ILPIsmo: o preconceito que distancia as instituições da comunidade

Por Ciro Férrer Herbster Albuquerque

Senhoridade

Imagem produzida em IA

Nem todo preconceito tem um nome conhecido. O que atinge as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) já tem: ILPIsmo. Mais do que um estigma, ele influencia decisões familiares, dificulta a formulação de políticas públicas e contribui para o isolamento social de quem necessita de cuidados continuados.

O conceito foi criado pela médica geriatra Karla Giacomin e se refere ao preconceito dirigido às ILPIs e às pessoas que nelas vivem. Essa percepção faz com que a institucionalização seja frequentemente interpretada como um “fracasso familiar”, despertando sentimentos de culpa entre parentes que optam por essa modalidade de cuidado.

O envelhecimento da população brasileira amplia a demanda por cuidados de longa duração e coloca em evidência o papel das Instituições de Longa Permanência para Idosos. Definidas como serviços de natureza residencial, elas destinam-se a pessoas idosas que necessitam de cuidados continuados, temporários ou permanentes, oferecendo moradia, proteção social e assistência.

Apesar disso, essas instituições continuam marcadas por um imaginário social construído em torno dos antigos asilos, historicamente associados à pobreza, ao abandono e à negligência.

Não por acaso, a busca por uma ILPI costuma ocorrer apenas quando o cuidado no domicílio já chegou ao limite. Soma-se a isso a ideia, ainda difundida, de que a mudança para uma instituição representa, inevitavelmente, o rompimento dos vínculos familiares e comunitários.

Essa percepção ignora uma transformação demográfica importante. A redução progressiva da disponibilidade de cuidadores familiares fará com que a demanda por cuidados de longa duração aumente de forma expressiva nas próximas décadas. Diante desse cenário, cabe ao Estado e à iniciativa privada ampliar e qualificar a oferta de serviços capazes de atender a essa realidade.

O Manifesto pelo Fortalecimento do Cuidado Integrado, elaborado pela Associação Cuidadosa em conjunto com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, destaca que o ILPIsmo está intimamente relacionado ao idadismo e acaba sendo reforçado quando episódios de violência ou negligência recebem mais visibilidade do que experiências bem-sucedidas de cuidado.

Como explica Albuquerque (2026), “o conceito de idadismo, introduzido em 1969 pelo gerontólogo Robert Butler, descreve a discriminação, o preconceito ou os estereótipos baseados na idade, especialmente contra as pessoas idosas”.

Esse estigma produz efeitos que vão muito além da imagem das instituições. Ele influencia a formulação de políticas públicas, dificulta investimentos e, muitas vezes, legitima práticas que restringem direitos em nome da proteção.

O cuidado pressupõe prevenir riscos. Isso, porém, não deve significar limitar a liberdade, as escolhas cotidianas ou a participação social. Quando a segurança se sobrepõe indiscriminadamente à autonomia, o cuidado corre o risco de se transformar em tutela.

Outro aspecto frequentemente negligenciado é o afastamento entre a pessoa institucionalizada e a vida da cidade. Ao ingressar em uma ILPI, muitos residentes reduzem seu contato com o bairro, os espaços públicos, os equipamentos culturais e até mesmo com relações construídas ao longo da vida. Essa ruptura favorece o isolamento social e a sensação de solidão, condições associadas ao aumento do risco de depressão, ansiedade, declínio cognitivo e demência. Além de reduzir as interações sociais, ela enfraquece o sentimento de pertencimento ao bairro, à cidade e ao território onde essas pessoas continuam vivendo.

Essa realidade vem sendo questionada por diferentes iniciativas nacionais e internacionais. Ao promover o programa Cidades e Comunidades Amigas da Pessoa Idosa e a Década do Envelhecimento Saudável (2021–2030), a Organização Mundial da Saúde defende que os cuidados de longa duração sejam organizados de forma integrada à comunidade, preservando vínculos sociais e oportunidades de participação.

No Brasil, o Manifesto pelo Fortalecimento do Cuidado Integrado propõe uma mudança semelhante ao defender instituições mais abertas às famílias, à comunidade e às relações intergeracionais. O documento também sugere a adoção da expressão Unidades Residenciais de Cuidados, ressaltando seu caráter de moradia e sua inserção na rede de cuidados da cidade.

Diversas experiências demonstram que essa aproximação é possível. Projetos que estimulam a circulação dos moradores pelo território, promovem atividades culturais, incentivam o voluntariado e ampliam o convívio entre diferentes gerações mostram que a institucionalização não precisa representar uma ruptura com a vida comunitária.

O Pedalando sem Idade é um programa de voluntariado inspirado no movimento internacional Cycling Without Age, que usa triciclos adaptados para oferecer passeios a pessoas idosas, especialmente às institucionalizadas. No Rio de Janeiro, a iniciativa coordenada por Clélia Maria de Andrade permite aos residentes voltar a percorrer espaços públicos, revisitar paisagens da cidade e estabelecer novas interações com a população.

No Japão, o Restaurant of Order Mistakes é uma iniciativa social em que pessoas com demência atuam como garçons. A proposta parte da possibilidade de o cliente receber um prato diferente daquele que pediu, transformando o erro em um convite à empatia e à compreensão. Idealizado pelo jornalista Shiro Oguni durante uma campanha de conscientização sobre a doença de Alzheimer, o projeto busca desconstruir o estigma associado à demência ao demonstrar que o comprometimento cognitivo não impede a participação ativa na vida em comunidade.

Superar o ILPIsmo implica reconhecer que a necessidade de cuidados continuados não elimina o direito à convivência, à participação e ao exercício da cidadania. As ILPIs devem ser compreendidas como lugares de moradia, onde cuidado e proteção caminham lado a lado com a autonomia possível, o respeito às escolhas individuais e a manutenção dos vínculos sociais.

Afinal, viver em uma residência coletiva não significa deixar de pertencer à cidade. Significa continuar fazendo parte dela, sob novas condições de cuidado.

Ciro Férrer Herbster Albuquerque é mestre em Arquitetura, Urbanismo e Design pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e coordenador da Comissão de Normatização, Fiscalização e Cadastro do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa de Fortaleza (CE).

Small Luxury Hotels of the World lança residências privativas

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Turistas de alto poder aquisitivo ao redor do mundo cada vez mais buscam algo que vai muito além de hotéis elegantes ou destinos urbanos. Desejam viver experiências memoráveis e inusitadas, capazes de atender não apenas às suas necessidades particulares, mas também aos seus sonhos. A privacidade e a intimidade são itens cada vez mais valorizados por esses consumidores tão exigentes. Seguindo essa tendência, a Small Luxury Hotels of the World (SLH), rede que reúne exclusivos hotéis de luxo em mais de 80 países, criou agora o Private Residences by SLH: residências que oferecem aos clientes o serviço personalizado de um pequeno hotel de luxo com o espaço privado de “villas”, chalés em destinos de esqui, propriedades diversas e iates, tudo selecionado rigorosamente, com opções que variam de tamanho. Há casas com dez quartos, por exemplo, perfeitas para grupos de amigos ou familiares que buscam passar férias ou comemorar algo especial. Os destinos são muitos, como Mykonos, Bali, Filipinas, Maldivas e outros.

 

Além de incontestável privacidade, essas residências oferecem estrutura que inclui facilidades e serviços cinco-estrelas: a sensação do luxo de ser hóspede em sua própria casa. Afinal, são casas reservadas por completo, ou seja, cada propriedade será habitada exclusivamente pelos clientes que fizerem a reserva. O tempo também tem valor importante, uma vez que hoje muitos consumidores tem poder de compra, mas não têm tempo de usufruir e, em viagens assim, há uma liberdade e flexibilidade maiores, uma vez que o cliente decide a hora de seu spa, por exemplo, diferentemente de um hotel de luxo, onde alguns serviços têm períodos de funcionamento.

 

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A palavra-chave para atender esses clientes é customização. Cada um tem necessidades e gostos peculiares e busca algo feito sob medida, diferentemente de pacotes ou roteiros prontos. O viajante de luxo hoje almeja o produto “feito para ele”, para as suas necessidades e desejos específicos, sempre com segurança, privacidade e conforto.

 

E você, já escolheu o seu próximo destino?

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Absurdo: vereador quer comércio em área exclusivamente residencial

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

 

As ZERs Zonas exclusivamente residenciais, representadas por 55 entidades de moradores, tem se manifestado pela manutenção destas áreas estritamente como moradia. Por isso mesmo, foi com rejeição que verificaram emenda do vereador Ricardo Nunes do PMDB propondo comércio e serviços nestas regiões. Em função disso, um dos diretores do Defenda São Paulo, o administrador e músico Sergio Reze, nos procurou para contestar a ação do vereador, principalmente em relação à justificativa apresentada na emenda, quando o “nobre” legislador coloca:

 

“A apresentação dessa emenda pretende que o PDE Plano de Desenvolvimento Estratégico da cidade esteja em total acordo com a realidade de nossa metrópole mista, compacta e necessitada de pequenos comércios e serviços que melhorem a qualidade de vida dos moradores”.

 

Sergio Reze e todos os demais moradores das 55 entidades gostariam de saber de onde o “ilustre” vereador tirou esta afirmativa. Nos últimos dois meses, as 55 entidades de moradores apresentaram claramente manifestos, diretamente às autoridades municipais e publicamente defendendo a preservação destas áreas, bem como justificando as vantagens para a cidade como um todo. Ao mesmo tempo, Sergio Reze também informa ao “ilustre” vereador, que já existem nas áreas lindeiras às ZERs comércio e serviços. Outro ponto que os moradores gostariam sempre de lembrar, e neste caso especificamente ao legislador peemedebista, é que seria melhor se preocupar com os 96% do município, pois os bairros verdes ocupam apenas 3,94% da cidade.

 

Na verdade, preocupação mesmo deverá estar na pauta de hoje para os moradores preservacionistas, pois haverá audiência na Câmara Municipal para analisar mais de 400 emendas ao PDE.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.