Avalanche Tricolor: respeito é bom e eu gosto

 

Corinthians 0x0 Grêmio
Brasileiro — Arena Itaquera

 

Gremio x Corinthians

Everton em mais uma arrancada, em foto de LUCASUEBEL/GREMIOSFBPA

 

O Grêmio e Corinthians mais importante da minha vida foi em 2001. Fomos campeões da Copa do Brasil. E antes que você pense que exagero, levando em consideração que as duas equipes já se enfrentaram em outras grandes decisões, preciso lembrar que na partida final, disputada no estádio do Morumbi, apresentava-me ao público na versão narrador de futebol.

 

Sim, já narrei jogos de futebol —- e de tênis, também —- em uma experiência que vivenciei na Rede TV!, nos anos de 2000 e 2001. Foi uma oportunidade incrível, proporcionada pelo colega e amigo Juca Kfouri — agradeço a ele até hoje essa chance, lamento apenas não ter sido capaz de retribuir tudo que ele merece. Juca me convidou para transmitir partidas de futebol, na época em que a emissora estava começando.

 

O convite foi resultado de conversas que já havíamos tido sobre modelos de transmissão de jogos pela TV, das quais meu pai também chegou a participar. Acreditávamos na ideia de que o narrador deveria ter uma interferência menor no espetáculo já bastante valorizado pela qualidade tecnológica à disposição e a quantidade de imagens disponíveis. Podemos falar sobre isso em outra oportunidade se assim você pedir, caro e raro leitor desta Avalanche.

 

Vamos ao que interessa —- ao menos ao que me interessa agora: imagine que desde pequeno assistia a meu pai narrar jogos no rádio e na TV; arriscava alguns gritos de gol ao lado da mesa de botão, no quarto de casa; e de repente passo a ter a chance de narrar partidas, ao vivo, pela TV, como gente grande. Era um sonho de criança se realizando.

 

Para esse sonho ficar ainda mais maravilhoso, depois de narrar partidas pela Champions League e Campeonato Paulista — além de uma final de Grande Slam, no Torneio de Wimbledon —-, a Rede TV! teve o direito de transmitir a Copa do Brasil de 2001. E exatamente naquele ano, a equipe, então treinada por Tite, chegou à final contra o Corinthians.

 

O primeiro jogo foi em Porto Alegre e empatamos em 2 a 2. A disputa do título seria em São Paulo, diante da torcida adversária que lotava o Morumbi e tendo o adversário como favorito —- era o que diziam os críticos da crônica esportiva. Escalado para narrar o jogo, tive de controlar a ansiedade e a torcida pelo Grêmio, em respeito ao telespectador.

 

Aos poucos, porém, o Grêmio dominou a partida. Terminou o primeiro tempo na frente e quando mal se iniciava o segundo já ampliava a vantagem. Fechou a conquista do título com um 3×1 que calou o estádio e levou este locutor ao delírio —- possível de se identificar no grito desafinado de alguns gols gremistas.

 

Aquele foi sem dúvida o Grêmio x Corinthians mais importante da vida —- não bastasse ter sido a última partida de futebol que narrei.

 

Independentemente dos fatos relacionados à minha carreira —- de profissional e de torcedor —-, a verdade é que os dois times já protagonizaram momentos memoráveis no futebol brasileiro. Com vitórias de um lado, vitórias de outro e muitos empates, semelhantes ao desta noite, em Itaquera.

 

Tenho a impressão de que existe entre os dois times um respeito mútuo que os faz comemorar quando saem de campo sem serem derrotados, estejam jogando em casa ou não. Respeito, aliás, foi a palavra usada por um dos jogadores corintianos ouvidos pela TV ao fim da partida. Revelou que o importante era não ter tomado gol e conseguido somar ao menos um ponto contra um adversário do tamanho do Grêmio.

 

Sempre bom saber o quanto nossas conquistas e nossa dimensão são respeitadas pelos adversários.

 

Melhor se conseguíssemos transformar esse excesso de respeito deles em vitórias para nós, mas sair de Itaquera com um ponto ganho não é ruim, não — mesmo com a insistência de alguns em lembrar que já estamos na quarta rodada e ainda não vencemos um só jogo neste Campeonato Brasileiro. A esses — entre os quais alguns dos nossos torcedores que se expressam nas redes sociais —, quero apenas fazer um pedido: respeitem a nossa história, parem de fazer projeções desesperadas e se lembrem que até um mês atrás muitos de vocês estavam apostando que estaríamos fora da Libertadores.

 

Às vezes, tenho a impressão de que a turma não aprende a lição. Respeitem, apenas respeitem. 

Sua Marca: o que você deve aprender com as marcas mais valiosas do mundo

 

 

 

As características que colocam grandes empresas entre as marcas mais valiosas do mundo estão ao alcance de pequenos e médios empreendedores, também.

 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo basearam-se nos critérios usados para a formação do ranking “Best Global Brands”, realizado pela consultoria InterBrand, para identificar as lições que todos os gestores de marca podem implantar em seus negócios.

 

Vamos começar por entender os três critérios da Interbrand para chegar ao valor das marcas:

 

1. Performance financeira;
2. O quanto é importante para a tomada de decisão do cliente;
3. Força da marca para criar fidelidade

 

Com isso, as cinco marcas mais valiosas do mundo, em 2018, foram:

 

1. Apple
2. Google
3. Amazon
4. Microsoft
5. Coca Cola

 

E o que aprender com essa empresas? Jaime Troiano e Cecília Russo destacam cinco lições:

 

1. Consistência
2. Inovação
3. Comunicação
4. Produto ou serviço de qualidade
5. Respeito ao cliente

 

Ser consiste e ao mesmo tempo ser inovador pode parecer um contra-senso, mas não são, explica Jaime Troiano:

 

“As marcas devem ter compromissos com as origens e preservar o essencial na busca do novo”

 

Quanto a comunicação, Cecília Russo lembra que marcas fores são as que trazem mensagens contínuas e usam todos os canais disponíveis para isso:

 

“Não dá para ser uma marca calada”

 

É preciso entender, ainda, que marcas fortes não resistem a produtos ou serviços medíocres nem a desrespeito ao cliente seja na entrega, na forma de se relacionar, no pós-venda e, inclusive, na solução a possíveis problemas que surjam.

 

Levados em consideração todos esses aspectos, o pequeno e médio empreendedor vai provocar nos consumidores e clientes o sentimento que move o valor de todas as grandes marcas: a confiança.

Tudo é uma questão de respeito

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

74b30a1b-738f-492d-9cc5-bb1914307794

 

Nos anos recentes, ao escancarar os problemas éticos e morais que a nação brasileira vivencia, os meios de comunicação convencionais e as mídias sociais têm apresentado as mais variadas sugestões para a melhoria do Brasil.

 

Recentemente, a Rede Globo iniciou a campanha para que todos gravem seus desejos de mudança para publicação. Enquanto o Estadão lançou o projeto “A Reconstrução do Brasil – Contagem Regressiva 2018”.

 

Estou convicto que a atitude ausente em toda a crise que vivemos é o respeito.

 

O texto “Os barulhos urbanos e o silêncio do sabiá” publicado neste Blog enseja comprovar esta ausência por parte dos emissores dos barulhos descritos por Milton Jung.

 

O vizinho que põe o rádio alto, outro que grita com as crianças, a escola que chama pais por alto-falantes, o jovem que estaciona o carro de madrugada para ouvir música alta, as caçambas madrugadoras, as obras de vizinhos que não tem hora adequada, as sirenes estridentes e a serra elétrica. Isto tudo é tudo falta de respeito.

 

Portanto, em caso de barulho, impor respeito é imperativo e compor respeito é factível.

 

Há obstáculos de legislação e execução no caso de transgressão e de cultura no caso de educação social. Mas com leis mais claras e socialização mais evoluída poderemos alcançar progressos.

 

Entretanto, nas elites de poder político, executivo e judiciário, onde há falta de respeito e neste caso é gravíssima pois é falta de respeito com a Nação, a correção necessária será através da substituição das pessoas. O instrumento é o voto.

 

Mãos à obra!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

 
 
 

Se o esporte é o espetáculo, não pode ser submetido ao espetáculo

 

 

 
Por Carlos Magno Gibrail

 

 

arena-barueri-alagada-no-jogo-entre-sao-paulo-e-inter-pela-copinha-1516662563136_615x300

reprodução de imagem do SporTV

 

 

Na semifinal da Copa São Paulo de Futebol Júnior, segunda-feira, em Barueri – região metropolitana, o futebol foi ignorado pelo árbitro Thiago Luis Scarati, ao dar inicio do segundo tempo da partida entre São Paulo e Internacional, num campo cujo piso estava totalmente alagado e recebendo enorme quantidade de raios nas proximidades.

 

 

A assustadora imagem de uma imensa poça de água protagonizada por um festival de raios e trovões não foi suficiente para Scarati absorver um mínimo de equilíbrio mental e paralisar a partida, que jamais deveria ter sido reiniciada.

 

 

Só mesmo a força da natureza, embalada em um raio que caiu nas proximidades dos jogadores, fazendo com que vários atletas sentissem nos pés a alteração gerada e um repórter da Globo tivesse seu corpo absorvido parte da descarga, fez com que Thiago Luis paralisasse o jogo.

 

 

O futebol e os demais esportes que se profissionalizaram têm se curvado ao capital que os mantém. Entretanto, é hora de proteger os atletas, também valiosos e valorizados pelo mesmo capital.

 

 

A melhor forma deverá ser a criação de normas de condições mínimas para a prática de cada modalidade. E, neste caso, o futebol está atrás de vários outros esportes que já possuem limites. É evidente que deixar a critério de uma única pessoa, que no caso do futebol nem é profissionalizada, não funciona e estaremos correndo riscos como o de Barueri.

 

 

A grande desvantagem do futebol no contexto geral dos esportes é que os jogadores são a parte de menor poder em todo o sistema. Os atletas por várias vezes tentaram um espaço mais participativo, mas pelas ameaças de clubes e federações nunca lograram sucesso.

 

 

Os recentes astros aposentados poderiam abraçar esta missão, principalmente os que tiveram maior notabilidade na carreira e aptidão de comunicação.

 

 

De pé de obra à mão de obra com microfone na mão.

 

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Atendimento a clientes por telefone: o luxo ainda não chegou aqui

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Telefonar para central de atendimento a clientes. Quem não se arrepia de ter que fazer isso muitas vezes? Seja para tirar dúvidas, solicitar segunda via de fatura de cartão de crédito ou reparos na sua TV a cabo, a tarefa sempre exige tempo e paciência do cliente. Se a necessidade for cancelar um produto ou serviço então… prepare-se para no mínimo meia hora de espera e ainda ter de ouvir todos os argumentos de benefícios que você muitas vezes já conhece, mas mesmo assim deseja o cancelamento do produto.

 

Empresas de telefonia, bancos e administradoras de cartões de crédito são campeãs de reclamações. Uma das principais queixas dos clientes na verdade nem é a solicitação ou a reclamação em si, que a princípio seria o propósito da chamada. O que mais irrita os consumidores é a famosa frase “vou transferir sua ligação para o setor responsável”. E quando o segundo funcionário lhe atende, você informa novamente TODOS os seus dados, e tem que repetir a solicitação a ele. Em muitos casos, este segundo atendente verifica que a chamada foi transferida para o setor indevido, e novamente vai o cliente se explicar a um terceiro. Neste processo todo, o cliente perde tempo, se irrita, e muitas vezes desiste. Mas, onde fica a imagem da empresa? Para o cliente, a imagem ficou extremamente negativa, o que vai provocar com que ele compartilhe toda sua ira sobre esta empresa com seus contatos, principalmente nas redes sociais. Afinal, a cultura estabelecida pelos consumidores, clientes, investidores, e pela sociedade é a imagem ou a percepção da marca.

 

As empresas investem em tecnologia, centrais de atendimento modernas e equipadas. Mas a questão é: por que este tipo de serviço no Brasil ainda é tão ruim? A verdade é que as empresas não investem em pessoas. Esquecem de treiná-las, capacitá-las e motivá-las para a função. Callcenters são repletos de funcionários em geral mal remunerados, muitos deles terceirizados e, é nítido durante a ligação, que não querem atender ao cliente. Muitas vezes são solicitações simples, que o cliente percebe que o atendente desconhece o produto, algo que um treinamento teria um peso importante para ao menos reduzir os problemas de conhecimento do produto e de comportamento.

 

O departamento de Recursos Humanos de algumas empresas ainda está longe se ser estratégico, o que é lastimável. Em um ambiente empresarial mutável, global e tecnologicamente exigente, obter e reter talentos são as “armas” no campo de batalha competitivo. As organizações empresariais no futuro competirão agressivamente pelos melhores talentos. Na verdade, hoje elas já competem. As empresas bem-sucedidas serão aquelas mais experientes em atrair, desenvolver e reter seus talentos com habilidades, perspectiva e experiência suficientes para conduzir um negócio global e atingir a satisfação de seus clientes.

 

Infelizmente, o atendimento a clientes por telefone no Brasil ainda é um artigo raro e inacessível.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Tô de saco cheio: um novo padrão no atendimento ao consumidor

 

Camelôs na 25 de Março

 

Um novo padrão de atendimento ao consumidor foi o tema de debate que tive oportunidade de mediar, alguns dias atrás, a convite da Editora Padrão, que colocou no palco os representantes de algumas das principais prestadoras de serviço do país. Itau, TIM, Claro, Oi, Sky e Nova.com – que reúne o comércio eletrônico de Ponto Frio, Extra e Casas Bahia – se fizeram presentes através de seus vice-presidentes e diretores responsáveis pelo atendimento ao cliente – uma turma que exerce o papel do marisco, frágil animal marinho que vive entre o mar e o rochedo. Longe de mim querer eximí-los da responsabilidade de prestar o melhor serviço possível. É para isso que usam o crachá da empresa. Mas, com certeza, ocupam uma função ingrata, pois têm de equilibrar as forças entre os interesses das corporações e os direitos dos clientes.

 

No palco, diante de plateia especializada e interessada no assunto, defenderam de forma convicta tudo que suas empresas realizam e deixam de fazer. Fora dele, ouvi, em off, frases do tipo “realmente, aqui em São Paulo nosso serviço é muito ruim”. Publicamente, foram unânimes em destacar a complexidade do serviço prestado, em especial daqueles setores com uma base de clientes tão grande quanto o da telefonia, por exemplo. Reclamam que a necessidade de atender legislações diferentes em cada cidade e Estado complica ainda mais as ações, além de torná-las caras. Um exemplo é a Lei de Entrega em vigor no Estado de São Paulo, na qual as empresas são obrigadas a informar a data e o turno em que a encomenda será entregue, sem cobrar taxa extra, regra estabelecida para que o cliente não tenha de perder o dia inteiro aguardando em “horário comercial”. A lei atrapalha, entre outras coisas, a logística das empresas, pois pode ocorrer de o caminhão ter de fazer mais de uma viagem para o mesmo bairro ou rua, no mesmo dia, em horários diversos. Sem contar que os Correios, maior empresa de entregas do Brasil, não tem a obrigação de atender o horário estabelecido, ficando a responsabilidade apenas para quem vende a mercadoria.

 

As empresas têm razão em parte no que reclamam, mas ao mesmo tempo não aceitam reduzir a velocidade dos seus planos de expansão e acabam vendendo mais do que podem entregar. Além disso, em lugar de “complexo e difícil”, palavras usadas para justificar falhas no atendimento, oferecem na propaganda o “simples e fácil”. Ou como bem definiu Marcelo Sodré, um dos criadores do Código de Defesa do Consumidor, também participante do debate: “as empresas vendem o Mundo dos Jetsons e entregam o Mundo dos Flinstones”.

 

Dito isso, registro que, a partir desta semana, criarei aqui no Blog a coluna “Tô de saco cheio”, na qual compartilharei com você, caro e raro leitor, problemas que enfrentamos no relacionamento com as empresas e prestadores de serviço. Por não ser especializado no assunto, a ideia é descrever minhas sensações e indignações como consumidor. Não tenho a pretensão de mudar o atendimento, quero apenas desabafar com você e, assim, evitar um ataque do coração, o que me levaria a ter de usar os serviços dos planos de saúde e a burocracia imposta por estas empresas quando você mais necessita (ops, já comecei).

A Ética tem futuro?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Na natureza, na tecnologia, na sociedade, o mundo vem mudando. E,não é novidade para ninguém. Nem mesmo a falta de ética, que começa a atingir novas áreas antes preservadas tem ficado a margem deste processo.

 

Ruy Castro em “Muito antes” na Folha de domingo talvez embalado pelo bordão Lulista do “Nunca antes” e motivado pelos acontecimentos entre NOVACAP* e VELHACAP* onde políticos contraventores e contraventores políticos se associam, quebrando tradicional requisito para o sucesso de ambos, relembra éticas históricas. Elementos suficientes para algumas considerações.

 

No Campeonato Carioca de futebol de 1913, Belfort Duarte, jogador do América, com a mão impediu um gol do adversário. Como o árbitro não deu o pênalti, Belfort exigiu que fosse cobrado o lance.

 

No rádio norte americano até o ano de 1950 não se tocava uma determinada música a cada intervalo de 24horas para preservar o ouvinte de escutar de novo a mesma gravação. Bem, depois veio a “payola”, isto é o “jabá”, e a ética foi mudada. Mudança esta rapidamente aceita em território brasileiro.

 

No futebol nacional até os anos 70 não se aceitava misturar na camisa nomes de empresas ou produtos. Hoje, a necessidade maior de aumentar arrecadação chega até os fundilhos dos calções, cada vez maiores, assim como das camisas obrigadas até a serem desfraldadas para utilização das extremidades. E, as sagradas camisas anunciam até camisinha.

 

No cinema e na TV até os anos 70 o merchandising foi utilizado dentro do conceito indireto. Campari e Cinzano marcaram fortemente seu posicionamento. Chegamos agora em nossas novelas e filmes a interferir em roteiros para apresentar marcas e produtos.

 

Na SUPERCAP*, à véspera do dia da mentira, o Bar Léo foi fechado por faltar com a ética ao servir chope da Ashby como se fosse Brahma. Buscando maior margem para cobrir problemas financeiros, passou a comprar o Ashby que lhe rendia mais no Mark Up. Quando alguém reclamava servia Brahma. Em menos de três meses, diferentemente dos eleitores, os conhecedores do sabor original denunciaram a farsa e o Bar Léo foi impedido de operar. Seu invejável currículo não foi suficiente para impedir a ação judicial, pelo contrário. Fundado em 1940, considerado pelo famoso jornalista norte americano David Zingler como tendo o melhor chope do mundo, pela revista Playboy como um dos cinco melhores do mundo, pela Veja São Paulo por quatro vezes como o melhor chope da cidade, pela Brahma como “Diplomata do Chopp” e “Rei do Colarinho”, o Bar Léo terá que ajustar contas com a justiça, a Brahma e os consumidores. O peso da fama agravará a trama. Para reabrir precisará enfim, voltar à Ética.

 

*Para os menores de 40, NOVACAP, VELHACAP, SUPERCAP são apelidos de Brasília, Rio e São Paulo muito usados na fase de construção da então nova capital. Hoje menos nova e mais envelhecida, talvez envilecida.

 

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Se você sentir que não dá, não força

 

Por Abigail Costa

Essa foi uma das inúmeras pérolas que colecionei durante os anos que passei pelos estádios de futebol.

Entre uma jogada e outra, o narrador soltava a frase….

Na ocasião, ela cabia durante os noventa minutos de jogo.

Saí das quatro linhas há algum tempo, mas o velho e bom profissional continua narrando as partidas. Entre outras palavras de efeito, ele caprichando nos “rrrrrrr”.

“Se você sentirrrrrrr que não dá, não forrrrrrrrça”.

Antes que alguém diga que temos que morrer tentando, (isso fica lindo no texto), faço aqui minhas costuras.

O não força não significa desistência.

Se a gente entender como uma forma de guardar forças para o que realmente interessa, a vida fica mais leve.

Não tem um dia que não me deparo com uma situação onde não forçar é o melhor resultado.

Isso, principalmente em relação as pessoas. As mais próximas, sempre.

“Será que não é melhor isso para você?” “Amanhã não é mais conveniente?”

“Quero aquilo, hoje mesmo!”

Mesmo sabendo que a decisão tomada não chega a ser a mais conveniente, fico quieta.

No lugar de espernear mostrando o por quê das escolhas, não forço.

Liberdade para ele, respeito pra mim.

E no trabalho? Quantas vezes isso não acontece?

Quantos por causa dos outros estragam seu dia, sua família? Prejudicam a família.

Insistiram e forçaram a barra.

Tenho usufruído da experiência do narrador. Tem dado certo.

“Isso vai te deixar feliz?”

Que bom!

Eu estou ainda melhor.

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung sem forçar

O insustentável preconceito do ser !

 

Por Rosana Jatobá

álbum de jef_safi no Flickr

Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos.

Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:

– Recomendo um passeio pelo nosso “Central Park”, disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!
-Então estarei em casa, repliquei ironicamente.
-Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um tipo de gente.
-A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da capital paulista?
-Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem “farofa” no parque.
-Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.
-Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar….

De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.

Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os “Paraíba”, que, aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a “Cabeça chata”, outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.

Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.

Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:

-O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:

O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, quero o teu amor”.

“É ofensivo”, diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.

A expressão “pé na cozinha”, para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.

O cronista Rubem Alves publicou esta semana na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta:

Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra “niger”para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim:
“Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe”…que quer dizer, agarre um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um negro, usa-se a palavra crioulo).
Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan “black is beautiful”. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém.

Será que na era Obama vão inventar “Pé na Presidência”, para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?

A origem social é outro fator que gera comentários tidos como “inofensivos”, mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que o picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:

– A minha “criadagem” não entra pelo elevador social !

E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona, frutinha, biba, “viado”, maricona, boiola e uma infinidade de apelidos, despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo?

Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:

– Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!
Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:
-Só podia ser loira!

Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:
– Só podia ser judeu!

A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia …

Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: “O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem”.

Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.

A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável.

O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorancia e alimenta o monstro da maldade.

Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:

-Só podia ser mendigo!

No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111 detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:

-Só podia ser bandido!

Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo, no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.

PS: Fui ao Ibirapuera num domingo e encontrei vários conterrâneos…

Rosana Jatobá é jornalista da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP. Toda sexta, conversa com os leitores do Blog do Mílton Jung sobre vida e consciência sustentáveis

Veja outras fotos no álbum digital de Jef Safi, no Flickr

Gays, lésbicas e as marcas

 

Por Laura Bacellar

Eu sou uma mulher branca de classe média, curso superior completo, casa e automóvel próprios, profissional autônoma, moradora de um bairro razoável em São Paulo, quase 50 anos. Recebo em casa, pelo telefone, por email, em folhetos, pelo celular ofertas e anúncios os mais variados, de forma constante e insistente. Bancos e cartões de crédito e fornecedores de internet concorrentes dos que já sou cliente, imobiliárias onde procurei uma sala anos atrás, concessionárias onde pedi informações, supermercados onde vou, restaurantes que entregam na minha região, lojas de roupa onde já comprei e toda sorte de negócios com que entro em contato direto ou através de listagens me procuram querendo que eu consuma seus produtos ou serviços.

Em anos e anos desse assédio, nenhum deles jamais falou comigo como lésbica, que eu sou.

Acho isso impressionante. No burburinho da concorrência, da necessidade de fazer negócios e atrair novos clientes, ninguém pensa nunca em dirigir-se ao segmento nada pequeno – 10% da população! – de homossexuais existentes em todos os locais e culturas e nichos. Como eu, esses milhões de gays e lésbicas espalhados pelo país são já consumidores de uma infinidade de produtos, mas ninguém nos vê nem fala com conosco.

Por exemplo, entre a infinidade de cartões de crédito existentes, não há um único associado a uma causa lgbt. Eu não tenho assim razão para adquirir outro além dos que já tenho, nem trocá-los. Seria seis por meia dúzia, não valeria o esforço. A mesma coisa os bancos, não conheço um único que ofereça qualquer atrativo para correntistas homossexuais. Ao contrário, o Itaú, por exemplo, tem homofobia embutida no sistema porque sua previdência privada não aceita a indicação de uma pessoa do mesmo sexo que o contribuinte e que seja declarada companheira.

Dá para aguentar isso? Um banco vir me dizer que não aceita que eu tenha uma companheira?

Banco do Brasil e Caixa Econômica são melhores porque internamente reconhecem uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo, estendendo benefícios aos companheiros de seus funcionários homossexuais. Lindo, mas e para os clientes? Nada, nenhum reles seguro de vida que dê desconto para casais do mesmo sexo ou poupança premiada ou qualquer coisa do gênero.

Mas não é só na área financeira que reina a falta de imaginação, é em todo lugar. As concessionárias estão loucas fazendo todo tipo de promoção para desovar carros, mas você já viu um folheto sequer que mostre duas mulheres ou dois homens sorridentes ao lado de um veículo 0 km? Pois é, eu também não. Uma concessionária que oferecesse veículos 4×4 ou picapes para mulheres e aceitasse financiar pela renda conjunta de duas iria faturar horrores, eles não sabem o que estão perdendo…

E lojas de lingerie e roupa íntima, alguém já pensou em como bem atender lésbicas e gays? Se eu quiser comprar algo interessante para minha companheira, vou ter que inventar uma história longa para não criar constrangimento na loja onde for, porque as atendentes sempre perguntam para quem é e tenho certeza de que não estão preparadas para ouvir a verdade. Nessas lojas vira e mexe eu ouço absurdos do tipo “seu marido vai adorar”… E uma marca é igual à outra em me ignorar como lésbica, jamais há fotos ou indicações que alguém notou que a população feminina não é apenas heterossexual.

Os exemplos se estendem ao infinito. Alguém já pensou em fazer uma casa de repouso inclusiva da diversidade? E uma casa de chá chiquérrima gls? Os fabricantes de roupas esportivas femininas olham as lésbicas como target? As lojas de ferramentas? Os fabricantes de calçados confortáveis?

Entre as 150 deliveries que me enchem de folhetos, alguma já pensou em arriscar nomes de pizza (ou sanduíches ou sushis) sugestivos, que cativassem um público atento a sentidos duplos como o gls?

Tudo pode ser oferecido com um olho atento para gays e lésbicas, mas produtos maiores – como imóveis – ou que envolvam mais sentimentos – como chocolates para presentes – têm um potencial enorme de se diferenciarem da concorrência caso estabeleçam uma comunicação minimamente eficiente conosco. É pura falta de imaginação não o fazerem, ou preconceito mesmo.

Pode ter certeza de que eu iria considerar com atenção triplicada as ofertas feitas por um negociante que me enxergasse e teria muita simpatia por uma marca que simpatizasse comigo.

Laura Bacellar é editora de livros responsável pela Editora Malagueta http://www.editoramalagueta.com.br e autora do livro O mercado gls, com Franco Reinaudo (São Paulo, Ed. Ideia e Ação, 2008).