15 dicas para quem quer participar do Clubhouse

Desculpe-me pela insistência. Volto a falar de ClubHouse porque a rede que privilegia a fala está dando o que falar. Não bastasse ter sido convidado para uma das salas, com o tema Mentoria da Comunicação, voltarei a ocupar o espaço no próximo sábado, ao lado da minha amiga Leny Kyrillos. Comunicação será, mais uma vez, o tema da conversa. Desta vez, baseada no livro que escrevi com a Leny, Comunicar para Liderar. É de 2015. De antes, bem antes da pandemia, e, ao mesmo tempo, muito atual. Quem vai abrir a sala “Comunicar e liderar” para falarmos é Erika Baruco, especialista nas duas áreas: comunicação e liderança.

Da experiência de décadas no rádio — que tem o som como principal instrumento — à participação única no ClubHouse, reuni algum conhecimento que pode nos ajudar nesta nova rede social. No mínimo, evitar alguns tropeços. Para não pensar que o que escrevo a seguir é coisa de marinheiro de primeira viagem (ah, agora virou coaching de ClubHouse, né?!?), informo aos navegantes que conversei com algumas pessoas que entendem do assunto e, também, já participaram do clube.

Bons costumes no Clubhouse:

  1. Ter um moderador(a)
  2. Ter um tema definido
  3. Identificar previamente os pontos de fala de cada integrante
  4. Na abertura, cada integrante se apresentar com no máximo duas frases
  5. Ao fazer uma pergunta, encaminhá-la para um dos integrantes
  6. Enquanto um fala, os outros fecham o microfone
  7. Falar sabendo que outros querem falar
  8. Invista no conteúdo
  9. Frases, palavras e citações importantes devem ser repetidas para que o ouvinte absorva a informação
  10. Importante ilustrar com histórias 
  11. Incluir os ouvintes na conversa, sempre
  12. Ao passar a palavra para um ouvinte, antecipar quem será o próximo
  13. Ao responder o ouvinte, citar o nome dele ao fim da fala para que tenha a oportunidade de réplica
  14. Anunciar o encerramento da sala, 15 minutos antes e selecionar quem fará as últimas perguntas
  15. Ser simples, direto e objetivo

Sintonizado no Clubhouse, um novo modelo de rádio

Imagine uma mídia na qual você tem uma série de opções de programas em áudio à disposição. De graça. Em um canal, tem esporte. Em outro, tem música. Rock e sertanejo, cada um na sua. Tem lugar em que se fala de comportamento. Outro, de arte. De mídia digital. De comunicação. Tem até quem toque e comente notícia —- de política à economia, de meio ambiente à educação. O ouvinte sintoniza o canal que entender mais apropriado aos seus interesses, pode participar com perguntas.

Estamos falando do rádio? Até pode ser. Criado no fim do século 18, início de 19, o veículo é um pouco de tudo isso. Basta trocar de estações no aparelho que está em seu painel do carro ou no balcão próximo do fogão, na cozinha, e você terá oportunidade de vivenciar todas essas experiências. Nosso ‘dial’ nos põe em contato com uma programação diversa e interativa. Você escolhe se quer ser ativo ou passivo. Só ouvir ou participar. 

Pode ser do rádio, mas não é.

Estou falando do ClubHouse, rede social que ganha dimensão entre nós, com a abertura de um número inimaginável de salas para falar dos mais diversos temas. Casa sala é uma estação. Cada moderador, um âncora. Cada ouvinte, que unido a outros, se transforma em audiência.  O ClubHouse é uma espécie de rádio que pode ser produzido por qualquer um, desde que tenha um iPhone e um perfil aberto nesta rede. Em breve, também no seu “rádio” Android.

No sábado, tive minha primeira experiência neste espaço, convidado pela Ana Sacavém, coach da Academia de Liderança e Comunicação, em Portugal, que realiza um trabalho incrível ao lado do marido Antonio Sacavém. Estavam com a gente, minha parceira de trabalhos, livros e palestras Leny Kyrillos e Thomas Brieu, um especialista em escutatória. 

Ficamos por duas horas batendo papo sobre como desenvolver nossa capacidade de se comunicar, uma habilidade essencial para quem pretende crescer na carreira profissional. Falamos entre nós e respondemos boas perguntas dos ouvintes. Ouvimos, também. Ouvimos algumas pessoas que surgiram  em meio a conversa e agregaram muito conteúdo. 

O ClubHouse reforça a ideia de que se o conteúdo é o rei —- como Bill Gates  nos ensinou no início dos anos de 1990 —- o áudio é a rainha. Prestigiado nessa nova rede. Essencial para o sucesso dos podcasts —- que nunca foram tão ouvidos como agora. Motivo de concorrência entre as maiores marcas de tecnologia do mundo, como é o caso da Apple e Amazon, que investem seus conhecimento no desenvolvimento de caixas de som inteligentes. E “cidadão de primeira classe”, como disse Zack Reneau Wedeen , executivo do Google podcast, em 2018.

O áudio foi a base do trabalho que realizamos no rádio desde sempre, portanto participar desta nova rede não me surpreende. Me fascina. Especialmente com a qualidade do debate que conseguimos promover no sábado em uma sala que pretende se tornar permanente: Mentoria da Comunicação.

Por exercício da Ana e colaboração de todo grupo, apresento a seguir alguma das muitas mensagens que conseguimos levar ao ar —- ou, levar à web:

O jornalismo precisa respeitar o tempo de apurar e de noticiar; senão deixa de ser jornalismo

Foto Pixabay

Nunca o jornalismo foi tão imediato como agora. Do microfone no rádio à câmera na televisão, o tempo para publicar a notícia é o tempo de acionar o botão do … NO AR. Na internet, a urgência aparece em alertas na tela do celular antes mesmo do texto ter sido publicado. Os jornais sem tempo para imprimir o fato, atualizam o site com manchete em letras garrafais, mesmo que o repórter ainda não tenha dado ponto final; e usam as redes sociais para levar ao público a informação com o crédito que a história lhes concedeu. 

Confundem aqueles que, primeiro, identificam o fazer jornalismo apenas como o ato de publicar um fato, quando há uma série de ações que precede a esse ato. Confundem mais ainda — seja lá com qual for a intenção, talvez apenas desconhecimento — quando veem no avanço tecnológico a necessidade de mudanças em características que são próprias do jornalismo: a busca incessante da verdade, o apuro dos fatos, a relevância no que é interesse público e o direito ao contraditório. Essa jornada exige tempo e responsabilidade —- em uma equação que desafia o cotidiano de repórteres, editores e analistas, pois a medida que diminui o tempo entre o fato e a sua publicação, aumenta a responsabilidade de quem publica o fato. 

Estruturas menores, profissionais com menos experiência, crescimento da competitividade e investidores preferindo o entretenimento ao enfrentamento, típico do jornalismo, têm prejudicado essa dinâmica nas redações —- e isso ninguém nega, é fato e nós jornalistas gostamos de trabalhar com fatos: em dez anos, 83% dos jornais brasileiros reduziram o número de profissionais, 13% mantiveram a equipe no mesmo tamanho e apenas 3% declararam ter aumentado seu time, conforme estudo feito pelo jornalista Ricardo Gandour e publicado no livro “Jornalismo em retração, poder em expansão” (Summus Editorial).

As redes sociais tornaram o processo ainda mais complexo ao dar agilidade na entrega da informação —- confirmada ou não —- e a oferecer a todos o mesmo poder e espaço, diferenciado-os apenas pelo alcance que cada um capacitou-se a ter e pela forma como os algoritmos impulsionam ou não essa mensagem. Esse cenário gera uma concorrência desleal; enquanto uns se alvoroçam nas redes publicando o que bem entendem, se satisfazendo em traduzir tuítes e replicar fatos sem confirmação, desde que tenham potencial de agitar a galera a espera do engajamento da arquibancada digital, sem se preocuparem com a responsabilidade de seus atos e opiniões;  outros —- e os jornalistas fazem parte desses outros, ou deveriam fazer —- têm compromisso ético imposto pela profissão que exercem. “Eu acho”, “ouvi falar”, “dizem por aí”, “não tenho certeza, mas …” são expressões que se repetem com frequência no dia a dia das nossas conversas, no bate papo de boteco, na troca de mensagem entre amigos e colegas e dominam as redes sociais; porém jamais podem ocupar o espaço destinado a objetividade jornalística,  um dos fundamentos no exercício de noticiar. 

O jornalista é refém da verdade e esta nem sempre é encontrada na mesma velocidade exigida pela sociedade contemporânea que sofre de ansiedade informacional. Porém, assim como o tempo de maturação da notícia, do levantamento de dados e da confirmação de versões tem de ser respeitado, equilibrar os três pilares que sustentam o trabalho jornalístico —- isenção, correção e agilidade —- é essencial para nossa sobrevivência. É preciso, sim, noticiar de forma livre e independente, sem cumplicidade com governos e empresas; ser correto na apuração e na relação com a fonte; tanto quanto ágil na publicação —- entendendo que essa rapidez no informar tem de estar pautada na razoabilidade do tempo entre o fato ocorrido e o fato publicado. Quanto menor o tempo, mais correta for a apuração e mais precisa a notícia, melhor para o jornalismo e para a sociedade.

The Social Dilemma: 14 dicas para reduzir o impacto de redes sociais e internet na sua vida

A mensagem é forte e provocadora: nós criamos o sistema e sabemos o mal que ele pode lhe causar; então, saia do sistema. É o que alertam os protagonistas do documentário The Social Dilemma, dirigido por Jeff Orlowski, que, certamente, está entre as sugestões que o Netflix lhe oferece sempre que você acessa o serviço —- e o faz baseado nos mesmos algoritmos manipuladores que são parte do sistema criticado por Tristam Harris, ex-designer ético do Google e co-fundador do Center for Humane Tecnhology e mais 20 professores, cientistas, pesquisadores, executivos, engenheiros e criadores que trabalharam nas maiores empresas de tecnologia do Vale do Silício. 

O documentário se presta a que veio: colocar uma dúvida na cabeça de cada um de nós sempre que olharmos para a tela de nosso celular. Faço por vontade própria ou estou sendo impulsionado a tomar essa decisão? Geralmente é a segunda opção, porque a engrenagem digital que está por trás dessas máquinas nos ensina a não pensar por vontade própria, nos conduz pelo caminho que lhe convier ou pelo qual seu patrocinador pagou. Causa distorções de comportamento, põe em risco sua saúde mental e o equilíbrio político que deve haver nas democracias.

Vale dedicar uma hora e meia de um só dia para assistir ao documentário e refletir sobre a manipulação que sofremos todas as vezes que acessamos o celular ou entramos na internet. É muito pouco perto das oito horas e meia, em média, que você despende clicando, arrastando, escorregando seu dedo para cima e para baixo na tela do celular em busca de imagens, vídeos, informações, comentários e da aceitação social representada por likes, corações e emojis. 

Oito horas e meia? Não acredita? Dá uma conferida no seu celular e procure “tempo de uso”. Fiz isso e tomei um susto.

Os 21 entrevistados do documentário fazem alertas, ensinam como funcionam as máquinas e sugerem caminhos para escarpamos das armadilhas digitais. Listei 14 dessas dicas:

  1. Desinstale todos os APP do celular que apenas tomam seu tempo
  2. Desligue ou reduza o número de notificações 
  3. Elimine qualquer notificação que gere vibração no seu celular
  4. Substitua o Google pelo Qwant que não armazena o histórico de busca
  5. Nunca clique em um vídeo recomendado para você no YouTube — sempre escolha você mesmo
  6. Use extensões do Chrome que removem recomendações
  7. Antes de compartilhar, cruze informações, veja outras fontes, pesquise
  8. Obtenha diferentes informações por conta própria
  9. Siga pessoas no Twitter das quais discorda para ser exposta a outros pontos de vista
  10. Se algo parece ter sido criado para lhe desestabilizar emocionalmente, provavelmente é
  11. Não deixe nenhum dispositivo nos seu quarto depois de um determinado horário da noite
  12. Permita redes sociais apenas na adolescência — a pré-adolescência já é difícil, deixe isso para depois
  13. Decida com seu filho uma quantidade de tempo para usar os dispositvos eletrônicos. Pergunte “quantas horas por dia você quer passar no seu dispositivo?” Eles costumam dizer um bom número.
  14. Saia do sistema

Depois dessas 14 dicas, duas perguntas minha:

Você tem coragem de adotar uma das sugestões acima?

O que você faz para reduzir o impacto das redes sociais na sua vida?

Influenciadores sempre existiram; no digital, explodiram!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Ilustração: Pixabay

 

Religiosos, políticos, cientistas e esportistas com capacidade de liderança influenciaram gerações passadas, delineando crenças,  usos e costumes. A fase do consumo influenciado por personagens não necessariamente famosos, foi provavelmente iniciada ao fim do século XIX, no ano de 1890, com a marca Aunt Jemima de ingredientes para panqueca, que estampava na embalagem a ex-escrava Nancy Green. Devido ao sucesso, Nancy assinou um contrato vitalício para ser a porta-voz da marca. Durou 131 anos e não sobreviveu ao assassinato de George Floyd.

 

A Disney, a partir de 1920, com o coelho Osvaldo, iniciou a histórica série de personagens que todos conhecem, perene até os dias de hoje.

 

Ilustração de Oswald the Lucky Rabbit

 

Durante seus anos de ouro, Hollywood produziu ícones influentes, representados pelos astros e estrelas de suas películas, através das atuações dentro das telas e seus estilos de vida fora dela.

 

As revistas, importante canal de comunicação, passaram a atender o segmento de Moda, Beleza e Comportamento nitidamente para influenciar o consumo. 

 

No Brasil, a revista Claudia foi pioneira ao iniciar sua atividade em 1961, com tiragem de 150 mil exemplares. E tão importante quanto o pioneirismo foi a influência exercida pela revista no comportamento do público feminino. Papel, que identificamos, tenha desempenhado e protagonizado por longo período. Iza Smith, editora da revista, testemunha e confirma a relevância da Claudia por longo período, pela qualidade e tiragem, com aproximadamente 400 mil exemplares. Iza vai além ao me subsidiar sobre as influenciadoras atuais, demonstrando total conhecimento do sistema vigente. Como se fosse uma editora do Marketing de Influência de hoje.   

 

Os anos 60 e 70 consagraram os protagonistas da música popular, entre espetáculos de Rock, como Woodstock; cantores, como Beatles e Rolling Stone; e os movimentos da Bossa Nova, com Vinicius e Tom, e Tropicália, com Caetano e Gil. Ao mesmo tempo o estudo do Comportamento do Consumidor tomou forma no mundo acadêmico, com uma série importante de estudos a respeito do processo de divulgação e interpretação dos seus desejos e preferencias.

 

Quando as mídias eletrônicas se desenvolveram, especialmente a televisão, os destaques da música e do cinema passaram a influenciar significativamente os consumidores em amplitude internacional. A Pepsi foi um exemplo.

 

Nos anos 80, a influência de garotos propaganda é evidenciada pela dupla Carlos Moreno e Bombril, atingido o recorde de quase 40 anos, e da C&A com Sebastian.  

 

Nos anos 80, a influência de garotos propaganda é evidenciada pela dupla Carlos Moreno e Bombril, atingido o recorde de quase 40 anos, e da C&A com Sebastian.  

 

A partir de 2005, O Marketing de Influência na era digital toma corpo, na medida em que as empresas identificam no blog uma oportunidade comercial.

 

Em torno de 2010 surgem mecanismos que permitem a relação direta entre as marcas e as plataformas – Google, Facebook, Tweet, Linkedin –  e também uma relação direta entre as marcas e os veículos de comunicação. 

 

Os influenciadores por sua vez usam diretamente as plataformas com áudio e vídeo, como o Instagram e YouTube.

 

Alice Ferraz Foto:divulgação

 

Quem teve a percepção e a antecipação deste cenário foi a então dona de agência de comunicação e assessoria de imprensa Alice Ferraz.

 

Alice, em entrevista ao Alô Alô Bahia, contou que percebeu que não estava convencendo com a mídia que era papel, e estava em Nova York em uma Semana de Moda, quando viu uma blogueira na primeira fila, e ao ler seu conteúdo, pensou: 

“É dessa forma em primeira pessoa que devemos apostar, para não ser distante. Não poderá mais ser a marca falando da marca, precisa haver uma experiência. Isso foi há 10 anos, quando nem existia o Instagram”.

 

Alice criou antes de existir o termo influenciador digital, a F*Hits —   primeira agência de marketing digital do mundo focada em influenciadores digitais. Hoje são 200 influenciadores digitais que atingem mais de 40 milhões de pessoas, num país de 210 milhões.

 

Os números de Alice Ferraz são expressivos. Instagram 22 milhões de seguidores, YouTube 10 milhões de inscritos, Facebook 23 milhões de fãs. 

 

Segundo a Forbes, Alice Ferraz está entre as 20 mulheres mais poderosas do Brasil e entre as 500 pessoas mais influentes da indústria da moda no mundo.

 

Em quatro anos, 2014, os influenciadores evoluíram construindo suas audiências e sob controle próprio. E atraem a atenção dos grandes grupos de mídia, que passam a fazer parceria com eles, surgindo o modelo de parceria de conteúdo.

 

Em dois anos aproximadamente, 2016, nova evolução, quando as marcas percebem que há os microinfluenciadores, sem os milhões de seguidores daqueles, mas com seguidores suficientes para potencializar com dezenas e até centenas de outros microinfluenciadores.

 

Surgem ferramentas em 2017 para administrar “n” quantidade de microinfluenciadores e possibilitar que as grandes marcas potencializem as operações do Marketing de Influência. 

 

Nesse aspecto, quem chama muito a atenção para essa segmentação é Cris Tamer, ao classificar as microinfluenciadoras  como aquelas que têm até 100 mil seguidoras e as nanoinfluenciadoras com nichos de até 5 mil apoiadoras — com números baixos, mas significativos pela qualificação, com evidencia no mercado de luxo.

 

Reprodução Instragram @cristamet

 

Cris Tamer tem base no luxo. Em 2008 saiu da Daslu, onde exerceu função similar as de hoje ao trabalhar como produtora de conteúdo da loja e da revista, e criou um blog em sociedade com Sofia Alckmin.

 

O blog evoluiu e enveredou na trilha do luxo contemporâneo, quando cumpre o que considera essencial para uma formadora de conteúdo: consistência de postagem, coerência, fotos com qualidade, legenda com qualidade, comprometimento, seguidores naturais (comprar seguidores jamais), escrever sobre o que conhece, atender a todos, interagir com percepção dos maiores fãs.   

 

Sofia Alckmin se desligou há um ano, e Cris prepara uma equipe para atuar mais amplamente nas diversas áreas do conteúdo para Moda, Beleza e Comportamento, com base nos cuidados com o corpo humano — espiritualmente e fisicamente. Aplicará os conhecimentos obtidos no MBA Gestão do Luxo FAAP, na London Fashion Institute, na ESSEC Divisão de Luxo Paris, na Índia onde estudou Filosofia e nas melhores práticas das empresas Chocolate, GEP e Daslu. Está habilitada como uma comunicadora clássica tradicional, natural, e criativa, e usa a tipologia do London Fashion Institute.

 

No mercado brasileiro, a validação da função de influenciador fez com que surgissem muitos profissionais, e consequentemente uma demanda crescente de consultores e escolas especializadas.

 

Reprodução Instagram @danialmeida

 

Dani Almeida é um dos casos de sucesso: em 3 anos partiu de uma loja física mal localizada, mas com um e-commerce bem estruturado, e se transformou em loja virtual, influenciadora, consultora, treinadora e professora.

 

Dani está hoje no Instagram com 120 mil seguidores; no You Tube 150 mil; Telegram, 5 mil; WhatsUp, 5 mil; e já lecionou para 5 mil alunos. De julho de 2017 até hoje faturou R$1,6 milhão.

 

As premissas de Dani para se inserir na mídia social: aparecer no mundo digital como pessoa e não como logotipo; criar o perfil do público a atingir; definir os canais a utilizar considerando o perfil do público a atingir; traçar estratégia de conteúdo agregando valores aos produtos; planejar seu conteúdo; usar estratégia para crescimento de vendas e de seguidores.

 

Efetivamente os influenciadores do presente possuem recursos infinitamente maiores que os do passado, o que facilita e dificulta a sua escolha. O que simboliza o mundo presente, com mais acessos às informações, mas maior complexidade. Mais riqueza e mais pobreza.   

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Autoimagem e redes sociais: aquilo que não se vê

 

Por Simone Domingues
@simonedominguespsicologa

 

NascVénus

Reprodução do quadro “O Nascimento de Vênus”

 

O Nascimento de Vênus, pintura de Sandro Botticelli, criada entre 1482 e 1485, é uma das inúmeras formas de representação artística que procuram reproduzir Vênus, deusa da mitologia romana associada à beleza. Mais de 500 anos se passaram desde aquela pintura até o surgimento da Internet, a qual facilitou a conexão de pessoas, especialmente através das redes sociais.

 

O que ambas têm em comum?
A exposição de padrões idealizados.

 

A globalização e o avanço das tecnologias favoreceram a divulgação das informações em tempo real, possibilitando novas formas de se relacionar, trabalhar e viver em sociedade. As mídias sociais, além de modificarem as interações entre pessoas, se tornaram fontes de respostas para questões da vida cotidiana.

 

Muitas das informações divulgadas envolvem padrões de beleza, busca pelo corpo ideal e estilo de vida. Embora as telas permitam a aproximação de pessoas distantes, escondem em si que exposições virtuais de vidas interessantes, beleza e felicidade mais correspondem a realidades editadas, amparadas no desejo de aceitação e aprovação.

 

Se antigamente era a proximidade física, o olho no olho, que permitia a compreensão da imagem que o outro tinha de nós, hoje essa aceitação é mediada pelas redes sociais, validada através das curtidas e comentários obtidos nas postagens. Receber um elogio pode ser gratificante. Porém, a preocupação excessiva com a autoimagem ou aparência e a busca constante pela aprovação alheia, podem conduzir a sentimentos de frustração, ansiedade e decepção, tendo em vista a idealização de padrões inatingíveis, vinculados a modelos de perfeição.

 

Dias atrás, lancei um desafio para uma paciente que apresentava pensamentos negativos sobre si, após navegar pelas fotos postadas em uma rede social: fazer uma busca nas mídias sociais e encontrar perfis que revelassem correções digitais de imagem, modificando as fotos e transformando-as em imagens perfeitas. Um dos perfis encontrados foi o de Danae Mercer, uma influenciadora fitness que após sofrer com distúrbios alimentares resolveu mostrar o que estava por trás das suas fotos de “corpo perfeito”, revelando o uso de aplicativos de edição, além da escolha de ângulos certos e iluminação adequada.

 

Na tentativa de tornar a vida uma obra de arte, capaz de ser apreciada pelos outros, corremos o risco de esquecer aquilo que disse Antoine de Saint-Exupèry: “o essencial é invisível aos olhos”.

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Sua Marca: aproveite a experiência do seu cliente para ganhar exposição nas redes sociais

 

 

“O valor está na capacidade de compartilhar uma experiência” — Cecília Russo

Um restaurante de bairro em São Paulo publicou vídeo com uma receita especial da casa e alcançou mais de 1 milhão de visualizações no You Tube. Esse exemplo inspirou o Sua Marca Vai Ser um Sucesso a falar sobre a importância de se usar bem as redes sociais.
 

 

Para Cecília Russo e Jaime Troiano essa é uma tremenda oportunidade para fortalecer a marca de um negócio ou serviço, porém é preciso cuidado no momento de se expor para não cair no lugar comum e saber aproveitar todo o potencial das redes.
 

 

Alguns restaurantes tem feito muito bem esse trabalho aproveitando a publicidade expontânea gerada pelos usuários com vídeos e fotos publicadas especialmente no Instagram. Cecília disse que algumas casas já estão incluindo a marca do restaurante no prato ou no jogo americano para que está exposição seja maior.
 

 

“A opinião ou testemunho de um cliente é muito mais crível do que a voz do fabricante e do dono da marca”, lembra Jaime Troiano.

O espetáculo não pode parar?

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

  

 

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Tales Cotta em desfile na SPFW foto: Instagram

  

 

Há 25 anos, Ayrton Senna abandonava a corrida em Imola para falecer no hospital. A corrida não foi interrompida, afinal a F1 é o espetáculo em que a convivência com a morte é real. E a morte não foi espetacularizada. A espetacularização veio pelo carisma internacional de Senna e pela paixão nacional que despertava no Brasil. Foi natural. Um fenômeno de popularidade.

  

 

Há 5 dias, na passarela da SPFW, o modelo Tales Cotta saiu do desfile da OCKSA após ter caído na passarela para o hospital. A direção da marca continuou a apresentação, sem alarde. A seguir, às 18h50, veio a informação à direção do SPFW que Cotta tinha falecido, às 18h40m.

  

 

Paulo Borges, diretor da SPFW, evitando a espetacularização da morte do modelo tomou a decisão de continuar com o evento. E decisão tomada após consulta com as pessoas envolvidas nas duas marcas que deveriam seguir com o espetáculo. Entretanto, a espetacularização começou pelas mídias sociais em seu ritmo característico:

“Via o evento fora do mundo tóxico da moda, mas era ilusão”
 

 

“Chega a ser macabro, desfilando no mesmo espaço do morto”
 

 

“Dinheiro e aparência é mais importante que uma vida”

O auge coube ao cantor Rico Dalasam que contratado para atuar no desfile da CAVALERA, o último desta edição do SPFW, exaltado, disse:

“Não era para ninguém estar aqui. O garoto acabou de morrer e vocês estão aqui como se a vida não valesse nada. Enquanto os vivos não lamentarem a morte dos negros, dos brancos e da humanidade das pessoas, a agonia vai estar no travesseiro de todo mundo agonia no travesseiro de todo mundo”

O contraponto veio da mãe do modelo, Heloísa Cotta.
 

 

Paulo Borges, em sua mensagem pela internet, destacou a compreensão e o apoio da mãe de Cotta na relação que mantiveram durante os momentos difíceis que vivenciaram — o que pode ser constatado no Instagram em que a OCKSA se desculpa por ter continuado o desfile e a mãe deixou registrado o seu pensamento:
 

 

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Os desfiles de moda que servem como centros de evolução da moda têm alguma similaridade com a F1 que é um contribuinte para a evolução do automóvel.
 

 

Assim como na F1, que progride na segurança dos pilotos estudando inclusive os acidentes, a MODA precisa tomar esse episódio de Cotta e checar as condições físicas e emocionais dos modelos, cuja atuação exige muito equilíbrio pela carga de exposição e emoção.
 

 

Em resposta a enorme quantidade de críticas contra a MODA, ressalto que a MODA é um raro produto que não corre risco de extinção. As funções psicológicas, sociais e econômicas não podem ser ignoradas. Os players de sucesso são, por obrigação do mercado, pessoas que se preocupam com as pessoas.
 

 

Paulo Borges em sua explanação reafirmou com categoria esta convicção:

”Estou na MODA pelas pessoas e não pelas ROUPAS”

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Uma proposta para tornar o debate público mais humanizado

 

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Foto: Pixabay

 

“Em casa onde falta pão, todos gritam e ninguém tem razão”. Mais vivo do que nunca, o dito popular traduz parte da verdade que assistimos na sociedade brasileira, expressa de forma histérica nas redes sociais —- e não apenas nas redes sociais.

 

Nesta semana, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, em conferência realizada em Salt Lake City, comentou sobre os efeitos perversos que comentários em redes sociais podem provocar nas pessoas — especialmente na forma como essas mídias estão moldando as crianças.

 

Obama diz não ler as reações às falas dele nos meios de comunicação tradicionais ou nas redes sociais, porque entende que foram planejadas para alimentar a ansiedade (“designed to feed possible anxiety”). E ao tratar do tema, fez questão de ressaltar que sua posição não se relaciona apenas a comentários tóxicos: os elogios podem fazer as pessoas pensarem que estão fazendo tudo certo, quando talvez não estejam.

 

Entendo que Obama se refira a arquitetura digital que tende a retroalimentar determinados comportamentos concentrando pessoas de grupos com o mesmo viés em torno de seus perfis — e privilegiando a opinião dos mais expressivos nas redes, não necessariamente da opinião pública.

 

 

TED@BCG - October 3, 2018 at Princess of Wales Theatre, Toronto, Ontario, Canada

 

Ao mesmo tempo, deparo com a fala de Julia Dhar, especialista em debate público, em apresentação no TED Talks, que já tem mais de 2 milhões de visualizações. Ela nos oferece pontos importantes para a reflexão, em tempos de intensa discussão, quando todos gritam e ninguém tem razão — como nos lembra o ditado popular que abre este post.

 

Apresenta em sua fala e se dedica a desenvolver em sua atividade profissional, a ideia de transformar o bate-boca em bate-papo, sem que percamos a noção de que estamos diante de um debate de ideias.

 

Defende argumentos e contra-argumentos. Avanços e recuos. Aceitação e oposição. É uma admiradora das discussões, desde que produtivas —- o que somente será possível se algumas técnicas forem aplicadas e mudanças de comportamento, aceitos.

 

Para não cairmos na armadilha que as discussões acaloradas e, muitas vezes, sem qualquer respeito ao contraditório nos proporcionam —- levando muitas pessoas a preferirem o silêncio —, Julian Dhar convida o cidadão a seguir regras aparentemente simples.

 

Sugere primeiro que se crie uma realidade compartilhada, que significa encontrar pontos em comuns, mesmo que mínimos. É preciso “envolvimento com a ideia oposta, de modo direto e respeitoso”. Isso exige que saibamos ouvir a voz de quem argumenta de forma contrária, de quem não pensa como eu. Segundo a pesquisadora Juliana Schroeder, da Universidade Berkeley, esse exercício humaniza as pessoas: facilita o envolvimento com o que pessoa tem a dizer.

 

Em seguida, Julian Dhar pede que se separe a ideia em discussão da identidade do interlocutor: “atacar a identidade da pessoa que argumenta é irrelevante, porque não foi escolha dela”. Sugere que se lide com a melhor visão da ideia, mais clara e menos pessoal.

 

Finalmente, alerta que nos apegamos às nossas ideias de maneira a acreditar que são realmente nossas e que, por extensão, somos delas. Ou seja, ao aceitarmos que somos proprietários daquela ideia também nos transformamos em propriedade dela e, assim, fica muito mais difícil nos desapegarmos. Para não sermos reféns dessa situação, Julian Dhar sugere que sejamos capazes de desenvolver o que chama de “humildade da incerteza” ou a possibilidade de estarmos errados: “é essa humildade que nos faz tomar decisões melhores”.

 

Em resumo:

  1. Crie uma realidade compartilhada — concorde com algo

  2. Separe as ideias da identidade

  3. Abrace a humildade da incerteza

 

Segundo Julian Dhar, os princípios do debate podem transformar a maneira como falamos uns com os outros; nos levar a parar de falar e começar a ouvir; parar de rejeitar e começar a persuadir; parar de nos fechar e começar a abrir nossa mente.

 

Ela propõe que ao mediarmos debates ou entrevistas façamos a seguinte pergunta: “sobre o que você mudou de ideia e por quê?”.  Antes de levarmos à frente essa proposta, quem sabe não está mais do que na hora de perguntarmos a nós mesmos: “sobre o que eu mudei de ideia e por quê?”.

 

Se jamais mudei, eis aí um problema a ser resolvido.

No ar, ética e cidadania; nos bastidores, o descontrole no uso das redes sociais e da tecnologia

 

 

 

 

O livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” me levou a ser entrevistado pela jornalista Thais Herédia, no programa “É pessoal”, do canal de You Tube “My News”. A gravação foi ao ar sexta-feira, dia 7 de dezembro, e tudo que penso sobre como devemos assumir a educação de nossos filhos na plenitude você pode conferir no vídeo acima e está disponível na internet.

 

 

O que não está gravado, porém, quero contar parcialmente neste post.

 

 

Antes de iniciarmos o programa, no estúdio de TV da B3, centro de São Paulo, conversei com Thais, respeitada jornalista de economia, sobre pai, mãe e filhos. Ela compartilhou algumas das experiências que têm em família e fiquei muito impressionado com a maneira como consegue conter os impulsos provocados pela alta tecnologia à disposição.

 

 

Claro que não contarei detalhes, pois não pedi autorização para revelar os cuidados que ela tem em relação aos filhos. E se ela quiser contar suas experiências, tem muito mais autoridade do que eu para tal. Porém, nosso bate papo antes do programa, me levou a pensar se eu não deveria ter tido um maior controle em relação ao uso dos equipamentos eletrônicos pelos guris aqui em casa. Mais: se nós pais ainda conseguimos ter algum controle em relação a este tema. Aliás, somos capazes de nos controlar diante das tentações tecnológicas?

 

 

Nossa conversa me remeteu a provocação feita por Ana Paula Carvalho, primeira psiquiatra brasileira certificada pela International Board of Lifestyle Medicine, que tem se dedicado, entre outros temas, a falar sobre a importância das relações em tempos de hiperconectividade. Ela defende o uso comedido das redes sociais e da tecnologia pois entende ser tênue a linha entre ônus e bônus desta relação:

 

 

“A internet – especialmente redes sociais e aplicativos de comunicação – proporcionou reencontrar pessoas que fizeram parte de nosso passado: amigos de escola, colegas de faculdade, vizinhos antigos…mas o quanto estar conectado por meio do computador ou do celular significa estar conectado com aquela pessoa?”

 

 

Ela própria responde:

 

 

“É extremamente benéfico usar as redes sociais para reencontrar amigos que se afastaram pelo tempo ou distância, desde que as pessoas transponham essa conexão para a realidade. Amizades virtuais não equivalem às reais; a troca não é a mesma. Uma pessoa que passa seus dias se relacionando com os outros por meio de smartphones ou tablets não deixa de estar em isolamento social, principalmente se desmarca programas com amigos em virtude de jogos eletrônicos ou interações pela internet”

 

 

 

 

Estudos comprovaram que o isolamento social é tão ou mais nocivo ao organismo quanto a obesidade e pode desencadear doenças físicas e psiquiátricas, como problemas cardíacos e depressão:

 

 

“O ser humano não foi programado para ficar sozinho. Precisamos uns dos outros e quando me refiro à companhia, é aquela real, olho no olho”

 

 

Não escondo minha paixão pela tecnologia, mas a reflexão sobre o uso dela é fundamental. No livro “É proibido calar!” abordo esta questão em vários momentos. Em um deles, lembro que o desenvolvimento tecnológico e a velocidade dos processos influenciam a disposição dos profissionais:

 

 

“Somos muito mais Charlie Chaplin em Tempos modernos,
despendendo tempo para a máquina, do que Santos Dumont na criação do avião, ganhando tempo com a máquina.
É uma distorção”.

 

 

Aproveito tudo isso para perguntar: qual foi a última vez que você jantou com seus filhos e deixou o celular dentro da bolsa? Quando foi conversar com um amigo e esqueceu de conferir as mensagens do WhatsApp?

 

 

Ana Paula Carvalho alerta que esse comportamento tem sérios reflexos sobre nossa qualidade de vida.

 

 

Pense nisso enquanto confere a entrevista ao programa “É pessoal”.