Por Maria Lucia Solla

Todos passamos por refinamento voluntário e involuntário, continuamente. Enfrentamos oportunidades para dar uma polida aqui, uma lixadinha ali, para queimar isto, esfriar aquilo, e vamos nos transformando e transformando tudo, todos e cada um, em volta ou não. Efeito inevitável.
Tendo em mente que refinamento não depende de grife, do número de milhas viajadas nem do valor do extrato bancário, refinamento é evolução, e evolução não existe sem movimento, que é alicerce na evolução física, emocional, mental e espiritual. Quanto mais harmônica e abrangente a evolução dos nossos corpos, maior o refinamento.
ser
nascer
estar
aceitar
agir
evoluir
Bem-estar é termômetro. Se tem dor, mudança de posição pode não ser a solução, mas é bom começo.
bem-estar
não é
fazer bonito
bem-estar
é
sentir bonito
no barco em que estamos tem quem quer pular fora
depois de ter esperado na fila
pela
oportunidade da vida
tem quem entrou mais uma vez na fila
torcendo para ser chamado de volta
a ela
e tem quem não tem a mínima ideia do que está fazendo aqui
na vida
Incoerência humana.
A Regência da vida nos orquestra movimentos e enredos da Música. Vivace, cantabile, animato (com alma), dolce. Como as ondas do mar.
O caminho nunca é só bom ou só ruim. Vamos de um movimento a outro um punhado de vezes durante um único dia, por vezes numa fração de segundo. Bom/ruim é um binômio complementar peralta, que adora gangorra. Por isso, nossa vida não é um projeto; é a realização de um projeto por dia, a cada passo, a cada batida do coração.
Isso é evolução, que na voz de Mario Quintana fica mais bonito:
‘Só as crianças e os velhos conhecem a volúpia de viver dia-a-dia, hora a hora, e suas esperas e desejos nunca se estendem além de cinco minutos.’
Penso que evoluir para refinar é deixar que a vida flua, e fluir com ela num carrossel de emoções. É aceitar a realidade como pano de fundo do espetáculo infinito do viver.
Evoluir é movimentar-se em muitas direções buscando a construção do círculo refinado perfeito, mas evoluir é verbo intransitivo. A gente simplesmente evolui. Sem objeto direto nem indireto.
Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung