de São Paulo. Atualmente, vivo em Osasco e pastoreio a Primeira Igreja Unida de Osasco, desde 2005.  

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Flabenilto Machado Parreira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o uso ético da IA na publicidade é inegociável

Foto de Chee KahHay

A cassação de prêmios concedidos a uma campanha brasileira no Festival de Cannes deste ano acendeu um alerta sobre os limites éticos e a responsabilidade no uso da inteligência artificial na publicidade. A campanha da marca Consul perdeu o Grand Prix e um Leão de Bronze após denúncias e uma investigação da organização, que concluiu que conteúdos gerados por IA simularam eventos e resultados como se fossem reais.

Esse é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN. O episódio colocou em xeque não apenas a seriedade de uma peça publicitária, mas atingiu a imagem da publicidade brasileira como um todo. “De certa forma, quase que se confirma uma impressão que se tem de que é uma atividade criativa, mas abre mão de ser séria”, afirmou Cecília Russo. Ela também apontou o impacto na imagem do país: “Colocamos luz em traços da nossa identidade nacional que há anos tentamos afastar — de um país menos sério, não confiável”.

Jaime Troiano vê nessa crise uma possível inflexão positiva, ainda que provocada por um tropeço: “O trabalho ficou mais complexo, mas eu acho que vai ficar muito mais sólido, mais profissional”. Para ele, a partir de agora, os anunciantes estarão mais atentos aos cases enviados a festivais e à comunicação cotidiana, exigindo embasamento e idoneidade. Troiano destaca que a inteligência artificial não é o problema em si, mas sim o uso que se faz dela. “A inteligência humana é hoje mais do que nunca necessária. Esse é um grande alerta que a crise de Cannes acabou por estampar”.

A marca do Sua Marca

A mensagem central do comentário é clara: o uso ético da inteligência artificial é inegociável. A credibilidade da publicidade — e da marca — depende do compromisso humano com a verdade, com o caráter e com a responsabilidade profissional. Como resume Cecília Russo, “isso se tornou mandatório agora”.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Bibi Amarante, da Hustlers.br, fala de conexões reais por meio do live marketing

Reprodução do vídeo do Mundo Corporativo



“Você precisa transmitir essa verdade na hora de fazer algum tipo de ação.”

Bibi Amarante, Hustlers.br

Criar experiências ao vivo entre marcas e consumidores é mais do que promover eventos. É sobre estabelecer vínculos autênticos, gerar pertencimento e ativar, de forma imediata, a percepção das pessoas sobre produtos, serviços e valores. Para Bibi Amarante, sócia e COO da Hustlers.br, o live marketing — que já foi chamado de marketing de experiência e promocional — evoluiu para ocupar um papel estratégico nas relações entre empresas e seus públicos. Esse é o tema da entrevista ao programa Mundo Corporativo.

“O live marketing é tudo que você possa fazer ao vivo com o seu consumidor final ou com o seu público-alvo”, explica Bibi. “Você consegue medir ali o termômetro de ‘tô indo bem, tô indo mal, estão gostando do meu produto, não estão gostando do meu produto’.” A presença ativa nas interações permite respostas rápidas e diretas, mas também cobra autenticidade de quem realiza: “Do mesmo jeito que você tem essa mensuração muito rápida, você consegue sacar mais facilmente se a marca tá sendo genuína.”

Representatividade como estratégia de negócio

A Hustlers.br, criada por Bibi e Ramon Prado, é uma agência liderada por pessoas negras e formada majoritariamente por profissionais pretos. “A gente se entende como uma agência plural, porque a diversidade, ela vem de várias questões, não só das questões raciais.” Essa visão está presente desde a escolha dos fornecedores até o perfil das equipes envolvidas nas ações. “A gente não faz só eventos voltados à diversidade, mas a gente inclui a diversidade em tudo que a gente faz.”

Entre os projetos que mais refletem esse posicionamento, Bibi destaca o Perifacon, evento geek gratuito voltado à periferia, e o Future in Black, conferência de negócios para lideranças negras. “A gente se envolve bastante, não só porque cumpre com o propósito da agência, mas também porque atinge públicos diferenciados.” Além desses, a Hustlers também atua com marcas como Natura e TikTok, criando ações para públicos diversos e com escopo nacional.

Ela observa uma mudança no mercado. “Hoje em dia a gente tem falado muito de Brasil real, né? Você se vê representado ali dentro do contexto, seja corporativo, seja publicitário, de comunicação — e isso faz a diferença. As empresas têm percebido isso.”

Ser líder, ser paciente, ser resiliente

Com mais de 20 anos de carreira, Bibi conta que sua trajetória no live marketing começou ainda na faculdade, quando se encantou pela área. Hoje, reconhece o quanto amadureceu como empreendedora. “No início da minha carreira eu era muito afoita. Hoje em dia eu tenho mais paciência, eu sou mais resiliente para entender que às vezes é só um obstáculo no meio do caminho. Você não precisa desistir de tudo.”

Para ela, liderar é saber lidar com contexto e pressão. “Ser líder, eu acho que também é isso: é você ter esse olhar ali mais resiliente, entender todo o contexto, entender tudo que tá sendo posto dentro desse cenário para que você consiga se aprimorar.” O improviso também é essencial no live marketing: “Você tem que ter o pensamento muito rápido do que vai fazer.”

E para quem está começando, o conselho é direto: “Procurem agências de live marketing. Não se inibam achando que vai sair muito caro ou que vai afastar. Qualquer tipo de empreendedor pode ter contato com especialistas.”

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Conte Sua História de São Paulo: a árvore centenária da Diógenes

Valdir Paulo Soares de Lima

Ouvinte da CBN

A árvore centenária da Diógenes Foto do ouvinte Valdir Soares de Lima

Estou com 64 anos. Sou taxista há 30. Passei minha infância, até os 14 anos, brincando e circulando pela Vila Leopoldina. Assisti à inauguração do centro esportivo Pelezão com a presença do Rei. Na Companhia Cacique de Alimentos, vi Emerson Fittipaldi e o irmão Wilson que frequentavam o local para negociar o patrocínio da Copersucar, na Fórmula 1. A presença deles se tornava um desfile festivo com os pilotos em um Dodge Dart conversível acenando para os moradores que cercavam o carro. Ao lado de onde hoje tem o SESI, havia um campo de de várzea — além dos  jogos de futebol, no meio do ano, se realizava a festa do Divino Espírito Santo, que teve origem em Portugal. Lembro como se fosse hoje: sardinhas na brasa acompanhadas por tremoço ao som de Roberto Leal, que se apresentava no palco.

Na rua Barão da Passagem, quase esquina da Carlos Weber, havia uma companhia metalúrgica na qual tive o prazer de assistir à gravação de cenas do filme “Eles não usam Black Tie” com Gianfrancesco Guarnieri, Milton Gonçalves, Fernanda Montenegro, Carlos Alberto Ricelli. Foi maravilhoso. A lamentar o fato de que o muro em que ficávamos sentados para vermos as gravações que antes era de uma escola, onde fiz o primário, agora é do batalhão da polícia. 

Por falar em lamento: que triste tem sido o tratamento dado a uma árvore centenária da avenida Diógenes Ribeiro Lima, próximo do número 2.000. Ao longo da minha vivência na região, das muitas histórias que ouvi dos moradores mais antigos, as que mais me chamavam atenção passavam por essa árvore. Ela abrigava tropeiros que seguiam a caminho de Sorocaba. A parada sob a copa desta árvore era o último descanso antes da travessia do Tietê. Por ali passavam os boiadeiros que levavam o gado para o abatedouro de Vila Mariana. Por isso, o trajeto era conhecido por Estrada da Boiada, assim como o bairro que circundava o rio, levava o nome de Emboaçava, que em tupi significa ‘lugar por onde se passava’.  Infelizmente, pouco restou desta árvore e sua gigantesca e acolhedora copa: temos apenas um tronco mal tratado, cercado de concreto, já tendo sido alvo de queimadas; um tronco que, além das histórias que contamos, resiste com alguns pequenos galhos verdes

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Valdir Paulo Soares de Lima  é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outras histórias, visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: branding bom é branding que funciona

Photo by Olya Kobruseva on Pexels.com

Um projeto de branding pode até seduzir pela criatividade e pelo design arrojado, mas se não entregar resultados concretos, não cumpre seu papel. É essa a provocação feita no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, por Jaime Troiano e Cecília Russo. O ponto central da conversa foi a eficácia dos investimentos em branding — um tema cada vez mais cobrado por empresas que querem retorno tangível para suas decisões estratégicas de marca.

“Como disse um cliente: ‘Quero ver se com o que vocês fazem, a gente bota porco de um lado e sai linguiça do outro’”, contou Jaime Troiano, usando a metáfora para exemplificar a cobrança por eficiência nas entregas. Ele destacou que a primeira condição para medir essa eficácia é assegurar a qualidade do produto ou serviço oferecido — o que é básico, mas essencial. E lembrou a advertência de Washington Olivetto: “O pior que pode acontecer com um mau produto é ter uma boa propaganda. Dinheiro jogado fora.”

Segundo Troiano, o trabalho de marca precisa começar de dentro para fora, ouvindo o público interno. “Se a marca não for bem aceita internamente, não será em lugar nenhum. Porque os colaboradores precisam ser embaixadores e advogados da marca”, afirmou. A receptividade dentro da empresa e nos pontos de venda, onde o produto encontra o consumidor, são aspectos fundamentais para o sucesso da marca.

O consumidor é o termômetro

Cecília Russo reforçou a necessidade de se escutar quem realmente define o sucesso de uma marca: o consumidor. “É importante fazer uma consulta ou uma pesquisa independente”, afirmou. E alertou que esse trabalho não pode ser conduzido por vendedores ou representantes, pois “eles não têm uma posição independente e treinada para isso”.

Ela destacou o valor das pesquisas quantitativas e qualitativas — de questionários a grupos de discussão — como formas de captar como a marca está sendo percebida e o que ela comunica de fato. “A pesquisa é como ouvir o que falam de você quando você sai da sala”, citou, lembrando a famosa definição de Jeff Bezos.

A marca do Sua Marca

O comentário desta semana deixa claro que prometer não basta: é preciso entregar. A marca do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é a seguinte frase: “As marcas fazem promessas, mas o importante em branding é a contraprova.”

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: César Bochi e Moacir Niehues, do Sicredi, defendem que o cooperativismo de crédito fortalece a economia local

Bastidor da entrevista on-line do Mundo Corporativo

“A cooperativa só existe a partir do associado e para o associado.” — César Bochi

César Bochi, Sicredi

O cooperativismo vem ganhando espaço como alternativa ao sistema financeiro tradicional, reforçando vínculos locais e colocando o associado no centro das decisões. Ao contrário dos bancos convencionais, o foco não está apenas no lucro, mas no desenvolvimento econômico e social das comunidades. Este foi o tema da entrevista com César Bochi, Diretor-Presidente do Banco Cooperativo Sicredi, e Moacir Niehues, Diretor Executivo do Sicredi Vale do Piquiri ABCD PR/SP, no programa Mundo Corporativo.

Bochi destacou que o modelo cooperativista “só existe a partir do associado e para o associado”, ressaltando a importância da participação democrática na gestão. Segundo ele, “o resultado, sim, é importante, mas tem que ser relevante, perene e de longo prazo”. Para o executivo, o papel da cooperativa vai além de oferecer produtos financeiros, servindo como instrumento de fomento ao desenvolvimento local.

Modelo participativo e impacto social

Niehues enfatizou que o engajamento dos associados nasce do vínculo de confiança e da proximidade. “O associado não quer apenas um cartão na carteira; ele quer relacionamento, proximidade e alguém em quem possa confiar”, afirmou. Para ele, a transparência no processo decisório e o foco no bem-estar financeiro dos associados são os principais fatores que alimentam a confiança no modelo cooperativo.

O movimento cooperativista também tem um forte componente social. Bochi explicou que as cooperativas destinam parte do resultado para projetos locais definidos pelos próprios associados, como reformas em escolas e hospitais. “É o associado quem decide para onde vão os recursos. Isso gera pertencimento real e impacto direto na comunidade”, comentou.

Outro ponto central abordado por Bochi foi a modernização das operações sem perder a essência. “Hoje, 96% das transações do Sicredi são digitais, mas as pessoas ainda precisam de atendimento humano nos momentos críticos”, disse. A tecnologia é vista como um meio de ampliar o alcance e não como um fim em si.

Niehues complementou que, mesmo com o uso intensivo de tecnologia, o Sicredi busca manter a essência de proximidade. “Nós somos modernos no tipo societário. Falamos de capitalismo consciente e economia compartilhada, mas sem abrir mão do relacionamento humano”, explicou.

Desafios e futuro do cooperativismo

Sobre os desafios futuros, Bochi apontou a necessidade de manter o foco no relacionamento e na essência do cooperativismo, mesmo com o crescimento acelerado. “Crescemos quase 30% ao ano, mas nosso maior desafio é não perder as raízes”, afirmou. Para ele, a tecnologia será sempre um instrumento importante, mas “a cooperativa está lá para ajudar o associado a refletir sobre a melhor decisão”.

Na visão de Niehues, a principal oportunidade está na expansão contínua do modelo, mantendo o equilíbrio entre crescimento e proximidade. “O modelo de negócio é muito bem recebido, e o maior pedido dos associados é: ‘não mudem o jeito de vocês fazerem negócios'”, destacou.

Ao fim, ambos concordaram que o cooperativismo é para todos, mas exige disposição para estabelecer uma relação de longo prazo, baseada em confiança, educação financeira e apoio mútuo.

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